Argula von Grumbach

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
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Statue of Argula von Grumbach (by Mihai Buculei, CC BY-SA)
Estátua de Argula von Grumbach Mihai Buculei (CC BY-SA)

Argula von Grumbach (nascida von Stauff, 1490 a cerca de 1564) foi uma teóloga, escritora e reformadora bávara, que se tornou uma figura controversa após a sua carta de 1523 À Universidade de Ingolstadt (Wie ein Christliche fraw von Adel / auß Bayern / durch jren schrifftlichen sendebrieff / die Hohe schül zu Ingoldstat / vmb das sie einen euangelischen Jüngling / zu recantiren getrungen haben / straffet.) na qual protestava contra a detenção de um jovem académico por ensinar preceitos luteranos. Sofreu pelas suas convicções, mas manteve-se fiel à Reforma até à sua morte.

Von Grumbach possuía uma excelente educação e já tinha lido a Bíblia traduzida em alemão antes de Martinho Lutero (1483-1546) ter iniciado o que viria a ser conhecido como a Reforma Protestante em 1517. Converteu-se aos chamados 'novos ensinamentos' por volta de 1520 ou 1522, após ler as obras do braço direito de Lutero, Filipe Melanchthon (1497-1560), e tornou-se uma figura pública em 1523, após a publicação da sua carta À Universidade de Ingolstadt. Continuou a publicar durante o ano seguinte até a Guerra dos Camponeses Alemães (1524-1525), que muitos associaram aos ensinamentos de Lutero, o que pode ter feito com que fizesse uma pausa, embora continuasse a escrever cartas particulares.

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Manteve uma correspondência estreita com Lutero, Melanchthon e outros reformadores, incluindo Martin Bucer (1491-1551), mas nunca foi publicamente incluída no activismo destes por ser mulher. Os seus escritos foram denunciados pelas autoridades católicas e criticados por outrem pela mesma razão, e o seu primeiro casamento tornou-se tenso devido à sua notoriedade. Ainda assim, continuou a viajar e a defender a Reforma ao longo de toda a sua vida, com um custo pessoal tão elevado que foi incluída na edição de 1572 da História dos Mártires de Ludwig Rabus (1524-1592), antigo aluno de Lutero, embora não existam provas de que a sua morte tenha ocorrido por motivos de fé.

Tal como aconteceu com muitas das mulheres agora célebres da Reforma Protestante, as suas oito cartas publicadas entre 1523 e 1524 foram ignoradas pelos historiadores até à era moderna, e Von Grumbach apenas começou a receber atenção séria no final do século XX. Hoje, é reconhecida como uma figura importante dos primeiros anos da Reforma e como uma defensora da igualdade das mulheres.

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Os Primeiros Anos de Vida e a Conversão

O ano de nascimento de Von Grumbach é apontado como sendo logo em 1490, mas também tem sido citado como 1492 ou mesmo 1493, e a data da sua morte é igualmente incerta, variando entre 1554 e 1564 ou até 1568. As datas de 1490 a cerca de 1564 são comummente aceites, mas não são de modo algum certas. Descendia da nobre família von Stauff, da Baviera, e o pai ignorou a crença predominante de que educar raparigas era uma perda de tempo (ou que até as poderia confundir e levar ao pecado), providenciando-lhe uma educação privada juntamente com os seus irmãos. A família possuía ligações políticas e mantinha a sede baronal tradicional no Castelo de Ehrenfels, em Ratisbona.

Depois das obras de Lutero e Melanchthon terem começado a circular por volta de 1520, Von Grumbach converteu-se à visão reformada do cristianismo.

Quando tinha dez anos, foi-lhe oferecido um exemplar da Bíblia de Koberger (publicada em 1483), uma tradução alemã da Vulgata Latina. Embora a Igreja Católica proibisse traduções da Bíblia para a língua vernácula, vários clérigos tinham-no feito de qualquer forma, remontando a John Wycliffe (1330-1384) em Inglaterra e a Jan Hus (cerca de 1369-1415) na Boémia. O facto do pai lhe ter oferecido uma Bíblia em vernáculo sugere fortemente que a família não era ortodoxa, o que sem dúvida contribuiu para a sua posterior receptividade à visão da Reforma.

