Macedónia

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Apollo, Macedonian Gold Stater (by Mark Cartwright, CC BY-NC-SA)
Apolo, Estatero de Ouro Macedónio Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

A Macedónia foi um reino antigo localizado a norte da península grega, habitado primeiramente pela tribo dos Makednoi que, segundo Heródoto, foram os primeiros a autodenominarem-se "helenos" (designação posteriormente aplicada a todos os gregos) e que deram o seu nome à terra.

O reino foi fundado por volta do século VII a.C. por Carano, uma figura que parece ser semimítica, e cujo nome deriva do deus Macedon (também referido como Macednos), filho de Zeus. Durante séculos, os Makednoi tiveram pouca interação com o sul da Grécia, e os gregos consideravam-nos bárbaros, úteis apenas pelas matérias-primas que a sua região fornecia, especialmente madeira para a construção naval. Os Makednoi, por sua vez, nutriam o mesmo desprezo pelos gregos.

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Durante a invasão persa de 480 a.C., a Macedónia estava sob domínio persa e foi obrigada a fornecer tropas para a força invasora. A sua participação do lado persa não parece ter agravado, de forma alguma, as já precárias relações entre a Macedónia e o sul da Grécia. Após a vitória grega e a expulsão dos persas, a Macedónia preferiu manter-se alheia ao resto da Grécia, e os estados do sul fizeram o mesmo em relação à Macedónia, distanciando-se das disputas e combates que ocorriam constantemente entre as cidades-estado gregas.

Os historiadores concluem, geralmente, que independentemente da nacionalidade dos macedónios, estes não eram considerados gregos pelas cidades-estado do sul.

Tudo isto mudou sob o reinado do rei Filipe II (reinou 359-336 a.C.), que colocou, de forma sistemática, as cidades-Estado gregas do sul sob o seu controlo. Após o assassínio de Filipe em 336 a.C., o trono passou para o seu filho, Alexandre, o Grande (reinou 336-323 a.C.), que difundiria a cultura e a civilização gregas por todo o mundo antigo conhecido. A Macedónia perdeu o prestígio no sul da Grécia após a morte de Alexandre em 323 a.C., com muitos gregos a ressentirem-se do domínio macedónio e a manifestarem um antagonismo virulento contra tudo o que fosse, ainda que remotamente, macedónio. A Macedónia continuou a ser um reino autónomo e poderoso até ser anexada por Roma, juntamente com o resto da Grécia, por volta de 146 a.C.

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A História Antiga e as Relações com a Grécia

No início do século VII a.C., os macedónios, sob o comando do seu rei Carano, estabeleceram-se na parte central da região e, com o tempo, colonizaram o norte e o sul, deslocando os tessálios e os ilírios que ali viviam. Antes da sua chegada, a terra era conhecida como Emátia (segundo Homero, século VIII a.C. e, mais tarde, Estrabão, 63 a.C.-23 d.C.), mas os recém-chegados reclamaram-na e deram-lhe o nome do seu deus patrono. Macedon é mencionado no Catálogo das Mulheres (tít. original: Γυναικῶν Κατάλογος - Gynaikôn Katálogos; sendo também amplamente conhecida pelo seu título em latim, Ehoeae - Eoiai), de Hesíodo, no século VIII a.C., como pertencente ao panteão grego. O académico Winthrop Lindsay Adams escreve:

As suas lendas de fundação afirmavam que eram descendentes de um filho de Zeus, Macedno, que, por sua vez, teve dois filhos, Pieros e Amathos (estes conferiram uma história religiosa a termos geográficos e étnicos já existentes). Falavam um dialeto chamado macedónio, vagamente relacionado com o eólio ou com o grego do noroeste, mas suficientemente distinto para ser praticamente ininteligível para os gregos do sul, que falavam jónico e dórico.

