Babilónia

A Porta dos Deuses

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por , traduzido por Filipa Oliveira
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Lion of Babylon, Ishtar Gate (by Jan van der Crabben, CC BY-NC-SA)
Leão da Babilónia, Portão de Ishtar Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA)

Babilónia é a cidade mais famosa da antiga Mesopotâmia, cujas ruínas se situam na atual Hillah, no Iraque, a 94 quilómetros (59 milhas) a sudoeste de Bagdade. O seu nome deriva de bav-il ou bav-ilim, que em acádio significava "Porta de Deus" (o mesmo que "Porta dos Deuses"), sendo grafada como Babylon em grego. No seu tempo, foi um grande centro cultural e religioso e, no seu apogeu, a maior cidade do mundo.

A cidade era referida com admiração pelos antigos escritores gregos e foi, segundo os relatos, o local dos Jardins Suspensos da Babilónia, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. A sua reputação acabou por ser manchada pelas inúmeras referências desfavoráveis na Bíblia, a começar pelo Génesis 11:1-9 e pela história da Torre de Babel, associada ao Etemenanki ("A Casa do Fundamento do Céu e da Terra"), o grande zigurate da Babilónia.

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A cidade surge também sob uma perspetiva negativa nos livros de Daniel, Jeremias e Isaías e, de forma mais célebre, no livro do Apocalipse. O académico Paul Kriwaczek observa que a Babilónia "pode culpar inteiramente a Bíblia pela sua má reputação" (pág. 167). Embora nenhuma destas narrativas fale bem da cidade, foram elas as derradeiras responsáveis pela sua fama (ou infâmia) na era moderna, o que levou à sua redescoberta pelo arqueólogo alemão Robert Koldewey em 1899.

A Babilónia foi fundada num momento anterior ao reinado de Sargão de Acádia (o Grande, 2334–2279 a.C.) e parece ter sido uma pequena cidade portuária no rio Eufrates até à ascensão de Hamurabi (reinou 1792–1750 a.C.), que a tornou a capital do seu Império Babilónico. Após a morte de Hamurabi, o seu império desmoronou-se rapidamente. A cidade foi saqueada pelos hititas em 1595 a.C. e, posteriormente, tomada pelos cassitas, que a rebatizaram de Karanduniash.

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A menção mais antiga à cidade provém de uma inscrição da época de Sargão de Acádia.

A cidade foi brevemente governada pelos caldeus (século IX a.C.), cujo nome se tornou sinónimo de babilónios para os escritores gregos posteriores (notavelmente Heródoto) e escribas bíblicos, tendo sido depois controlada pelo Império Neoassírio (912–612 a.C.) antes de ser tomada por Nabopolassar (reinado 626–605 a.C.), que fundou o Império Neobabilónico. A Babilónia caiu nas mãos dos persas sob o comando de Ciro II (o Grande, reinou por volta de 550–530 a.C.) e foi a capital do Império Aqueménida (550–330 a.C.) até cair perante Alexandre, o Grande, em 331 a.C.

Continuou a ser um importante centro comercial sob os posteriores Império Selêucida (312–63 a.C.), Império Pártaro (247 a.C. a 224 d.C.) e Império Sassânida (224–651 d.C.), mas nunca voltou a atingir o apogeu conhecido sob o governo de Hamurabi ou do rei neobabilónico Nabucodonosor II (reinado 605/604–562 a.C.). A cidade entrou em declínio após a conquista árabe-muçulmana no século VII e acabou por ser abandonada.

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Babilónia permaneceu conhecida apenas através das narrativas bíblicas e dos escritores clássicos até à sua descoberta no século XIX. Na década de 1980, foram feitas tentativas de restauração sob o mandato do então presidente Saddam Hussein, incluindo uma reconstrução da Porta de Ishtar (a porta real encontra-se atualmente no Museu de Pérgamo, em Berlim, na Alemanha). Em 2019, as ruínas da grande cidade foram declaradas Património Mundial da UNESCO.

Map of Tthe Ancient Near East c. 1700 BCE
Mapa do Antigo Próximo Oriente cerca de 1700 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A Cidade Portuária e Hamurabi

A menção mais antiga à cidade provém de uma inscrição da época de Sargão de Acádia. Por esta altura, parece ter sido uma cidade portuária pequena, mas lucrativa, nas margens do rio. Sob o reinado do posterior rei acádio Shar-Kali-Sharri (reinou 2217–2193 a.C.), está registado que foram construídos dois templos na Babilónia; mais tarde, a cidade caiu sob o controlo da cidade de Kazallu, até ser libertada pelo chefe amorrita Sumu-abum (reinado circa 1895 a.C.), cujo sucessor, Sumu-la-ilu (também grafado como Sumu-la-El, reinado 1880–1845 a.C.), foi o fundador da primeira dinastia de reis na Babilónia. A cidade era ainda um pequeno porto nesta época, ofuscada pelas cidades-estado vizinhas.

