Reino de Wessex

Joshua J. Mark
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
publicado em
Translations
Versão Áudio Imprimir PDF
England Around 910 CE (by Philg88, CC BY-SA)
Inglaterra por Volta de 910 Philg88 (CC BY-SA)

O Reino de Wessex (cerca de 519-927 ou cerca de 519-1066) foi uma entidade política fundada pelo chefe saxão ocidental Cerdic (reinou 519-540), em 519, no Vale do Alto Tâmisa, na atual Grã-Bretanha, que mais tarde evoluiria para a nação moderna. A diferença nas datas relativas ao fim do reino tem a ver com se aceita o ano final como coincidindo com a ascensão de Etelstano (Aethelstan) de Wessex ao trono da Inglaterra, em 927 (e a união de todos os reinos sob seu domínio), ou se prefere a data da invasão normanda da Inglaterra, em 1066, quando Guilherme, o Conquistador, chegou. Não há consenso nos círculos acadêmicos sobre qual data é mais precisa, mas depois que Etelstano se tornou rei da Inglaterra, o Reino de Wessex deixou de ser uma entidade política independente e, portanto, 927 deve ser reconhecido como sua data final.

A história inicial do reino é marcada por frequentes conflitos com o vizinho Reino da Mércia, que continuaram até o reinado do Rei Egberto (também grafado como Ecgberht; reinou 802-839), que conquistou a Mércia e anexou suas terras. Wessex continuou a prosperar sob os sucessores de Egberto e atingiu seu auge sob Alfredo, o Grande (reinou 871-899).

Remover Publicidades
Publicidade
AS REFORMAS DE ALFREDO, O GRANDE, TRANSFORMARIAM WESSEX NO REINO MAIS PODEROSO E EFICAZ DA GRÃ-BRETANHA.

As reformas de Alfredo transformariam Wessex no reino mais poderoso e eficaz da Grã-Bretanha, e seu filho, Eduardo, o Velho (reinou 899-924), daria continuidade às suas políticas e expandiria ainda mais o poder de Wessex. Quando o filho de Eduardo, Etelstano (Aethelstan), o sucedeu em 924, o título do governante havia mudado de Rei de Wessex para Rei dos Anglo-Saxões devido ao vasto território agora sob o controle de Wessex. Etelstano governaria nessa posição entre 924 e 927, quando se tornou poderoso o suficiente para ser declarado o primeiro Rei da Inglaterra (reinou 927-939).

Wessex é apresentado na série de TV Vikings, que segue versão ficcional dos reinados de Egberto, Etelvulfo (Aethelwulf) e Alfredo, o Grande, e suas lutas contra as invasões vikings. A série tem como objetivo o entretenimento, não a história, e, portanto, são esperadas discrepâncias em relação aos fatos históricos; mesmo assim, o público deve estar ciente de que os personagens da série frequentemente se distanciam bastante de suas contrapartes históricas.

Remover Publicidades
Publicidade

Nome e História Lendária

O nome 'Wessex' deriva de 'Reino dos Saxões Ocidentais', mas o nome original do lugar era Gewisse (em homenagem à tribo anglo-saxônica que ali vivia), que os estudiosos associaram ao alemão 'gewiss' (que significa 'certamente' ou 'seguro'), que tinha o mesmo significado em saxão antigo. De acordo com esses estudiosos, a região de Gewisse recebeu esse nome por causa de Cerdic e sua antiga ligação com a área.

King Arthur by C.E.Butler
Rei Artur, por C.E.Butler Charles Ernest Butler (Public Domain)

As Crônicas Anglo-Saxônicas indicam 495 como a data em que Cerdic chegou pela primeira vez à região com seu filho e exército, mas especificam que ele desembarcou em local conhecido como 'minério de Cerdic'. Segundo estudos recentes, é possível que Cerdic já estivesse estabelecido na região, tenha partido para reunir um exército maior e retornado em 495, em vez de essa data ser a de sua chegada. O nome Gewisse, portanto, significaria "o Reino Daquele Que É Conhecido", pois Cerdic já havia se estabelecido ali anteriormente.

