Profeta Maomé

Syed Muhammad Khan
por , traduzido por Filipa Oliveira
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A View of the Al-Masjid An-Nabwi (by Muhammad Mahdi Karim, GNU FDL)
Uma vista da Al-Masjid an-Nabawi Muhammad Mahdi Karim (GNU FDL)

Maomé ibne Abedalá (570–632) é venerado hoje pelos seus seguidores — os muçulmanos — como o Profeta do Islão e o "selo dos Profetas". Os muçulmanos acreditam que Maomé foi o último — daí o termo "selo" — de muitos profetas que o antecederam no judaísmo e no cristianismo, tais como Adão, Moisés, Abraão, Isaac, Ismael, Jesus Cristo e outros. Era uma pessoa comum de Meca que (segundo a tradição islâmica) recebeu uma revelação divina de Deus e começou a pregar uma nova fé na Arábia (entre 610 e 632). Por fim, estas revelações seriam compiladas sob a forma de um livro, o Alcorão, após a sua morte.

Encontrou uma forte resistência por parte dos habitantes de Meca, embora tenha conseguido reunir alguns convertidos. O que começou como um grupo débil de seguidores tornou-se rapidamente um império quando ele assumiu o controlo da cidade de Iatrebe (Medina) e começou a expandir o seu domínio e a sua fé através da conquista e da política. À data da sua morte, Maomé tinha conseguido unir a maior parte dos árabes sob o estandarte do Islão. Este império seria herdado pelos seus sucessores — os califas do mundo islâmico: os califas Rashidun (os quatro primeiros são designados como Rashidun, que significa "bem guiados"), a Dinastia Omíada, a Dinastia Abássida e, mais tarde, os Otomanos. O seu império expandir-se-ia para além das fronteiras da Arábia; a fé espalhar-se-ia também, inicialmente através da conquista e, posteriormente, através do comércio e da obra missionária, e a sua revelação inicial tornar-se-ia uma das três grandes religiões monoteístas do mundo atual.

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O Início de Vida

Maomé nasceu em 570 na cidade de Meca, na província de Hejaz, na Arábia. O seu clã, Haxemita, pertencia a uma respeitada tribo — os Coraixitas — e o seu clã (liderado na altura pelo seu avô, Abedal Mutalibe) fornecia água aos peregrinos que viajavam até Meca. Meca albergava uma variedade de ídolos e era considerada um local sagrado centrado em torno da Caaba (que ainda é considerada sagrada pelos muçulmanos).

Os árabes referiam-se a Maomé pelos nomes de As-Sadiq (o veraz) e Al-Amin (o confiável).

O pai de Maomé, Abedalá, tinha falecido enquanto a mãe Amina ainda estava grávida, vinda a falecer em 576, quando ele tinha apenas 6 anos. O seu avô, Abedal Mutalibe, assumiu então a responsabilidade de o criar, mas também ele morreu dois anos depois. O tio de Maomé, Abu Talibe (filho e sucessor de Abedal Mutalibe), dedicou então a sua vida a criar o seu sobrinho, e diz-se que ambos se amavam tal como um pai e um filho amariam. À medida que crescia, tornou-se um honesto comerciante de caravanas (algo raro naqueles tempos). Os árabes referiam-se a ele pelos nomes de As-Sadiq (o veraz) e Al-Amin (o confiável) e, de facto, diz-se que muitos lhe confiavam a sua riqueza para guarda, mesmo depois de ele ter começado a pregar uma fé na qual eles não acreditavam.

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O Casamento com Cadija

Quando tinha 25 anos, uma viúva rica chamada Cadija (555–620) enviou-o com uma das suas caravanas comerciais para tratar de negócios. Ela ficou tão impressionada com a sua honestidade que lhe enviou uma proposta de casamento, que ele aceitou. Maomé uniu-se em matrimónio com a sua primeira esposa (595), uma mulher que era 15 anos mais velha do que ele, mas cujo apoio e companhia o ajudariam na sua missão; ele não tomaria nenhuma outra esposa enquanto estivesse casado com ela, embora isso fosse bastante comum na Arábia naquela época. Mais tarde, comentou sobre a sua relação:

Alá (Deus) nunca me deu uma mulher melhor do que Cadija. Ela acreditou em mim numa altura em que outras pessoas me negavam. Ela colocou toda a sua riqueza ao meu serviço quando outras pessoas retiveram a sua de mim. E, além disso, Alá deu-me filhos apenas através de Cadija.

