Os deuses da Mesopotâmia não eram uniformes em nome, poder, origem ou posição hierárquica. A cultura mesopotâmica ia variando de região para região e, por esta mesma razão, não devemos assumir Marduk como o Rei dos Deuses, tal como sucedera com Zeus na Grécia. Se Marduk era altamente venerado na Babilónia, por sua vez, na Suméria era Enlil quem detinha a mesma posição.
Um outro ponto que convém, ainda, salientar é quanto à palavra 'demónio': na sua aceção moderna de espírito maléfico, deriva do grego 'daimon', que signifcava simplesmente 'espírito'. De igual modo, muitas das entidades sobrenaturais do panteão mesopotâmico, embora hoje designadas como 'demónios', não eram inerentemente más.
A lista que se segue apresenta alguns dos deuses do panteão mesopotâmico. Contudo, e dado que na Mesopotâmia se veneravam entre 300 e 1000 divindades diferentes, esta não é, de forma alguma, uma listagem completa. Como afirma Thorkild Jacobsen, na sua obra The Treasures of Darkness: A History of Mesopotamian Religion, "Os deuses que compunham a assembleia divina eram uma legião. Não é possível caracterizar mais do que uns quantos dos mais proeminentes". Não obstante, a presente lista procura ser tão abrangente quanto possível, tendo por base as fontes primárias dos mitos, contos e poemas da Mesopotâmia, bem como, em parte, os trabalhos de Jeremy A. Black, Stephanie Dalley, Will Durant, Thorkild Jacobsen, Samuel Noah Kramer e Gwendolyn Leick. Figuras não divinas que desempenhavam um papel de relevo em obras famosas (como Etana) são incluídas apenas pontualmente.
Os Deuses Mesopotâmicos
ABGAL - Sete sábios da mitologia suméria que, no início dos tempos, foram enviados à Terra por Enki com a missão de entregar aos seres humanos as `me' (as leis) sagradas da civilização. Entre os acádios e babilónios eram conhecidos como os Apkallu, ou Peixes Apkallu. Surgem retratados com um corpo de peixe e cabeça de homem, ou com um torso de peixe e braços, pernas e cabeça humanos, ora com, ora sem asas. Segundo a tradição babilónica, os Apkallu podem também assumir a forma de grifos ou de humanos alados. Os Abgal surgem representados a transportar um balde e um cone de incenso para rituais de purificação. Os seus nomes eram: Adapa (o primeiro homem), Uan-dugga, En-me-duga, En-me-galanna, En-me-buluga, An-enlilda e Utu-abzu.
ABSU - Divindade babilónica, acádia e suméria das águas doces primordiais. Igualmente conhecido por Apsu e Abzu, circundava a Terra e fundira as suas águas com as águas salgadas da sua consorte, Tiamat, união da qual nasceram as restantes divindades. A sua morte às mãos do seu filho, Ea, desencadeou uma guerra entre os deuses e Tiamat. O seu mito é narrado no Enuma Elish, onde é retratado como uma entidade mais etérea do que física.
ADAD - Deus babilónico das tempestades e tormentas, considerado uma contraparte mais sombria do deus sumério Ninurta. Conhecido pelos Sumérios como Ishkur, é representado na companhia de um dragão com cabeça de leão ou de um touro, a empunhar um martelo ou um relâmpago. Tinha como consorte a deusa Shala.
ADAPA - Na mitologia suméria e babilónica, é considerado o primeiro homem, criado como filho de Ea (ou Enki). Irritado por uma rajada de vento ter virado o seu barco, partiu as asas do Vento Sul, sendo forçado a viajar até aos céus para se desculpar perante o deus Anu. Ea, sabendo que Anu lhe ofereceria o alimento da imortalidade, advertiu Adapa de que não comesse, nem bebesse nada na morada dos deuses, sob pena de uma morte certa. Adapa acatou o conselho de Ea e, ao recusar a comida e a bebida que lhe foram oferecidas, perdeu por engano a sua única oportunidade de se tornar imortal. Foi o primeiro dos Abgal, os sete sábios da antiguidade.
ADRAMELECH - Divindade solar babilónica e personificação do sol, considerado a fonte e o sustento da vida. Tinha como consorte Anamelech, a deusa da lua. A sua representação na Bíblia (II Reis 17:31) é, contudo, negativa, sendo associado à exigência de sacrifícios infantis. De igual modo, no Paraíso Perdido de Milton, surge retratado como um demónio maligno.
AJA - Deusa acádia do amanhecer, consorte de Shamash. Estava associada à juventude, ao amor sexual e ao matrimónio, sendo conhecida pelo epíteto de 'A Noiva'. Aja (igualmente conhecida por Aya) constitui uma evolução da mais antiga e popular deusa suméria Sherida.
APKALLU GRIFFIN - Contraparte babilónica dos Abgal.
APSU - Referente a Absu/Abzu.
AMURRU - Nome sumério e acádio do deus do céu e das tempestades do povo Amorita, que migrara para a Mesopotâmia por volta de 2100 BCE. Embora associado a Adad, apresenta um carácter mais benevolente. A sua iconografia inclui sempre uma gazela e um cajado de pastor, sendo considerado o protetor dos nómadas. Também conhecido como Martu, tinha como consorte Beletseri, a escriba dos mortos.
ANSHAR - Divindade babilónica do céu, cujo nome deriva de 'An' ('céu') e 'shar' ('completo' ou `inteiro'), significando 'Deus de Todo o Céu'. Distingue-se de Anu por governar apenas o céu visível, e não os céus para além das nuvens. É um dos filhos primordiais de Apsu e Tiamat, e consorte de Kishar. Juntos, Anshar e Kishar simbolizavam, respetivamente, o Céu e a Terra.
ANTUM - Divindade babilónica da terra, considerada uma das primeiras deusas da fertilidade.
ANU - Também conhecido como An no panteão sumério, era o Senhor dos Céus em mitos anteriores a 2500 a.C. Da sua união com a deusa Antu nasceram os Annunaki, os juízes dos mortos. O seu nome, `An', ('céu' em sumério) estava associado ao ribombar do trovão. Durante as tempestades, era imaginado como um grande touro a bramir sobre as nuvens. Com o tempo, evoluiu para uma figura de senhor supremo, a grande autoridade por detrás de todas as outras divindades. Tornou-se, contudo, uma figura distante, apenas acessível ao seu filho Enlil; desta forma, os crentes dirigiam as suas preces aos deuses menores, que, por sua vez, as iriam transmitir a Enlil. Fora o detentor original das Tábuas do Destino, que depois confiara a Enlil.
ANUNNAKI - Grupo de divindades mesopotâmicas que personificavam o destino e atuavam como juízes dos mortos. Nascidos da união de Anu e Antu, nos mitos babilónicos eram considerados espíritos da terra, embora mantivessem a sua função judicial, sendo conhecidos pelo epíteto de 'aqueles que veem'.