O rei Sin-Muballit (reinado 1812–1793 a.C.) embelezou a cidade, mas não conseguiu elevá-la acima das restantes, acabando por liderar uma campanha militar contra a mais poderosa das cidades-estado vizinhas, Larsa, na qual foi derrotado. Foi então forçado a abdicar a favor do seu filho, Hamurabi, que se submeteu discretamente ao rei de Larsa e se ocupou a reforçar as muralhas da Babilónia e a embelezar a cidade enquanto, secretamente, recrutava e treinava um exército.

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Quando Larsa o convocou para fornecer tropas com o intuito de repelir os invasores elamitas, Hamurabi obedeceu; contudo, assim que a região foi assegurada, tomou as cidades de Isin e Uruk a Larsa, formou alianças com Lagash e Nippur e conquistou Larsa por completo. Continuou depois as suas campanhas, promulgando os seus códigos de leis, conquistando a Mesopotâmia e estabelecendo o seu império.

Code of Hammurabi
Código de Hamurabi Larry Koester (CC BY)

O Código de Hamurabi é amplamente conhecido, mas constitui apenas um exemplo das políticas que o monarca implementou para manter a paz e incentivar a prosperidade. Hamurabi ampliou e elevou as muralhas da cidade, envolveu-se em grandes obras públicas — que incluíam canais e templos opulentos — e fez da diplomacia uma parte integrante da sua administração.

O seu sucesso, tanto na diplomacia como na guerra, foi de tal ordem que, por volta de 1755 a.C., tinha unificado toda a Mesopotâmia sob o domínio da Babilónia. Por esta altura, esta era já a maior cidade do mundo, com uma população estimada em mais de 200 000 habitantes. Após as conquistas de Hamurabi, a cidade tornou-se tão poderosa e famosa que toda a região sul da Mesopotâmia passou a ser designada por Babilónia.

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Os Assírios e Nabucodonosor II

Após a morte de Hamurabi, o seu império desmoronou-se, e a Babilónia definhou em tamanho e influência até ser facilmente saqueada pelos hititas em 1595 a.C. Os cassitas sucederam aos hititas e rebatizaram a cidade de Karanduniash. Num momento indeterminado entre os séculos XIV e IX a.C., foi iniciado o grande zigurate da Babilónia, que mais tarde viria a ser associado à Torre de Babel. Pensa-se que esta ligação se deveu a uma interpretação errónea do acádio bav-il ("Porta dos Deuses") como o hebraico bavel ("confusão").

Recreation of the Etemenanki in Babylon
Recriação do Etemenanki da Babilónia Ancient History Magazine / Karwansaray Publishers (Copyright)

Na narrativa do Génesis, o povo ambiciona criar um nome para si mesmo, para ser recordado após a morte, e por isso começa a erguer uma grande torre que alcance os céus. Deus enfurece-se com esta iniciativa, preocupado que, se o povo for autorizado a atingir o seu objetivo, ganhará a audácia necessária para tentar outros e, assim, perturbar a ordem natural. Por conseguinte, decreta que deixarão de falar a mesma língua, confundindo os seus idiomas; uma vez que já não se conseguem compreender uns aos outros, a torre é deixada inacabada.

O académico Samuel Noah Kramer explica a história como uma tentativa de justificar a existência dos múltiplos zigurates em ruínas — incluindo o da Babilónia — que foram vistos pelos escribas hebreus ou descritos aos mesmos (Sumérios, pág. 293–294). Kramer afirma que o estado de ruína destas grandiosas estruturas sugeria um castigo divino infligido por uma "divindade irada", face à arrogância da humanidade em tentar erguer monumentos que alcançassem os céus. Para os sumérios, contudo (como Kramer também observa), os zigurates constituíam uma forma de comunhão entre o reino dos mortais e o do divino.

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Em 689 a.C., Senaqueribe mandou saquear a cidade, arrasá-la e dispersar as suas ruínas como uma lição para terceiros.