Remover Publicidades
Publicidade

Quer tenha vindo pela primeira vez ou não, ele e seu filho (ou neto) fundaram o Reino dos Saxões Ocidentais, em 519 e, a partir de então, de acordo com as Crônicas Anglo-Saxônicas, os reis saxões ocidentais governaram a região. Se o nome original da área tinha alguma relação com Cerdic é contestado, mas a maioria dos estudiosos concorda que a região passou a ser conhecida como Wessex, a partir de "Reino dos Saxões Ocidentais", e que o nome não evoluiu do anterior Gewisse.

Diz-se que o Rei Artur fundou Wessex após derrotar os saxões na Batalha de Badon Hill, no século VI.

Wessex tinha longa história de habitação antes da chegada de Cerdic, com evidências de atividade humana contínua que remontam ao Neolítico e aumentaram durante a Idade do Bronze (cerca de 3000 a cerca de 1200 a.C.). Monumentos e sítios megalíticos, como Stonehenge e outros na região, atestam projetos de construção em grande escala, conhecimento astronômico e matemático, e vida e culto comunitários. No entanto, não existem registros escritos desses períodos anteriores e, quando a história de Wessex começou a ser registrada, os autores não distinguiam entre história conhecida e lenda.

Diz-se, portanto, que o Rei Artur fundou Wessex após derrotar os saxões na Batalha de Badon Hill, no século VI mas outras fontes afirmam que a região já havia sido fundada antes, e outras ainda que o herói de Badon Hill foi Ambrósio Aureliano, um nobre romano. Os romanos ocuparam a Grã-Bretanha entre 43 e 410 d.C., retirando-se apenas quando o Império Romano do Ocidente começou a declinar, e as figuras que emergiram para liderar o país após a retirada de Roma são todas semilendárias. As histórias aceitas de Gildas (cerca de 500-570), Beda (672-735) e Nenius (século IX) contêm elementos fantásticos que apontam para eventos históricos sempre sem os esclarecer.

Remover Publicidades
Publicidade

História Antiga e Reis

Após sua fundação em 519, o reino foi governado inicialmente por Cerdic e depois por seu filho (ou neto) Cynric (r. c. 540-560), que seguiu política de expansão, com maior ou menor sucesso, em Wiltshire e outras regiões. Ele foi sucedido por seu filho Ceawlin (560-592), que conseguiu estabelecer a visão de seu pai de um reino expansivo. Diz-se que Ceawlin derrotou os jutos e os bretões e era considerado o suserano da região. Os eventos de seu reinado, no entanto, são registrados com a mesma falta de clareza que caracteriza a história anterior da região, e não está claro o que realmente aconteceu, pode ter acontecido ou nunca aconteceu; até mesmo as datas do reinado de Ceawlin são debatidas. Ele foi deposto em 591 ou 592 por seu sobrinho Ceol (reinou 591/592-597) após a Batalha de Woden's Burg (Colina de Odin; a moderna Adam’s Grave ou Colina de Adão).

Cerdic of Wessex
Cerdic de Wessex Guardian Unlimited (Copyright, fair use)

Pouco se sabe sobre o reinado de Ceol ou de seu sucessor, Ceolwulf (reinou 597-611), mas o filho de Ceolwulf, Cynegils (reinou 611-643), é amplamente reconhecido como o primeiro rei saxão ocidental a aceitar o cristianismo e o rei que perdeu Wessex para o Reino da Mércia. No início do reinado de Cynegils, ele dividiu o reino entre si e seu filho Cwichelm († 636) a fim de criar um estado-tampão no norte entre Wessex e o cada vez mais poderoso Reino da Nortúmbria, sob o rei Edwin (reinou 616-633). Ele então se aliou à Mércia e selou o pacto mediante o casamento de seu filho mais novo, Cenwalh (reinou 643-645, 648-673), com a irmã do rei Penda da Mércia.

