Escribas na Antiga Mesopotâmia

O Início da História
Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Os escribas na antiga Mesopotâmia eram indivíduos com um elevado nível de instrução, formados na escrita e leitura de diversos temas. Inicialmente, o seu propósito era registar transacções financeiras através do comércio, mas, com o tempo, tornaram-se fulcrais em todos os aspetos da vida quotidiana, desde o palácio e o templo até à mais modesta aldeia ou quinta. Eventualmente, criaram o que é hoje conhecido como História.

Sumerian Scribe
Escriba Sumério Osama Shukir Muhammed Amin (CC BY-SA)

A escrita foi inventada na Suméria, Mesopotâmia, por volta de 3600/3500 a.C., sob a forma de escrita cuneiforme, e aperfeiçoada cerca de 3200 a.C. na cidade suméria de Uruque (Uruk). Para se tornar um escriba, era necessário aprender a fabricar a sua própria tábua de escrita, dominar os 600 caracteres do cuneiforme e também ser instruído em vários campos do saber, incluindo agricultura, botânica, negócios e finanças, construção, matemática, política, religião e muitos outros.

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Os escribas eram quase sempre filhos da classe alta e da nobreza, mas, pelo Período Acádio (cerca de 2350/2334 a 2154 a.C.), existem evidências de escribas femininas, sendo a mais famosa Enheduana (cerca de 2300 a.C.), filha de Sargão de Acádia (Sargão, o Grande, reinado 2334-2279 a.C.). Após o período acádio, a escrita cuneiforme foi usada principalmente para escrever em acádio, mas um escriba ainda precisava de saber sumério, o qual, embora se tenha tornado uma língua morta, continuou a influenciar o acádio da mesma forma que o latim ou o sânscrito influenciam as línguas modernas.

Após a queda do Império Acádio, as outras civilizações da Mesopotâmia — incluindo os assírios, babilónios, hititas, cassitas e outros — utilizaram a escrita cuneiforme para escrever as suas próprias línguas, mas o escriba ainda precisava de saber sumério e acádio e continuava a copiar documentos do passado. Através desta prática, os escribas da antiga Mesopotâmia criaram a História ao preservarem o passado de forma escrita.

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A Escrita e as Escolas

A escrita foi inventada pelos sumérios em resposta ao comércio de longa distância. À medida que as cidades se desenvolviam durante o Período de Uruque (cerca de 4000-3100 a.C.) e as rotas comerciais se expandiam para mais longe dos centros de produção, os mercadores precisavam de ser capazes de comunicar de forma clara com os seus mercados. Antes de cerca de 3500 a.C., tal era conseguido através de bullae, bolas de argila nas quais eram cozidas fichas que representavam um determinado tipo de produto e a sua quantidade (como cinco fichas de cor clara representando cinco ovelhas, ou três fichas mais escuras significando sacas de cereais), as quais eram marcadas por um selo cilíndrico que identificava o vendedor.

Pela altura do Período Dinástico Inicial, tinham-se desenvolvido escolas formais que estavam em funcionamento por toda a Suméria.

O selo de estampa levou ao desenvolvimento do selo cilíndrico, mais intrincado, por volta de 7600 a.C., que passou a ser utilizado como uma forma de identificação pessoal. No entanto, a quantidade de informação que podia ser transmitida pelas bullae, pelo selo de estampa e pelo selo cilíndrico era limitada, e por isso a escrita desenvolveu-se sob a forma de pictogramas — símbolos que representam objectos — que, com o tempo, se tornaram fonogramas — símbolos que representam sons — e, depois, logogramas — sinais que representam palavras.

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Uma vez estabelecido um sistema de escrita, este precisava de ser preservado e, por isso, foram estabelecidas escolas, inicialmente em casas particulares, onde um escriba ensinaria aos alunos esta nova competência. Pela altura do Período Dinástico Inicial (cerca de 2900 a cerca de 2350/2334 a.C.), tinham-se desenvolvido escolas formais que estavam em funcionamento por toda a Suméria.

