Lisímaco

Donald L. Wasson
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations
🔖 Guardar Artigo 🎧 Versão Áudio 🖨️ Imprimir 💾 PDF
Lysimachus (by Ian Scott, CC BY-SA)
Lisímaco Ian Scott (CC BY-SA)

Lisímaco (cerca de 361–281 a.C.) foi um dos guarda-costas de confiança de Alexandre, o Grande, e membro da sua Cavalaria de Companheiros. Embora tenha obtido a cidadania macedónia, o seu pai era um tessálio chamado Agátocles. Após a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., Lisímaco beneficiou da sua lealdade ao rei, sendo recompensado com a estrategicamente importante província da Trácia, uma zona a nordeste da Macedónia, ao longo da costa do Mar Negro.

Embora inicialmente se tenha mantido relativamente alheio à série de guerras que se seguiram imediatamente à morte de Alexandre, acabou por procurar expandir as suas terras e, por fim, juntou-se aos seus colegas comandantes numa guerra contra Antígono, o Monoftalmo (o Zarolho), e o seu filho, Demétrio I da Macedónia. O sucesso viria a seguir, mas a um preço elevado.

Remover Publicidades
Publicidade

O Guarda-costas de Alexandre

Educado na corte real em Pela, Lisímaco ascendeu a membro proeminente da comitiva do rei, tornando-se um dos seus guarda-costas, ou somatophylax, por volta de 328 a.C. Curiosamente, existia um outro Lisímaco na comitiva de Alexandre. Este segundo Lisímaco era um dos antigos tutores do rei, mais conhecido, como afirmou um historiador, pelo seu sentido de humor do que pela higiene. Chamava ao jovem Alexandre Aquiles, enquanto se referia a si próprio como Fénix, o tutor de Aquiles. Embora os historiadores registem que acompanhou o rei na invasão da Pérsia, a sua única aparição digna de nota foi no cerco de Tiro.

Existe alguma divergência quanto ao ano exato do nascimento de Lisímaco. Alguns historiadores apontam o ano de 361 a.C., enquanto outros afirmam que nasceu por volta de 355 ou 351 a.C., em Pela, a capital da Macedónia. A data mais recuada é a mais plausível. Se tivesse nascido em 355 a.C. ou mais tarde, teria sido demasiado jovem para acompanhar o rei à Pérsia como guarda-costas. Embora as primeiras crónicas afirmem que acompanhou o rei na sua guerra contra os Persas e o Rei Dario, pouco se sabe sobre a participação de Lisímaco antes do Hidaspes. Os historiadores descrevem o seu envolvimento na batalha de Alexandre no Hidaspes contra o Rei Poros — foi registado que atravessou o rio com o rei — e no cerco da cidade indiana de Sangala. Aparentemente, foi ferido neste cerco. O historiador Arriano, na sua obra As Campanhas de Alexandre, escreveu:

Remover Publicidades
Publicidade

Durante todo o cerco, Alexandre perdeu pouco menos de 100 homens; o número de feridos, contudo, foi desproporcionalmente elevado — mais de 1000, entre eles Lisímaco, da guarda pessoal de Alexandre, e outros oficiais.

(pág. 290)

Pela sua bravura e lealdade ao rei, foi recompensado com a Trácia, cuja importância residia na sua localização adjacente ao Helesponto, a ponte entre a Ásia e a Europa.

O Governador da Trácia

A 10 de junho de 323 a.C., Alexandre, o Grande, faleceu na Babilónia. Historiadores, tanto do passado como do presente, discutem a causa exata; contudo, ele morreu sem nomear um sucessor ou herdeiro, fazendo com que o seu império mergulhasse no caos. Embora o comandante Pérdicas detivesse o anel de sinete do rei, as discussões persistiram e não foi possível chegar a um consenso. Enquanto aguardavam que o filho de Alexandre, o futuro Alexandre IV, atingisse a maioridade, os comandantes dividiram o império entre si — Ptolomeu I ficou com o Egito, o idoso Antígono obteve partes da Ásia Menor, o regente Antípatro I manteve a Macedónia e a Grécia e, por fim, Lisímaco recebeu a Trácia. O seu colega guarda-costas Leonato aceitou a província da Frígia, localizada do lado asiático do Helesponto — um arranjo que causou fricção constante entre ambos.

Remover Publicidades
Publicidade
Mapa dos Reinos Helenísticos após Alexandre, cerca de 301 a.C.
Mapa dos Reinos Helenísticos após Alexandre, cerca de 301 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Ao longo das três décadas seguintes, formaram-se e desfizeram-se alianças. Inimigos tornaram-se amigos e amigos tornaram-se inimigos. O império que Alexandre construíra nunca seria reunificado. A sua mãe, a sua esposa e o seu único filho e herdeiro morreriam por ordens de Cassandro, filho de Antípatro, sem nunca terem chegado a ocupar o trono.

Lisímaco concentrou os seus esforços na criação de uma sólida base de poder na Trácia e evitou envolver-se nas Guerras de Sucessão.

