Alexandre, o Grande, como um Deus

Donald L. Wasson
por , traduzido por Ricardo Albuquerque
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O antigo conceito de "direito divino dos reis" estabelecia que os governantes recebiam seu poder ou autoridade diretamente de Deus. Porém, poucos - se é que houve algum - foram delirantes o suficiente para realmente acreditar em sua condição divina. Alexandre, o Grande, da Macedônia, representa uma exceção. Em 334 a.C., aos 22 anos, ele atravessou o Helesponto com seu exército e embarcou numa jornada de uma década para conquistar o Império Persa. Como um suposto descendente de Aquiles, Alexandre tinha a crença de que a vitória final sobre o rei da Pérsia, Dario III, seria seu destino. Quando morreu, em 323 a.C., estava convencido de que não era filho de Filipe II da Macedônia, mas sim do próprio deus onipotente grego, Zeus.

Alexander as Ammon-Zeus
Alexandre como Amon-Zeus Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Parentesco Divino

A sensação de que Alexandre seria filho de um deus precedeu seu nascimento. O futuro rei da Ásia, na realidade, era apenas meio macedônico - um fato que levou muitos integrantes do círculo íntimo de Filipe II a se opor ao seu nome para a sucessão. Ainda que seu "pai" fosse macedônio, sua mãe, Olímpia, tinha sangue real da província do Épiro, a sudoeste da Macedônia. O Épiro era um antigo reino feudal e, como muitos de seus vizinhos, a família real traçava sua ancestralidade até os deuses olímpicos - havia um templo dedicado a Zeus na capital. A família de Olímpia, os Molossos, sustentava seu parentesco com Aquiles, o herói trágico da Ilíada de Homero, que narra a Guerra de Troia. Seus ancestrais descendiam de Molosso, o filho de Andrômaca e Neptólemo - filho de Aquiles -, que tinha abatido o rei de Troia, Príamo, no altar de Zeus Herkeios. Esta reivindicação transformava Alexandre num descendente de heróis, uma crença que sua mãe nunca desencorajou.

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Alexandre acreditava nas histórias sobre os trabalhos de seu antepassado Hércules e das façanhas do ancestral de sua mãe, Aquiles.

Existem várias versões dos eventos inexplicáveis que (supostamente) teriam ocorrido na época do nascimento do jovem rei, no dia 20 de julho de 356 a.C. Conforme uma das lendas, no dia do nascimento de Alexandre, a deusa grega da caça, Ártemis, compareceu ao parto, ausentando-se do seu templo de Éfeso - incluído entre as Sete Maravilhas da Antiguidade -, que acabou destruído num incêndio. Outra lenda relata que, na noite em que Alexandre nasceu, Filipe II comandava o exército numa região distante quando recebeu três mensagens diferentes: seu leal comandante, Parmênio, tinha derrotado os ilírios; seu cavalo de corrida tinha vencido uma prova nos Jogos Olímpicos da Antiguidade (a novidade que mais o alegrou) e Olímpia dera à luz ao seu primogênito. Porém, a história que reforçou a crença de Alexandre em sua própria divindade foi revelada a ele antes de deixar a Macedônia para a campanha contra os persas. Numa conversa privada, sua mãe revelou uma série de eventos que teriam ocorrido na noite anterior ao casamento. Supostamente, Olímpia estava adormecida em seu quarto quando um trovão a despertou. De repente, um raio (evidentemente, o próprio Zeus) penetrou no aposento e a atingiu diretamente no ventre – milagrosamente, sem lhe provocar nenhum dano -, seguido por um clarão luminoso. Em relação a esta versão do nascimento de Alexandre, o historiador Plutarco escreveu, em sua obra Vidas, que "[...] quando Alexandre estava partindo para sua campanha oriental, Olímpia o acompanhou durante a procissão, contou-lhe, em particular, sobre o segredo de seu nascimento e exortou-o a alimentar ambições dignas de seu parentesco" (312).

Filipe II, que afirmava ser descendente do filho de Zeus, o semideus Héracles (Hércules na mitologia romana), também teve uma revelação sobre seu filho. Conforme Plutarco, após terem se casado, "Filipe sonhou que estava aplicando um selo com a figura de um leão sobre o ventre de sua mulher". Embora alguns não tenham dado importância ao sonho do rei, ele foi interpretado por Aristandro de Telmesso como significando que Olímpia já estava grávida e que a criança seria tanto ousada quanto parecida com um leão. Anos depois, os sacerdotes do templo de Siwa confirmariam a suspeita de Alexandre sobre o parentesco divino: Zeus, não Filipe, seria seu verdadeiro pai.

