A Conquista de Jerusalém por Saladino (1187)

Syed Muhammad Khan
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Jerusalém, uma cidade sagrada para os seguidores das três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo), foi conquistada pelos exércitos da Primeira Cruzada em 1099. Os muçulmanos não conseguiram travar o avanço, uma vez que se encontravam desunidos e desorganizados, mas tal iria mudar em breve e a Cidade Santa acabaria por ser reconquistada. Saladino (1137-1193), o sultão do Egito e da Síria, que unificou o núcleo do Império Islâmico sob o seu domínio, preparou-se para contra-atacar. Derrotou completamente o exército de campo dos cruzados na Batalha de Hatim, em 1187, e tomou Jerusalém ainda nesse ano. O triunfo de Saladino foi, no entanto, muito menos violento do que o dos cavaleiros medievais da Primeira Cruzada (1095-1099) e, por isso, tem sido incessantemente romantizado tanto por muçulmanos como por cristãos.

Jerusalem Recaptured by Saladin
A Reconquista de Jerusalém por Saladino Jan Luyken (Public Domain)

O Prelúdio

A ascensão dos turcos seljúcidas no século XI abalou o status quo estabelecido na Ásia Menor. A maior parte da Anatólia foi perdida para os guerreiros das estepes que tinham vindo da Ásia Central para se estabelecerem nestas pastagens. Embora os príncipes turcos fossem cavalheiros, os seus soldados eram extremamente brutais e frequentemente indisciplinados — cometendo os mais hediondos crimes de guerra por iniciativa própria. Em 1071, a esperança de restaurar a autoridade bizantina sobre a região foi destruída quando um exército bizantino foi esmagado na Batalha de Manzikert. Mas os turcos rapidamente perderam a sua glória e o poderoso império foi dividido em sultanatos mais pequenos e estados independentes.

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Saladino passou mais de duas décadas da sua vida a combater os cruzados, e o ano de 1187 d.C. traria-lhe o maior triunfo da sua carreira.

O imperador bizantino Aleixo I Comneno (reinou 1081-1118) estava determinado a reverter os reveses dos seus antecessores. Recorreu ao Papado em busca de ajuda, provavelmente na esperança de obter uma força mercenária sujeita ao seu controlo pessoal, mas o resultado ultrapassou a sua imaginação mais ousada. O Papa Urbano II (pontificado 1088-1099) respondeu ao apelo do imperador e convocou um concílio em Clermont, uma aldeia em França, onde se dirigiu a uma assembleia de nobres e clérigos europeus. Recorreu a relatos sensacionalistas e exagerados (com alguma veracidade) sobre os sofrimentos dos seus irmãos cristãos na Terra Santa e pregou uma guerra santa contra os «infiéis» (muçulmanos), em troca da qual ofereceu indulgência plenária (remissão dos pecados).

Comovidos pelo discurso do Papa e motivados tanto pelo fervor religioso como por perspetivas práticas, nobres de todos os cantos da Europa juraram arrancar a Terra Santa das mãos dos muçulmanos e partiram com exércitos para a Primeira Cruzada (1095-1099) rumo ao Levante (Outremer). Lá, conquistaram Nicéia em 1097 (que tinha sido tomada pelos bizantinos), Antioquia e Edessa em 1098, e seguiram depois para Jerusalém, que caiu em 1099 e foi alvo de um massacre em massa. Os príncipes muçulmanos, desunidos, fizeram várias tentativas infrutíferas para travar o avanço dos cruzados, mas sofreram derrotas humilhantes às mãos dos exércitos cruzados, organizados e empenhados. O maior choque para o mundo muçulmano, no entanto, resultou da profanação da mesquita de Al-Aqsa, que mais tarde foi convertida numa igreja: a Temple Church.

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Embora sem forças para lutar naquele momento, a frente islâmica preparava-se lenta e firmemente para reconquistar Jerusalém. A guerra santa islâmica, ou Jihad, há muito esquecida, foi agora reavivada para ser utilizada contra os cruzados, e a bandeira foi hasteada pela primeira vez pelos Zengidas (1127-1250), uma dinastia turca sediada na Mesopotâmia e na Síria. Após a morte do segundo governante zengida, Nur ad-Din (1118-1174), a bandeira foi assumida pelo seu protegido: o sultão do Egito, Saladino (1137-1193). Em 1187, Saladino já tinha passado mais de duas décadas da sua vida a combater os cruzados, e foi neste ano fatídico que alcançaria o maior triunfo da sua carreira.