ANZU - Criatura celestial, retratada como uma gigante ave com cabeça de leão. Conhecida também como Zu ou Imdugud, surge de forma proeminente nos mitos babilónicos, sumérios e acádios. No conto sumério A Árvore Huluppu, trata-se de um dos seres que infestam a árvore de Inanna. Num outro mito, apesar de incumbido de guardar as Tábuas do Destino – que legitimavam o poder do deus supremo –, Anzu rouba-as. As tábuas são recuperadas por Ninurta, que o derrota (em versões posteriores, o herói é Marduk). Dizia-se que Anzu cuspia fogo e que era tão colossal que o bater das suas asas gerava tempestades imensas.
ARAZU - Divindade babilónica associada à conclusão de obras. Venerado no término de projetos de construção.
ARURU - Divindade babilónica da natureza e uma das primeiras deusas-mãe. É-lhe atribuída a criação da humanidade, em colaboração com Enki (ou, por vezes, Enlil).
ASHNAN - Divindade suméria dos cereais. Enquanto filhas de Enlil, Ashnan e a sua irmã Lahar foram criadas com o propósito de providenciar sustento aos Annunaki. Contudo, os Annunaki eram incapazes de consumir a sua produção. Consequentemente, a Humanidade fora criada com o objetivo de consumir os cereais, assegurando que o trabalho de Ashnan e Lahar não seria em vão.
ASSUR - Divindade suprema dos assírios, igualmente conhecida como Ashur ou, em acádio, Anshar. Evoluíra de uma divindade local da cidade de Assur para o principal deus assírio do Céu e da guerra, conhecido pelo epíteto de 'O Senhor de Todos os Céus'. O seu nome acádio, Anshar (que significa 'todo o céu'), reflete os seus domínios, sendo frequentemente invocado como um poderoso aliado pelos monarcas assírios (cujos nomes, como Assurbanípal, incorporam frequentemente o seu). Surge representado como um arqueiro com uma túnica de penas e um arco, enquanto cavalga uma serpente ou um dragão. Muitos elementos da sua iconografia (como o dragão-serpente de Marduk ou a sua consorte Ninlil) foram adaptados de fontes sumérias e babilónicas.
BABA - Também conhecida como Bau ou Bawa, tratava-se da divindade tutelar da cidade de Lagash. Considerada uma deusa-mãe e associada à fertilidade, era conhecida pelos epítetos de 'Senhora dos Animais' e 'Senhora da Abundância'.
BABBAR - Nome alternativo para o deus do Sol, Utu/Shamash, cujo significado é "iluminação" ou "Aquele que Ilumina".
BASMU - Grande serpente com uma dupla simbologia: por um lado, associada ao nascimento e às deusas da fertilidade; por outro, ligada a Ningishzida, uma divindade do submundo. Na sua primeira vertente, pode ser retratada com chifres. Como símbolo de Ningishzida, surge enrolada num cajado ou na forma de duas serpentes entrelaçadas em cópula.
BEL - Divindade babilónica dos sábios. Associado a Marduk, de quem por vezes é considerado irmão, e o qual se destacava pela grande inteligência e sabedoria. Como filho de Enki (Ea), o deus da sabedoria, a sua linhagem reforçava esta característica.
BELIT-TSERI - Escriba babilónica do Submundo. Tinha como função ajoelhar-se perante o trono de Ereshkigal e registar os nomes dos mortos aquando da sua entrada no reino das trevas. Conhecida pelo epíteto de 'Rainha do Deserto', tinha como consorte Amurru, a divindade amorita do céu e dos nómadas.
BIRDU - Divindade babilónica que atuava como mensageiro do Submundo.
TOURO CELESTIAL - Também conhecido como Gugalanna, era o consorte de Ereshkigal, a Rainha do Submundo, e estava sob o controlo de Anu. Na Epopeia de Gilgamesh, Ishtar, após ser desdenhada por Gilgamesh, exige que Anu o liberte para semear a destruição no seu reino. Contudo, Gugalanna é morto por Gilgamesh e Enkidu, um ato que resulta no decreto da morte de Enkidu. A morte do Touro Celestial é também o motivo pelo qual Inanna, no poema A Descida de Inanna, desce ao Submundo para apresentar as suas condolências à irmã, Ereshkigal.
HOMEM-TOURO - Entidade benévola suméria que colaborava com os deuses e os humanos para conter as forças do caos. A sua iconografia representa-o com torso, cabeça e braços de homem, e a parte inferior com corpo de touro.
CARA - Divindade suméria que servia como esteticista pessoal de Inanna. No poema A Descida de Inanna, quando a deusa regressa do Submundo, os demónios tentam levar Cara em seu lugar. Contudo, Inanna intercede e salva-a, declarando que lhe é indispensável.
DAGON - Também conhecido como Dagan, era a divindade babilónica dos cereais e da fertilidade, com um culto particularmente proeminente na região do Médio Eufrates, onde também regia o clima. Com o tempo, as suas características e funções foram assimiladas por Adad.
DAMU - Divindade suméria da cura, filho da deusa Gula. Atuava como intermediária entre a sua mãe, a grande deusa da cura, e os médicos mortais.
DAMKINA - Divindade babilónica, consorte de Ea e mãe do deus-herói Marduk.
DILMUN - Lugar mítico da cosmologia suméria, considerado o local da criação e um paraíso terrestre. Foi para Dilmun que Utnapishtim e a sua esposa foram levados pelos deuses para viverem eternamente após sobreviverem ao Grande Dilúvio.
DUMUZI - Divindade suméria da fertilidade e protetor dos pastores. Como consorte de Inanna, a sua história é central no mito da descida desta ao submundo. Após Inanna ser aprisionada por Ereshkigal, Dumuzi é forçado a tomar o seu lugar. A sua irmã, Geshtinanna, intercede e oferece-se para o substituir. Como resultado, ambos partilham o seu destino, passando cada um metade do ano no Submundo. Este ciclo explica a alternância das estações.
EA/ENKI - Divindade babilónica da sabedoria e das águas doces, conhecido na Suméria como Enki, cuja figura fora introduzida, ou pelo menos desenvolvida, pelos Acádios. Como deus da magia, derrotou o seu pai, o deus Apsu, e dera forma à Terra. Ea/Enki foi uma das divindades mais importantes e veneradas do panteão mesopotâmico, com um papel central em vários mitos: no relato do Grande Dilúvio, salva a humanidade ao instruir Atrahasis a construir uma arca; e na Descida de Inanna, concebe um plano para resgatar a deusa do submundo. Considerado o mais sábio dos deuses, era o patrono de artesãos e exorcistas. No mito de Inanna e o Deus da Sabedoria, deixa-se embriagar e entrega os sagrados 'me' (as leis e dons da civilização) a Inanna, prevendo que ela os distribuiria pela Humanidade. Surge retratado como um amigo e defensor dos seres humanos junto dos deuses.
