Colapso da Idade do Bronze

O Declínio e a Queda da Civilização Mediterânea
Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Mapa do Colapso da Idade do Bronze Tardia, cerca de 1200 - 1150 a.C. (by Simeon Netchev, CC BY-NC-ND)
Mapa do Colapso e Transformação da Idade do Bronze Final Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

O Colapso da Idade do Bronze (também conhecido como Colapso do Final da Idade do Bronze) é um termo moderno que se refere ao declínio e queda das principais civilizações mediterrâneas durante os séculos XIII-XII a.C. A causa precisa do colapso da Idade do Bronze tem sido debatida por estudiosos há mais de um século, bem como a data em que provavelmente começou e quando terminou, sem que houvesse consenso.

O que se sabe claramente é que, entre cerca de 1250 - cerca de 1150 a.C., grandes cidades foram destruídas, civilizações inteiras desmoronaram, houve interrupção nas relações diplomáticas e comerciais, sistemas de escrita desapareceram e ocorreram devastação e morte generalizadas numa escala desconhecida até então.

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As causas inicialmente aventadas para o Colapso da Idade do Bronze são:

  • Catástrofes naturais (terremotos)
  • Mudanças climáticas (que causaram seca e fome)
  • Rebeliões internas (guerras de classes)
  • Invasões (principalmente pelos Povos do Mar)
  • Ruptura das relações comerciais/colapso de sistemas (instabilidade política)

Quando o colapso terminou, a região do Mediterrâneo entrou numa “idade das trevas”, na qual o ferro substituiu o bronze como o metal preferido, as relações diplomáticas e comerciais tornaram-se quase inexistentes e a arte, a arquitetura e a qualidade de vida em geral sofreram em comparação com épocas anteriores.

O que se seguiu à Idade do Bronze (cerca de 3300 - cerca de 1200 a.C.) foi a Idade do Ferro (cerca de 1200-550 a.C.), uma época de transformação e desenvolvimento e, em geral, não tão "sombria" quanto acreditavam os estudiosos do século XIX e início do século XX.

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Esta impressão da Idade do Ferro para estes autores parece ter sido derivada pelo contraste com a grandeza e prosperidade da Idade do Bronze mas, mesmo assim, ainda que as civilizações se reconstruíssem e se desenvolvessem, muito do que se perdeu não podia mais ser recuperado. As lições do Colapso da Idade do Bronze para os dias atuais são especialmente pertinentes, no momento em que o mundo com relações globalizadas apresenta várias semelhanças com a intrincada rede de nações que caracterizou aquele período.

A Idade do Bronze

A Idade do Bronze deve o seu nome à popularidade do uso do bronze na metalurgia e, assim, representa uma designação conveniente para este período. Esta época testemunhou o desenvolvimento da civilização, em todos os seus aspectos, na região do Mediterrâneo. Ficou mais conhecida devido aos avanços culturais e na linguagem, tecnologia, religião, arte, arquitetura, política, guerra e comércio.

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A Assíria, a Babilónia, o Egito, o Império Hitita e Mitani estavam estreitamente ligados numa rede de comércio e diplomacia.

A Idade do Bronze é aquilo que a maioria das pessoas recorda ao ouvir a expressão «história antiga», uma vez que foi durante este período que se construíram as Pirâmides de Gizé (durante o Império Antigo do Egito, c. 2613–2181 a.C.) e o Templo de Karnak, cujas obras se iniciaram no Império Médio do Egito (2040–1782 a.C.) e prosseguiram pelo Império Novo do Egito (cerca de 1570 – cerca de 1069 a.C.).

Na Mesopotâmia, o período de Uruque (cerca de 4000–3100 a.C.) testemunhou a invenção da roda e da escrita, entre outros avanços, fundindo-se esta era no chamado período Dinástico Arcaico na Mesopotâmia (cerca de 2900 – cerca de 2350/2334 a.C.) e, seguidamente, no período acadiano (2350/2334–2154 a.C.), durante o qual a primeira entidade política multicultural do mundo — o Império Acadiano — foi fundada por Sargão de Acádia (reinou 2334-2279 a.C.). Mais tarde, a Babilónia viria a tornar-se o grande centro de cultura e saber na Mesopotâmia, enquanto o Elão erguia grandiosas cidades.

Os Hititas estabeleceram-se na Anatólia (cerca de 2700-2400 a.C.) e construíram a grande cidade de Hattusa (cerca de 2500 a.C.). O Império Hitita (1400-1200 a.C.) floresceu e o Reino de Mitani estendia-se do norte do Iraque até a Turquia. A cultura cipriota desenvolveu-se na ilha de Chipre, assim como a cidade fenícia de Ugarit no Levante, entre outras, e a Civilização Micênica da Grécia (1600 - cerca de 1100 a.C.) estava no auge.

