12 Grandes Cidades da Mesopotâmia Antiga

Ascensão e Queda das Primeiras Cidades do Mundo
Joshua J. Mark
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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As grandes cidades da Mesopotâmia ("a terra entre dois rios") desenvolveram-se antes do final do IV milênio a.C. ao longo de dois rios – o Tigre e o Eufrates – e estavam plenamente estabelecidas no Período Dinástico Inicial (cerca de 2900 a 2350/2334 a.C.). Muitas dessas cidades tornaram-se famosas na sua época e entre elas estão as doze abaixo. As datas aproximadas de sua fundação seguem os nomes:

  • Nínive (cerca de 6.000 a.C.)
  • Quis (cerca de 6.500-4.000 a.C.)
  • Eridu (5400 a.C.)
  • Uruque (5000/4500 a.C.)
  • Nipur (cerca de 5.000 a.C.)
  • Ur (4000/3800 a.C.)
  • Sippar (cerca de 4000-3100 a.C.)
  • Mari (cerca de 3.000/2.900 a.C.)
  • Lagash (cerca de 2.900-2.750/2.700 a.C.)
  • Assur (cerca de 2.900-2.750/2.700 e 1.900 a.C.)
  • Acádia (2350/2334 a.C.)
  • Babilônia (cerca de 2350 a.C.)

Existiram muitas outras grandes cidades na Mesopotâmia e regiões vizinhas, incluindo Aratta – cuja localização precisa não foi identificada, mas o sítio arqueológico de Konar Sandal, perto de Jiroft (Província de Kerman, Irã [Irão]), parece cada vez mais provável – Susa, Persépolis, Kalhu/Nimrud e Dur-Sharrukin, bem como muitas outras, que desempenharam papéis importantes na história da região.

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Mapa da Civilização Suméria
Mapa da Civilização Suméria Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

No entanto, as doze cidades acima não foram apenas famosas na sua própria época, mas, em muitos casos, tornaram-se lendárias por meio das obras de escritores gregos posteriores e, na era moderna, forneceram algumas das descobertas arqueológicas mais significativas da região.

A Ascensão das Cidades

As cidades da Mesopotâmia geralmente começavam como pequenas aldeias que cresciam e se tornavam centros comerciais ou eram conhecidas como importantes locais religiosos. Uma cidade carente de mercadorias valiosas para o comércio ainda podia prosperar como local de peregrinações religiosas, com as oferendas deixadas pelos visitantes no complexo do templo e os estabelecimentos de hospedagem que atendiam aos visitantes. A religião era central em todas as cidades mesopotâmicas, como explica a estudiosa Gwendolyn Leick:

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Os mitos descrevem cidades como a Babilônia como tendo sido criadas pelos deuses para serem sua morada. Cada cidade estava, portanto, intimamente ligada a uma divindade específica, cuja imagem residia no templo. Ur, por exemplo, era a sede do deus da lua Nanna-Suen, Sippar do deus do sol Utu-Shamash, e assim por diante. O destino de cada cidade estava ligado ao prestígio e à popularidade de sua principal divindade. (42)

A RIVALIDADE ENTRE ESSAS CIDADES-ESTADO ERA FREQUENTEMENTE ACIRRADA, E CADA UMA TENTAVA SUPERAR AS OUTRAS.

A rivalidade entre essas cidades-estado era frequentemente acirrada e cada uma tentava superar as outras com o maior zigurate, as muralhas mais majestosas, os jardins e parques públicos mais bem cuidados e, é claro, a economia mais robusta que tornava tais obras possíveis. Quando uma cidade triunfava na criação de alguma maravilha incrível, um festival era realizado, e quando uma cidade caía, era lamentada, notadamente pelo gênero conhecido como lamentos das cidades mesopotâmicas.

A seguir, breves descrições de doze das maiores dessas cidades, pelo que eram famosas e como entraram para a memória.

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Nínive (cerca de 6000 a.C.)