(pág. 3)

Map of Archaic Greece
Mapa da Grécia Arcaica Megistias (CC BY-SA)

Contudo, a língua não era a única barreira entre a região norte e o sul, uma vez que Heródoto (cerca de 484-425/413 a.C.) argumenta que os macedónios eram gregos e, ao mesmo tempo, insinua que eram não-gregos que adoravam deuses gregos. Heródoto afirma que o seu primeiro rei foi Pérdicas, um descendente de Témeno, que era descendente do herói grego Héracles (Histórias 8:137.1). Embora Heródoto ligue os macedónios aos gregos através de Héracles, deixa também claro que esta era uma pretensão macedónia, não grega, e apenas reconhecida pelos gregos no caso do rei macedónio Alexandre I (Idem, 5:22). Esta pretensão é ainda mais complicada em Heródoto pelo facto de Alexandre ser conhecido como o Filo-heleno ("amigo dos gregos"), uma alcunha aplicada a não-gregos. Os académicos concluem, geralmente, que, qualquer que fosse a nacionalidade dos macedónios, estes não eram considerados gregos pelas cidades-Estado do sul. O académico Peter Green comenta:

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A atitude dos gregos das cidades-Estado face a este enclave sub-homérico era de um desprezo genial e sofisticado. Consideravam os macedónios, em geral, como semi-selvagens, rudes no discurso e no dialeto, retrógrados nas suas instituições políticas, negligenciáveis como combatentes e habituais quebradores de juramentos, que se vestiam com peles de urso e eram muito dados a bebedeiras profundas e porcinas, temperadas com episódios de assassínios e incesto.

(pág. 6)

Embora os macedónios pareçam ter-se mantido afastados, existem provas abundantes de que procuraram a aprovação e a aceitação das cidades-Estado do sul, uma vez que, já com Alexandre I (reinou 498-454 a.C., o primeiro rei histórico da Macedónia), o rei apresenta-se com uma linhagem grega que o liga aos reis argivos do passado (ilustres governantes gregos da cidade de Argos). Se Alexandre I possuía ou não tal linhagem é ainda debatido pelos académicos, mas a sua pretensão foi aceite pelas autoridades gregas, que lhe permitiram participar nos Jogos Olímpicos por volta de 504 a.C., uma honra reservada apenas aos gregos. Alexandre I procurou ainda modelar a sua corte pelo exemplo ateniense e convidou poetas gregos para o entreterem.

Ancient Macedon & Modern Political Map Overlay
Sobreposição do Mapa da Macedónia Antiga com o Mapa Político Moderno Future Perfect at Sunrise (Public Domain)

Ainda assim, os gregos parecem ter considerado, de forma consistente, a Macedónia como uma terra bárbara, que apenas merecia atenção pelos seus recursos consideráveis. A Macedónia estava dividida entre as terras altas e as baixas, sendo as zonas superiores densamente florestadas e as inferiores uma planície plana e fértil, irrigada por três rios. As colheitas das terras baixas e a madeira das terras altas tornaram-se os principais produtos de exportação dos primeiros colonos e continuariam a sê-lo ao longo de toda a história da Macedónia.

Pequenas comunidades independentes foram integradas sob uma monarquia única que, inicialmente, governava a partir da cidade de Egas (Vergina) e, mais tarde, a partir de Pela.

Estas divisões criaram pequenas comunidades independentes que foram integradas sob uma monarquia única que, inicialmente, governava a partir da cidade de Egas (Vergina) e, mais tarde, a partir de Pela. O rei supervisionava a administração do reino como um todo, mas cabia aos subordinados individuais tratar dos detalhes do comércio, uma política que parece ter sido uma herança da época em que as tribos separadas tinham os seus próprios reis. Os macedónios trocavam bens em vez de usarem moeda até ao século V a.C. e dependiam fortemente da agricultura, especialmente nas terras baixas. Ao contrário dos seus vizinhos a sul, cultivavam a terra eles próprios e não tinham escravos; uma política e um estilo de vida que fomentavam ainda mais o desprezo dos gregos do sul.

