Esplendores da Argélia Romana

Carole Raddato
por , traduzido por Filipa Oliveira
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A Argélia, o maior país de África, estende-se desde a linha costeira do Mediterrâneo até ao interior do deserto do Saara. O país possui alguns dos mais requintados e diversos locais romanos, incluindo Timgad e Djémila, ambos bem preservados e classificados pela UNESCO. Durante décadas fora dos roteiros turísticos, a Argélia está a tornar-se o destino norte-africano favorito de muitos viajantes ocidentais e um verdadeiro paraíso para os entusiastas da história.

Roman Theatre of Timgad
Teatro Romano em Timgad Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

A Breve Introdução à Argélia Romana

O território correspondente à Argélia tem estado, historicamente, numa encruzilhada de civilizações. Os Fenícios, célebres navegadores e mercadores da costa sírio-libanesa, desembarcaram em Cartago no século IX a.C., estabelecendo portos e entrepostos comerciais ao longo da costa norte-africana. Por volta do século VI a.C., já existia uma presença fenícia em Tipaza (a leste de Cherchell), Hippo Regius (a atual Annaba) e Rusicade (a atual Skikda).

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As revoltas berberes eram frequentes. Em resposta, o imperador Trajano (que reinou de 98 a 117 d.C.) mandou edificar fortes em torno das montanhas do Aurès.

Os comerciantes fenícios povoaram a linha costeira, enquanto tribos berberes nómadas e seminómadas habitavam o interior da Argélia. Os berberes comerciavam com os fenícios e a agricultura tornou-se um traço dominante da sociedade berbere. Por volta do século IV a.C., Cartago controlava a costa norte-africana e expandiu as rotas comerciais. As ligações comerciais com as tribos locais mantiveram-se, um pequeno grupo de estados berberes aumentou o seu poder e surgiram reinos. As duas sociedades locais mais proeminentes foram os Mauros, que se uniram para formar a Mauritânia (uma área correspondente aos dias de hoje a Marrocos), e os Numidianos, que ocupavam as regiões entre os Mauros e a cidade-estado de Cartago.

A expansão cartaginesa e romana conduziu ao conflito, e as hostilidades explodiram nas Guerras Púnicas (264–146 a.C.). As tribos númidas apoiaram lados diferentes na guerra. Um rei, Masinissa (reinou cerca de 202–148 a.C.), aliou-se a Roma e participou na Batalha de Zama (202 a.C.), que terminou com a derrota de Cartago. O fim da Terceira Guerra Púnica e o saque de Cartago marcaram o início da presença romana no Norte de África.

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Foi estabelecida a primeira província de Roma, a África (correspondente, em linhas gerais, à atual Tunísia, ao nordeste da Argélia e à costa da Líbia ocidental). Útica (perto de Bizerta, na Tunísia) foi a sua capital administrativa. Com o apoio romano, Masinissa estabeleceu o seu próprio reino da Numídia, a oeste de Cartago, com Cirta (Constantina) como capital. A Numídia prosperou sob o seu reinado e o do seu filho, Micipsa (reinou cerca de 148–118 a.C.).

Statue of Juba II
Estátua de Juba II Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Quando Boco II da Mauritânia morreu em 33 a.C., legou o seu reino a Roma. Contudo, Augusto (que reinou de 27 a.C. a 14 d.C.) optou por não anexar o território, e a Mauritânia tornou-se um reino cliente. Ele protegeu a fronteira ocidental de Roma ao nomear Juba II (50 a.C. – 24 d.C.) como rei da Mauritânia. Juba II era um erudito de renome, casado com Cleópatra Selene II (40 a.C. – c. 5 d.C.), filha de Cleópatra e Marco António.

