A Jordânia é um país no Próximo Oriente que faz fronteira com Israel, Síria, Iraque e Arábia Saudita. O nome do país deriva do árabe Al Urdun, fazendo referência a um local fortificado, mas também significando "proeminência", embora várias fontes também aleguem que o nome deriva da palavra hebraica Yarad ("descer"), referenciando o fluxo descendente do Rio Jordão.
A região tem uma longa história como um importante centro comercial para todos os grandes impérios do mundo antigo até à era atual (desde o Império Acádio até ao Império Otomano), e inúmeros locais no país são mencionados ao longo da Bíblia; 180 vezes no Antigo Testamento e 15 vezes no Novo Testamento.
Alexandre, o Grande (reinou 336–323 a.C.), fundou cidades na região (como Gerasa) e os nabateus esculpiram a sua capital, Petra, nas falésias de arenito. No início da sua história, a área atraiu e inspirou comerciantes, artistas, filósofos, artesãos e, inevitavelmente, conquistadores, todos os quais deixaram a sua marca na história do país moderno.
A Jordânia, formalmente conhecida como Reino Hachemita da Jordânia, é uma nação independente desde 1946, após milhares de anos como estado vassalo de impérios estrangeiros e potências europeias, e desenvolveu-se até se tornar uma das nações mais estáveis e engenhosas do Próximo Oriente. A sua capital, Amã, é considerada uma das mais prósperas do mundo e um destino popular para turistas. A história da região é vasta, remontando a mais de 8.000 anos, e abrange a história da ascensão e queda de impérios e a evolução do estado moderno.
A História Primitiva
As escavações arqueológicas datam a habitação humana na região da Jordânia desde a Idade Paleolítica (cerca de dois milhões de anos atrás). Ferramentas como machados de mão, raspadores, brocas, facas e pontas de lança de pedra datadas deste período foram encontradas em vários locais por todo o país. As pessoas eram caçadores-coletores, que levavam uma vida nómada, movendo-se de lugar em lugar em busca de caça. Com o tempo, começaram a construir assentamentos permanentes e a estabelecer comunidades agrícolas.
A Idade Neolítica (cerca de 10.000 a.C.) viu o surgimento de comunidades estáveis e sedentárias e o crescimento da agricultura. Estas pequenas aldeias transformaram-se eventualmente em centros urbanos com a sua própria indústria e iniciaram trocas comerciais com outros. Desenvolveram-se grandes centros urbanos, como a cidade de Jericó, considerada a cidade habitada continuamente mais antiga do mundo, com uma data de fundação aproximada de 9.000 a.C.
Segundo o estudioso G. Lankester Harding:
[Cidades como Jericó fornecem provas de] uma cultura muito mais elevada do que tínhamos suspeitado até então, pois aqui não havia apenas uma aldeia de casas bem construídas com finos pisos de gesso, mas havia uma grande muralha de pedra à volta do assentamento com uma vala ou fosso seco à frente. Isto implica um elevado grau de organização comunitária, de subordinação dos interesses pessoais aos da maioria.
(pág. 29)
Os interesses comunitários também são evidentes nos antigos monumentos erguidos nesta época. Ao longo da Idade Neolítica, as populações construíram dólmens megalíticos por toda a terra (muito semelhantes em tamanho, forma e métodos utilizados aos da Irlanda). Pensa-se que estes dólmens são monumentos aos mortos ou, possivelmente, passagens entre mundos. Estes dólmens encontram-se frequentemente em campos de pedras circulares cujo significado permanece incerto, mas é óbvio que os construtores teriam de trabalhar em grupos por uma causa comum para criar estes locais.
Os locais dos dólmens tinham, muito provavelmente, uma natureza religiosa e eram visitados pelos habitantes das cidades próximas para fins de culto, adivinhação e festivais. O maior assentamento da Idade Neolítica na Jordânia foi Ain Ghazal, localizado no noroeste (perto da atual capital, Amã). Habitada por volta de 7000 a.C., Ain Ghazal era uma comunidade agrícola cujos artesãos criaram algumas das estatuetas antropomórficas mais impressionantes da história antiga. As estátuas encontradas em Ain Ghazal estão entre as mais antigas do mundo hoje.
A comunidade tinha mais de 3.000 cidadãos e dedicava-se ao comércio e ao fabrico de cerâmica, o que aumentou a riqueza das pessoas individualmente e da cidade coletivamente. Ain Ghazal continuou a ser um assentamento próspero durante 2000 anos, entre cerca de 7000 a.C. e 5000 a.C., altura em que foi abandonado, muito provavelmente devido ao uso excessivo da terra.
