Martin Bucer (1491-1551) foi um reformador e teólogo alemão que fora frade dominicano e sacerdote até se ter convertido à visão protestante de Martinho Lutero (1483-1546) por volta de 1518. Bucer é mais conhecido pelo seu empenho na unidade da cristandade e, consequentemente, nunca estabeleceu a sua própria seita, embora tenha influenciado muitos.
Tal como os outros reformadores, Bucer sentiu-se atraído pelas obras do humanista, teólogo e erudito Erasmo de Roterdão (1466-1536) antes de ouvir Lutero discursar em 1518. Na verdade, o humanismo de Erasmo convenceu Bucer de que as visões de Lutero eram aceitáveis, ainda que Lutero e Erasmo discordassem em muitos pontos significativos. Após abandonar a ordem dominicana em 1521, Bucer pregou a perspetiva protestante e aderiu ao novo movimento, casando-se com a antiga freira Elisabeth Silbereisen em 1522.
Foi acolhido pelo pastor reformado Matthew Zell (1477-1548) e, mais tarde, pela sua mulher Katharina Zell (nascida Schütz, 1497-1562) de Estrasburgo, tornando-se um dos mais proeminentes teólogos e pastores da cidade. Enfatizou sempre a importância da unidade entre as seitas protestantes que ali e noutros locais se desenvolviam, e foi coautor, juntamente com Wolfgang Capito (cerca de 1478-1541), da Confissão Tetrapolitana (Confessio Tetrapolitana/Vierstädtebekenntnis) (também conhecida como Confissão de Estrasburgo), que apresentava uma confissão de fé unificadora para a Igreja Reformada. Ele também tentou mediar, infrutiferamente, a disputa sobre a Eucaristia entre Martinho Lutero e o reformador suíço Ulrico Zuínglio (1484-1531)
Quando o Ínterim de Augsburgo entrou em vigor em 1548, forçando as cidades do Sacro Império Romano-Germânico a regressar ao catolicismo, Bucer aceitou o convite do Arcebispo Thomas Cranmer (1489-1556) e partiu para Inglaterra, onde foi fundamental na revisão do Livro de Oração Comum (Book of Common Prayer) e contribuiu, de igual modo, para os esforços da Reforma por outras vias. Morreu de causas naturais em Inglaterra, aos 59 anos. A sua insistência numa visão unitária para todas as seitas protestantes fez com que nunca se sentisse compelido a estabelecer a sua própria, mas as suas obras influenciaram luteranos, zuinglianos, anglicanos e muitos outros que, hoje, o reivindicam como um dos seus.
A Educação e a Conversão
Em 1491, Bucer nasceu no seio de uma família de tanoeiros (fabricantes de barris) em Sélestat, na Alsácia. Nada se sabe sobre a sua infância, se teria irmãos ou qual o nome da sua mãe. O pai e o avô chamavam-se ambos Claus Butzer, e o apelido de Bucer surge por vezes com essa mesma grafia. Os seus pais seriam quase certamente abastados, uma vez que ele estudou, em vez de ter sido aprendiz no ofício do pai, e aprendendo latim na escola local. Aqui, poderá ter conhecido o humanista e posterior reformador Beatus Rhenanus (1485-1447), também natural de Sélestat, que frequentou a mesma escola e é mais tarde referido como mentor de Bucer. Concluiu a escola de latim e, em 1507, ingressou na ordem dominicana, tendo sido ordenado diácono em 1510.
Em 1515, já era estudante em Heidelberg, estudando para o sacerdócio, e foi ordenado em Mogúncia em 1516; regressou depois a Heidelberg, onde mergulhou na escolástica, que era então considerada essencial para a educação de um padre. Sentiu-se especialmente atraído pelas obras de São Tomás de Aquino (1225-1274), que também fora dominicano, e depois pelas de Erasmo. Em 1517, foram afixadas as 95 Teses de Martinho Lutero, e foi lançado em Wittenberg o movimento que viria a ser a Reforma Protestante, o que despertou a atenção de Bucer por volta de 1518.