Em 626, Cwichelm tentou assassinar Edwin da Nortúmbria, mas falhou. Os nortumbrianos enfrentaram as forças aliadas de Wessex e Mércia na “Batalha de Win Hil e Lose Hil” e as derrotaram. O exército da Nortúmbria detinha a posição superior no terreno elevado, e os de Wessex e Mércia, ignorando essa vantagem e aparentemente recusando-se a considerar alternativas, atacaram uma posição fortificada morro acima e foram dispersos quando os nortumbrianos lançaram uma cascata de pedras sobre eles.

Remover Publicidades
Publicidade

Os problemas de Cynegils, no entanto, não terminaram aí. A Nortúmbria o repeliu para dentro de suas fronteiras e, agora enfraquecida, Wessex tinha pouco a oferecer à Mércia em termos de aliança, mas tudo em termos de conquista. Em 628, a Mércia derrotou Wessex na Batalha de Cirenchester e reivindicou grandes extensões da região, incluindo Worcestershire e Gloucestershire.

Quando Cynegils morreu, foi sucedido por Cenwalh, que se "separou" de sua esposa, irmã do rei Penda da Mércia, para se casar com uma mulher chamada Seaxburh (reinou cerca de 674). O rei Penda ficou furioso e declarou guerra a Wessex, derrotando suas forças em 645 e forçando Cenwalh ao exílio. A Mércia governou Wessex pelos três anos seguintes, antes de Cenwalh retornar e negociar para recuperar o trono, mas o reino havia sido fragmentado e agora era governado por sub-reis, que controlavam seus próprios territórios. Quando morreu, foi sucedido por Seaxburh, a única governante feminina de Wessex, que reinou por um ano. Infelizmente, nenhum detalhe de seu reinado é conhecido e os que foram registrados surgiram muito tempo depois de sua época e foram contestados.

Saxon Square-Headed Bow Brooch
Broche de Laço Saxão com Cabeça Quadrada Metropolitan Museum of Art (Copyright)

Seaxburh foi sucedida por seu filho Aescwine (reinou 674-676), que derrotou a Mércia na Batalha de Bedwyn, em 675, e recuperou parte da antiga posição de Wessex. Seu tio Centwine (reinou 676-685) o sucedeu e continuou as lutas com a Mércia até se aposentar e ser sucedido por Caedwalla (reinou 685-688). Caedwalla conquistou os sub-reis de Wessex e reuniu o reino.

Remover Publicidades
Publicidade

Ele participou de várias campanhas militares bem-sucedidas, conquistando Sussex, Surrey, a Ilha de Wight e Kent. Embora não batizado, ele se alinhou claramente com a igreja cristã e forçou a conversão dos pagãos nas terras que conquistou. Ele destruiu a população pagã da Ilha de Wight, massacrando aqueles que não se converteram e, possivelmente, até mesmo aqueles que já haviam se convertido. Ele abdicou do trono em 688 para viajar a Roma, ser batizado e morrer na cidade onde, acreditava-se, os cristãos tinham acesso mais fácil ao céu.

Wessex mergulhou em conflitos após a saída de Caedwalla, com os sub-reis reafirmando seu poder. A ordem foi restaurada por um nobre chamado Ine (reinou 688-726), que também foi o primeiro rei saxão ocidental a formular e promulgar um código de leis. Suas leis distinguiam entre o povo conhecido como ingleses e o povo chamado bretões, especificando os direitos dos acusados ​​em um crime, bem como abordando os danos às vítimas de vários crimes ou negligências.

Ine herdou um reino grande e poderoso e conseguiu não apenas mantê-lo, mas também expandi-lo. Ele foi sucedido por Aethelheard (reinou 726-740), que perdeu gradualmente poder, prestígio e terras para a Mércia até ser sucedido por seu irmão Cuthred (reinou 740-756), que derrotou as forças da Mércia, em 752. Cuthred restabeleceu a primazia que Wessex tinha sob Ine, mas esta foi corroída durante os reinados de Sigeberht (reinou 756-757) e Cynewulf (reinou 757-786).