Os Hicsos e os Egípcios
As Idades do Calcolítico e do Bronze (cerca de 4500–3000 e 3000–2100 a.C., respetivamente) viram novos desenvolvimentos na arquitetura, agricultura e cerâmica. A cultura gasuliana, centrada no local de Talailat Ghassul no Vale do Jordão, ganhou destaque na Idade do Calcolítico, demonstrando uma habilidade extraordinária na fundição de cobre, na cerâmica e em pormenores de design arquitetónico.
O assentamento de Khirbet Iskander (fundado por volta do ano 2350 a.C.), da Idade do Bronze, surgiu nas margens do riacho Wadi Wala e foi uma próspera comunidade comercial até à chegada de invasores que destruíram vilas, aldeias e cidades por toda a Jordânia, por volta de 2100 a.C. A identidade destes agressores é desconhecida, mas, muito provavelmente, eram os exércitos dos Gútios, cujas invasões derrubaram o Império Acádio fundado por Sargão, o Grande (reinou 2334–2279 a.C.), a partir de ceerca de 2193 a.C.; a região da Jordânia, naturalmente, fazia parte deste império. Os Povos do Mar foram sugeridos como os invasores por alguns estudiosos, mas a data é demasiado precoce para as suas incursões na área.
Independentemente de quem fossem, estes invasores foram posteriormente expulsos por outro grupo que migrou para a zona (possivelmente já em 2000 a.C.): os Hicsos, que trouxeram uma cultura completamente diferente para a Jordânia e estabeleceram-se como a classe dominante. Com o tempo, os Hicsos da Jordânia acumulariam poder suficiente para conquistar o Egito e governariam ambos os países até serem expulsos pelos egípcios, por volta de 1570 a.C., por Amósis I (reinou cerca de 1570–1544 a.C.).
Alguns estudiosos argumentam que os Hicsos (nome atribuído pelos egípcios; o nome pelo qual se autodenominavam é desconhecido) eram nativos da Jordânia, enquanto outros afirmam que eram invasores estrangeiros. Independentemente do caso, eles alteraram permanentemente a vida na Jordânia ao introduzir o cavalo, o arco composto e o carro de combate nos conflitos armados, ao implementarem melhores métodos de irrigação e ao desenvolverem sistemas de defesa superiores para as cidades muralhadas.
A região do atual Levante (Síria, Jordânia, Líbano e Israel) mantinha um comércio contínuo com outras áreas e civilizações ao longo destes períodos. A escrita na Mesopotâmia desenvolveu-se por volta de 3500 a.C. como um meio de comunicação de longa distância para o comércio e, no entanto, estas regiões, que eram letradas pelo menos desde 3000 a.C., não adotaram um sistema de escrita até cerca de 2000 a.C., por razões que permanecem pouco claras. Inscrições, como sinais e símbolos, foram criadas, mas parece não ter sido formulada nenhuma escrita completa. A escrita não se desenvolveu na Jordânia senão depois de os egípcios terem derrubado os Hicsos, por volta de 1570 a.C.
Após a expulsão dos Hicsos do Egito, os egípcios perseguiram-nos através da Jordânia, estabelecendo postos militares que cresceram e se tornaram comunidades estáveis. Sob o reinado posterior da rainha egípcia Hatshepsut (1479–1458 a.C.) e do seu sucessor Tutemés III (1458–1425 a.C.), o comércio floresceu. Tutemés III estabeleceu governantes egípcios por toda a região mais vasta de Canaã, trazendo estabilidade, paz e prosperidade. A região floresceu a um grau tão elevado que seria referida séculos mais tarde como uma terra gloriosa que "mana leite e mel" em vários livros da Bíblia.
A Jordânia na Bíblia e a Idade do Ferro
As cidades de Gerasa e Gadara (as atuais Jerash e Umm Qais, respetivamente) são mencionadas no Evangelho de Marcos 5:1-20 e no Evangelho de Mateus 8:28-34. Ambas as passagens nos evangelhos relatam a história de Jesus Cristo a expulsar demónios de pessoas possuídas para uma manada de porcos. A história em Marcos, considerada a mais antiga das duas, situa o evento em Gerasa, enquanto a versão de Mateus coloca-o em Gadara. Marcos menciona como, após o milagre, o homem que estivera possuído relata o milagre a todo o povo da Decápolis; a Decápolis era o termo para as dez cidades na margem oriental do Império Romano naquela época, e tanto Gerasa como Gadara estavam entre elas.