Nínive (atual Mosul, na margem oriental do rio Tigre, no Iraque) é mais conhecida pelo livro bíblico de Jonas e outras referências na Bíblia, mas teve longa história antes dessas narrativas serem escritas. A cidade cresceu de um pequeno assentamento por volta de 6000 a.C. para um grande centro religioso em homenagem a Inanna/Ishtar, por volta de 3000 a.C.

Atingiu seu auge durante o Império Neoassírio, quando Senaqueribe (reinado de 705 a 681 a.C.) a tornou sua capital e a embelezou com parques públicos, jardins e um imenso complexo palaciano. Estudos recentes sugerem que os famosos Jardins Suspensos da Babilônia estavam, na verdade, em Nínive, encomendados por Senaqueribe, e que escritores gregos posteriores confundiram as duas cidades.

Siege of Nineveh, 612 BCE
Cerco de Nínive, 612 a.C. Ancient History Magazine / Karwansaray Publishers (Copyright)

Nínive continuou a florescer após Senaqueribe e tornou-se o local da famosa biblioteca de Assurbanípal (reinado de 668 a 627 a.C.), que continha mais de 30.000 textos. A cidade foi destruída em 612 a.C. pela coalizão de medos, babilônios e persas, durante a queda do Império Neoassírio.

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Quis (cerca de 6500-4000 a.C.)

Quis (Kish - atual Tell al-Uhaymir, Iraque) foi um assentamento durante o Período Ubaide (cerca de 6500-4000 a.C.), mas tornou-se cidade por volta de 5000 a.C. e perdurou até o século VIII d.C., tornando-se uma das cidades mais antigas e continuamente habitadas da Mesopotâmia. Inicialmente, foi importante local religioso dedicado a Inanna/Ishtar e seu consorte-pai Enki/Ea, contribuindo para sua prosperidade.

De acordo com a Lista de Reis Sumérios, Quis foi a primeira cidade sobre a qual a "realeza recaiu" após o Grande Dilúvio. A cidade tornou-se tão próspera e poderosa que o título "Rei de Quis" passou a ser entendido como o governante de toda a Suméria. Sargão de Acádia (reinado de 2334 a 2279 a.C.) assumiu esse título após estabelecer o Império Acádio, que, de fato, governou toda a Suméria.

The Ziggurat at Kish
O Zigurate em Quis Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Quis é notável como centro de aprendizado, ostentando muitas escolas de escribas, arquitetura monumental e tendo vencido a primeira guerra da história registrada, quando o rei Enmebaragesi de Quis derrotou Elão, em 2700 a.C. A cidade também é notável por ser a única com uma monarca feminina, Kubaba, que anteriormente havia sido dona de uma hospedaria. Quis entrou em declínio durante os períodos neoassírio e persa e foi finalmente abandonada em algum momento após 750 a.C.

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Eridu (5400 a.C.)

Eridu (atual Abu Shahrein, Iraque) foi considerada a primeira cidade do mundo pelos sumérios e, de acordo com a Lista de Reis Sumérios, "Após a realeza descer do céu, a realeza estava em Eridu", estabelecendo a cidade como o local onde os deuses criaram a ordem na Terra na forma de uma monarquia que faria leis e manteria uma sociedade estável.

A cidade nunca foi sede dinástica, mas um dos locais religiosos mais importantes, dedicada ao deus da sabedoria e da magia, Enki/Ea, e é mencionada em algumas das obras mais significativas da literatura mesopotâmica, incluindo o Gênesis de Eridu, o Atrahasis, o Mito de Adapa e Inanna e o Deus da Sabedoria.

Representation of the Port of Eridu
Representação do Porto de Eridu Таис Гило (Public Domain)

Eridu permaneceu importante local religioso e centro comercial até ser abandonada por volta do ano 600 a.C. Acredita-se que a causa mais provável de seu declínio tenha sido o uso excessivo da terra.

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Uruque (5000/4500 a.C.)