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Após o assassínio do filho de Juba, Ptolomeu da Mauritânia (reinou 20-40 d.C.), por volta de 40 d.C., o reino foi dividido em duas províncias: a Mauritânia Tingitana, a oeste (no atual Marrocos), e a Mauritânia Cesariense, a leste (na atual Argélia), com capital em Cesareia (Cherchell). Foram fundadas cidades ou concedido um estatuto superior a povoações existentes, e uma presença militar controlava os territórios conquistados. Por meados do século II d.C., veteranos romanos tinham fundado colonatos em Tipasa (Tipaza), Cuicul (Djémila), Thamugadi (Timgad) e Sitifis (Sétif). Lambaesis era a sede da Terceira Legião Augusta. O exército era responsável por proteger as cidades e construir estradas, levando a civilização romana a várias zonas do Norte de África.

Map of Roman North Africa - Provinces, Roads & Frontiers
Domínio Romano no Norte da África (146 a.C. - 395 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A cultura romana floresceu e as províncias norte-africanas desfrutaram de quatro séculos de prosperidade. A agricultura prosperou, com a África a fornecer mais de 60% das necessidades de cereais do Império Romano. A maior parte dos animais selvagens utilizados nos espetáculos dos anfiteatros provinha de portos africanos, assim como o ouro, o azeite, pessoas escravizadas, marfim e o molho de peixe (garum). Os africanos romanizados começaram a exercer influência em Roma, e alguns berberes receberam a cidadania romana.

Contudo, as revoltas berberes eram frequentes. O imperador romano Trajano (reinou 98-117 d.C.) mandou construir fortes em torno das montanhas do Aurès em resposta, enquanto o seu sucessor, Adriano (reinou 117-138 d.C.), viajou até ao Norte de África em 128 d.C. para inspecionar o exército. No final do século II, foi criada uma nova província da Numídia sob o imperador Septímio Severo (que reinou de 193 a 211), ele próprio africano de nascimento.

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Portrait of Septimius Severus from Djemila
Retrato de Septímio Severo, de Djémila Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Muitos habitantes romanos e berberes abraçaram o Cristianismo, e os cismas doutrinais deram mais tarde destaque a um dos maiores Padres da Igreja Cristã, Agostinho de Hipona (354–430). A Numídia permaneceu como uma província romana após a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. Contudo, a presença romana enfraqueceu com a conquista dos Vândalos germânicos sob o comando de Genserico (reinou 428-478), em 429. Apesar das tentativas do exército bizantino para controlar as províncias norte-africanas após a derrota dos Vândalos, os invasores árabes, no século VII, puseram termo à história romana do Norte de África.

Basilica of Saint Augustine in Annaba, Algeria
Basílica de Santo Agostinho, em Annaba, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Os franceses, que colonizaram a Argélia em 1830 e a governaram até 1962, levaram a cabo extensas escavações e restauros de vestígios romanos. Alguns locais arqueológicos significativos estão bem preservados.

Tipasa (Tipaza)

O sítio classificado como Património Mundial da UNESCO, Tipasa, está localizado a cerca de 70 km (43 mi) a oeste de Argel, a capital da Argélia, nas margens do Mediterrâneo. Tipasa foi um entreposto comercial fenício e púnico na rota marítima entre Cartago e as Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar). Deste período, restam apenas vestígios de necrópoles do século VI a.C.

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Tipasa foi conquistada por Roma no século I e foi um município com direitos latinos sob Cláudio (reinou 41-54 d.C.) e uma colónia sob Adriano ou Antonino Pio (reinou 138-161). Os séculos II e III foram um período de grande prosperidade para Tipasa, altura em que foi construída uma vasta muralha. Tal como outras cidades costeiras, Tipasa abraçou o Cristianismo na primeira metade do século IV, quando foram construídas basílicas cristãs. A cidade entrou gradualmente em declínio a partir do século VI, com a invasão árabe.