Em abril de 1518, Lutero deslocou-se a Heidelberg para dar uma conferência sobre as suas visões na Disputa de Heidelberg; Bucer conheceu-o e falou com ele, concluindo que Lutero tinha razão ao rejeitar os ensinamentos da Igreja Católica. Antes das 95 Teses, tinham sido publicadas as 97 Teses de Lutero, que argumentavam contra a escolástica que Bucer abraçara. Bucer escreveu a Rhenanus nessa altura, expressando as suas preocupações em associar-se a Lutero mas, ao mesmo tempo, explicando como as visões de Lutero eram sustentadas pelas obras de Erasmo, um erudito que Rhenanus conhecia pessoalmente. As visões humanistas de Rhenanus poderão ter influenciado Bucer precocemente, possivelmente incentivando o seu interesse por Erasmo e a aceitação de Lutero, ainda que isso não seja totalmente inequívoco.
Em 1519, Bucher recebeu o diploma de bacharel em Heidelberg e abraçou totalmente a visão de Lutero, rejeitando o seu antigo interesse pelo escolasticismo. Tendo apoiado publicamente a posição de Lutero, Bucer foi alvo da Inquisição Dominicana, mas conseguiu evitar a perseguição ao obter a anulação dos seus votos à ordem em 1521. No entanto, ele ainda era considerado uma ameaça pelas autoridades, mas foi protegido por dois cavaleiros poderosos que também apoiavam a causa de Lutero, Ulrich von Hutten (1488-1523) e Franz von Sickingen (1481-1523), mais conhecidos pela sua liderança na Revolta dos Cavaleiros (1522-1523). Durante este período, Bucer esteve intimamente associado ao movimento luterano, oferecendo o seu apoio a Lutero na Dieta de Worms, embora a sua ajuda não tivesse sido solicitada nem apreciada.
A Dieta de Worms
Lutero foi convocado para comparecer perante a Dieta de Worms em abril de 1521 por Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, para explicar o seu ponto de vista e, idealmente, retractar-se. Carlos V estava interessado em restaurar a unidade dos seus territórios, e os 'novos ensinamentos' de Lutero, como eram chamados, constituíam um obstáculo a este objetivo. O imperador prometeu-lhe um salvo-conduto de Wittenberg até Worms durante 20 dias, a contar do dia em que este recebeu o mandado de comparência. Segundo as obras posteriores de Lutero, Bucer interveio quando se aproximavam da cidade, tentando persuadir Lutero a não entrar, uma vez que as suas obras estavam a ser queimadas e, temia Bucer, que o mesmo acontecesse a Lutero. No seu relato posterior, Lutero rejeita as alegadas boas intenções de Bucer:
Quando cheguei a Oppenheim, perto de Worms, o Mestre Bucer veio ver-me e tentou dissuadir-me de entrar na cidade. Disse-me que Glapion, o confessor do imperador, o tinha procurado e lhe tinha implorado que me avisasse para não ir a Worms; pois, se o fizesse, seria queimado. Seria melhor, acrescentou ele, que eu parasse nas vizinhanças, em casa de Franz von Sickingen, que teria muito gosto em me receber.
Os miseráveis fizeram isto com o propósito de me impedirem de comparecer dentro do prazo prescrito; sabiam que, se eu me atrasasse apenas mais três dias, o meu salvo-conduto deixaria de estar disponível e, então, ter-me-iam fechado as portas na cara e, sem ouvirem o que eu tinha a dizer, ter-me-iam condenado arbitrariamente. (Michelet, pág. 79)
Lutero rejeitou a sugestão de Bucer e continuou até Worms, onde proferiu o seu famoso discurso "Aqui Permaneço". O discurso de Lutero na Dieta de Worms assinalou a sua ruptura total com a Igreja Católica e tornou-se um ponto de união para os seus seguidores, entre os quais estava Bucer.