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Os Primeiros Reis e a Cultura

Os primeiros reis antes de Alexandre I são semi-históricos e pouco se sabe sobre os seus reinados. O pai de Alexandre I, Amintas I (reinou 547-498 a.C.), é o primeiro rei macedónio registado a celebrar tratados e pactos com outras nações. Foi sob o reinado de Amintas I que a Macedónia se tornou um estado vassalo do Império Persa, por volta de 511 a.C. Alexandre I deu continuidade às políticas do seu pai e o seu sucessor, Pérdicas II (r. 454-413 a.C.), expandiu-as e explorou cada pacto que fez para obter a máxima vantagem. Green escreve:

[Pérdicas] jogou Esparta e Atenas uma contra a outra com um cinismo frio, vendendo madeira a ambos os lados, fazendo e rasgando tratados de monopólio como se fossem confetti. Conseguiu também manter a Macedónia fora de qualquer envolvimento sério na Guerra do Peloponeso, evitando assim aquele esgotamento ruinoso de mão de obra que tanto enfraqueceu ambos os principais combatentes.

(pág. 8)

Ainda assim, a Macedónia sob o domínio de Pérdicas continuava a ser considerada uma terra atrasada e bárbara pelos gregos, especialmente pelos atenienses, e debatia-se com problemas de desunião e dificuldades económicas. Foi Arquelau (reinou 413-399 a.C.), o sucessor de Pérdicas, quem elevou a Macedónia a um estatuto de igualdade com as cidades-Estado do sul. Revitalizou e reformou o exército, colocou os diferentes cantões da região sob um controlo mais seguro do trono e instituiu um programa cultural de helenização crescente da sua corte e cidade capital.

Pella, Macedonia
Pela, Macedônia Carole Raddato (CC BY-NC-ND)

Em parte, o sucesso de Arquelau deveu-se às circunstâncias: Atenas tinha acabado de perder a Guerra do Peloponeso para Esparta e necessitava de quantidades massivas de madeira para construir novos navios. Contudo, para lá disso, Arquelau conseguiu perceber o que era necessário fazer para elevar a Macedónia, no seu todo, e o Reino da Macedónia, em particular, e pôs mãos à obra. Convidou alguns dos mais célebres poetas e artistas gregos para a sua corte, entre eles Eurípides (cerca de 480-c. 406 a.C.), e fomentou um elevado nível cultural.

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Por volta de 399 a.C., Arquelau foi morto durante uma caçada por um dos seus companheiros (e possivelmente antigo amante) chamado Crateuas, que governou então durante quatro dias antes de ser deposto e morto pelo filho de Arquelau, Orestes (reinou 399-398 a.C.), a quem se seguiu Aeropo II (reinou cerca de 398-396 a.C.). Os reis seguintes chegaram ao trono e governaram durante um ou mais anos antes de serem assassinados, até que Amintas III (reinou 392-370 a.C.) se tornou rei.

Amintas III garantiu as fronteiras do país contra invasões, aumentou o comércio com as cidades-Estado gregas e continuou o trabalho iniciado por Arquelau I na elevação do estatuto da Macedónia. Formou alianças tanto com Esparta como com Atenas, além de negociar com estas contratos mais lucrativos para a madeira macedónia. Amintas III é considerado o verdadeiro sucessor de Arquelau I, na medida em que unificou e fortaleceu o país de uma forma que nenhum dos sucessores imediatos de Arquelau I conseguiu fazer. Morreu de causas naturais e deixou o seu reino ao filho, Alexandre II (reinou 370-368 a.C.), que não correspondeu à visão do pai, tal como nenhum dos seus sucessores o faria. O seu verdadeiro sucessor seria o seu filho mais novo, Filipe II, que chegou ao poder em 359 a.C. e unificaria a Grécia sob o domínio macedónio.