Cardo Maximus in Tipasa
Cardo Maximus, em Tipasa Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O sítio principal de Tipasa é hoje um parque arqueológico arborizado com vestígios que se estendem por 70 hectares (172 acres). A entrada conduz a um anfiteatro, a partir do qual um caminho leva ao coração da antiga cidade, onde se cruzam as duas ruas principais, o cardo maximus e o decumanus pavimentados. Os edifícios cívicos encontram-se a leste do cardo, compreendendo o Fórum, uma área pavimentada de 25 metros (82 pés) por 50 metros (164 pés) que originalmente possuía pórticos em três dos seus lados e o capitólio no quarto. É aqui que se localizam a cúria (assembleia municipal) e a basílica civil. As habitações situam-se ao longo da linha costeira, incluindo a chamada "Villa dos Frescos", uma casa vasta com 1000 m² (10,700 pés²), construída em meados do século II. As divisões abrem-se para peristilos e encontram-se, por vezes, decoradas com mosaicos e frescos.

Villa of the Frescoes in Tipasa
Villa dos Frescos, em Tipasa Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Seguindo a linha costeira para oeste, desenvolveu-se um complexo religioso cristão que inclui duas basílicas, túmulos e termas. A grande basílica de sete naves era, à época da sua conclusão no século IV, o maior edifício cristão no Norte de África. No interior da cidade, encontram-se um teatro e uma fonte semicircular monumental situada no decumanus.

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Great Christian Basilica of Tipasa
Grande Basílica Cristã de Tipasa Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O pequeno museu, situado fora do parque, exibe várias estelas funerárias púnicas e cristãs, bem como um mosaico que retrata uma família de cativos agachada e com as mãos atadas.

Mosaic of the Captives, Tipaza
Mosaico dos Cativos, Tipaza Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Mausoléu Real da Mauritânia

O Mausoléu Real da Mauritânia, situado nas proximidades de Tipaza, foi mandado construir em 3 a.C. por Juba II da Numídia e pela sua esposa, Cleópatra Selene II. É possível que este monumento tenha servido como o seu local de descanso final, embora os seus restos mortais nunca tenham sido encontrados.

Royal Mausoleum of Mauretania, Algeria
Mausoléu Real da Mauritânia, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O mausoléu no topo da colina remete para outros túmulos númidas. Contudo, foi também inspirado pelo Mausoléu de Augusto em Roma, construído por volta de 28 a.C. O mausoléu real possui uma base circular e, originalmente, era rematado por uma pirâmide ou cone. O monumento tinha cerca de 60 metros (196 pés) de diâmetro e 40 metros (196 pés) de altura.

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Cesareia (Cherchell)

Cherchell, na Argélia, é uma cidade costeira com um movimentado porto de pesca, situada a 20 km (12.4 mi) para lá de Tipaza. Foi fundada por volta de 600 a.C. como entreposto comercial fenício e chamava-se Iol, mas as construções subsequentes apagaram os vestígios pré-romanos. A cidade ganhou destaque durante o reinado de Juba II, que a rebatizou de Cesareia em honra de Augusto.

Na era imperial romana, tornou-se a capital da Mauritânia Cesariense, com mais de 20 000 habitantes. Tal como Tipasa, a cidade adotou o Cristianismo (Agostinho de Hipona visitou-a em 418) e tornou-se um alvo dos Vândalos. Após desfrutar de um breve ressurgimento sob os Bizantinos, Cesareia caiu na obscuridade antes de refugiados muçulmanos da Andaluzia revitalizarem o povoado no século XIV.

Ancient Theatre of Iol Caesarea, Algeria
Teatro Antigo de Iol Cesareia, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Cesareia dispunha de um circo, um anfiteatro, um teatro, termas romanas, inúmeros templos e edifícios cívicos, como uma basílica e um aqueduto. Pouco resta desses monumentos, mas a glória de Cesareia perdura no Museu Arqueológico de Cherchell, construído em 1908.

Archaeological Museum of Cherchell, Algeria
Museu Arqueológico de Cherchell, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Os destaques do museu incluem bustos de mármore de Juba II e Cleópatra Selene, uma estátua colossal de um imperador romano, provavelmente Augusto ou Cláudio, e uma estátua de um Apolo nu (uma cópia de um original grego do século V a.C.), que se acredita ser da autoria do mestre Fídias (ativo entre 490 e 430 a.C.). A coleção de mosaicos inclui um que retrata o Triunfo de Dioniso, as Três Graças e os Trabalhos do Campo.

