Mahmud II

Sultão Reformista do Império Otomano
Reha Mert
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Portrait of Mahmud II (by Henry Guillaume Schlesinger, Public Domain)
Retrato de Mahmud II Henry Guillaume Schlesinger (Public Domain)

Mahmud II foi um dos sultões mais influentes do Império Otomano, e enquanto reformador radical, esforçou-se por implementar reformas militares e governamentais para evitar o colapso do império. A extinção do corpo de janízaros, o estabelecimento de novas instituições governamentais e as novas medidas relativas à aparência trouxeram mudanças radicais ao exército e à sociedade otomanos; por este mesmo motivo, ficou conhecido como o "Sultão Infiel". Lançou as bases da estrutura estatal moderna, não apenas através de reformas militares, mas também através de medidas como o primeiro censo, a criação do primeiro jornal oficial (Takvim-i Vekayi), o estabelecimento de ministérios modernos (do Interior, dos Negócios Estrangeiros, etc.) e a modernização da burocracia.

A era em que Mahmud II (1785-1839) nasceu foi um período de crise para o Império Otomano. Além da dificuldade económica, os otomanos encontravam-se num estado de colapso militar, sem qualquer vestígio dos seus antigos dias de glória. Nessa altura, os exércitos ocidentais avançavam em tática e tecnologia, enquanto o sistema militar otomano estava atrasado, resultando na perda de vastos territórios devido às constantes derrotas contra os impérios Russo e Austríaco. O Estado otomano tentou diversas formas de se salvar desta situação precária; a nostalgia de um passado em que o Estado funcionava de forma mais eficaz levou alguns estadistas a defender que era necessário um regresso aos antigos métodos de administração, contudo, havia também quem acreditasse que a solução não residia em olhar para trás, mas sim em seguir em frente.

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Os Primeiros Anos

O tio de Mahmud, Selim III (reinou 1789-1807), foi um dos governantes mais reformistas que o Império Otomano tinha visto até àquela altura. Para inverter e, assim, travar o declínio do império, Selim III tinha implementado reformas e estabelecido um exército moderno ao estilo europeu, o chamado Nizam-ı Cedid, que significa "nova ordem". Contudo, ao fazê-lo, provocou também uma feroz reação por parte dos janízaros (tropas de elite do exército otomano), cujos interesses foram prejudicados, uma vez que lhes pareceu que estavam a ser removidos ou substituídos. Os defensores desta velha ordem uniram-se em torno de Kabakçı Mustafa (1770-1808), forçando-o, em última análise, a abdicar do trono em favor do seu primo conservador, Mustafa IV (1779-1808). Enquanto Selim III vivia em confinamento no palácio, notáveis provinciais (ayan), como Alemdar Mustafa Pasha (1765-1808), marcharam sobre Constantinopla numa tentativa de resgatar Selim. Kabakçı, que subira das fileiras de um soldado comum até ocupar altos cargos estatais após ter colocado Mustafa IV no trono, foi capturado durante um ataque surpresa das tropas de Alemdar e executado por decapitação.

Mahmud II estava destinado a atravessar um reinado que não seria, de todo, fácil.

Alemdar pretendia restaurar o antigo sultão reformista Selim III no trono otomano. Enquanto as tropas de Alemdar tentavam romper as portas do palácio, Mustafa IV pensou que, se Selim III e o jovem Mahmud, de 23 anos, fossem mortos, não haveria alternativa para garantir a continuidade do trono otomano; assim, as tropas de Alemdar não ousariam matá-lo, evitando o fim da linhagem otomana. Iniciou uma busca dentro do palácio para localizar ambos, ao mesmo tempo que as tropas de Alemdar tentavam forçar a entrada para os resgatar. O tempo estava a esgotar-se.

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À medida que as tropas de Alemdar irromperam pelo palácio, os carrascos, cumprindo a ordem de Mustafa IV, já tinham capturado Selim III e matado-o no local. Para Mahmud, contudo, a situação foi diferente. Uma das concubinas do palácio, chamada Cevri Kalfa, atirou cinzas para o rosto dos soldados que tinham sido enviados para matar Mahmud. Este ato deu a Mahmud o tempo crucial de que necessitava para escapar, conseguindo esconder-se no telhado do palácio. Assim, Mahmud sobreviveu por uma margem mínima. Se não fosse por Cevri Kalfa, quem poderia dizer como o curso da história se teria desenrolado até hoje?