(Hadith citado do Musnad Imam Ahmad 6:118)

O Profeta teve dois filhos e quatro filhas com Cadija (embora os muçulmanos xiitas considerem apenas uma filha — Fátima — como nascida deste casamento); ambos os filhos morreram na infância. Mais tarde na sua vida, Maomé casou-se com outras mulheres e teve outro filho, que também morreu na infância.

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A Declaração de Profecia

Ao aproximar-se do final dos seus trinta anos, começou a orar numa caverna chamada "Hira", na montanha "Jabal an-Nur" (Montanha da Luz), perto de Meca. Diz-se que, num dia fatídico, em 610, uma luz apareceu perante ele e afirmou ser o anjo Gabriel, que o abordou com a primeira revelação de Deus — "Alá". Diz-se que Maomé ficou inicialmente perplexo e assustado; correu para casa, a tremer de medo. Foi apenas depois da sua mulher o confortar e levar ao seu primo Uaraqua (um estudioso cristão), que o reconheceu e lhe disse que ele era um profeta, que Maomé se apercebeu da responsabilidade que lhe tinha sido conferida.

Entrance to the Cave of Hira
Entrada da Caverna de Hira User Nazli (Public Domain)

O Atrito com os Habitantes de Meca

Maomé começou a pregar a unicidade de Deus à sua família e amigos próximos; a primeira convertida foi a sua mulher Cadija e o primeiro homem a converter-se foi o seu amigo próximo Abu Bakr (573–634). Foi algum tempo depois (em 613) que começou a pregar abertamente, encontrando resistência por parte dos habitantes de Meca. Meca albergava muitos ídolos na Caaba e a sua economia baseava-se, em grande parte, nos peregrinos que afluíam de todos os cantos da Península Arábica para adorar esses ídolos, que Maomé considerava falsos deuses. Os habitantes de Meca fizeram de tudo, desde o suborno até à tortura física, para o parar, mas ele não cedeu.

Apesar da crescente influência de Maomé, clãs coraixitas rivais boicotaram o clã Haxemita (616–619) para os forçar a retirar o seu apoio a Maomé, o que tornou as condições para Maomé e os seus seguidores (que são referidos como os Sahaba pelos muçulmanos) bastante difíceis, mas, no final, o boicote foi levantado. A estudiosa Tamara Sonn explica:

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Maomé e a sua pequena comunidade foram expulsos das suas casas, forçados a viver em bairros separados nos arredores da cidade e boicotados. Contudo, perseveraram no seu compromisso de seguir a orientação de Deus. Foram instruídos a sofrer a injustiça com dignidade.

(pág. 24)

Maomé enfrentou uma rejeição contínua em Meca e, por isso, voltou a sua atenção para a estância de Taif em 619 d.C. Foi inicialmente bem recebido, mas as pessoas rejeitaram a sua mensagem e, no final, foi forçado a fugir da cidade enquanto uma turba selvagem de crianças de rua lhe atirava pedras, e ele mal conseguiu sair da cidade com vida. Segundo uma famosa lenda muçulmana, o anjo Gabriel apareceu a Maomé logo depois, pedindo a sua permissão para destruir a cidade, mas Maomé recusou, dizendo que tinha a certeza de que eles se converteriam mais tarde.

Ottoman Tiles Representing the Kaaba
Azulejos otomanos representando a Caaba Anonymous (Public Domain)

O seu otimismo foi quebrado pela morte do seu tio Abu Talibe e de Cadija, em 619 (um ano lembrado pelos muçulmanos como o "Ano da Tristeza"). A posição de Abu Talibe foi ocupada por outro dos tios de Maomé — Abu Lahab —, que o odiava; sem qualquer apoio do seu clã, Maomé ficou completamente vulnerável.

A Migração para Medina

Cansados da perseguição em Meca, alguns muçulmanos já tinham migrado para a Abissínia (Etiópia) em 615. Contudo, para o Profeta e para a maioria dos seus seguidores, surgiu uma oportunidade real de escapar à opressão de Meca em 621, quando alguns cidadãos de Iatrebe (a atual Medina) convidaram o Profeta para a sua cidade. Impressionados com a sua mensagem, queriam que o Profeta atuasse como o seu governante. Maomé e os seus companheiros aceitaram e migraram em grupos para a cidade.