As hostilidades eclodiram entre as duas partes quando um cavaleiro cruzado, Reynald de Chatillon (cerca de 1125-1187), atacou uma caravana comercial muçulmana, desrespeitando o pacto de paz de 1185 proposto pelo seu próprio lado. Ele prendeu muitos, matou outros e, quando lhe foi lembrado o pacto, zombou do Profeta Maomé. Em retaliação, a ira de Saladino iria aniquilar tudo o que os cruzados tinham conquistado até então. A 4 de julho de 1187, o maior exército cruzado de sempre (embora em menor número do que as forças de Saladino) foi esmagado na Batalha de Hatim e a Terra Santa ficou indefesa.

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Latin Surrender to Saladin, 1187 CE
A Rendição Latina perante Saladino, 1187 Said Tahsine (Public Domain)

A Conquista da Costa do Levante

A derrota esmagadora em Hatim tinha deixado a maioria das fortalezas cruzadas sem soldados suficientes para as defender. E, uma vez que a ameaça de um contra-ataque cruzado tinha desaparecido, Saladino dispersou as suas forças para conquistar a costa do Levante. As fortalezas caíram, na sua maioria sem grandes incidentes; em muitos casos, as populações locais muçulmanas e judaicas rebelaram-se e expulsaram as forças cruzadas, dando as boas-vindas aos exércitos aiúbida às cidades indefesas. O historiador A. R. Azzam narra o seguinte:

Decidiu enviar os seus comandantes, «como formigas a cobrir toda a extensão do país, de Tiro a Jerusalém», para os confins do reino. Nazaré caiu nas mãos de Keukburi (Gokbori) e Nablus nas de Husam al-Din. Badr al-Din Dildrim tomou Haifa, Arsuf e Cesareia, enquanto al-Adil tomou Jaffa. Saladino enviou então Taqi ul-Din, o seu comandante mais competente, para tomar Tiro e Tibnin… (pág. 185)

Tibnin caiu, mas era Tiro que deveria ter sido o primeiro alvo de Saladino; este erro tático voltaria a assombrá-lo mais tarde, durante a Terceira Cruzada (1189-1192). Cruzados, vindos de todos os cantos do Reino Latino, acorreram a Tiro. Após uma tentativa falhada de negociar a rendição da cidade, Saladino avançou em direção a Ascalão (a porta de entrada para o Egito), conquistando Ramla, Ibelin e Darum pelo caminho. Embora os defensores se mostrassem inicialmente desafiadores, assim que Saladino sitiou a cidade, capitularam sem lutar. Agora, procurava conquistar o tesouro mais precioso de todos, que conhecia apenas pelo nome de Quds, a Cidade Santa – Jerusalém.

Saladin's Eagle
Águia de Saladino Stanley Lane Poole (Public Domain)

Às Muralhas da Cidade Santa

Saladino não queria adiar a tomada da cidade sagrada, para não perder esta oportunidade, pois sabia que todo o poder da cristandade em breve se lançaria contra ele. Encontrou-se com delegados da cidade nos arredores de Ascalão e ofereceu condições generosas de rendição: poderiam levar todos os seus bens e abandonar a cidade sob a proteção de uma escolta militar aiúbida. Esta oferta foi rejeitada, o que levou o sultão a propor condições ainda mais generosas: poderiam continuar com as suas vidas, sem serem incomodados pelas forças aiúbidas, e, caso nenhum exército viesse em seu socorro nos seis meses seguintes, deveriam render a cidade nas mesmas condições. Os delegados recusaram-se também a aceitar esta oferta, afirmando que não renderiam a cidade sob nenhuma circunstância. Ofendido, o sultão decidiu submeter os cristãos ao mesmo destino que os residentes muçulmanos e judeus da cidade sofreram em 1099.