Philip II of Macedon
Filipe II da Macedônia Fotogeniss (CC BY-SA)

Filipe II

Alexandre II foi assassinado em 368 a.C. e o trono passou para Ptolomeu de Aloro (reinou 368-365 a.C.), o seu assassino, que reivindicou legitimidade através do casamento — ou, pelo menos, de um caso amoroso — com Eurídice, a viúva de Amintas III. A aristocracia da Macedónia desaprovou os seus métodos e o seu governo em geral, tendo este sido assassinado por Pérdicas III (reinou 365-360 a.C.), que o afastou sem que ninguém o contestasse. Desde cerca de 367 a.C., Filipe, o irmão mais novo de Pérdicas III, tinha sido mantido como refém, primeiro pelos ilírios e, depois, por Tebas, uma das cidades mais poderosas da Grécia. Em Tebas, recebeu uma educação formal em assuntos militares e diplomáticos e testemunhou, em primeira mão, a eficácia da formação militar em cunha do exército tebano, bem como da força de combate de elite conhecida como o Bando Sagrado.

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Pérdicas III garantiu a libertação de Filipe de Tebas em 364 a.C. e este regressou à Macedónia. Pérdicas III montou uma campanha contra os ilírios para os expulsar das suas regiões do norte, mas acabou por morrer em batalha no final de 360 a.C. O trono passou então para o seu filho, Amintas IV (reinou 359 a.C.), que era apenas um bebé; Filipe governou como regente durante um curto período antes de depor o sobrinho e reclamar o trono para si. Não considerou Amintas IV uma ameaça real e tratou-o bem em vez de o mandar matar (Alexandre III, contudo, acabaria por o mandar executar quando sucedeu a Filipe).

Mapa Reino da Macedónia Aquando da Morte de Filipe II, cerca de 336 a.C.
Mapa Reino da Macedónia Aquando da Morte de Filipe II, cerca de 336 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Filipe II iniciou imediatamente uma reformulação completa das práticas educativas e do exército do seu reino. Aumentou as forças armadas e introduziu as táticas e formações sobre as quais tinha aprendido em Tebas. Ao mesmo tempo, incrementou a helenização da região, seguindo as linhas das políticas de Arquelau, e trouxe Aristóteles (384-322 a.C.) da Grécia para ser o tutor do seu jovem filho, Alexandre, bem como dos companheiros de Alexandre.

Em 338 a.C., Filipe II e Alexandre III derrotaram as forças combinadas de Atenas e Tebas na Batalha de Queroneia.

Entre 356 e 348 a.C., Filipe II envolveu-se nos assuntos dos seus vizinhos do sul, aliando-se a uns para conquistar outros, e, posteriormente, conquistando aqueles. O orador ateniense Demóstenes (384-322 a.C.) proferiu vários discursos (conhecidos como as Filípicas) contra o rei macedónio, alertando os seus concidadãos para o perigo de confiarem em Filipe, mas estes apelos foram, em grande medida, ignorados. Em 338 a.C., Filipe II e Alexandre III derrotaram as forças combinadas de Atenas e Tebas na Batalha de Queroneia e, posteriormente, formaram o Congresso Pan-helénico, com Filipe como seu líder. Ele tinha, efetivamente, conquistado as cidades-Estado gregas e colocado as mesmas sob o controlo macedónio.

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A Macedónia era agora um reino poderoso e unificado que, além disso, acumulou riqueza através de novas negociações comerciais e tributos vindos do sul. Quando Filipe II foi assassinado em 336 a.C. — por motivos que, mesmo na antiguidade, não eram claros —, o trono passou para Alexandre III, que aproveitaria ao máximo os recursos que herdou.

Alexandre, o Grande

Filipe II tinha planeado uma campanha militar contra a Pérsia — na altura, o império mais poderoso do mundo — e Alexandre renovou imediatamente estes planos. Em 334 a.C., atravessou da Grécia para a Ásia Menor com uma força de 32 000 soldados de infantaria e 5 100 cavaleiros, e tomou a cidade de Baalbek. Em 333 a.C., derrotou habilmente os exércitos de Dario III na Batalha de Isso, mas não conseguiu capturá-lo. Conquistou a Síria em 332 a.C. e o Egito em 331 a.C.

