Cruzadas

Definição

Mark Cartwright
por , traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto
publicado em 12 Outubro 2018
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Disponível em outros idiomas: Inglês, Russo, Espanhol, Italiano, Sérvio, Francês
Richard I Marches to Jerusalem (by James William Glass, Public Domain)
Ricardo I em Marcha para Jerusalém
James William Glass (Public Domain)

Por Cruzadas entende-se uma sequência de campanhas militares organizadas por papas e potências cristãs ocidentais para tirarem Jerusalém e a Terra Santa do controle muçulmano e, adicionalmente, manter e defender estas conquistas. Foram em número de oito as principais Cruzadas oficiais entre 1095 e 1270, ao lado de muitas outras não oficiais.

Embora em bom número, nenhuma outra Cruzada obteve sucesso como a primeira e, por volta de 1291, os Estados Cruzados criados no Oriente Médio foram absorvidos pelo Sultanato Mameluco. A ideia de cruzada foi aplicada com grande sucesso (para os cristãos) em outras regiões, especialmente no Báltico contra pagãos europeus e na Península Ibérica contra os mouros muçulmanos.

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Envolvendo imperadores, reis e a nobreza europeia, bem como milhares de cavaleiros e guerreiros mais humildes, as Cruzadas trariam tremendas consequências para todos os lados envolvidos. Os efeitos, além das óbvias mortes, vidas arruinadas, destruição e desperdício de recursos, foram desde o colapso do Império Bizantino às ressentidas relações e intolerância entre religiões e povos no Oriente e Ocidente, que ainda hoje arruínam governos e sociedades.

Causas e Motivações

A Primeira Cruzada, século XI (1095-1102) lançou um precedente para a excitante combinação de política, religião e violência que iria direcionar todas as futuras campanhas. O Imperador Bizantino, Alexios I Komnenos (reinado 1081-1118) viu uma oportunidade para conseguir auxílio militar do ocidente para derrotar os muçulmanos seljúcidas os quais estavam vinham gradualmente destruindo seu Império na Ásia Menor. Quando os seljúcidas tomaram Jerusalém (das mãos de seus colegas muçulmanos, não dos cristãos que já haviam perdido a cidade muitos séculos antes) em 1087, isto forneceu o catalisador para mobilizar a cristandade ocidental a entrar em ação. O Papa Urbano II (pontificado 1088-1099) respondeu a este chamado de socorro, motivado pelo desejo de fortalecer o Papado e explorar o prestígio para se tornar o chefe inconteste de toda a Igreja cristã, incluindo a Ortodoxa Oriental. Recuperando a Cidade Santa de Jerusalém e lugares como o Santo Sepulcro, considerado o túmulo de Jesus Cristo, após quatro séculos de controle muçulmano, seria um golpe real. Consequentemente, o Papa nomeou um Legado Papal e colocou em movimento uma campanha de pregações através da Europa, que apelava aos nobres e cavaleiros ocidentais a que se preparassem, afiassem suas espadas e se dirigissem à Terra Santa para defender os locais mais preciosos da cristandade e aos cristãos que ali se encontravam em perigo.

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O Papa prometeu aos guerreiros que, na defesa dos cristãos e da fé, eles teriam a remissão dos pecados e uma via rápida para o céu.

Os guerreiros que “assumissem a cruz”, como era conhecido o juramento para a Cruzada, se dispunham à incrivelmente árdua jornada para combater em uma terra estranha, motivados por inúmeros motivos. Primeiro e prioritário aspecto é o religioso – a defesa dos cristãos e da fé, ainda mais que o Papa prometia a remissão dos pecados e uma via rápida para o Céu. Havia também os ideais de Cavalaria (embora a Cavalaria estivesse em sua infância na época da Primeira Cruzada), pressão de companheiros e familiares e, ao fazer a coisa certa, ter a oportunidade de obter ganhos materiais, riqueza, até mesmo terras e títulos, e o desejo de viajar e ver, pessoalmente, os importantes lugares santos. Muitos guerreiros possuíam bem menos ambições glamurosas e foram simplesmente obrigados a acompanhar seus senhores, já outros para escaparem de dívidas e da justiça e, finalmente, muitos simplesmente procuravam por uma vida decente com alimentação regular incluída. Estas motivações continuariam a garantir grande número de recrutas para todas as campanhas subsequentes.

