Delos é uma ilha grega do arquipélago das Cíclades que foi simultaneamente uma força política influente e, com o seu santuário dedicado ao deus Apolo, um importante centro religioso nos períodos Arcaico e Clássico. A ilha foi também um relevante centro comercial e mercantil nos séculos II e I a.C. e está classificada pela UNESCO como Património Mundial.
Delos na Mitologia
Delos, com uma área de apenas 3 km², é uma pequena ilha que não apresenta vantagens particulares para a habitabilidade, devido à sua aridez e escassez de água. Na mitologia grega, foi precisamente por esta razão que Leto, para fugir da ira de Hera, conseguiu encontrar aqui refúgio para dar à luz Apolo e Ártemis. Em algumas versões do mito, Zeus (amante de Leto) apelou ao seu irmão Posídon para que criasse a ilha com um golpe do seu tridente; daí o nome Delos, que em grego antigo significa «aparição» ou «o que é aparente». Os antigos gregos consideravam também a ilha como o centro do grupo das Cíclades e o último local de repouso dos Hiperbóreos — uma raça lendária do Norte, devota ao culto de Apolo.
O Panorama Histórico
A ilha foi habitada pela primeira vez no início da Idade do Bronze, tendo sido escavados túmulos micénicos que datam do final desse período. Colonizada a partir da Jónia em meados do século X a.C., não foi, contudo, antes do século VIII a.C. que o local começou a assumir uma importância religiosa no mundo grego em geral. Atenas, sob o governo de Pisístrato, demonstrou um maior interesse pela ilha no século VI a.C. e tentou purificá-la através de uma «catarse» — removendo e proibindo os sepultamentos na ilha a partir de cerca de 540 a.C.
Delos aumentou ainda mais a sua importância quando foi escolhida para sede das reuniões e do tesouro da Liga de Delos, em 478 a.C. Em 454 a.C., o tesouro foi transferido para Atenas e os atenienses assumiram também a administração do local. A administração mudou de mãos quando Antígono estabeleceu a Liga dos Insulares em 314 a.C., a qual incluía Delos.
Na sequência da Guerra Cremonidiana (cerca de 266-261 a.C.), Delos tornou-se uma polis independente durante os cerca de 150 anos seguintes, sendo administrada por um conselho religioso de hieropoioi. Neste período, a ilha beneficiou do generoso patrocínio de diversos monarcas helenísticos. A independência da ilha chegou ao fim em 166 a.C., quando os Romanos restituíram o controlo de Delos a Atenas, transformando-a também num porto de comércio livre. Esta mudança proporcionou um novo período de prosperidade, tornando-se a ilha um importante centro do tráfico de escravos, enquanto a sua população crescia consideravelmente em número e em diversidade étnica — facto refletido na adoção de variados cultos religiosos, tais como os de Sárápis e Ísis. Contudo, o destino da ilha sofreria um revés trágico ao ser saqueada, primeiro pelo general de Mitrídates VI, Arquelau, em 88 a.C., e novamente por piratas em 69 a.C.; estes acontecimentos ditaram o declínio gradual e permanente de Delos.
O Santuário de Delos
A ilha foi escavada pela primeira vez por uma equipa de arqueólogos franceses a partir de 1873, revelando a verdadeira dimensão do sítio religioso. A ilha possuiu outrora templos dedicados a Apolo, Leto (o Letoon), Ártemis (o Artemision), Hera (o Heraion), Zeus, Atena, Hércules e Esculápio. O Templo de Apolo albergava, desde o século VI a.C., uma estátua de culto do deus com 8 metros de altura, esculpida em madeira e revestida a ouro. Existia também um templo dedicado aos doze deuses olímpicos (o Dodekatheon). Embora a sua função exata permaneça incerta foram identificados diversos outros edifícios sagrados.
A Panēgyris, um festival jónico em honra de Apolo, realizava-se todos os anos na ilha e, em finais do século V a.C., passou a celebrar-se, de cinco em cinco anos, um festival espetacular (de inspiração ateniense) — as Delia. Os jogos atléticos e os concursos de música e dança que acompanhavam o evento atraíam visitantes de todo o Egeu. Os vencedores dos jogos delianos subiam ao Monte Cinto para serem coroados.
Tal como sucedia com outros grandes santuários, Delos possuía um complexo diversificado de edifícios, incluindo uma entrada monumental (propileus) para o recinto, um teatro (cerca de 300 a.C., com capacidade para 5.000 espetadores), um estádio, várias stoas (por exemplo, a de Antígono), um ginásio, um hipódromo, palestras (séculos III e II a.C.), uma sala hipostila (construída no século III a.C.), uma ágora (erguida sob Teofrasto no século II a.C.) e até um lago sagrado, guardado por leões de mármore.
Para lá do santuário de Apolo, existiam também santuários que testemunhavam a outrora composição cosmopolita da cidade, com templos dedicados a Ísis, Sárápis e aos Cabiros. Os edifícios comerciais na ilha incluíam mercados e armazéns, e a zona residencial, datada do século II a.C., apresenta traçados de ruas em grelha e casas de grandes dimensões que, com os seus mosaicos, pinturas murais e colunatas, são o testemunho da antiga prosperidade da ilha.
Entre os achados arqueológicos mais notáveis no local encontram-se os famosos leões de mármore, bastante erodidos pela intempérie, mas preservando ainda um ar majestoso. Destes, sobrevivem cinco leões dos nove originais dedicados pelos Naxianos no século VII a.C. Além disso, foram postos a descoberto diversos mosaicos de excelente execução, incluindo um que retrata Dioniso montado numa pantera.