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Alexander the Great, Roman Era bust
Alexandre, o Grande, Busto da Era Romana Carole Raddato (CC BY-SA)

As Crenças Religiosas de Alexandre

Há quem não considere Alexandre como "grande" e, além de descartar sua suposta "divindade", questiona sua natureza implacável, particularmente no que se refere à responsabilidade pela morte de milhares de pessoas. Porém, mesmo que ele acreditasse ser um deus, a maneira como passou a ser lembrado pela história ofusca esse aspecto. Independente de como fosse visto pelos outros, Alexandre considerava-se um indivíduo profundamente religioso. Para ele, Zeus era o pai (não literalmente) de toda a humanidade - não somente dos gregos e macedônios, mas também dos persas, egípcios e indianos. Enquanto percorria a Ásia, o conquistador mantinha a mente aberta sobre os "bárbaros" e seus costumes - até fez um sacrifício ao deus egípcio Ápis, em Mênfis. Ainda que respeitasse a religião e cultura dos povos conquistados, Alexandre também acreditava na superioridade da civilização grega e considerava Aristóteles, seu velho tutor, como o principal expoente dessa cultura.

Para Alexandre, os deuses do Olimpo eram onipresentes e tinham os desejos revelados por oráculos e presságios - o que pode ser constatado pela forma como respeitava os oráculos de Delfos e Siwa. O rei macedônio admirava a riqueza da história grega e dormia com uma cópia da Ilíada sob seu travesseiro. Acreditava nas lendárias façanhas de seu antepassado Hércules e do ancestral de sua mãe, Aquiles. Fazia sacrifícios diários e até organizava festivais enquanto viajava pela Ásia. Devido à necessidade de sanção dos deuses às suas vitórias, Alexandre orava e fazia sacrifícios a eles antes e ao final de cada batalha.

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Antes de cruzar o Helesponto, Alexandre visitou o Oráculo de Delfos. Infelizmente, estava fechado e, naquele dia, as mensagens do oráculo eram proibidas, mas o rei, sem dar importância, convocou a sacerdotisa Pítia; ela recusou abruptamente. Mais uma vez, o rei rejeitou a recusa e a arrastou até o oráculo para responder à questão: O que os deuses diziam sobre a expedição à Ásia? Percebendo que seria inútil resistir, ela simplesmente lhe disse que era invencível. Plutarco conta que

[...] ele foi até a residência dela e começou a arrastá-la contra sua vontade em direção ao templo, onde, aparentemente dominada pela sua energia, ela disse "Você é invencível, meu filho". Ao ouvir isso, Alexandre declarou que esta era a única profecia de que precisava [...] (323).

Do oráculo ele se dirigiu ao Helesponto e cruzou o estreito para a Ásia Menor, mas, antes de tocar o solo asiático, atirou uma lança ao chão, reivindicando o continente como uma recompensa dos deuses. Em seguida, Alexandre visitou as ruínas de Troia, onde fez um sacrifício à deusa Atena e colocou guirlandas no túmulo de Aquiles.

As Realizações de Alexandre

Do seu pai biológico (Filipe II, não Zeus), Alexandre herdou um exército altamente disciplinado e, como seu pai, demonstrou ser um grande comandante militar. Ele era um estrategista e tático brilhante. A história nos conta que jamais perdeu uma batalha. Seus admiradores afirmam que tinha uma incrível capacidade de avaliar rapidamente o inimigo e tomar decisões. Mesmo aos 18 anos, demonstrou esse notável talento quando se juntou ao pai na Batalha de Queroneia, contra os atenienses, em 338 a.C. No auge da batalha, conseguiu cercar e derrotar o famoso Batalhão Sagrado de Tebas. Após a morte de Filipe II, em 336 a.C., Alexandre percebeu que, aos 20 anos, precisava conquistar o apoio do exército antes de se dirigir à Ásia Menor para concretizar o sonho paterno de conquistar a Pérsia. Ao lado de um comandante de confiança de Filipe, Antípatro, encarou a assembleia das tropas macedônias. Muitos destes veteranos estavam cansados da guerra e a morte de Filipe trazia a esperança de que os dias de conflitos tinham terminado. Diante deles, chorando, Alexandre lhes prometeu glória (arête) e riquezas. Eles então juraram lealdade ao novo rei.