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Map of the Aegean Bronze Age Civilizations, c. 3000-1100 BCE
Mapa das Civilizações da Idade do Bronze Egeia, c. 3000–1100 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

À medida que cada entidade política se tornava mais estável e centralizada, o comércio floresceu até que, por volta de 1350 a.C., a Assíria, Babilónia, Egito, O Império Hitita e o Reino de Mitani encontravam-se estreitamente unidos numa rede comercial e diplomática denominada por estudiosos modernos como o "Clube das Grandes Potências" (Ancient Egypt, van de Mieroop, pág. 188). Tratava-se de uma teia bastante estreita de relacionamentos internacionais entre os monarcas mais poderosos da época e sua existência está bem estabelecida através das tabuinhas conhecidas como as Cartas de Amarna, datadas do século XIV a.C., que trazem a correspondência entre os reis egípcios e de outras nações.

Estas relações cordiais traziam prosperidade para as populações das regiões envolvidas. O comércio floresceu, como podemos constatar através dos grandes projetos de construção do Novo Império do Egito, entre outras evidências, e as nações progrediram por intermédio destes laços comerciais e diplomáticos. Este estilo de vida seria drasticamente alterado para pior a partir de meados do século XIII a.C., o que configura o chamado Colapso da Idade do Bronze.

Quando tudo terminou, das nações que integravam o Clube das Grandes Potências, apenas o Egito permaneceria intacto, e ainda assim numa forma muito reduzida, sobrevivendo graças ao rio Nilo, ao seu governo centralizado e à sua burocracia eficiente, ao excedente alimentar e à defesa bem-sucedida do território por parte de Ramessés III contra os Povos do Mar.

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As Causas do Colapso

Desde a época do egiptólogo francês Gaston Maspero (1846-1916, o primeiro a cunhar o termo "Povos do Mar" com referência às forças invasoras dos séculos XIII e XII a.C., em 1881), as causas do Colapso da Idade do Bronze tem sido apresentadas por académicos como lineares, acontecendo conforme uma sequência: terremotos levaram à destruição de cidades e geraram más colheitas (mudança climática) que conduziu à fome, o que por sua vez conduziu à instabilidade política e social e a rebeliões internas enquanto que, ao mesmo tempo, grandes populações, desalojadas de suas terras por dificuldades semelhantes, migraram para o Mediterrâneo e, em sua busca por um novo lar, investiram contras as populações existentes. Todas estas pressões finalmente resultaram na perda das relações diplomáticas e comerciais e a queda generalizada da civilização no Mediterrâneo.

The Sphinx Gate, Alacahöyük (Hittite settlement)
O Portal da Esfinge, Alacahöyük (Povoado Hitita) Carole Raddato (CC BY-SA)

O problema com este conceito linear de causas não reside somente no fato de ser simples demais - todas estas civilizações haviam sobrevivido a invasões, terremotos e instabilidade anteriormente -, mas porque sempre assume uma data específica para quando o colapso começou e terminou e, então, encontra eventos históricos que apoiam a narrativa e esta datação.

É bem mais provável, conforme preconizado por académicos como Eric H. Cline, A. Bernard Knapp, Stuart W. Manning e Brandon L. Drake, entre outros, que todas estas pressões ocorreram sobre a civilização do Mediterrâneo numa rápida sucessão, talvez quase simultaneamente, de forma que, antes que as populações se recuperassem de uma catástrofe, outra se desencadeava sobre eles. Cline refere-se a esse fenômeno como "uma tempestade perfeita de calamidades", explicando:

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Talvez os habitantes pudessem ter sobrevivido a um destes desastres, como um terremoto ou uma seca, mas não conseguiram resistir aos efeitos combinados de terremotos, secas e invasores ocorrendo em rápida sucessão. Um "efeito dominó" sucedeu-se então, no qual a desintegração de uma civilização levou à queda de outras.

(pág. 165)

Esta sugestão é mais provável, levando-se em conta, conforme já observado, que as civilizações mediterrâneas haviam resistido anteriormente a tais desafios e sobrevivido. Cline evita a armadilha de tentar datar o ano preciso do colapso, observando que sua data de 1177 a.C. representa apenas uma espécie de "taquigrafia acadêmica" para o seu início e não deve ser entendida como definitiva:

Pode-se argumentar que 1177 a.C. representa, para o final da Idade do Bronze Tardia, o mesmo que 476 d.C. para a queda de Roma e do Império Romano do Ocidente. Ou seja, tratam-se de datas que servem para os estudiosos indicarem o fim de um período histórico. A Itália foi invadida e Roma saqueada várias vezes durante o século V, incluindo o saque de 410 por Alarico e os visigodos e, em 455, por Genserico e os vândalos.

