Sídon é o nome grego (significa "pescaria") da antiga cidade portuária fenícia de Sidônia (também conhecida como Saida ou Sidom), situada no atual Líbano (cerca de 40 km/25 milhas ao sul de Beirute). Juntamente com a cidade de Tiro, Sídon era a cidade-estado mais poderosa da antiga Fenícia e foi a primeira a produzir o corante púrpura que tornou Tiro famosa — um produto tão raro e caro que a cor púrpura se tornou sinônimo de realeza.
A região de Sídon foi habitada já em 4.000 a.C., e Homero, no século VIII a.C., registra a habilidade dos sidônios na produção de vidro. A fabricação de vidro tornou Sídon rica e famosa, e a cidade era conhecida por ser muito cosmopolita e "progressista". A princesa Jezabel, que mais tarde se tornaria rainha de Israel (conforme relatado nos livros bíblicos de I e II Reis), era filha do rei de Sídon, Etbaal (século IX a.C.), e casou-se com o rei Acabe, de Israel, para consolidar os laços entre os dois reinos. A cidade é mencionada diversas vezes na Bíblia e há relatos de visitas feitas tanto por Jesus quanto por São Paulo ao local.
Sídon é considerada o "berço" da civilização fenícia, uma vez que a maioria dos navios que navegavam pelos mares e difundiam a cultura fenícia partia do porto desta cidade. Sídon foi conquistada por Alexandre, o Grande, em 332 a.C., durante a conquista da Fenícia e, assim como o restante da fragmentada civilização fenícia, acabou sendo absorvida por Roma e, finalmente, tomada pelos árabes muçulmanos no século VII d.C.
Riqueza por meio do comércio
A cidade de Sídon prosperou graças ao comércio marítimo. Os fenícios eram conhecidos por sua habilidade na construção naval e na navegação pela vasta extensão do Mar Mediterrâneo. O historiador Richard Miles escreve:
Já no terceiro milênio a.C., marinheiros da cidade fenícia de Biblos haviam desenvolvido navios com cascos curvos capazes de enfrentar os desafios do mar e utilizavam essas embarcações para transportar cargas de madeira de cedro para o Egito. Nos séculos seguintes, Biblos e outras cidades-estado fenícias, como Sídon, Tiro, Arvade e Beirute, conquistaram um importante espaço no comércio ao transportar artigos de luxo e matérias-primas a granel de mercados estrangeiros para o Oriente Próximo. (28)
A popularidade do comércio fenício é comprovada por artefatos fabricados em Sidon que foram encontrados em uma vasta área, estendendo-se do Egito e de toda a Mesopotâmia até Roma e a Grã-Bretanha. Os fenícios foram chamados de "intermediários" culturais devido à transferência de cultura que acompanhava suas atividades comerciais.
Os produtos de Sídon, em particular, eram muito valorizados; acredita-se, inclusive, que os egípcios tenham aprendido a técnica de fabricação de faiança com os sidônios. Os vidreiros de Sídon eram tão habilidosos que a invenção do vidro lhes foi atribuída.
A produção de corantes — especialmente o corante púrpura extraído do molusco múrice — resultava em tecidos tão caros que apenas a nobreza podia adquiri-los. Isso, naturalmente, contribuiu significativamente para a riqueza de Sídon. Foi esse corante que deu origem ao nome dado pelos gregos aos fenícios: Phoinkes, que significa "o povo da púrpura". Embora o produto tenha passado a ser comumente associado à cidade de Tiro, sua fabricação teve início em Sídon. Richard Miles afirma:
Os produtos pelos quais as cidades fenícias se tornariam mais famosas eram as vestimentas ricamente bordadas e os tecidos tingidos em um tom profundo de púrpura. Sua qualidade foi reconhecida na literatura antiga, desde a Bíblia até a Odisseia de Homero. O corante era obtido a partir das glândulas hipobranquiais de duas espécies de moluscos que proliferavam na região. Instalações para a produção do corante foram encontradas por arqueólogos em várias cidades fenícias. Embora o mau cheiro proveniente dos moluscos em decomposição fosse tão intenso que as fábricas de corante se situavam nos limites da cidade, a produção ocorria frequentemente em grande escala; em Sídon, por exemplo, o monte de conchas de múrice descartadas chegava a mais de 40 metros de altura. (30)
A Competição com Tiro
A cidade prosperou como parte de uma confederação frouxa de cidades-estado espalhadas ao longo da costa da terra de Canaã. Embora compartilhassem "uma herança linguística, cultural e religiosa comum, a região raramente esteve unida politicamente; cada cidade funcionava como um Estado soberano governado por um rei ou dinasta local" (Miles, 26). Isso colocou Sídon em competição comercial com os outros estados da Fenícia e, especialmente, com a cidade de Tiro.
No século X a.C., o equilíbrio de poder deslocou-se para Tiro, principalmente devido à liderança dos reis daquela cidade, Abibaal e, posteriormente, seu filho Hirão. Tiro firmou acordos comerciais com o recém-criado reino de Israel-Judá e seu rei, Davi. Esse acordo trouxe riqueza a Tiro; Sídon, tentando competir, estabeleceu seus próprios pactos com o reino de Israel, incluindo o casamento da princesa sidônia Jezabel — filha de Etbaal — com o rei Acabe de Israel (uma história famosa da Bíblia). A insistência de Jezabel em manter sua própria religião e identidade pessoal foi uma afronta para muitos dos súditos de Acabe e, notadamente, para o profeta Elias, que a denunciou. O governo de Jezabel e Acabe chegou ao fim com um golpe liderado pelo general Jeú, encerrando também os acordos comerciais de Sidom com Israel.
Alexandre, o Grande e o declínio de Sídon
Sídon foi conquistada por várias nações diferentes (juntamente com o restante da Fenícia), incluindo os sírios, os persas e, finalmente, Alexandre, o Grande, em 332 a.C. Ao tomarem conhecimento dos feitos de Alexandre e de sua campanha para derrubar Dario III (reinou: 336–330 a.C.), do Império Persa Aquemênida, os sidônios renderam-se a ele sem oferecer resistência. O historiador Worthington relata: "O povo de Sídon chegou ao ponto de depor o seu rei, Estratão II, por ele ser amigo de Dário" (105). No entanto, a atitude de Sídon de tentar apaziguar Alexandre não foi seguida por Tiro; esta cidade resistiu ao conquistador naquele mesmo ano e acabou sendo saqueada: seus habitantes foram massacrados e os sobreviventes, vendidos como escravos.
Após a morte de Alexandre, Sídon e o restante da Fenícia passaram para o domínio de um de seus generais e sucessores, Seleuco I Nicátor (reinou: 305–281 a.C.), fundador da Dinastia Selêucida. A região da Fenícia — incluindo Sídon, naturalmente — tornou-se cada vez mais helenizada durante o reinado de Seleuco I, mantendo essa característica mesmo após 64 a.C., quando o general romano Pompeu anexou a região ao Império Romano. Com a divisão do império, Sídon passou a integrar a metade oriental, que viria a se tornar o Império Bizantino. Terremotos e outros desastres naturais, bem como a peste, dizimaram a região entre cerca de 395 e o século VII, quando a cidade foi tomada pelos árabes muçulmanos.
