Despotado do Epiro

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Michael Goodyear
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Michael II Komnenos Doukas (by Alexikoua, Public Domain)
Miguel II Comneno Ducas Alexikoua (Public Domain)

O Despotado do Epiro foi um dos estados sucessores do Império Bizantino após a sua desintegração, na sequência da captura de Constantinopla pela Quarta Cruzada, em 1204. Foi, inicialmente, o mais bem-sucedido desses estados, chegando a estar perto de reconquistar Constantinopla, mas, após 1230, ficou geograficamente limitado ao próprio Epiro e, ocasionalmente, aos territórios vizinhos da Tessália e das ilhas Jónicas. Nos dois séculos seguintes, o Epiro preservou a sua independência, apesar da constante pressão das esferas de influência bizantina e italiana. Finalmente, em 1479, os últimos territórios do Despotado do Epiro foram conquistados pelo Império Otomano.

Das Cinzas

Quando a capital bizantina, Constantinopla, foi saqueada em 1204 pela Quarta Cruzada (1202–1204), os territórios centrais do Império Bizantino na Europa foram conquistados pelos latinos, enquanto, nas periferias do império, surgiram três estados sucessores gregos (ou romanos). O Império de Trebizonda, no norte da Anatólia, perto da Geórgia, tinha surgido por volta da mesma altura, ou até pouco antes da queda de Constantinopla. No coração anatólico do antigo Império Bizantino, emergiu o Império de Niceia.

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Miguel e os seus descendentes governariam o Epiro como uma entidade política grega na intersecção dos mundos bizantino e italiano.

A resistência bizantina na Europa foi, inicialmente, menos coesa. Muitos gregos marcharam com os invasores latinos, incluindo Miguel Comneno Ducas, um primo dos antigos imperadores bizantinos Isaac II Ângelo (reinou 1185–1195, 1203–1204) e Aleixo III Ângelo (reinou 1195–1203). Na sequência da Quarta Cruzada, Miguel serviu Bonifácio de Montferrat, o novo Rei de Tessalónica (reinou 1205–1207). Contudo, à medida que as forças latinas se dirigiam para oeste, rompeu com o exército latino e seguiu para a região do Epiro, no noroeste da Grécia, ao longo do mar Adriático, onde um dos seus parentes era o governador provincial bizantino na capital regional de Arta.

Protegida a leste pelas montanhas do Pindo e, a oeste e a sul, pelo mar, a região do Epiro incutira há muito um espírito de independência desde os tempos de Alexandre, o Grande, e de Pirro; sob o comando de Miguel, essa região tornar-se-ia, uma vez mais, uma entidade política independente; e ele declarou-se governante da região e estabeleceu Arta como capital. Ele e os seus descendentes governariam o Epiro, com fortunas variáveis, durante o século seguinte, inicialmente como um sério candidato à restauração do Império Bizantino e, mais tarde, como uma entidade política grega na intersecção dos mundos bizantino e italiano.

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O Império de Tessalónica

Inicialmente, Miguel I (reinou 1205–1215) aceitou ser o representante veneziano no Epiro e estabeleceu a paz com os estados latinos que tinham surgido na sequência da Quarta Cruzada, permitindo que o Epiro perdurasse naqueles primeiros anos de poder latino. Contudo, após alguns anos, Miguel tinha constituído um exército considerável e combateu contra os latinos. Reconquistou parte da Tessália, incluindo a cidade-chave de Larissa, e recuperou a importante ilha de Corfu, bem como o principal porto adriático de Durazzo, que estavam sob controlo de Veneza.

Após a morte de Miguel em 1215, o seu meio-irmão Teodoro I Comneno Ducas (reinou 1215–1230) levaria o Epiro ao seu apogeu, antes de sofrer uma derrota catastrófica. Sob o comando de Teodoro, o Epiro tentou restaurar o Império Bizantino. Em 1217, quando o imperador latino Pedro de Courtenay (reinou 1216–1217) tentou atravessar o território epirota, Teodoro capturou-o. Teodoro liderou então os exércitos epirotas numa série de campanhas bem-sucedidas, expulsando os latinos da Tessália, repelindo os búlgaros e, em 1224, reconquistando Tessalónica, a segunda cidade do antigo Império Bizantino. Em 1227, Teodoro foi coroado imperador romano pelo arcebispo cristão ortodoxo em Ocrida. O Império de Tessalónica estava agora estabelecido e parecia estar prestes a recriar o Império Bizantino.

