Colonização Grega

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Mark Cartwright
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Temple of Hera, Selinus (by Mark Cartwright, CC BY-NC-SA)
Templo de Hera em Selinus Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

A partir de cerca de 800 a. C., as antigas cidades-Estado gregas, a maioria das quais eram potências marítimas, passaram a buscar territórios e recursos além da Grécia. Como consequência, fundaram colônias por todo o Mediterrâneo. O comércio normalmente era o primeiro passo no processo de colonização, e após a população local ser subjugada ou integrada à colônia, cidades eram estabelecidas.

Elas poderiam ter diferentes níveis de contato com a terra natal, mas a maioria se tornou cidades-Estado totalmente independentes, algumas fortemente marcadas pela cultura grega, outras, mais próximas culturalmente dos povos nativos vizinhos, que eram incluídos em sua cidadania. Uma das consequências mais importantes desse processo, em termos gerais, foi a circulação de mercadorias, pessoas, arte e ideias que difundiu o modo de vida grego para Espanha, França, Itália, o Mar Adriático, o Mar Negro e o Norte da África. No total, os gregos estabeleceram cerca de 500 colônias, reunindo até 60.000 colonos gregos, de modo que, por volta de 500 a. C., esses novos territórios contemplariam 40% de todos os gregos no mundo helênico.

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Oportunidades Comercias e de Recursos

Os gregos eram grandes navegadores e, ao percorrerem, o Mediterrâneo estavam ávidos por descobrir nossas terras e oportunidades. Até mesmo a mitologia grega trazia histórias de exploração, como a de Jasão em sua busca pelo Velocino de Ouro e a de Odisseu, um dos maiores heróis viajantes. Primeiro, as ilhas ao redor da Grécia foram colonizadas. A primeira colônia no Mar Adriático, por exemplo, foi Corcira (Corfu), fundada por Corinto em 733 a.C. (data tradicional). Depois disso, os gregos avançaram ainda mais em busca de novas terras. Em termos gerais, os primeiros colonos eram comerciantes e pequenos grupos de indivíduos que procuravam explorar novos recursos e começar uma nova vida longe de uma terra natal cada vez mais competitiva e superlotada.

O processo de colonização provavelmente foi mais gradual e orgânico do que fontes da Antiguidade sugerem.

Centro comerciais e mercado livres (emporia) foram os precursores das colônias propriamente ditas. Assim, entre meados do século VIII e meados do século VI a.C., as cidades-Estado gregas (poleis) e os grupos individuais começaram a expandir-se para além da Grécia, de forma mais deliberada e com objetivos a longo prazo. No entanto, o processo de colonização provavelmente foi mais gradual e orgânico do que fontes da Antiguidade sugerem. Também é difícil determinar o grau exato de colonização e integração com as populações locais. Em algumas áreas do Mediterrâneo foram estabelecidas poleis totalmente gregas, enquanto em outras havia apenas pontos comerciais, compostos por residentes temporários, como mercadores e marinheiros. O próprio termo "colonização" implica a dominação de povos indígenas, um sentimento de superioridade cultural por parte dos colonizadores, e uma terra natal com suas especificidades culturais, que controlam e orientam todo o processo. Esse não foi necessariamente o caso no mundo grego antigo e, por isso, nesse sentido, a colonização grega foi um processo muito diferente das políticas de, por exemplo, certas potências europeias nos séculos XIX e XX. Se trata nesse caso, de um processo melhor descrito como "contato cultural" (De Angelis in Boyes-Stones et al, 51).

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O estabelecimento de colônias por todo o Mediterrâneo permitiu a exportação de produtos de luxo, como cerâmica fina grega, vinho, azeite, artefatos de metal, tecidos, bem como a extração de recursos da terra - madeira, metais e produtos agrícolas (em especial, grãos, peixe desidratado e couro), por exemplo -, e essas colônias frequentemente se tornaram centros comerciais lucrativos e uma fonte de escravos. Uma cidade fundadora (metropolis) também poderia fundar uma colônia em uma determinada região, com o objetivo de estabelecer uma presença militar e proteger rotas marítimas lucrativas. Além disso, as colônias poderiam servir como um elo importante com oportunidades de comércio no interior. Algumas colônias chegaram a rivalizar com as maiores cidades fundadoras; Siracusa, por exemplo, acabou se tornando a maior polis de todo o mundo grego. Por fim, é importante destacar que os gregos não tinham exclusividade, e outras civilizações também estabeleceram colônias, especialmente os etruscos e os fenícios, e, em alguns momentos, inevitavelmente, conflitos eclodiam entre essas grandes potências.

