A Jornada de Enki a Nipur

Uma Celebração da Vida
Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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A Jornada de Enki a Nipur (incipit: Ud re-a ud sud-ra-a; por volta de 2000 a.C.) é um mito de origem sumério que explica a criação do templo em Eridu pelo deus Enki e como os instrumentos musicais foram instituídos para uso em festivais na antiga Mesopotâmia. O poema fazia parte da "Década" (dez composições de estudo avançado) na educação mesopotâmica.

Babylonian Statue of Enki
Estátua Babilónica de Enki Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Esta obra (também conhecida como Enki Constrói o E-engura e A Jornada de Enki a Nibru) descreve a criação do E-engura (templo) por Enki, os louvores dados ao seu trabalho pelo seu ministro/servo Isimud, a conclusão da obra e a viagem de Enki a Nipur (também conhecida como Nibru), onde ele organiza um banquete para celebrar a sua conquista e recebe as bênçãos do deus Enlil. Apesar do título sugirir que a obra se foca na jornada, tal parte da história surge apenas nas últimas 33 linhas.

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O poema foi encontrado nas ruínas da cidade de Nipur (no atual Iraque) em meados do século XIX e nas ruínas de Ur no início do século XX; este último achado complementou a tábua fragmentada descoberta em Nipur.

A obra é importante enquanto mito fundador mesopotâmico (mito de criação ou origem) sobre a edificação do templo de Enki, a inclusão do álcool como parte das celebrações religiosas e a importância dos instrumentos musicais nos festivais religiosos, mas também pelo seu contributo para o estudo académico moderno relativo ao currículo da edubba ("Casa das Tábuas"), a escola de escribas mesopotâmica.

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Acresce ainda o poema sugerir o motivo comum na literatura religiosa antiga de um deus que cria algo do nada e, frequentemente, através do poder da palavra. Em Enki e a Ordem do Mundo, o deus cria o mundo ao proferi-lo, e o mesmo parece suceder em A Jornada de Enki a Nipur, ainda que não seja declarado de forma tão explícita. Pensa-se que este motivo tenha influenciado obras posteriores, incluindo o primeiro capítulo do livro de Génesis na Bíblia.

Enki e a Edubba

Enki era o deus sumério da sabedoria, inteligência, astúcia, brincalhão, artesanato, magia, exorcismo, cura, criação, virilidade e fertilidade, arte e água doce. Embora os mitos em que figura abranjam todos os aspetos supracitados, estava primordialmente associado à água doce e à sabedoria, como observado pelo estudioso Stephen Bertman:

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O domínio de Enki era o Abzu (ou Absu), um oceano de água doce sobre o qual a terra flutuava e que servia como a fonte dadora de vida de riachos e rios. Devido à fonte secreta e potente da água,

Enki estava associado à sabedoria arcana, corporizada tanto em ofícios especializados como em feitiçaria. Ele usou a sua astúcia para salvar a humanidade antes do Grande Dilúvio, e era a ele que recorriam aqueles que se viam a braços com crises. A sua cidade sagrada era a aquática Eridu.

(pág. 118)

Os sumérios compreendiam Eridu como a cidade mais antiga da Terra e o local onde a ordem, a lei e a realeza foram estabelecidas pela primeira vez. Como fundador da cidade, Enki estava, portanto, entre os mais antigos e venerados do panteão mesopotâmico. Era também conhecido por outros nomes, incluindo Nudimmud (conforme referido no poema), Ninsiku, Nissiku, Enkig e Ea, cada um utilizado para descrever um aspeto diferente do deus ou o nome que lhe era atribuído por uma cultura diferente.

Como deus da sabedoria e da inteligência, Enki estava naturalmente associado às escolas de escribas mesopotâmicas.

Enki surge pela primeira vez na literatura suméria no período Dinástico Antigo III (2600–2350 a.C.) sob estes nomes, com exceção de Ea, que foi o nome utilizado pelos acádios a partir de cerca de 2400 a.C., e possivelmente Nudimmud, um nome babilónico.