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Alexander the Great, Marble Head
Busto de Mármore de Alexandre, o Grande Carole Raddato (CC BY-SA)

Por todos os longos dias e meses marchando pelos desertos da Ásia, Alexandre sempre foi bastante respeitado pelos seus soldados. Eles viam um comandante que suportava ao seu lado as dificuldades e perigos, lutava com eles, comia quando e o que eles comiam e até recusava água quando não havia o suficiente para todos. Ao contrário de seu oponente, o rei Dario III, ele liderava pessoalmente seus homens no campo de batalha. Essa despreocupação com seu próprio bem-estar o levou a ser ferido oito vezes. Nos anos seguintes, Alexandre e seu exército seriam vitoriosos no Grânico, em Isso e em Tiro. Um incidente ocorrido após a Batalha de Isso demonstrou sua extrema confiança, mesmo quando jovem. Dario enviou um mensageiro a Alexandre com suas condições para o fim da guerra - basicamente dividir a Ásia entre os dois. O idoso comandante Parmênio sugeriu aceitar os termos, mas o rei replicou (os relatos variam): "Eu aceitaria, se fosse Parmênio, mas sou Alexandre, não posso". Em 332 a.C., chegou ao Egito e lá recebeu a validação de sua condição de filho de Zeus.

Zeus-Amon

O povo egípcio comemorou a chegada de Alexandre; eles odiavam os conquistadores persas, que mostravam pouco apreço por sua religião e costumes. Por seu turno, Alexandre respeitava as tradições religiosas egípcias e até fazia sacrifícios em seus templos. Antes de embarcar para o seu encontro final com Dario III em Gaugamela, ele queria visitar um local em particular, o Oráculo de Zeus-Amon, em Siwa (ou Siuá), localizado num oásis entre o Egito e a Líbia. Os gregos conheciam este oráculo há muito e identificavam o deus egípcio Amon com Zeus. O rei sabia de sua reputação de infalibilidade - o oráculo teria sido consultado pelos heróis gregos Hércules e Perseus. Entre as questões que desejava indagar ao sacerdote do templo estavam as seguintes: quem era seu verdadeiro pai, Filipe ou Zeus? Afinal de contas, ele era invencível?

Cruzar o deserto líbio não seria fácil, mas, a despeito dos alertas sobre os riscos, Alexandre optou por fazer a viagem. Não demorou para que, conforme se previa, eles se perdessem. Porém, conforme a lenda, dois corvos (ou, como Ptolomeu escreveu posteriormente, duas serpentes) os orientaram para um local seguro. Conforme o mito, Alexandre sentiu que os corvos haviam sido enviados pelos deuses - intervenção divina - e ordenou que seus homens os seguissem; os corvos voaram lentamente, guiando-os até Siwa. Plutarco afirmou que Zeus até enviou a chuva para "aliviá-los do medo da sede". Ele acrescentou:

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[...] os viajantes estavam vagueando sem rumo e se separando uns dos outros pelo desconhecimento do caminho a seguir, quando alguns corvos apareceram e assumiram o papel de líderes da expedição: voavam rapidamente à frente enquanto o grupo estivesse à vista e esperavam caso o grupo ficasse para trás, reduzindo a velocidade (337).

Map of Alexander the Great's Conquests
Mapa das Conquistas de Alexandre, o Grande US Military Academy (Public Domain)

Após chegar ao templo, Alexandre foi recebido pelo sumo sacerdote, que o saudou num grego bastante precário, declarando O, paidios, o que significava "Olá, filho de deus". Há quem acredite que, na verdade, queria dizer O, paidion ou "Olá, meu filho". Aparentemente, Alexandre ficou satisfeito com a versão incorreta. A visita mudou completamente o rei macedônio, já que o sacerdote confirmou, conforme já lhe havia sido dito, sua condição de filho de Zeus e futuro governante do mundo conhecido. A partir de então, Alexandre passou a ter certeza de qual sangue corria em suas veias. Ao retornar a Mênfis, fez um sacrifício ao rei do Olimpo e recebeu a visita de delegações das cidades de Mileto e Eritre. Segundo as delegações, os oráculos destes locais haviam confirmado sua condição de filho de Zeus. Embora Alexandre estivesse convencido de que tais declarações tivessem apenas o objetivo de agradá-lo, mesmo assim esperava que disseminassem aquela informação. Desta forma, as sempre indisciplinadas cidades de Atenas, Esparta e Tebas pensariam duas vezes antes de causar problemas ao filho de um deus. Plutarco escreveu:

Ele geralmente se comportava com arrogância em relação aos não gregos e fazia parecer que estava totalmente convencido de seu nascimento e parentesco divinos, mas manteve a suposição de divindade dentro de limites razoáveis e não exagerava quando estava lidando com os gregos (338).