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Mapa do Império Latino: Um Estado Cruzado em Constantinopla
Mapa do Império Latino: Um Estado Cruzado em Constantinopla Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em 1230, Teodoro tinha conquistado Adrianópolis e encontrava-se a uma distância estratégica da própria Constantinopla, mas, em vez de marchar sobre a "Rainha das Cidades", Teodoro voltou-se para norte para combater os búlgaros. A 9 de março de 1230, os búlgaros, sob o comando do csar Ivan Asen II (reinou 1218–1241), esmagaram as forças epirotas na Batalha de Klokotnitsa. Teodoro foi feito prisioneiro e as tropas búlgaras invadiram a Macedónia e o Epiro. As hipóteses de o Epiro restaurar o Império Bizantino morreram no campo de batalha de Klokotnitsa.

Manuel Comneno Ducas (reinou 1230–1241), irmão de Miguel e Teodoro, assumiu o controlo de Tessalónica, mas sobreviveu graças à boa vontade dos búlgaros e de Ivan Asen. Teodoro, agora cego, regressou a Tessalónica em 1237 e expulsou o seu irmão Manuel, que partiu para governar o território epirota na Tessália até 1241. Teodoro não governou por direito próprio, tendo antes nomeado o seu filho João como imperador (reinou 1237–1244). Durante a década anterior, o Império de Niceia tinha vindo a crescer em força sob o comando do imperador João III Ducas Vatatzes (reinou 1222–1254). Especialmente após a morte de Ivan Asen em 1241, o território niceno na Europa cresceu exponencialmente. Em 1242, Ducas Vatatzes forçou João a renunciar ao seu título imperial e a aceitar o título bizantino inferior de déspota. Em 1246, Ducas Vatatzes expulsou Demétrio Comneno Ducas (reinou 1244–1246), irmão de João, de Tessalónica e incorporou formalmente a cidade no Império de Niceia.

O Verdadeiro Despotado

Enquanto o Império de Tessalónica se desmoronava, o Epiro tornou-se independente, uma vez mais. Após a Batalha de Klokotnitsa, Miguel II Comneno Ducas (reinou 1230–1267/1268), filho de Miguel I, declarou-se governante do Epiro. Após o fim do Império de Tessalónica, o Epiro era o único estado grego na Europa que restava para se opor ao Império de Niceia. Embora Miguel tenha lutado inicialmente para resistir aos nicenos, foi feita a paz entre os dois estados, selada com uma aliança matrimonial e a concessão do título de déspota a Miguel e ao seu filho. Embora os primeiros governantes do Epiro não estivessem dependentes do Império de Niceia, o reinado de Miguel II dá início ao verdadeiro Despotado do Epiro, uma vez que os seus governantes, desde ele até ao fim do estado, ostentaram este título concedido pelo Império de Niceia que, após 1261, era o Império Bizantino restaurado.

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O Epiro estava longe de ser um vizinho complacente; a sua posição tornou-se especialmente complicada quando Manfredo, Rei da Sicília (reinou 1258–1266), invadiu o Epiro em 1257 e ocupou Durazzo e Corfu, bem como as cidades-chave de Valona, Kanina e Berat. Para salvar a face, Miguel foi forçado a dar a sua filha em casamento a Manfredo, sendo o seu dote constituído por aqueles territórios que Manfredo já tinha conquistado.

Coronation of Manfred
Coroação de Manfredo Chronicle of Giovanni Villani (Public Domain)

As ambições de Manfredo eram muito maiores do que o Epiro. Aliou-se ao Príncipe da Acaia e o exército combinado siciliano-epirota-acaio marchou para conquistar o Império de Niceia, mas o imperador niceno Miguel VIII Paleólogo (reinou 1259–1282) derrotou o exército coligado na Batalha de Pelagónia, em 1259. Embora Miguel II e as forças epirotas tivessem fugido antes mesmo do início da batalha, as forças de Miguel VIII invadiram o Epiro e tomaram a capital, Arta.

Miguel II reuniu apoio de Manfredo, em Itália, e da Tessália, e reconquistou Arta. Mesmo após Miguel VIII ter reconquistado Constantinopla em 1261 d.C., restaurando o Império Bizantino, Miguel II recusou-se obstinadamente a curvar-se. Finalmente, em 1264 d.C., com um exército bizantino a marchar sobre o Epiro, Miguel II sentou-se à mesa de negociações. O seu filho e herdeiro, Nicéforo I Comneno Ducas (r. 1267/1268–1297 d.C.), casou-se com a sobrinha de Miguel VIII, que confirmou o título de déspota para Nicéforo.