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Com o seu novo papel assumido como líder de Medina, Maomé tornou-se mais do que apenas um pregador; tornou-se um rei.

Escapando por pouco de uma tentativa contra a sua vida, Maomé deixou Meca com o seu amigo próximo Abu Bakr e, após uma jornada perigosa com os habitantes de Meca no seu encalço, entraram em Medina em 622. Esta migração (hégira) é tão importante na história islâmica que o calendário lunar islâmico a considera o ano 0 AH (Após a Hégira).

Com o seu novo papel assumido como líder de Medina, Maomé tornou-se mais do que apenas um pregador; tornou-se um rei. Medina seria rapidamente transformada num reino forte com padrões de justiça e unidade nunca antes vistos na Arábia. Maomé reviu o código de leis e unificou a cidade, usando uma mistura de persuasão e força das armas (uma vez que a traição nunca era perdoada pelos árabes, que viviam segundo o código de retribuição). A estudiosa Robin Doak explica:

Durante os seus 10 anos em Medina, Maomé tornou-se mais do que apenas um líder espiritual. Ele colocou as suas competências administrativas e políticas em bom uso, agindo efetivamente como o líder da cidade... O Islão estava a evoluir de um movimento religioso para um movimento político poderoso.

(pág. 20)

Maomé estabeleceu também um novo local de culto comunitário — "Al-Masjid an-Nabwi" (a mesquita do Profeta). As atividades regulares de pregação continuaram, mas Maomé tinha agora duas vantagens distintas sobre a sua vida anterior: poder político e um exército de seguidores devotos.

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A Batalha de Badr e a Batalha de Uhud

A partir da sua recém-adquirida base, os muçulmanos queriam ripostar contra os seus antigos opressores; começaram a atacar as caravanas comerciais de Meca. À medida que a economia de Meca sofria, as suas forças uniram-se contra os muçulmanos. Isto culminou na Batalha de Badr (624), onde um exército de 1.000 habitantes de Meca fugiu perante 313 muçulmanos, que foram conduzidos à vitória pelo seu rei Maomé (embora os muçulmanos vissem isto como um favor de Deus).

Os árabes tinham um forte sentido de orgulho; se os habitantes de Meca não tivessem ripostado após a sua derrota em Badr, teriam parecido fracos e vulneráveis aos seus vizinhos — uma situação fatal na Arábia. No ano seguinte, em 625, outro enorme exército foi enviado de Meca, sob a liderança de Abu Sufian. Ele decidiu não sitiar Medina, mas atrair os muçulmanos para uma batalha em campo aberto.

Routes of the Badr Campaign, 624 CE
Rotas da Campanha de Badr, 624 Tom66 (GNU FDL)

As suas forças acamparam perto do Monte Uhud, de onde começaram a hostilizar os seus inimigos; esta estratégia funcionou e o exército muçulmano marchou para enfrentar o adversário. Embora estivessem novamente em desvantagem numérica, os muçulmanos esperavam outra vitória. Inicialmente, a batalha correu bem para os muçulmanos; os habitantes de Meca abandonaram o campo e fugiram em pânico, deixando para trás os seus acampamentos com todos os seus mantimentos.

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Ao verem o inimigo fugir e a vitória a poucos momentos de distância, a retaguarda abandonou a sua posição para recolher os despojos de guerra dos acampamentos (contrariando as ordens estritas de Maomé). Isto deu aos habitantes de Meca uma oportunidade, e a sua cavalaria desferiu subitamente um ataque surpresa aos muçulmanos. Apanhados desprevenidos, os muçulmanos sofreram baixas graves; até Maomé ficou ferido. Os muçulmanos retiraram-se, mas os habitantes de Meca não os perseguiram. Regressaram a Meca, declarando vitória.