Uruque (Uruk - atual Warka, Iraque) tornou-se a cidade mais poderosa e próspera da antiga Mesopotâmia e acredita-se que tenha dado nome ao Iraque. Seu nome também passou a definir o período de Uruque (cerca de 4000-3100 a.C.) na história da Mesopotâmia, quando a urbanização se expandiu e muitos dos aspectos mais significativos da civilização foram inventados ou desenvolvidos, entre eles, a escrita, a produção em massa de bens, a arquitetura monumental na forma do zigurate e o conceito de identificação pessoal na forma do selo cilíndrico. Também é famosa por seu rei, Gilgamesh, mais conhecido como o personagem central da Epopeia de Gilgamesh, a obra literária mais antiga do mundo.

Uruque é considerada a primeira cidade verdadeira da história e o local onde o comércio na antiga Mesopotâmia floresceu e se espalhou pela primeira vez. Artefatos de Uruque foram encontrados em quase todos os sítios arqueológicos escavados na região, bem como no Egito. A divindade padroeira da cidade, Inanna/Ishtar, estava entre as mais populares da Mesopotâmia, e assim Uruque prosperou com peregrinações religiosas, bem como com o comércio. A cidade tornou-se tão poderosa que inspirou a fundação e a construção de outras, incentivando assim a urbanização generalizada.

The Warka Vase
Vaso de Warka Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

A cidade foi continuamente habitada desde a sua fundação até o século VII, quando foi abandonada durante a conquista árabe muçulmana da região.

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Nipur (cerca de 5000 a.C.)

Nipur (atual Nuffar, Iraque) começou, como muitas outras, como pequeno assentamento no Período Ubaide e cresceu para se tornar importante centro cultural e religioso antes do Período Dinástico Inicial na Mesopotâmia. A divindade padroeira era Enlil, "Senhor dos Ventos", embora Inanna/Ishtar e Gula, deusa da cura, também fossem cultuadas lá. Nipur sempre foi considerada cidade sagrada e local de peregrinação, e por isso não é de surpreender que tenha abrigado muitas escolas de escribas que, entre outras obras, registraram as histórias sagradas dos deuses agora conhecidas como mitologia mesopotâmica.

Inscrições encontradas nas ruínas de Nipur sugerem que ela foi honrada como local sagrado por muitos reis a partir de cerca de 2700 a.C., com Enmebaragesi de Quis, e incluindo Gilgamesh de Uruque, Sargão de Acádia e Ur-Nammu de Ur. A cidade perdeu prestígio quando suas associações sagradas foram removidas por Hamurabi (reinado de 1792 a 1750 a.C.) e transferidas para a Babilônia. A cidade parece ter sido danificada na invasão elamita de 1750 a.C.

Babylonian Clay Map from Nippur
Mapa babilônico de Argila de Nipur Mary Harrsch (CC BY)

O Templo de Enlil em Nipur (Ekur) foi restaurado pelos cassitas, assim como a cidade ao redor, por volta de 1375 a.C., e Nipur continuou a ser um importante centro cultural até ao século IX, embora poucos possam ter realmente vivido lá. Foi abandonada em algum momento do século XIII, e o que restou da cidade caiu em ruínas.

Ur (4000/3800 a.C.)

Ur (atual Tell el-Muqayyar, Iraque) era originalmente uma pequena vila que cresceu e se tornou uma grande cidade portuária no Golfo Pérsico. Ur é mencionada no livro bíblico de Gênesis e tornou-se famosa no início do século XX, quando Sir Leonard Wooley escavou o local e encontrou o túmulo que chamou de "Grande Poço da Morte", contendo tesouros, incluindo o cocar da Rainha Puabi e o Estandarte Real de Ur.

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Ur era favorecida pelos reis do Império Acádio. Sargão, o Grande, colocou a sua filha, Enheduanna (cerca de 2300 a.C.), como alta sacerdotisa lá. A cidade atingiu o seu auge durante o período Ur III (cerca de 2112 a cerca de 2004 a.C.) sob o reinado de Ur-Nammu (cerca de 2112-2094 a.C.) e seu filho Shulgi de Ur (2094 a cerca de 2046 a.C.). Este período, também conhecido como Renascimento Sumério, viu a proliferação de escolas de escribas, desenvolvimentos arquitetônicos e melhorias na infraestrutura.