A Primeira Cruzada

Contra todas as possibilidades, a expedição militar internacional da Primeira Cruzada superou as dificuldades de logística e a habilidade do inimigo, recapturando, primeiro, Antioquia, em junho de 1098 e, em seguida, a joia da coroa, Jerusalém, em 15 de julho de 1099. Com sua pesada cavalaria, reluzente armadura, tecnologia de sítio e experiência militar, os cavaleiros ocidentais caíram de surpresa sobre os muçulmanos, um fato que não iria se repetir. O extermínio dos muçulmanos após a queda de Jerusalém jamais seria esquecido. Já havia ocorrido algumas confusões pelo caminho, como a aniquilação da Cruzada do Povo, um bando não profissional formado pela ralé, uma considerável quantidade de mortes devido a pragas, doenças e fome, mas no geral o sucesso da Primeira Cruzada surpreendeu aos próprios organizadores. Uma guerra de cooperação multinacional podia colher dividendos, foi o que os comerciantes perceberam e, neste momento, começaram a demonstrar interesse nas Cruzadas.

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Os Estados Cruzados

Para defender o território agora nas mãos cristãs, foram formados quatro Estados Cruzados: o Reino de Jerusalém, o Condado de Edessa, o Condado de Trípoli e o Principado de Antioquia. Coletivamente, foram conhecidos como Oriente Latino ou Outremer. O comércio entre o Ocidente e o Oriente, que passava por estes Estados e os lucrativos contratos para embarcar cruzados para o Levante, atraíram comerciantes de cidades como Veneza, Pisa, Gênova e Marselha. Surgiram ordens militares nos Estados Cruzados, como os Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários, os quais eram hábeis corpos de cavaleiros profissionais que viviam como monges e aos quais foi dado o trabalho de defender castelos-chave e peregrinos a caminho de Jerusalém. Infelizmente para a cristandade, os Estados Cruzados sempre sofreram de escassez de mão-de-obra e rixas entre os nobres que haviam se alojado neles. Eles não teriam uma existência fácil no próximo século.

Taking of Jerusalem by the Crusaders
Tomada de Jerusalém pelos Cruzados
Émile Signol (Public Domain)

A Segunda Cruzada

Em 1144, a cidade de Edessa na Mesopotâmia Superior, foi tomada pelo líder muçulmano seljúcida Imad ad-Din Zangi (governo 1127-1146), governante independente de Mosul (no Iraque) e Aleppo (na Síria) e, em consequência, muitos cristãos foram trucidados ou escravizados. Isto iria provocar uma nova cruzada no século XII para recuperar o local. O rei germânico Conrad III (reinado 1138-1152) e Luiz VII, rei da França (reinado 1137-1180), encabeçaram a Segunda Cruzada de 1147 a 1149, porém este selo real de aprovação não trouxe sucesso. A morte de Zangi somente fez surgir, no cenário, uma figura ainda mais determinada, seu sucessor Nur ad-Din (alguns grafam Nur al-Din, reinado 1146-1174), que procurou unir o mundo muçulmano em uma única guerra santa contra os cristãos no Levante. Duas grandes derrotas nas mãos dos seljúcidas em 1147 e 1148 derrubaram o âmago dos exércitos cruzados. E o último esforço deles na tentativa de recuperar alguma coisa digna de respeito e elogios por uma campanha, foi um sítio de Damasco em junho de 1148, outro miserável fracasso. No ano seguinte Nur ad-Din capturou Antioquia e o Condado de Edessa deixou de existir em 1150.

The Near East in 1135 CE
O Oriente Próximo em 1135
MapMaster (CC BY-SA)

A Reconquista

Em 1147, os cruzados da Segunda Cruzada pararam em Lisboa no caminho para o Oriente para dar assistência ao Rei Alfonso Henriques de Portugal (reinado 1139-1185) para a tomada daquela cidade das mãos dos muçulmanos. Este episódio fez parte da ascensão contínua dos pequenos estados cristãos na Ibéria, que se encontrava impaciente para expulsar os mouros muçulmanos do sul da Espanha, a chamada Reconquista (a Retomada, muito embora os mouros ali estivessem desde o início do século VIII). Os papas ficaram bastante felizes em apoiar esta campanha e ampliar a ideia de Cruzada para incluir os mouros como inimigos do Ocidente. Os mesmos benefícios espirituais foram oferecidos para tanto para os que lutavam no Oriente Médio, como para os da Ibéria. As nobrezas espanhola e portuguesa também se encontravam ávidas para terem o apoio de uma autoridade maior, bem como em homens e recursos financeiros que haviam sido prometidos. Surgiram novas ordens militares locais e as campanhas foram notavelmente bem-sucedidas, tanto que somente Granada permaneceu em mãos muçulmanas após a metade do século XIII.

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As Cruzadas do Norte

As campanhas bálticas envolveram um novo aspecto da cruzada: a conversão ativa de não-cristãos em oposição à liberação de território mantido por infiéis.