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Quando tinha cerca de dezasseis anos, foi enviada para a corte real em Munique para servir a duquesa Cunegunda da Baviera (1465-1520) como dama de companhia. A duquesa possuía uma excelente educação e uma mentalidade espiritual, parecendo ter incentivado o estudo da Bíblia e a discussão das Escrituras. Também convidou vários ministros e teólogos para a sua corte, onde Von Grumbach conheceu Johann von Staupitz (cerca de 1460-1524), mentor de Martinho Lutero.

Em 1509, ambos os pais morreram devido à peste e ela foi adoptada pelo tio, Hieronymus von Stauff, que foi executado em 1516 sob a acusação de intriga política. Mais tarde, nesse mesmo ano, casou-se com Friedrich von Grumbach († 1530), também pertencente a uma prestigiada família bávara, que ocupava um cargo administrativo em Dietfurt. O casal estabeleceu-se em Dietfurt e viria a ter quatro filhos: George, Hans Georg, Gottfried e Apollonia.

Entre 1516 e cerca de 1522, presume-se que a família tenha sido uniformemente católica, mas depois de as obras de Lutero e Melanchthon terem começado a circular por volta de 1520, Von Grumbach converteu-se à visão reformada do cristianismo e insistiu que os seus filhos fossem educados de acordo com os seus preceitos. Esta datação baseia-se na obra À Universidade de Ingolstadt, escrita por Argula von Grumbach em 1523, altura em que já estava comprometida com a causa protestante. O seu marido permaneceu católico, o que, de acordo com os seus escritos posteriores, causou uma tensão significativa no casamento.

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À Universidade de Ingolstadt

Em 1521, à medida que o discurso de Lutero na Dieta de Worms, lhe granjeava mais aderentes, a sua visão tornou-se especialmente atractiva para os estudantes universitários. Na Universidade de Ingolstadt, o teólogo católico Johann Eck (1486-1543), que tinha denunciado e debatido com Lutero em Leipzig em 1519, proibiu o ensino ou a disseminação da teologia luterana, condenando-a como heresia. Um jovem estudante, Arsacius Seehofer (cerca de 1504 a cerca de 1539), matriculou-se em Ingolstadt em 1518, mas viajou para Wittenberg, a sede da Reforma de Lutero, por volta de 1521, para estudar com Melanchthon. Quando em 1522 regressou a Ingolstadt, Eck avisou-o para não introduzir quaisquer conceitos luteranos no corpo estudantil.

Title Page of To the University of Ingolstadt
Folha de Rosto de À Universidade de Ingolstadt Argula von Grumbach (Public Domain)

Na qualidade de jovem membro do corpo docente (com cerca de 18 anos) na primavera de 1523, Seehofer ignorou o aviso de Eck e proferiu uma lição sobre a teologia de Melanchthon. Foi censurado e o seu aposento foi alvo de buscas visando a procura de obras heréticas, resultando na apreensão de dezassete textos luteranos e consequente expulsão e detenção de Seehofer, com a ameaça de execução na fogueira caso não renunciasse à teologia luterana. Seehofer parece ter recusado inicialmente, mas o seu pai interveio e conseguiu que o caso transitasse do tribunal eclesiástico para o secular, que aceitou abdicar da pena capital se Seehofer se retractasse, o que este acabou por fazer. No entanto, foi expulso da universidade e enviado para a Abadia de Ettal, onde permaneceu prisioneiro até 1524.

Von Grumbach ficou indignada pelo facto de ninguém ter saído em defesa de Seehofer e, por isso, escreveu a sua agora célebre carta À Universidade de Ingolstadt, exigindo que o corpo docente explicasse de que crime Seehofer era culpado e, por extensão, porque deveriam as obras de Lutero e Melanchthon ser consideradas heréticas quando aderiam exclusivamente às Escrituras. A académica Kirsi Stjerna comenta:

