Odisseu

Mark Cartwright
por , traduzido por Pedro Lucas
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Odysseus (by Mark Cartwright, CC BY-NC-SA)
Odisseu Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Odisseu (cujo nome romano é Ulisses) foi um dos maiores heróis pan-helênicos da mitologia grega. Ele foi famoso por sua coragem, inteligência e liderança. Suas habilidades de desenvoltura e oratória foram utilizadas para a vitória grega, durante a Guerra de Troia. Após esse conflito, Odisseu foi o protagonista em muitas aventuras fantásticas relatadas na Odisseia (tít. original Ὀδύσσεια - Odýsseia), na sua longa viagem de volta para Ítaca.

Na mitologia grega, Odisseu era filho de Laertes e Anticleia, rei de Ítaca e líder dos cefalônios. Casado com Penélope, ele também tinha um filho, Telêmaco. O herói também era sortudo o suficiente para receber de maneira regular o auxílio e a proteção da deusa Atena. Hesíodo descreve Odisseu como "de espírito paciente", e Homero o caracteriza frequentemente como "divino", também como "igual a Zeus em engenhosidade" e um orador realmente extraordinário, cujas palavras persuasivas "caíam como flocos de neve no inverno". No entanto, o herói não era apenas um intelectual, mas também um guerreiro cuja coragem e proeza em batalha são referenciadas no epíteto de Homero "o saqueador de cidades". Homero também afirma que o nome Odisseu significa "vítima da inimizade", sem dúvida alguma em referência ao rancor que Poseidon direcionava contra o herói.

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Odisseu se Prepara para a Guerra de Troia

A primeira grande fonte de informações sobre Odisseu foi o relato de Homero sobre a Guerra de Troia na Ilíada, na qual nosso herói é um protagonista. Odisseu se envolve em muitos episódios importantes, e sua inteligência, conselhos sábios e sagacidade se provaram cruciais para o eventual sucesso dos gregos na guerra.

Contudo, Odisseu quase evitou completamente o conflito ao ser convocado por Palamedes (emissário de Menelau), já que o rei de Ítaca não queria abandonar sua esposa e família, fingindo então estar insano. Ele fez isso de forma convincente ao arar um campo com um boi e um jumento atrelados juntos, espalhando sal nos sulcos. Palamedes, no entanto, não seria enganado tão facilmente. Ao colocar o jovem Telêmaco na frente do arado, Odisseu foi forçado a desviar, mostrando assim que não era tão louco afinal.

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Foi Odisseu quem persuadiu o relutante Aquiles a se juntar à expedição grega para Troia. Escondido por sua mãe, Tétis (que já sabia de seu destino caso ele fosse para a guerra), Aquiles foi levado para se juntar à família de Licomedes, na ilha de Ésquiro. No entando, Nestor, o sábio rei de Pilos, previu que apenas com a ajuda do grande guerreiro Aquiles os gregos poderiam esperar conquistar a grande cidade murada de Troia.

Assim, o astuto Odisseu foi enviado para persuadir o maior guerreiro da Grécia a deixar sua esposa e seu filho e lutar ao lado das forças lideradas pelo rei Agamenon. Disfarçado de um rico comerciante, o rei de Ítaca tentou Aquiles a abandonar seu disfarce de uma das filhas do rei e revelar sua verdadeira identidade, apresentando uma variedade de finas armas, pelas quais o grande guerreiro não conseguiu esconder seu interesse. Com Aquiles, também veio seu formidável exército particular, os Mirmidões da Tessália.

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Na Guerra de Troia, Odisseu teve a ideia brilhante do cavalo de madeira.

Odisseu foi mais uma vez escolhido e enviado para persuadir Ifigênia, filha de Agamênon, a se juntar às forças gregas em Áulis. Enquanto caçava, Agamênon matou por engano um cervo sagrado para Ártemis. Segundo o adivinho Calcas, apenas o sacrifício da filha do rei apaziguaria a deusa e permitiria que os gregos viajassem em segurança para Troia. Odisseu então viajou para Micenas e prometeu a Clitemnestra, a mãe de Ifigênia, que a jovem poderia se casar com Aquiles. Muito satisfeita com a perspectiva de um genro tão prestigioso, a rainha prontamente concordou. Ao chegar em Áulis, no entanto, os preparativos para o sacrifício já haviam sido feitos, e a pobre jovem foi imediatamente colocada sobre um altar. Felizmente, porém, justamente quando Agamênon baixava a sua espada, Ártemis teve piedade da jovem, substituiu-a por um cervo e levou Ifigênia para se tornar sacerdotisa em Táuris, em um dos santuários da deusa.