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Nicéforo apresentou-se como o protetor da Ortodoxia contra o imperador bizantino herético em Constantinopla.

Após a morte de Miguel II, Nicéforo reinou sobre o Epiro, mas a Tessália foi dada por Miguel ao seu filho ilegítimo, João Ducas. Nicéforo envolver-se-ia numa invasão italiana do Império Bizantino, desta vez liderada pelo conquistador de Manfredo, Carlos I da Sicília (reinou 1266–1285). Nicéforo acabou por se aliar a Carlos quando as forças bizantinas começaram a invadir o seu território. Miguel VIII tentou submeter-se ao Papa e reunificar as Igrejas Ortodoxa e Católica, culminando na reunificação oficial da igreja no Concílio de Lyon, em 1274, na esperança de que o Papa pudesse deter Carlos. Isto deu a Nicéforo a oportunidade de se apresentar como o protetor da Ortodoxia contra o imperador bizantino herético em Constantinopla, mas Nicéforo foi forçado a aceitar a vassalagem de Carlos e os bizantinos reconquistaram os territórios do norte do Epiro.

Os planos de Carlos foram destruídos com as Vésperas Sicilianas em 1282, que o levaram a perder a ilha da Sicília, conduzindo a uma década de paz entre o Epiro e Bizâncio. Contudo, as ambições italianas surgiram novamente com o filho de Carlos, Carlos II (reinou 1285–1309), e Nicéforo casou a sua filha com Filipe de Tarento, filho de Carlos II, fornecendo várias cidades costeiras como dote. Quando Nicéforo morreu, Filipe tentou tomar o Despotado do Epiro, ao qual tinha direito ao abrigo do direito feudal ocidental, ainda que não necessariamente ao abrigo do direito bizantino. Contudo, a viúva de Nicéforo, Ana, conseguiu assegurar o trono para o seu filho Tomás (reinou 1297–1318).

O reinado de Tomás foi marcado, principalmente, por uma maior aproximação do Epiro ao Império Bizantino, em grande parte devido à influência da sua mãe, que era parente do imperador bizantino. Em 1315, Tomás tentou realinhar-se com o seu cunhado Filipe de Tarento, mas, antes que pudesse agir, foi assassinado pelo seu sobrinho, o Conde Nicolau Orsini de Cefalónia. O governo grego sobre o Epiro e a Dinastia Comneno Ducas chegavam ao fim.

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A Casa Orsini

O Conde Nicolau (reinou 1318–1323) e a dinastia Orsini de Cefalónia assumiram o trono e casaram-se com a viúva de Tomás. Embora Arta tenha rapidamente aceitado Nicolau, a segunda cidade mais importante do Epiro, Ioannina, mudou a sua lealdade para o Império Bizantino em 1318. Nicolau apelou prontamente a Constantinopla para ser reconhecido como déspota, o que Andrónico II lhe concedeu. Embora o Condado de Cefalónia estivesse agora combinado com o Despotado do Epiro, sem Ioannina, o Despotado estava mais reduzido do que nos tempos dos Comneno Ducas. Nicolau tentou oferecer vassalagem e termos extremamente generosos a Veneza em troca de assistência militar, mas Veneza recusou. Quando eclodiu uma guerra civil no Império Bizantino no início da década de 1320, Nicolau atacou território bizantino e cercou Ioannina, mas foi morto pelo seu irmão, João II Orsini (reinou 1323–1335).

João II convenceu Ioannina a aceitá-lo como o seu governador em nome do imperador bizantino, converteu-se à Ortodoxia e casou-se com um membro da família bizantina dos Paleólogos. Em breve, recebeu tanto o título de déspota como o reconhecimento como governador de Ioannina por parte do novo imperador bizantino, Andrónico III Paleólogo (reinou 1328–1341). João aproveitou a aparente fraqueza bizantina para reincorporar plenamente Ioannina no Despotado do Epiro. Em 1333, o Epiro anexou também algumas terras na Tessália, mas, mais tarde nesse mesmo ano, o exército bizantino sob o comando de Andrónico III tomou todo esse território ao Epiro. Entretanto, João de Gravina depôs João como Conde de Cefalónia em 1325. Em 1331, um exército apoiado pelos angevinos, sob o comando de Walter de Brienne, forçou o Despotado do Epiro a curvar-se como vassalo de Nápoles.