Great Ziggurat of Ur
Grande Zigurate de Ur Hardnfast (CC BY-SA)

Shulgi construiu uma grande muralha para proteger Ur de invasões, mas ela era tão longa que não podia ser devidamente guarnecida e não estava ancorada em nenhuma das extremidades. Em 1750 a.C., os amoritas simplesmente contornaram a muralha para atacar Ur, e os elamitas a romperam, pondo fim não apenas a Ur, mas também à civilização suméria.

Sippar (cerca de 4000-3100 a.C.)

Sippar (atual Tell Abu Habbah, Iraque, perto de Bagdá) foi povoada pela primeira vez no final do Período Ubaide, mas floresceu desde o período Uruque até ao primeiro milênio a.C. O local tornou-se famoso no final do século XIX, quando o Mapa Babilônico do Mundo – uma tabuleta de argila com o mapa do mundo tendo a Babilônia como centro (por volta do século IX a.C.) – foi descoberto ali por volta de 1882.

A divindade padroeira da cidade era Utu-Shamash no período Acádio (2350/2334-2154 a.C.). A Lista de Reis Sumérios mostra Sippar como a quarta cidade a receber a realeza dos deuses, atestando a sua alta posição. A cidade tornou-se famosa na sua época pela produção de selos cilíndricos e lã, e acredita-se que o famoso Código de Hamurabi tenha sido erigido pela primeira vez em Sippar.

The Sun God Tablet or the Tablet of Shamash from Sippar
A Tábua do Deus Sol ou a Tábua de Shamash de Sippar Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

A cidade entrou em declínio durante o período do Império Aquemênida (Império Aqueménida - cerca de 550-330 a.C.), mas ainda existia durante o Império Parta (247 a.C. a 224 d.C.), após o qual parece ter sido abandonada.

Mari (cerca de 3000/2900 a.C.)

Mari (atual Tell Hariri, Síria) foi uma maravilha da engenharia e do design, tornando-se a cidade mais próspera do norte da Mesopotâmia. Ao contrário de muitas outras cidades, Mari não se desenvolveu a partir de um assentamento anterior, mas foi planejada como uma nova cidade. O local ficava no interior, distante do rio Eufrates, e por isso foi construído um "canal de ligação", que levava água do rio para a cidade, e então canais menores eram conectados a este para irrigar as plantações.

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A cidade foi cuidadosamente projetada para se elevar gradualmente, com sistema de drenagem sob as ruas e ao redor da parte inferior para escoar a água da chuva e os resíduos. O local foi escolhido pela sua posição em uma rota comercial popular, e assim a cidade prosperou não apenas por meio do comércio, mas também pela cobrança de pedágios de todos os mercadores que passavam por ali. As divindades da cidade eram tanto sumérias quanto semitas, com templos em homenagem a Dagan e Inanna/Ishtar, entre outros.

Remains of the Ziggurat Attached to the Temple of Lions at Mari
Restos do Zigurate Anexo ao Templo dos Leões em Mari Heretiq (CC BY-NC-SA)

Mari atingiu o seu auge durante o reinado de Zimri-Lim (1775-1761 a.C.), que se aliou a Hamurabi da Babilônia, que então se voltou contra ele e destruiu a cidade por volta de 1761 a.C. O sistema de canais em ruínas transbordou, amolecendo as fundações de tijolos de barro dos edifícios e causando seu colapso.

Embora o local tenha continuado a ser habitado até o século III a.C., já estava em ruínas por volta de 1757 a.C. Hoje, o local é mais conhecido pelas Tábuas de Mari, entre 15.000 e 25.000 tábuas de argila cozidas nas fogueiras da queda da cidade e tão perfeitamente preservadas, como também aconteceu em Nínive com a biblioteca de Assurbanípal.

Lagash (cerca 2900 a 2750/2700 a.C.)

Lagash (atual Al-Shatrah, Iraque) cresceu de um pequeno assentamento no Período de Uruque para uma cidade no Período Dinástico Inicial I. Prosperou por meio do comércio devido à sua posição favorável entre os rios Tigre e Eufrates e por canais que levavam água para a cidade e depois para valas de irrigação menores que incentivavam colheitas abundantes.