A Batalha da Trincheira

Dois anos mais tarde, os muçulmanos enfrentaram uma ameaça ainda maior: uma confederação. Maomé tinha banido duas tribos judaicas, os Banu Qaynuqa e os Banu Nadir; as fontes islâmicas afirmam que eles tinham violado o Tratado de Medina — um pacto de aliança e não violência formulado por Maomé quando assumiu pela primeira vez o papel de rei. Estas tribos, juntamente com outras tribos judaicas de Caibar (um oásis perto de Medina, que era um reduto judaico na Arábia) e outras tribos árabes menores, aliaram-se aos habitantes de Meca e marcharam em direção a Medina, com a intenção de a sitiar. Os muçulmanos prepararam-se para a defesa escavando uma trincheira em redor da cidade para tornar a cavalaria confederada inútil; esta estratégia era desconhecida dos árabes e proporcionou aos muçulmanos uma enorme vantagem tática. O cerco de Medina, também referido como a Batalha da Trincheira (627), durou cerca de um mês.

Battle of the Trench (627 CE)
Batalha da Trincheira (627) Bless sins (GNU FDL)

Os defensores perdiam a paciência à medida que os dias passavam — tal como os atacantes — pelo que os confederados estabeleceram uma aliança secreta com outra tribo judaica de Medina, os Banu Qurayza (que se mantinham neutros, embora ainda vinculados pelo Pacto de Medina), e o novo plano consistia em atacar os muçulmanos em duas frentes. Maomé foi informado disto e enviou homens para defender também essa frente. Se o ataque simultâneo tivesse ocorrido, os muçulmanos teriam sido certamente derrotados, mas o Profeta tinha uma última cartada na manga.

Fontes islâmicas relatam que um respeitado líder árabe da confederação — Nuaym ibn Masud — era secretamente muçulmano e recebeu ordens de Maomé para criar divisões entre os líderes confederados e os Banu Qurayza. A falta de unidade, aliada às fortes defesas estabelecidas pelos defensores e ao agravamento das condições meteorológicas, forçou os atacantes a recuar; os muçulmanos tinham claramente vencido e com o mínimo de baixas.

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A tribo dos Banu Qurayza foi então acusada de traição por violar a paz. Usando um versículo da Torá como precedente, foi proferida uma sentença severa por um juiz muçulmano, aprovada por Maomé: todos os homens foram executados, juntamente com as mulheres e crianças, e todos os bens foram confiscados. Desde então, este evento, apelidado de Massacre de Qurayza, tem provocado debates e discussões incessantes. O que sabemos com certeza é que, se a conspiração confederada tivesse sido bem-sucedida, o destino dos muçulmanos não teria sido diferente.

A Conquista de Meca

Em 628, quando os muçulmanos desejaram realizar uma peregrinação (Hajj) à Caaba (al-Kaʿbah), a entrada foi-lhes negada pelos habitantes de Meca, que temiam o seu crescente poder. Contudo, em vez de conflito, o assunto foi resolvido com o Tratado de Hudaybiyya, que deu aos muçulmanos permissão para realizar a peregrinação no ano seguinte (o que fizeram — uma versão reduzida, chamada umrah) e garantiu a segurança tanto para os habitantes de Meca como para os muçulmanos.

Com o assunto resolvido com os habitantes de Meca, os muçulmanos marcharam em 628 em direção à fortaleza judaica de Khaybar, cujos habitantes se tinham aliado aos habitantes de Meca dois anos antes. Khaybar foi capturada pelos muçulmanos, mas foi permitido aos habitantes permanecer nas suas terras sob controlo muçulmano. Esta tendência de manter os não-muçulmanos locais sob domínio muçulmano continuaria mesmo após a morte de Maomé. Os não-muçulmanos, residentes em terras controladas por muçulmanos, eram considerados dhimmi ou "povos protegidos" e tinham de pagar um imposto especial chamado jizya (tal como os muçulmanos pagavam o zakat, ou esmola), embora gozassem de verdadeira independência religiosa. Em alguns casos, convertiam-se para melhorar o seu estatuto social ou por devoção real, enquanto noutros casos, embora raramente, também eram realizadas conversões forçadas, apesar de Maomé ter instruído claramente os seus seguidores contra tal prática.