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Triumph of Dionysus Mosaic from Caesarea in Mauretania
Mosaico do Triunfo de Dioniso, de Cesareia na Mauritânia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Cuicul (Djémila)

O sítio classificado como Património Mundial da UNESCO de Djémila ("a bela" em árabe) é também conhecido pelo seu nome berbere, Cuicul. Situada a 900 metros de altitude, entre dois vales profundos, Djémila — com as suas ruas marcadas pelas rodas das carroças, ladeadas por casas elaboradas, um fórum, templos, mercados e arcos triunfais — é um exemplo notavelmente bem preservado de planeamento urbano romano adaptado à sua localização montanhosa.

View of Cuicul (Djémila) in Algeria
Vista de Cuicul (Djémila), na Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Cuicul foi uma colónia de veteranos fundada sob o reinado de Nerva (reinou 96-98 d.C.). Foi uma cidade comercial próspera durante o século II e o início do século III, ultrapassando a sua muralha defensiva original e atingindo uma população superior a 12 000 habitantes. Sob a Dinastia Antonina (96–192), a cidade possuía um fórum, um capitólio, vários templos, uma cúria (câmara municipal), um mercado e um teatro romano. Sob a dinastia dos Severos (193–235), foram delineados novos bairros em torno de um novo fórum. Cuicul tornou-se uma cidade onde os soldados reformados desfrutavam de um estilo de vida confortável.

Cardo Maximus in Cuicul (Djémila)
Cardo Maximus em Cuicul (Djémila) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Cristianismo chegou a Cuicul cedo, com o registo do primeiro bispo em 255. Edifícios religiosos surgiram até ao final do século IV como a extensão sul da cidade, conhecida hoje como o bairro cristão, com o seu batistério, capelas e basílicas. A cidade caiu perante os Vândalos e teve um breve renascimento sob os Bizantinos durante a primeira metade do século VI, acabando por ser abandonada após a invasão árabe do Norte de África.

Roman Theatre of Cuicul (Djemila), Algeria
Teatro Romano de Cuicul (Djémila), Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Museu de Djémila situa-se dentro do próprio sítio e alberga magníficos mosaicos pavimentares romanos encontrados no local. Cobrem cerca de 1700 m² (5,577 pés²), ocupando quase toda a superfície das paredes do museu. Os destaques incluem um mosaico de uma cena de caça — o chamado "Mosaico do Asno", com 10 metros (32 pés) de comprimento — e a "Toalete de Vénus".

Museum of Djémila, Algeria
Museu de Djémila, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Castellum Tidditanorum (Tiddis)

Tiddis situa-se numa encosta íngreme de terra avermelhada, com vistas privilegiadas sobre um desfiladeiro profundo. Foi construído como um castellum defensivo (pequeno forte romano), um de uma série de povoados fortificados que rodeavam o assentamento maior de Cirta (Constantina) e que protegiam o seu território. Existiu um povoamento neste local desde épocas remotas, pelo menos desde os berberes do Neolítico, mas foram os Romanos que desenvolveram a cidade.

Castellum Tidditanorum (Tiddis), Algeria
Castellum Tidditanorum (Tiddis), Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O assentamento militar romano, estabelecido durante o reinado de Augusto (27 a.C.–14 d.C.), acabou por se tornar civil, adaptando as suas regras de planeamento urbano à topografia em declive, com ruas que serpenteiam até ao cume. Colunatas, um arco triunfal, um pequeno fórum, um Mitreu, um bairro cristão e o cardo maximus estão entre os vestígios que sobrevivem deste centro imperial da cultura romana.

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Forum of Castellum Tidditanorum (Tiddis), Algeria
Fórum de Castellum Tidditanorum (Tiddis), Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Tiddis foi o lar de Quinto Lolio Úrbico, filho de um proprietário de terras berbere númida. Quinto combateu com a XXII Legião na Germânia antes de ser nomeado cônsul e, posteriormente, governador da Britânia romana entre os anode 139 e 142. Quinto erigiu um mausoléu familiar circular, ainda de pé fora da cidade, no que seria, muito provavelmente, a propriedade da família.