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Argula sentiu-se compelida a agir por Deus e pela injustiça de que foi testemunha. Fundamentou os seus argumentos na primazia das Escrituras, sustentando a sua tese com mais de 80 citações e uma retórica astuta. Poderá ter sido inspirada pelas palavras de Lutero sobre a necessidade de as mulheres pregarem o Evangelho quando os homens se calam. Exigiu audazmente que os homens da universidade não só a ouvissem, mas também lhe respondessem pessoalmente. Nem o seu estatuto de leiga, nem o seu género, nem a sua falta de conhecimentos de latim constituíram qualquer impedimento para ela. Sentindo-se investida de uma autoridade baseada nas Escrituras e do dever moral cristão de intervir quando uma universidade financiada por fundos públicos era culpada de má conduta, Argula estava indignada. (págs. 76-77)

Eck e os restantes membros da faculade ignoraram a carta, e Seehofer permaneceu prisioneiro na Abadia de Ettal, pelo que ela mandou publicar a obra. Esta já tinha circulado pela cidade no outono de 1523 em cópias manuscritas, até que o amigo de Von Grumbach (e companheiro reformador) Andreas Osiander (1498-1552) sugeriu que fosse formalmente publicada e escreveu um prefácio para a obra, que se tornou famosa, alcançando 14 edições em apenas dois meses. Encorajada pelo sucesso inicial, escreveu depois outras cartas, agora endereçadas à nobreza da região, citando as Escrituras e defendendo o seu apoio à Reforma.

A Vida Conjugal e a Perseguição

No outono de 1524, Argula von Grumbach era uma autora de grande sucesso de vendas e uma figura pública controversa.

Seehofer foi libertado em 1524 e, voltando atrás na sua retractação anterior, abraçou novamente a causa, acabando por se tornar pregador e professor protestante. Não é claro se foram a carta de Von Grumbach ou as influências de Seehofer que conduziram à sua libertação, mas a popularidade da missiva dela parece sugerir que exerceu alguma influência, nem que fosse pelo embaraço causado às autoridades ao verem que uma mulher se mostrava tão conhecedora das Escrituras quanto eles alegavam ser. Por esta altura, as suas outras cartas também já tinham sido publicadas (algumas sem o seu conhecimento ou consentimento) e estes panfletos circulavam por toda a região em números superiores a 30 000 exemplares. No outono de 1524, Argula von Grumbach era uma autora de grande sucesso de vendas e uma figura pública controversa.

A Baviera ainda era uma região predominantemente católica, e von Grumbach estava em minoria, apoiando publicamente a causa de Lutero (embora nunca se identificasse como luterana, apenas como cristã), e por isso poderia ter sido presa sob a acusação de heresia. Parece que ela não o foi, não apenas devido ao seu estatuto social como fidalga, mas também porque as autoridades tinham aprendido, após perseguirem Lutero, que tentar suprimir uma figura popular apenas conduzia a um maior apoio à sua causa. Além disso, eclodira a Guerra dos Camponeses Alemães e as pessoas, em geral, tinham preocupações maiores do que dar uma resposta às obras de Von Grumbach. Notou-se também que, embora ela escrevesse em defesa de Lutero e Melanchthon, citava apenas as Escrituras e não as obras destes.

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Como as autoridades não a podiam atacar diretamente, perseguiram o marido, demitindo-o do cargo administrativo. Foi sugerido que, antes ou depois da demissão, ele terá sido encorajado por colegas e superiores a partir as mãos da mulher e a cortar-lhe os dedos, e que nenhuma acusação seria apresentada caso ela fosse assassinada, embora estas alegações tenham sido contestadas. Se tais sugestões foram feitas, Friedrich ignorou-as, mas, segundo as cartas de Von Grumbach, ele 'fez tudo o que pôde para perseguir o Cristo nela' (Stjerna, pág. 79), embora se desconheça como.

Portrait Medal of Argula von Grumbach
Medalha-Retrato de Argula von Grumbach Hans Schwarz (Public Domain)

Após a publicação da carta a Ingolstadt, um membro do corpo docente, o Professor Hauer, denunciou-a publicamente em sermões como uma 'cadela herética', 'prostituta sem vergonha', 'bandida' e 'filha de Eva', sentimentos estes que foram secundados por outros. Depois do marido ter perdido o emprego, a família foi banida de Dietfurt e poderá ter-se mudado para Lenting ou para alguma aldeia vizinha. Friedrich não conseguia encontrar trabalho e Von Grumbach empenhou joias repetidamente para pagar as dívidas e manter a casa abastecida. Embora fosse admirada pelos reformadores protestantes, incluindo Lutero, não existem provas de que algum deles a tenha ajudado financeiramente ou defendido publicamente.