A região da atual Jordânia é mencionada diversas vezes no Antigo Testamento da Bíblia como parte das narrativas que compõem os livros de Génesis, Êxodo, Deuteronómio, Números, Josué e outros relativos à terra dos israelitas, à sua escravatura no Egito e à sua libertação para uma terra prometida que depois teria de ser conquistada. Pensa-se que os eventos relatados ocorreram durante a última parte da Idade do Bronze (cerca de 2000–1200 a.C.), embora existam discrepâncias entre os relatos bíblicos e o registo arqueológico.
Entre as discrepâncias mais frequentemente notadas pelos estudiosos está o facto de a região da Jordânia mencionada nos livros do Êxodo, Números e Josué estar claramente habitada, enquanto o registo arqueológico indica um país largamente desocupado. As batalhas que se diz terem sido travadas pelos hebreus em Números e em Josué também parecem não ter deixado qualquer registo arqueológico. Deve notar-se, contudo, que a cidade de Jericó, famosa pela sua queda perante Josué (Josué 6:1-27), mostra evidências de uma destruição violenta por volta de 1200-1150 a.C., durante o Colapso da Idade do Bronze.
O Monte Nebo, na Jordânia, é o local onde se diz que a Moisés foi permitida uma visão da Terra Prometida antes de morrer (Deuteronómio 34:1-4), e a Jordânia foi a terra dos midianitas onde Moisés se refugiou após a sua fuga do Egito no Êxodo (Êxodo 2:15) e a região na qual encontrou a sarça ardente, que o enviou de volta na sua missão de libertar o seu povo da escravidão (Êxodo 3:1-17). Diz-se que ele está sepultado no Monte Nebo, originalmente um local sagrado para os moabitas e os seus deuses.
O início da Idade do Ferro (cerca de 1200–330 a.C.) na região foi iniciado pela invasão dos Povos do Mar, uma cultura misteriosa cuja identidade os estudiosos ainda debatem. Alguns alegaram que são os filisteus da Bíblia, enquanto outros sugeriram que eram etruscos, minoicos, micénicos ou de outras nacionalidades. Nenhuma alegação única que os identifique foi amplamente aceite, nem é provável que o seja num futuro próximo, uma vez que as inscrições existentes apenas afirmam que estes povos vieram do mar, não de que mar nem sequer de que direção.
Os Povos do Mar chegaram à costa de Canaã por volta de 1200 a.C. com um conhecimento avançado de metalurgia, e as suas armas de ferro eram muito superiores às lâminas e lanças de pedra e cobre dos seus oponentes. Enquanto os Povos do Mar invadiam a partir do sul, o registo bíblico fala de grandes batalhas entre os israelitas e os moabitas e midianitas no Livro dos Juízes, bem como de ataques a assentamentos israelitas pelos amonitas, vindos do norte da Jordânia. Os reinos jordanianos de Edom, no sul, Moab, no centro, e Amon, no norte, cresceram todos em poder durante este período.
A Estela de Mesa (também conhecida como Pedra Moabita, cerca de 840 a.C.) regista uma batalha travada entre Mesa, rei de Moab, e três reis de Israel. A narrativa na estela corresponde ao relato do evento contido em II Reis 3, no qual Jorão de Israel e Josafá de Judá vão à guerra para reprimir uma rebelião moabita. A Estela de Mesa está entre os artefactos mais conhecidos que corroboram uma narrativa bíblica, ainda que alguns estudiosos tenham questionado o seu significado e até a sua autenticidade.
A disputa sobre se a Estela de Mesa apoia a narrativa bíblica é típica dos argumentos sobre a interpretação não só de objetos, mas também de textos antigos. Os estudiosos que equiparam os Povos do Mar aos filisteus interpretam os livros de I e II Samuel, que destacam significativamente os filisteus, como uma narrativa dos Povos do Mar. Estes livros contam a história da ascensão do Rei Saul (cerca do século XI a.C.) sobre os israelitas e a derrota dos filisteus por David, ao matar o seu campeão, Golias, em combate singular.
A maior parte do que se sabe sobre os Povos do Mar provém de registos egípcios, que afirmam que eles foram derrotados por Ramessés III em 1178 a.C., perto da cidade egípcia de Xois, e, depois disso, desapareceram do registo histórico. Se esta alegação, juntamente com as datas tradicionais de Saul e David, for aceite, então os filisteus poderiam ser os Povos do Mar que invadiram o Egito após as suas batalhas com Saul e David. Isto, contudo, está longe de ser certo, e nenhum consenso sobre este assunto foi alcançado.