Magna Grécia

Cidades gregas prontamente foram atraídas pela terra fértil, recursos naturais e bons portos do "Novo Mundo" - O sul da Itália e a Sicília. Os colonos gregos acabaram por subjugar a população local e imprimir sua identidade na região de tal maneira que ela passou a ser chamada de “Grande Grécia”, ou Megalē Hellas, e se tornaria a mais “grega” de todos os territórios colonizados, tanto em termos de cultura quanto de paisagem urbana, sendo os templos dóricos os símbolos mais marcantes da helenização. Algumas das poleis mais importantes na Itália foram:

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  • Cumas (a primeira colônia italiana, fundada por volta de 740 a.C por Cálcis e Cime)
  • Naxos (734 a.C, Cálcis)
  • Síbari (cerca de 720 a.C., Aqueia/Trezena)
  • Crotona (cerca de 710 a.C., Aqueia)
  • Tarento (706 a.C., Esparta)
  • Régio (cerca de 720 a.C., Cálcis)
  • Eleia (cerca de 540 a.C., Foceia)
  • Túrios (cerca de 443 a.C., Atenas)
  • Heracleia (433 a.C., Tarento)

Na Sicília as principais colônias incluíam:

  • Siracusa (733 a.C., fundada por Corinto)
  • Gela (688 a.C., Rodes e Creta)
  • Selinunte (c. 630 a.C.)
  • Himera (c. 630 a.C., Messana)
  • Agrigento (c. 580 a.C., Gela)
A localização geográfica das novas colônias, no centro do Mediterrâneo, permitia que prosperassem como centros comerciais entre as principais culturas da época.

A localização geográfica dessas novas colônias, no centro do Mediterrâneo, permitia que prosperassem como centros comerciais entre as principais culturas da época: as civilizações grega, etrusca e fenícia. E prosperaram de tal forma que escritores relatavam as vastas riquezas e os estilos de vida extravagantes ali encontrados. Empédocles, por exemplo, descreveu os cidadãos mimados e os belos templos de Akragas (Agrigento) na Sicília da seguinte forma: "os agrigentinos divertem-se como se fossem morrer amanhã, e constroem como se fossem viver para sempre". As colônias chegaram a estabelecer colônias secundárias e pontos comerciais e, dessa forma, expandiram ainda mais a influência grega, incluindo regiões mais ao norte da costa adriática da Itália. Até mesmo no norte da África foram estabelecidas colônias, notavelmente Cirene, fundada por Tera em 630 a.C, e tornou-se claro que os colonos gregos não se limitariam a Magna Grécia.

Greek and Phoenician Colonization
A Colonização Grega e Fenícia Kelly Macquire (CC BY-NC-SA)

Jônia

Os gregos criaram assentamentos ao longo da costa do Egeu na Jônia (ou Ásia Menor) a partir do século VIII a.C. Entre as colônias mais importantes estavam Mileto, Éfeso, Esmirna e Halicarnasso. Atenas tradicionalmente afirmava ser a primeira colonizadora da região, que também despertava grande interesse entre lídios e persas. A região se tornou um foco de acontecimentos culturais, em especial na ciência, matemática e filosofia, e gerou algumas das mentes gregas mais brilhantes. A arte e os estilos arquitetônicos também, assimilados do Oriente, passaram a influenciar a terra natal; elementos como capitéis de colunas em forma de palmeta, esfinges e expressivos designs de cerâmica “orientalizantes” inspiraram arquitetos e artistas gregos a explorar caminhos artísticos inteiramente novos.