A Ascensão ao Trono

Mahmud II, tendo sobrevivido neste ambiente altamente perigoso, estava destinado a atravessar um reinado que não seria, de todo, fácil. Quando subiu ao trono, ainda estavam em curso as Guerras da Coligação na Europa. A Sublime Porta (como era referido o governo otomano) alinhava tradicionalmente com a França e, por isso, tinha antagonizado a Rússia e a Grã-Bretanha, com quem se encontrava, consequentemente, em guerra. Embora a guerra com a Grã-Bretanha tenha terminado em 1809, o conflito com a Rússia Czarista continuou até 1812.

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Mapa do Primeiro Império Francês e da Europa Napoleónica, 1812
O Primeiro Império Francês sob Napoleão I, 1812 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Quando Mahmud subiu ao trono, a Sublime Porta não era capaz de governar quase nenhum território dentro das suas ainda vastas fronteiras. Tudo estava fora de controlo. Alemdar, que detinha agora o cargo de grão-vizir, tinha um plano para reanimar o império. Convidou os notáveis provinciais mais poderosos para Constantinopla e, a 29 de setembro de 1808, foi assinado o Sened-i İttifak (Pacto de Aliança), um tratado que limitava os poderes do sultão. Assim, os notáveis provinciais reconheceram a autoridade absoluta do sultão e este, por sua vez, reconheceu também a autoridade dos notáveis provinciais. Alguns historiadores compararam este documento à Magna Carta de Inglaterra de 1215.

Mahmud nunca apoiou o homem que lhe deu o trono e limitou o seu poder. Não queria estar em dívida para com Alemdar de forma alguma, nem ser forçado a partilhar o poder da sua soberania com ninguém. Pouco tempo depois, antes mesmo de o ano da sua ascensão, 1808, chegar ao fim, os janízaros revoltaram-se contra Alemdar, visando também colocar Mustafa IV de volta no trono. Contudo, o sultão decidiu não interferir nesta guerra entre os janízaros e Alemdar. Ao tentar fugir deles, Alemdar acabou por entrar num depósito de pólvora. Percebendo que era o fim da linha, incendiou a pólvora, fazendo explodir-se a si próprio e a várias centenas de janízaros. Mahmud ordenou a execução de Mustafa IV, tornando-se assim o único herdeiro vivo do trono.

A Revolta Sérvia

O reinado de Mahmud não seria fácil, estando repleto de levantamentos. Os seus rivais não estavam apenas em Constantinopla, mas também em diferentes partes do império. As ideias nacionalistas começaram a espalhar-se como uma identidade política após a Revolução Francesa e o Império Otomano, tal como o Império Austríaco, possuía diferentes etnias e nações dentro das suas fronteiras. O Estado otomano encontrava-se numa crise profunda e perdeu o controlo da maioria das suas províncias. A pressão exercida pelos janízaros sobre o sultão, juntamente com o governo arbitrário dos notáveis provinciais, demonstrou a fraqueza dentro do Estado otomano.

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First Serbian Uprising Assembly
Assembleia da Primeira Revolta Sérvia Konstantin N. Nenadović (Public Domain)

A Sérvia rebelou-se em 1804 com o objetivo de obter a independência da Sublime Porta. Uma vez que o exército otomano estava em guerra com a Rússia de 1806 a 1812, foi forçado a combater em duas frentes simultaneamente e a dispersar as suas tropas ao longo da frente. Quando a invasão da Rússia por Napoleão começou em 1812, foi assinado um tratado de paz entre os otomanos e a Rússia. Em 1813, os otomanos conseguiram recolocar as suas tropas e derrotaram com sucesso o líder da rebelião, Kara George (1762-1817). Um dos rivais de Kara George, Milosh Obrenovich (1780-1860), foi recompensado pelos seus esforços em garantir a conformidade local com a nomeação para o cargo de Grande Knez do distrito central sérvio de Shumadia (Shaw, pág. 14).

A Primeira Revolta Sérvia (1804-1813) foi uma desilusão e muitos sérvios não aceitaram esta derrota. Agora, o Grande Knez, Milosh Obrenovich, em 1815, ao ver que muitos sérvios ainda resistiam e não aceitavam o domínio otomano, decidiu revoltar-se contra os otomanos. Por volta de 1817, Obrenovich percebeu que alcançar a independência não era tão fácil e começou a negociar com o governo otomano a autonomização da Sérvia. Contudo, só em 1829, com o Tratado de Edirne, é que a autonomia da Sérvia foi oficialmente reconhecida. A independência não foi alcançada, mas foram dados passos nesse sentido.