ELLIL - Nome babilónico para a divindade suméria Enlil, deus do vento e das tempestades, que reinara como Rei dos Deuses, antes de suplantado por Marduk.
EMESH - Divindade suméria e personificação do Verão. A ele é atribuída a criação das árvores e dos campos férteis, em oposição ao seu irmão Enten, o deus do Inverno. Era representado como um agricultor.
ENBILULU - Deus mesopotâmico da água, responsável pelo cuidado dos rios Tigris e Eufrates.
ENKIMDU - Deus mesopotâmico dos canais e dos vales, que, tal como Emesh, era representado como um agricultor com um arado e um jugo. Era também a divindade dos agricultores, dos campos e dos cereais.
ENKI - ver EA.
ENKIDU - Figura central na Epopeia de Gilgamesh. Enkidu começara como um homem selvagem, criado pelos deuses para desafiar a arrogância do seu rei, Gilgamesh. Contudo, em vez de um rival, tornara-se o seu mais fiel companheiro e irmão de armas. A sua morte, decretada pelos deuses após a morte do Touro Celestial, funciona como o catalisador para a angústia existencial de Gilgamesh e a sua subsequente busca pela imortalidade.
ENLIL - Deus sumério do ar, cujo nome significa 'Senhor do Ar e do Vento', e cujo poder transcendia o de uma mera divindade elementar. A sua consorte era Ninlil. Enlil, Anu e Enki formavam a tríade que governava o Céu, a Terra e o Submundo ou, alternadamente, os céus, o Céu e a atmosfera, e a Terra. Enlil era um importante deus do clima, a quem se rezava e adorava na esperança de uma boa colheita. Detentor das Tábuas do Destino, tornara-se no rei do panteão sumério depois de 2500 a.C., e adorado pelos Acádios, c. 2334-c. 2083 a.C. Fora, mais tarde, assimilado a Marduk durante o reinado de Hamurabi (1792-1750 a.C.). Enlil aparece em vários mitos como uma divindade suprema, e rei dos deuses. Embora o seu centro de culto fosse em Nippur, era amplamente venerado em toda a Mesopotâmia.
ENMESSARA - Divindade suméria do submundo.
ENTEN - Deus sumério do Inverno que zelava pelo nascimento e pela saúde dos animais durante o frio e a época das chuvas. O seu irmão era Enmesh, o deus do Verão.
ERESHKIGAL - Deusa suméria do submundo e a temida Rainha dos Mortos, cujo nome significa 'Senhora do Grande Lugar'. Originalmente, surge como a consorte do Touro Celestial, que responsabilizara a irmã, Inanna, pela sua morte. Quando Inanna desce ao seu reino (conhecido como Irkalla ou a 'Terra Sem Retorno'), Ereshkigal vinga-se, matando-a. Contudo, graças à intervenção de Enki, é forçada a ressuscitar a irmã. Governara sozinha até à chegada de Nergal, que se tornara o seu consorte definitivo. Mitos como O Casamento de Ereshkigal e Nergal e A Descida de Inanna partilham semelhanças com os mitos posteriores de Osíris e de Ísis, ou de Deméter e de Perséfone, nomeadamente no que diz respeito ao arquétipo do 'Deus que Morre e Renasce', cujo exemplo mais famoso é a história de Jesus Cristo.
ERRAGAL - Deus sumério do Submundo.
ERIDAN - Rio que corria em direção ao Submundo. Os espíritos fortes e saudáveis dos mortos podiam beber da sua corrente, no entanto, os fracos de espírito estavam condenados a beber água estagnada de poças e a comer pó.
ERRA - Deus babilónico da guerra, da destruição, da morte e dos conflitos, também conhecido como Nergal. Mais conhecido pela obra, A Ira de Erra, na qual destrói a Babilónia, depois afastar o deus Marduk da cidade. Ver IRRA.
ESEMTU - Cadáver do ser humano, cujos restos mortais deviam ser devidamente tratados e sepultados, a fim de garantir à alma do defunto uma existência digna no submundo.
ETANA - Herói da obra suméria, a Epopeia de Etana, a qual conta a sua história como um dos primeiros governantes antediluvianos, que, desesperado por não ter um filho, uma vez que a esposa era estéril, ascende aos céus, nas costas de uma grande águia, para apresentar o seu caso aos deuses. É-lhe oferecida a planta do nascimento, a qual deveria ser comida por ele e pela esposa, sendo no final recompensado com um filho, Balih.
ETEMMU - Espírito imaterial que se liberta do ser humano após a morte; contudo, convém a não o confundir com a alma. O etemmu trata-se do sopro vital oferecido aos primeiros humanos, criados a partir dos restos do deus Quingu. A carne de Quingu, misturada com argila e sangue, ganhara vida através do etemmu, um princípio de transitoriedade, que garantia que, embora criados a partir de um deus imortal, os seres humanos permaneceriam mortais.
GALLA - Demónios sumérios do Submundo que arrastam os humanos para o reino de Ereshkigal. Os Galla surgem no Hino a Igalima e na Descida de Inanna, onde são enviados por Enki para ajudar Inanna e arrastar Dumuzi para o Submundo.
GARRA - Deus babilónico do fogo, associado ao fogo purificador. Também conhecido como Gerra.
GESHTINANNA - Deusa suméria da fertilidade e irmã de Dumuzi, cujo nome significa 'A Videira do Céu'. Era a responsável pela fertilidade da terra desde a Primavera até ao equinócio de Outono, altura em que descia ao Submundo para libertar Dumuzi (que havia tomado o lugar de Inanna), o qual regressava à Terra para supervisionar a fertilidade durante os seis meses do ano seguinte.
GESHTU - Também conhecido como Geshtu-e ou We-llu, trata-se do deus que oferecera o seu sangue e intelecto na criação dos seres humanos no mito acádio/babilónico Atrahasis.
GIBIL - Deus assírio que presidia como juiz sobre deuses e homens, conhecido como o Governador dos Deuses. Tinha um particular interesse em punir aqueles que tinham sido juízes injustos em vida. Gibil é também o nome de um deus do fogo.
GILGAMESH - Herói sumério da Epopeia de Gilgamesh, que surge como mortal na Lista de Reis Sumérios enquanto Rei de Uruk, mas que, no mito, é representado como um deus ou, pelo menos, um semideus. No poema A Árvore Huluppu, é irmão da deusa Inanna; enquanto que, na Epopeia de Gilgamesh é cortejado pela deusa, contudo, a sua rejeição fez com que Inanna enviasse o Touro Celestial à terra como punição, o que resultara na morte do melhor amigo e irmão de Gilgamesh, Enkidu. A morte de Enkidu inspirara Gilgamesh a embarcar na busca pelo sentido da vida e pela imortalidade.