Uma terceira arena para as Cruzadas, novamente apoiadas pelo papa e por ampla infraestrutura, foi o Báltico e áreas fronteiriças ao território alemão, as quais continuavam pagãs. As Cruzadas do Norte do século XII ao século XV foram, primeiramente, conduzidas por um exército saxão, comandado por nobres alemães e dinamarqueses, os quais selecionaram os pagãos Wends (Eslavos Ocidentais) como objetivo deles em 1147. Esta constituiu uma nova faceta da cruzada: a conversão ativa de não-cristãos em oposição à liberação de território mantido por infiéis. A partir de então, as cruzadas continuariam, conduzidas em grande parte pela ordem militar dos Cavaleiros Teutônicos, que para tanto foram obrigados a convocar, em toda a Europa, cavaleiros para auxiliá-los. A ordem conseguiu seu próprio estado na Prússia, e, em seguida, voltou-se para as atuais Lituânia e Estônia. Ao converter os pagãos um tanto brutalmente e, às vezes muito mais motivados em adquirir terra e riqueza do que qualquer outra coisa, as Cruzadas tiveram tanto sucesso em seus objetivos que os Cavaleiros Teutônicos ficaram sem ter o que fazer e, no final do século XIV, foram obrigados a se contentar com magros resultados com poloneses, turcos otomanos e russos.

Northern Crusades, 1260-1410 CE
Cruzadas do Norte, de 1260 a 1410
S.Bollmann (CC BY-SA)

A Terceira Cruzada

De volta ao Oriente Médio, o destino dos três Estados Cruzados remanescentes vinha se tornando cada vez mais precário. A nova estrela da liderança muçulmana, Saladin, Sultão do Egito e da Síria (sultanato 1174-1193) obteve uma grande vitória contra o exército do Oriente Latino na Batalha de Hattin em 1187 e, em seguida, tomou Jerusalém. Estes eventos levaram à Terceira Cruzada (1189-1192). Talvez a mais glamourosa de todas as campanhas, contando no comando com dois reis e um imperador, daí seu outro nome, “Cruzada dos Reis”. Os três grandes nomes foram: Frederico I Barbarossa, Rei da Alemanha e Sacro Imperador Romano (reinado 1152-1190), Filipe II da França (reinado 1180-1223) e Ricardo I, Coração de Leão, da Inglaterra (reinado 1189-1199).

Apesar da linhagem real, a situação assumiu o pior início possível para os cruzados quando Frederico se afogou em um rio no caminho para a Terra Santa, em junho de 1190. A presença de Ricardo finalmente se encerrou no sítio de Acre, a favor dos cristãos, em julho de 1191, após o rei inglês ter causado um rebuliço ao capturar Chipre na sua caminhada. Marchando em direção a Jafa, o exército cristão marcou nova vitória na Batalha de Arsuf em setembro de 1191, porém na ocasião em que a força seguia para Jerusalém, ficou evidente que não poderiam tomar a cidade e mesmo se o conseguissem, o exército inteiro de Saladin encontrava-se intacto e era quase certo que imediatamente a tomaria novamente. O resultado da Terceira Cruzada foi um mero prêmio de consolação: um tratado que permitia aos peregrinos cristãos viajarem à Terra Santa em segurança e uma faixa de terra em torno de Acre, que foi um ponto de apoio vital e que inspiraria muitas Cruzadas futuras para expandi-lo em algo bem melhor.

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Últimas Cruzadas

As Cruzadas subsequentes foram muito mais uma história de cristãos atirando flechas nos seus próprios pés. A Quarta Cruzada (1202-1204) de algum modo coordenou para identificar Constantinopla, a maior cidade cristã no mundo, como alvo principal. Ambições papais, voracidade financeira dos venezianos e um século de suspeita mútua entre Oriente e Ocidente, anteriormente pertencentes ao antigo Império Romano, tudo contribuiu para criar uma tempestade de agressões que resultaram no saque da capital do Império Bizantino em 1204. O Império foi fatiado entre Veneza e seus aliados e suas riquezas e relíquias retornaram, espertamente, para a Europa.

The Venetians Attack Constantinople, 1204 CE
Venezianos Atacam Constantinopla, 1204
Domenico Tintoretto (Public Domain)

A Quinta Cruzada (1217-1221) viu uma mudança de estratégia na medida em que as potências ocidentais identificaram o melhor caminho para recapturar a Terra Santa dos muçulmanos – agora dominada pela dinastia aiubida (1174-1250) – que seria atacar primeiro, com pouca força, a zona vulnerável do inimigo, no Egito. Após um extenuante sítio, Damietta, no Nilo, foi tomada em novembro de 1219. Apesar do sucesso, devido à falta de condições locais e adequado apoio logístico, os ocidentais encontraram sua ruína na Batalha de Mansourah em agosto de 1221.