O consenso académico está também dividido sobre se os Povos do Mar foram responsáveis pela devastação de cidades por toda a região de Canaã, ou se isto foi o resultado do general Josué e das suas campanhas de conquista na região, reivindicando-a como a terra prometida para o seu povo (livros de Números e Josué). Seja como for, a introdução de armas de ferro na região alterou a dinâmica das batalhas, favorecendo aqueles que estavam armados com elas, como a guerra assíria provou quando tomaram o país. Os assírios eram considerados invencíveis em batalha, em grande parte devido ao seu armamento superior.
Os Grandes Impérios e os Nabateus
O Império Assírio, e a sua continuação, o Império Neo-Assírio, utilizaram armas de ferro na conquista e tornaram-se a maior e mais extensa potência política do mundo até àquela época. Sob o rei assírio Tiglate-Pileser I (1115–1076 a.C.), a região do Levante foi firmemente colocada sob controlo assírio, e permaneceria parte do império até à sua queda em 612 a.C.
O Império Babilónico tomou então posse da terra até esta ser conquistada por Ciro, o Grande, fundador do Império Aqueménida (549–330 a.C.), também conhecido como o Império Persa, que depois caiu perante Alexandre, o Grande, em 331 a.C., passando a integrar o seu império em expansão. Antes da invasão de Alexandre, uma cultura única desenvolveu-se na Jordânia, cuja capital se tornou uma das imagens mais reconhecíveis do mundo antigo e uma atração turística popular nos dias de hoje: os nabateus e a sua cidade de Petra.
Os nabateus eram nómadas do Deserto do Neguev que chegaram à região da atual Jordânia e se estabeleceram algures antes do século IV a.C. A sua cidade de Petra, esculpida em falésias de arenito, pode ter sido criada nesta época, ou possivelmente mais cedo. Os nabateus obtiveram a sua riqueza inicialmente através do comércio nas Rotas do Incenso, que viajavam entre o Reino de Sabá, no sul da Arábia, e o porto de Gaza, no Mar Mediterrâneo. Quando estabeleceram Petra, já controlavam outras cidades ao longo das Rotas do Incenso e conseguiam taxar caravanas, fornecer proteção e controlar o lucrativo comércio de especiarias.
A famosa fachada de Petra, conhecida hoje como o Tesouro (Al-Khazneh), foi quase certamente um túmulo ou mausoléu e, ao contrário do que a imaginação popular sugere, não conduz a nenhum labirinto intrincado de corredores, mas apenas a uma sala bastante curta e estreita. As habitações mais espaçosas, que compõem o resto da cidade na falésia, atestam a riqueza dos nabateus como comerciantes que tinham rendimentos disponíveis e mão de obra suficientes para poderem pagar uma construção tão intrincada e morosa.
O nome 'Petra' significa 'rocha' em grego; a cidade era originalmente chamada Raqmu (possivelmente em homenagem a um antigo rei nabateu) e é mencionada na Bíblia e nas obras de escritores como Flávio Josefo (37–100) e Diodoro Sículo (século I a.C.). No auge do Reino Nabateu, a região da Jordânia desfrutou de grande prosperidade, e não apenas dentro e em redor da cidade de Petra. Os nabateus eram certamente os mais ricos, mas pessoas de outras nacionalidades partilhavam também da sua boa fortuna.
Por volta de 200 a.C., o governador de Amon, Hircano, mandou construir o seu elaborado palácio-fortaleza, Qasr Al-Abd ("Castelo do Servo"), que teria exigido uma enorme quantidade de rendimento disponível. Flávio Josefo descreve o palácio (que ele interpretou como uma fortaleza) em termos elogiosos como "construído inteiramente de pedra branca" numa escala grandiosa, incluindo uma grande piscina refletora, e como as suas paredes estavam esculpidas com "animais de uma magnitude prodigiosa", bem como salões de banquetes e aposentos abastecidos com água corrente (Merrill, pág. 109). As ruínas desta estrutura sobrevivem hoje perto de Araq al-Amir, embora num estado muito diminuído desde a época de Josefo, mas ainda atestando a riqueza e a visão do homem que a encomendou.
O primeiro rei dos nabateus historicamente atestado foi Aretas I (cerca de 168 a.C.) e, portanto, embora os nabateus se tivessem estabelecido na região séculos antes, o Reino da Nabateia é datado de 168 a.C. até 106 d.C., quando foi anexado por Roma. Os nabateus possuíam uma cultura altamente desenvolvida, na qual a arte, a arquitetura, as sensibilidades religiosas e o comércio floresceram. As mulheres tinham direitos quase iguais, podiam servir no clero e até reinar como monarcas autónomas. As divindades mais importantes do panteão nabateu eram femininas, e as mulheres teriam, muito provavelmente, servido como as suas sumas-sacerdotisas.