Mausoleum of the Lollii, Tiddis
Mausoléu dos Lollii, Tiddis Reda Kerbush (CC BY-NC-SA)

Thamugadi (Timgad)

Timgad é frequentemente descrita como a "Pompeia de África". Este sítio classificado pela UNESCO possui todos os elementos de uma grande cidade romana: um plano ortogonal em grelha e duas ruas principais orientadas, um grande fórum, termas, mercados, uma biblioteca, um teatro e um imponente capitólio. Alguns edifícios encontram-se num excelente estado de conservação.

Situada nas encostas setentrionais das montanhas do Aurès, Timgad, ou Colonia Marciana Ulpia Traiana Thamugadi, foi construída pelo imperador Trajano por volta de 100 para veteranos da Legio III Augusta estacionados perto da cidade. Expandeu-se para lá da grelha original (de 12 para 50 hectares/29 acres-123 acres), acrescentando novos bairros ao longo dos 300 anos seguintes, totalizando 111 quarteirões, cada um com 20 m² (215 pés²). Uma inscrição no fórum resume a vida em Timgad: "venari lavari ludere ridere occ est vivere" ("caçar, banhar-se, jogar, rir: isto é viver").

Timgad, Algeria
Timgad, Algeria Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Cristianismo prevaleceu em Thamugadi no século IV d.C., tendo-se tornado um dos centros mais proeminentes do Donatismo, uma seita cristã que conduziu a um cisma na Igreja Católica. Os Vândalos destruíram a cidade em 430 d.C. Os Bizantinos recuperaram-na até que a invasão árabe passou pela região.

Arch of Trajan in Timgad
Arco de Trajano, em Timgad Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O museu, situado à entrada do sítio, contém uma coleção de mais de 80 mosaicos, incluindo o mosaico de Neptuno no seu carro, Ártemis e Actéon, e Vénus sobre o dorso de um centauro marinho.

Timgad Museum
Museu de Timgad Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Lambaesis (Tazoult)

Lambaesis foi a localização do quartel-general da Legio III Augusta, a única legião romana em África a oeste do Nilo, encarregada de defender a área, controlar o tráfego e cobrar impostos ao longo da importante rota comercial. A legião estabeleceu dois acampamentos sucessivos em Lambaesis: o primeiro em 81 d.C. e um maior no final da década de 120, durante o reinado de Adriano, que visitou África e inspecionou o exército romano. Uma cidade civil desenvolveu-se em torno do acampamento militar. Quando a província da Numídia foi criada em 197–198, sob Septímio Severo, Lambaesis tornou-se a capital. Com a partida da legião em 392, a antiga cidade entrou em declínio.

Principia of the Legionary Base at Lambaesis
Principia da Base Legionária em Lambaesis Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

A ruína mais visível do acampamento legionário romano é o arco de quatro lados, muitas vezes chamado de pretório (a residência do comandante), mas que é, na verdade, a groma, uma entrada monumental para o principia (edifício do quartel-general) localizado exatamente no centro do acampamento, no cruzamento da via principalis com a via praetoria. O anfiteatro, situado a 200 metros (656 pés) de distância, foi construído em 169 sob o imperador Marco Aurélio (121–180) e tinha uma capacidade para 12 000 espetadores.

Os vestígios da cidade, nos limites da aldeia moderna, incluem dois arcos triunfais (dedicados a Septímio Severo e a Caracala), vários templos romanos, incluindo um Capitólio e um santuário de Esculápio, termas e casas privadas.

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Arch of Septimius Severus at Lambaesis, Algeria
Arco de Septímio Severo, em Lambaesis, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O pequeno museu de Lambaesis, no centro da atual vila de Tazoult, possui um belo jardim epigráfico repleto de inscrições sobre a história de Lambaesis.