Parece improvável que Bucer, que já tinha deixado a ordem dominicana e cuja própria vida tinha sido ameaçada, tivesse tentado propositadamente impedir Lutero de comparecer à assembleia, mas foi assim que Lutero interpretou a intervenção. A académica Lyndal Roper observa que a sugestão de Bucer enfureceu Lutero e que este «desconfiou de Bucer para sempre, o que viria a ter consequências de vasto alcance» (pág. 167). Bucer parece não ter tido ideia de que tinha ofendido Lutero e, segundo o académico Thomas Kaufmann, identificava-se completamente com a causa de Lutero:
Em muitos aspectos, Martin Bucer representa o tipo ideal de «luterano» do período inicial. Tal como Lutero, provinha de uma ordem mendicante, no seu caso a de São Domingos. Como a maioria dos outros Reformadores, recebera uma rigorosa educação humanista e descobrira Lutero através do «desvio» de Erasmo. À semelhança de outros humanistas, admirava tremendamente os comentários bíblicos de Lutero; transmitia notícias sobre o Reformador de Wittenberg e disseminava os seus textos. (Rublack, pág. 153)
Permanece uma incógnita como é que Lutero concluiu que Bucer estava em conluio com os seus inimigos, mas pensa-se que a sua animosidade para com Bucer terá tido um papel importante na sua posterior rejeição da unificação com Zuínglio no Colóquio de Marburgo e na Dieta de Augsburgo.
O Casamento e a Excomunhão
Após Worms, e ainda sob a proteção de Hutten e Sickingen, Bucer foi contratado como capelão pelo progressista Eleitor Luís V, Conde Palatino (1478-1544), e viveu em Nuremberga, onde conheceu, entre outros, Andreas Osiander (1498-1552), o reformador que viria a incentivar a publicação das obras de Argula von Grumbach (cerca de 1490-1564). Sickingen era uma figura de destaque na corte de Luís V, tinha-se oferecido para acolher Lutero sob custódia protectora após Worms e fizera a mesma oferta a Bucer. Acabou por convencer Bucer de que estaria mais seguro no seu castelo em Landstuhl, para onde este se mudou no início de 1522. Pouco depois, Bucer conheceu e casou-se com a ex-freira Elisabeth Silbereisen.
O conflito mais tarde conhecido como a Revolta dos Cavaleiros estava a ganhar ímpeto nesta altura e Sickingen, pensando provavelmente que Bucer estaria mais seguro noutro local, enviou-o para estudar em Wittenberg, que, por volta de 1522, era um refúgio seguro para os luteranos. Ele parou em Wissembourg pelo caminho e foi convencido pelo reformador Heinrich Motherer a ficar e a aceitar um cargo como capelão. Os sermões de Bucer contra a política da Igreja e, especialmente, contra a interpretação da Eucaristia, incentivaram as revoltas contra a autoridade eclesiástica, e Bucer foi oficialmente excomungado pelo bispo da região.
Por esta altura, no início de maio de 1523, fora esmagada a Revolta dos Cavaleiros, Sickingen estava morto e Hutten era um fugitivo que viveria apenas mais alguns meses. Privado dos seus poderosos protetores, Bucer partiu para Estrasburgo, levando Motherer consigo.
Estrasburgo, Lutero e Zuínglio
Bucer foi acolhido pelo principal sacerdote reformado da cidade, Matthew Zell, e serviu-o como assistente antes de aceitar o cargo de pastor na Igreja de Santa Aurélia, em agosto de 1523. Em dezembro de 1523, oficiou o casamento de Matthew Zell e Katharina Schütz, e continuou a trabalhar com o casal Zell posteriormente, visto que os três partilhavam as mesmas visões ecuménicas do Cristianismo. Trabalhou também em estreita colaboração com Wolfgang Capito e Caspar Hedio (1494-1552), especialmente na organização do Colóquio de Marburgo de 1529, que tentou reconciliar as divergências entre Lutero e Zuínglio.
