A Tessália foi um estado independente na Grécia medieval entre 1267 ou 1268 e 1394, primeiro como a Tessália sob domínio grego e, mais tarde, como o Ducado de Neopatras, sob domínio catalão e latino. Sob os sebastocratas, a Tessália foi uma "pedra no sapato" do Império Bizantino e uma aliada dos estados latinos na Grécia e no sul da Itália. Após a morte do último sebastocrata tessálio em 1318, o Ducado de Neopatras foi estabelecido pelos catalães e combinado com o Ducado de Atenas, sendo que os dois estados partilharam, na sua maioria, os mesmos governantes e destinos até a Tessália ser finalmente conquistada pelos turcos otomanos em 1423.
As Origens no Epiro
Na sequência do saque de Constantinopla pela Quarta Cruzada em 1204, o Império Bizantino fragmentou-se numa série de estados sucessores. A Tessália foi originalmente detida pelo líder grego regional Leão Esguro, mas, quando os cruzados latinos chegaram, o território foi rapidamente tomado por senhores latinos sob a liderança nominal de Bonifácio de Montferrat, o novo Rei de Tessalónica (reinou 1205–1207). O domínio latino na Tessália foi, contudo, de curta duração e, em 1212, Miguel I Comneno Ducas do Epiro (reinou 1205–1215) ocupou a Tessália central, incluindo a cidade chave de Larissa, tendo o resto da Tessália sido conquistado pelo seu meio-irmão e sucessor, Teodoro Comneno Ducas (reinou 1215–1230). O Epiro foi um dos três estados sucessores gregos (ou melhor, romanos) mais duradouros do Império Bizantino e foi inicialmente bastante bem-sucedido, conquistando Tessalónica, renomeando-se como Império de Tessalónica e avançando quase até às portas da própria Constantinopla, antes de Teodoro sofrer uma derrota horrível na Batalha de Klokotnitsa em 1230.
Manuel Comneno Ducas (reinou 1230–1241) assumiu o poder em Tessalónica, enquanto o seu parente Miguel II Comneno Ducas (reinou 1230–1267/1268) se tornou o governante do Epiro. A Tessália foi governada pelo Império de Tessalónica durante esta década de retração, mas quando Manuel foi deposto de Tessalónica em 1237 pelo regressado Teodoro, ele dirigiu-se à Tessália, onde governou a região como um estado independente de 1239 a 1241. Após a sua morte, a Tessália caiu sob o domínio de Miguel II do Epiro, sendo reincorporada no Despotado do Epiro. A região foi brevemente ocupada pelo Império de Niceia em 1259, mas foi reocupada pelas forças epirotas no ano seguinte.
Um Estado Independente
Embora a Tessália tivesse provado o sabor da independência sob Manuel, no testamento de Miguel II, ela tornar-se-ia um estado independente mais uma vez. Miguel II decidiu dividir o seu domínio entre o seu filho primogénito, Nicéforo Comneno Ducas, e o seu filho ilegítimo, João Ducas. Nicéforo (reinou 1267/1268–1297) recebeu o Despotado do Epiro, enquanto João recebeu a Tessália.
João I Ducas (reinou 1267/1268–1289) estabeleceu a cidade de Neopatras como a sua capital e governou a Tessália como um estado praticamente independente. Tal como o seu meio-irmão Nicéforo, ele estava tecnicamente subordinado à suserania bizantina. João recebeu o título imperial de sebastocrata do imperador bizantino Miguel VIII Paleólogo (reinou 1259–1282), reconhecendo o domínio bizantino da mesma forma que Nicéforo reconhecia o domínio bizantino no Epiro em troca do título de déspota. Contudo, na realidade, ambos os estados operavam fora do domínio bizantino e aliavam-se frequentemente aos seus vizinhos latinos a sul e na Itália.
João mantinha boas relações com Carlos I da Sicília (reinou 1266–1285), que ambicionava o Império Bizantino, bem como com o Ducado de Atenas. Tal como Nicéforo, João também retratou a Tessália como um protetor da Ortodoxia quando Miguel VIII concordou com a união das Igrejas Ortodoxa e Católica no Concílio de Lyon em 1274 João chegou mesmo a convocar um sínodo em Neopatras para condenar o Concílio de Lyon e a sua união proclamada.
Em retaliação pela deslealdade de João, um exército bizantino comandado pelo irmão de Miguel VIII invadiu a Tessália e cercou João em Neopatras. Ele só foi salvo pela chegada oportuna de um exército do Ducado de Atenas. O preço desta assistência, contudo, foi a mão da filha de João, Helena, em casamento com o futuro duque ateniense, Guilherme I de la Roche (reinou 1280–1287), bem como um dote composto por algumas cidades fronteiriças da Tessália. Os bizantinos tentaram invadir novamente em 1277, e Miguel VIII liderou uma campanha pessoalmente em 1282, mas morreu durante o percurso.