Atravessando a Ásia

Do Egito, Alexandre conduziu o exército à Ásia e Mesopotâmia, onde derrotou Dario III novamente, mesmo estando em desvantagem numérica. Com isso, Alexandre se tornou o rei de toda a Ásia. A derrota levou o infeliz Dario III a encontrar seu fim nas mãos de um de seus comandantes, Besso. Vindo de Gaugamela, o novo rei desfilou triunfante pelas ruas da Babilônia, a principal cidade do império persa derrotado. Em seguida, conquistou a Báctria, onde conheceu e se casou com Roxane, a mãe de seu filho, Alexandre IV. Em seguida, marchou para a Índia, onde derrotou o rei Poro, em Hidaspes. Meses depois, retornou à Babilônia. As vitórias sobre Dario e Poro o esgotaram. Os seus homens estavam cansados e queriam retornar para seus lares na Grécia e Macedônia. Havia rumores de motins ou conspirações para assassiná-lo, mas, de maneira mais relevante, o comportamento e atitude do soberano estavam mudando. Alexandre começou a adotar costumes persas, como as tradicionais túnicas púrpuras e brancas dos persas, além de usar um diadema. Sentava-se num trono de ouro elevado, cercado por guardas. Passou a exigir que as pessoas se prostrassem diante dele (proskynesis). Os persas o faziam porque era seu costume, mas os gregos se recusaram. Para eles, Alexandre era um mero mortal, não o filho de um deus.

Esta atitude pode ser melhor constatada num incidente que ocorreu pouco antes de sua morte. Após ser chamado à Babilônia para responder a várias acusações, o regente macedônio, Antípatro, recusou-se a comparecer, enviando seu filho, Cassandro, para fazer um apelo em seu nome. Infelizmente, o jovem Cassandro cometeu o sério erro de rir ao ver vários persas realizando o ritual diante do rei. Considerando a risada como um desrespeito, Alexander ficou furioso e bateu a cabeça do príncipe contra uma parede próxima. Cassandro ficou obcecado pelo incidente pelo resto da vida. Anos mais tarde, sempre que via uma estátua ou pintura de Alexandre, desmaiava. Após a morte de Alexandre, Antípatro e Cassandro foram acusados de envenená-lo.

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Alexander the Great in Combat
Alexandre, o Grande em Combate Warner Brothers (Copyright, fair use)

Morte e Legado

No dia 10 de junho de 323 a.C., Alexandre, o Grande morreu. Lamentavelmente, não indicou um sucessor ou herdeiro. Com pouca alternativa, o vasto império foi dividido entre seus generais, uma solução que levou a três décadas de conflito. Enquanto os comandantes discutiam sobre seus pequenos territórios, o povo reagiu de maneira bastante diferente por todo o império. Após saber da morte de Alexandre, os macedônios choravam e corriam pelas ruas. Os persas, conforme seu costume, rasparam as cabeças. A mãe de Dario III, segundo se conta, decidiu morrer de inanição. Sem ninguém para tomar uma decisão, o comandante Pérdicas assumiu o controle do corpo do rei, planejando levá-lo para a Macedônia, onde uma tumba estava sendo preparada.

Em 322 a.C., o corpo começou sua longa viagem para casa. Da Babilônia até Damasco, as pessoas se reuniam nas estradas para ver o cortejo passar. O carro funerário tinha o acompanhamento de 64 mulas e uma guarda militar. O caixão dourado de Alexandre estava adornado com esculturas e pinturas, bem como joias. Infelizmente, o corpo do rei jamais chegaria à Macedônia. Um dos generais de Alexandre e regente do Egito, Ptolomeu, roubou o caixão e o levou para Mênfis. O furto foi um dos muitos incidentes que provocaram a guerra entre Ptolomeu e Pérdicas, mas, após três tentativas fracassadas de invadir o Egito, Pérdicas acabou assassinado por seus próprios soldados. As Guerras dos Diádocos prosseguiram, mas o vasto império de Alexandre jamais seria reunificado. Em 316 a.C., Cassandro, o regente da Macedônia, ordenou o assassinato da mãe, esposa e filho de Alexandre.