A Revolta Grega

O nacionalismo desempenhou um papel significativo na eclosão da rebelião grega. Fundada em Odessa em 1814, uma sociedade chamada Filiki Eteria (Sociedade de Amigos) trouxe para a Grécia as ideias de liberdade e de Estado-nação da Revolução Francesa. O movimento Megali Idea (Grande Ideia), que visava reviver a antiga civilização grega e o legado bizantino ou seja, estabelecer um grande Estado grego centrado em Constantinopla, tornou-se a motivação fundamental por detrás da rebelião, e queriam um Estado que pudessem governar por si próprios.

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Enquanto Mahmud se esforçava por ganhar o controlo das províncias perdidas através da centralização, Ali Paxá de Janina (1740-1822), o poderoso governador de Janina na Grécia, estabeleceu, com o seu próprio exército, um Estado dentro do Estado. Visando eliminar o governo forte de Ali Paxá na Grécia, Mahmud destituiu-o a ele e aos seus filhos dos seus cargos oficiais. Isto levou Ali Paxá a rebelar-se em 1820 após desobedecer às ordens de Mahmud. Assim, um governador otomano rebelou-se contra o seu próprio Estado.

Portrait of Ali Pasha of Yanina
Retrato de Ali Paxá de Janina Spyridon Ventouras (Public Domain)

Enquanto o exército otomano estava ocupado com Ali Paxá, a Filiki Eteria acreditou que a oportunidade para a independência tinha finalmente chegado e iniciou a sua própria rebelião no Peloponeso, em 1821. Agora, ocorriam duas rebeliões em simultâneo. Após os otomanos terem conseguido matar Ali Paxá em 1822, o exército otomano tentou pôr fim à outra rebelião no Peloponeso; no entanto, a situação atingiu um impasse total. O sultão Mahmud pediu ajuda ao governador do Egito, Kavalalı Mehmed Ali Paxá (1769-1849), que enviou o seu filho, Ibrahim Paxá, com a sua frota para assistir os exércitos da Sublime Porta. Kavalalı estipulou que, caso suprimisse a rebelião, lhe seriam concedidos os governos tanto de Creta como do Peloponeso. Com uma frota composta por 25 navios de guerra (fragatas, corvetas e brigues), capturou Navarino em março de 1825, tendo sitiado a cidade por terra e por mar. Como observa o historiador Shaw:

Para todos os efeitos práticos, então, a revolução grega tinha chegado ao fim e, com Ali Paxá de Janina eliminado e os sérvios subjugados, Mahmud II tinha conseguido restabelecer o controlo centralizado em quase todo o seu império.

(Shaw, 19)

Contudo, embora Mahmud tenha conseguido suprimir a rebelião, as potências ocidentais, como a França, a Grã-Bretanha e a Rússia, decidiram que a Grécia deveria permanecer parte do Império Otomano e continuar a existir como um principado vassalo. Para que tal ocorresse, a frota egípcia/otomana em Navarino foi destruída sem qualquer declaração de guerra ou aviso prévio. Em 1828, a Rússia declarou guerra à Sublime Porta nos Balcãs e no Cáucaso, avançando até Edirne. Embora o Tratado de Edirne, de 1829, tenha iniciado o caminho da Grécia para a soberania, só com o Protocolo de Londres, de 1830, é que a Grécia foi reconhecida como um Estado totalmente independente, sendo mais tarde estabelecida como reino em 1832.

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O Incidente Auspicioso (Vaka-i Hayriye)

Era evidente que o exército otomano, assim como o Estado, tinha de passar por algumas reformas. Contudo, os janízaros eram vistos como um dos maiores obstáculos aos esforços da Sublime Porta para implementar estas reformas tão necessárias. Eram estritamente conservadores e não tinham qualquer desejo de ver o sistema existente sofrer qualquer tipo de mudança. Embora tivessem representado outrora uma força de combate forte e capaz durante os dias gloriosos do Império Otomano, os janízaros tinham-se tornado, a esta altura, obsoletos e drenavam o tesouro do Estado sem qualquer retorno.

