Colunas

Definição

Mark Cartwright
por , traduzido por Jonas Tenfen
publicado em 30 Outubro 2012
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Disponível em outros idiomas: Inglês
Architectural Column Orders (by Sarah Woodward, CC BY-SA)
Ordens Arquitetônicas das Colunas
Sarah Woodward (CC BY-SA)

As colunas foram uma invenção arquitetônica que permitiu o suporte de tetos sem o uso de paredes maciças, aumentando, deste modo, o espaço que poderia ser ocupado por um teto, permitindo a entrada de luz e oferecendo uma alternativa estética aos exteriores dos edifícios, particularmente nos peristilos dos templos e em colunatas ao longo de estoas. Colunas podem também ser incorporadas (engatadas) dentro das paredes ou ser livres de suportes e carregar esculturas para comemorar pessoas ou eventos específicos.

Primeiras Colunas

O primeiro uso de colunas foi como um simples suporte central para tetos de construções relativamente pequenas, mas a partir da Idade do Bronze (3000 – 1000 a.C.), colunas mais sofisticadas com outras funções para além de suporte estrutural direto apareceram nas civilizações do Egito, da Assíria e de Creta. Enquanto as civilizações anteriores empregavam pedras em suas colunas, os minoicos usavam todo o tronco de uma árvore – usualmente posto de cabeça para baixo para evitar que brotasse novamente – firmada em uma base disposta em um estilóbata (a base do chão) e encimada com um capitel redondo simples. Estes eram então pintados como no mais famoso palácio minoico, em Cnossos. Os minoicos empregavam colunas para criar amplos espaços abertos, bem iluminados e com o ponto focal para rituais religiosos. Estas tradições continuaram até a Civilização Minoica Tardia, em especial no megaron ou hall localizados ao centro dos palácios. A importância das colunas e sua referência a palácios, e por óbvio à autoridade, fica evidente no uso de motivos heráldicos, tal o portão de leão de Micenas, onde dois leões se posicionam deixando a coluna entre eles. Por terem sido feitas de madeira, estas primeiras colunas não sobreviveram, mas suas bases de pedra sim, e, por meio destas, podemos observar seu uso e disposição nestas construções palacianas.

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As Primeiras Colunas de Pedra

Na Grécia Arcaica, a pedra começou a substituir a madeira como material primário para grandes construções. No entanto, a transição não foi de forma clara. Acredita-se que na construção de templos entre o 8° e 7º séculos a.C. em Isthimia, Éfeso e Corinto foram empregadas colunas de madeira com bases de pedra juntamente com outros elementos estruturais em pedra. Gradualmente, e com exceção às vigas do telhado, a pedra, por ter resistência e durabilidade superiores, se tornou o material favorito a ser usado em construções.

Column Drum with Flutes
Tambor de Coluna com Caneluras
Anita363 (CC BY-NC-SA)

Enquanto algumas colunas de pedra eram esculpidas em uma peça, como as construções começaram a se tornar maiores, as colunas passaram a serem construídas em blocos separados, chamados tambores. Estes eram individualmente esculpidos e fixados uns nos outros por meio de uma cavilha de madeira ou pino de metal no centro dos tambores. As colunas feitas com esta técnica possuem particular resistência a atividades sísmicas. A elasticidade providenciada pela possibilidade de movimentos fracionais entre os tambores implica em que o colapso destas colunas seja quase sempre devido a outras forças destrutivas, tais como vendavais ou enfraquecimento da estrutura da construção pela retirada de elementos de pedra para uso em outras partes, mais do que por terremotos. Apesar desta vantagem, os romanos preferiram monólitos em uma única peça para suas colunas. Os romanos também padronizaram a produção de colunas durante o 1° século a.C., preferindo a proporção de 6:5. Isto quer dizer que a altura do eixo da coluna era de cinco sextos da altura total da coluna, contando a base e o capitel. Famosos exemplos deste tipo de coluna podem ser vistos no Panteão de Roma.