GISHIDA – Deus babilónico da Árvore da Vida e do início da Primavera. É uma divindade que morre e renasce e que, com Tammuz, guarda os portões do céu no Mito de Adapa. O deus Ea diz a Adapa para reconhecer o "desaparecimento de dois deuses da terra" como forma de prestar respeito a Gishida e Tammuz, ambos os quais deixam a Terra durante uma parte do ano (explicando assim a mudança das estações). Também conhecido como Ningishzida.
GUGALANNA - Touro Celestial sumério, e primeiro marido da deusa Ereshkigal. Ver TOURO CELESTIAL.
GULA - Também conhecida como Ninkarrak, Ninisina e Bau, trata-se de uma deusa canina. Gula era a deusa suméria da cura, consorte de Ninurta, Pabilsag, e Abu, estando também associada à agricultura e ao crescimento. Era a padroeira dos médicos e das artes da cura, sendo normalmente representada rodeada por estrelas e acompanhada pelo seu cão.
GUSHKIN-BANDA - Deus babilónico criador do Homem e dos Deuses, representado como um artesão ou como um ourives.
HAIA - Deus sumério dos armazéns e dos bens alimentares. Conhecido por se tratar do pai da deusa dos cereais, Ninlil, a qual violada por Enlil forma a base do famoso mito da fertilidade.
HUMBABA - Demónio sumério e guardião da Floresta de Cedro, que fora morto por Gilgamesh e Enkidu na Epopeia de Gilgamesh. Surge representado como um gigante peludo com garras de leão e um rosto monstruoso.
IGIGI - Deus babilónico dos céus, da região acima das nuvens; também aparece como um nome coletivo para as divindades que habitavam acima das nuvens.
IMDUGUD - Versão suméria de Anzu, Pazusu e Zu, com a capacidade de transformar ttempestades em remoinhos com o bater das suas asas. Venerado na região em redor da cidade de Ur.
INANNA (conhecida pelos Assírios como Ishtar) - Deusa suméria da sexualidade, paixão, fertilidade, amor, guerra e das prostitutas. Inanna fora progressivamente associada à deusa babilónica Ishtar que, com o tempo, assumira alguns dos seus atributos. Como a mais popular e a mais amada de todo o panteão sumério, Inanna surge de forma proeminente em histórias, mitos e hinos da Suméria (entre eles, A Descida de Inanna, Inanna e o Deus da Sabedoria, O Cortejo de Inanna e Dumuzi e A Árvore Huluppu) e aparece entre as sete divindades primordiais da Suméria, juntamente com Anu, Enlil, Enki, Ninhursag, Nanna e Utu. Sargão de Acad (Sargão, o Grande) invocava Inanna para proteção e vitória em batalha, e para orientação na política, e a sua filha, Enheduanna, fora Sacerdotisa-Chefe de Inanna em Uruk e compositora de muitos hinos e canções em sua honra. É frequentemente representada a cavalgar um leão e referida como 'A Rainha do Céu'. A sua irmã mais velha era Ereshkigal. Enquanto principal deusa e padroeira da cidade de Uruk, dizia-se que recebera os sagrados 'me' (leis), que lhe foram entregues num momento de embriaguez pelo deus da sabedoria, Enki. Muitas das composições que a envolvem descrevem-na como altamente sexual, não casada e capaz de "transformar homens em mulheres". Estava associada ao planeta Vénus. No Mito de Etana é referida como Innina e, numa fase inicial, era considerada a irmã gémea de Utu (Shamash), o deus do sol.
IRKALLA - Ver ERESHKIGAL.
IRRA - Também conhecido como Erra, o deus babilónico das pragas, pestilência, morte, guerra e destruição, associado a Nergal, deus da morte. Irra era um demónio astuto e irritante, responsável pela desgraça humana. Na Epopeia de Irra (também conhecida como A Ira de Erra), ele assume o controlo da Babilónia na ausência de Marduk, levando à sua destruição ou, alternativamente, liberta a Babilónia dos seus inimigos, mas apenas depois de 'virar o mundo do avesso' com o massacre dos justos e dos injustos. O texto da Epopeia de Irra era bastante popular na Babilónia. Foram descobertas mais cópias desta obra do que da Epopeia de Gilgamesh.
ISHARA (também conhecida como Isara) - Deusa mesopotâmica do juramento, conhecida como a 'Rainha do Julgamento'; estava associada ao amor, à guerra e à adivinhação e, por vezes, surge como uma deusa-mãe ou uma divindade do Submundo. Segundo Jeremy Black, estava "mais intimamente ligada à tradição semítica do que à suméria" (110), sendo assimilada por Inanna. Associada ao deus Dagan.
ISHKUR (também conhecido como Iskur, Adad, Addu) - Deus sumério da tormenta e das tempestades, irmão gémeo de Enki em alguns mitos.
ISHTAR - Versão babilónica da deusa suméria Inanna, apenas mais sexualizada. Na Epopeia de Gilgamesh, tenta seduzir o Gilgamesh, mas é repelida por este, que, ao mesmo tempo, começara a enumerar as suas falhas como amante inconstante; a deusa invoca o Touro Celestial para punir o rei. Ver INANNA.
ISHUM - Deus babilónico do fogo
KABTA - Deus sumério das picaretas, da construção e dos tijolos, irmão de Mushdamma (deus das fundações e dos edifícios), e um dos muitos filhos de Ninhursag.
KI - Ver NINHURSAG.
KISHAR - Deusa babilónica da terra e da fertilidade. O seu nome, 'Ki' e 'Shar', significa 'a terra inteira', e é considerada uma deusa-mãe responsável pelo crescimento abaixo e acima do solo. É a mãe de Anu em alguns mitos, e está associada a Anshar (céu).
KITTU - Deus sumério da justiça, irmão de Misharu. Em algumas fontes, Misharu é o deus da lei, e Kittu o deus da justiça que procede da lei; noutras, aparecem como semelhantes, sendo ambos deuses da lei e da justiça. Ver MISHARU.
KULITTA - Deusa babilónica da música que servia Ishtar com belas canções para Tammuz.
KULLA - Deus babilónico que restaurava os templos, também conhecido como o deus do tijolo que, tal como Kabta e Mushdamma, era invocado durante a preparação das fundações dos edifícios, e louvado, ou afastado, após a sua conclusão. Tábuas do período acádio fornecem encantamentos para bênçãos de Kulla no início de um projeto, bem como para banir o deus do local, assim que o edifício estivesse pronto, pois acreditava-se que ele poderia ficar ali quando outros precisassem dele e, além disso, que a sua presença poderia significar que mais construções seriam necessárias.
KULULLU - Nome coletivo para os espíritos da água, de riachos e de lagos, na mitologia assíria.