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Era filho do deus do céu An (Anu), embora por vezes referenciado (como neste poema) como filho de Enlil, muito provavelmente um termo simbólico que significa que agia de acordo com a vontade de Enlil. É habitualmente retratado como um igual ou quase igual a Enlil, tal como na lista dos Sete Poderes Divinos (os deuses sumérios mais antigos): Anu, Enki, Enlil, Inanna, Nanna, Ninhursag e Utu-Shamash.

Como deus da sabedoria e da inteligência, Enki estava naturalmente associado às escolas de escribas mesopotâmicas, embora, dos muitos mitos em que figura – e que teriam sido memorizados e copiados pelos escribas na antiga Mesopotâmia –, apenas A Jornada de Enki a Nipur tenha sido incluído como parte do currículo.

Os alunos começavam a sua educação com textos simples antes de progredirem para a "Tétrada" (quatro composições) e, depois, para a mais difícil "Década". A Jornada de Enki a Nipur teria sido incluída tanto pela complexidade do texto como pelo seu conteúdo, que louva Enki como um deus da criação.

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Sumerian Scribe
Escriba Sumério Osama Shukir Muhammed Amin (CC BY-SA)

O Resumo e o Comentário

As linhas 1-17 descrevem a criação do templo em Eridu por Enki, o qual ele eleva do abzu e ornamenta com prata e lápis-lazúli. O seu ministro, Isimud, elogia então a obra, descrevendo o templo e enumerando alguns dos instrumentos musicais que Enki criou para celebrações, tais como o instrumento alijar, o tambor balaj e outros (linhas 18-70).

Após esta secção, a majestade do templo é enfatizada, sendo feita referência aos tambores a utilizar nos festivais – os tambores ala e os tambores ub (linhas 71-95). Enki parte então de Eridu em direção a Nipur, a cidade sagrada de Enlil, onde convida An, os deuses Anuna (divindades mais antigas) e Enlil para um concurso de bebida para celebrar, terminando a obra com louvores a Enki (linhas 96-129).

Esta celebração envolve apenas álcool; não é mencionada comida, o que se enquadra no caráter de Enki como um deus que desfrutava habitualmente de bebidas fortes, mas também realça o aspeto festivo do encontro e aborda a tradição de beber em festivais religiosos. A cerveja era entendida como a bebida dos deuses e, neste poema, vemo-los a celebrar apenas com cerveja e licores. Aquilo que era bom para os deuses era reconhecido como igualmente bom para a humanidade, pelo que o concurso divino de bebida justificava e explicava competições mortais posteriores do mesmo género.

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Mesopotamian Banquet Scene
Cena de Banquete Mesopotâmico Mbzt (CC BY)

As referências aos instrumentos musicais na obra são tão importantes quanto a descrição e o louvor do templo ou da celebração, uma vez que o autor deixa claro que Enki os criou, tal como criou o seu novo lar em Eridu. Os instrumentos, que um público sumério reconheceria como os mesmos tocados em festivais, recebem aqui um ponto de origem e um criador. Enki é visto como o arquiteto tanto do seu templo como de um dos principais meios através dos quais era adorado: a música. A académica Dahlia Shehata comenta:

O estatuto religioso de um instrumento musical é evidente através das suas ocorrências nos registos escritos, que consistem em textos literários, listas lexicais e documentos administrativos... Além disso, existem marcadores como os adjetivos ku/kug 'sagrado; puro' ou mah, 'grande'; contudo, tais classificadores e atributos não são usados regularmente.

A informação sobre o estatuto religioso de um instrumento musical é mais facilmente deduzida a partir do contexto em que aparece, seja mencionado na mitologia, guardado num templo ou adorado através de oferendas regulares e cuidado por meio de rituais especiais.

(Westenholz et al., pág. 103)

A afirmação de Shehata é ilustrada claramente em A Jornada de Enki a Nipur, onde as linhas 62-67 mostram como Enki fabricou os instrumentos para "oferecer o seu melhor para o seu templo sagrado", enquanto as linhas 93-95 ligam as oferendas sacrificiais à instalação dos tambores. O poema, portanto, não teria apenas dado a origem do templo de Enki em Eridu e do álcool como parte das celebrações religiosas, mas também a dos instrumentos tocados e ouvidos nos festivais realizados em sua honra.

