Cartago

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Roman Naval Attack on Carthage (by The Creative Assembly, Copyright)
Ataque Naval Romano contra Cartago The Creative Assembly (Copyright)

Cartago foi uma cidade-estado fenícia na costa do Norte da África (onde atualmente é Túnis) tendo sido a entidade política mais abrangente, abastada e poderosa do Mediterrâneo antes do conflito com Roma: conhecido como as Guerras Púnicas (264-146 a.C.). Para a distinguir da cidade fenícia mais antiga de Útica, que ficava nas proximidades, originalmente a cidade era conhecida como Kart-hadasht (cidade nova); os gregos chamavam-na de Karchedon e os romanos transformaram o nome em Carthago.

Cartago foi fundada por volta de 814 a.C. pela lendária rainha fenícia Dido, e o seu tamanho incrementou após o influxo de refugiados da cidade de Tiro, no dessenrolar das conquistas de Alexandre, o Grande, em 332 a.C. A partir daí, Cartago expandiu-se até se tornar a capital do Império Cartaginês, com colónias (como Sabratha) ao longo da costa do Norte da África, na Sicília, em Espanha e em outros lugares. Após as Guerras Púnicas perdem todas as colónias, elevando Roma à antiga posição de Cartago como a maior potência do Mediterrâneo.

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A história da cidade antiga é geralmente dividida em cinco períodos:

  • Cartago Antiga (República Púnica) – cerca de 814-146 a.C.
  • Cartago Romana – 146 a.C. - 439 d.C.
  • Cartago Vândala – 439-534
  • Cartago Bizantina (Exarcado da África) – 534-698
  • Cartago Muçulmana Árabe (Cartago Islâmica) – 698-1270

Devido às limitações de espaço, este artigo trata principalmente da Cartago Antiga, a República Púnica.

A cidade foi conquistada e destruída durante a invasão árabe muçulmana do Norte da África no ano de 698. Seria reconstruída, embora em escala modesta comparanda com a cidade no seu auge, até ser completamente destruída sob o reinado de Maomé I al-Mustansir (governou de 1228-1277) em 1270 após a derrota da invasão cristã europeia da Oitava Cruzada. O local continuou a ser habitado, embora as ruínas antigas tenham sido negligenciadas até à década de 1830, quando se iniciaram as escavações modernas.

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Map of the Rise and Fall of Carthage (c. 650-146 BCE)
Mapa da Ascensão e Queda de Cartago (cerca de 650-146 a.C.)) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Fundação e Expansão

De acordo com a lenda, Cartago foi fundada pela rainha fenícia Elissa (mais conhecida como Dido) por volta de 814 a.C. Embora seja questionada a historicidade de Dido, a fundação da cidade data aproximadamente desta época. Dido, supostamente, fugia da tirania do seu irmão Pigmalion, do Líbano, quando desembarcou na costa do Norte da África e estabeleceu a cidade no alto de uma colina mais tarde conhecida como Birsa. A lenda afirma que o chefe berbere que controlava a região disse-lhe que poderia ter tanta terra quanto uma pele de boi pudesse cobrir; então, Dido cortou uma única pele de boi em tiras finas e as estendeu de ponta a ponta em redor da colina, reivindicando-a com sucesso para o seu povo.

A CIDADE DESENVOLVEU-SE SIGNIFICATIVAMENTE APÓS A DESTRUIÇÃO DO GRANDE CENTRO INDUSTRIAL E COMERCIAL DE TIRO POR ALEXANDRE, O GRANDE, QUANDO OS REFUGIADOS FUGIRAM PARA CARTAGO.

O reinado de Dido é descrito pelo poeta romano Virgílio (70-19 a.C.), e outros, como impressionante, destacando como a cidade cresceu de uma pequena comunidade na colina para uma grande metrópole. Este relato, e outros semelhantes, são lendários, contudo Cartago, que parece ter sido inicialmente um porto menor na costa onde os comerciantes fenícios paravam para reabastecer ou reparar os navios, era claramente um importante centro de comércio no século IV a.C.