Lutero e von Grumbach

Friedrich morreu em 1530, altura em que os seus filhos já eram, na sua maioria, adultos, e ela viajou por conta própria para se encontrar com Lutero em Coburgo, onde este permaneceu enquanto Melanchthon e outros seguiram para a Dieta de Augsburgo. Os escritos pessoais de Lutero expressam uma grande estima por Von Grumbach, mas as suas obras publicadas nunca a mencionam, mesmo quando ele aborda questões como a detenção e o aprisionamento de Seehofer. Ele parece ter beneficiado pessoalmente da associação entre ambos, dado ela ser uma fidalga bávara. A académica Lyndal Roper observa:

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Foi, sem dúvida, o seu estatuto social como membro da nobre família Staufen que lhe permitiu tornar-se amiga de Lutero — ela pertencia ao grupo social que Lutero sempre cultivara — [mas] o mundo de igualdade intelectual entre homens e mulheres que ela ousara imaginar não chegou a concretizar-se. Foi ridicularizada pela universidade e escarnecida por homens que consideravam as suas acções e o seu comportamento inadequados para uma mulher. (pág. 407)

Lutero também parece ter considerado inadequado reconhecer e apoiar publicamente uma mulher que presumia ensinar os homens, uma vez que tal era proibido pelas Escrituras, nomeadamente pela passagem em I Timóteo 2:12 ('Não permito que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o homem; esteja, porém, em silêncio'). Von Grumbach, contudo, defendeu o seu direito de ensinar e escrever de acordo com um conceito que o próprio Lutero advogava: o sacerdócio de todos os crentes. Este princípio defendia que qualquer pessoa com crenças cristãs sinceras era igual a todas as outras, rejeitando a hierarquia eclesiástica, a educação formal ou, na visão de Von Grumbach, o género de cada um.

Von Grumbach, de facto, cita 'uma escola de mulheres' que a apoiavam, embora seja claro que agiu e escreveu sozinha, e parece estar a referir-se a contemporâneas, e não apenas a figuras femininas da Bíblia. Desconhece-se quem seriam estas mulheres que 'são capazes e mais instruídas do que eu' (Stjerna, pág. 78), uma vez que muitos dos familiares da própria Von Grumbach a renegaram; contudo, havia muitas mulheres activas nos esforços da Reforma por esta mesma altura, incluindo Marie Dentière (cera de 1495-1561) em Genebra, Katharina Schütz Zell (1497-1562) em Estrasburgo, Margarida de Navarra (1492-1562) em França e a própria mulher de Lutero, Catarina de Bora (1499-1552), na Alemanha.

Martin Luther and Katharina von Bora
Martinho Lutero e Catarina de Bora Lucas Cranach the Elder (CC BY-NC)

Estas mulheres, e muitas outras, impulsionaram a Reforma nos seus anos iniciais, mas não foram publicamente reconhecidas pelos seus homólogos masculinos da época. Tanto Lutero como João Calvino (1509-1564) nutriam um grande respeito pelas suas mulheres e, em privado, aprovavam os seus esforços, mas continuavam a defender publicamente que as mulheres eram subordinadas aos homens, de acordo com as Escrituras. Quando Von Grumbach tentou organizar um encontro em Augsburgo, em 1530, entre Melanchthon, do lado de Lutero, e Bucer, do lado de Zuínglio — tentando reconciliar as divergências sobre o rito da Última Ceia —, foi rejeitada por ser mulher; no entanto, as suas propostas teriam sido bem-vindas se tivessem partido de um homem, dado que esta mesma reconciliação fora tentada um ano antes no Colóquio de Marburgo.

Os ataques desferidos contra Von Grumbach, independentemente da forma que assumiram, acabaram por se centrar no facto de ela ser uma mulher que presumia ensinar os homens. Um dos ataques mais conhecidos partiu de Johann de Landshut, em 1524, que a satirizou num poema, alegando que ela deveria parar de fingir que entendia dos negócios dos homens e regressar à fiação da lã, sugerindo ainda que fora apenas o seu desejo carnal por Lutero que a atraíra para o movimento. Von Grumbach respondeu a este poema com um da sua autoria, mas não existem provas de que Lutero ou qualquer outro tenha contribuído para a sua defesa.