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A Ordem Arquitetônica

A evolução das colunas no mundo antigo foi classificada dentro de uma ordem arquitetônica. As três principais ordens arquitetônicas são dórico, jônico e coríntio. Primeiro, contudo, vêm as colunas egípcias que ficavam sobre uma base e ostentavam decoração esculpida de folhas no fuste da coluna, e as colunas persas que muitas vezes tinham figuras de animais, como touros, nos capitéis. No mundo grego, a primeira ordem era a dórica, cujas colunas eram mais largas na parte debaixo e tinham um capitel simples, mas não tinham base. Colunas jônicas se sustentavam sobre uma base e tinham um capitel em forma de pergaminho duplo (chamado “voluta”). Colunas coríntias geralmente eram mais finas e altas, se sustentavam sobre uma base e tinha um capitel ricamente decorado, no mais das vezes com decoração esculpida de flores e folhas. As três apresentavam caneluras. Os romanos introduziram ao mundo a coluna toscana, que não possuíam caneluras e tinham capitel e base simples. Colunas dóricas romanas eram similares, porém possuíam caneluras. Colunas compostas apareceram com elementos dos estilos anteriores, e, finalmente, houve a coluna salomônica, com a fuste retorcida.

Column Capital, Persepolis
Capitel de Coluna, Persépolis
Mary Harrsch (Photographed at The Oriental Institute, Univ. of Chicago) (CC BY-NC-SA)

As colunas dos grandes edifícios também incorporaram refinamentos geométricos para superar alguns dos problemas de ilusão de ótica. Porque as linhas retas parecem curvas quando vistas a distância. Por isso, frequentemente, as colunas eram levemente inclinadas para dentro à medida que se afastavam da base, as colunas nos cantos eram um pouco mais largas e todas as colunas se abaulavam levemente no meio (entasis), tudo para que o edifício parecesse perfeitamente reto. O exemplo mais famoso dessas técnicas é, sem dúvida, o Partenon da acrópole ateniense.

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Colunas Independentes

As colunas se tornaram de tal modo importantes para a aparência estética de uma construção que as colunas por si só começaram a se tornar elementos artísticos independentes. As colunas com touros antropomorfizados de Persépolis e as Cariátides de Erecteion em Atenas, do século 5° a.C., são famosas como obras de arte por si só, independentes das estruturas às quais foram originalmente desenhadas para suportarem.

Talvez as mais famosas colunas independentes sejam a Coluna Jônica da Esfinge de Naxos, em Delfos (560 a.C.), que possuía mais de 10 metros de altura, e, a Coluna de Trajano, em Roma (ano de 113 d.C.), com mais de 30 metros de altura. Cerca de 200 metros de frisos em espiral ao redor da Coluna de Trajano representam 2.500 figuras que ilustram as vitórias da campanha do Imperador na Dácia. A coluna possuía, originalmente, uma estátua do próprio Imperador em seu topo.

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Sobre o tradutor

Jonas Tenfen
Jonas é professor de ensino médio no Brasil. Ele dedica sua vida profissional à gramática e à literatura, e ele também trabalha como tradutor e redator.

Sobre o autor

Mark Cartwright
Mark é um historiador que vive na Itália. Seus interesses incluem cerâmica, arquitetura, mitologia e a descoberta das ideias que todas as civilizações partilham entre si. Tem Mestrado em Filosofia Política e é o Diretor de Publicação na Enciclopédia da História Mundial.

Citar este trabalho

Estilo APA

Cartwright, M. (2012, Outubro 30). Colunas [Column]. (J. Tenfen, Tradutora). World History Encyclopedia. Recuperado de https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Colunas." Traduzido por Jonas Tenfen. World History Encyclopedia. Última modificação Outubro 30, 2012. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Colunas." Traduzido por Jonas Tenfen. World History Encyclopedia. World History Encyclopedia, 30 Out 2012. Web. 06 Jul 2022.