Mosaic of the Nymph Cyrene
Mosaico da Ninfa Cirene Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Thubursicum (Khamissa)

Thubursicum é o maior sítio arqueológico no leste da Argélia. Situa-se numa região montanhosa a uma altitude de 950 metros, perto da nascente do rio Medjerda. Originalmente, Thubursicum foi um povoado de uma tribo berbere indígena da Numídia. Sob o domínio romano, a cidade tornou-se um município por volta de 100 e uma colónia antes de 270. Thubursicum tornou-se a sede de um bispado, tendo sido visitada duas vezes por Santo Agostinho.

Roman Theatre of Thubursicum, Algeria
Teatro Romano de Thubursicum, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

As ruínas de Thubursicum incluem um teatro romano bem preservado, considerado um dos mais belos e conservados de todo o Norte de África, um complexo de nascentes, dois fóruns, uma porta da cidade e termas públicas.

Spring Complex in Thubursicum, Algeria
Complexo de Nascentes em Thubursicum, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Madauros (M'daourouch)

Madauros foi uma cidade númida governada sucessivamente pelos reis africanos Sifax (reinou cerca de 215–203 a.C.) e Masinissa (202–148 a.C.). Foi uma importante colónia romana durante o período flaviano, tendo sido o local de residência do filósofo platónico e retórico Lúcio Apuleio (cerca de 124 até depois de 170 d.C.).

Market and Byzantine Fortress of Madauros, Algeria
Mercado e Fortaleza Bizantina de Madauros, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Os monumentos visíveis incluem o fórum romano, o teatro, duas termas, basílicas, numerosas casas, igrejas, uma fortaleza bizantina e importantes estabelecimentos de extração de azeite.

Hippo Regius (Annaba)

Os portos naturais e as defesas de Annaba, a proximidade de água doce e um interior fértil atraíram os Fenícios e asseguraram a prosperidade contínua da cidade. Numidianos, Romanos, Vândalos, Bizantinos, Árabes, Otomanos e Franceses renderam-se aos encantos deste local. O povoado original, Hippo Regius, mais tarde conhecido como Hippone, situa-se a 1,6 km (1 mi) a sul da atual cidade. Prosperou sobretudo sob os Romanos, tornando-se um município sob o reinado de Augusto e sendo elevada a colónia sob Trajano. Hippo Regius foi um importante centro comercial, responsável pelo envio do trigo que alimentava Roma.

Santo Agostinho escolheu viver os seus últimos anos nesta cidade. Pouco depois da sua morte, em 430, Hippo Regius caiu nas mãos dos Vândalos, tornando-se a capital do Reino Vândalo entre 435 e 439. Hippo Regius passou para o imperador bizantino Justiniano em 533 e, cerca de dois séculos mais tarde, foi conquistada pelos Árabes. O povoado foi então deslocado para o local atual de Annaba.

Forum of Hippo Regius, Algeria
Fórum de Hippo Regius, Argélia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

As ruínas de Hippo Regius, dominadas pela imponente Basílica de Santo Agostinho (da era colonial), estão entre as mais evocativas da Argélia. O fórum é um dos maiores do Norte de África e apresenta uma inscrição que se estende por duas linhas ao longo de toda a sua largura. No bairro cristão ergue-se uma basílica com 42 metros (131 pés) de comprimento, ainda coberta por mosaicos. É muito provável que esta tenha sido a basílica onde Santo Agostinho exerceu o seu famoso episcopado.

O museu local contém uma excelente coleção de esculturas, mosaicos e o Troféu de Bronze — uma peça única com 2,44 metros (8 pés) de altura, que representa uma impressionante armadura de bronze fundido suspensa num poste de madeira para celebrar uma vitória militar.

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Raddato, C. (2026, julho 18). Esplendores da Argélia Romana. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2179/esplendores-da-argelia-romana/

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Raddato, Carole. "Esplendores da Argélia Romana." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 18, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2179/esplendores-da-argelia-romana/.

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Raddato, Carole. "Esplendores da Argélia Romana." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 18 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2179/esplendores-da-argelia-romana/.

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