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Taking of Jerusalem by the Crusaders
Tomada de Jerusalém pelos Cruzados Émile Signol (Public Domain)

No meio destes tempos conturbados, Balian de Ibelin (1143-1193), um nobre francês que tinha escapado do campo de batalha de Hatim, procurou o favor de Saladino e implorou que lhe fosse permitido entrar na cidade para poder levar a sua esposa e filhos para Tiro. Saladino concordou com o pedido de Balian sob duas condições: em primeiro lugar, que ele permanecesse na cidade apenas uma noite, levasse a sua família e partisse; e, em segundo lugar, que nunca levantasse a espada contra o sultão. Mas, uma vez dentro da cidade, o cavaleiro francês foi reconhecido pelos habitantes, que o exortaram a ficar e a defender Jerusalém. Escreveu a Saladino, explicando a sua situação e solicitando salvo-conduto para a sua família. O sultão não só acedeu ao seu pedido, como também recebeu os membros da sua família como hóspedes e os despediu com presentes e uma escolta armada, rumo a Tiro.

O exército aiúbida, determinado a invadir e saquear a cidade, marchou com confiança na sua direção sob a liderança do próprio sultão. As suas bandeiras eram visíveis no lado ocidental de Jerusalém a 20 de setembro. Como Jerusalém carecia gravemente de efetivos, Balian teve de nomear cavaleiros vários homens (e até crianças), mas, mesmo assim, os cidadãos não tinham qualquer hipótese num assalto direto; a sua principal esperança era defender as muralhas.

A 25 de setembro, a força de cerco de Saladino posicionou-se, ironicamente, no local de onde os cavaleiros da Primeira Cruzada tinham atacado a cidade há 88 anos.

À medida que o cerco se iniciava, as muralhas e a torre eram alvo de uma chuva de flechas e apedrejadas com pedras lançadas por catapultas e mangonelas; torres de cerco foram avançadas para tomar as muralhas, mas foram repelidas pelas forças que saíram em investida pelo portão. Este impasse persistiu durante alguns dias, até que o sultão percebeu o seu erro tático: não só esta zona era facilmente defensável, como o sol incidia diretamente sobre os seus combatentes, e o brilho ofuscante não lhes permitia lutar até depois do meio-dia. Deslocou as suas forças de cerco para leste, em direção ao Monte das Oliveiras, onde não havia portões nas proximidades que pudessem ser utilizados para saídas de ataque. A 25 de setembro, a força de cerco de Saladino estava posicionada, ironicamente, no local de onde os cavaleiros da Primeira Cruzada tinham atacado a cidade há 88 anos. De facto, esta foi uma manobra eficaz: apenas três dias depois, os mineiros do sultão abriram uma brecha na muralha e, agora, a cidade podia ser assaltada.

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A Rendição da Cidade

Incapaz de defender a cidade por mais tempo, Balian saiu a cavalo para se dirigir diretamente ao sultão e ofereceu uma rendição pacífica da cidade. As suas palavras foram relatadas por Stanley Lane Poole:

«Ó sultão», disse ele, «sabe que nós, soldados desta cidade, estamos no meio de Deus sabe quantas pessoas, que estão a abrandar a luta na esperança da tua misericórdia, acreditando que lha concederás tal como a concedeste às outras cidades — pois elas abominam a morte e desejam a vida. Mas, quanto a nós, quando percebermos que a morte é inevitável, por Deus que mataremos os nossos filhos e as nossas mulheres, queimaremos as nossas riquezas e os nossos bens, e não vos deixaremos nem uma moeda de ouro nem uma de prata para saquear, nem um homem ou uma mulher para escravizar; e, quando tivermos terminado isso, demoliremos a Rocha e a Mesquita de al-Aqsa, e os outros locais sagrados, mataremos os escravos muçulmanos que estão nas nossas mãos — são 5 000 — e abateremos todos os animais e montarias que possuímos; e depois avançaremos em massa contra vós e lutaremos por nossas vidas: nenhum de nós cairá antes de ter matado os seus semelhantes; assim morreremos gloriosamente ou conquistaremos como cavalheiros.»

