Odisseia

O Poema Épico de Redenção de Homero
Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
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Odysseus and the Sirens (by Trustees of the British Museum, Copyright)
Odisseu e as Sereias Trustees of the British Museum (Copyright)

A Odisseia (tít. original, em grego antigo, Ὀδύσσεια transliterado - Odýsseia) de Homero é um poema épico, escrito no século VIII a.C., que descreve a longa viagem de regresso a casa do herói grego Odisseu. Após a Guerra de Troia, o mítico rei navega de volta a Ítaca com os seus homens, mas é confrontado com todo o tipo de atrasos e peripécias, em que combate monstros e tempestades, resistindo também (eventualmente) aos avanços de belas mulheres, ciente de que, durante todo este tempo, a sua fiel mulher, Penélope, o aguarda. Para os gregos, a história decorreu algures no século XIII a.C., durante a Idade do Bronze, numa era de ouro heroica, muito superior ao deplorável estado actual.

A Odisseia é uma história tão intemporal não apenas pelos seus monstros aterradores, cenas de ação vibrantes e pela riqueza de informações sobre a geografia e as lendas do Mediterrâneo, mas também por envolver o enredo irresistível de um herói digno que tenta desesperadamente regressar à sua cidade, à sua família e ao seu trono. O leitor sente-se, em igual medida, entusiasmado e exasperado, tal como o próprio Odisseu, com cada novo contratempo, ansiando que o herói consiga finalmente chegar a casa. A Odisseia é o primeiro e, para muitos, ainda o melhor livro de leitura compulsiva jamais escrito.

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O Contexto

A Odisseia, escrita algures no século VIII a.C. (embora alguns especialistas a situem no século VI a.C.), é um poema épico com mais de 12 000 versos, organizados por estudiosos em Alexandria em 24 cantos. Os gregos acreditavam que o seu autor, Homero, era natural de Quios ou da Jónia, e atribuíam-lhe tanto este livro como a sua prequela, a Ilíada, as duas obras-primas da literatura grega. Consideravam-no, também, o maior escritor de sempre, referindo-se a ele simplesmente como "o poeta". Homero socorreu-se de uma longa tradição oral na transmissão dos mitos gregos, e este legado é visível na repetição de epítetos, frases introdutórias e fórmulas descritivas recorrentes. Alguns especialistas veem a Odisseia como uma obra de Homero na sua fase final de vida, o que explicaria o tema e o estilo ligeiramente diferentes em comparação com a Ilíada. Outros especialistas sustentam que se trata de uma obra de outro autor, precisamente devido a estas diferenças. É improvável que a questão seja algum dia resolvida.

O poema descreve a viagem de Odisseu, o mítico rei de Ítaca, no seu regresso a casa após a Guerra de Troia, na Anatólia. Os gregos tinham finalmente pilhado Troia após um cerco de 10 anos, mas a sua crueldade nesse ato atraiu a ira dos deuses. A viagem da sua grande frota seria fustigada por tempestades e infortúnios, e nenhum mais do que o navio de Odisseu.

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Homer
Homero Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Tal como a Ilíada, que abrange apenas 52 dias da Guerra de Troia, a Odisseia cobre apenas 42 dias dos 10 anos de viagem de Odisseu; os acontecimentos anteriores são narrados através de analepses. Mais uma vez, isto acontece porque Homero está, talvez, mais preocupado com uma verdade universal do que com uma simples história de regresso a casa. As aventuras do herói contra povos estranhos e monstros são um recurso para demonstrar, ao longo de toda a obra, o valor e a necessidade da civilização, sublinhando que a vida na ordenada Ítaca grega é superior à dos estrangeiros comedores de lótus e dos ciclopes bárbaros. Odisseu enfrentará provações que ameaçam a sua vida e tentações irresistíveis (incluindo uma oferta de imortalidade, para além das carnais), é frequentemente auxiliado por Atena, mas está constantemente à mercê de Posídon, e tem de, literalmente, ir ao inferno e voltar. Contudo, o seu desejo de regressar a casa, à civilização, nunca morre, e as suas competências e cultura superiores, aliadas a uma vontade divina, garantem que o consiga. Não poderia haver outro final; a civilização, como sempre, prevalecerá.