Os assírios sucederam aos cassitas no domínio da região e, sob o reinado do rei neoassírio Senaqueribe (705–681 a.C.), a Babilónia revoltou-se continuamente. Senaqueribe acabou por perder a paciência em 689 a.C., mandando saquear a cidade, arrasá-la e dispersar as suas ruínas como uma lição para terceiros. As suas medidas extremas foram consideradas ímpias pela população em geral e pela corte de Senaqueribe em particular, tendo o monarca sido assassinado pouco tempo depois pelos seus próprios filhos, que justificaram o ato como uma vingança pela desolação da Babilónia.

O seu sucessor, Assaradão (reinado 681–669 a.C.), iniciou os esforços para devolver à Babilónia a sua antiga glória, supervisionando pessoalmente os trabalhos. Mais tarde, a cidade revoltou-se contra o sucessor deste, Assurbanípal (reinou 668–627 a.C.), que esmagou a rebelião, mas não causou danos significativos à Babilónia; de facto, purificou pessoalmente a cidade dos espíritos malignos que se julgava terem originado a revolta. A reputação da cidade como um centro de erudição e cultura já se encontrava plenamente estabelecida nesta época.

Após a queda do Império Assírio, o rei caldeu Nabopolassar subiu ao trono da Babilónia e, através de alianças ponderadas, fundou o Império Neobabilónico. O seu filho, Nabucodonosor II, renovou a cidade de tal forma que esta passou a cobrir 900 hectares (2200 acres) de terreno, ostentando algumas das estruturas mais belas e impressionantes de toda a Mesopotâmia.

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Ruins of the North Palace of  Nebuchadnezzar II, Babylon
Ruínas do Palácio Norte de Nabucodonosor II, Babilônia Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Todos os escritores da Antiguidade que mencionam a cidade da Babilónia, com exceção dos escribas bíblicos, referem-se à cidade com admiração ao descreverem o grande zigurate Etemenanki — "O Fundamento do Céu e da Terra" —, as imensas muralhas da cidade, a Porta de Ishtar e os Jardins Suspensos da Babilónia. Heródoto comenta o tamanho da cidade:

A cidade ergue-se numa vasta planície e forma um quadrado exato, com cento e vinte estádios de comprimento de cada lado, de modo que todo o seu perímetro é de quatrocentos e oitenta estádios. Sendo este o seu tamanho, em magnificência não há outra cidade que se lhe aproxime. É rodeada, em primeiro lugar, por um fosso largo e profundo, cheio de água, atrás do qual se eleva uma muralha com cinquenta côvados reais de largura e duzentos de altura.

(I.178)

Embora se acredite geralmente que Heródoto exagerou em grande medida as dimensões da cidade (e que poderá mesmo nunca ter visitado o local em pessoa), a sua descrição ecoa a admiração de outros escritores da época que registaram a imponência da Babilónia, e especialmente as suas grandes muralhas, como uma maravilha do mundo.

Ishtar Gate (Artist's Impression)
Porta de Ishtar (Concepção Artística) Mohawk Games (Copyright)

Foi no Período Neobabilónico, sob o reinado de Nabucodonosor II (que também testemunhou o início do Cativeiro da Babilónia dos judeus), que se diz terem sido construídos os Jardins Suspensos da Babilónia e erguida a famosa Porta de Ishtar. Os Jardins Suspensos são descritos de forma mais explícita numa passagem de Diodoro Sículo (90–30 a.C.), na sua obra Biblioteca Histórica, Livro II.10 (em Grego Antigo Original: Βιβλιοθήκη Ἱστορική (Bibliothēkē Historikē)):

Havia também, junto à acrópole, o Jardim Suspenso, como é chamado, que foi construído não por Semíramis, mas por um rei sírio posterior para agradar a uma das suas concubinas; pois consta que ela, sendo de raça persa e ansiando pelos prados das suas montanhas, pediu ao rei que imitasse, através do artifício de um jardim plantado, a paisagem distinta da Pérsia.

O parque estendia-se por quatro pletros de cada lado e, como o acesso ao jardim se inclinava como uma encosta e as várias partes da estrutura se elevavam progressivamente em patamares, o aspeto do conjunto assemelhava-se ao de um teatro.

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Uma vez erguidos os terraços ascendentes, construíram-se sob eles galerias que sustentavam todo o peso do jardim plantado e se elevavam pouco a pouco, umas sobre as outras, ao longo do acesso; e a galeria mais alta, que tinha cinquenta côvados de altura, suportava a superfície mais elevada do parque, a qual estava nivelada com a muralha do circuito de ameias da cidade.

