Fídias foi, segundo os seus contemporâneos, o mais ilustre de todos os escultores gregos. As suas maiores obras-primas foram executadas, aproximadamente, entre os anos de 465 e 425 a.C. Lamentavelmente, à exceção de cópias posteriores, nenhum exemplar da sua autoria sobreviveu até aos dias de hoje. Conquanto se saiba pouco sobre a sua juventude, ascendeu ao auge do prestígio durante o governo do estadista, estratego e orador Péricles, por volta de 449 a.C., em plena Idade de Ouro de Atenas. Fídias é celebrizado, sobretudo, pelos seus três monumentos atenienses em honra de Atena, a deusa virgem grega da sabedoria e da guerra, bem como pela estátua de Zeus no Templo de Olímpia, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Supostamente, as suas obras eram de tal modo inspiradoras que se acreditava ter ele presenciado a majestade dos deuses, revelando-a à humanidade através das suas esculturas.
A Atena em Atenas
Sobre a sua juventude, os únicos factos conhecidos acerca de Fídias são que era filho de Cármides (não devendo confundir-se com o estadista homónimo) e que foi discípulo dos escultores atenienses Hegias e Ageladas. Quando Péricles ascendeu ao poder, cerca de 461 a.C., iniciou um vasto programa de edificação e colocou Fídias, membro do seu círculo íntimo, como responsável por todos os projetos artísticos. As obras mais celebradas do escultor incluíram três monumentos na Acrópole dedicados à deusa Atena: a Atena Prómacos, em bronze, com 9 metros de altura e concluída em 456 a.C., sendo uma das suas obras de juventude; a Atena Lemnia, também em bronze, dedicada aos colonos de Lemnos; e, por último, a Atena Partenos, concebida para o Pártenon.
De acordo com a investigação moderna, a Atena Partenos, iniciada em 447 a.C. e consagrada em 438 a.C., media cerca de doze metros de altura, sendo revestida a marfim e ornamentada com mais de uma tonelada de ouro. A deusa apresentava-se trajada com uma túnica, portando uma égide (um tipo de escudo ou proteção peitoral) adornada com a cabeça da Medusa e um elmo. Na mão direita sustinha uma imagem de Nice, a deusa da vitória, enquanto com a esquerda empunhava uma lança. A Partenos erguia-se por detrás de um espelho de água pouco profundo, preenchido com óleo, que não só providenciava o reflexo da estátua, como também auxiliava na preservação do marfim, impedindo que este fendesse devido ao calor seco de Atenas.
Na qualidade de amigo de Péricles, Fídias foi investido na responsabilidade de administrador-geral e superintendente da reconstrução do Pártenon, conquanto o historiador grego Plutarco, de finais do século I d.C., atribua a maior parte do mérito aos arquitetos Calícrates e Ictino. A Acrópole e o antigo Pártenon tinham sido destruídos durante as Guerras Médicas. A nova estrutura destinava-se a representar a coragem dos gregos no seu triunfo subsequente sobre os invasores persas. Plutarco, na sua obra Vidas Paralelas (Bioi Paralleloi) disserta sobre Fídias, a sua relação com Péricles e a sua escultura de Atena num capítulo dedicado ao estadista grego, escrevendo o seguinte:
Fídias executou a estátua de ouro da deusa e o seu nome encontra-se inscrito na estela como seu autor. Ele estava incumbido de quase tudo e, como mencionei, era o administrador-geral de todos os artesãos — cargo que obteve em virtude da sua amizade com Péricles. Tal facto, além de despertar inveja em relação a Fídias, provou ser mais um pretexto para caluniar Péricles… (pág. 157).
O Zeus de Olímpia
Se os seus monumentos a Atena lhe granjearam fama, a sua obra-prima máxima foi a estátua no Templo de Zeus, em Olímpia. Requerendo oito anos para ser concluída, foi terminada em 430 a.C. O Zeus de Olímpia era considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Sentado num trono, Zeus, tal como Atena, sustinha a imagem de Nice na mão direita e um cetro na esquerda. A estátua erguia-se a mais de 12,8 metros (42 pés) de altura — sendo ainda maior do que a Atena Partenos — e era composta por marfim e ouro. À semelhança de tantas outras das suas obras, o templo e a estátua já não existem, tendo sido destruídos por incêndios e sismos. Sucumbiram em ruínas e acabaram por ser soterrados por um deslizamento de terras e pelo lodo do rio.
A Desonra e a Morte
Os anos finais de Fídias permanecem envoltos em mistério. Os inimigos de Péricles acusaram o escultor de subtrair não apenas ouro, mas também marfim durante a execução da Atena Partenos. Segundo alguns autores, embora tenha supostamente logrado provar a sua inocência quanto à acusação, foi igualmente acusado de impiedade devido aos retratos de Péricles e de si próprio que figuravam no escudo de Atena. Plutarco corroborou a ideia de que Fídias poderia ser culpado, conquanto afirme que "o furto não foi provado. Todavia, os detratores de Péricles mantiveram-se irredutíveis quanto à acusação de impiedade, pelo que Fídias foi encarcerado e pereceu no cárcere. Aparentemente, a amizade do escultor com Péricles levou-o a granjear "um grupo de inimigos por conta própria, simplesmente por terem inveja dele..." (pág. 172). Plutarco acrescentou: "Assim, Fídias foi conduzido à prisão, onde morreu de doença, embora, segundo alguns escritores, os inimigos de Péricles tenham urdido a sua morte por envenenamento, com o intuito de desacreditar o estadista." (Idem).
A presença do escultor em Olímpia é atestada pela descoberta da sua oficina, e a conclusão do colossal Zeus comprova que ele não morreu na prisão, poderá ter sido exilado ou, temendo pela própria vida, fugido para Olímpia. Embora possa não ter perecido no cárcere, muitos acreditam que poderá ter sido morto pelos eleantes. Considerado o maior dos escultores atenienses, é lamentável que a sua memória e mestria sejam recordadas apenas através de cópias e do testemunho de autores contemporâneos. Todavia, Fídias influenciou inúmeros artistas, não só na Grécia, mas também em Roma.