Para resolver o problema de um abastecimento de água fiável na região árida, os nabateus conceberam uma série de poços, aquedutos e barragens cuja eficiência não tinha rival na sua época. Com acesso a água e estabelecidos em algumas das áreas mais inacessíveis da região, os nabateus conseguiram repelir agressores atraídos pela sua riqueza. No entanto, não conseguiram resistir durante muito tempo ao poder superior de Roma, que foi absorvendo os seus territórios e rotas comerciais até finalmente tomar todo o reino e renomear a região como Arabia Petraea em 106 d.C., sob o imperador romano Trajano (reinou 98–117).
Roma, o Islão e o Estado Moderno
Os Romanos revitalizaram grande parte da região (embora cidades nabateias como Petra e Hegra tenham sido negligenciadas), criando um poderoso centro comercial em Gerasa e outro chamado Filadélfia no local de Amon, agora Amã, a capital da atual Jordânia. A cidade de Gadara floresceu sob os Romanos. Gadara foi o local de nascimento do poeta e editor romano Meleagro (século I) e tinha anteriormente inspirado o trabalho do filósofo e poeta epicurista Filodemo (cerca de 110–35 a.C.). Os Romanos beneficiaram certamente dos recursos da região, bem como dos recrutas que forçaram a entrar nos seus exércitos como conscritos e auxiliares, mas também melhoraram a área ao construir estradas, templos e aquedutos que transformaram grandes áreas da região numa paisagem fértil e encorajaram o comércio próspero. Gerasa tornou-se uma das cidades provinciais mais ricas e luxuosas do Império Romano nesta época.
Ainda assim, Roma começou a declinar de forma constante com a Crise do Terceiro Século e enfrentou desafios sérios com o início do século IV. Enquanto Roma lutava com dificuldades internas e invasões, a região que viria a tornar-se a Jordânia sofreu, tal como todas as outras províncias. Os semi-nómadas Tanúquidas ganharam poder na área e arredores no século III, e a sua líder mais famosa, a Rainha Mavia (cerca de 375-425), liderou uma revolta contra Roma, muito provavelmente provocada pela insistência do império em usar os Tanúquidas como auxiliares no exército romano.
Como os Tanúquidas faziam originalmente parte da confederação tribal nabateia, pensa-se que ela controlaria as áreas que compreendiam anteriormente o Reino da Nabateia. Fosse ou não esse o caso, ela era poderosa o suficiente para desafiar Roma, negociar a paz nos seus próprios termos e, mais tarde, enviar unidades de cavalaria para ajudar na defesa de Constantinopla após a derrota de Roma na Batalha de Adrianópolis, no ano de 378.
Após a queda do Império Romano do Ocidente (476), a parte oriental continuou como o Império Bizantino, governando a partir de Constantinopla. No século VII, a invasão árabe varreu a região, convertendo as populações ao Islão, o que colocou estas populações em conflito com os Bizantinos. A região da atual Jordânia tornou-se parte do Império Omíada, a primeira dinastia muçulmana, que governou de 661 a 750. Sob a dinastia Omíada, a Jordânia prosperou, mas foi negligenciada pela casa governante seguinte, a dinastia Abássida (750-1258), quando estes retiraram o seu apoio à zona, transferindo a capital de Damasco, situada logo a norte da Jordânia, para Cufa e, depois, para Bagdade, significativamente mais longe.
O Califado Fatímida (909-1171), que foi absorvido pelos Abássidas, tomou a Jordânia durante a sua expansão e iniciou renovações de templos, edifícios e estradas, tal como fez o Império Otomano (1299-1923), que surgiu após os Abássidas. Os exércitos otomanos derrotaram as forças do Império Bizantino, pondo fim à influência ocidental na região em 1453: a queda de Constantinopla.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os Otomanos aliaram-se à Alemanha e às Potências Centrais. A Revolta Árabe de 1916, que começou na Jordânia, enfraqueceu significativamente o Império Otomano enquanto este lutava contra as Potências Aliadas e, quando foram derrotados, o império foi dissolvido em 1923. A Jordânia tornou-se então um mandato do Império Britânico até conquistar a sua independência em 1946, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Hoje, a região é conhecida como o Reino Hachemita da Jordânia, um estado autónomo com um futuro brilhante e um passado longo e ilustre.
Agradecimento reconhecido ao Sr. Adi Abbadi, da Jordan History (História da Jordânia), pela sua assistência na revisão deste texto.