Além disso, as paredes, que tinham sido construídas com grandes custos, tinham vinte e dois pés de espessura, enquanto a passagem entre cada duas paredes tinha dez pés de largura. Os tetos das galerias eram cobertos com vigas de pedra de dezasseis pés de comprimento, incluindo a sobreposição, e quatro pés de largura.

O teto sobre estas vigas tinha, em primeiro lugar, uma camada de canas dispostas em grandes quantidades de betume, sobre esta duas fiadas de tijolo cozido ligadas por cimento e, como terceira camada, uma cobertura de chumbo, com o intuito de que a humidade do solo não penetrasse na parte inferior.

Sobre tudo isto fora amontoada terra numa profundidade suficiente para as raízes das árvores de maior porte; e o solo, que fora nivelado, foi densamente plantado com árvores de todos os tipos que, pelo seu grande tamanho ou qualquer outro encanto, pudessem dar prazer a quem as observasse.

E como as galerias, projetando-se cada uma para além da anterior, recebiam todas luz, continham muitos aposentos reais de todas as descrições; e havia uma galeria que continha aberturas que conduziam da superfície mais alta e máquinas para abastecer o jardim com água, erguendo as máquinas a água em grande abundância a partir do rio, embora ninguém no exterior conseguisse ver como era feito. Ora, este parque, como referi, foi uma construção posterior.

Esta parte da obra de Diodoro diz respeito à rainha semimítica Semíramis (provavelmente baseada na verdadeira rainha assíria Sammu-ramat, reinado 811–806 a.C.). A sua referência a "um rei sírio posterior" segue a tendência de Heródoto de se referir à Mesopotâmia como "Assíria". Estudos recentes sobre o tema argumentam que os Jardins Suspensos nunca se situaram na Babilónia, tendo sido, em vez disso, uma criação de Senaqueribe na sua capital, Nínive. O académico Christopher Scarre escreve:

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O palácio de Senaqueribe [em Nínive] possuía todos os adereços habituais de uma grande residência assíria: figuras gigantescas de guardiães e relevos em pedra impressionantemente esculpidos (mais de 2000 placas esculpidas em 71 salas). Os seus jardins também eram excecionais. Investigações recentes da assirióloga britânica Stephanie Dalley sugerem que estes eram os famosos Jardins Suspensos, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Escritores posteriores localizaram os Jardins Suspensos na Babilónia, mas investigações exaustivas não conseguiram encontrar qualquer vestígio deles. O relato orgulhoso de Senaqueribe sobre os jardins do palácio que criou em Nínive coincide com o dos Jardins Suspensos em vários detalhes significativos.

(pág. 231)

Se os jardins estivessem de facto na Babilónia, teriam feito parte do complexo central da cidade. O rio Eufrates dividia a cidade em duas partes, entre os bairros antigo e novo, situando-se o Templo de Marduque e o grande e imponente zigurate no bairro novo, onde, muito provavelmente, os jardins também se localizariam. As ruas e avenidas tinham sido alargadas sob o reinado de Assaradão para melhor acomodar a procissão anual da estátua do grande deus Marduque na sua jornada desde o seu templo de origem, na cidade, até ao Templo do Festival do Ano Novo, no exterior da Porta de Ishtar; estas vias foram ainda mais aperfeiçoadas por Nabucodonosor II, a quem também se atribui a conclusão do Etemenanki.

Hanging Gardens (Artist's Impression)
Jardins Suspensos (Concepção Artística) Mohawk Games (Copyright)

A Conquista Persa

O Império Neobabilónico teve continuidade após a morte de Nabucodonosor II, e a Babilónia permaneceu uma cidade de grande relevância sob o governo de Nabonido (reinado 556–539 a.C.), conhecido como "o primeiro arqueólogo" devido aos seus esforços de restauro de locais mais antigos (como o zigurate de Ur). Em 539 a.C., o império caiu perante os persas liderados por Ciro, o Grande, na Batalha de Opis. As muralhas da Babilónia eram inexpugnáveis, pelo que os persas conceberam um plano engenhoso no qual desviaram o curso do rio Eufrates, de modo a que este ficasse com uma profundidade transitável.

Enquanto os habitantes da cidade se encontravam distraídos com um dos seus grandes dias de festividades religiosas, o exército persa atravessou o rio a vau e marchou sob as muralhas da Babilónia sem ser notado. Reivindicou-se que a cidade fora tomada sem luta, embora documentos da época indiquem que tiveram de ser feitas reparações nas muralhas e nalguns setores da cidade, sugerindo que a ação talvez não tenha sido tão fácil como o relato persa alegava.