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O Texto

O texto infra foi extraído The Literature of Ancient Sumer, (A Literatura da Antiga Suméria) e de The Electronic Corpus of Sumerian Literature (ETCSL O Corpus Eletrónico da Literatura Suméria) traduzido para inglês pelo estudioso Jeremy Black et al. As elipses indicam palavras ou linhas ausentes, enquanto os pontos de interrogação sugerem traduções alternativas para uma palavra.

1-8: Naqueles dias remotos, quando os destinos foram determinados; num ano em que An trouxe a abundância e as pessoas romperam a terra como ervas e plantas – então o senhor do abzu, o rei Enki, Enki, o senhor que determina os destinos, ergueu o seu templo inteiramente de prata e lápis-lazúli. A sua prata e o seu lápis-lazúli eram a luz do dia resplandecente. No santuário do abzu, ele trouxe alegria.

9-17: Uma ameia brilhante, feita com mestria, erguida a partir do abzu, foi construída para o senhor Nudimmud. Ele edificou o templo com metal precioso, decorou-o com lápis-lazúli e cobriu-o abundantemente com ouro. Em Eridu, construiu a casa na margem. A sua alvenaria profere sentenças e dá conselhos. Os seus beirais rugem como um touro; o templo de Enki brame. Durante a noite, o templo louva o seu senhor e oferece-lhe o seu melhor.

18-25: Perante o senhor Enki, Isimud, o ministro, louva o templo; dirige-se ao templo e fala com ele. Vai até à construção de tijolo e dirige-se a ela: "Templo, edificado com metal precioso e lápis-lazúli; cujas estacas de fundação estão cravadas no abzu; que tem sido cuidado pelo príncipe no abzu! Como o Tigre e o Eufrates, és poderoso e impressionante (?). A alegria foi trazida para o abzu de Enki.

26-32: "A tua fechadura não tem rival. O teu ferrolho é um leão temível. As tuas traves do telhado são o touro do céu, um toucado brilhante feito com mestria. As tuas esteiras de junco são como lápis-lazúli, a decorar as traves do telhado. A tua abóbada é um touro (alguns manuscritos têm, em alternativa: touro selvagem) que ergue os seus chifres. A tua porta é um leão que captura um homem (1 manuscrito tem, em alternativa: é impressionante). A tua escadaria é um leão que se abate sobre um homem."

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33-43: "Abzu, lugar puro que cumpre o seu propósito! E-engura! O teu senhor dirigiu os seus passos até ti. Enki, senhor do abzu, embelezou as tuas estacas de fundação com cornalina. Adornou-te com... e (?) lápis-lazúli. O templo de Enki é providenciado com cera sagrada (?); é um touro obediente ao seu mestre, rugindo por si próprio e dando conselhos ao mesmo tempo. E-engura, que Enki rodeou com uma cerca de junco sagrada! No teu meio, um trono altivo é erguido, a tua ombreira é a barra de fecho sagrada do céu."

44-48: "Abzu, lugar puro, lugar onde os destinos são determinados – o senhor da sabedoria, o senhor Enki, (1 manuscrito acrescenta a linha: o senhor que determina os destinos,) Nudimmud, o senhor de Eridu, não deixa ninguém olhar para o seu meio. Os teus sacerdotes abgal deixam o cabelo cair sobre as costas."

49-61: "A amada Eridu de Enki, E-engura, cujo interior está cheio de abundância! Abzu, vida da Terra, amado de Enki! Templo construído na margem, condizente com os poderes divinos feitos com mestria! Eridu, a tua sombra estende-se sobre o meio do mar! Mar que se levanta sem rival; rio poderoso e impressionante que aterroriza a Terra! E-engura, cidadela alta (?) que se mantém firme na terra! Templo na margem do engur, um leão no meio do abzu; templo altivo de Enki, que confere sabedoria à Terra; o teu grito, como o de um poderoso rio que se levanta, alcança (?) o rei Enki."