Os gregos então receberam os ventos favoráveis e desembarcaram em Troia. Exceto por um incidente menor em que Odisseu e Diomedes emboscaram o jovem Dólon em uma floresta, Odisseu teve pouca participação até o final da guerra. Após a morte de Aquiles, houve uma certa disputa sobre quem deveria herdar a magnífica armadura do herói. Odisseu e Ájax, filho de Telamon, apresentaram suas reivindicações, mas a questão foi finalmente decidida por votação. Com Atenas influenciando nos procedimentos, Odisseu recebeu as armas e a armadura feitas por Hefesto.

Odysseus and the Sirens
Odisseu e as Sereias James Lloyd (CC BY-NC-SA)

O Papel de Odisseu na Vitória Grega

Apesar da perda de seu guerreiro impáravel, a guerra continuava, mas a partir daí os gregos começaram a empregar um pouco mais de pensamento estratégico para o grande dilema que era transpor as muralhas de Troia. O adivinho Calcas previu a vitória apenas caso os gregos conseguissem três coisas. Eram elas: o envolvimento do filho de Aquiles, Neoptólemo, na guerra; as lendárias armas de Hércules, então nas mãos de Filocteto, precisavam ser usadas; e, por fim, os gregos tinham que capturar o Paládio. Este último era uma estátua de madeira sagrada de Atenas que se acreditava ter caído do céu e sido encontrada por Troas, o fundador de Troia. Os troianos acreditavam que essa estátua lhes conferia proteção e poder e, ao roubá-la, os gregos obteriam uma grande vantagem na guerra.

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Odisseu foi o homem encarregado de realizar todas essas três tarefas difíceis. Primeiro, ele voltou a Ésquiro e convenceu Neoptólemo a se juntar a ele. Em seguida, foi a Lemnos buscar Filocteto e as armas de Hércules. Este último, no entanto, estava um pouco irritado por ter sido abandonado na ilha em primeiro lugar, mas valeu a pena todo o esforço de Odisseu para o persuadir, pois Filocteto conseguiu matar Páris com suas flechas mortais praticamente assim que entrou na batalha em Troia.

Odisseu é um dos maiores heróis dos mitos gregos.

Restava então a terceira tarefa a ser cumprida - pegar o sagrado Paládio no coração da cidade. Para descobrir a localização exata da estátua, Odisseu se disfarçou de mendigo e entrou na cidade sem ser detectado. Uma pessoa, porém, o reconheceu: foi Helena, agora forçada a se casar novamente com outro dos filhos de Príamo e ansiosa para retornar à Grécia. Foi ela quem guiou Odisseu até a localização do Paládio. Retornando então ao acampamento grego com essa informação, Odisseu contou com a ajuda de Diomedes. Na noite seguinte, os dois mais uma vez se infiltraram na cidade e fugiram com a estátua.

Apesar do roubo do Paládio, a guerra continuava a se arrastar, e ficou claro que era preciso elaborar uma estratégia mais ambiciosa caso os gregos quisessem de fato vencer o conflito. Com inspiração divina de Atenas, Odisseu teve a brilhante ideia do cavalo de madeira. Ele mandou que carpinteiros construíssem um enorme cavalo no qual fosse possível esconder um bom número de soldados gregos. O truque consistia em persuadir os troianos a levar o cavalo para dentro das muralhas da cidade. Odisseu primeiro ordenou que todos os gregos abandonassem seu acampamento e navegassem para fora da vista, ancorando na ilha de Tenedos. Com isso, deixaram apenas o cavalo sozinho na planície, com um único homem deixado para trás: Sinão. Ele fingiu ter sido perseguido pelos gregos como um inimigo e uma potencial vítima de sacrifício. Conquistando a confiança deles, ele então narrou aos troianos uma história fantasiosa: que Atenas, indignada com o roubo de sua estátua, estava punindo os gregos e lhes ordenara que a única forma de recuperar sua confiança seria construir um cavalo de madeira gigante em sua homenagem e, em seguida, zarpar de volta para casa. Engolindo essa história, os troianos trataram de arrastar o cavalo para dentro da cidade, posicionando-o bem em frente ao templo de Atena. Com exceção de Laocoonte e Eneias, os troianos celebraram a noite toda em uma festa para comemorar pois acreditavam ter, finalmente, ganho a guerra.