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A cidade desenvolveu-se de forma significativa após a destruição de Tiro por Alexandre, o Grande, em 332 a.C., o grande centro industrial e comercial; e considerada como a cidade-mãe de Cartago, quando muitos refugiados fenícios fugiram de Tiro para Cartago, com as riquezas que possuiam, e como muitos dos que Alexandre poupou eram ricos o suficiente para comprar as suas vidas, desembarcaram na cidade com consideráveis recursos, o que dotou Cartago como o novo centro do comércio fenício.

Carthage - Artist's Impression
Cartago - Impressão Artística Amplitude Studios (Copyright)

Desta forma, os cartagineses estabeleceram uma relação de trabalho com as tribos conhecidas como Masaesyli e Massylii, do Reino Númida dos Berberes do Norte da África, que se juntariam às suas fileiras militares, principalmente como formidáveis tropas de cavalaria. De uma pequena cidade na costa, a cidade cresceu em tamanho e grandiosidade, com enormes propriedades que cobriam quilómetros de extensão. Cartago rapidamente se tornou a cidade mais rica e poderosa do Mediterrâneo.

O governo cartaginês, anteriormente uma monarquia, transformou-se numa república baseada na meritocracia (o governo da elite) por volta do século IV a.C. O cargo mais alto era ocupado por dois magistrados eleitos, conhecidos como sufetes (“juízes”), que governavam em conjunto com um senado composto por 200 a 300 membros vitalícios, sendo as leis e as medidas propostas votadas e aprovadas por uma assembleia de cidadãos. Os aristocratas viviam em palácios, as classes menos abastadas em casas modestas mas agradáveis, e as classes mais baixas em apartamentos ou cabanas nos arredores da cidade.

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Os Tributos e as tarifas aumentavam regularmente a riqueza da cidade aos quais acresciam os lucros do comércio marítimo. A cidade tinha variadíssimos portos, com 220 cais e colunas brilhantes que se erguiam em semicírculo à sua volta, em frente a imponentes arcos e edifícios ornamentados com escultura grega. Havia dois portos: um para o comércio e outro para navios de guerra, que operavam constantemente no reabastecimento, reparação e aprovisionamento de embarcações. Os navios mercantes cartagineses navegavam diariamente para portos por todo o Mar Mediterrâneo, enquanto que a sua marinha, suprema na região, os mantinha seguros e, também, abria novos territórios para comércio e recursos através da conquista, à medida que os cartagineses construíam o seu império.

Carthage and its Harbour
Cartago e seu Porto The Creative Assembly (Copyright)

A cidade tinha quatro secções residenciais, que se desenvolviam em torno da cidadela de Birsa, no centro, e era cercada por muralhas que se estendiam por 37 km (23 milhas) dos portos para o interior. A cidade possuía todas as acomodações e refinamentos de qualquer grande cidade antiga – um teatro para entretenimento, templos para os ritos religiosos, uma necrópole, uma ágora (mercado) – mas numa escala muito maior. A divindade padroeira Tanit era a deusa do amor e da fertilidade, adorada juntamente com o seu consorte Baal-Hamon. É possível que as crianças fossem sacrificadas a Tanit no santuário sagrado conhecido como o Tofet, mas tal afirmação tem sido contestada, e é igualmente provável que o Tofet de Cartago fosse simplesmente uma necrópole reservada para bebés e jovens.

Riqueza e Invasão

A riqueza da cidade devia-se não só à sua posição vantajosa na costa do Norte de África, de onde podia controlar o tráfego marítimo entre ela e a colónia Sicília, como também à habilidade do povo na agricultura. O escritor Mago de Cartago (datas desconhecidas) escreveu uma obra de 28 volumes dedicada à agricultura e à ciência veterinária, que foi considerada a mais completa sobre o tema no seu tempo e reflete o intenso interesse dos cartagineses na agricultura e na pecuária. Os seus trabalhos foram considerados tão importantes que estavam entre os poucos que seriam poupados pelos romanos após a derrota final de Cartago em 146 a.C. As referências romanas aos livros são agora tudo o que resta deles.

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Os cartagineses plantaram pomares, vinhas, olivais e hortas num anel de jardins irrigados por pequenos canais e, depois, expandiram o cultivo para além das muralhas da cidade, para campos de cereais. A fertilidade da terra e a sua experiência na agricultura aumentaram a riqueza da cidade através do comércio com o interior, bem como do comércio marítimo com outras regiões, à medida que Cartago continuava a prosperar.