62-67: "Ele fez a lira, o instrumento aljar, o tambor balaj com as baquetas (alguns ms. têm, em alternativa: a lira, o instrumento aljar, o tambor balaj dos teus sacerdotes sur) (1 manuscrito tem, em alternativa: a tua lira e instrumento aljar, o tambor balaj com as baquetas) (1 manuscrito tem, em alternativa: a lira, o instrumento aljar, o tambor balaj e até o plectro (?)), os instrumentos harhar, sabitum e os... miritum oferecem o seu melhor para o seu templo sagrado. Os... ressoaram por si próprios com um som doce. O sagrado instrumento aljar de Enki tocou para ele por sua própria vontade e sete cantores cantaram (alguns ms. têm, em alternativa: os tambores tigi ressoaram)."

68-70: "O que Enki diz é irrefutável; ... está bem estabelecido (?)." Foi isto que Isimud disse à construção de tijolo; ele louvou o E-engura com doces cânticos (1 manuscrito tem, em alternativa: devidamente).

71-82: Como foi construído, como foi construído; como Enki ergueu Eridu, é uma montanha construída com mestria que flutua sobre a água. O seu santuário (?) espalha-se (?) pelos campos de juncos; os pássaros chocam (1 manuscrito acrescenta: à noite) nos seus pomares verdes carregados de fruta. A carpa suhur brinca entre as ervas-doce e a carpa ectub dispara entre os pequenos juncos gizi. Quando Enki se levanta, os peixes levantam-se diante dele como ondas. Ele faz com que o abzu permaneça como uma maravilha, à medida que traz alegria para o engur.

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83-92: Como o mar, ele é impressionante; como um rio poderoso, ele incute medo. O Eufrates levanta-se diante dele como faz diante do feroz vento sul. A sua vara de empurrar é Nirah (alguns manuscritos têm, em alternativa: Imdudu); os seus remos são os pequenos juncos. Quando Enki embarca, o ano será cheio de abundância. O barco parte por vontade própria, com o cabo de reboque segurado (?) por si mesmo. Ao deixar o templo de Eridu, o rio gorgoleja (?) para o seu senhor: o seu som é o mugido de um vitelo, o mugido de uma boa vaca.

93-95: Enki mandou abater bois e ofereceu lá ovelhas generosamente. Onde não havia tambores ala, ele instalou alguns nos seus lugares; onde não havia tambores ub de bronze, ele enviou alguns para os seus lugares.

96-103: Dirigiu os seus passos por vontade própria a Nipur e entrou no Giguna, o santuário de Nipur. Enki alcançou (?) a cerveja, alcançou (?) o licor. Mandou verter licor em grandes recipientes de bronze e mandou prensar cerveja de trigo emmer (?). Em recipientes kukuru que tornam a cerveja boa, ele misturou a massa de cerveja. Ao adicionar xarope de tâmaras ao seu paladar (?), tornou-a forte. Ele... a sua massa de farelo.

104-116: No santuário de Nipur, Enki providenciou uma refeição para Enlil, o seu pai. Sentou An à cabeceira da mesa e sentou Enlil ao lado de An. Sentou Nintud no lugar de honra e sentou os deuses Anuna nos lugares adjacentes (?). Todos bebiam e desfrutavam de cerveja e licor. Encheram os recipientes de bronze aga até à borda e iniciaram uma competição, bebendo dos recipientes de bronze de Urac. Fizeram os recipientes tilimda brilhar como barcaças sagradas. Depois da cerveja e do licor terem sido vertidos em libação e apreciados, e depois de... a partir da casa, Enlil foi feito feliz em Nipur.

117-129: Enlil dirigiu-se aos deuses Anuna: "Grandes deuses que aqui estais! Anuna, que vos perfilastes no local de assembleia! O meu filho, o rei Enki, ergueu o templo! Ele fez Eridu elevar-se (?) (1 manuscrito tem, em alternativa: sair) do solo como uma montanha! Ele construiu-o num lugar aprazível, em Eridu, o lugar puro, onde ninguém deve entrar – um templo construído com prata e decorado com lápis-lazúli, uma casa que afina os sete tambores tigi apropriadamente e providencia encantamentos; onde cânticos sagrados tornam toda a casa um lugar encantador – o santuário do abzu, o bom destino de Enki, condizente com os elaborados poderes divinos; o templo de Eridu, construído com prata: por tudo isto, que o pai Enki seja louvado!"