A escrita centrou-se, ao início, inteiramente em temas administrativos e financeiros relativos ao comércio. No entanto, à medida que a escrita cuneiforme se desenvolveu a sua função expandiu-se para incluir a comunicação de conhecimentos em muitas áreas diferentes. Um escriba não precisava apenas de saber escrever com precisão os caracteres da escrita, mas tinha de possuir conhecimentos sobre o que estava a ser escrito, e isto deu origem à escola de escribas suméria, a edubba ("Casa das Tábuas"), cujo programa educativo continuaria ao longo da história da Mesopotâmia.

O Currículo

Os alunos, inicialmente todos do sexo masculino — a menos que uma família da classe alta quisesse que a sua filha seguisse uma carreira que exigisse literacia —, frequentavam as aulas do amanhecer ao anoitecer. O corpo discente era composto por filhos da nobreza, de escribas, do clero e da classe mercantil. A educação era voluntária e cara — o pai do aluno pagava as propinas e os materiais — e, por isso, era negada aos filhos das classes baixas. A excepção eram os escravos — tanto homens como mulheres —, que por vezes eram enviados pelos seus senhores para adquirirem competências literárias por diversos motivos. A maioria dos alunos era matriculada numa escola por volta dos oito anos de idade e iniciava o ensino aprendendo a fabricar uma tábua de escrita e a utilizar correctamente um estilete. Os alunos licenciavam-se da escola, de um modo geral, por volta do início dos seus vinte anos.

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Cuneiform Tablet with Envelope from Alalakh
Tábua Cuneiforme com Invólucro de Alalaque Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

O cuneiforme era escrito através de impressões em forma de cunha em argila húmida, mas, ao contrário das escritas e materiais de escrita modernos, a tábua tinha de ser moldada pelo próprio escritor e seria depois rodada em diferentes direções numa mão, enquanto se gravavam as impressões com a outra, utilizando o estilete (geralmente uma cana afiada, que o escriba também fabricava). As tábuas podiam ter o tamanho da mão de uma pessoa ou ser consideravelmente maiores. Após aprenderem os aspetos básicos da técnica, os alunos iniciavam o processo de copiar e memorizar os diferentes sinais que compunham as palavras e as frases.

De acordo com o académico A. Leo Oppenheim, conforme apresentado pelos assiriólogos Megan Lewis e Joshua Bowen, do projecto do sítio Digital Hammurabi, existiam quatro tipos de tábuas, que representavam os quatro estágios do progresso do aluno:

  • Tipo 1: tábuas grandes com várias colunas
  • Tipo 2: tábuas de 2 colunas para instrutor-aluno
  • Tipo 3: tábuas de 1 coluna com cerca de 25% de uma composição
  • Tipo 4: tabuinhas lenticulares com escrita básica

Tábuas escavadas em sítios no actual Iraque e Síria, bem como outras evidências, incluindo textos sobre educação, permitiram aos académicos reconstruir as quatro etapas do programa educativo de um aluno:

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  • Etapa 1: Tábua de Tipo 4 – Tábuas em forma de "lentilha" com exercícios de escrita simples, concebidas para ensinar o aluno a fazer as cunhas e os sinais de forma correta.
  • Etapa 2: Tábua de Tipo 2 – O instrutor escrevia no lado esquerdo da tábua e o aluno copiava esse texto no lado direito, apagando frequentemente os erros – pelo que o lado direito das tábuas encontradas na atualidade é geralmente mais fino do que o esquerdo, devido à perda de argila. O verso da tábua continha texto que já tinha sido concluído e memorizado ou, por outras palavras, uma lição anterior.
  • Etapa 3: Tábua de Tipo 3 – Estas tábuas contêm um quarto ou mais de uma composição longa que já tinha sido concluída e memorizada.
  • Etapa 4: Tábua de Tipo 1 – Composições completas eram criadas de memória e demonstram um domínio total da escrita cuneiforme.

Assim que a escrita era dominada e os alunos instruídos em leitura, matemática, história e outras matérias, eles avançavam para a Tétrade (grupos de quatro composições) de maior dificuldade, que copiavam repetidamente, memorizavam e recitavam. O curso de estudo seguinte era a Década (grupos de dez composições) de dificuldade ainda superior. As composições da Tétrade incluíam obras como o Hino a Nisaba (deusa suméria da escrita), que é um cântico de louvor direto. A Década incluía obras mais complexas e subtis, tais como Gilgamesh e Huwawa e a Canção da Enxada, que exigiam uma compreensão mais firme do estilo e da interpretação.