Floral Seasons Mosaic, Carthage
Mosaico das Estações Florais, Cartago Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Foi esta expansão que, pela primeira vez, colocou Cartago em conflito com os outros povos. Entre 310 e 307 a.C., o norte da África foi invadido por Agátocles de Siracusa (reinou 317-289 a.C.), que tentou subjugar Cartago e usar a riqueza para financiar as suas guerras. Agátocles conseguiu alimentar o exército facilmente com o que a terra oferecia, pois as colheitas cresciam em grande abundância. Só foi derrotado porque os líbios e os berberes, que trabalhavam a terra, aliaram-se aos cartagineses, que os tratavam bem. Agátocles foi expulso do norte da África e Cartago continuou a prosperar até se envolver num conflito com Roma, então apenas uma pequena cidade-estado no rio Tibre, na Itália, em 264 a.C.

As Guerras Púnicas

O controlo da Sicília era dividido entre Roma e Cartago, que apoiavam facções opostas na ilha, o que rapidamente levou ambas as partes a um conflito direto. Estes conflitos ficaram conhecidos como as Guerras Púnicas, a partir da palavra fenícia para os cidadãos de Cartago (que em grego era Phoinix e em latim Punicus). Enquanto Roma era mais fraca que Cartago, não representava uma ameaça. A marinha cartaginesa já era capaz de impor o tratado que impedia a República Romana de comercializar no Mediterrâneo ocidental. No entanto, quando a Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.) começou, Roma mostrou-se muito mais engenhosa do que Cartago poderia ter imaginado.

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Embora não tivessem marinha e nada soubessem sobre combate naval, os Romanos rapidamente construíram 330 navios, que equiparam com rampas e passarelas engenhosas (o corvus), que podiam ser baixadas e fixadas a um navio inimigo, transformando desta forma uma batalha naval numa batalha terrestre. Após uma luta inicial com as táticas militares, Roma venceu uma série de batalhas e finalmente derrotou Cartago em 241 a.C, que foi forçada a ceder a Sicília a Roma e a pagar uma pesada indemnização de guerra.

The Second Punic War (218 - 201 BCE)
A Segunda Guerra Punica (218-201 a.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Após esta guerra, Cartago envolveu-se no que é conhecido como a Guerra dos Mercenários (241-237 a.C.), que começou quando o exército cartaginês de mercenários exigiu o pagamento que Cartago lhes devia. Esta guerra foi finalmente vencida por Cartago graças aos esforços do general Amílcar Barca (viveu por volta de 285 a.C. - 228 a.C.), pai do famoso Aníbal Barca (viveu de 247 a.C. - 183 a.C.) da Segunda Guerra Púnica.

Cartago sofreu muito com a Primeira Guerra Púnica e a Guerra dos Mercenários e nada pode fazer quando Roma ocupou as colónias cartaginesas da Sardenha e da Córsega. Tentaram tirar o melhor partido da situação expandindo as suas possessões em Espanha, mas voltaram a entrar em guerra com Roma quando em 218 a.C Aníbal atacou a cidade de Sagunto, uma aliada de Roma em Espanha.

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A Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.) foi travada, em grande parte, no norte de Itália, pois Aníbal invadiu o território a partir de Espanha, fazendo marchar as forças pelos Alpes. Aníbal venceu todos os confrontos contra os Romanos em Itália. Em 216 a.C., alcançou a sua maior vitória na Batalha de Canas, mas, por falta de tropas e suficientes mantimentos, não conseguiu dar seguimento aos seus sucessos. Foi finalmente atraído para fora de Itália e derrotado pelo general romano Cipião Africano (viveu de 236 a.C. - 183 a.C.) na Batalha de Zama, no Norte de África, em 202 a.C., e Cartago mais uma vez pediu a paz.

