Os conquistadores eram aventureiros militares ibéricos que atuaram como a vanguarda dos impérios nos séculos XV e XVI, explorando as áreas do mundo desconhecidas para os europeus, que derrotavam exércitos indígenas e, posteriormente, distribuíam saques e terras. Em meados do século XVI, os conquistadores tinham sido substituídos por um processo de colonização mais sistemático, composto por governos locais e colonos permanentes.
O termo conquistador (inclusivé, na língua inglesa,) tende a ser aplicado com maior frequência aos aventureiros militares espanhóis nas Américas, mas também pode ser aplicado aos aventureiros portugueses nas regiões do Pacífico e de África. Entre os conquistadores mais infames incluem-se Hernán Cortés (1485-1547), que atacou os Astecas no México a partir de 1519, e Francisco Pizarro (cerca de 1478-1541), que iniciou a conquista da civilização Inca em 1532. Motivados pela falta de oportunidades na sua terra natal e por uma mistura inebriante de zelo religioso e sede insaciável de ouro, os conquistadores arriscaram os perigos da morte por combate, doença e infortúnio para tentarem fazer fortuna. Poucos o conseguiram, deixando, em vez disso, apenas um rasto ardente de destruição, tortura e homicídio.
A nossa repulsa atual em relação a estes primeiros imperialistas não nos deve fazer esquecer que "estes homens evocavam uma admiração generalizada entre os seus contemporâneos" (Cervantes, pág. xvi), uma atitude que permaneceu inalterada até bem avançado o século XX. "A nossa visão das suas muitas atrocidades precisa de ser fundamentada no contexto histórico. O mundo deles não era o mito cruel, retrógrado, obscurantista e fanático da lenda, mas sim o mundo das cruzadas do final da Idade Média" (Idem, pág. xvii). Em suma, os conquistadores eram mais complexos do que a caricatura simplista que o seu nome frequentemente evoca na imaginação.
A Vanguarda Imperial
Os conquistadores eram um grupo heterogéneo; variavam desde simples soldados de infantaria até líderes que reivindicavam a pertença à pequena nobreza. Tinham frequentemente adquirido experiência militar em conflitos como a Reconquista e as Guerras Italianas, mas deparavam-se com dificuldades em encontrar emprego duradouro na Europa. Outro impedimento para o sucesso prendia-se com o facto de muitos destes homens serem filhos ilegítimos, pelo que poucas hipóteses tinham de ascensão social. A descoberta do Novo Mundo em 1492 por Cristóvão Colombo (1451-1506) pareceu oferecer uma oportunidade para começar a vida de novo e obter riqueza numa terra onde qualquer europeu era igual a outro. Além disso, até as mulheres podiam desfrutar de uma liberdade face às convenções mais rígidas da sociedade europeia. As mulheres conquistadoras não eram comuns, mas conhecemos o caso de María de Estrada, irmã do conquistador Francisco de Estrada. María era de Sevilha e combateu em várias batalhas no México.
Os monarcas estavam ansiosos por explorar os recursos que as terras fora da Europa prometiam, contudo as probabilidades de lá chegar, sobreviver e regressar a casa eram reduzidas, ao passo que o custo do equipamento das expedições era enorme. Era preferível que os aventureiros assumissem o risco e os custos por si próprios, tendo como atrativo o reconhecimento oficial quando regressassem. E os riscos eram certamente elevados, sendo as doenças e os acidentes muito mais propensos a pôr fim às aventuras de um conquistador do que qualquer flecha inimiga. Equipar uma embarcação e enchê-la de homens, armas, cavalos e mantimentos constituía um investimento sério e, por isso, exigia a formação de um consórcio de parceiros conquistadores para angariar os fundos necessários.
Os conquistadores prometiam aos monarcas uma percentagem dos ganhos e forneciam conhecimentos inestimáveis para os cartógrafos do Estado. Assim, o título de adelantado era utilizado em Espanha, onde o líder de uma expedição recebia uma licença para conquistar tudo o que encontrasse. Entre estes líderes, a esperança de converter os povos indígenas ao cristianismo estava totalmente interligada com motivações mais mundanas. Hoje em dia é fácil desvalorizar a importância que este zelo religioso tinha para muitos conquistadores, servindo tanto de motivação como de justificação para os meios que utilizavam para colonizar. É também provável que, para muitos, particularmente nos postos mais baixos dos conquistadores — homens de antecedentes duvidosos e sem grandes princípios com que se preocupar —, a aventura tivesse apenas um objetivo: enriquecer rapidamente.