Andronikos III Palaiologos
Andrónico III Paleólogo Unknown artist (Public Domain)

Dois anos mais tarde, João foi envenenado pela mulher Ana, tendo sido sucedido pelo seu jovem filho, Nicéforo II Orsini (reinou 1335–1340). Quando um exército bizantino chegou ao norte para subjugar os albaneses, o frágil despotado viu-se dilacerado por fações pró e anti-bizantinas; para evitar a guerra, Ana capitulou e cedeu o Epiro aos bizantinos sem luta, em 1338. O jovem Nicéforo foi levado para o Principado da Acaia, onde a regente, Catarina de Valois — que era também a imperatriz latina titular — equipou um exército que invadiu o sul do Epiro e reconquistou Arta. Andrónico III regressou em 1340 com o seu Grande Doméstico, João Cantacuzeno, e, após cercos sangrentos e a capacidade de persuasão de Cantacuzeno, os rebeldes renderam-se e Nicéforo foi capturado. Após 135 anos, o Epiro voltava a ser bizantino.

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Quando Andrónico III morreu em 1341, eclodiu uma guerra entre a sua viúva e Cantacuzeno sobre quem seria o regente do jovem João V (reinou 1341–1391). A guerra civil duraria até 1347 e devastaria Bizâncio. Ana aproveitou o caos para levantar novamente a bandeira da rebelião no Epiro, mas a revolta foi rapidamente suprimida por um dos delegados de Cantacuzeno.

Entretanto, o governante sérvio, Estêvão Dušan (reinou 1331–1355), marchou para sul e capturou a maior parte da Grécia setentrional, incluindo o Epiro, por volta de 1348. Estêvão nomeou o seu irmão, Simeão Uros, como déspota, tendo este casado com a filha de Ana. Contudo, quando Estêvão morreu em 1355, a Sérvia mergulhou no caos e Simeão abandonou o Epiro para combater o seu sobrinho pelo trono sérvio. No meio desta desordem surgiu Nicéforo, que tinha sobrevivido à guerra civil bizantina e agora reconquistava a Tessália e o Epiro em 1356. Porém, uma rebelião por parte dos albaneses levou à morte de Nicéforo em batalha, em 1359. Com o seu falecimento, desaparecia o último descendente direto dos primeiros déspotas Comneno Ducas do Epiro.

A Restauração Italiana

Após a morte de Nicéforo, Simeão voltou da Sérvia e reconquistou a Tessália e o Epiro, mas desta vez sob o título de imperador em vez de déspota. Pouco depois, Simeão cedeu o Epiro aos albaneses, criando dois novos despotados, a Etólia e a Acarnânia, e nomeando os líderes albaneses Gjin Boua Spata e Peter Losha para governarem. Contudo, a importante cidade de Ioannina recusou-se a aceitar o domínio albanês, e o genro de Simeão, Tomás Preljubovic, tornou-se déspota de Ioannina em 1367. Com a morte de Losha em 1374, Spata reunificou os dois despotados; mas, apesar dos ataques regulares dos albaneses a Ioannina, a cidade permaneceu fora das mãos albanesas. Tomás repeliu os albaneses com sucesso e recebeu mesmo a alcunha de "assassino de albaneses", mas a contemporânea Crónica de Ioannina descreve o seu governo como um reinado de terror, tendo ele sido assassinado em 1384.

Após a morte de Tomás, os albaneses sob o comando de Spata atacaram Ioannina, que tinha aclamado como líder a viúva de Tomás, Maria Angelina Ducena Paleóloga (reinou 1384–1385), filha de Simeão Uros. Maria casou-se rapidamente com o nobre e aventureiro florentino Esaú de' Buondelmonti (reinou 1385–1411). Esaú recebeu o título de déspota do imperador bizantino João V. Submeteu-se rapidamente como vassalo dos turcos otomanos — a nova grande potência na região — para ajudar a defender-se contra os ataques albaneses. Após a morte de Maria, casou-se com a filha de Spata em 1396, mas outras tribos albanesas continuaram a atacar Ioannina e, em 1399, Esaú e o seu exército foram capturados por um grupo desses invasores. Esaú foi resgatado vários meses depois.