Antes do evento, contudo, Bucer, Capito, Hedio, o casal Zell e outros fizeram avançar a causa da Reforma em Estrasburgo e Bucer tornou-se o campeão eloquente na defesa escrita dos ideais reformistass. A oposição católica, na figura do prior agostiniano Conrad Treger, condenou os reformadores como hereges, mas Estrasburgo já apoiava a Reforma e o conselho municipal pôs-se do lado de Bucer. Treger foi detido após os seus esforços para suprimir a Reforma terem resultado em motins e, uma vez libertado, abandonou a cidade. Assim, Bucer publicou a sua obra Base e Causa (Grund und Ursach), estabelecendo os princípios protestantes universais e explicando a rejeição da doutrina, do ritual e das práticas católicas. Ele deixou claro que havia lugar para todos dentro da visão protestante, desde que se aproximasse de Deus com uma fé sincera e infantil e se compreendessem as Escrituras como a palavra de Deus para a humanidade.
Embora ele aderisse à visão de Lutero de 'apenas a fé' e 'apenas as Escrituras' como a base para a relação de cada um com Deus, favorecia a interpretação de Zuínglio sobre a Eucaristia. Zuínglio sustentava que a Ceia do Senhor era a comemoração de um evento e que o espírito de Jesus Cristo estava presente quando esta era celebrada, mas que o pão e o vinho não se transformavam no sangue e no corpo de Cristo. Lutero insistia na presença real de Cristo na Eucaristia e recusava-se a ceder, pois acreditava que, ao fazê-lo, estaria a negar as Escrituras.
Em 1529, Bucer participou na organização do Colóquio de Marburgo para resolver várias divergências entre Lutero e Zuínglio, mas, primordialmente, a interpretação da Eucaristia. Lutero e Zuínglio concordaram em todos os pontos apresentados, excepto nesse. Lutero insistia na sua própria visão como sendo a visão de Deus, e Zuínglio rejeitou-a, considerando que esta espelhava os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica. Lutero abandonou a reunião após afirmar que Zuínglio, Bucer e qualquer pessoa que não concordasse com ele estavam a seguir ensinamentos falsos. Bucer observou que os aspectos importantes eram a 'fé somente' e a 'Escritura somente', e que tudo o resto poderia ser deixado à interpretação individual; contudo, a 'Escritura somente' era o pomo da discórdia, uma vez que Lutero e Zuínglio interpretavam as passagens relativas à Ceia do Senhor de forma diferente.
No ano seguinte, na Dieta de Augsburgo de junho de 1530, Bucer voltou a incentivar a unidade através da Confissão Tetrapolitana, que escreveu em coautoria com Capito; contudo, esta obra, bem como a Confissão ao Imperador Carlos de Zuínglio, foram eclipsadas pela Confissão de Augsburgo de Filipe Melâncton (1497-1560), o braço direito de Lutero, que viria a tornar-se o modelo para outras confissões e que, naturalmente, expressava as visões de Lutero. Por esta altura, a divisão entre os luteranos e a Igreja Reformada de Zuínglio, Bucer e Capito tinha-se tornado tão profunda que, a princípio, Melâncton recusou-se sequer a reunir-se com Bucer e Capito em Augsburgo, mas depois cedeu e concordou em rever uma carta que Bucer pretendia enviar a Lutero, que se encontrava em Coburgo porque, tendo sido declarado fora-da-lei, não podia comparecer à Dieta de Augsburgo sem ser preso e executado.
A carta de Bucer salientava que Lutero afirmava que Cristo estava realmente presente na Eucaristia e que ele, Zuínglio e os outros acreditavam que Cristo estava espiritualmente presente e que, por isso, na verdade, não havia qualquer desacordo. Não importava, alegava Bucer, se Cristo estava fisica ou espiritualmente presente, desde que o crente experimentasse a presença e fosse capaz de comungar com Deus. Melâncton ficou inquieto com a carta, mas enviou-a a Lutero, que rejeitou o argumento por completo. Ele respondeu a Melâncton:
Não responderei à carta de Martin Bucer. Sabes como odeio os seus jogos de dados e a sua astúcia; eles não me agradam. Não foi isto que ensinaram até agora, mas não o reconhecerão nem farão penitência; pelo contrário, continuam apenas a insistir que não houve qualquer desacordo entre nós, para que tivéssemos de admitir que eles ensinaram a verdade, mas que nós tínhamos lutado erradamente contra eles ou, melhor, que éramos loucos. (Roper, pág. 319)
Como foi observado, pensa-se que Lutero rejeitou os esforços de unidade de Bucer, pelo menos em parte, devido à intervenção deste último antes da Dieta de Worms. Lutero iniciou uma série de ataques escritos contra Bucer, aos quais este se recusou a responder, citando a admoestação bíblica de 'oferecer a outra face' e de perdoar aos outros as suas transgressões, tal como o próprio fora perdoado.