Havia também muitas outras razões para a queda de Roma, em acréscimo a esses ataques, e a história é bem mais complexa, como qualquer historiador especializado nos romanos pode atestar prontamente. Porém, é conveniente, e considerado aceitável pela comunidade acadêmica como uma forma de abreviação, relacionar a invasão de Odoacro e os ostrogodos ao fim dos dias de glória de Roma.

(pág. 172).

Tendo isto em conta, as causas do Colapso da Idade do Bronze devem ser consideradas como sugestões de probabilidades no que diz respeito às datas, mas costuma-se aceitar um período de tempo específico (aproximadamente cerca de 1250 - cerca de 1150 a.C.) e certos aspectos do colapso nesse intervalo, tais como as mudanças climáticas, mostram-se mais expressivos porque não há registro destes eventos, ao menos em graus tão extremos, antes desta época.

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Amarna Letter Tablet from Tushratta
Tabuinha com Carta de Amarna de Tusserata Priscila Scoville (CC BY-NC-SA)

Catástrofes naturais: Knapp e Manning ressaltam que a ocorrência de terremotos no Mediterrâneo era comum e tal não teria sido diferente nos séculos XIII-XII a.C. Citam o académico Robert Drews que, no seu estudo, "apresentou uma lista de 47 sítios destruídos na região num período de mais de 50 anos [do colapso]", mas sustentam que é difícil afirmar que foram destruídos por terremotos, invasões ou rebeliões internas (pág. 113). Knapp e Manning também indicam a possibilidade de "tempestades sísmicas" – uma série de terremotos em rápida sucessão – que podem explicar a destruição generalizada.

As mudanças climáticas podem ter desempenhado um papel significativo no colapso.

Mudanças Climáticas: o arqueólogo David Kaniewski menciona as mudanças climáticas como um fator primordial para o colapso, afirmando que "as alterações climáticas abruptas no final da Idade do Bronze Final causaram a quebra generalizada das colheitas, conduzindo a crises socioeconómicas e à insustentabilidade" (Knapp e Manning, pág. 102). Esta crise, segundo Kaniewski, teria causado as invasões/migrações em massa registradas pelas populações de Chipre, Anatólia e Egito.

O problema com esta alegação é a cronologia do Colapso da Idade do Bronze. Não há, conforme já observado, datas específicas para quando começou, terminou ou mesmo sobre a sua duração. As datas para o início do colapso variam de 1250 a 1186 até 1177 a.C., entre outras e, assim, não é possível assinalar as mudanças climáticas como uma causa específica. Knapp e Manning destacam que "não dispomos de quaisquer dados climáticos definidos do Mediterrâneo oriental" para este período, ainda que reconheçam o papel significativo das mudanças climáticas neste processo (pág. 117).

O académico Brandon L. Drake, no entanto, observa que "a caverna de Soreq, em Israel, contém um registro de 150.000 anos de precipitação para o norte do Levante" [através dos espeleotemas, que se formam através da sedimentação e cristalização de minerais dissolvidos na água], que mostra um declínio sem precedentes e constante nas chuvas em curso até 1150 a.C., época em que foi significativo o suficiente para causar seca prolongada. Citando os trabalhos de Kaniewski e de Harvey Weiss, Drake assinala que uma chamada megasseca (termo de Weiss) atingiu a região entre c. 1200 e 850 a.C., o que é atestado através da análise de registos polínicos e aluviais, bem como de cartas trocadas entre monarcas da época (Drake, pág. 1863). Drake conclui:

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Um declínio nas temperaturas da superfície do Mar Mediterrâneo, no período anterior a 1190 a.C., reduziu o fluxo anual de água doce, baixando as taxas de evaporação. Os ventos do oeste absorveram menos vapor de água, resultando em queda na precipitação.

(pág. 1868)

O declínio da precipitação levou à seca prolongada, que afetou as colheitas e resultou em fome generalizada, o que pode ter conduzido à migração/invasão.

Soreq Cave
Caverna de Soreq Dany Sternfeld (CC BY-NC-ND)

Rebeliões Internas: As guerras de classes – definidas como as classes mais baixas revoltando-se contra os privilégios da elite – são citadas como outra causa. Durante o reinado de Ramsés III (1186-1155 a.C.), é registrada a primeira greve de trabalhadores da história, devido à falta de pagamento aos construtores de túmulos em Deir-el-Medina. O roubo de túmulos no antigo Egito também se tornou desenfreado nesta época e o estudioso William H. Stiebing observa: "É interessante que o item que os ladrões mais frequentemente compravam com o seu saque eram alimentos" (pág. 227).