Janissary Uniform, Early 19th Century
Uniforme de Janízaros, Início do Século XIX John Heaviside Clark (Public Domain)

Se Mahmud desejava reformar o Estado otomano, teria de se livrar deles; no entanto, sultões otomanos anteriores que tentaram fazê-lo acabaram por ser mortos — o destino de Selim III era um poderoso lembrete. Mahmud estava determinado a não repetir os erros fatais do tio. Até 1826, foi obrigado a seguir um caminho de compromisso tanto com os janízaros como com o ulema (a classe responsável pelos assuntos educativos e judiciais). Nomeou para cargos-chave dentro destas instituições indivíduos que lhe eram pessoalmente leais ou que eram totalmente incompetentes, esvaziando-as por dentro e tornando-as efetivamente impotentes. Ao contrário de Selim, Mahmud escolheu executar os seus planos secretamente em vez de abertamente, e com uma paciência imensa. Teve de esperar até ao verão de 1826 para concretizar o seu plano, pois compreendeu que só teria uma oportunidade de sucesso e não tinha intenção de ter o mesmo destino que Selim.

Em vez de estabelecer um exército separado, como Selim III tinha feito, Mahmud decidiu criar uma força auxiliar, conhecida como Eşkinci, a partir das fileiras dos próprios janízaros. Mahmud completara os seus preparativos e aguardava a revolta; finalmente, a 15 de junho de 1826, as unidades de janízaros, descontentes com a situação, rebelaram-se. Era exatamente o que Mahmud esperava; ele queria forçá-los à rebelião para que pudessem ser finalmente neutralizados. O movimento de Mahmud foi descrito da seguinte forma: "Como um cirurgião mestre que amadurece um furúnculo inflamado com uma cataplasma, momentos antes de fazer a incisão final." (Beydilli)

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Os insurgentes foram silenciados nos seus quartéis no Et Meydanı pela artilharia legalista num massacre sangrento. Os seus quartéis foram queimados ou demolidos. A resistência nas províncias — onde muitos janízaros serviam como guarnições de fortalezas — foi também rapidamente esmagada.

(Kreiser, pág. 325)

Começou uma caça ao homem em grande escala: os janízaros eram mortos onde quer que fossem avistados, e cada vestígio deles foi sistematicamente erradicado. Os seus quartéis-generais foram demolidos, os seus uniformes queimados; até a banda Mehter (o seu agrupamento militar de marcha) foi dissolvida e as suas composições musicais reduzidas a cinzas. Assim, um dos maiores obstáculos que, durante séculos, se tinha atravessado no caminho da implementação de reformas foi finalmente removido. Por esta razão, o evento entrou para a história como o "Evento Auspicioso".

As Reformas

Mahmud, à semelhança do czar russo Pedro, o Grande (czarado 1682-1721), que viveu um século antes dele, implementou mudanças radicais no seu Estado. Na Rússia, os streltsy, que eram semelhantes aos janízaros, tinham sido abolidos e substituídos por um novo exército. Seguindo o mesmo caminho, Mahmud dissolveu o Corpo de Janízaros e estabeleceu, em seu lugar, um exército ao estilo europeu conhecido como Asakir-i Mansure-i Muhammediye ("Os Soldados Vitoriosos Treinados de Maomé") (Shaw, pág. 23). Mahmud introduziu também regulamentos relativos ao vestuário; especificamente, o comprimento dos bigodes e das barbas foi regulado para não exceder a largura de dois dedos (Beydilli). Após a abolição do Corpo de Janízaros em 1826, os turbantes e o antigo toucado que simbolizavam o corpo foram completamente proibidos, sendo o fez introduzido no seu lugar. Esta transformação, que começou no exército, foi alargada aos funcionários públicos através de um regulamento emitido em 1829. As túnicas tradicionais, as calças largas (şalvar) e os turbantes (kavuk) foram substituídos por calças ao estilo ocidental, casacos (setre ou sobrecasacas) e botas de couro preto. Todas as classes da sociedade otomana deviam obedecer a estas mudanças. Com estas reformas, Mahmud pretendia criar um "cidadão otomano" único, ocultando a religião, a seita e o estatuto social do indivíduo.

Portrait of Sultan Mahmud II
Retrato do Sultão Mahmud II Athanasios Karantz(ou)las (Public Domain)

Simultaneamente, foram empreendidas reformas administrativas; os poderes anteriormente detidos por funcionários estatais individuais foram transferidos para ministérios, lançando assim as bases de instituições que perduram até aos dias de hoje. Estas incluíram o Ministério do Interior, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministério da Justiça, o Ministério das Finanças e o Conselho de Ministros. Além disso, para divulgar estas reformas, fundou o Takvim-i Vekayi, o jornal oficial do Estado. O primeiro censo moderno no Império Otomano foi também realizado durante este período.