Novamente sob uma pesada indemnização de guerra imposta por Roma, Cartago debatia-se para pagar a dívida enquanto tentava, ao mesmo tempo, defender-se das incursões da vizinha Numídia, sob o comando do rei Masinissa (também conhecido por Massinissa), (governou de cerca de 202 a.C. - 148 a.C.). Masinissa tinha sido aliado de Roma na Segunda Guerra Púnica e era encorajado por Roma a atacar o território cartaginês à sua bela vontade. Cartago entrou em guerra contra Numídia e, ao fazê-lo, quebrou o tratado de paz com Roma, que proibia a mobilização militar de Cartago.

Cartago sentiu que não tinha outra opção senão defender-se das invasões de Masinissa, mas foi censurada por Roma e obrigada a pagar uma nova dívida de guerra a Numídia. Tinham acabado de pagar a dívida a Roma, e agora deviam uma nova e esmagadora indemnização de guerra. Roma não se importava com o conflito entre Cartago e Numídia, mas não via com bons olhos a súbita revitalização do exército cartaginês.

Punic Cuirass
Couraça Púnica Alexander van Loon (CC BY)

Cartago acreditava que o tratado com Roma tinha terminado com o fim da dívida de guerra; Roma discordava. Os romanos defendiam que Cartago ainda era obrigada a curvar-se à sua vontade; tanto que o senador romano Catão, o Velho, terminava todos os seus discursos, independentemente do tema, com a frase: "Além disso, penso que Cartago deve ser destruída." Em 149 a.C., Roma decidiu seguir exatamente este rumo de ação.

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Uma embaixada romana em Cartago apresentou uma lista de exigências que incluíam a estipulação de que Cartago fosse reduzida a escombros e, depois, reconstruída mais para o interior, anulando assim a vantagem há muito reconhecida que a cidade tinha no comércio devido à sua posição costeria. Os cartagineses, compreensivelmente, recusaram-se a fazê-lo e iniciou-se a Terceira Guerra Púnica (149-146 a.C.).

O general romano Cipião Emiliano (viveu de 185 a.C. - 129 a.C.) sitiou Cartago durante três anos até a cidade capitular. Depois de a saquear, os romanos arrasaram-na, não deixando uma única pedra sobre a outra. Um mito moderno cresceu em torno da ideia de que as forças romanas, depois, semearam sal nas ruínas para que nada mais voltasse a crescer, mas esta afirmação não tem base factual. Diz-se que Cipião Emiliano chorou quando ordenou a destruição da cidade e se comportou de forma virtuosa para com os sobreviventes do cerco.

História Posterior

O PODER VOLTOU A MUDAR DE ÚTICA PARA CARTAGO, E ESTA PERMANECEU UMA IMPORTANTE COLÓNIA ROMANA ATÉ CAIR NAS MÃOS DOS VÂNDALOS.

Útica tornou-se então a capital das províncias africanas de Roma e Cartago permaneceu em ruínas até 122 a.C., quando o tribuno romano Caio Semprónio Graco (viveu de 154 a.C. - 121 a.C.) fundou ali uma pequena colónia. No entanto, os problemas políticos de Caio e a memória das Guerras Púnicas, ainda demasiado recentes, conduziram a colónia ao fracasso. Júlio César propôs e planeou a reconstrução de Cartago e, cinco anos após a sua morte, Cartago ressurgiu. O poder passou então de Útica de volta para Cartago – que se tornou o celeiro de Roma, graças ao mesmo sucesso agrícola que a tinha enriquecido anteriormente – e manteve-se uma importante colónia romana até cair nas mãos dos Vândalos, sob o rei Genserico (governou de 428 d.C. - 478), em 439 d.C.

À medida que o cristianismo se expandia Cartago crescia em proeminência, e Agostinho de Hipona (Santo Agostinho, viveu de 354 - 430) contribuiu para o seu prestígio ao viver e ensinar lá. A cidade era considerada tão ilustre que o Concílio de Cartago de 397 foi lá realizado. Esta série de sínodos viria a confirmar o cânone bíblico para a Igreja Ocidental, legitimando as narrativas que se tornariam conhecidas como a Bíblia. A invasão Vândala do Norte de África não travou o desenvolvimento do cristianismo na região, mas as tensões aumentariam entre os cristãos arianos (principalmente os vândalos) e os cristãos trinitários, tal como aconteceu noutros lugares.