Embora João I tenha sido um temível resistente ao domínio bizantino, após a sua morte deixou dois filhos jovens como seus sucessores: Constantino (reinou 1289–1303) e Teodoro (reinou 1289–1299). A viúva de João, uma princesa valaca, aquiesceu ao poder bizantino e, em 1295, o imperador Andrónico II Paleólogo (reinou 1282–1328) concedeu a ambos o título de sebastocrata, tal como ao seu pai. Os dois sebastocratas eram, contudo, filhos do seu pai e, pouco depois, começaram a causar problemas aos bizantinos. Conspiraram com os sérvios e chegaram mesmo a atacar o seu primo no Epiro, tomando a cidade de Naupacto.
O Fim da Dinastia
Por volta de 1303, tanto Constantino como Teodoro tinham falecido, e outro menor era o governante da Tessália: o filho de Constantino, João II Ducas (reinou 1303–1318). Devido à sua tenra idade, Constantino tinha nomeado o Duque de Atenas, Guido II de la Roche (reinou 1287–1308), como tutor de João e regente da Tessália. Guido era tio de João por casamento. Nomeou um administrador, António le Flamenc, para governar a Tessália na sua ausência. Devido ao seu histórico familiar e à tutela de Guido, João manteve as fortes ligações da Tessália com os seus vizinhos latinos. A tutela de Guido forçou um exército epirota invasor a retirar-se, fortalecendo ainda mais as relações da Tessália com os latinos.
Contudo, a norte, uma nova crise avolumava-se sob a forma da Companhia Catalã. A Companhia Catalã era um grupo de mercenários do Reino de Aragão, contratado pelo imperador bizantino Andrónico II. Após a sua chegada em 1303, derrotaram os turcos com sucesso em vários combates, mas o seu poder crescente aterrorizou os bizantinos. Em 1305, o líder da Companhia Catalã, Roger de Flor, foi assassinado, levando a Companhia a devastar a Trácia durante vários anos, deixando a terra completamente assolada. Por volta de 1309, tendo os catalães já saqueado o território bizantino até à exaustão, procuravam novas oportunidades. João II era agora maior de idade e tentava libertar-se de Walter de Brienne, o novo Duque de Atenas (reinou entre 1308–1311). Walter convocou a Companhia Catalã para afirmar o poder ateniense na Tessália, e os mercenários pilharam facilmente a planície tessália e capturaram várias fortalezas locais.
Tal como os bizantinos antes dele, Walter estava agora alarmado com a ferocidade e a eficiência sangrenta da Companhia Catalã. Tentou liquidá-los, mas os catalães esmagaram o exército ducal em 1311, na Batalha de Halmyros. Walter morreu em batalha. Na sequência, os catalães conquistaram o próprio Ducado de Atenas. João ainda lutou durante alguns anos, mas os catalães mantiveram as fortalezas tessálias que tinham conquistado anteriormente e continuaram a realizar incursões profundas na Tessália. Os nobres tessálios também se tornaram inquietos e, por isso, João foi forçado a reconhecer a suserania bizantina. Quando João morreu em 1318, o reino dissolveu-se rapidamente, com os catalães a conquistarem a parte sul da Tessália e os nobres gregos, com Estêvão Gabriolopoulos como figura principal, a governarem de forma semi-autónoma no norte.
Ducado de Neopatras
Embora a Tessália tivesse desaparecido oficialmente, teve uma "vida prolongada" de mais um século como o Ducado de Neopatras. Os catalães estabeleceram o Ducado de Neopatras no lugar da metade sul da Tessália, mas, na realidade, este era parte do Ducado de Atenas. A Atenas catalã era governada por segundos e terceiros filhos dos reis aragoneses da Sicília e, assim, os duques de Neopatras e os duques de Atenas eram uma e a mesma pessoa. Foi mantido pelos catalães até 1390, altura em que Nerio I Acciaioli (reinou entre 1390–1391), o senhor florentino de Corinto, o conquistou, depois de ter arrebatado o Ducado de Atenas aos catalães dois anos antes.
O Ducado de Neopatras sob os Acciaioli teria uma existência breve. Quatro anos mais tarde, em 1394, os otomanos conquistaram o ducado e avançaram sobre Atenas. Após a derrota dos otomanos na Batalha de Ancara, em 1402, contra Tamerlão, os bizantinos reconquistaram a Tessália por um período, e o território passou sucessivamente das mãos dos bizantinos para as dos otomanos até que estes o conquistaram definitivamente em 1423. Após a sua longa vida de independência real e nominal, a Tessália passaria a fazer parte do Império Otomano durante os quatro séculos seguintes.