Livro 1 – Intrusos Tomaram Conta do Palácio

Entramos na história perto do fim, quando Odisseu se encontra nas garras da ninfa Calipso, na sua ilha remota. Todos os outros heróis destinados a regressar em segurança a casa após a Guerra de Troia já o fizeram. Posídon tem um ajuste de contas com Odisseu porque este matou o seu filho Polifemo, o Ciclope, mas os deuses concordam agora que o herói poderá, finalmente, regressar a casa. Entretanto, em Ítaca, muitos pretendentes inescrupulosos e inteiramente indignos — 108, para ser preciso — tentam conquistar o favor de Penélope, a mulher de Odisseu, e ocuparam o palácio para o seu próprio prazer. Conhecemos também Telémaco, filho do herói, um jovem promissor e sensato. Atena, disfarçada, diz a Telémaco para partir num navio e encontrar o pai, para que aquele bando de impostores possa ser posto no seu devido lugar. Se ele não conseguir encontrar o pai, então terá de limpar o palácio por conta própria e encontrar um novo marido adequado para a rainha.

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Nestor: «Não havia homem que ousasse medir o seu engenho contra o admirável Odisseu, que em todo o tipo de estratégia se provou supremo.» (3:120)

Livro 2 – Penélope Adia o Inevitável e o Regresso de Odisseu

É-nos contado como a «prudente» Penélope tem resistido à pressão implacável dos seus pretendentes para que volte a casar — um dos seus estratagemas foi prometer a sua mão apenas quando um sudário para o seu sogro, Laertes, estivesse terminado, mas, todas as noites, ela desfazia o trabalho que realizara durante o dia. Um presságio de duas águias a combaterem entre si é interpretado por Haliterses como um sinal de que o destino de Odisseu é, após um período de 20 anos, regressar e pôr a sua casa em ordem, vingando-se terrivelmente daqueles que pilham a sua riqueza. Atena volta a dizer a Telémaco para deixar Ítaca e encontrar o pai e, com a sua ajuda, reune~se uma tripulação e arranja-se um navio.

Livro 3 – Telémaco Encontra Nestor

Telémaco chega ao palácio de Nestor, em Pilos. O velho herói conta como, após a queda de Troia, a frota grega se dividiu e que não sabe o que aconteceu aos navios e aos homens de Odisseu. Nestor relata como Agamémnon foi morto por Egisto no seu regresso a Micenas e como Orestes vingou o assassino do seu pai. É um aviso para o jovem príncipe de que não deve deixar Ítaca durante muito tempo à mercê dos pretendentes de Penélope.

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Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa
Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Livro 4 – Telémaco Encontra Menelau

Telémaco chega ao palácio de Menelau, em Esparta. O rei também não conhece o destino de Odisseu. Helena conta a altura em que Odisseu entrou audaciosamente em Troia disfarçado de mendigo, e Menelau fala do grande Cavalo de Madeira que os gregos usaram para entrar na cidade. Menelau relata então o seu encontro com o Velho do Mar perto de Faro, que lhe disse que Odisseu estava detido nas garras da ninfa Calipso na sua ilha remota. Entretanto, de volta a Ítaca, os pretendentes praticam desporto e continuam a consumir os bens de Odisseu. Eles descobrem a expedição de Telémaco e planeiam uma emboscada em Astéride. Atena tranquiliza Penélope, assegurando-lhe que nenhum mal acontecerá ao seu filho.

Narrador: «[Odisseu] estava sentado, inconsolável, na costa, no seu lugar habitual, atormentando-se com lágrimas, suspiros e angústia, olhando para o mar estéril com os olhos a verterem água.» (5:82)

Livro 5 – Zeus Ordena a Calipso que Liberte Odisseu

Atena persuade Zeus a libertar Odisseu das garras de Calipso. Hermes é enviado para transmitir a mensagem e, embora Calipso se mostre indignada — alegando ter resgatado o náufrago —, ela curva-se, como todos devem fazer, à vontade de Zeus. Bem, quase, pois oferece uma última tentativa de persuasão para que o herói fique: a imortalidade. Odisseu recusa, após dormir com a ninfa uma última vez, e constrói uma jangada para partir. Ele chegará aos acolhedores Feácios, mas apenas após uma árdua viagem de 20 dias, fustigada pelas tempestades enviadas por Posídon.

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Livro 6 – Nausícaa Acolhe Odisseu

Depois de Atena garantir que o nosso herói chega em segurança à terra dos Feácios, a princesa Nausícaa encontra o náufrago recém-chegado à praia, apenas com uma folhagem para se cobrir. É-lhe dado um banho e cuidados de higiene, uma bela túnica nova e comida, para que ele volte a exibir um aspeto verdadeiramente impressionante.