Remover Publicidades
Publicidade

Sob o reinado de Beorhtric (reinou 786-802), Wessex prosperou por meio de negociações e aliança com a Mércia. Quando Cynewulf morreu, a reivindicação de sucessão de Beorhtric foi contestada pelo nobre Egbert, mas o rei Offa da Mércia (reinou 757-796) apoiou Beorhtric e Egbert foi forçado ao exílio. Beorhtric então se casou com Eadburh, filha do rei Offa, e o rei da Mércia cessou as hostilidades e apoiou seu reinado. Beorhtric morreu em 802, envenenado por sua esposa, e Egberto ascendeu ao trono.

Rei Egberto de Wessex

Egberto estava exilado desde cerca de 789, vivendo na Frância, que na época era governada por Carlos Magno. Carlos Magno não tinha muita simpatia por Offa e diz-se que ficou indignado quando o rei da Mércia sugeriu aliança que seria selada pelo casamento do filho de Offa, Ecgfrith, com uma das filhas de Carlos Magno. É provável que Carlos Magno tenha apoiado a candidatura de Egberto ao trono de Wessex e, como defensor da igreja e depois Sacro Imperador Romano entre 800 e 814, teria tido poder mais do que suficiente para colocá-lo no trono, o que provavelmente aconteceu em 802, quando Beorhtric morreu.

Egbert of Wessex
Egberto de Wessex Unknown Artist (Public Domain)

A Mércia, naquela época, tinha a vantagem na região e Egberto pode ter sabiamente decidido manter perfil discreto enquanto fortalecia seu exército e recursos. Pouco se sabe sobre os primeiros 20 anos de seu reinado, mas em 825 ele derrotou os exércitos da Mércia sob o comando de seu rei Beornwulf (reinou 823-826), na Batalha de Ellandun (também conhecida como Ellendun). Essa vitória quebrou a supremacia da Mércia e Egberto rapidamente anexou os territórios mercianos de Essex, Kent, Surrey e Sussex; Wessex tornou-se o reino mais poderoso da região.

Em 826 e novamente em 827, os mercianos tentaram reconquistar seus territórios, mas sem sucesso. Beornwulf foi morto em batalha em 826 e, para evitar apoio político a futuras campanhas mercianas, Egberto instalou seu filho Aethelwulf como sub-rei dos territórios mercianos que havia conquistado após Ellandun. Em 829, o Reino da Nortúmbria se submeteu a Egberto e, na época da morte de Egberto, ele era referido como "Governante da Bretanha" pelas Crônicas Anglo-Saxônicas.

Remover Publicidades
Publicidade

Aethelwulf de Wessex

Egberto foi sucedido por Aethelwulf (reinou 839-858), que defendeu seu reino dos ataques vikings enquanto também administrava os assuntos de estado em uma quantidade considerável de terras. Aethelwulf era conhecido por sua profunda piedade religiosa e consideração pelos outros e parece ter sido especialmente hábil em ouvir as sugestões de seus conselheiros e proceder com ponderação, ao contrário dos governantes anteriores, que pareciam ter decidido suas políticas mais ou menos por conta própria.

Aethelwulf casou-se com Osburh, filha de Oslac (mordomo e confidente de Aethelwulf), e eles tiveram seis filhos, cinco meninos e uma menina. De acordo com Asser (biógrafo de Alfredo, o Grande, falecido por volta de 909), Osburh era mulher piedosa, inteligente e letrada, que incutiu em seus filhos a importância da educação. Ela foi influente na formação da mente de seu filho mais novo, Alfredo, cujo reinado seria caracterizado tanto por suas reformas educacionais e sociais quanto por suas vitórias militares sobre os vikings.