KUSAG - Deus babilónico patrono dos sacerdotes. Sumo-sacerdote entre os deuses, e quem oficia os seus ritos.
KUR - Palavra suméria para 'montanha', que se referia à alta morada dos deuses, ou à vasta extensão do Submundo sob a superfície da Terra, dependendo do contexto.
LAHAR - Deusa suméria do gado. Ela e a irmã, Anshar, foram originalmente criadas para alimentar e adornar os Anunnaki. Ver ANSHAR.
LAHMU e LAHAMU - Dois dos primeiros deuses babilónicos, os primogénitos de Apsu e Tiamat, dos quais todos os outros deuses nasceram.
LAMA - Deusa suméria da proteção. Conhecida pelos Acádios como Lamassu. Como Lama, era representada como uma mulher com um longo manto em camadas, enquanto que, como Lamassu, aparecia como um touro, ou um leão alado, com rosto ou cabeça de mulher, estando responsável pela proteção dos templos e dos palácios contra as forças do caos e seus males. Lama aparece frequentemente em selos cilíndricos, e era chamada para intercessão junto dos deuses. O seu nome significa 'espírito protetor'.
LAMASHTU - Demónio babilónico feminino que aterrorizava as mulheres em trabalho de parto e que roubava os recém-nascidos enquanto amamentavam. O seu némesis era o demónio Pazuzu, que era frequentemente invocado para a proteção de mulheres e crianças.
LAMASSU - O famoso homem-touro alado assírio que adornava palácios e templos para afugentar as forças do caos. Os Lamassu eram espíritos protetores que, por vezes, eram representados como um Homem-Touro (humano da cintura para cima e touro da cintura para baixo), mas, mais frequentemente, como um touro ou leão com cabeça humana e asas.
LUGALBANDA - Terceiro rei da cidade de Uruk, marido da deusa Ninsun e pai de Gilgamesh. Surge como um herói lendário em algumas histórias.
BARCO MAGILUM - Também conhecido como 'O Barco do Oeste', transportava as almas dos mortos para o Submundo, afundando-se a oeste. Mencionado na Epopeia de Gilgamesh: "Todas as criaturas vivas nascidas da carne sentar-se-ão, por fim, no barco do Oeste, e quando ele se afunda, quando o barco de Magilum se afunda, elas partem."
MAMMETUM - Também conhecida como Mamitu, deusa acádia do fado e do destino. Segundo alguns mitos, habitava no Submundo e criava os destinos dos humanos por capricho; qualquer que fosse o destino que esta decretasse, aconteceria.
MARDUK - Rei dos Deuses babilónico, deus-herói que derrotara Tiamat e as forças do caos, e quem trouxera a ordem ao Universo, a qual os deuses e os humanos tinham o dever de manter. Deus da cura, da justiça, da compaixão, da regeneração, da magia e da equidade. Era conhecido como o pacificador entre os deuses, o 'Pastor dos Deuses'. Na Epopeia de Irra, Marduk deixa a cidade da Babilónia nas mãos de Nergal (Irra, Erra), que a destrói num acesso de fúria. Marduk foi um dos deuses mais populares e duradouros da Mesopotâmia, acabando por ser adotado pelos Assírios como filho do seu deus supremo, Assur.
MISHARU - Deus sumério da lei e da justiça, irmão de Kittu. Ver KITTU.
MUMMU - Deus babilónico dos artesãos. Conhecido como Ea Mummu no papel de criador dos seres humanos. A palavra 'mummu' é entendida como "génio", no sentido de "saber como criar".
MUSHDAMMA - Deus sumério das fundações e dos edifícios, irmão de Kabta (deus das picaretas, construção e tijolos), e um dos filhos de Ninhursag.
MUSHHUSHSHU - Espírito protetor babilónico, proeminente na Porta de Ishtar da Babilónia, cujo nome se traduz como 'serpente furiosa'. O Mushhushshu era uma criatura com a forma de um cão esguio com corpo e cauda escamados, garras de pássaro, um pescoço longo, língua bifurcada e um chifre saliente. O deus que controlava o Mushhushshu era considerado o deus supremo e, por isso, muitos dos primeiros deuses foram associados a esta criatura até que se associara a Marduk.
MYLITTA - Deusa assíria da fertilidade e do parto.
NABU - Deus babilónico da escrita e da sabedoria, filho de Marduk e neto do deus da sabedoria, Enki (Ea). O seu nome significa "O Anunciador", em referência às suas habilidades proféticas e ao dom da escrita. Deus patrono dos escribas e quem guardava as Tábuas do Destino, que legitimavam o governante do Universo (alternadamente atribuídas a Anu, a Enlil ou a Marduk e, mais tarde, a Assur). Surge representado a segurar um estilete e, ou a cavalgar, ou de pé ao lado de um dragão Mushhushshu. Nabu foi um dos deuses mais importantes da Mesopotâmia e, sem ele, o grande Festival Akitu, realizado em honra dos deuses para dar graças pela colheita, não poderia ser celebrado. Fora venerado durante milhares de anos, e fora um dos poucos a sobreviver à queda do Império Assírio, em 612 a.C., quando as estátuas e os templos de muitos deuses foram saqueados por forças invasoras. É frequentemente comparado com Thoth dos Egípcios, Apolo dos Gregos, e Mercúrio dos Romanos.
NAMMU - Deusa suméria do mar primordial e do abismo primitivo, uma deusa-mãe. Existe também uma deusa babilónica com o mesmo nome que está associada à água doce, mas trata-se de uma divindade menor.
NAMTAR - Deus-demónio sumério do fado, também conhecido como o Arauto da Morte, associado a Ereshkigal. Deus que levava mensagens do Submundo para os reinos superiores. Fora famosamente insultado por Nergal no banquete oferecido pelos deuses, onde representava Ereshkigal, uma vez que a deusa não podia comparecer. Este insulto resulta numa paixão de Nergal por Ereshkigal, acabando a viver com a deusa no Submundo.
NANA - Deusa-mãe virgem cujos atributos foram assumidos por Inanna.
NANAJA - Deusa suméria do sexo e da guerra, cujos atributos foram assumidos por Inanna.
NANNA (também conhecido como Nanna-Suen, Nannar, Sin) - Deus sumério da lua cheia e da sabedoria, pai de Inanna em algumas histórias, e pai, juntamente com Ningal, de Utu/Shamash, o deus do Sol. Filho de Enlil e Ninlil, considerado uma divindade importante no ato da criação. O seu símbolo é o crescente lunar e estava associado ao poder do touro e do dragão-leão. Mais conhecido através da obra da poeta/sacerdotisa Enheduanna. Nanna é um dos deuses mais antigos do panteão mesopotâmico, e é mencionado pela primeira vez no alvorecer da escrita na Suméria, c. 3500 a.C.