Livro 7 – Odisseu Encontra Alcínoo

Odisseu chega ao palácio real de Alcínoo, que é resplandecente, com paredes de bronze, estátuas de ouro e árvores de fruto luxuriantes. O rei aceita o pedido de ajuda de Odisseu para que este possa regressar a Ítaca.

Livro 8 – Os Jogos dos Feácios

Para proporcionar ao nosso herói uma despedida digna, prepara-se um banquete, seguido de alguns jogos desportivos que Odisseu vence com facilidade. Os jogos são precedidos pelo canto de um bardo sobre a desavença entre Odisseu e Aquiles, seguindo-se a história de como Hefesto enredou Ares quando este tentou seduzir Afrodite. Finalmente, é cantada outra história sobre o Cavalo de Madeira, e o rei revela uma profecia de que, um dia, um belo navio que parta da Feácia será destruído por Posídon.

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Odisseu: «E chegámos à terra dos Ciclopes, um povo feroz e sem leis que nunca levanta a mão para plantar ou lavrar, mas simplesmente deixa tudo aos cuidados dos deuses imortais.» (9:106)

Livro 9 – Os Ciclopes

Alcínoo pede a Odisseu que narre à corte as suas aventuras. O herói descreve, com prestatividade, o seu saque aos Cicones que, como seria de esperar, ripostaram e expulsaram os seus homens do local. Foram depois atingidos por tempestades e acabaram na terra dos comedores de lótus, onde alguns dos homens comeram o lendário fruto do lótus, que faz as pessoas esquecerem-se de tudo. Partindo antes que toda a tripulação sucumbisse à letargia provocada pelo fruto, o grupo chega à terra dos Ciclopes. Estes gigantes de um só olho, embora bons fabricantes de queijo, são insulares; não têm leis nem sentido de comunidade, sendo, portanto, vastamente inferiores ao mundo civilizado a que Odisseu pertence.

Os homens encontram uma caverna cheia de mantimentos e esperam lá dentro pelo regresso do dono, mas, quando este chega, o ciclope gigante fecha a entrada da gruta com uma enorme rocha. O monstro faz de dois homens o seu jantar e devora mais dois ao pequeno-almoço. O engenhoso Odisseu embebeda então o Ciclope com vinho e cega-o com uma estaca gigante que ele próprio afiou. Os homens conseguem escapar às garras do monstro ferido atando-se debaixo das barrigas das ovelhas de Polifemo. Lançando uma rocha contra o navio de Odisseu enquanto este se afasta, o Ciclope invoca o seu pai, Posídon, para garantir que os heróis nunca regressem a casa vivos.

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Odysseus Blinding the Cyclops
Odisseu Cega o Ciclope Dan Diffendale (CC BY-NC-SA)

Livro 10 – Éolo e Circe

Os homens de Odisseu são recebidos por Éolo, o deus dos ventos, na fabulosa ilha de Eólia. Éolo oferece a Odisseu um odre de couro, dentro do qual estão contidos todos os ventos. Este é cuidadosamente guardado no porão do navio. Após nove dias de ventos favoráveis direcionados por Éolo, os heróis chegam a avistar a terra natal quando o desastre acontece. Odisseu adormece e a sua tripulação, pensando que o saco está cheio de ouro, abre-o e liberta os ventos, que levam a frota de volta a Eólia. O deus dos ventos recusa-se a ajudar um grupo tão amaldiçoado pela segunda vez, mas os heróis conseguem chegar a Telépilo. Aqui, os homens têm uma receção hostil por parte dos Lestrigões, que atiram rochas contra os navios e devoram os homens que desembarcaram.

De seguida, os heróis, cada vez em menor número e agora praticamente perdidos, aportam em Eeia, casa da deusa Circe. A célebre feiticeira recebe um grupo deles com uma bebida que faz com que os homens percam toda a memória. Pior ainda, transforma-os em porcos. Odisseu descobre o destino que tiveram e parte para os libertar, encontrando Hermes pelo caminho, que lhe entrega um antídoto para o tornar imune às poções de Circe. Depois de fazer a deusa prometer que libertaria os seus homens, o par retira-se para os aposentos de Circe. O grupo permanece durante um ano inteiro; os homens desfrutam de excelente comida e Odisseu desfruta da companhia de Circe. Eventualmente, Odisseu pode partir, mas Circe insiste que visite primeiro o Hades, onde o profeta morto Tirésias lhe dará indicações de como chegar a casa, a Ítaca.