Aethelwulf of Wessex
Aethelwulf de Wessex Unknown Artist (Public Domain)

Os vikings começaram suas incursões na região por volta de 830-850 e se tornaram séria ameaça durante o reinado dos filhos de Etelvulfo (Aethelwulf), Etelbaldo (Aethelbald; reinou 855-860) e Etelberto (Aethelberht; reinou 860-865). O irmão mais novo seguinte, Etelredo (Aethelred; reinou 865-871), suportou o peso das invasões vikings e lutou para manter seu reino com a ajuda de seu irmão mais novo, Alfredo.

Alfredo, o Grande

Quando Alfredo ascendeu ao trono, essa luta continuaria até sua vitória sobre as forças vikings na Batalha de Edington, em 878, e a subjugação da Londres viking, em 886. Após essa vitória, ele se dedicou a reformar o sistema educacional, as leis, o exército e a infraestrutura de seu reino. O estudioso C. Warren Hollister escreve:

Como todos os líderes bem-sucedidos da época, Alfredo era um guerreiro extremamente capaz. Mas ele era muito mais do que isso. Ele era organizador brilhante e imaginativo que sistematizou o recrutamento militar e fundou a marinha inglesa, percebendo claramente que a Europa cristã não poderia esperar repelir os vikings sem desafiá-los nos mares. Construiu nas suas terras várias fortalezas que serviam tanto como pontos de defesa quanto como refúgios para a população agrícola em tempos de guerra. E gradualmente, à medida que os dinamarqueses eram repelidos, novas fortalezas foram construídas para proteger os territórios recentemente reconquistados. Alfredo esclareceu e racionalizou as leis de seu povo, aplicou-as rigorosamente e governou com uma autoridade que nenhum rei anglo-saxão havia exercido antes dele.

(128)

Alfredo arranjou o casamento de sua filha Etelfleda (Aethelflaed) com Etelredo, Senhor dos Mercianos (reinou 881-911), garantindo paz com a Mércia que era mutuamente benéfica. Etelredo governaria mais tarde a Mércia (911-918) e agiria em cooperação com seu irmão Eduardo, o Velho (que sucedeu a Alfredo), para neutralizar os ataques vikings e melhorar a infraestrutura de ambas as regiões.

Silver Penny of Alfred the Great
Moeda de Prata de Alfredo, o Grande The Trustees of the British Museum (CC BY-NC-SA)

Etelstano e o Reino da Inglaterra

Eduardo enviou seu jovem filho, Etelstano (Aethelstan), para a Mércia por volta de 900 para ser criado e educado na corte de sua irmã. Etelstano cresceu na Mércia e participou de campanhas militares com Etelredo e, depois da morte deste, sob a direção de Etelfleda. Embora seja possível que Etelstano tenha sido inicialmente instruído por João da Saxônia (monge que Alfredo trouxera para sua corte, por volta de 885, para auxiliar na reforma educacional e em traduções), não há dúvida de que sua principal professora a partir de 900 foi Etelfleda e os professores que ela empregava em sua corte.

Remover Publicidades
Publicidade

Quando Etelfleda morreu em 918, sua filha, Elfuína (Elfowynn), sucedeu-a, mas foi deposta por Eduardo, o Velho, que reivindicou a Mércia para Wessex. Os mercianos haviam desenvolvido grande afeição por Etelfleda, honrando-a com o título de Senhora dos Mercianos, e se opuseram à remoção de Elfuína por Eduardo. Etelstano, contudo, era uma figura familiar na corte e, nessa época, atuava como uma espécie de mediador entre seu pai e os nobres da Mércia.

Etelstano foi escolhido rei da Mércia e, em 924, sucedeu Eduardo como Rei dos Anglo-Saxões. A base estabelecida por Alfredo, Eduardo e Etelfleda na região, bem como as alianças forjadas em outros lugares, proporcionaram a Etelstano segurança e recursos que lhe permitiram expandir seu território e se tornar o primeiro Rei dos Ingleses, em 927. Ele fez campanha na Escócia em 934, reivindicando-a como sua, e subjugou outras regiões por meio da força militar ou de negociações. Em 937, derrotou uma coalizão de forças da Grã-Bretanha, Irlanda e Escócia na Batalha de Brunanburh e consolidou suas terras em um reino unificado que eventualmente se tornou a Grã-Bretanha.