NANIBGAL - Deusa menor, consorte de Ennugi, deus dos diques e canais. É frequentemente associada à deusa Nisaba (Nidaba) na sua qualidade de guardiã das contas e dos registos.
NANSHE (também conhecida como Nanse) - Deusa suméria da justiça social que cuidava de órfãos e viúvas. Supervisionava também a equidade, a água doce, as aves, os peixes, e a fertilidade, e favorecia os profetas, dando-lhes a capacidade de interpretar sonhos. Também conhecida como a Senhora dos Armazéns, supervisionando se os pesos e as medidas estavam corretos. O seu consorte era Haia, deus dos armazéns. Era perita em interpretar sonhos e, num mito famoso, o piedoso rei Gudea consulta-a sobre um sonho relativo ao momento apropriado para construir um templo.
NEDU - Guardião babilónico dos portões do Submundo.
NERGAL - Também conhecido como Erra/Irra, trata-se do deus sumério da guerra, da pestilência, da destruição, da morte e do Submundo, co-regente com Ereshkigal, mas originalmente associado a Shamash, o deus do Sol. O seu centro de culto estava localizado em Kutha, onde fora inicialmente conhecido como Meslamtaea, um deus agrícola associado ao calor do Sol nos seus aspetos negativos. A intensidade do Sol de verão (ou do Sol ao meio-dia) era atribuída à fúria de Meslamtaea, que passou de um deus regional a um deus universal associado aos aspetos negativos da vida. Nergal é mais conhecido por insultar Namtar, o representante de Ereshkigal na festa dos deuses, e ter de se redimir perante ela, o que resulta num caso de amor e na sua mudança para o Submundo para viver com a deusa. Em alguns mitos, é-lhe atribuída a criação dos seres humanos e, em encantamentos, é invocado para proteção devido à sua extrema força. Como Erra, é famoso pela obra A Ira de Erra, na qual destrói a Babilónia sem motivo.
NETI - Guardião sumério dos portões do Submundo e escriba. Neti surge de forma proeminente na Descida de Inanna.
NIDABA - Deusa suméria da escrita e da astrologia.
NIN-AGAL - Deus babilónico da forja e deus patrono dos ferreiros.
NINAZU - Deus da cura babilónico, filho de Gula, associado a serpentes (símbolos de transformação) e ao submundo (transição). Surge representado a segurar um cajado com serpentes entrelaçadas, usado pelos Egípcios epelos Gregos, e que é hoje reconhecido como o caduceu, símbolo de Hipócrates, o pai da Medicina.
NINGAL - Deusa suméria da fertilidade associada ao sol, mãe de Utu/Shamash, o próprio sol, e consorte de Nanna, o deus-lua. O seu nome significa 'Grande Senhora'.
NINGISHZIDA - Deus sumério do Submundo. Por vezes, surge como filho de Ereshkigal e de Gugullana, ou de Anu, o deus do Céu. O seu símbolo era a serpente Basmu entrelaçada num cajado, muito semelhante ao bastão de Hermes. Conhecido como o 'Senhor da Árvore Boa', estava associado à proteção e à fertilidade. Também surge mencionado como Geshida, surgindo associado a Tammuz como uma figura divina que morre e renasce, e que guarda os portões dos deuses no Mito de Adapa. Ver GISHIDA.
NINGIZZIA - Guardião babilónico dos portões do céu que vigia o portão oriental, ou portão da manhã.
NINHURSAG - Deusa-Mãe suméria, deusa da fertilidade, da natureza e da vida na Terra. O seu nome traduz-se como 'Senhora da Encosta da Montanha' e era conhecida como a 'Mãe dos Deuses'. Originalmente fora uma divindade muito popular, cujos atributos foram, mais tarde, assumidos por outros deuses. É também conhecida como Belet-Ili, Damgalnunna, Ki, Nintu, Nintur, Aruru, Ninmah, Mami e Mama. Surge em mitos mesopotâmicos associada à vida, à fertilidade, ao crescimento e à transformação. A sua principal função era proteger mulheres grávidas e crianças de tenra idade. Vigiava uma criança desde a sua conceção, gestação, e após o nascimento fornecia-lhe alimento. Tal como todas as divindades femininas na Mesopotâmia, Ninhursag sofrera uma perda de estatuto durante o reinado de Hamurabi da Babilónia (1792-1750 a.C.), sendo substituída como poder supremo por deuses masculinos.
NIN-ILDU - Deus babilónico da carpintaria e patrono dos carpinteiros.
NINKASI - Deusa suméria do álcool, da cerveja e da sua produção, padroeira dos cervejeiros. Dizia-se que produzia uma nova leva de cerveja todos os dias com os melhores ingredientes. Uma das obras mais famosas a seu respeito é o Hino a Ninkasi, do século XIX a.C., o qual homenageia a deusa e apresenta uma receita para fazer cerveja. Também conhecida como Ninkar.
NINLIL - Deusa suméria do ar, conhecida como 'A Senhora do Ar', cujo nome era originalmente Sud até contrair matrimónio com o deus Enlil. Numa versão da história, Enlil seduz a deusa, e é banido para o Submundo. Ninlil segue-o até ao Submundo e dá à luz os deuses Nanna (deus da lua), Nergal (deusa da guerra e da morte), Ninazu (deus do submundo, da cura e dos encantamentos mágicos) e Enbilulu (deus dos rios e dos canais). Estes abandonam o Submundo em direção à Terra e ao céu, seguindo o princípio do mito da fertilidade do deus que detém a capacidade de morrer e de renascer. A deusa babilónica, Ninlil, desta divindade suméria, originalmente introduzida pelos acádios.
NINSHAR - Deusa suméria do nascimento e do solo pedregoso que, com o seu irmão Enshar, circunda a terra para criar o horizonte.
NINSHUBUR - Deusa suméria do leste que era amiga, confidente, defensora, conselheira e companheira de viagem de Inanna. Ninshubur desempenha um papel proeminente em muitas das histórias que referem Inanna. No poema Inanna e o Deus da Sabedoria, protege a deusa e os sagrados 'me', e na Descida de Inanna, surge como a amiga fiel que liberta Inanna do Submundo. Um deus acádio menor com o mesmo nome (embora frequentemente grafado como Ninsubur) aparece em alguns mitos como ministro do deus Anu. Esta divindade masculina acaba por substituir a deusa nos períodos Neo-Assírio e Neo-Babilónico, e assume o papel de guardião.
NINSUBUR (também conhecido como Il-abrat) - Ministro do deus Anu, que acaba por ser assimilado por Papsukkel, ministro da assembleia geral dos deuses.
NINSUN - Deusa-Mãe suméria, conhecida como sendo a mãe de Gilgamesh. Era perita em interpretar sonhos e muito sábia. O seu nome é traduzido como a 'Vaca do Recinto Selvagem', ou a 'Grande Senhora'.