Se o Império quisesse sobreviver, era também vital resolver a questão da educação. Em 1824, tornou o ensino primário obrigatório para raparigas e rapazes em Constantinopla. Era evidente que os métodos educativos tradicionais já não eram eficazes, tornando necessário um novo sistema de ensino mais secular. Embora as escolas de estilo tradicional tenham sido mantidas, foi também criado um novo currículo escolar que incluía aritmética, ciências e línguas estrangeiras. Contudo, surgiu um novo problema: o número de educadores qualificados para formar esta nova geração de jovens era insuficiente. Para resolver este desafio, Mahmud enviou estudantes talentosos para o estrangeiro e, após terminarem os seus estudos, estes indivíduos regressaram e foram nomeados para cargos-chave dentro do Estado.

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O historiador N. Berkes resume da seguinte forma:

Foi ele, também, quem iniciou as primeiras mudanças na vida dos habitantes do palácio. Tal como os seus monarcas europeus contemporâneos, foi ele quem se aventurou para fora da capital, viajou, embarcou em navios a vapor e até se interessou pela aprendizagem de línguas estrangeiras. Devido a estes comportamentos, foi visto por alguns elementos da população como um sultão que se tinha tornado 'semelhante a um infiel'. Foi ele quem se esforçou por evitar o governo arbitrário, incluindo o confisco de propriedades e a ordenação de execuções, que tinha persistido como um legado dos hábitos dos antigos sultões.

(Berkes, pág. 173).

A Crise Egípcia

O quediva do Egito tinha enviado as forças, em 1824, para apoiar o exército otomano na supressão da rebelião grega. Contudo, a campanha tinha acabado por terminar em desastre, com a destruição total da sua frota e a perda de milhares de soldados antes do seu regresso ao Egito, na Batalha de Navarino. Em 1831, o quediva egípcio, Mehmed Ali Paxá, exigiu ao Sultão Mahmud os governos da Síria, de Creta e de Adana como compensação pelas suas perdas. A resposta do sultão foi uma recusa peremptória. Aparentemente indisposto a aceitar este "não" como resposta final, Mehmed Ali Paxá enviou o seu filho, Ibrahim Paxá, que tomou rapidamente o controlo da Palestina e da Síria e, subsequentemente, derrotou o exército otomano em Konya, uma cidade situada no coração da Anatólia, em 1832. A situação era crítica para os otomanos. O exército egípcio marchava sobre Constantinopla. Deixado numa situação desesperada, o Sultão Mahmud viu-se forçado a aceder às exigências de Mehmed Ali e a ceder também o controlo de Jeddah. O governador provincial tinha conseguido derrotar o Sultão.

Portrait of Ibrahim Pasha of Egypt
Retrato de Ibrahim Paxá do Egito Charles-Philippe Larivière (Public Domain)

No entanto, Mahmud simplesmente não podia aceitar a derrota. Como poderia um governador derrotar o Sultão? Em 1839, chegou a hora do ajuste de contas e foi lançada uma campanha para confrontar o governador egípcio. A 24 de junho de 1839, os dois exércitos enfrentaram-se em Nezib e o resultado foi um desastre total para as forças otomanas: a maioria dos soldados pereceu e apenas um punhado conseguiu escapar. Entretanto, a frota que tinha partido de Constantinopla para atacar as forças egípcias foi entregue ao Egito pelo seu almirante, Ahmed Fevzi Paxá, ao receber a notícia de que o sultão se encontrava no seu leito de morte. Mahmud faleceu a 30 de junho de 1839, apenas seis dias depois de o seu exército ter sido destruído. Partiu sem nunca saber da aniquilação completa do seu exército ou até da sua marinha.

Conclusão

Mahmud II foi um reformador radical que transformou o Estado Otomano de uma forma que ninguém tinha conseguido antes. As suas reformas, contudo, não conseguiram obter aceitação pública; a população sentia-se esmagada sob o peso destas mudanças. Embora o grau de sucesso destas reformas permaneça um tema de debate, não há dúvida de que as instituições que estabeleceu e o sistema que implementou lançaram as bases para a moderna República da Turquia. Neste contexto, ele permanece como um dos sultões mais significativos da história otomana.

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Mert, R. (2026, julho 12). Mahmud II: Sultão Reformista do Império Otomano. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26368/mahmud-ii/

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Mert, Reha. "Mahmud II: Sultão Reformista do Império Otomano." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 12, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26368/mahmud-ii/.

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Mert, Reha. "Mahmud II: Sultão Reformista do Império Otomano." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 12 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26368/mahmud-ii/.

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