O Armamento de Mundos Diferentes
Muitos dos locais que os conquistadores exploraram nas Américas, em África e no Pacífico já eram habitados, e as populações locais não cederam as suas terras sem dar luta. No entanto, as armas dos conquistadores eram de longe superiores: a besta, o canhão, o arcabuz, a espada de aço, o cão de caça e a cavalaria revelaram-se quase invencíveis contra guerreiros indígenas que se encontravam séculos atrás em termos de tecnologia de armamento. Esta disparidade permitiu que exércitos de conquistadores, que contavam com combatentes na casa das centenas, derrotassem exércitos indígenas compostos por guerreiros na casa dos milhares. Os conquistadores também exploraram rivalidades tribais ancestrais para obter aliados inestimáveis nas suas guerras contra os impérios que dominavam a região antes da sua chegada.
Se tivessem meios para isso, os conquistadores vestiam habitualmente uma couraça, proteções para as coxas e calçavam luvas de metal (manoplas). À medida que se iam apercebendo de que os seus oponentes estavam apenas ligeiramente armados, a armadura tendeu também a tornar-se mais leve, uma vez que não necessitava de proteger contra balas ou virotes de besta. De qualquer forma, as condições climáticas húmidas faziam estragos na armadura de metal. Muitos conquistadores não se importavam de adotar tipos de armadura locais, como casacos acolchoados de algodão ou de fibras de maguey (agave) que tinham sido embebidos numa solução de água salgada para os endurecer o suficiente para resistirem às flechas. Uma peça de equipamento omnipresente que se tornou uma característica definidora dos conquistadores foi o morrião, um capacete com a sua crista proeminente e abas reviradas. Por fim, um conquistador podia carregar um broquel, um pequeno escudo circular de aço utilizado para aparar os golpes de um atacante. Também se utilizavam escudos de couro endurecido.
As poucas armas que os povos indígenas possuíam eram utilizadas com grande perícia. Um conquistador com armadura vestida era quase inexpugnável, mas corria o risco de sofrer ferimentos graves ou a morte devido a um golpe no rosto desprotegido, causado por dardos, flechas e tiros de funda bem direcionados. Uma desvantagem clara para os defensores face aos conquistadores era a sua abordagem à guerra, que era frequentemente muito ritualizada. Os oficiais usavam trajes proeminentes, pelo que eram fáceis de identificar e de eliminar do campo de batalha. Muitos guerreiros indígenas insistiam em fazer cativos vivos, o que significava, muitas vezes, que os conquistadores podiam ser resgatados mais tarde pelos seus companheiros.
A Pacificação
Assim que uma área era conquistada, mesmo que não na totalidade, os conquistadores partilhavam os saques com que se deparavam, tais como ouro, prata, esmeraldas, pérolas, madeiras preciosas e peles de animais. Os objetos de metal precioso eram fundidos para facilitar a distribuição e porque ninguém se importava com a arte indígena ou com o significado cultural de peças que tinham sido veneradas durante gerações. Em meados do século XVI, tinham sido roubadas do continente americano mais de 100 toneladas de ouro. No final do século XVI, as frotas de tesouros espanholas já tinham transportado 25 000 toneladas de prata para a Europa.
A partilha sobre quem ficava com o quê era um processo inexato no qual muitos conquistadores saíam a perder, enquanto outros obtinham vastas riquezas que distribuíam, juntamente com títulos e terras, pelos seus seguidores pessoais e familiares. De facto, a maior ameaça aos ganhos de um conquistador não vinha dos povos indígenas, mas sim de outros europeus que não olhavam a meios para garantir que as suas aventuras não ficassem sem recompensa. Cortés foi assolado por processos judiciais contra si que alegavam que ele não tinha partilhado os seus ganhos ilícitos de forma justa. Uma rutura entre Pizarro e o seu segundo comandante, Diego de Almagro (cerca de 1475-1538), por causa dos despojos de guerra custou a vida a Pizarro, que acabou por ser assassinado na sua própria cama — uma disputa que se estendeu à geração seguinte.