Great Gate of Ishtar
Grandioso Portão de Ishtar Rictor Norton (CC BY-NC-SA)

Sob o domínio persa, a Babilónia floresceu como um centro de arte e educação. Ciro e os seus sucessores tinham a cidade em grande consideração, tornando-a uma das capitais administrativas do seu império. A matemática, a cosmologia e a astronomia babilónicas eram profundamente respeitadas, e pensa-se que Tales de Mileto (585 a.C.), o "primeiro filósofo", terá estudado na cidade e que o filósofo posterior, Pitágoras (cerca de 571 a cerca de 497 a.C.), desenvolveu o seu famoso teorema matemático com base num modelo babilónico.

Conclusão

Após a queda do Império Aqueménida perante Alexandre, o Grande, em 331 a.C., este deu continuidade ao tratamento respeitoso para com a cidade, ordenando aos seus homens que não danificassem os edifícios nem molestassem os habitantes. Alexandre ambicionava embelezar e restaurar a cidade, mas faleceu antes que os seus planos pudessem ser implementados. O académico Stephen Bertman observa:

Antes da sua morte, Alexandre, o Grande, ordenou o desmantelamento da superestrutura do zigurate da Babilónia, com o intuito de que este fosse reconstruído com maior esplendor. Contudo, não viveu o suficiente para ver o seu projeto concluído. Ao longo dos séculos, os seus tijolos dispersos foram canibalizados por camponeses para realizar sonhos mais humildes. Tudo o que resta da lendária Torre de Babel é o leito de uma lagoa pantanosa.

(pág. 14)

Após a morte de Alexandre na Babilónia, em 323 a.C., durante as Guerras dos Diádocos, os seus sucessores lutaram pelo controlo do império em geral e da cidade em particular, a um ponto tal que os habitantes fugiram para sua própria segurança (ou, de acordo com um relato da Antiguidade, foram reinstalados noutro local). Na época em que o Império Pártaro governava a região, a Babilónia era já uma versão empobrecida do seu passado. A cidade caiu progressivamente em ruínas e, mesmo durante um breve renascimento sob o Império Sassânida, nunca se aproximou da sua antiga grandeza.

Com a conquista árabe-muçulmana da região, em 651, o que restava da Babilónia foi varrido e, com o passar do tempo, acabou sepultado sob as areias. Nos séculos XVII e XVIII, os viajantes europeus começaram a explorar a zona, regressando aos seus países de origem com vários artefactos de interesse. No século XIX, os museus e as instituições de ensino superior europeias, na esperança de encontrar provas arqueológicas que sustentassem as narrativas bíblicas, patrocinaram diversas expedições à região, as quais desenterraram muitas das maiores cidades mesopotâmicas; entre elas estava a Babilónia, a outrora poderosa Porta dos Deuses.

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Perguntas & Respostas

Porque é que a Babilónia é famosa?

A Babilónia era famosa no seu tempo por ser um grande centro intelectual, cultural e religioso. Hoje, é mais conhecida pela sua representação na Bíblia como uma cidade de pecado e depravação.

Era a Torre de Babel realmente localizada na Babilónia?

A história da Torre de Babel na Bíblia (Gênesis 11: 1-9) nunca menciona especificamente a Babilónia, apenas faz referência à "cidade e à torre". Acredita-se que os escribas hebreus tenham associado a torre à Babilónia devido a uma má interpretação do nome acádio para Babilónia, que significava "Portão dos Deuses", com a palavra hebraica para "confusão".

De onde vem o nome Babilónia e o que significa?

O nome Babilónia vem do acádio "bav-il", que significa "Portão do Deus" ou "Portão dos Deuses".

Como a Babilônia sucumbiu?

Babilônia foi atacada e destruída por Senaqueribe da Assíria e por Xerxes I da Pérsia, mas foi reconstruída. Ela finalmente caiu simplesmente por negligência. Ela estava em péssimas condições por volta de 651, quando os árabes muçulmanos varreram a região e danificaram a cidade, sendo abandonada algum tempo depois.

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Mark, J. J. (2026, junho 17). Babilónia: A Porta dos Deuses. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-53/babilonia/

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Mark, Joshua J.. "Babilónia: A Porta dos Deuses." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, junho 17, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-53/babilonia/.

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Mark, Joshua J.. "Babilónia: A Porta dos Deuses." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 17 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-53/babilonia/.

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