Assim que estas eram dominadas, o aluno era obrigado a lidar com textos ainda mais complicados, tais com Schooldays, (Dias de Escola), O Debate Entre a Ovelha e o Grão e A Supervisor's Advice to a Young Scribe (Conselho de um Supervisor a um Jovem Escriba), entre muitos outros. Após concluir esta última etapa, o aluno licenciava-se como escriba. O académico Stephen Bertman comenta o objetivo final do currículo:

A educação formal envolvia o domínio da literacia (para tarefas como a manutenção de registos comerciais, a redação e leitura de contratos, a composição de cartas, o envio de mensagens militares, a recitação de orações e encantamentos e a compreensão de textos médicos), bem como o domínio da numeracia (para trabalhos como a medição de parcelas de terra e da sua produção, a determinação de impostos, a projeção de mantimentos para uma campanha militar, o cálculo da quantidade de terra necessária para construir uma rampa de cerco, a estimativa do número de tijolos necessários para erguer um novo palácio ou a realização de cálculos celestiais). Por fim, seria necessário dominar o vocabulário especializado em áreas como a astronomia, geografia, mineralogia, zoologia, botânica, medicina, engenharia e arquitetura.

(págs. 302-303)

A partir do Período Acádio, os alunos também precisavam de dominar o sumério e o acádio, bem como a sua própria língua. Após a licenciatura, o escriba era formalmente conhecido em sumério como dub.sar ("escritor de tábuas", literalmente de dub=tábua e sar=escritor) ou, em acádio, assírio e babilónio, como um tupshar (também grafado como tupsharru), que significava a mesma coisa. O reitor de uma escola suméria era conhecido como o ummia ("perito" ou "mestre professor"), mas uma variação deste termo também parece ter sido aplicada a um escriba com elevada instrução na corte ou no templo. No Período Hitita Posterior, o título tornou-se gal dubsar ("chefe dos escribas"), e era um dos cargos mais importantes no governo, tal como seria no período assírio, quando a posição de tupsar ekalli ("escriba do palácio") era apenas superada pela do rei.

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A Vida do Escriba

Ao longo da longa história da Mesopotâmia, começando no Período Dinástico Inicial até ao Império Sassânida (224-651), os escribas foram referenciados com o mais elevado respeito. Muito antes do tempo do Império Neobabilónico (séculos VII a VI a.C.), durante o qual os escribas eram frequentemente mencionados com grande reverência como servos do deus da escrita Nabu (que tinha substituído a deusa Nisaba), os escribas eram reconhecidos como uma classe social de elite. Para atingir esta posição, no entanto, era necessário estar totalmente empenhado na sua educação e estar disposto a suportar castigos corporais diários às mãos dos professores.

Schooldays (Dias de Escola) e A Supervisor's Advice to a Young Scribe (Conselho de um Supervisor a um Jovem Escriba), ambos poemas sumérios bem conhecidos, detalham os desafios que um aspirante a escriba enfrentava no decurso da sua educação. Ambas as obras são entendidas como sátira mas, como qualquer sátira, estão enquadradas na realidade da situação de que se estão a rir. Em Schooldays (Dias de Escola) , o aluno relata como é espancado diariamente pelos seus professores por infrações que vão desde o atraso à má caligrafia (ter "mão ruim"), a levantar-se ou falar sem autorização, má postura, ausência não autorizada e sair da escola mais cedo sem permissão. O aspeto satírico da obra é a forma como ele resolve o problema: consegue que o pai suborne o professor com um jantar faustoso e presentes finos para lhe dar as melhores notas e menos espancamentos.

Os escribas eram geralmente pagos em cereal, cerveja ou o que quer que uma pessoa pudesse oferecer de valor.

Em A Supervisor's Advice to a Young Scribe (Conselho de um Supervisor a um Jovem Escriba) o professor relata como um aluno deve fazer exactamente o que lhe é instruído pelo seu mentor, não descansando nem mesmo à noite, no domínio do ofício, e deve aprender e obedecer a cada regra sem questionar. As regras da edubba, por mais severas que pudessem ter parecido, foram concebidas para encorajar a disciplina e o foco nos alunos, e o professor enfatiza estes aspectos.