(págs. 228-229)

Quer as ameaças fossem vazias ou genuínas, o discurso surtiu efeito: Saladino, que se tinha deixado cegar pela raiva devido ao encontro insultuoso com os emissários cruzados em Ascalão, decidiu poupar a cidade de um banho de sangue. Percebeu que não podia permitir que algum mal acontecesse aos locais sagrados islâmicos e aos muçulmanos – uma vez que se tinha proclamado seu guardião.

Surrender of Jerusalem (1187 CE)
A Rendição de Jerusalém (1187) Unknown (Public Domain)

Mas havia outro problema a resolver; ele tinha jurado atacar a cidade e não podia voltar atrás na sua palavra. Aceitou a rendição sob uma condição: os cruzados dentro da cidade seriam prisioneiros de guerra, podendo pagar resgate ou, caso contrário, seriam reduzidos à escravidão. O resgate era muito generoso, mesmo para os padrões da época: 10 dinares para os homens, 5 para as mulheres e 1 para as crianças. 7 000 pessoas pobres seriam libertadas em troca de 30 000 dinares de ouro do tesouro da cidade, provenientes do dinheiro enviado pelo rei Henrique II de Inglaterra (reinou 1154-1189).

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Foi concedido um prazo de 40 dias para que os residentes providenciassem o resgate, mas muitos não o conseguiram fazer. O irmão de Saladino, al-Adil, Balian de Ibelin e muitos emires (generais) do exército aiúbida libertaram pessoas por iniciativa própria. Quanto ao próprio Saladino, anunciou que todos os idosos que não tivessem meios para pagar a sua liberdade seriam libertados de qualquer forma. Além disso, permitiu que todas as mulheres da nobreza deixassem a cidade sem pagar resgate; à rainha de Jerusalém, Sibila (reinou 1186-1190), foi também concedido salvo-conduto para se encontrar com o marido, Guy de Lusignan (cerca de 1150-1194), que se encontrava em cativeiro de Saladino.

O sultão foi também abordado por um grupo de mulheres que choravam, as quais, quando questionadas, revelaram-se ser esposas e damas de cavaleiros que tinham sido mortos ou mantidos prisioneiros. Imploraram pela misericórdia do sultão, e Saladino ordenou que os seus maridos, caso estivessem vivos, fossem libertados, e nenhuma dessas mulheres foi reduzida à escravidão. A bondade de Saladino foi mais tarde narrada de forma elogiosa pelo escudeiro de Balian.

Saladin and the Christians of Jerusalem
Saladino e os Cristãos de Jerusalém Alphonse-Marie-Adolphe de Neuville - François Guizot (Public Domain)

No entanto, as pessoas ricas, apesar de disporem dos recursos necessários, recusaram-se a pagar pelos pobres. O patriarca Heráclio dirigiu-se ao sultão para solicitar a libertação de várias centenas de pessoas, mas não efetuou qualquer pagamento por mais ninguém. Em vez disso, partiu da cidade com carroças carregadas de cálices de ouro e outros tesouros das igrejas sagradas, enquanto os senhores feudais muçulmanos reivindicavam a sua quota-parte de escravos e acorrentavam avidamente as pessoas como se fossem suas propriedades. No entanto, Saladino manteve-se fiel à sua palavra: a cidade foi tomada sem derramamento de sangue, embora ao preço de 15 000 pessoas — 7 000 homens e 8 000 mulheres — serem reduzidas à escravidão. O próprio Saladino entrou na cidade na sexta-feira, 2 de outubro, que por coincidência era o dia 27 de Rejeb, segundo o calendário islâmico, o aniversário da viagem noturna do Profeta à cidade. Isto, evidentemente, foi intencional; ele desejava mostrar ao mundo muçulmano que estava a seguir os passos dos seus antepassados.

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As Consequências

A mesquita de Al-Aqsa foi purificada e a cruz cruzada foi retirada do seu topo. O edifício foi lavado e limpo, tendo sido demolidas as construções adjacentes que tinham invadido a sua área, bem como removidos os inúmeros artefactos cruzados colocados no seu interior. Foram dispostos tapetes orientais no chão e aspergidos perfumes por todos os cantos. O púlpito (minbar), mandado executar por ordem do patrono de Saladino, Nur ad-Din (que ansiara reconquistar a cidade santa com as suas próprias mãos, mas não viveu o suficiente para o concretizar), foi instalado pelo Sultão na mesquita, simbolizando a concretização do sonho do seu mestre. Decorridos 88 anos, a oração de sexta-feira voltou a ser celebrada em congregação na mesquita.

