Ducado de Atenas

Michael Goodyear
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Coin of Guy II de la Roche (by Classical Numismatic Group, Inc., CC BY-SA)
Moeda de Guido II de la Roche Classical Numismatic Group, Inc. (CC BY-SA)

O Ducado de Atenas foi um Estado latino ou franco na Grécia que existiu de 1205 a 1458, criado na sequência da Quarta Cruzada (1202-1204) e seria governado durante a maior parte da sua história pela família borgonhesa de la Roche, pelos catalães sob o domínio dos reis da Sicília e pela família florentina Acciaioli. Enquanto Estado latino na Grécia, manteve ligações estreitas com os seus Estados vizinhos, bem como com os governantes do sul de Itália, e impôs o direito feudal no seu pequeno território na Ática, na Beócia e, mais tarde, na Tessália.

A Fundação do Ducado

Após o saque de Constantinopla pela Quarta Cruzada em 1204, os cruzados latinos e os venezianos dividiram entre si o Império Bizantino. Ao abrigo desta partilha, o novo Império Latino receberia um quarto do Império Bizantino, incluindo Constantinopla. Os venezianos e os restantes cruzados latinos receberiam, cada um, um quarto e metade do Império Bizantino, respetivamente. O problema com esta partilha, contudo, era o facto de ser puramente teórica. Naquela época, apenas Constantinopla tinha sido tomada; o resto do império caído teria de ser conquistado pela força.

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Embora Atenas tivesse sido um importante centro religioso durante o Império Bizantino, a cidade em si era de importância mínima durante este período.

Os Latinos foram inicialmente bastante bem-sucedidos na Europa e estabeleceram uma série de novos principados latinos: o Reino de Tessalónica, o Principado da Acaia, a Triarquia de Negroponte e o Ducado de Atenas, entre outros. Aos principais nobres latinos foram atribuídas terras na Grécia, nominalmente subordinadas ao Rei de Tessalónica ou ao Imperador Latino. Otto de la Roche (reinou 1205-1225/1234), um nobre borgonhês, foi nomeado Duque de Atenas. Embora Atenas tivesse sido um importante centro religioso durante o Império Bizantino, a cidade em si era de importância mínima neste período, sendo largamente ofuscada pelas glórias do seu passado antigo. Otto fortificou a acrópole ateniense e expandiu o seu território, recebendo as cidades de Tebas, Argos, Náuplia e Damala. Tebas era especialmente importante, uma vez que tinha sido o centro da produção de seda bizantina, sendo, por isso, crucial para a prosperidade do ducado.

Ao contrário de alguns dos seus vizinhos latinos, Otto permaneceu leal tanto ao Reino de Tessalónica como ao Império Latino. Simultaneamente, enfrentou dificuldades internas quando tentou impor o catolicismo aos seus novos súbditos ortodoxos e combateu os privilégios tradicionais do clero ortodoxo. Otto começou também a implementar o direito feudal e utilizou o francês como língua administrativa. Otto morreu por volta de 1234, mas possivelmente abdicou do cargo de duque logo em 1225 para permitir que o seu filho, Guido I de la Roche (reinou 1225/1234-1263), governasse.

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Os Duques Latinos

O governo de Guido foi, em geral, bem-sucedido e Atenas prosperou durante este período, permanecendo sem ser atormentada pelos seus vizinhos. A Guerra da Sucessão Eubeota (1256-1258) pôs fim a esta paz, quando Guido apoiou os triarcas eubeus locais e os venezianos, mas foi derrotado pelo Príncipe Guilherme II Villehardouin da Acaia (reinou 1246-1278) em 1258 e forçado a render-se quando Tebas foi cercada. Guilherme tentou depor Guido, e este viajou até França para obter um julgamento sobre se Guilherme seria o seu suserano, devido aos territórios que Guido detinha no Peloponeso, na Grécia. A decisão foi negativa, mas um aspeto positivo da viagem de Guido foi que o Rei Luís IX de França (reinou 1226-1270) elevou oficialmente Atenas ao estatuto de ducado; antes disso, era tecnicamente apenas um senhorio. Outro benefício foi o facto de, com a ausência de Guido, o Ducado de Atenas não ter sido envolvido na desastrosa Batalha de Pelagónia contra os Bizantinos em 1259, na qual o melhor da cavalaria aqueia foi massacrada e Guilherme capturado. Ao regressar à Grécia, Guido foi mesmo nomeado administrador da Acaia enquanto Guilherme definhava numa prisão bizantina.

Map of the Latin Empire: A Crusader State in Constantinople
Mapa do Império Latino: Um Estado Cruzado em Constantinopla Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Foi sob o governo do filho de Guido, João I de la Roche (reinou 1263-1280), que Atenas se aproximou do Estado grego da Tessália, a norte. João marchou duas vezes com um exército para ajudar os tessálios contra o Império Bizantino e foi, inclusive, capturado pelas forças bizantinas numa dessas ocasiões. O filho de João, Guilherme I de la Roche (reinou 1280-1287), chegou a casar-se com uma princesa tessália. Embora as ligações de Atenas à Tessália estivessem a aumentar, o ducado também reconheceu a suserania do poderoso rei da Sicília, Carlos I (reinou 1266-1285), em 1267, através do Tratado de Viterbo, que transferiu a dependência do Ducado de Atenas do extinto Império Latino para Carlos. Embora a tentativa de conquista do Império Bizantino por parte de Carlos tenha acabado por não dar em nada, ele e os seus sucessores exerceriam uma influência marcante na política latina na Grécia durante décadas, ainda que detivessem mais poder e influência no Principado da Acaia do que em Atenas.