NINURTA - Deus sumério da guerra e do vento do sul, filho ruidoso de Enlil e Ninhursag, conhecido por recuperar as Tábuas do Destino para Enki depois de terem sido roubadas por Anzu. Ninurta era representado como um deus feroz que usava mais a força do que o cérebro. Num mito primitivo, a mãe tenta matá-lo atirando-lhe pedras. Quando Ninhursag se apercebe que as pedras não ferem Ninurta, a deusa retira-lhes a força vital e estas tornam-se pedras mortas. As pedras que se recusaram a atuar contra Ninurta acabam por ser recompensadas pelo deus que as transformara em pedras preciosas. O deus babilónico com o mesmo nome deriva desta divindade. É geralmente representado como um arqueiro de pé, ou a correr nas costas de um monstro com o corpo de um leão e a cauda de um escorpião.
NIRAH - Deus-serpente sumério, associado às serpentes.
NISABA (também conhecida como Nissaba, Nidaba, e associada a Nanibgal) - Originalmente, era a deusa suméria dos grãos, dos cereais, das ervas, e dos juncos robustos que cresciam nos canais usados pelos escribas para escrever. Consequentemente, Nisaba tornou-se a deusa padroeira da escrita, dos escribas e da contabilidade. Nisaba crescera em estatura para se tornar a deusa da escrita e escriba dos deuses. Nesta altura, era também reconhecida como a mãe de Ninlil (Sud), esposa de Enlil, deus supremo do céu. Foram estabelecidas escolas em seu nome na Suméria por volta de 2000 a.C. e era amplamente elogiada em hinos e inscrições. Perdera o seu estatuto durante o reinado de Hamurabi (1792-1750 a.C.), quando fora substituída por Nabu. A partir daqui, começara a ser representada como esposa de Nabu.
NUSKU - Deus babilónico do fogo celestial e do fogo terrestre, deus patrono da civilização que não teria prosperado sem o fogo.
PAPSUKKEL (também conhecido como Papsukkal) - Ministro sumério dos deuses. Associado ao deus acádio Ninsubur, ministro de Anu, Rei dos Deuses. Representado como um homem de barbas com um manto e um chapéu com chifres, segurando um cajado.
PAZUZU - Demónio sumério encarregado de proteger os seres humanos das pragas e das forças do mal. Era invocado para a proteção das mulheres grávidas e dos recém-nascidos contra a demoníaca Lamashtu. Embora fosse uma força do bem, era também a personificação do vento sul e do vento sudeste, que traziam a pestilência e a doença.
RAINHA DA NOITE - Um relevo em terracota (conhecido como o Relevo Burney) de c. 1792-1750 a.C., representa uma deusa babilónica cuja identidade ainda não está claramente definida. Colocara-se a hipótese de ser Ishtar/Inanna, Ereshkigal, ou Liltu/Lillith. Surge representada como uma mulher nua com asas, a segurar o bastão e os anéis de poder, de pé sobre dois leões e ladeada por dois mochos. Como as asas apontam para baixo, estabelecera-se uma possível associação com o Submundo e com a deusa Ereshkigal, contudo, não há histórias que a liguem verdadeiramente a deusa a mochos. A figura de uma mulher de pé ou a cavalgar um leão surge, muitas vezes, associada a Inanna/Ishtar, assim como o anel e o bastão de poder, no entanto, não há menção de asas na deusa, nem uma ligação a mochos. Liltu, que causava aflição a mulheres grávidas e tornava as mulheres estéreis ou, pelo menos, dificultava a conceção, estava intimamente associada a mochos, mas não se encontra qualquer paralelo com asas, leões ou o bastão e os anéis de poder. A identidade da Rainha da Noite permanece ainda desconhecida.
QUINGU - Também conhecido como Kingu, consorte de Tiamat e campeão na sua guerra contra os deuses mais jovens. Roubara as Tábuas do Destino para usar como couraça numa batalha. Após a sua morte, o seu sangue e a sua carne foram usados na criação dos seres humanos.
RAMMAN - Deus da tempestade acádio e sumério associado tanto a Adad como a Nintur, mencionado na Epopeia de Gilgamesh. Também conhecido como Rimmon.
SAKKAN - Deus sumério do gado, encarregado de proteger os animais domésticos e os animais selvagens. Responsável pela fertilidade mundo animal, surge frequentemente representado como um pastor. Em acádio, era conhecido como Sumuqan. Tanto na Epopeia de Gilgamesh como no poema sumério, A Morte de Gilgamesh, Sakkan/Sumuqan surge associado ao Submundo.
POVO ESCORPIÃO - De acordo com as histórias sumérias e babilónicas, o Povo Escorpião eram um grupo de servos poderosos do deus do sol, Utu (Shamash). Estes tinham cabeça, braços e torso humanos, mas eram aves da cintura para baixo (por vezes, surgem com pernas humanas ou de ave), e uma cauda de escorpião. O povo da Mesopotâmia invocava-os para proteção do mal e das forças do caos. Na Epopeia de Gilgamesh, o casal Escorpião - o Homem-Escorpião e a Mulher-Escorpião - guardam o grande Portão da Montanha onde o sol nasce e são descritos como 'aterradores'.
SEBITTI - Sete deuses guerreiros, por vezes associados aos Anunnaki do Submundo, que seguiam o demónio Irra nas suas batalhas. Os Sebitti não eram compostos por nenhum dos deuses principais, mas parecem ter estado associados a Nergal. Surgem também associados às Plêiades.
SHAMASH (também conhecido como Samas, Babbar, Utu) - Deus acádio do sol, é identificado com o deus do sol sumério, Utu. Shamash era o deus da justiça suprema e aparece frequentemente invocado para a proteção de viajantes, de mercadores, de soldados e de marinheiros. Podemos vê-lo a segurar uma lâmina, com a qual abre caminho através das montanhas ao amanhecer. Nas suas funções de protetor, é pode também aparecer num num barco (para os marinheiros), numa carruagem (para os soldados) ou a cavalo (para viajantes e mercadores). A sua consorte era Aya (também conhecida como Aja, e Serida ou Sherida em sumério), a deusa da aurora.
SHARA - Deus babilónico da guerra, filho de Anu e Ishtar.
SHERIDA (também conhecida como Serida) - Antiga deusa-mãe suméria, a doadora da luz e da vida. Trata-se de uma das deusas mais antigas da Mesopotâmia, outrora uma divindade principal que, com o tempo, assumira um papel subordinado como consorte do deus do sol, Utu. Era conhecida pelos acádios e babilónios como Aja (ou Aya), a deusa da aurora.
SHULPAE - Deus mesopotâmico das festas e dos bons momentos, por vezes representado como consorte de Ninhursag.
SHUTU - Deus sumério da doença, personificação do vento sul.