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França e Espanha

A principal polis colonizadora do sul da França foi Foceia, que estabeleceu as importantes colônias de Alália e Massália (cerca de 600 a.C.). A cidade também fundou colônias, ou ao menos estabeleceu uma extensa rede comercial, no sul da Espanha. Entre as principais poleis fundadas na região estavam Ampúrias (por Massália tradicionalmente datada de 575 a.C., embora provavelmente tenha surgido várias décadas depois) e Rodes. As colônias na Espanha eram menos tipicamente gregas do que aquelas em outras áreas do Mediterrâneo, já que a competição com os fenícios era acirrada e a região sempre foi considerada, ao menos por fontes literárias gregas, como um território distante e remoto pelos gregos continentais.

O Mar Negro

O Mar Negro (Mar Euxino para os gregos) foi a última área da expansão colonial grega, onde as poleis jônicas, em especial, buscavam explorar as abundantes áreas de pesca e as terras férteis ao redor do Helesponto e do Ponto. A mais importante cidade fundadora foi Mileto, à qual a Antiguidade atribuía, talvez de forma exagerada, cerca de 70 colônias. As mais importantes foram:

• Cízico (fundada em 675 a.C.)
• Sinope (cerca de 631 a.C.)
• Panticapeu (cerca de 600 a.C.)
• Olbia (cerca de 550 a.C.)

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Mégara foi outra importante cidade-mãe e fundou Calcedônia (cerca de 685 a.C.), Bizâncio (668 a.C.) e Heracleia Pôntica (560 a.C.). Eventualmente, quase todo o Mar Negro ficou cercado por colônias gregas, ainda que, como em outras regiões, guerras, concessões, casamentos interétnicos e diplomacia tenham sido utilizados nas relações com os povos indígenas para garantir a sobrevivência das colônias.

Especialmente no final do século VI a.C., as colônias forneciam tributos e armas ao Império Persa em troca de proteção. Após a fracassada invasão da Grécia por Xerxes em 480 e 479 a.C., os persas perderam o interesse pela região, permitindo que poleis maiores, como Heracleia Pôntica e Sinope, ampliassem seu poder por meio da conquista de populações locais e de pequenas poleis vizinhas. A prosperidade resultante também permitiu que Heracleia fundasse suas próprias colônias na década de 420 a.C., em locais como Quersoneso, na Crimeia.

Desde o início da Guerra do Peloponeso, em 431 a.C., Atenas passou a demonstrar interesse pela região, enviando colonos e estabelecendo guarnições. Embora a presença física ateniense tenha sido breve, sua influência sobre a cultura (especialmente a escultura) e o comércio (principalmente o de grãos do Mar Negro) foi mais duradoura. Com a retirada definitiva de Atenas, as colônias gregas foram deixadas para se defender sozinhas e enfrentar as ameaças de potências vizinhas, como os citas reais e, posteriormente, a Macedônia e Filipe II.

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Greek & Phoenician Colonies
Colônias Gregas e Fenícias Benowar et al. (GNU FDL)

Relação com a Metrópole

A maioria das colônias foi organizada segundo o modelo político da polis grega, e os tipos de governo incluíam aqueles encontrados em toda a Grécia — oligarquia, tirania e até mesmo democracia — podendo ser bastante diferentes do sistema existente na cidade-mãe fundadora. Uma forte identidade cultural grega também foi mantida através da adoção de mitos fundadores e da disseminação de características essencialmente gregas da vida cotidiana, como a língua, a alimentação, a educação, a religião, os esportes, o ginásio e o teatro, com suas distintas tragédias e comédias gregas, além da arte, arquitetura, filosofia e ciência. Dessa forma, uma cidade grega na Itália ou na Jônia podia, ao menos superficialmente, parecer e comportar-se de maneira muito semelhante a qualquer outra cidade da Grécia. O comércio facilitou amplamente o estabelecimento de um modo de vida tipicamente grego. Mercadorias como vinho, azeitonas, madeira e cerâmica eram exportadas e importadas entre as poleis. Até mesmo artistas e arquitetos se deslocavam e estabeleciam oficinas longe de sua polis natal, fazendo com que templos, esculturas e cerâmicas se tornassem reconhecidamente gregos em todo o Mediterrâneo.