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Trojan Horse
Cavalo de Troia Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Quando a festa terminou e os troianos dormiam no mais profundo estado de embriaguez, Sínon disparou um sinal luminoso para os navios gregos que aguardavam ao longe, e eles retornaram prontamente às praias de Troia. Odisseu e seus companheiros de armas desceram de dentro do cavalo e abriram os portões da cidade. O exército grego massacrou os troianos, profanando templos e dizimando, sem qualquer piedade, quem quer que surgisse pela frente.

A Odisseia

Uma consequência amarga do comportamento implacável e cruel dos gregos em Troia foi a fúria dos deuses, que os puniram fazendo com que grande parte de suas embarcações naufragasse na viagem de volta para casa. Um dos poucos sobreviventes foi Odisseu, mas não sem antes enfrentar uma jornada incrivelmente longa, cheia de desvios e desventuras que são narradas na Odisseia de Homero.

Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa
Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em uma odisseia rumo ao lar que durou dez anos, o herói aportou em diversos lugares, dos quais poucos se mostraram amigáveis. A primeira parada foi na ilha dos Cícones onde, entre outras aventuras, o deus Apolo presenteou o herói com doze odres de vinho. Em seguida, atingidos por uma forte tempestade, Odisseu e sua frota foram parar nas praias dos Lotófagos, os comedores de lótus. Como o consumo dessa planta fazia com que a pessoa esquecesse a própria pátria, o herói recusou a hospitalidade dos nativos e apressou-se em retomar a viagem.

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O destino seguinte foi a ilha dos Ciclopes - os gigantes de um olho só - que viviam pacificamente pastoreando suas ovelhas. Por azar, no entanto, Odisseu deu de cara com o ciclope antropófago Polifemo, ninguém menos que o filho de Poseidon, o deus dos mares. O gigante se "encantou" pelos viajantes gregos e os prendeu em sua caverna, devorando dois deles rapidamente como aperitivo. Ao perceber a gravidade da situação, Odisseu começou a traçar um plano de fuga astuto. Instigando Polifemo com o vinho até o gigante ficar completamente bêbado, o herói ordenou que seus homens transformassem o cajado de oliveira do Ciclope em uma estaca pontiaguda. Em seguida, endureceram a madeira no fogo e a usaram para cegar o monstro enquanto ele dormia. Incapaz de enxergar e tomado por uma fúria perfeitamente compreensível, Polifemo tentou capturar os invasores: ele tateava o lombo de suas ovelhas à medida que elas saíam da caverna para pastar. Odisseu, então, instruiu seus homens a se amarrarem à barriga dos animais, enquanto ele próprio escolheu o maior carneiro do rebanho para se camuflar. Foi assim que conseguiram escapar para dar continuidade à jornada. No entanto, ao perceber o golpe, o Ciclope rogou uma praga contra Odisseu, prevendo a perda de toda a sua tripulação, uma viagem de volta cansativa e a ruína total quando finalmente chegasse ao seu destino. Invocando a ajuda de seu pai, Poseidon, Polifemo garantiu que Odisseu enfrentasse tempestade após tempestade, arrastando sua jornada por dez longos anos antes que ele pudesse avistar Ítaca.

Novas aventuras apareceram logo em seguida. Entre elas, uma parada em Eólia, onde o deus dos ventos, Éolo, presenteou Odisseu com um odre que continha todos os ventos do mundo, menos aquele que o levaria de volta para casa. Infelizmente, a curiosidade falou mais alto para alguns membros da tripulação e, quando já estavam prestes a aportar em Ítaca, eles abriram o artefato. Como resultado, os ventos contrários escaparam violentamente, e a frota de Odisseu, castigada pela tempestade, foi empurrada de volta para o ponto de partida em Eólia.

Odysseus Escaping Polyphemos
A Fuga de Odisseu do Ciclope Polifemo Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Ao retomarem o rumo, novos imprevistos aconteceram em Lestrigônia. Lá, os gigantes nativos, liderados por Antífates, atacaram o grupo e mataram grande parte dos homens, esmagando-os com pedras gigantescas.

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Odisseu e Circe

Os poucos sobreviventes que restaram, agora espremidos em um único navio, conseguiram chegar a Eeia, a ilha da feiticeira Circe. Mas ainda mais problemas aguardavam os viajantes já exaustos. A deusa transformou um grupo dos marinheiros em porcos, e Odisseu só conseguiu reverter a situação graças a uma intervenção de Hermes. O deus mensageiro deu ao herói uma raiz de moly, uma planta mística que o tornou completamente imune aos feitiços de Circe. No entanto, os dois acabaram se dando muito bem e se tornaram amantes, o que fez com que Odisseu estendesse a sua permanência na ilha por um ano inteiro. Quando ele finalmente se convenceu a retomar o caminho de casa, Circe o aconselhou a descer ao Mundo dos Mortos para consultar o adivinho tebano Tirésias, o único capaz de lhe indicar as rotas seguras de navegação.