Depois dos conquistadores terem arrecadado tudo o que podiam, estabelecido fortalezas para manter os ganhos e construído as igrejas que tinham prometido aos seus monarcas, a fase seguinte da colonização foi a da "pacificação". Esta etapa prendia-se mais com a exploração de recursos a longo prazo, como a mineração, a escravatura e o trabalho forçado em plantações. Nestas áreas, os conquistadores tinham pouco a contribuir e, por isso, os seus Estados natais afastaram-nos em favor de administradores profissionais e de colonos permanentes vindos da Europa. Isto causou enorme amargura entre os homens que tinham arriscado as suas vidas para forjar um império; contudo, os objetivos materialistas dos conquistadores, a sua falta de experiência na governação, os seus métodos questionáveis e o tratamento cruel dado aos povos indígenas colocaram-nos em conflito com figuras da Igreja e com organizações como o Conselho das Índias. Este conselho era o órgão governante do Império Espanhol e tinha dois objetivos: a extração de recursos e a conversão da população local ao cristianismo. Estes propósitos eram, por si só, frequentemente contraditórios, uma vez que uma pessoa roubada dificilmente olharia para a religião do seu ladrão com grande admiração; além disso, os conquistadores frequentemente assassinavam, torturavam ou faziam as pessoas trabalhar até à morte, o que significava que não havia qualquer hipótese de salvar almas. As mortes resultantes de guerras, doenças europeias e maus-tratos entre as populações indígenas foram avassaladoras. Para citar apenas um triste exemplo, o México viu a sua população cair abruptamente de 25 milhões em 1520 para 3 milhões em 1556. A mesma escala de devastação foi observada por onde quer que os conquistadores passassem.
Os conquistadores começaram a ser atacados, pelo menos em palavras, pelo seu próprio lado. Homens como o frade dominicano espanhol Bartolomé de las Casas (1484-1566), ele próprio um antigo conquistador, escreveram sobre as atrocidades das conquistas das Américas. A obra de Las Casas, Brevíssima Relação da Destruição das Índias (tít. original Brevissima relacion de la destruycion de las Indias) publicada em 1522, foi uma acusação gráfica, embora talvez exagerada, do comportamento ganancioso e anticristão os conquistadores. Esta obra moldou certamente a opinião pública contra os conquistadores e influenciou os detentores do poder a substituí-los por um sistema mais profissional de governo colonial. Os conquistadores também tinham inimigos no estrangeiro. Outras potências europeias, particularmente as protestantes, não conseguiam esconder a sua inveja das riquezas que os católicos Portugal e Espanha estavam a extrair das suas colónias. Os ingleses, em particular, criaram uma destruição de caráter magistral contra os espanhóis através da sua "Lenda Negra", um termo cunhado pelo historiador espanhol Julián Juderías y Loyot (1877-1918). Tratava-se de um corpo de literatura que denegria os espanhóis, uma iniciativa alimentada pelo trabalho de Las Casas, que foi publicado em várias línguas e acompanhado por ilustrações macabras das crueldades bárbaras sofridas pelos povos indígenas.
As Novas Leis de Espanha de 1542 procuraram aliviar alguns dos sofrimentos dos povos indígenas na América Espanhola, mas muitos conquistadores e os seus descendentes rebelaram-se contra estas medidas. Isto tornou-se mais um motivo para o Estado substituir os conquistadores por funcionários externos recrutados na Europa. Os conquistadores e a sua descendência tinham a esperança de estabelecer um sistema medieval nas colónias, no qual os direitos de terra e os títulos se mantivessem na mesma família ao longo de gerações, mas tal nunca viria a concretizar-se na prática.
Com a sua autoridade substituída por governadores coloniais e figuras da Igreja, muitos conquistadores passaram a ter escolhas limitadas. A maioria ou regressou a Espanha de bolsas vazias ou dedicou-se a atividades mais pacíficas como a agricultura, mesmo que isso representasse uma espécie de retrocesso para homens de armas: Cortés afirmou outrora: "Vim para aqui para obter ouro, não para amanhar a terra como um camponês" (von Habsburg, pág. 48). Uma terceira opção, e muito mais atraente, era continuar a conquistar, avançando para territórios ainda inexplorados na esperança de aí encontrar novas riquezas. Foi isto que motivou homens como Almagro a explorar o Chile em 1535 e Francisco Vásquez de Coronado (cerca de 1510-1554) a deambular pela América do Norte em 1540, mas nenhum deles encontrou as cidades de ouro fabulosas com que sonhava. Estas expedições, e houve muitas, causaram ainda mais estragos e tragédias por onde quer que passassem e trouxeram poucos benefícios em termos de riqueza, mas forjaram o caminho para a colonização futura ao mapearem áreas do mundo que os europeus nem sequer sabiam que existiam. No século XVI, o mapa-mundo estava, finalmente, a ganhar forma, e quanto mais terras lhe eram adicionadas, mais ambiciosos se tornavam os governantes da Europa em reivindicar o maior número possível de parcelas do mesmo.
