Cós

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations
Versão Áudio Imprimir PDF
Temple of Apollo, Asclepeion, Kos (by Tedmek, CC BY-SA)
Templo de Apolo, Asclépion, Cós Tedmek (CC BY-SA)

Cós (Kos) é uma ilha grega no sudeste do Egeu, parte do grupo do Dodecaneso (as antigas Espórades), que prosperou na Antiguidade devido à sua localização nas rotas comerciais entre o Egipto, a Síria, Chipre e a Anatólia. Povoada desde a Idade do Bronze, a ilha foi controlada por uma longa lista de potências ao longo dos séculos. Um dos filhos mais ilustres de Cós foi o célebre médico Hipócrates, que fundou uma escola de medicina na ilha no século V a.C. Cós floresceu particularmente, tanto política como culturalmente, no século IV a.C., após o qual se tornou uma cidade livre como parte do Império Romano.

Cós na Idade do Bronze

Na mitologia grega, Eurípilo é mencionado como o rei de Cós e contribuidor do exército grego envolvido na Guerra de Troia da Ilíada de Homero. No mesmo livro, conta-se que Hera levou Hércules para a ilha quando este tentava regressar a casa após o seu saque de Troia. As primeiras evidências arqueológicas de povoamentos em Cós confirmam uma presença ainda mais precoce, na Idade do Bronze (III milénio a.C.), tendo sido escavadas urnas funerárias e objetos de metal, tais como adagas. Achados da Idade do Bronze Médio demonstram também uma influência da Creta minoica e contactos com o Egipto.

Remover Publicidades
Publicidade

Os primeiros grandes povoados, tais como Serayia (Seraglio), possuem muralhas de fortificação e túmulos do tipo tholos que datam do período micénico (1600-1200 a.C.). A ilha foi, sem dúvida, selecionada como um ponto de paragem útil nas antigas rotas comerciais mediterrânicas entre o Levante, o Egipto e a Anatólia. Cós era também uma das ilhas mais férteis do Egeu. A cerâmica produzida em Cós era comercializada com outras ilhas e foram descobertas peças em Trianda e em Acrotiri, na ilha de Tera. Após o colapso da civilização micénica no final da Idade do Bronze, a ilha foi seguidamente ocupada por colonos dórios vindos da Grécia continental, provavelmente de Epidauro. O cemitério de Serayia, em uso desde cerca de 1050 a.C., data deste período. Foi utilizado pela última vez por volta de 750 a.C., indicando que uma nova influência cultural teria chegado.

O grande médico Hipócrates nasceu em Cós, onde fundou uma escola de medicina que se tornou famosa em todo o mundo grego.

Cós Arcaica e Clássica

A partir do período Arcaico, a ilha esteve sob o controlo de várias potências — primeiro a Pérsia, depois Halicarnasso e, finalmente, Atenas. As cidades mais importantes da ilha eram Astipaleia, Cós Meropis e Halasarna. No século V a.C., o grande médico Hipócrates nasceu na ilha, onde fundou uma escola de medicina que se tornou famosa em todo o mundo grego. Deste período em diante, Cós tornou-se também um reputado exportador de vinho e cunhou a sua própria moeda, sendo talvez o exemplo mais famoso as tridracmas de prata que retratam um lançador de disco (discobolus). Na batalha de Salamina, entre as forças gregas e persas, Cós forneceu vários navios à causa persa, numa frota insular comandada por Artemísia I de Cária. De acordo com Heródoto, o tirano Cadmo entregou o controlo do governo ao povo da ilha por volta de 480 a.C.

Remover Publicidades
Publicidade
Tridrachm, Kos
Tridracma, Cós Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Cós passou subsequentemente para o controlo de Atenas e tornou-se um membro tributário da Liga de Delos. Tal não ofereceu qualquer proteção particular à ilha, uma vez que Cós foi saqueada pelo general espartano Astíoco em 412 a.C., após este se ter aproveitado da desordem causada por um sismo recente e devastador. Segundo Tucídides, o general ateniense Temístocles respondeu através da construção de fortificações na ilha em 411 a.C. Em 366 a.C., todas as cidades de Cós uniram-se para formar uma entidade política única. Consequentemente, foi fundada uma nova cidade na costa nordeste, sendo depois fortificada e criado um porto. O governante da Cária, Mausolo invadiu a ilha na década de 350 a.C. E em 332 a.C., Anfótero, almirante de Alexandre, o Grande, tomou posse da ilha.