Cline cita a destruição da cidade cananeia de Hazor como "causada por uma rebelião interna dos habitantes da cidade", possivelmente pela falta de suprimentos alimentares adequados (pág. 148). As evidências arqueológicas e literárias sugerem de forma óbvia que a escassez de alimentos encorajou as classes mais baixas a se revoltarem contra aqueles que estariam controlando esses recursos.

Invasões: O Colapso da Idade do Bronze já foi atribuído unicamente à invasão dos chamados Povos do Mar, no período aproximado entre 1276 e 1178 a.C. A identidade desta coligação continua a ser debatida nos dias de hoje, mas, fossem quem fossem e viessem de onde vieram, causaram estragos nas civilizações do Mediterrâneo. Os nomes das tribos mencionadas são Sardana, Secele, Luca, Teres, Acauasa (ou Acaiuasa) e Pelesete, entre outras. As inscrições egípcias do Novo Império deixam claro que foram expulsos por Ramsés II (Ramsés, o Grande, r. 1279-1213 a.C.), seu filho – e sucessor – Merenptah (r. 1213-1203 a.C.) e Ramsés III, que os derrotou em 1178 a.C.

As invasões noutros locais, por outros povos, também costumam ser citadas como uma das principais causas. Stiebing destaca a teoria de Drew sobre as invasões, especialmente dos Povos do Mar:

Robert Drews propôs uma variação interessante sobre a invasões como uma explicação para o colapso, ressaltando as mudanças na arte da guerra como a razão para o fim da Idade do Bronze. De acordo com esta concepção, os bárbaros, como os Povos do Mar, haviam sido empregados há muito tempo como mercenários pelas Grandes Potências e, abruptamente, viraram-se contra seus senhores.

(pág. 229)

No entanto, trata-se de uma teoria insustentável pois ignora os registros bem estabelecidos dos monarcas egípcios – especialmente Ramsés III – que mostram os Povos do Mar chegando com suas esposas e filhos em carroças; indicando claramente uma onda migratória que acompanhava as forças invasoras.

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Ramesses III
Ramsés III Unknown Artist (Public Domain)

Perturbação das Relações Comerciais/Colapso dos Sistemas: A rotura dos laços comerciais e diplomáticos tem sido igualmente apontada como causa do colapso, mas esta não pode ser considerada primária, uma vez que não havia razão para que as Grandes Potências tivessem decidido subitamente pôr fim às relações e permitir que as suas culturas decaíssem ou que as suas civilizações efetivamente chegassem ao fim.

A interrupção do comércio deve ter sido, portanto, a culminação de pressões anteriores. A natureza global (ressaltando que o termo "global" refere-se aos povos do antigo Mediterrâneo) do comércio na época levara a relações tão próximas que, se uma caísse, as demais se seguiriam. Stiebing comenta:

[Os estudiosos] argumentam que as civilizações da Idade do Bronze sofreram um colapso de sistemas. As suas economias assentavam em bases demasiado restritas e as suas redes comerciais dependiam de condições relativamente pacíficas. Além disso, existiam graves problemas sociais (tais como a escravidão por dívidas, a alienação de terras e o abuso dos camponeses por parte da aristocracia) que provocavam um descontentamento interno.

Depois, no final do século XIII, a pirataria e os conflitos militares perturbaram o comércio. A quebra substancial do comércio conduziu, por sua vez, ao colapso económico, a revoltas e à rutura geral dos sistemas económico, político e social.

(pág. 230)

Nenhuma destas causas, por si só, podem explicar o Colapso da Idade do Bronze. A maioria dos estudiosos concorda com a conclusão sucintamente articulada por Marc van de Mieroop: “nenhuma causa específica pode explicar o que aconteceu em todas as regiões e estados” (Near East, pág. 190). Cenários que podem se encaixar em determinadas regiões não funcionam em outras e a explicação linear de uma causa que leva a outra ignora que, em épocas anteriores da história, houve desafios semelhantes, mas sem colapso.

A Idade das Trevas

O Império Hitita caiu, Ugarit foi destruída, a Civilização Micênica desapareceu, as cidades do Levante seguiram um padrão semelhante de declínio e os cipriotas também sofreram. A era de ouro do Clube das Grandes Potências e a prosperidade resultante tornaram-se apenas uma memória, mais tarde registrada em mito, principalmente na Grécia no século VIII a.C. por Homero e Hesíodo, que traziam à lembrança das pessoas um grande período do passado, já distante e muito superior ao presente.

