Tarento

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Mark Cartwright
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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Silver Stater of Tarentum (by Mark Cartwright, CC BY-NC-SA)
Moeda Estáter de Prata de Tarento Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Tarento (Taras, para os gregos; Tarentum, para os romanos; a moderna Taranto), localizada na costa sul da Apúlia, Itália, foi uma cidade grega e, posteriormente, romana. Controlando vasta área da Magna Grécia e liderando a Liga Italiota, Tarento, com seu excelente porto, foi uma cidade de importância estratégica ao longo da Antiguidade. Assim, desempenhou papel fundamental nas guerras entre Pirro e Roma no século III a.C. e novamente durante a Segunda Guerra Púnica, quando Aníbal ocupou o sul da Itália. Embora pouco reste hoje dos edifícios da antiga Tarento, o museu da cidade possui uma das maiores coleções de cerâmica grega do mundo e abriga muitos belos bronzes, joias de ouro e mosaicos de piso.

Visão geral histórica

Fundação

Tarento foi uma colônia fundada por Esparta no século VIII a.C., como parte da onda de colonização grega da região que viria a ser conhecida como Magna Grécia. Segundo a tradição, a cidade foi fundada em 706 a.C. pelo herói espartano Falanto. Os primeiros colonizadores também seriam descendentes de mulheres espartanas e hilotas (trabalhadores agrícolas semi-escravizados que serviam a seus senhores espartanos). No entanto, evidências arqueológicas apontam para um assentamento neolítico muito mais antigo, seguido por uma presença micênica na área durante a Idade do Bronze.

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MERCADORIAS E MOEDAS DE TARENTO FORAM ENCONTRADAS EM ESCAVAÇÕES AO LONGO DE TODA A COSTA SUL E ADRIÁTICA DA ITÁLIA.

Uma Cidade Próspera

Situada na costa e com o melhor porto do golfo de Tarento, a cidade prosperaria e se tornaria um dos centros comerciais mais importantes da região. O crescimento da cidade a colocou em conflito com rivais locais, como Metaponto, na outra extremidade do golfo, mas Tarento obteve importantes vitórias sobre tribos locais (os messápios e os peucetos) em 490 e 480 a.C. Essas batalhas foram comemoradas em homenagens feitas em Delfos, embora a paz não tenha durado muito, já que os messápios infligiram séria derrota a Tarento, por volta de 475 a.C., em uma batalha descrita por Heródoto como um "grande banho de sangue" (7.170.3). Uma consequência da fraqueza militar da cidade foi a derrubada da classe dominante, que foi substituída por um sistema de democracia limitada.

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Bronze Zeus, Tarentum
Zeus em Bronze, Tarento Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

A sorte de Tarento melhorou no final do século V a.C., e a cidade cresceu para cerca de 530 hectares, expandindo seu território periférico. Essa expansão foi facilitada pelo declínio de sua antiga rival, Crotona, mais ao sul da costa da Itália. Mercadorias e moedas de Tarento (incluindo moedas estáteres de prata com sua figura masculina característica montando um golfinho) foram escavadas ao longo de toda a costa sul e adriática da Itália, ilustrando a prosperidade e a capacidade comercial da cidade. Grandes santuários e cemitérios também atestam o crescimento da cidade durante a segunda metade do século V a.C. A cidade chegou a fundar a sua própria colônia a oeste, Heracleia, em 433 a.C. Por volta de 400 a.C., Heracleia tornou-se a sede da Liga Italiota, uma associação de cidades-estado do sul da Itália, dominada por Tarento.