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Quando o jovem escriba no poema, um recém-licenciado, responde ao professor, ele relata todas as tarefas que desempenhou bem ao serviço do seu mentor, incluindo a gestão dos seus assuntos domésticos, o pagamento do seu pessoal, a preparação de oferendas para o templo, a supervisão de produtos agrícolas e trabalhadores, e a garantia do controlo de qualidade. É apenas depois de o aluno ter deixado claro quão bem absorveu e praticou as lições do seu professor que ele recebe a bênção do seu mentor (supervisor) como escriba. Nesta obra, a sátira reside na forma como o aluno se tornou, essencialmente, o escravo do professor para poder receber uma educação.

Uma vez graduado, o escriba podia trabalhar directamente para o rei, na burocracia do palácio, no complexo do templo, em negócios privados, no exército, em empresas de construção, no comércio, como diplomata ou como professor, médico, dentista ou qualquer outra ocupação que exigisse literacia. Nas pequenas vilas e aldeias, o escriba redigia cartas pessoais para a população e assegurava que esta enviava a quantidade adequada de cereais ou outros produtos como impostos. Também auxiliava no projecto e nos cálculos para a construção de edifícios e canais de irrigação, ou em disputas de terras entre agricultores relativas a demarcações de fronteiras. Os escribas eram habitualmente pagos em cereal, cerveja ou qualquer outro bem de valor que uma pessoa pudesse oferecer.

Os Escribas Famosos

Uma vez que a maioria da população era analfabeta, as competências do escriba eram muito procuradas. Os escribas são por vezes descritos como "aqueles que nunca passam fome", e muitos estavam entre as pessoas mais poderosas da cidade. O escriba Azi (2500 a.C.) é conhecido como um escriba popular na cidade de Ebla (na actual Síria) e era conhecido como dub.zu.zu ("Aquele que Conhece as Tábuas"), sugerindo que seria um "chefe dos escribas" mas, talvez, ainda mais instruído e qualificado.

Enheduanna era a alta sacerdotisa do complexo do templo de Ur, o cargo religioso mais poderoso da cidade. Ela não só teria mantido os registos do templo, como também é famosa pela sua poesia original, orações e hinos dedicados à deusa Inanna (mais tarde conhecida como Ishtar). Enheduanna é, de facto, a primeira autora no mundo conhecida pelo nome, e as suas obras influenciariam as de escritores posteriores, incluindo os escribas hebreus que escreveram os Salmos da Bíblia.

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Disk of Enheduanna
Disco de Enheduanna Zunkir (CC BY)

O escriba Arad-Nanna, do período de Ur III (cerca de 2112 a cerca de 2004 a.C.), foi também uma figura poderosa na cidade. Embora servisse tecnicamente os reis da Terceira Dinastia de Ur, o seu selo cilíndrico mostra-o a aproximar-se da figura real no trono como um igual, enquanto uma figura de uma deusa, de pé atrás dele, é representada numa pose de reverência e respeito. Shulgi de Ur (reinado de 2094 a cerca de 2046 a.C.) também era conhecido como um escriba que escrevia poesia e incentivava a literacia e a criação de escolas em todo o seu reino.

Outro escriba influente foi o babilónio Shin-Leqi-Unninni (que escreveu nos anos de cerca de 1300-1000 a.C.), que se baseou em poemas sumérios anteriores sobre a vida do herói Gilgamesh para criar a primeira narrativa épica da literatura mundial, A Epopeia de Gilgamesh. A sua obra viria também a influenciar alguns dos poemas mais famosos do mundo, incluindo, segundo alguns académicos, a Ilíada de Homero.

No entanto, a maioria dos escribas criava as suas obras anonimamente e desconhecem-se os seus nomes. Por volta de 2600 a.C., contudo, os escribas passariam por vezes a assinar o seu nome numa obra, ou o seu nome seria registado por outrem devido a um determinado feito. Uma lista de nomes de escribas encontrada nas ruínas de Nínive relata como estes foram responsáveis por copiar e editar as obras reunidas pelo rei neoassírio Assurbanípal (que também recebeu formação como escriba) para a sua biblioteca. Estes escribas seriam comparáveis ao sepiru ("escriba-intérprete") do período neobabilónico, que trabalhava para o Estado, para o templo ou para cidadãos privados abastados, interpretando, copiando e criando livros.