The Alexander Mosaic
Mosaico de Alexandre Carole Raddato (CC BY-SA)

Como herdara um exército permanente forte e um tesouro repleto, Alexandre não precisou de estabelecer alianças com qualquer outra potência e estava livre para fazer o que bem entendesse, quando quisesse e da forma que achasse adequada. Entre os seus objetivos de conquista, se não o seu objetivo principal, estava a unificação e a fusão de culturas; assim, espalhou o pensamento, a língua e a cultura helenísticas por onde quer que passasse, ao mesmo tempo que documentava as culturas e as regiões das terras conquistadas.

Em 331 a.C., Alexandre derrotou Dário na Batalha de Gaugamela e, pouco depois, Dário foi assassinado pelo seu próprio guarda-costas. Alexandre era agora o governante de todas as terras anteriormente detidas pela Pérsia, mas prosseguiu com a tentativa de conquistar a Índia em 327 a.C. Qualquer sucesso que pudesse ter tido foi interrompido quando os seus homens ameaçaram um motim caso ele não recuasse, o que o levou a cancelar a campanha. Estaria, possivelmente, a considerar renová-la quando morreu, após dez dias de febre alta, em 323 a.C.

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A Macedónia Helenística e Roma

Alexandre não nomeou um sucessor e, por isso, o seu império foi dividido entre os seus quatro generais: Lisímaco (que governaria a Trácia e a Ásia Menor); Ptolomeu I (Egito, Palestina, Cilícia, Nabateia, Chipre); Seleuco (Mesopotâmia, Levante, Pérsia e Índia); e Cassandro, que tomou a Macedónia e a Grécia. Estes quatro ficaram conhecidos como os Diádocos (sucessores) e, embora cada um possuísse terras e riquezas suficientes para satisfazer qualquer um, todos eles — com a possível exceção de Ptolomeu I — queriam mais, e começaram as Guerras dos Diádocos (322-c. 275 a.C.).

Estas guerras envolveram não só os quatro generais, mas também outros que acreditavam ter direito a uma parte maior do império de Alexandre. A sua meia-irmã, Cinane (cerca de 357-323 a.C.), por exemplo, conseguiu casar a sua filha Adeia (conhecida como Rainha Eurídice) com o homem escolhido como sucessor de Alexandre — o seu fraco meio-irmão Arrideu (mais tarde conhecido como Filipe III, reinou 323-317 a.C.). A mãe de Alexandre, Olímpia, também se envolveu nas disputas e acabou por mandar matar Eurídice e Filipe III. O filho de Alexandre, o Grande, Alexandre IV, era a escolha mais óbvia como sucessor, mas nasceu pouco tempo após a morte de Alexandre. Acabou por ser assassinado sob ordens de Cassandro, por volta de 309 a.C.

Coin of Philip V of Macedon
Moeda de Filipe V da Macedónia PHGCOM (Public Domain)

Durante a ausência de Alexandre, o general Antípatro (pai de Cassandro) governou a Macedónia como regente (334-323 a.C.), mas proclamou-se regente de todo o império em 320 a.C. Cassandro, após travar as suas várias guerras contra os seus antigos camaradas, regressou à Macedónia e acreditou que seria nomeado sucessor do seu pai. Antípatro escolheu antes o seu amigo e camarada Poliperconte, e Cassandro aliou-se ao general Antígono para conquistar o trono. Antígono e Cassandro foram vitoriosos e, por volta de 305 a.C., Cassandro foi proclamado rei da Macedónia e fundou a Dinastia Antipátrida, que duraria apenas durante as Guerras dos Diádocos.