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Conclusão

Von Grumbach casou-se pela segunda vez em 1533 com o Conde von Schlick, que apoiava a Reforma, mas este morreu em 1535. Ela sobreviveu a três dos seus quatro filhos, uma vez que George e Apollonia faleceram em 1539 e Hans Georg em 1544. Ainda assim, manteve a sua fé e, já em 1563, há referências a ter sido presa por perturbar a paz ao 'circular livros protestantes, realizar cultos domésticos privados e oficiar em funerais à beira da sepultura' (Stjerna, pág. 82). Embora seja conhecida na História pelas suas oito cartas publicadas entre 1523 e 1524, os registos públicos e as cartas de terceiros tornam claro que permaneceu uma activista ao longo da vida e encarnou o espírito da reforma inicial, que alimentava a esperança na igualdade das mulheres. Stjerna escreve:

Argula nasceu no momento certo da História, na janela de oportunidade para a escrita de panfletos por leigos, antes que tais oportunidades passassem a ser mais controladas. Argula, e Katharina Schütz Zell, representam o que 'poderia ter sido' para as mulheres protestantes no século XVI e, de forma mais geral, no futuro. A sua história demonstra também os impedimentos que as escritoras e as professoras enfrentaram. Ela encarnou as esperanças de uma pessoa leiga emancipada e, mais especificamente, de uma mulher leiga. Incorporou o zelo dos primeiros evangélicos, ao falar por convicção e confissão, como cristã, como mestre da Bíblia e como defensora dos direitos religiosos do povo, oferecendo uma perspetiva das Escrituras que poderia ter ramificações sociais, bem como teológicas, radicais. Contidas nas suas acções e nas suas palavras estavam repercussões potenciais para a emancipação das mulheres e para a rebelião dos povos oprimidos, tais como os camponeses. (pág. 84)

Embora as suas cartas tenham ajudado a difundir a Reforma na Alemanha, e ela fosse admirada em privado pelos seus contemporâneos mais conhecidos no movimento, as obras de Von Grumbach foram esquecidas após a sua morte. De facto, os eventos dos seus últimos anos são obscuros e desconhece-se o local da sua sepultura. Tal como muitas outras reformadoras, ela foi eclipsada na História pelos homens da Reforma até finais do século XIX e inícios do século XX, embora o interesse académico pela sua obra só tenha sido aprofundado nos últimos 30 anos. Hoje em dia, é frequentemente citada, juntamente com outras mulheres do seu tempo, como uma protofeminista e activista. Termos com os quais, provavelmente, concordaria, mas sentir-se-ia, sem dúvida, mais confortável com a designação de 'cristã', conforme ela a entendia: alguém em quem vive o verdadeiro espírito de Cristo.

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Perguntas & Respostas

Porque é que Argula von Grumbach é famosa?

Argula von Grumbach é mais conhecida pela sua carta aberta à Universidade de Ingolstadt protestando contra a demissão, prisão e encarceramento de um jovem estudioso que apresentou a teologia luterana numa palestra.

Como morreu Argula von Grumbach?

Acredita-se que Argula von Grumbach tenha morrido por causas naturais por volta de 1564, mas ninguém sabe, concretamente, como morreu. Ela foi incluída na História dos Mártires em 1572, mas não há evidências de que tenha morrido pela sua fé.

O que é que Argula von Grumbach escreveu?

Argula von Grumbach escreveu oito cartas, publicadas entre 1523 e 1524, que se tornaram muito conhecidas como panfletos defendendo a Reforma Protestante.

Qual era a relação de Argula von Grumbach com Martinho Lutero?

Martinho Lutero admirava Argula von Grumbach a título pessoal, mas não podia apoiá-la publicamente devido à proibição bíblica de que as mulheres ensinassem ou presumissem ter autoridade sobre os homens.

Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2026, abril 05). Argula von Grumbach. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20662/argula-von-grumbach/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Argula von Grumbach." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, abril 05, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20662/argula-von-grumbach/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Argula von Grumbach." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 05 abr 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20662/argula-von-grumbach/.

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