Cós Helenística e Romana

Após as Guerras dos Sucessores, que se seguiram à morte de Alexandre, Cós recuperou a sua independência, estabeleceu um governo democrático e uma constituição, e tornou-se aliada da dinastia ptolemaica sediada em Alexandria. Cós exportava vinho, azeite e seda para cidades em todo o Egeu e no mar Negro. Os seus laços comerciais e culturais duradouros com o Egipto são ilustrados pelo facto de Ptolemeu II ter nascido na ilha e de Cleópatra II ter enviado o seu tesouro para Cós por volta de 102 a.C. Um período de intensa atividade cultural expressou-se em figuras como o influente poeta e erudito de Cós, Filitas (cerca de 340 a.C.), e o seu contemporâneo, o poeta Herodas. Em 242 a.C., os jogos da ilha realizados em honra de Asclépio receberam o estatuto de Pan-helénicos, à semelhança dos de outros recintos sagrados como Delfos e Olímpia. Os registos descrevem atletas vindos de mais de 50 cidades diferentes para participar, e esses dados referem-se apenas às listas de vencedores.

Remover Publicidades
Publicidade
Odeion of Kos
Odeão de Cós kallerna (CC BY-SA)

Quando Roma começou a expandir o seu império a partir do século II a.C., Cós foi tornada uma cidade livre (civitas libera). Com a queda da República Romana, Cós passou a fazer parte da província da Ásia. O imperador Cláudio concedeu a Cós a immunitas (imunidade de impostos ou de decretos imperiais) e a ilha foi, novamente, tornada cidade livre no século I d.C. Na Antiguidade Tardia, a ilha voltou a ter apenas o estatuto de tributária.

O Asclépion

A ilha possui hoje vestígios arqueológicos substanciais de todos os períodos da sua história. Estes incluem a ágora e o ginásio dos períodos clássicos e, da época helenística, um templo e um altar de Dioniso. O período romano de Cós está representado por termas, um ginásio, casas e villas — muitas das quais ainda com os mosaicos — e uma basílica paleocristã. De longe, os vestígios mais significativos pertencem ao vasto complexo do Asclépion, pelo qual a ilha era mais famosa na Antiguidade.

O Asclépion situa-se a quatro quilómetros da cidade e data dos séculos IV a II a.C. Foi construído sobre um local mais antigo, sagrado para Apolo Ciparíssio (referindo-se aos bosques de ciprestes na área), que era, naturalmente, o pai de Asclépio, o deus grego da medicina. Inicialmente, o local possuía apenas um altar modesto, mas desenvolveu-se ao longo dos anos, primeiro com a construção de um pequeno templo jónico dedicado a Asclépio e, posteriormente, sob o patrocínio do rei Eumenes II de Pérgamo, no século II a.C., foi erguido um grande templo dórico a Asclépio, que replicava o desenho do seu templo em Epidauro.

Remover Publicidades
Publicidade
The Hellenistic Gymnasium, Kos
O Ginásio Helenístico, Cós Karelj (Public Domain)

O complexo acabou por se estender por três patamares distintos mas ligados entre si, de modo a desempenhar melhor a sua função como um local onde visitantes de todo o Egeu podiam procurar remédios para a saúde. As instalações incluíam latrinas e termas (século I d.C.), templos, uma biblioteca, fontes e stoas (edifícios com colunatas abertas), bem como elementos comuns a áreas sagradas, tais como portões monumentais (propylaea), uma exedra (uma área de assento curva) e salas para pacientes e sacerdotes. No século II, os romanos construíram um grande templo dedicado a Apolo, cujas colunas reconstruídas foram hoje novamente erguidas. No século III, foi adicionado outro complexo de termas ao local, que continuou em funcionamento até ao século V. No século VI, foi construída uma igreja cristã no lugar do templo pagão e, na época medieval, os Cavaleiros de São João reutilizaram muitos blocos de alvenaria para o seu castelo. O sítio foi redescoberto e escavado a partir do início do século XX, primeiro por uma equipa de arqueólogos alemães e, posteriormente, por uma italiana.

Remover Publicidades
Publicidade

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, maio 07). Cós. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11657/cos/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Cós." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, maio 07, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11657/cos/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Cós." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 07 mai 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11657/cos/.

Remover Publicidades