Naxos, com uma área de 430 km², é a maior ilha do arquipélago das Cíclades. A ilha desfrutou dos seus períodos mais prósperos no início da Idade do Bronze e, novamente, nos períodos Arcaico e Clássico.
Naxos na Mitologia
Em certas versões da mitologia grega, nada menos que o próprio Zeus foi criado na ilha, sendo ali venerado como Zeus Melosios, patrono das ovelhas. Apolo também estava associado à ilha e era localmente relacionado com cabras, pastores e floristas. Ares, o deus da guerra e o habitual instigador de problemas entre os deuses olímpicos, procurou refúgio nas entranhas da ilha — descrita como siderobrotin petran — o lugar da rocha que devora o ferro (referindo-se ao esmeril, o famoso material de exportação da ilha, utilizado para polir finamente o mármore tão frequentemente usado na escultura grega).
Contudo, o deus mais estreitamente ligado à ilha era Dioniso. Na mitologia grega, acreditava-se que ele teria nascido na ilha e foi também aqui que o deus do vinho casou com Ariadne, após o seu abandono por Teseu. A vida, a morte e o renascimento de Ariadne eram venerados num importante festival da natureza na ilha.
A Visão Geral Histórica
A ilha foi habitada pela primeira vez no período Neolítico, com sinais significativos de ocupação no quarto milénio a.C. Segundo alguns relatos, a ilha recebeu o nome de Naxos, do rei dos Cários que se estabeleceram na ilha. A partir do terceiro milénio a.C., as Cíclades exibiram uma cultura própria e distinta — personificada pela peculiar escultura cicládica, que tinha uma inclinação para figuras de pé minimalistas esculpidas em mármore. A partir da Idade do Bronze Médio, Naxos e as Cíclades foram influenciadas pela civilização Minoica, sediada em Creta, e pela posterior civilização Micénica, baseada no continente — o que é evidenciado tanto na arquitetura como na arte. O povoado mais importante nesta época era Grotta, localizado na costa ocidental.
Colonos da Jónia ocuparam a ilha a partir de cerca de 1025 a.C. No século VIII a.C., a ilha, através da exportação do seu mármore local e esmeril, era suficientemente próspera para fundar colónias. Naxos, numa iniciativa conjunta com Cálcis, fundou a cidade de Naxos na Sicília em 735 a.C., a primeira colónia grega na ilha. Outro exemplo da riqueza de Naxos são as diversas dedicatórias monumentais que foram feitas nos grandes sítios santuários, tais como Delos (os famosos leões de mármore) e Delfos (a célebre Esfinge). No entanto, foi no final do século VI a.C. que Naxos desfrutou do seu apogeu político e cultural, quando o tirano Lígdamis, auxiliado pelo seu aliado ateniense Pisístrato, tomou o controlo da ilha. Durante este período, houve um extenso programa de reconstrução para melhorar os vários templos dos santuários e Naxos tornou-se a força dominante nas Cíclades.
No século V a.C., a ilha tornou-se o centro de uma revolta contra a Jónia quando os marinheiros de Naxos apoiaram os invasores persas, que tentaram ocupar a ilha por volta de 499 a.C. A estratégia falhou, mas em 490 a.C. os persas atacaram uma vez mais e, desta vez, saquearam a ilha, escravizando os habitantes que não foram massacrados. Consequentemente, nas batalhas de Salamis (480 a.C.) e de Plateias (479 a.C.), os naxienses, com a sua frota de triremeres, aliaram-se compreensivelmente aos atenienses contra os persas. Em 474 a.C., Naxos tornou-se membro da Liga de Delos. No entanto, por volta de 467 a.C., Naxos rebelou-se contra o domínio ateniense da Liga mas, em última análise, a ilha foi forçada a submeter-se e, a partir de cerca de 450 a.C., uma cleruquia ateniense estabeleceu um estatuto de semidependência na ilha, embora com um tributo reduzido a pagar a Atenas.
Naxos foi tomada pelos romanos em 41 a.C. e, durante o período bizantino, nos séculos V e VI d.C., muitos dos templos pagãos, incluindo o de Apolo, foram convertidos em igrejas cristãs.
Os Sítios Arqueológicos
Naxos possuía templos importantes dedicados a Apolo, Deméter e Dioniso, além de vários sítios menores sagrados para outros deuses. O templo de Apolo situa-se no ilhéu de Palatia, que está ligado à ilha principal por uma estreita língua de terra. O local era, tradicionalmente, onde Ariadne foi abandonada por Teseu e, posteriormente, recolhida por Dioniso. Nada resta hoje do templo jónico do século VI a.C., exceto as suas fundações e a entrada do prodromos para a cella interior — a Portara (que mede 6 metros de altura e 3,5 metros de largura). Contudo, outrora, medindo 59 por 28 metros, o templo teria rivalizado com qualquer outro na Grécia.
O templo de Deméter foi construído perto da povoação de Ano Sagri no período Arcaico, mas o local poderá muito bem ter sido o centro de culto às tradicionais deusas da fertilidade, Deméter e Core, logo a partir do século VIII a.C. A partir de 530 a.C., foi construído um novo templo jónico utilizando mármore. É um exemplo precoce da arquitetura clássica e um dos primeiros templos a eliminar o segundo andar da cella, com o consequente aumento na altura das colunas interiores para sustentar o telhado.
Dioniso era venerado na ilha desde a época micénica e o templo sobrevivente de Dioniso situa-se perto da aldeia de Glinado. É mais um exemplo da arquitetura templária do período Clássico inicial. As ruínas atuais datam de cerca de 550 a.C., mas existem evidências de que esta estrutura foi construída sobre três templos anteriores, erguidos sucessivamente no mesmo local. Os templos precedentes também eram dedicados a Dioniso e foram destruídos por cheias do vizinho rio Biblinis. O último templo foi desmantelado por cristãos no século II que construiram uma igreja dedicada a São Jorge no local. Outro elemento interessante do sítio é um poço do século VI a.C., um dos poucos exemplares sobreviventes com revestimento em mármore.