Conclusão

O poema é frequentemente comparado a Enki e a Ordem do Mundo (incipit: Lugal-gu-de-zi-de-gal-zu), no qual Enki cria o mundo e a civilização seguindo o esboço rudimentar de Enlil. Como noutros mitos, o plano de Enlil é completado (por vezes frustrado, como no Atrahasis) por Enki, que faz surgir, através da palavra, os aspetos visíveis e invisíveis do mundo natural. O académico Samuel Noah Kramer comenta:

Este mito serve como uma ilustração vívida das noções superficiais dos sumérios sobre a natureza e os seus mistérios. Em parte alguma existe uma tentativa de chegar às origens fundamentais dos processos naturais ou culturais; todos são atribuídos aos esforços criativos de Enki, habitualmente através da simples afirmação do que equivale a 'Enki fê-lo'. Quando a técnica criativa é de todo mencionada, ela consiste na palavra e no comando do deus, nada mais.

(pág. 122)

Embora isto possa ser verdade, não é algo notável ou exclusivo dos sumérios, uma vez que os mitos de criação de todas as civilizações antigas seguem este mesmo paradigma básico: um deus ou deuses concretizam a criação através da palavra. Não há nada de incomum neste conceito desde os tempos antigos até aos dias de hoje, uma vez que a fala pode ser vista como um ato criativo, tornando conhecido o que estava previamente escondido ou clarificando o que era obscuro.

Enki
Enki Unknown (Public Domain)

Em Enki e a Ordem do Mundo, o deus segue este mesmo modelo de criar o mundo através da palavra e, embora a fala não seja mencionada nas linhas iniciais de A Jornada de Enki a Nipur, poder-se-ia presumir que ele faz o mesmo aqui a partir da linha 68 – "O que Enki diz é irrefutável; ... está bem estabelecido" – seguida pela forma como Enki ergue Eridu (linha 71).

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Um público sumério antigo não exigiria de um conto qualquer tentativa de "chegar às origens fundamentais dos processos naturais ou culturais", porque bastava saber que os seus deuses estavam no controlo, tinham demonstrado ser dignos de confiança no passado e continuariam a sê-lo no futuro. Templos como o de Enki em Eridu, e as histórias sobre a sua génese, fomentavam essa confiança e, consequentemente, uma unidade religiosa, cultural e social de crença e do comportamento que dela resultava.

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Perguntas & Respostas

O que é a «A Jornada de Enki a Nipur»?

«A Jornada de Enki a Nipurr» é um mito sumério das origens que explica a criação do templo do deus Enki em Eridu, como os instrumentos musicais foram criados por Enki para o louvor e por que razão se consome álcool nas festas religiosas.

Qual é a data de composição da obra «A Jornada de Enki a Nipur»?

«A Jornada de Enki a Nipur» data de cerca de 2000 a.C.

De que trata «A Jornada de Enki a Nipur»?

«A Jornada de Enki a Nipurr» narra a história da construção do templo de Enki em Eridu, o louvor a esse templo e a sua descrição, e como Enki viaja depois para a cidade sagrada de Nippur para receber as bênçãos do deus Enlil.

Por que razão é importante «A Jornada de Enki a Nipur»?

A «Jornada de Enki a Nippur» é importante enquanto texto religioso sumério antigo, mas também pela luz que lança sobre o currículo educativo da Mesopotâmia, a forma como os deuses eram venerados, o papel que a música desempenhava nos festivais religiosos e a influência que a obra poderá ter tido na Bíblia.

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Mark, J. J. (2026, julho 15). A Jornada de Enki a Nipur: Uma Celebração da Vida. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2214/a-jornada-de-enki-a-nipur/

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Mark, Joshua J.. "A Jornada de Enki a Nipur: Uma Celebração da Vida." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 15, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2214/a-jornada-de-enki-a-nipur/.

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Mark, Joshua J.. "A Jornada de Enki a Nipur: Uma Celebração da Vida." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 15 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2214/a-jornada-de-enki-a-nipur/.

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