Aquiles: «Preferia trabalhar a terra como servo assalariado de um camponês pobre e sem terras do que ser Rei de todos estes mortos sem vida.» (11:489)

Livro 11 – Odisseu Visita o Hades

Lá nas profundezas do temível Hades, Tirésias diz a Odisseu que ele tem hipóteses de regressar a casa, de livrar o palácio dos intrusos e de morrer de velhice, pacificamente, mas avisa-o de que, sob circunstância alguma, deve tocar no gado sagrado do deus do sol, Hélio, na sua ilha de Trinácia. Odisseu encontra muitos outros espíritos, incluindo a sua mãe, Leda, Agamémnon, Aquiles, Minos, Orion, Tântalo, Sísifo e Hércules.

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Livro 12 – As Sereias, Cila e Caríbdis

Odisseu regressa junto de Circe, que o avisa sobre as Sereias, criaturas metade pássaro e metade mulher que caçam marinheiros. Ela aconselha os homens a taparem os ouvidos com cera e que Odisseu se amarre ao mastro. Terá depois de negociar a passagem pelo monstro de seis cabeças, Cila, e pelo redemoinho mortal de Caríbdis. Odisseu recebe também o seu segundo aviso sobre a insensatez de interferir com os rebanhos de Hélio. Os heróis levantam ferro através do mar cor de vinho uma vez mais e superam os perigos descritos por Circe até chegarem a Trinácia. Presos na ilha devido a ventos desfavoráveis, os homens acabam por ficar tão desesperadamente famintos que abatem algumas cabeças de gado enquanto Odisseu dorme. A vingança é imediata e o navio é destruído por uma tempestade assim que partem da ilha. O único sobrevivente é Odisseu, arremessado de volta para as garras de Caríbdis. Salvo pelo ramo de uma figueira, Odisseu é expelido pelo redemoinho e, após nove dias à deriva nos destroços do seu navio, desembarca, novamente como náufrago, na ilha de Ogígia, morada da ninfa Calipso.

Siren
Sereia Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Livro 13 – Ítaca, Finalmente

Terminadas as recordações, Odisseu despede-se de Alcínoo e parte da Feácia. O herói desembarca finalmente em Ítaca. É o fim da sua odisseia de 10 anos e da sua ausência de 20 anos, mas apenas o início da sua batalha para recuperar o trono. Posídon reserva mais uma manobra mesquinha e afunda o navio feácio que regressava, cumprindo assim a profecia. Entretanto, Atena aparece e diz a Odisseu para não revelar a sua verdadeira identidade quando regressar ao palácio, pois tem de lidar com a horda de pretendentes de Penélope. Atena transforma-o num velho mendigo e parte para ir buscar Telémaco a Esparta.

Livro 14 – Eumeu, o Porquerizo

Odisseu encontra o seu fiel e velho servo, o porquerizo Eumeu, a viver nas colinas, mas mantém o disfarce e finge ser um aventureiro cretense. O rei é alimentado, saciado e posto a par da situação no palácio. Eumeu descreve o jovem exemplar em que Telémaco se tornou; ele que não passava de um bebé quando Odisseu partiu para a Guerra de Troia.

Livro 15 – Atena Avisa Telémaco

Atena insta Telémaco a regressar a Ítaca e avisa-o de que os pretendentes estão à espera para emboscar o seu navio perto de Samos. É-lhe dito para se apresentar primeiro a Eumeu. Após um banquete e de aceitar uma bela taça de prata e ouro de Menelau, ele parte. Entretanto, Odisseu é informado por Eumeu de que o seu pai, Laertes, ainda está vivo e reza diariamente pelo regresso em segurança do rei. Telémaco chega a Ítaca.

Odysseus
Odisseu Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Livro 16 – Odisseu Encontra Telémaco

Telémaco chega à cabana de Eumeu. Após manter inicialmente o seu disfarce, Odisseu revela a sua verdadeira identidade a Telémaco e ambos abraçam-se, emocionados. Odisseu diz ao filho para regressar ao palácio e que ele próprio também lá irá, mas disfarçado de velho mendigo. Telémaco deve retirar todas as armas do grande salão e, aconteça o que acontecer, não deve revelar a verdadeira identidade do pai.

Livro 17 – Odisseu Regressa ao Palácio

Telémaco regressa ao palácio, onde a mãe fica radiante por o ver de novo, ao contrário dos pretendentes. Odisseu chega ao palácio, ainda disfarçado e não reconhecido por ninguém, exceto pelo seu velho cão, Argos. O rei percorre o salão junto dos pretendentes, pedindo uma pequena dádiva, e é maltratado — tanto verbal como fisicamente.