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O sucessor de Guilherme, Guido II de la Roche (reinou 1287-1308), tornou-se tutor do jovem governante tessálio João II Doukas (reinou 1303-1318), elevando o poder ateniense ao seu auge. Contudo, quando Guido morreu, João, já com idade suficiente para governar por direito próprio, tentou libertar-se do sucessor de Guido, Gualtério de Brienne (reinou 1308-1311). Gualtério convocou a Companhia Catalã, um famoso grupo de mercenários de Aragão que tinha servido anteriormente o imperador bizantino, até que os bizantinos assassinaram o seu líder, levando a anos de pilhagens dos catalães pelas zonas rurais do Império. Quando estes começaram a deslocar-se em direção ao sul da Grécia, Gualtério contratou-os para reafirmar o poder ateniense na Tessália. Os catalães foram bem-sucedidos, retomando vários castelos e devastando a planície tessália, mas Gualtério ficou inquieto com o seu sucesso e marchou com o seu próprio exército para norte para os derrotar. A Batalha de Halmyros, em 1311, foi um desastre absoluto para o Ducado de Atenas; Gualtério morreu em combate e os catalães tomaram Atenas. Tornar-se-iam os novos duques de Atenas.

A Atenas Catalã

Os catalães reconheceram rapidamente a suserania de Frederico III da Sicília (reinou 1295-1337), a quem a Companhia Catalã tinha servido anteriormente na Sicília antes de entrar ao serviço dos Bizantinos. Frederico nomeou o seu filho Manfredo (reinou 1312-1317), pelo que o domínio catalão sobre Atenas ficaria, principalmente, nas mãos dos segundos e terceiros filhos dos reis aragoneses da Sicília, e dos seus representantes em Atenas. Os catalães mantiveram a administração feudal do ducado, embora tenham passado a utilizar o direito feudal aragonês e instituído o catalão como a língua de administração.

Frederick III of Sicily
Frederico III da Sicília Ardoyno (Public Domain)

O Ducado de Atenas expandiu-se para norte quando João II da Tessália morreu, absorvendo a metade sul daquele Estado. Os catalães transformaram esta parte da Tessália no Ducado de Neopatras, embora, na realidade, este tenha permanecido sempre unificado sob o domínio catalão com o Ducado de Atenas. A única ameaça séria ao domínio catalão surgiu quando o filho de Gualtério de Brienne, também chamado Gualtério, liderou uma cruzada contra os catalães em 1331 e 1332, mas os catalães limitaram-se a retirar para trás das muralhas de Atenas e Tebas e Gualtério, sem capacidade para levar a cabo um cerco prolongado a qualquer uma das cidades, foi forçado a retirar-se derrotado.

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Os catalães resistiram, em grande parte, até 1379, ano em que a Companhia de Navarra, um grupo de mercenários do reino de Navarra (na atual Espanha e França), saqueou Tebas e a região circundante da Beócia em nome de Jaime de Baux, o Imperador Latino titular. Os catalães continuaram a governar Atenas até 1388, quando a família bancária florentina dos Acciaioli capturou Atenas com a ajuda da Companhia de Navarra; Neopatras foi capturada pelos Acciaioli dois anos mais tarde.

As Décadas Finais

As décadas finais do Ducado de Atenas foram um processo triste e era apenas uma questão de tempo até o território cair nas mãos de um dos seus vizinhos mais poderosos. Nerio I Acciaioli (reinou 1388-1394) governou durante algum tempo, mas, pouco depois da sua morte, Atenas foi cercada pelos turcos otomanos, que emergiram ao longo do século anterior como a potência dominante na região. Em desespero, um dos irmãos de Nerio ofereceu Atenas a Veneza em 1395 para proteger a cidade. Contudo, o filho de Nerio, António, ainda detinha Tebas e, em 1402, recapturou a cidade aos venezianos. Tanto António como Veneza apelaram ao Império Otomano em busca de assistência, mas os otomanos estavam distraídos por uma série de guerras civis na sequência da sua derrota na Batalha de Ancara, em 1402. Por conseguinte, foi celebrada a paz entre António e Veneza em 1405, sendo António reconhecido como António I Acciaioli (reinou 1403-1435), tendo promoveu a aprendizagem e a cultura em Atenas, contudo, militarmente, estava estreitamente alinhado com os otomanos e continuou a hostilizar os venezianos.

Antonio I Acciaioli
António I Acciaioli Francesco Fanelli (Public Domain)

Quando morreu, o trono ateniense foi disputado entre os seus sobrinhos, Nerio II (reinou 1435-1439, 1441-1451) e António II (reinou 1439-1441). Esta disputa apenas enfraqueceu Atenas e, após uma guerra com os Otomanos, o governante foi forçado a tornar-se vassalo dos Bizantinos no Despotado da Moreia em 1444 e a entregar Tebas, na sequência da captura de Atenas pelas armas bizantinas. No entanto, as forças otomanas recapturaram Tebas para o Ducado de Atenas pouco tempo depois.

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Os últimos duques de Atenas, Francesco I Acciaioli (reinou 1451-1455) e Francesco II Acciaioli (reinou 1455-1458), governaram efetivamente à mercê dos Otomanos. Assim que Constantinopla caiu nas mãos dos Otomanos em 1453 d.C., foi apenas uma questão de tempo até que o Ducado de Atenas também caísse. Em 1456, Turahanoğlu Bey, um dos comandantes do sultão otomano Mehmed II (reinou 1444-1446, 1451-1481), invadiu o ducado e, em 1458, conquistou a cidade. Francesco II foi morto dois anos mais tarde por ordem do sultão. O Ducado de Atenas, que sobreviveu através de fortunas e dinastias diversas, uma criação surgida na sequência da Quarta Cruzada, chegou finalmente ao fim.

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Goodyear, M. (2026, julho 09). Ducado de Atenas. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19063/ducado-de-atenas/

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