Conclusão
Entre 1530 e 1548, Bucer trabalhou para a unificação das seitas protestantes, por vezes com mais e, frequentemente, com menos sucesso. Embora tenha conquistado Melâncton para o seu lado em pontos significativos, não conseguiu convencer Lutero. A sua relação com Zuínglio deteriorou-se quando se recusou a assumir uma posição firme contra as crenças luteranas. Zuínglio cortara todos os laços com Bucer e, após a sua morte em 1531, o seu sucessor, Heinrich Bullinger (1504-1575), mostrou-se inicialmente cauteloso em relação a Bucer. A Primeira Confissão Helvética de Bullinger foi, em parte, uma resposta ao apelo de Bucer à unidade, mas Bullinger não apoiou totalmente os seus esforços.
A mulher de Bucer, Elisabeth, e Wolfgang Capito morreram em 1541, quando a peste atingiu Estrasburgo, e ele casou-se com a viúva de Capito, Wibrandis Rosenblatt (1504-1564), em 1542, seguindo o conselho de Katharina Zell. Bucer tinha reformado a igreja de Estrasburgo e incentivado esforços noutros locais quando o Ínterim de Augsburgo foi declarado por Carlos V, em 1548, impondo o regresso aos ensinamentos e práticas católicas em todo o reino. Bucer partiu para Inglaterra, aceitando o convite do arcebispo reformado Thomas Cranmer, e assumiu um cargo de docente na Universidade de Cambridge.
A Reforma Inglesa incentivou tantas divisões quanto o movimento tinha provocado na Alemanha e noutros locais e, como Bucer era conhecido como um moderado que tinha concretizado reformas em Estrasburgo, foi-lhe pedido que tomasse partido. Ele recusou, contudo, sustentando – como fizera desde sempre – que o Cristianismo deveria ser inclusivo e acolher diversas interpretações, e que detalhes como a Ceia do Senhor, o uso de vestes litúrgicas ou qualquer outra fonte de divisão deveriam ser considerados secundários face à confissão de fé em Cristo e à forma como se vivia a fé num espírito cristão, confiando em Deus e encorajando os seus companheiros cristãos.
Ele morreu de causas naturais em 1551 e foi enterrado no cemitério da igreja de Great St. Mary's. Quando Maria I da Inglaterra (reinou 1553-1558, conhecida como "Maria, a Sanguinária" pela perseguição aos protestantes) chegou ao poder e tentou restaurar o catolicismo, ela mandou julgar Bucer e outros por heresia, e os seus restos mortais foram exumados e queimados junto com as suas obras. O seu túmulo foi restaurado sob o reinado da rainha protestante Isabel I da Inglaterra (reinou 1558-1603), que também incentivou a tradução e a divulgação das suas obras.
O académico Diarmaid MacCulloch observa como "Bucer falava muito mais sobre o amor de Deus do que muitos dos seus companheiros reformadores. Além disso, ele era capaz de ver o bem em pessoas que estavam profundamente em desacordo" (pág. 180). Ele nunca estabeleceu a sua própria seita do cristianismo protestante porque, para Bucer, não deveria haver seitas, nem divisão, apenas uma única – e simples – devoção aos ensinamentos e ao modelo de Cristo. Ele defendia a visão expressa na Bíblia em Mateus 6:33: "Procurai, primeiro o Seu reino e a Sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo". Actualmente, tal como aconteceu pouco depois da sua morte, diversas seitas têm-no reivindicado como apoiante da sua interpretação do cristianismo acima de outras; uma afirmação com a qual o próprio Bucer, sem dúvida, estaria em desacordo.