As colônias estabeleceram suas próprias identidades regionais, naturalmente, especialmente porque frequentemente incluíam povos indígenas com costumes particulares, fazendo com que cada região colonial possuísse características e variações próprias. Além disso, as frequentes mudanças nos requisitos para obtenção da cidadania e o reassentamento forçado de populações tornavam as colônias mais culturalmente diversas e politicamente instáveis do que a própria Grécia, aumentando a frequência de guerras civis. Ainda assim, algumas colônias prosperaram extraordinariamente, e muitas eventualmente superaram as grandes potências gregas que as fundaram.

Silver Stater, Metapontum
Estáter de Prata, Metaponto Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Colônias frequentemente formavam alianças com poleis vizinhas de interesses semelhantes. Por outro lado, também existiam conflitos entre elas à medida que se consolidavam como poleis poderosas e plenamente independentes, sem qualquer controle de sua cidade-estado fundadora. Siracusa, na Sicília, foi um exemplo típico de grande polis que constantemente buscava expandir seu território e criar um império próprio. Colônias que posteriormente fundaram suas próprias colônias e cunharam sua própria moeda apenas reforçaram sua independência cultural e política.

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Embora as colônias pudessem ser ferozmente independentes, esperava-se ao mesmo tempo que permanecessem membros ativos do amplo mundo grego. Isso se manifestava no fornecimento de soldados, embarcações e recursos financeiros para conflitos pan-helênicos, como as guerras contra a Pérsia e a Guerra do Peloponeso; no envio de atletas para grandes competições esportivas em locais como Olímpia e Nemeia; na construção de monumentos militares comemorativos em Delfos; na garantia de passagem segura a viajantes estrangeiros através de seus territórios; e na exportação e importação de ideias intelectuais e artísticas, como os ensinamentos de Pitágoras ou centros de estudo como a Academia de Platão, que atraía estudiosos de todo o mundo grego.

Em tempos de dificuldade, as colônias também podiam receber ajuda de sua polis fundadora e de aliados, ainda que isso muitas vezes servisse apenas como pretexto para as ambições imperiais dos grandes Estados gregos. Um exemplo clássico disso foi a Expedição Siciliana de Atenas em 415 a.C., lançada, ao menos oficialmente, para auxiliar a colônia de Segesta.

Mapa do Comércio no Mediterrâneo Antigo
Mapa do Comércio do Mediterrâneo Antigo Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Também existia uma intensa circulação de viajantes pelo mundo grego, comprovada por evidências como a literatura e o teatro, as dedicatórias deixadas por peregrinos em locais sagrados como Epidauro e a participação em importantes festivais religiosos anuais, como as Dionísias de Atenas.

Evidentemente, diferentes colônias possuíam características distintas, mas o efeito coletivo desses hábitos garantiu que uma vasta região do Mediterrâneo adquirisse características comuns suficientes para ser apropriadamente descrita como o Mundo Grego. Além disso, esse impacto foi duradouro e, ainda hoje, é possível perceber aspectos culturais compartilhados entre os habitantes do sul da França, da Itália e da Grécia.

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Perguntas & Respostas

Que países colonizaram os gregos?

Os antigos gregos colonizaram várias regiões do Mediterrâneo: a costa do Norte de África, o sul de Itália, a Sicília e o leste da Turquia. Também colonizaram as margens do Mar Negro.

O que motivou a colonização grega?

As cidades-estado gregas criaram novas colônias em todo o Mediterrâneo como forma de lidar com a superpopulação e de encontrar novos recursos, tais como madeira e metais. Muitas colônias começaram como entrepostos comerciais com os povos indígenas.

Quais são as três colônias gregas mais famosas?

As três colônias gregas mais famosas são Éfeso, Massália (atual Marselha) e Bizâncio (atual Istambul).

Quais foram as consequências da colonização grega?

O processo de colonização grega disseminou a cultura grega por todo o Mediterrâneo. A arte, a arquitetura, a religião e a gastronomia gregas tornaram-se características comuns das culturas ao longo da costa mediterrânica, e essa influência é visível até hoje.

Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, junho 02). Colonização Grega. (C. Bion, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11220/colonizacao-grega/

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Cartwright, Mark. "Colonização Grega." Traduzido por Carolina Bion. World History Encyclopedia, junho 02, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11220/colonizacao-grega/.

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Cartwright, Mark. "Colonização Grega." Traduzido por Carolina Bion. World History Encyclopedia, 02 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11220/colonizacao-grega/.

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