Wessex em Vikings e Legado

A importância de Wessex na história britânica e europeia não pode ser subestimada. A região é o berço indiscutível da Grã-Bretanha devido às reformas de Alfredo, o Grande, e às instituições e políticas que ele criou, incluindo as relações pacíficas estabelecidas com a Mércia após séculos de animosidade e guerra.

Aethelwulf Played by Moe Dunford
Aethelwulf interpretado por Moe Dunford HISTORY Channel (Copyright, fair use)

O conflito entre Wessex e Mércia é apresentado na série de TV Vikings e gira em torno de uma rainha merciana fictícia chamada Kwenthryth (interpretada pela atriz americana Amy Bailey), que pede a ajuda de Wessex para recuperar seu reino. Kwenthryth é amálgama de três personagens históricos: Cwenthryth, filha de Coenwulf, da Mércia (reinou 796-821), sobre quem pouco se sabe além de que ela foi abadessa da vila paroquial de Minster-in-Thanet; a rainha merciana Cynethryth (cerca de 798), esposa do rei Offa e mãe de Ecgfrith da Mércia (reinou 796), e sua filha Eadburh, que envenenou o rei Beorhtric.

Os elementos de intriga e conspiração de Kwenthryth na série de TV são extraídos de lendas que cercam Cynethryth, que a retratam como dissimulada desde sua chegada à Mércia e responsável por diversas traições e assassinatos. A personagem não parece ter nada em comum com a Cwenthryth histórica além do nome, mas se inspira na lendária Cwenthryth da história do século XII sobre o assassinato de São Kenelm, onde ela é a irmã ardilosa que planeja a morte do irmão. Aspectos da história de Eadburh são usados ​​dessa mesma forma no desenvolvimento de Kwenthryth. As intrigas políticas que envolvem a personagem Kwenthryth também são ficcionalizadas, mas se baseiam em conflitos reais da classe dominante da Mércia.

Outras discrepâncias históricas na representação de Wessex incluem a personagem Judith (interpretada pela atriz inglesa Jennie Jacques), esposa de Aethelwulf, que na série é princesa da Nortúmbria, mas na verdade era filha do Sacro Imperador Romano e Rei da Frância Ocidental, Carlos, o Calvo (reinou 843-877), e era apenas adolescente quando se casou com o Aethelwulf histórico. Não há menção a Osburh na série, e a ascendência de Alfredo, o Grande, é completamente ficcionalizada (embora sua fragilidade na juventude e saúde debilitada sejam abordadas).

O Rei Egberto (chamado Ecbert na série e interpretado pelo ator inglês Linus Roache) é retratado como quase completamente egoísta e manipulador, caracterização extraída das iniciativas do Egbert histórico para consolidar seu reino, mas sem qualquer base histórica detalhada. Aethelwulf (interpretado pelo ator Moe Dunford) compartilha a piedade religiosa com sua contraparte histórica, mas seu temperamento, sua associação com Kwenthryth e seu relacionamento com Judith são todos ficcionalizados.

A série se baseia consistentemente em vários elementos históricos para apresentar narrativa coesa, e isso é tão verdadeiro para a representação de Wessex quanto para qualquer outro aspecto da série. Embora nem sempre seja historicamente precisa, a série consegue retratar a importância de Wessex durante a época das incursões vikings e o papel que desempenharia na evolução da Grã-Bretanha.

Remover Publicidades
Publicidade

Remover Publicidades
Publicidade

Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2026, abril 24). Reino de Wessex. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17575/reino-de-wessex/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Reino de Wessex." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, abril 24, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17575/reino-de-wessex/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Reino de Wessex." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 24 abr 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17575/reino-de-wessex/.

Remover Publicidades