Muitas das tabuletas encontradas nas ruínas da cidade atestam grandes projetos de construção, incluindo templos, palácios e canais. A cidade caiu pela primeira vez sob o domínio do rei Lugalzagesi de Uruque, por volta de 2350 a.C., foi reconstruída por Sargão de Acádia e atingiu seu auge durante o reinado de Gudea (por volta de 2144-2124 a.C.). Gudea dedicou-se à construção de santuários e templos e é mencionado no texto de A Construção do Templo de Ningirsu, no qual a deusa Nanshe interpreta seu sonho de construir um templo para Ningirsu, a divindade padroeira da cidade (semelhante a Ninurta), juntamente com a deusa mãe Bau/Babu.

Gudea of Lagash
Gudea de Lagash Jastrow (Public Domain)

Lagash aliou-se a Ur durante o Período Ur III e, quando essa cidade, caiu por volta de 1750 a.C., Lagash começou a declinar. Foi abandonada por volta de 1600 a.C.

Assur/Ashur (cerca 2900 a cerca 2750/2700 e cerca 1900 a.C.)

Assur (também grafado como Ashur, moderna Qal'at Sherqat, distrito de al-Shirqat, Iraque) foi estabelecida durante o Período Dinástico Inicial I, serviu como posto avançado e centro comercial do Império Acádio e continuou a prosperar por meio do comércio durante o Período Ur III. Estava comercialmente ligada ao famoso centro comercial de Karum Kanesh, na Anatólia (Ásia Menor), e se beneficiava das peregrinações religiosas e oferendas ao deus patrono Assur e à deusa Ishtar.

Por volta de 1900, a geração mais famosa da cidade foi estabelecida sob o domínio assírio, que a tornou a sua capital. Todos os grandes reis assírios lançaram as suas campanhas militares a partir de Assur e trouxeram de volta os despojos das suas conquistas para abastecer o tesouro da cidade. Os reis assírios também foram sepultados na cidade, com exceção de Sargão II, cujo corpo foi perdido em batalha.

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Sargon II Wall Relief
Relevo de Parede de Sargão II Jastrow (Public Domain)

Mesmo depois de o rei Assurbanípal II (884-859) ter transferido a capital para Kalhu, Assur continuou a ser importante um centro comercial, cultural e religioso até ser saqueada em 612 a.C. pela coalizão de babilônios, medos e persas, que também conquistaram as outras grandes cidades neoassírias. Assur foi tomada pelo Império Romano por volta de 116 a.C. e destruída pelos persas sassânidas sob o comando de seu rei Ardashir I (reinado de 224 a 240 a.C.), mas permaneceu povoada até o século XIV, quando foi abandonada.

Acádia (2350/2334 a.C.)

Acádia ou Ágade (localização atual desconhecida) acredita-se que tenha sido construída por Sargão de Acádia por volta de 2350/2334 a.C., embora ele possa ter apenas restaurado uma cidade anterior no mesmo local. Antes da ascensão de Sargão, Lugalzagesi de Uruque havia conquistado a Suméria, e Sargão, aprendendo com essas campanhas, derrotou Lugalzagesi e fundou o primeiro império multinacional do mundo, abrangendo o atual Iraque, a Jordânia, o Kuwait, parte do Líbano, a Síria, parte da Ásia Menor e possivelmente até Creta.

A cidade tornou-se fabulosamente rica e atingiu o seu auge sob o reinado do neto de Sargão, Naram-Sin (2254-2218), o maior dos reis acádios. A divindade padroeira da cidade era Ishtar, a quem se atribuíam as vitórias dos reis e a prosperidade da cidade. O Império Acádio proporcionou a estabilidade que possibilitou o desenvolvimento das artes e das ciências, mas, ao mesmo tempo, foi assolado por rebeliões ao longo da sua história, lideradas por cidades-estado e regiões que se opunham às suas políticas autoritárias.