O primeiro dever de Lisímaco ao chegar à Trácia foi pacificar as diversas tribos trácias. Embora os trácios se tivessem juntado à luta contra Dario, foram sempre um povo antagónico tanto a Filipe II como a Alexandre. O jovem governante impôs-se imediatamente contra o líder de uma importante dinastia trácia, Seutes. Uma vez que a maior parte do império de Alexandre tinha sido dividida entre os seus comandantes mais proeminentes, estes ocuparam-se com o que ficou conhecido como as Guerras de Sucessão ou Guerras dos Diádocos. Como lutavam entre si com pouco interesse quer na Trácia, quer na Frígia, Lisímaco percebeu a sua sorte e evitou envolver-se. Na Trácia, estava relativamente a salvo das intrigas e conspirações dos seus colegas comandantes — ninguém fora da província o desafiou, pelo menos durante algum tempo. Concentrou os seus esforços na criação de uma sólida base de poder, mas, a certa altura, em 315 a.C., foi forçado a suprimir uma revolta organizada por uma das cidades ao longo da costa do Mar Negro.

De olho na província estrategicamente importante para si próprio, o comandante Antígono, que reinava sobre grande parte da Ásia Menor, enviou um pequeno contingente para ajudar a cidade e provocar as tribos locais. Finalmente, em 311 a.C., foi alcançada a paz, com Lisímaco a permanecer no controlo da cidade hostil. Esta revolta arrastá-lo-ia, finalmente, para o conflito que há tanto tempo tentava evitar. Formou uma aliança com Cassandro da Macedónia, Ptolomeu e Seleuco I. Para salvaguardar a área e assegurar os Dardanelos, construiu prontamente uma nova cidade em 309 a.C., Lisimaquia, na península de Galípoli.

Remover Publicidades
Publicidade

Os Assuntos de Família

Desde o momento em que foi nomeado governante até à sua morte em 281 a.C., Lisímaco usou o casamento para assegurar a sua posição na Trácia e estabelecer alianças necessárias e vantajosas. Depois de o comandante Pérdicas, que morreria pouco tempo depois às mãos dos seus próprios homens, ter recusado casar com Niceia, filha de Antípatro, o sensato governante trácio casou-se com ela em 321 a.C., assegurando uma aliança tanto com Antípatro como com o seu filho, Cassandro. Teriam três filhos: um rapaz, Agátocles, e duas raparigas. Mais tarde, Lisímaco apoiaria o seu cunhado contra Poliperconte pela regência da Macedónia e da Grécia. Após a morte de Niceia, escolheu casar-se com a filha de Ptolomeu I e da sua amante Berenice, Arsínoe II Filadelfo, por volta de 300 a.C. Foi um casamento de que se arrependeria. Por razões desconhecidas (provavelmente para assegurar o trono da Trácia para o seu próprio filho), Arsínoe convenceu o marido a matar o seu filho mais velho e herdeiro, Agátocles, sob falsas acusações de traição. O homicídio do popular e jovem comandante causou revolta entre muitos dos seus oficiais, que optaram por desertar para o exército de Seleuco, agora adversário de Ptolomeu. Após a morte de Lisímaco, ela casar-se-ia com o seu meio-irmão Ptolomeu II, estabelecendo o precedente de casamentos entre irmãos no Egito.

As Guerras dos Diádocos

À semelhança de muitos outros comandantes, Lisímaco assumiu o título de rei em 305 a.C. Com a memória do recente ataque de Antígono ainda presente, o rei voltou as suas ambições de expansão para a Ásia Menor. Aliou-se a Seleuco e a Cassandro contra o idoso Antígono e o seu filho Demétrio na Batalha de Ipso, em 301 a.C.; uma batalha que levaria tanto à derrota como à morte de Antígono. De acordo com os termos de paz, Lisímaco foi recompensado com terras adicionais na Ásia Menor, a sul dos Montes Tauro, Seleuco recebeu a Síria e a posição de Cassandro foi estabelecida de forma segura na Macedónia e na Grécia. Segundo muitos historiadores, a batalha pôs fim a qualquer esperança de restabelecer o império de Alexandre.

Thracian Silver Tetradrachm
Tetradracma de Prata Trácio Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

As riquezas da área em redor de Pérgamo, ao longo da costa mediterrânica da Ásia Menor, ajudaram Lisímaco a expandir ainda mais o seu território. Após a morte de Cassandro em 297 a.C., ele voltou as suas atenções para a Macedónia. Com a ajuda do Rei Pirro do Epiro, atravessou a fronteira e expulsou Demétrio. Demétrio e o seu exército atravessaram o Helesponto e entraram na Ásia Menor, confrontando as forças de Seleuco. Infelizmente para o que fora outrora governante da Macedónia, foi imediatamente capturado, acabando por morrer no cativeiro em 283 a.C. As esperanças de expansão de Lisímaco foram temporariamente travadas quando foi capturado, em 292 a.C., por Dromiquetes, o rei dos Getas. Foi forçado não só a comprar a sua liberdade, como também a ceder uma parte do seu território transdanubiano. Em 282 a.C., o seu antigo aliado Seleuco voltou as suas atenções para o território de Lisímaco na Ásia Menor. Em 281 a.C., os dois exércitos encontraram-se em Corupédio, onde o rei da Trácia encontrou a morte. Sem um herdeiro, o seu pequeno fragmento do império cairia em desordem.

Remover Publicidades
Publicidade

Remover Publicidades
Publicidade

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Wasson, D. L. (2026, julho 07). Lisímaco. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11345/lisimaco/

Estilo Chicago

Wasson, Donald L.. "Lisímaco." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 07, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11345/lisimaco/.

Estilo MLA

Wasson, Donald L.. "Lisímaco." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 07 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11345/lisimaco/.

Remover Publicidades