Cline termina o seu livro, 1177 BC: The Year Civilization Collapsed (1177 a.C.: O Ano em que a Civilização Colapsou), com a nota otimista de que das cinzas do Colapso da Idade do Bronze surgiram as sementes das civilizações que viriam a produzir o mundo moderno. O autor sugere que «por vezes é necessário um incêndio de grande escala para ajudar a renovar o ecossistema de uma floresta primária e permitir-lhe prosperar novamente» (pág. 176). Isto é, sem dúvida, verdade mas, como o próprio também observa, fica-se a ponderar como seria o mundo moderno se não tivesse ocorrido o Colapso da Idade do Bronze.

Houve enormes ganhos culturais, obviamente, em épocas posteriores e a "idade das trevas" que se seguiu ao colapso não foi nem de longe tão sombria quando os académicos postulavam. Para citar apenas um exemplo, o Terceiro Período Intermediário do Egito (cerca de 1069-525 a.C.) ficou bem conhecido por seu artesanato em metalurgia, que trabalhava "em ouro e prata, mas a maior parte em bronze" (Shaw, pág. 361). O trabalho em bronze sobreviveu ao colapso, assim como muitos outros aspectos da civilização da Idade do Bronze.

Head of an Ibex
Cabeça de um Ibex (Cabra Selvagem) Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Enquanto alguns sistemas de escrita desapareciam - principalmente o micênico e minoico - o alfabeto fenício veio ocupar o seu lugar. Gradualmente, os povos do Mediterrâneo que sobreviveram ao colapso adaptaram-se à sua nova realidade e reconstruíram as suas vidas. Tais vidas mostraram-se bem diferentes do que teriam sido caso não houvesse o colapso mas, como assinalou o filósofo grego pré-socrático Heráclito de Éfeso, a essência da vida é a mudança e todas as coisas, em todas as épocas, enfrentam a transformação - voluntária ou involuntariamente - e, assim, isso ocorreu com as civilizações da Idade do Bronze.

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Mesmo assim, o paralelo entre o período do colapso e os dias modernos parece bastante impressionante na medida em que atualmente, como naquela época, o mundo está estreitamente relacionado através do comércio e diplomacia globais e a queda de uma nação certamente afetará o destino das demais.

Como Cline observa,

Num sistema complexo como o nosso mundo atual, [um ponto de inflexão] é tudo o que pode ser necessário para que o sistema geral se desestabilize, levando ao colapso

(pág. 176).

Esse ponto de inflexão, conforme estabelece a ciência moderna e a observação empírica, são as mudanças climáticas; o único fator, entre as causas do Colapso da Idade do Bronze, que arqueólogos e estudiosos respeitados consideram sem precedentes naquela época.

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Perguntas & Respostas

O que foi o colapso da Idade do Bronze?

O Colapso da Idade do Bronze foi um acontecimento que ocorreu entre cerca de 1250 e cerca de 1150 a.C. e que resultou na destruição ou no colapso das principais civilizações mediterrânicas.

O que provocou o colapso da Idade do Bronze?

Entre as causas do colapso da Idade do Bronze contam-se as alterações climáticas, catástrofes naturais como os sismos, as lutas de classes, as invasões dos Povos do Mar e a perturbação generalizada do comércio.

Será que a Idade do Bronze chegou ao fim de uma só vez?

Não. A Idade do Bronze entrou em colapso gradualmente à medida que as diferentes civilizações, como o Império Hitita, entraram em declínio, o que criou um efeito de dominó que causou problemas significativos a outras civilizações, uma vez que todas elas estavam interligadas através da diplomacia e do comércio.

Por que razão o antigo Egito sobreviveu ao colapso da Idade do Bronze, ao passo que outras civilizações não o conseguiram?

O Antigo Egito sobreviveu ao colapso da Idade do Bronze graças ao seu governo centralizado, ao excedente alimentar, ao rio Nilo e à forte defesa do território por Ramsés III contra a invasão dos Povos do Mar. Mesmo assim, o Egito sobreviveu numa forma bastante reduzida.

Bibliografia

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Mark, J. J. (2026, agosto 25). Colapso da Idade do Bronze: O Declínio e a Queda da Civilização Mediterânea. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10433/colapso-da-idade-do-bronze/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Colapso da Idade do Bronze: O Declínio e a Queda da Civilização Mediterânea." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 25, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10433/colapso-da-idade-do-bronze/.

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Mark, Joshua J.. "Colapso da Idade do Bronze: O Declínio e a Queda da Civilização Mediterânea." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 25 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10433/colapso-da-idade-do-bronze/.

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