Durante o século IV a.C., o governo de Tarento foi dominado pelo pensamento pitagórico (Pitágoras havia fundado sua escola mais ao sul da costa) e por um homem em particular, Arquitas (cerca de 400-350 a.C.). O célebre matemático, pitagórico e estadista, foi eleito general sete vezes e provavelmente forjou aliança com Siracusa, a poderosa cidade-estado da Sicília, o que permitiu a Tarento expandir-se ainda mais numa época em que Dionísio I, o tirano de Siracusa, saqueava cidades no sul da Itália. Na segunda metade do século IV a.C., Tarento lutou para manter sua posição de domínio regional e enfrentar a crescente ameaça dos messápios e lucanos, contratando exércitos mercenários, muitas vezes liderados por generais de Esparta e do Epiro. No entanto, no século III a.C., um inimigo muito mais perigoso rondava a Magna Grécia: Roma.

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Pirro e Roma

Felizmente para Tarento, um poderoso aliado estava à disposição para salvá-la da ocupação romana. O grande general e rei do Epiro, Pirro, atendeu a um pedido de ajuda da cidade quando esta estava sob iminente ataque romano, em 280 a.C. Pirro cruzou o Adriático com seu exército de 25.000 soldados de infantaria e, empregando 20 elefantes de guerra e uma força de cavalaria superior de 3.000 homens, venceu batalhas contra os exércitos romanos em Heracleia, em 280 a.C., e em Áusculo, em 279 a.C. As vitórias, contudo, tiveram um alto custo em vidas de ambos os lados e essas batalhas não foram decisivas, daí a expressão duradoura "vitória de Pirro". Mais importante para Tarento, Pirro logo foi forçado a deixar a região e enfrentar a crescente ameaça de Cartago aos seus interesses na Sicília. Com o campo agora livre, Roma ocupou a cidade em 270 a.C. e, a partir de então, Tarento tornou-se aliada da potência dominante da península.

Pyrrhic War
Guerra Pírrica Piom (CC BY-SA)

Aníbal e Roma

A região tornou-se mais uma vez o campo de batalha mais importante do Mediterrâneo quando Aníbal invadiu a Itália na Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.). Tarento, como a maioria das cidades do sul da Itália, aliou-se a Cartago, mas a acrópole e o porto de Tarento foram, no entanto, ocupados por Roma. Aníbal procurou desesperadamente um porto de onde seu exército pudesse ser reabastecido com suprimentos da África, mas não conseguiu tomar Tarento e só conseguiu ocupar a cidade periférica.

Durante o caos das Guerras Púnicas, houve uma breve tentativa de recuperar a independência da cidade, em 213 a.C., quando vários aristocratas derrubaram o governo. Foi rebelião de curta duração e a cidade voltou a ficar totalmente sob controle romano em 209 a.C., quando foi capturada por Quinto Fábio Máximo. Quando Cipião Africano navegou para a África e atacou a própria Cartago, em 203 a.C., Aníbal foi chamado de volta da Itália para uma última defesa da pátria. Tarento ficou à mercê de Roma. Com suas terras bastante reduzidas e governada diretamente por um pretor romano, a cidade acabou recuperando seu antigo status de aliada formal por volta de 180 a.C. Com a extensão da Via Ápia até Brundísio (atual Brindisi), mais ao sudeste, Tarento perdeu sua posição como o principal porto do sul da Itália.

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Archaic Columns, Tarentum
Colunas Arcaicas de Tarento Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Tarento continuou como cidade modesta na República Romana e, em 122 a.C., foi fundada a colônia Neptúnia, que se tornaria parte de Tarento propriamente dita, em 89 a.C. Em 59 a.C., lotes de terra em Tarento foram dados a veteranos do Exército Romano e a cidade tornou-se cada vez mais romanizada. A cidade ainda produzia produtos para exportação, como lã, tecidos, corante púrpura de Tiro e alimentos. As evidências epigráficas, a densidade de habitações privadas e a presença de várias vilas grandes demonstram que a cidade permaneceu economicamente ativa e relativamente próspera durante o período imperial, tendo o imperador Nero (reinou 54-68 d.C.) concedido o estatuto de colônia.