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Livro 18 – Dois Mendigos

Um outro mendigo, Iro, chega ao palácio e luta com Odisseu enquanto os pretendentes assistem, divertidos. Odisseu vence com facilidade, mas não tão facilmente que revele o seu disfarce. Entretanto, Penélope, tornada ainda mais bela por Atena, persuade cada um dos seus pretendentes a presenteá-la com uma dádiva fabulosa.

Livro 19 – Odisseu é Reconhecido

Ao cair da noite, Odisseu lembra Telémaco de remover todas as armas do grande salão no dia seguinte. Ainda disfarçado, Odisseu conversa com Penélope, que revela como tem atrasado os pretendentes, enquanto o marido repete a história fantástica de aventureiro cretense. Mais tarde, uma serva, Euricleia, dá banho ao convidado e reconhece o rei ao ver uma antiga cicatriz, mas é obrigada a manter silêncio. Penélope revela o seu plano para escolher o melhor pretendente através de uma competição de tiro, para ver quem consegue fazer passar uma flecha pelo orifício de doze cabeças de machado. Odisseu, na pele de mendigo, aprova. Amanhã será o dia do ajuste de contas.

Head of Penelope
Cabeça de Penélope Carole Raddato (CC BY-SA)

Livro 20 – Os Pretendentes Reúnem-se

Odisseu pondera como lidar com a horda de pretendentes de Penélope à medida que estes se reúnem no grande salão para as festividades do dia. Durante o banquete, Odisseu, disfarçado de mendigo, é novamente alvo de abusos verbais e físicos.

Odisseu: «Cães! Nunca pensaram que me veriam de volta de Troia. Por isso pilharam a minha casa; violaram as minhas criadas; cortejaram a minha esposa pelas minhas costas, embora eu estivesse vivo... de todos e de cada um, o vosso destino está traçado.» (22:35)

Livro 21 – O Arco de Odisseu

Penélope traz o arco do marido, há muito sem uso, numa despensa e desafia os pretendentes para uma competição de tiro; o vencedor ganhará a sua mão. O arco é, contudo, uma arma tão poderosa que nenhum dos pretendentes consegue sequer encordá-lo, quanto mais disparar uma flecha através das 12 cabeças de machado. Entretanto, Odisseu instrui os criados a trancarem todas as portas do grande salão. O rei, depois, encorda o arco sem esforço e faz vibrar a corda, que canta como uma «andorinha» — significativamente, o pássaro que regressa todos os anos ao mesmo ninho, tal como o nosso herói está prestes a fazer. Zeus faz ouvir um estrondo de trovão, e Odisseu dispara a sua flecha, certeira, através das 12 cabeças de machado.

Livro 22 – A Vingança de Odisseu

Odisseu vira-se para a assembleia e revela a sua verdadeira identidade. O rei é impiedoso e abate os pretendentes, um a um, com as suas flechas mortíferas. Odisseu, o destruidor de cidades, agora atirando lanças e golpeando com a sua espada, mata-os a todos, deixando o salão do palácio coberto de cabeças esmagadas e rios de sangue. Em seguida, os criados que foram desleais são reunidos e enforcados.

Livro 23 – Rei e Rainha Reunidos

Odisseu e Penélope estão, então, por fim, reunidos. Alguns especialistas consideram que a Odisseia termina aqui por razões estilísticas; outros, que o resto da obra fecha algumas pontas soltas. O texto continua com marido e mulher a relatarem tudo o que aconteceu na ausência um do outro. Odisseu prepara-se para enfrentar os clãs dos pretendentes mortos.

Livro 24 – Paz em Ítaca

Hermes conduz as almas dos pretendentes mortos até aos temidos salões do Hades. Elas encontram Aquiles e Agamémnon e relatam a história da vingança de Odisseu. Entretanto, Odisseu é reunido com o seu pai, Laertes. Segue-se uma curta batalha entre o rei e as famílias dos pretendentes mortos, mas os deuses intervêm e a paz é restaurada no reino de Ítaca. Assim termina a Odisseia.

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Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, julho 10). Odisseia: O Poema Épico de Redenção de Homero. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14584/odisseia/

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Cartwright, Mark. "Odisseia: O Poema Épico de Redenção de Homero." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 10, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14584/odisseia/.

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Cartwright, Mark. "Odisseia: O Poema Épico de Redenção de Homero." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 10 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14584/odisseia/.

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