A Sexta Cruzada (1228-1229) testemunhou a negociação alcançar o que a guerra não conseguira. O Sacro Imperador Romano Frederico II (reinado 1220-1250), que havia sido muito criticado por não ter participado da Quinta Cruzada, diligenciou no sentido de acertar um acordo com al-Kamil, na época Sultão do Egito e Síria (sultanato 1218-1238), e Jerusalém foi entregue ao controle cristão com a condição de que os peregrinos muçulmanos pudessem entrar livremente na cidade. Al-Kamil estava com problemas para controlar seu grande império, especialmente a rebelde Damasco, e Jerusalém não tinha nenhum valor militar ou econômico naquela época, somente um significado religioso, fazendo da cidade um pedaço de terra adequado para se chegar a um acordo barato, evitando, assim, distrair a atenção com uma guerra contra o exército de Frederico.

A Sétima Cruzada (1248-1254) foi lançada após um exército cristão ser derrotado na Batalha de La Forbie em outubro de 1244. Liderada pelo rei francês Luiz IX (reinado 1226-1270), os cruzados repetiram a estratégia da Quinta Cruzada e somente conseguiram os mesmos miseráveis resultados: a aquisição de Damietta e, em seguida, a derrota total em Mansourah. Luiz foi inclusive capturado, sendo posteriormente resgatado. O Rei francês iria novamente participar da Oitava Cruzada de 1270.

Saladin
Saladin
Cristofano dell'Altissimo (Public Domain)

Em 1250 o Sultanato Mameluco assumiu o controle da Dinastia Aiubida, com um formidável líder no talentoso, anteriormente general, Baibars (sultanato 1260-1277). Luiz IX uma vez mais atacou o Norte da África, mas o rei morreu de disenteria ao atacar Túnis em 1270 e com ele, também, morreu a Cruzada. Os Mamelucos, enquanto isso, ampliaram seus domínios do Oriente Próximo e capturaram Acre em 1291, definitivamente eliminando os Estados Cruzados.

Efeitos e Consequências

As Cruzadas tiveram extraordinárias consequências para todos nelas envolvidos. Além das óbvias mortes, destruição e privações causadas pela guerra, tiveram também efeitos sociais e políticos significativos. O Império Bizantino deixou de existir, os papas tonaram-se líderes de facto da Igreja Cristã, os estados marítimos italianos assumiram o mercado do Mediterrâneo no comércio Oriente-Ocidente, os Balcãs foram cristianizados e a Península Ibérica viu os mouros serem empurrados de volta ao Norte da África. A ideia da Cruzada foi ampliada ainda mais posteriormente para fornecer uma justificativa religiosa para a conquista do Novo Mundo nos séculos XV e XVI. O custo final das Cruzadas foi que, enquanto as casas reais da Europa ganharam poder, barões e nobres, ao mesmo tempo, perderam. As pessoas viajaram um pouco mais, especialmente em peregrinações e liam e cantavam canções a respeito das Cruzadas, ampliando um pouco mais a visão que tinham do mundo, mesmo um tanto preconceituosamente.

Por fim, houve o aparecimento e crescimento das ordens militares, finalmente unidas à Cavalaria, muitas das quais ainda existem, de uma forma ou outra, nos dias de hoje. Os europeus desenvolveram um maior senso de identidade e cultura mútuos comuns, o que levou a um nítido grau de xenofobia contra não-cristãos – judeus e hereges, em particular. A literatura e a arte perpetuaram a lenda cruzada em ambos os lados – cristão e muçulmano, criando heróis e tragédias em uma teia complexa de mito, imaginário e linguagem os quais iriam ser aplicados, muitas vezes incorretamente, para os problemas e conflitos do século XXI.

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Sobre o tradutor

Jose Monteiro Queiroz-Neto
Monteiro é um pediatra aposentado interessado na história do Império Romano e da Idade Média. Tem como objetivo ampliar o conhecimento dos artigos da WH para o público de língua portuguesa. Atualmente reside em Santos, Brasil.

Sobre o autor

Mark Cartwright
Mark é um historiador que vive na Itália. Seus interesses incluem cerâmica, arquitetura, mitologia e a descoberta das ideias que todas as civilizações partilham entre si. Tem Mestrado em Filosofia Política e é o Diretor de Publicação na Enciclopédia da História Mundial.

Citar este trabalho

Estilo APA

Cartwright, M. (2018, Outubro 12). Cruzadas [Crusades]. (J. M. Queiroz-Neto, Tradutora). World History Encyclopedia. Recuperado de https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15951/cruzadas/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Cruzadas." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. World History Encyclopedia. Última modificação Outubro 12, 2018. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15951/cruzadas/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Cruzadas." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. World History Encyclopedia. World History Encyclopedia, 12 Out 2018. Web. 04 Jul 2022.