Conclusão

Com o tempo, e relativamente cedo na Suméria, os escribas tornaram-se autores – criadores de obras originais – de hinos a várias divindades e de poemas sobre elas, incluindo os de Gilgamesh e Inanna. Os escribas eram responsáveis pelas inscrições dos reis e pela criação de naru – uma estela gravada que relatava os eventos do reinado de um monarca – e tornaram-se, assim, os guardiões da História. Em algum momento por volta do segundo milénio a.C., a criação de uma naru fundiu-se com as energias criativas dos escribas para produzir um género de obra conhecido como literatura naru mesopotâmica, que apresentava um rei num cenário fictício.

Epic of Gilgamesh Tablet from Hattusa
Tábua da Epopeia de Gilgamexe de Hatusa Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Algumas das obras mais famosas deste género encontram-se também entre as mais conhecidas de toda a literatura mesopotâmica: a Lenda de Sargão de Acádia, a Maldição de Agade, a Lenda de Cutha e a Epopeia de Gilgamesh. Em todas estas e outras, uma grande figura histórica enfrenta um desafio que não enfrentou, ou pode não ter enfrentado, na realidade, e o propósito do escriba na obra era transmitir algum valor moral, religioso ou cultural central. Desta forma, os escribas mesopotâmicos criaram a primeira ficção histórica, mas, antes de o poderem fazer, tiveram de criar a história.

Antes da invenção da escrita, quaisquer eventos que transcorressem eram preservados pela tradição oral, que poderia alterar detalhes a cada nova narração. Após o desenvolvimento da escrita, tornou-se possível fixar os eventos numa forma que pudesse ser lida repetidamente da mesma maneira. Os eventos do passado estavam agora acessíveis às pessoas no presente, incentivando o desenvolvimento da cultura, de práticas linguísticas padronizadas e de tradições sociais e religiosas. As histórias originais elaboradas pelos escribas imprimiam os valores da cultura naqueles que as ouviam ler, levando ao desenvolvimento da identidade pessoal e comunitária e, finalmente, à História do povo, que, com o tempo, veio a ser conhecida como História – um conceito desconhecido antes do trabalho do escriba mesopotâmico.

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Perguntas & Respostas

Quando foram estabelecidas as escolas de escribas na antiga Mesopotâmia?

As escolas de escribas foram estabelecidas por volta do Período Dinástico Inicial, cerca de 2900 a 2350/2334 a.C. Continuariam ao longo da história da Mesopotâmia até à queda do Império Sassânida, no ano de 651 d.C.

Quais eram as responsabilidades dos escribas na antiga Mesopotâmia?

Os escribas na Mesopotâmia foram inicialmente incumbidos de registar transacções comerciais e de manter registos. Eventualmente, tornaram-se uma parte integrante da vida quotidiana e estiveram envolvidos no comércio, na correspondência real, na manutenção de registos no complexo do templo, em assuntos militares, na correspondência de longa distância, na construção de novos edifícios e em questões agrícolas, entre muitas outras tarefas. Também criaram composições originais e, essencialmente, criaram o que conhecemos como história.

Quem foram os escribas mais famosos da antiga Mesopotâmia?

Alguns dos escribas mais famosos da antiga Mesopotâmia foram Azi de Ebla, Enheduana de Ur, Arad-Nanna de Ur, Shulgi de Ur, Assurbanípal da Assíria e Sin-leqi-unninni da Babilónia, que compilou e compôs a versão padrão de 'A Epopeia de Gilgamesh'.

Como eram pagos os escribas na antiga Mesopotâmia?

Os escribas, tal como todos os outros na antiga Mesopotâmia, eram pagos em bens e não em moeda. Eram habitualmente pagos com uma quantidade de cereais, cerveja, produtos agrícolas ou qualquer outra coisa de valor.

Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2023, março 16). Escribas na Antiga Mesopotâmia: O Início da História. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-249/escribas-na-antiga-mesopotamia/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Escribas na Antiga Mesopotâmia: O Início da História." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, março 16, 2023. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-249/escribas-na-antiga-mesopotamia/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Escribas na Antiga Mesopotâmia: O Início da História." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 16 mar 2023, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-249/escribas-na-antiga-mesopotamia/.

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