Akkadian Ruler
Governante de Acádia Sumerophile (Public Domain)

De acordo com os escribas sumérios posteriores, Acádia caiu sob o domínio dos gutianos invasores por volta de 2154 a.C. Estudos modernos, no entanto, sugerem que as mudanças climáticas enfraqueceram a cidade e o seu império, permitindo a vitória dos gutianos, o que teria sido impossível em períodos anteriores de sua história.

Babilônia (cerca 2350 a.C.)

A Babilônia (Babilónia - atual Hilla, Iraque) é facilmente a cidade mesopotâmica mais famosa devido à sua menção na Bíblia. Originalmente, era uma pequena cidade estabelecida em algum momento durante o período acádio, sendo centro religioso e cultural na época do rei acádio Shar-Kali-Sharri (2217-2193 a.C.). A cidade atingiu seu auge durante o reinado de Hamurabi, que fez da Babilônia a capital de seu império e a maior cidade do mundo na época, com população estimada em mais de 200.000 pessoas.

Após Hamurabi, a cidade entrou em declínio, mas se recuperou durante o Período Assírio Médio (cerca de 1365-1053 a.C.) e, na época do Império Neoassírio, era forte o suficiente para oferecer resistência aos governantes assírios. Foi completamente destruída pelo rei neoassírio Senaqueribe, em 689 a.C. (o que levou ao seu assassinato) e reconstruída por seu filho, Assaradão.

Ishtar Gate (Artist's Impression)
Porta de Ishtar (Concepção Artística) Mohawk Games (Copyright)

Após a queda do Império Neoassírio, em 612 a.C., a Babilônia floresceu novamente durante o reinado de Nabucodonosor II (604-561 a.C.), que revitalizou a cidade e construiu o famoso Portão de Ishtar. Ele também é creditado com a conclusão do grande zigurate (o Etemenanki - "Casa da Fundação do Céu e da Terra"), que se acredita ter inspirado a Torre de Babel bíblica, e também com a construção dos Jardins Suspensos da Babilônia (que, como observado, podem na verdade ter estado em Nínive).

A cidade continuou a florescer sob o Império Aquemênida depois de ser conquistada por Ciro, o Grande, em 539 a.C., mas entrou em declínio após a morte de Alexandre, o Grande, que havia conquistado a região. A Babilônia nunca mais atingiu seu auge anterior e declinou lentamente até ser abandonada no século VII a.C.

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Perguntas & Respostas

Quais foram algumas das maiores cidades da antiga Mesopotâmia?

Entre as maiores cidades da antiga Mesopotâmia estavam Eridu, Uruque, Ur, Nínive, Babilônia, Acádia, Assur, Quis, Nipur, Lagash, Mari e Sippar.

Quais são algumas das cidades mais antigas da antiga Mesopotâmia?

Entre as cidades mais antigas da antiga Mesopotâmia estão Eridu, Uruque, Nínive, Quis, Nipur e Ur.

Qual cidade da antiga Mesopotâmia incentivou a urbanização?

Uruque, a cidade mais poderosa da Mesopotâmia no seu auge, incentivou a urbanização, o que levou à proliferação de cidades por toda a região.

Por que é que as cidades da antiga Mesopotâmia entraram em declínio?

Os motivos para o declínio das cidades da antiga Mesopotâmia são variados e debatidos, mas os mais comuns incluem o uso excessivo da terra, o esgotamento dos recursos, as mudanças climáticas, a alteração do curso dos rios e as guerras.

Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2026, abril 01). 12 Grandes Cidades da Mesopotâmia Antiga: Ascensão e Queda das Primeiras Cidades do Mundo. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2900/12-grandes-cidades-da-mesopotamia-antiga/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "12 Grandes Cidades da Mesopotâmia Antiga: Ascensão e Queda das Primeiras Cidades do Mundo." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, abril 01, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2900/12-grandes-cidades-da-mesopotamia-antiga/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "12 Grandes Cidades da Mesopotâmia Antiga: Ascensão e Queda das Primeiras Cidades do Mundo." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 01 abr 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2900/12-grandes-cidades-da-mesopotamia-antiga/.

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