Os Vândalos, sob o comando de Genserico, aproveitaram ao máximo a localização da sua nova cidade; saquearam os navios e as cidades costeiras à vontade. As tentativas romanas de os expulsar falharam, e assim foi assinado um tratado em 442 entre Genserico e Valentiano III (governou de 425-455), que reconhecia o Reino Vândalo do Norte de África como uma entidade política legítima e estabelecia relações de paz. No entanto, quando Valentiano III foi assassinado em 455, Genserico desconsiderou o tratado, por acreditar que era apenas entre ele e o imperador, e navegou para Roma, pilhou a cidade, mas, de acordo com o pedido do Papa Leão I (Papa de 440-461), não a danificou nem fez mal à população.

Coin of King Gelimer
Moeda do Rei Classical Numismatic Group, Inc. (CC BY-SA)

O último rei vândalo cristão ariano, Gelimer (governou de 530-534) retomou a perseguição aos cristãos trinitários, o que enfureceu o imperador trinitário romano do Oriente, Justiniano I (governou de 527-565). Justiniano enviou o seu grande general Belisário (505-565) para o Norte de África, que venceu a breve Guerra Vândala (533-534), levou Gelimer acorrentado para Constantinopla e devolveu Cartago ao Império Bizantino (330-1453), sob o qual a cidade continuou a prosperar.

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Sob o domínio dos Bizantinos, Cartago prosperou através do comércio e como uma importante fonte de cereais para o Império Romano do Oriente (o Império Romano do Ocidente havia caído por volta de 476). Por volta de 585, Cartago tornou-se a sede do Exarcado de África, sob o imperador bizantino Maurício (governou de 582-602), uma região administrativa separada criada para uma governação mais eficaz das áreas ocidentais do império.

No ano de 698, os muçulmanos derrotaram as forças bizantinas na Batalha de Cartago, destruíram a cidade por completo e expulsaram os Bizantinos de África. Em seguida, fortificaram e desenvolveram a cidade vizinha de Túnis e estabeleceram-na como o novo centro de comércio e governação da região. Sob o domínio dos muçulmanos árabes, Túnis prosperou mais do que Cartago, mas a cidade continuou a florescer até à Oitava Cruzada, em 1270, quando foi tomada pelos cruzados europeus, que fortificaram a cidadela de Birsa. Uma vez derrotados, Maomé I al-Mustansir (Muhammad I al-Mustansir) para evitar qualquer futura ocupação mandou demolir as defesas da cidade e arrasar muitos dos edifícios.

Conclusão

O local da antiga cidade continuou a ser habitado e foi incluído na região tomada pelo Império Otomano (1299-1922), que desinteressados em escavar as ruínas, usaram as pedras das casas, templos e muralhas caídas para projetos de construção pessoais ou administrativos, ou abandonadas onde tinham sido encontradas. A escavação arqueológica moderna começou na década de 1830, através dos esforços do consulado dinamarquês, e continuou sob o domínio francês entre cerca de 1860 e 1900.

Durante a primeira parte do século XX foram realizados mais trabalhos no local, mas, tal como em Sabratha e noutros locais, os arqueólogos estavam mais interessados na história romana de Cartago. O ambiente político e cultural da época definia os cartagineses, que eram semitas, como um povo de pouco valor. O antissemitismo influenciou significativamente não só a interpretação das provas físicas, mas também a escolha do que era ou não guardado para ser exposto em museus.

A história do período da Cartago Antiga, portanto, sofreu tanto com estas escavações modernas quanto com a destruição da cidade por Roma ou com os conflitos posteriores. Só depois da Segunda Guerra Mundial é que começou o trabalho sistemático e imparcial em Cartago, seguindo um novo padrão consistente com a escavação e interpretação de muitos outros sítios antigos.

Cartago ainda se encontra em ruínas na atual Tunísia e continua a ser uma importante atração turística e um sítio arqueológico: ainda pode ser visto o contorno do grande porto, bem como as ruínas das casas, balneários públicos, templos e palácios da época em que a cidade de Cartago governava o Mediterrâneo como a joia mais opulenta da costa do Norte de África.

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2025, September 11). Cartago. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-205/cartago/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Cartago." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, September 11, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-205/cartago/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Cartago." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 11 Sep 2025, https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-205/cartago/.

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