Ainda que seu império não tenha sobrevivido, o mesmo certamente não ocorreu com a memória do conquistador macedônio. Muitos consideram Alexandre como um ícone, enquanto outros o veem tanto com um herói quanto como um vilão. Para seus admiradores, ele mudou o mundo. Trouxe a cultura grega e a Era Helenística para a Ásia e, para alguns, lançou as fundações do cristianismo. O grande império que construiu disseminou a filosofia, a arte e a literatura gregas. Décadas depois, após invadir e derrotar a Grécia nas Guerras Macedônicas, Roma se beneficiou da influência helenística. Os romanos instruídos aprendiam o idioma grego, contratavam tutores gregos para os filhos e, quando ricos o suficiente, os enviavam para estudar em Atenas. Até a religião romana recebeu forte influência dos deuses do Olimpo. Para os grandes comandantes militares que vieram depois de Alexandre, como Aníbal e Júlio César, o rei macedônio servia de parâmetro para avaliar suas próprias vitórias. Aníbal o considerava o maior general de todos os tempos; César chorou diante de uma estátua de Alexandre.

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Alexander the Great & Bucephalus Mosaic
Mosaico de Alexandre, o Grande e Bucéfalo Ruthven (Public Domain)

Conclusão

Porém, por mais admiração que possa ter despertado em sua própria época, bem como nas posteriores, ainda subsiste a questão da crença do próprio Alexandre sobre seu destino. A história confirma que era um comandante altamente perspicaz, que liderou um exército disciplinado para a vitória em meio a um território hostil. Para muitos, tratava-se de um "visionário". Dotado de inteligência e coragem, várias vezes combateu forças superiores em número. Alexandre tem sido descrito como audacioso, ambicioso, adepto do risco e, finalmente, um oponente temível. Desde o momento da morte do pai, mostrou-se sempre um comandante capaz, que liderava pelo exemplo. Suas convicções profundamente religiosas, juntamente com a validação de sua mãe e dos oráculos, além das vitórias sobre os persas, o convenceram de que estava destinado à grandeza.

Como se pode avaliar Alexandre? Antes de completar 23 anos, conduziu um exército através do Helesponto em direção à Ásia. Comandava este exército na vanguarda, não na retaguarda. Era leal, uma característica que servia de inspiração para seus homens. Porém, há aqueles que não o veem como Alexandre, o Grande. Para eles, o rei macedônio não passa de um assassino em massa, responsável por incontáveis mortes de gregos, macedônios e persas. Para outros, ele morreu muito cedo para se determinar com exatidão seu lugar na história. Assim, o fato de se considerar ou não um deus fica ofuscado pelo seu papel histórico. Na obra As Campanhas de Alexandre, o historiador Arriano expressou sua admiração:

É minha crença que naqueles dias nenhuma nação, cidade ou indivíduo estava além do alcance do nome de Alexandre; nunca, em todo o mundo, houve outro como ele e, portanto, não posso deixar de sentir que algum poder mais do que humano esteve envolvido em seu nascimento [...] (398).

Independente da crença em sua condição divina, as realizações de Alexandre resistiram ao teste do tempo e ele continua merecendo a admiração dos estudiosos mais de dois milênios após sua morte.

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Sobre o Tradutor

Ricardo Albuquerque
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Donald L. Wasson
Donald ensina História Antiga, Medieval e dos Estados Unidos no Lincoln College (Normal, Illinois) e sempre foi e sempre será um estudante de História, dedicando-se, desde então, a se aprofundar no conhecimento sobre Alexandre, o Grande. É uma pessoa ávida a transmitir conhecimentos aos seus estudantes.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Wasson, D. L. (2025, setembro 29). Alexandre, o Grande, como um Deus. (R. Albuquerque, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-925/alexandre-o-grande-como-um-deus/

Estilo Chicago

Wasson, Donald L.. "Alexandre, o Grande, como um Deus." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia, setembro 29, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-925/alexandre-o-grande-como-um-deus/.

Estilo MLA

Wasson, Donald L.. "Alexandre, o Grande, como um Deus." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia, 29 set 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-925/alexandre-o-grande-como-um-deus/.

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