Em sua jornada pelo submundo, o herói reencontrou sua mãe, Anticleia, que havia morrido de desgosto e profunda tristeza pela ausência prolongada do filho. Ele também se deparou com a sombra de vários heróis caídos na guerra, como Hércules, Aquiles e Agamemnon. Assim que Odisseu retornou ao mundo dos vivos, Circe lhe deu um último e valioso conselho. Ele deveria ter um cuidado redobrado com as Sereias - os monstros híbridos com corpo de pássaro e cabeça de mulher -, que atraíam os navegantes com seu canto hipnótico e beleza avassaladora. Prevenido, assim que a embarcação se aproximou da ilha das Sereias, o herói ordenou que seus marinheiros tapassem os ouvidos com cera, enquanto ele próprio pediu para ser firmemente amarrado ao mastro do navio. Dessa forma, ele pôde ouvir a melodia divina sem sucumbir à armadilha mortal.

Superado esse perigo, o herói e os poucos tripulantes que restavam precisaram cruzar um estreito marítimo aterrorizante, espremido entre dois rochedos colossais. Cada um deles era habitado por um monstro: Cila (uma criatura de doze pés e seis cabeças que devorava marinheiros por pura diversão) e Caríbdis (que bebia as águas do mar e as cuspia três vezes ao dia, criando redemoinhos violentos). Mais seis tripulantes foram devorados ali, mas o navio conseguiu resistir e seguir viagem rumo ao lar.

Odisseu e Calipso

O que deveria ser uma breve parada na ilha de Trinácia acabou se transformando em uma estadia de um mês inteiro devido ao mau tempo, esgotando completamente os suprimentos dos gregos. Ignorando o aviso prévio de Tirésias para não tocarem nos rebanhos de Hélio, alguns marinheiros famintos, liderados por Euríloco, abateram vários animais para se alimentar. Indignado com a profanação, Hélio fez com que o navio naufragasse assim que deixou Trinácia. O único sobrevivente do desastre foi Odisseu que, após passar nove dias à deriva em alto-mar, foi arrastado pelas ondas até as praias de Ogígia.

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Ali, o herói passou cinco anos, ora como prisioneiro, ora desfrutando dos encantos da ninfa Calipso, com quem teve um filho chamado Nausítoo. Contudo, justiça seja feita ao nosso herói: mesmo diante da oferta da imortalidade e juventude eterna, Odisseu decidiu que precisava tentar, mais uma vez, retornar à sua terra natal. Cedendo à intervenção divina, Calipso ajudou o herói a construir uma jangada, na qual ele zarpou novamente rumo a Ítaca. Poseidon, porém, interveio mais uma vez por puro rancor, provocando uma tempestade terrível que despedaçou a embarcação. Odisseu acabou dando à costa, ferido e completamente nu, na ilha de Esquéria, o lar dos feácios. Lá, ele caiu diretamente sob os cuidados compassivos de Nausícaa, filha do rei Alcínoo. Com a saúde e o vigor plenamente restabelecidos, o herói foi presenteado com um dos navios mágicos dos feácios, que dispensava capitão ou timoneiro para ser governado. A bordo dessa embarcação, Odisseu finalmente conseguiu retornar a Ítaca. No entanto, exatamente como Polifemo havia profetizado, as coisas andavam longe de estar bem no palácio real.

Head of Penelope
Cabeça de Penélope Carole Raddato (CC BY-SA)

O Retorno de Odisseu a Ítaca

Após dez anos de ausência, Odisseu estava praticamente esquecido; apenas sua esposa, Penélope, mantinha a fé no retorno do rei há tanto desaparecido. A deusa Atena encarregou-se de atualizar o herói sobre tudo o que havia se passado na sua ausência. Como ele era considerado morto há muito tempo, uma multidão de pretendentes disputava a mão de Penélope. Esses aspirantes a rei (108 ao todo) haviam simplesmente se instalado no próprio palácio. Penélope, contudo, adiava constantemente a decisão de um novo casamento, alimentando contra todas as expectativas a esperança de que o marido ainda estivesse vivo.