Antiguidade Tardia

Judeus e cristãos tiveram forte presença em Tarento desde o século I, com um bispado estabelecido no século IV ou antes. Durante as invasões góticas, a cidade, apesar de suas novas fortificações, foi ocupada por Tótila, rei dos ostrogodos (reinou 541-552). O excelente porto da cidade nunca deixou de atrair a presença naval quando a oportunidade surgia, e Constante II, o imperador bizantino (reinou 641-668), enviou uma frota à Itália que desembarcou em Tarento em 661. Em 668, Tarento, ainda como sempre, uma aquisição estrategicamente útil para invasores, entrou na Idade Média com grande impacto quando o duque lombardo Romualdo saqueou a cidade.

Vestígios arqueológicos

Tarento já teve grandes complexos sagrados com templos impressionantes, mas devido ao fato de a cidade ter sido continuamente ocupada desde a antiguidade, a maior parte da arquitetura antiga em grande escala foi desmantelada e reutilizada em outros edifícios mais modernos. Uma exceção são as duas colunas maciças que outrora pertenceram a um templo arcaico dedicado a Poseidon. Essas colunas agora se encontram na esquina da praça municipal (não em sua localização original) e seu grande tamanho sugere a enormidade desse templo agora perdido.

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Gold Boat Earring, Tarentum
Brinco de Ouro em Forma de Barco de Tarento Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

O que Tarento pode não ter em arquitetura é mais do que compensado pela riqueza dos artefatos escavados no local, na paisagem rural circundante e no próprio porto. Muitos dos melhores e mais bem preservados exemplos de cerâmica de figuras negras e cerâmica de figuras vermelhas foram descobertos no local, e o magnífico museu MARTA de Taranto (Museu Arqueológico Nacional) possui uma coleção que rivaliza com a de Atenas e do Vaticano em abrangência e qualidade artística. As joias de ouro, como diademas, anéis, brincos e colares com decoração em filigrana e granulação minuciosa e elaborada, são outra rica fonte de evidências que apontam para a habilidade dos metalúrgicos de Tarento e a riqueza da cidade nos séculos IV e III a.C. Muitos dos artefatos provêm de túmulos, e nenhum é mais interessante do que o Túmulo do Atleta, o túmulo de um vencedor dos Jogos Olímpicos de Tarento, completo com seu disco, pesos e pontas de dardo e, comoventemente, o prêmio que ele ganhou em vida, a ânfora de figuras negras concedida a todos os vencedores.

Merecem destaque os muitos mosaicos de piso das residências romanas mais grandiosas da cidade. O maior e mais bem preservado é um mosaico do final do século II ou início do século III d.C., com quatro painéis principais representando o rapto de uma ninfa e cenas adicionais de um leopardo, um leão e um tigre caçando. Painéis laterais menores mostram pássaros e frutas.

Geometrical Mosaic, Tarentum
Mosaico Geométrico de Tarento Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Outro esplêndido mosaico de piso apresenta formas puramente geométricas e florais, com um grande círculo central cujo velário (cortina) dobrado adquire uma qualidade quase tridimensional graças ao uso de tesselas de diferentes tonalidades. Este mosaico perfeitamente quadrado data do século II e pertencia a uma casa romana, ou domus, no centro de Taranto.

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Por fim, uma das peças mais importantes da antiga Taranto, que recebe os visitantes do museu arqueológico, é uma estátua de bronze de Zeus. Datada de cerca de 530 a.C., a figura outrora segurava um raio em uma das mãos e uma águia na outra. A estátua foi originalmente colocada sobre um capitel dórico de mármore e ficava em um santuário da cidade dedicado ao chefe dos deuses olímpicos, uma poderosa lembrança das origens gregas de uma das cidades antigas mais ricas e influentes do sul da Itália.

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Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, junho 19). Tarento. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-397/tarento/

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Cartwright, Mark. "Tarento." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, junho 19, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-397/tarento/.

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Cartwright, Mark. "Tarento." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 19 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-397/tarento/.

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