A história da Macedónia entre cerca de 275 a.C. e 205 a.C. é caracterizada por uma série de campanhas militares dos seus reis, com níveis variados de sucesso, e pelos assassínios desses mesmos reis e de outros membros da aristocracia. O mais bem-sucedido deles, pelo menos inicialmente, foi Filipe V (reinou 221-179 a.C.), que assegurou as suas fronteiras contra as tribos invasoras e expandiu o poder macedónio na Grécia e através do Mediterrâneo, pela Ásia Menor e Egito.

A Macedónia envolveu-se nos assuntos de Roma durante a Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), quando um enviado macedónio a bordo de uma embarcação com um diplomata cartaginês foi capturado em 215 a.C. e descoberto a transportar um tratado entre a Macedónia e o general cartaginês Aníbal Barca. Roma não podia permitir uma aliança entre Cartago e a Macedónia, pelo que começou a Primeira Guerra Macedónica (214-205 a.C.). Roma saiu vitoriosa, tal como na Segunda Guerra Púnica, e estabeleceu-se como a maior potência na região do Mediterrâneo.

Roman Forum, Philippi
Fórum Romano, Filipos Carole Raddato (CC BY-SA)

A Macedónia continuou, contudo, a afirmar a sua independência e autoridade ao longo das décadas seguintes, enquanto Roma se tornava cada vez mais poderosa. Os romanos não tinham esquecido nem perdoado Filipe V pelo seu envolvimento anterior com Cartago e exigiram uma quantia exorbitante a título de indemnização. Filipe V recusou esta exigência, dando início à Segunda Guerra Macedónica (200-197 a.C.), na qual Roma saiu novamente vitoriosa e a Macedónia foi forçada a render as suas possessões na Grécia. A Terceira Guerra Macedónica (171-168 a.C.) e a Quarta Guerra Macedónica (150-148 a.C.) terminaram da mesma forma e, de cada vez, a Macedónia perdia um pouco mais. Quando os romanos venceram a Terceira Guerra Púnica contra Cartago, em 146 a.C., a Macedónia foi pouco depois absorvida como província romana.

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Conclusão

As invasões eslavas da região começaram por volta do século V d.C., à medida que Roma caía, e continuaram ao longo do século VII. No ano de 681, foi fundado na região pelas tribos búlgaras o Primeiro Império Búlgaro, o qual duraria até 1018, quando a região foi tomada pelo Império Bizantino. Os bizantinos mantiveram-na até 1453, altura em que foram derrotados pelos otomanos, que se estabeleceram na região como parte do seu império e a deteriam até ao século XX.

Com o tempo, e após muitos conflitos, a região fragmentou-se nas entidades políticas e étnicas distintas que hoje incluem a Grécia, a Albânia, a Bulgária, o Kosovo, a Sérvia e a Jugoslávia. Em 1991, foi estabelecida a República da Macedónia numa área daquilo que outrora fora o Império Macedónio de Alexandre, o Grande. O legado da região foi a helenização do mundo antigo pelos exércitos sob o comando de Alexandre, que aproveitou ao máximo o que lhe foi dado para marcar e influenciar significativamente outros durante gerações; um paradigma que exemplifica o povo daquela terra até aos dias de hoje.

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Perguntas & Respostas

O que era a Macedónia?

A Macedónia (Macedon) foi um reino no norte da Grécia, fundado no século VII a.C.

O que significa o nome «Macedónia»?

O nome «Macedónia» deriva do deus Macedon, filho de Zeus, venerado pela tribo dos MakednoiMakednoi, que fundou o reino.

Porque é que a Macedónia é famosa?

A Macedónia tem uma longa história, mas é mais conhecida por ser o local de nascimento de Alexandre, o Grande.

A Macedónia chegou a ser conquistada por Roma?

A Macedónia perdeu todas as quatro Guerras da Macedónia (214-148 a.C.) contra Roma e tornou-se uma província da República Romana após 146 a.C.

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Mark, J. J. (2026, agosto 05). Macedónia. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-386/macedonia/

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Mark, Joshua J.. "Macedónia." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 05, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-386/macedonia/.

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Mark, Joshua J.. "Macedónia." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 05 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-386/macedonia/.

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