Por isso, para forçar o desfecho da situação, os pretendentes planejavam assassinar o filho dela, Telêmaco, na primeira oportunidade. Seguindo o conselho de Atena e valendo-se de sua famosa astúcia, Odisseu disfarçou-se de mendigo e foi pessoalmente ao palácio para avaliar o cenário. Apenas a velha ama de Odisseu, Euricleia, reconheceu o herói (por causa de uma cicatriz característica na perna). Seu fiel e velho cão, Argos, também reconheceu o antigo dono, mas, tragicamente, morreu assim que os dois se reencontraram. Após se revelar ao filho Telêmaco (que acabara de voltar de Pilos), Odisseu traçou uma estratégia para livrar o palácio de todos os parasitas e retomar sua autoridade de direito. Ainda sob o disfarce de mendigo, o herói foi hostilizado pelos pretendentes e tornou-se alvo de piadas cruéis, mas a vingança não demoraria a chegar.

Penélope lançou um desafio aos pretendentes: ela se casaria com aquele que conseguisse puxar o imenso arco que pertencera ao antigo rei e, em seguida, disparar uma flecha que atravessasse os olhais de doze machados alinhados. Como era de se esperar, nenhum daqueles infelizes pretendentes tinha a força necessária para sequer colocar a corda no arco, quem dirá disparar com ele. Foi então que o "mendigo" se adiantou. Sob um coro de vaias céticas, ele inacreditavelmente encordou o arco com extrema facilidade e disparou a flecha direto, sem desviar, pelos olhais dos machados. Livrando-se do disfarce, Odisseu revelou sua verdadeira identidade, instaurando o pânico geral entre os invasores. Não haveria escapatória para os usurpadores pois, conforme o planejado, Telêmaco havia trancado todas as portas e retirado as armas que ficavam expostas nas paredes. Odisseu, então, abateu um a um os pretendentes com seu arco implacável, reconquistando o reino que havia deixado para trás há tanto tempo.

O casal real, reunido após dez longos anos de separação, viveu feliz para sempre... ou quase isso. Pois, em uma trágica reviravolta final, já idoso, Odisseu acabou morto por Telégono, seu filho com Circe. Ao desembarcar em Ítaca, o jovem enfrentou o exército local e, sem saber, tirou a vida do próprio pai.

Como Odisseu é Representado na Arte?

Odisseu é um tema recorrente na arte grega antiga, figurando em vasos, moedas, esculturas, tripés e gravuras de escudos por toda a Grécia. Ele costuma ser identificado pelo uso do pilos - um chapéu de feltro cônico. Cenas em cerâmicas de figuras vermelhas e pretas, datadas dos séculos VII a V a.C., retratam Odisseu na embaixada a Aquiles, na disputa com Ájax pelas armas de Aquiles, no roubo do Paládio, na cegueira do Ciclope, no naufrágio em Esquéria e no massacre dos pretendentes de Penélope.

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Surpreendentemente, o tema do cavalo de madeira é incomum na arte grega, mas está famosamente representado em um píton de argila em relevo de Míconos, datado de cerca de 670 a.C. Uma célebre representação de Odisseu e as Sereias pode ser vista em um estamno ático de figuras vermelhas de Vulci, esculpido por volta de 450 a.C.

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Perguntas & Respostas

Pelo que Odisseu é mais famoso?

Odisseu é mundialmente conhecido por sua jornada de dez anos de volta para casa após a queda de Troia — uma odisseia repleta de perigos na qual enfrentou diversas criaturas mitológicas e sobreviveu a inúmeras desventuras. Além disso, ele desempenhou um papel crucial na Guerra de Troia; a sua genialidade estratégica culminou no plano audacioso do Cavalo de Troia, garantindo a vitória definitiva dos gregos.

Como morreu Odisseu?

Odisseu foi morto por Telégono, filho que ele teve com a feiticeira Circe, sem que nenhum dos dois soubesse da identidade um do outro. Ao desembarcar nas praias de Ítaca com a esperança de conhecer o pai pela primeira vez, Telégono foi atacado pelo próprio Odisseu. No confronto que se seguiu, o velho rei acabou morrendo em decorrência de um ferimento causado pela lança envenenada de seu filho.

Quanto tempo durou a Odisseia?

Odisseu passou dez anos longe de seu reino na sua longa e atribulada viagem de retorno de Troia a Ítaca, uma epopeia que ficou eternizada como a 'Odisseia'.

Bibliografia

A World History Encyclopedia é uma Associada da Amazon e recebe uma contribuição na venda de livros elegíveis

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Estilo APA

Cartwright, M. (2026, julho 10). Odisseu. (P. Lucas, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-786/odisseu/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Odisseu." Traduzido por Pedro Lucas. World History Encyclopedia, julho 10, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-786/odisseu/.

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Cartwright, Mark. "Odisseu." Traduzido por Pedro Lucas. World History Encyclopedia, 10 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-786/odisseu/.

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