Dome of the Rock
Cúpula da Rocha idobi (CC BY-SA)

As igrejas foram convertidas em mesquitas, embora aos cristãos autóctones — tais como os ortodoxos orientais e os coptas — tenha sido permitido permanecer e praticar o seu culto livremente na cidade, mediante o pagamento da taxa jizya (cobrada aos não muçulmanos em alternativa ao serviço militar obrigatório). A Igreja do Santo Sepulcro, o local mais sagrado da tradição cristã, permaneceu encerrada durante três dias até que Saladino decidisse o seu destino. Alguns muçulmanos solicitaram permissão para a destruir, ao passo que outros defenderam a sua salvaguarda. Saladino acabou por decidir a favor destes últimos. Mais de cinco séculos antes do seu tempo, o segundo califa do Islão, o Califa Omar (reinou 634–644), tomara a igreja sob a sua proteção, e Saladino não poderia ter agido de outra forma.

A queda de Jerusalém atingiu a Europa como uma onda de choque. Muitos estudiosos, incluindo Guilherme, o arcebispo de Tiro (1130-1186), consideraram Saladino uma forma de castigo divino; outros viam-no como um flagelo. Para os muçulmanos, contudo, este era o triunfo há muito aguardado, trazido pelas mãos do seu Sultão.

Os cruzados retiraram o exército de campo das suas fortalezas e, com a maior parte do exército cruzado aniquilado, nada se interpunha no caminho dos muçulmanos. Tiro, o único bastião da Cruz na Terra Santa, como referido anteriormente, tornou-se o centro da resistência. Em breve, uma fração do exército cruzado remanescente, aqueles a quem não foi permitido entrar em Tiro, sitiou Acre (1189-1191). Este foi o cenário para a chegada dos exércitos da Terceira Cruzada (1189-1192) sob o comando de Ricardo I de Inglaterra (reinou 1189-1199) e Filipe Augusto de França (reinou 1180-1223). Embora partes da costa do Levante tenham sido recuperadas por esta expedição, a Jerusalém de Saladino permaneceu intocada.

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Conclusão

A batalha de Hatim e a subsequente conquista de Jerusalém podem ser coletivamente consideradas a obra-prima de Saladino. Ele esforçou-se durante toda a sua vida, gastou toda a sua fortuna e dedicou toda a sua vontade a um único objetivo: o renascimento da causa muçulmana na Terra Santa e a expulsão dos cruzados. Embora não tenha conseguido concretizar este último objetivo, infligiu danos irreparáveis à causa cruzada.

Statue of Saladin in Damascus
Estátua de Saladino em Damasco krebsmaus07 (CC BY)

Saladino tem sido reverenciado como a figura muçulmana mais importante das Cruzadas. A sua decisão de poupar os cristãos de Jerusalém, em nítido contraste com o que tinha acontecido 88 anos antes, inspirou autores e historiadores a construir uma reputação póstuma lendária em torno do homem. As suas ações, no entanto, também tinham uma razão prática: ele não queria criar mártires que a causa cristã pudesse vingar. No entanto, tem sido incessantemente elogiado não só pelos muçulmanos, mas também pelos cristãos europeus. As histórias sobre as suas proezas e a sua personalidade são famosas até aos dias de hoje e, embora estas fábulas sejam obras de ficção, confirmam o estatuto de Saladino como um dos homens mais influentes da história mundial.

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Khan, S. M. (2026, outubro 26). A Conquista de Jerusalém por Saladino (1187). (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1553/a-conquista-de-jerusalem-por-saladino-1187/

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Khan, Syed Muhammad. "A Conquista de Jerusalém por Saladino (1187)." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 26, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1553/a-conquista-de-jerusalem-por-saladino-1187/.

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Khan, Syed Muhammad. "A Conquista de Jerusalém por Saladino (1187)." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 26 out 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1553/a-conquista-de-jerusalem-por-saladino-1187/.

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