Muhammad Conquers Mecca & Destroys Its Idols
Maomé Conquista Meca e Destrói os Seus Ídolos Unknown (Public Domain)

No espaço de dois anos, os habitantes de Meca violaram o Tratado de Hudaybiyya ao aliarem-se a uma tribo árabe (os Banu Bakr) contra outra (os Banu Khuza'a), que era aliada dos muçulmanos. Em 630, o exército muçulmano aproximou-se de Meca; as portas foram abertas e a cidade rendeu-se. Maomé entrou em Meca e ofereceu amnistia a todas as pessoas, desde que se refugiassem na Caaba ou na casa de Abu Sufyan (que, por essa altura, já tinha aceite o Islão). Seguidamente, destruiu todos os ídolos na Caaba, declarando-a oficialmente como o local sagrado do Islão. Foi aqui que, mais tarde, realizaria a sua primeira e única peregrinação completa (o Hajj em 632, antes da sua morte; por isso, é também conhecida como a Peregrinação de Despedida na tradição islâmica) e foi também onde anunciou que a revelação divina — o Alcorão — tinha sido concluída.

A Morte do Profeta

Outra confederação (de beduínos) foi derrotada na batalha de Hunayn (630), e Maomé tinha também enviado exércitos para conquistar outras regiões importantes da Arábia. A cidade de Taif, de onde tinha sido forçado a fugir, submeteu-se ao seu domínio em 631. Uma tentativa de consolidar o poder sobre as tribos árabes que viviam sob domínio bizantino falhou com a derrota muçulmana na batalha de Mu'tah (629), mas deu aos sucessores de Maomé uma ideia para os seus futuros (e bem-sucedidos) esforços contra os bizantinos.

Gates of the Prophet's Mosque, Medina
Portões da Mesquista do Profeta, em Medina AishaAbdel (CC BY-SA)

À data da sua morte, em 632, Maomé era o líder político mais poderoso de toda a Arábia. A maioria das tribos tinha-se convertido ao Islão, embora a maior parte destas conversões tivesse uma motivação política e não espiritual. Este facto tornar-se-ia bastante relevante após a morte de Maomé, uma vez que estas tribos se separariam do império islâmico e teriam de ser trazidas de volta ao seu controlo. Após uma breve doença, Maomé faleceu pacificamente na sua própria casa, com a sua esposa mais nova, Aisha (filha de Abu Bakr), ao seu lado.

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Conclusão

Maomé foi um homem de visão e talento administrativo excecionais, que também comandou exércitos em batalha com uma perícia e carisma incríveis, sem qualquer experiência prévia. Suportou inúmeras dificuldades para difundir a sua mensagem, na qual certamente acreditava como sendo a verdade que lhe fora revelada por Deus, especialmente porque abdicar do seu caminho teria significado recompensas para além dos seus sonhos mais ousados, tal como os habitantes de Meca tinham prometido desde o início, quando tentavam silenciá-lo.

As Conquistas Muçulmanas Entre os Séculos VII e IX
Mapa das Conquistas Islâmicas nos Séculos VII-IX Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Como era norma no seu tempo, Maomé casou com várias mulheres após a morte da sua primeira esposa. Estes casamentos destinavam-se, na sua maioria, a consolidar alianças tribais, e Maomé tratava as suas esposas com o máximo respeito e amor. A poligamia pode parecer desadequada na era moderna, mas não podemos objetar que as pessoas vivam de acordo com as normas do seu tempo. Maomé, embora não tenha tido filhos varões que sobrevivessem (o que era considerado necessário para que alguém fosse lembrado e motivo pelo qual foi severamente ridicularizado na sua época), não foi, contudo, esquecido. O nome de Maomé permanece, até aos dias de hoje, como um dos nomes muçulmanos mais populares em todo o mundo, e a sua mensagem alcançou um número sem precedentes de crentes.

Embora os não-muçulmanos questionem a insistência muçulmana de que Maomé não seja representado em nenhuma imagem, isto é importante para os muçulmanos, que acreditam que tais imagens equivalem ao tipo de idolatria a que Maomé se opunha. Não ter uma imagem visual de Maomé permite que cada um interprete o Profeta à sua maneira, o que possibilita uma ligação mais íntima com o fundador da fé. Sempre que os muçulmanos, nos dias de hoje, ouvem, falam, leem ou escrevem o seu nome, acrescentam "que a paz esteja com ele", como sinal de respeito por tudo o que sacrificou na sua vida para pregar a religião da paz.

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Bibliografia

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Khan, S. M. (2026, julho 02). Profeta Maomé. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18626/profeta-maome/

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Khan, Syed Muhammad. "Profeta Maomé." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 02, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18626/profeta-maome/.

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Khan, Syed Muhammad. "Profeta Maomé." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 02 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18626/profeta-maome/.

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