SIDURI - Taberneira na Epopeia de Gilgamesh que aconselha o herói a abandonar a sua busca pela imortalidade e a desfrutar da vida. Acredita-se que simbolizava as distrações da vida. Gilgamesh ignora o seu conselho e ela indica-lhe o caminho para Utnapishtim.
SILILI - Deusa babilónica dos cavalos, conhecida como 'A Égua Divina', mãe de todos os cavalos.
SIN (também conhecido Nanna, Suen, Nanna-Suen, Nannar) - Deus babilónico da lua, que os Sumérios referiam como Nanna. Sin estava associado à fertilidade das mulheres e do gado. O seu nome pronuncia-se 'seen'. É representado como um homem de pé com um crescente lunar.
SUMUQAN - Versão acádia e babilónica de Sakkan.
SUMUGAN - Deus sumério das planícies abertas. Também conhecido como Shumugan, era responsável não só pelas planícies, mas também pelos animais que nelas pastavam.
TÁBUAS DO DESTINO - Objetos sagrados que legitimavam o domínio do deus supremo e conferiam ao seu detentor o poder de determinar o destino do Mundo. Foram roubadas de Enlil pelo pássaro Anzu, que supostamente as deveria guardar, acabando por ser recuperadas por Ninurta. No Enuma Elish, são dadas a Quingu por Tiamat e roubadas por Marduk, após a sua morte.
TAMMUZ - Versão babilónica do sumério Dumuzi, uma figura divina da vegetação que morre e renasce. Juntamente com Gishida, também uma figura divina que morre e renasce, guarda os portões dos deuses no Mito de Adapa.
TIAMAT - Deusa-Mãe primordial, mãe dos deuses, consorte de Apsu, representada sob a forma de um dragão. Fora derrotada em batalha e morta por Marduk. Após a sua morte, os rios Tigre e Eufrates brotaram dos seus olhos. A sua história é contada no mito da criação babilónico, Enuma Elish. Tiamat era a água salgada, e Apsu a água doce; e da sua união nasceram todos os deuses.
CRIATURAS DE TIAMAT - Onze monstros aterradores criados por Tiamat para vingar a morte de Apsu e destruir os deuses mais jovens. Nestes contamos três temíveis serpentes com chifres: Musmahhu, Usumgallu e Basmu; além do dragão-serpente Mushhushshu; Lahmu, o super-homem peludo; Ugallu, o demónio-leão; Uridimmu, o homem-leão; Girtablullu, o homem-escorpião; Umu-Debrutu, tempestades aterradoras; Kulullu, o homem-peixe (tritões e sereias) e Kusarikku, o homem-touro. Todas as criaturas de Tiamat foram derrotadas por Marduk, que preservara imagens suas nos restos aquosos de Abzu para comemorar a sua vitória. Eram utilizadas em encantamentos mágicos e para afastar as forças malignas do caos. Muitas das suas imagens são hoje bem conhecidas, uma vez que surgem em estátuas à porta de palácios e de templos, ou como na imponente Porta de Ishtar da Babilónia.
UMMANU - Em toda a Mesopotâmia, os Ummanu eram os grandes escribas que escreviam poemas épicos (entre eles, o Enuma Elish, o Mito de Etana, a Epopeia de Gilgamesh). Eram também considerados astrólogos. O termo Ummanu refere-se não só aos escribas, mas também ao que eles escreviam. O Escriba-Chefe de um rei (como Sargão da Acádia ou Assurbanípal) estava encarregado de registar os feitos gloriosos do seu monarca, e, por volta de 640 a.C., eram considerados suficientemente importantes para serem incluídos nas Listas de Reis.
UMUNMUTAMKAG - Deus babilónico das oferendas, intermediário entre os seres humanos e os deuses. Apresentava as oferendas sacrificiais aos deuses de uma forma agradável.
URSHANABI - Barqueiro da Epopeia de Gilgamesh que transporta Gilgamesh através das águas da morte para Dilmun (paraíso), onde vive o imortal Utnapishtim. Urshanabi quebra as leis eternas que governam a sua posição como barqueiro ao levar Gilgamesh a Dilmun, e viaja de volta com ele para a cidade de Uruk no final da epopeia.
USMU - Deus mensageiro acádio de Ea (conhecido pelos Sumérios como Enki). Era um deus com duas faces (representando a sua ida e vinda nas mensagens que entregava), e surge representado como um homem a apresentar um homem-pássaro perante Ea.
UTNAPISHTIM - Homem sábio e piedoso que, na Epopeia de Gilgamesh, é avisado pelo deus Ea de um Dilúvio iminente e que, com a esposa e a 'semente da vida', constrói uma arca e sobrevive ao Dilúvio. Após o Grande Dilúvio, ele e a esposa recebem a imortalidade e vivem no 'Lugar Distante', 'na foz dos rios' (o próprio Utnapishtim é referido como 'o distante'). Também conhecido como Ziusudra pelos Sumérios, surge, pela primeira vez, na Epopeia de Atrahasis sob esse nome. 'Utnapishtim' é traduzido como "Aquele que Viu a Vida", pois fora o único homem a sobreviver ao Grande Dilúvio. A história do Dilúvio mesopotâmico e o relato bíblico de Noé, no Génesis, apresentam bastantes semelhanças.
UTTU - Deusa-aranha suméria. Padroeira dos tecelões, da tecelagem e do vestuário, era filha de Enki e de Ninkurra. Bastante conhecida pelo seu papel no mito Enki e Ninhursag, no qual se queixa à deusa-mãe da negligência de Enki, sendo-lhe ordenado que limpasse a semente dele do seu corpo, acabando por fertilizar a terra e dando à luz as primeiras plantas e árvores.
UTU (também conhecido como Shamash, Samas, Babbar) - Deus sumério do sol e da justiça, uma das divindades mais antigas do panteão mesopotâmico, datando de c. 3500 a.C. Ver SHAMASH.
WE-LLU - Outro nome usado para designar Geshtu, o deus que se sacrifica para criar a humanidade.
ZABABA - Deus acádio da guerra. Fora um dos muitos consortes de Inanna/Ishtar.
ZAKAR - Deus babilónico dos sonhos. Os sonhos eram considerados mensagens dos deuses, sendo da responsabilidade de Zakar enviar estas mensagens aos humanos. Conhecido pelos Sumérios como Zaqar.
ZARPANIT - Deusa primitiva suméria e babilónica da fertilidade, encarregada da fertilidade de todo o Universo. Também conhecida como Beltia, os seus atributos foram mais tarde associados a Inanna e depois a Ishtar. Surge, por vezes, como a consorte de Marduk.
ZALTU - Deusa babilónica do conflito. Associada a Ishtar e personifica o lado destrutivo da deusa.
ZU - Versão acádia de Anzu/Imdugud, a ave da tempestade que rouba as Tábuas do Destino de Enlil.