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No ano seguinte, em 1400, Carlo Tocco, Conde de Cefalónia, começou a recrutar um grande exército de mercenários para atacar os albaneses no Epiro. Por volta de 1408, a Acarnânia estava nas mãos de Carlo, que começou então a capturar mais terras para norte. Quando Esaú morreu em 1411, o povo de Ioannina aclamou Carlo I Tocco (reinou 1411–1429) como o seu novo líder, apenas algumas semanas mais tarde.

Conquests of Carlo I Tocco
Conquistas de Carlo I Tocco Constantine Plakidas (CC BY-SA)

Alarmados com o aumento do poder de Carlo, os senhores albaneses uniram-se e, na Batalha de Kranea, em 1412, derrotaram as forças de Carlo. Após a batalha, Carlo desenvolveu relações estreitas com os turcos otomanos para se precaver contra futuros ataques albaneses. Em 1415, Manuel II concedeu a Carlo o título e a coroa de déspota. No ano seguinte, em 1416, Carlo marchou sobre Arta, executou o último dos seus governantes da família Spata e capturou a cidade. O Despotado do Epiro estava reunificado.

Carlo teve de lidar com duas complicações significativas: a diversidade étnica do Epiro (gregos, sérvios, albaneses e italianos) e as repetidas incursões turcas a partir de 1418. Apesar destes problemas, o aventureiro Carlo embarcou numa maior expansão em 1421; na Moreia, forçou a compra da importante cidade de Clarentza, ocupou a parte noroeste da península e tornou efetivamente o Principado da Acaia seu vassalo. Contudo, quando atacou o Despotado Bizantino da Moreia, as forças bizantinas derrotaram decisivamente a frota de Carlo em 1426, e foi arranjado o casamento entre a sobrinha de Carlo e o futuro Constantino XI Paleólogo (1449–1453), sendo o dote constituído pelas possessões de Carlo no Peloponeso.

A reunificação do Epiro foi de curta duração. Quando Carlo morreu em 1429, as suas possessões foram divididas: as ilhas, Ioannina e Arta foram para o seu sobrinho, Carlo II Tocco (reinou 1429–1448), e a Etólia e a Acarnânia foram divididas entre os seus três filhos ilegítimos, Ercole, Menuno e Torno. As lutas internas começaram imediatamente, e Ercole e Menuno apelaram aos otomanos em busca de ajuda. Em 1430, Ioannina rendeu-se aos otomanos para poupar a cidade da destruição, tal como a cidade de Tessalónica tinha sofrido apenas meses antes. Carlo II foi autorizado a permanecer como senhor de Arta após submeter-se como vassalo aos otomanos. Carlo nunca seria coroado déspota pelos imperadores bizantinos, o que torna Carlo I o último déspota oficial do Epiro.

Carlo II tentou resistir ao domínio otomano na década de 1440, mas os otomanos forçaram-no rapidamente a submeter-se novamente à vassalagem. Apenas seis meses após a morte de Carlo, Arta foi capturada em 1449 pelos otomanos. Foi permitido aos seus jovens filhos governar nas ilhas Jónicas e manter os três castelos que lhes restavam no continente. O reinado de Leonardo III Tocco (reinou 1448–1479) foi meramente uma espera pelo martelo dos otomanos a cair sobre as últimas possessões epirotas. Por volta de 1460, apenas o castelo de Vonitsa permanecia no continente. Os pedidos de ajuda a Veneza, Aragão e ao Papado foram recebidos com somas de dinheiro insignificantes e promessas vazias ou evasivas. Em 1479, uma frota otomana conquistou Vonitsa, Cefalónia, Ítaca, Zante e Leucade em poucas semanas. Leonardo III fugiu com o tesouro que conseguiu reunir. O seu irmão, António, regressou com uma frota napolitana em 1481 e reconquistou brevemente Cefalónia e Zante, mas foi morto em 148. Com a sua morte, o Despotado do Epiro — o último legado direto do Império Bizantino na Grécia — chegava ao fim.

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Goodyear, M. (2026, agosto 07). Despotado do Epiro. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19064/despotado-do-epiro/

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Goodyear, Michael. "Despotado do Epiro." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 07, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19064/despotado-do-epiro/.

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Goodyear, Michael. "Despotado do Epiro." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 07 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19064/despotado-do-epiro/.

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