Governo da Antiga Pérsia

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Statue of Kosrau I in Tehran courthouse (by مانفی, CC BY-SA)
Estátua de Cosroes I no Palácio da Justiça de Teerão مانفی (CC BY-SA)

O governo da antiga Pérsia baseava-se numa burocracia eficiente que combinava a centralização do poder com a descentralização da administração. O Império Aqueménida (cerca de 550-330 a.C.), fundado por Ciro, o Grande (reinou cerca de 550-530 a.C.), é por vezes considerado o inventor desta forma de governo, mas, na realidade, inspirou-se em modelos anteriores de administração acádica e assíria.

O modelo aqueménida seria seguido por impérios sucessivos na região — o Império Selêucida (312-63 a.C.), a Pártia (247 a.C.-224 d.C.) e o Império Sassânida (224-651 d.C.) — com poucas modificações, devido à sua grande eficácia. O governo era uma hierarquia com o imperador no topo, funcionários administrativos e conselheiros logo abaixo dele e secretários abaixo destes. O império estava dividido em províncias (satrapias) administradas por um governador persa (sátrapa) que era responsável apenas por assuntos civis; os assuntos militares numa satrapia eram tratados por um general. Este sistema impedia qualquer sátrapa de levantar uma rebelião, uma vez que não tinha acesso às forças armadas, e desencorajava o mesmo por parte de um líder militar, pois este carecia de fundos privados para incitar as tropas à rebelião.

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Esta forma de governo permaneceu em vigor desde cerca de 550 a.C. até 651 d.C., novamente com poucas modificações, até que o Império Sassânida caiu nas mãos dos árabes muçulmanos no século VII d.C. Foi o modelo de governo mais eficaz do mundo antigo, influenciando a forma de governo adotada pelo Império Romano, e o seu modelo básico ainda está em uso nos dias de hoje.

Os Modelos Iniciais

O conceito de poder centralizado administrado por meio de funcionários de confiança foi desenvolvido por Sargão de Acádia após ter estabelecido o primeiro império multicultural do mundo.

O conceito de poder centralizado administrado por meio de funcionários de confiança foi desenvolvido por Sargão de Acádia (reinou 2334-2279 a.C.) após ter fundado o Império Acádio (2334-2083 a.C.), o primeiro império multicultural do mundo. Sargão selecionou os seus administradores entre aqueles em quem sentia que podia confiar (conhecidos como «Cidadãos de Acádia») e concedeu-lhes poder para governar nas mais de 65 cidades que compunham o seu império.

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Recorreu também ao poder da religião, colocando a sua filha, Enheduanna (2285-2250 a.C.), no cargo de Alta Sacerdotisa de Ur, na Suméria, para incentivar a piedade e a adesão à ordem estabelecida. Embora Enheduanna seja o único exemplo conhecido de tal nomeação, é provável que Sargão tenha feito o mesmo nos templos de outras cidades.

Os governadores de cada cidade eram supervisionados por agentes de Sargão, que faziam visitas de surpresa para garantir a sua lealdade e a utilização eficiente dos recursos. As iniciativas de Sargão criaram um ambiente estável, o que permitiu o desenvolvimento de uma forte infraestrutura de estradas, melhorias nas cidades e um sistema postal.

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Sargão e os seus sucessores tornaram-se lendários na Mesopotâmia muito tempo depois da queda do seu império e da reforma do modelo acádio pelo rei assírio Tiglate-Pileser III (reinou 745-727 a.C.) do Império Neo-Assírio. Tiglath Pileser III (nome de nascimento Pulu) era o governador provincial da cidade de Kahlu (também conhecida como Nimrud) sob o reinado de Ashur Nirari V (reinou 755-745 a.C.). Os governadores provinciais eram responsáveis por administrar os decretos do monarca, mas, cada vez mais, agiam de forma autónoma em seu próprio interesse, e Ashur Nirari V não tomou nenhuma medida para impedir isso. Por volta de 746 a.C., a insatisfação com a negligência de Assur-Nirari V resultou numa guerra civil — possivelmente iniciada por Pulu, embora isso não seja claro — que opôs as facções dos governadores provinciais à casa reinante. Pulu matou Assur-Nirari V e a sua família num golpe de Estado, tomando o poder e assumindo o nome de reinado de Tiglate-Pileser III.

King Tiglath-pileser III
Rei Tiglate-Pileser III Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

A sua primeira medida depois disso foi garantir que um dia não sofresse o mesmo tipo de golpe. Reduziu o tamanho das províncias para metade, aumentando o seu número de 12 para 25, para que as regiões mais pequenas não conseguissem reunir tantos homens armados como antes. Em seguida, reduziu o poder dos governadores provinciais, colocando dois homens no comando de cada província, cada um dos quais tinha de concordar com as decisões políticas antes de estas poderem ser promulgadas e, além disso, nomeou eunucos para esses cargos, de modo a que não houvesse qualquer possibilidade de um governador tentar uma tomada de poder para estabelecer uma dinastia familiar.

Com este sistema em vigor, inspirou-se no modelo acádio e estabeleceu uma rede de informações, através da qual administradores de confiança visitavam as províncias sem aviso prévio para se certificarem de que tudo funcionava conforme ele desejava. O modelo de Tiglate-Pileser serviria bem o Império Neo-Assírio até à sua queda em 612 a.C. perante uma coligação liderada pelos medos e babilónios.

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O Governo Aqueménida

Os medos tornaram-se a potência dominante na região até serem derrubados por Ciro, o Grande, por volta de 550 a.C., e foram a civilização que anteriormente adotara o sistema de satrapias utilizado pelos assírios. Os medos mantiveram o sistema mais ou menos intacto e foi neste modelo que Ciro se inspirou para o seu próprio, ao mesmo tempo que modificava o modelo dos assírios. Heródoto observa que «os persas adotam mais costumes estrangeiros do que qualquer outro povo» (I.135) e isto foi certamente verdade no caso de Ciro ao formar o seu governo. Tanto o império acádio como o assírio governaram povos diversos em vastas regiões e, embora inicialmente bem-sucedidos, ambos acabaram por cair. Num esforço para impedir que isso acontecesse à sua própria criação, Ciro adotou os melhores aspetos dos governos anteriores e ignorou aqueles que causavam mais problemas.

Uma das políticas mais odiadas do Império Assírio era a prática da deportação e relocalização de grandes populações. A decisão dos assírios de relocalizar pessoas não foi tomada de forma apressada ou severa — as famílias eram mantidas juntas e as pessoas eram escolhidas pelos seus talentos e competências específicos — mesmo assim, isso não era consolo para aqueles que eram arrancados das suas casas e transportados para alguma região estrangeira. Outras políticas assírias impopulares foram a prática de tornar qualquer pessoa conquistada (que não fosse então vendida como escrava) um «assírio» como parte integrante do império e também a proliferação de templos dedicados ao deus supremo assírio Assur por todas as regiões conquistadas. Em 612 a.C., quando a coligação medo-babilónica destruiu as cidades da Assíria, prestaram especial atenção aos templos e às estátuas dos deuses e reis que tinham passado a odiar.

Cyrus the Great
Ciro, o Grande Siamax (CC BY-SA)

Tem-se argumentado que Ciro era zoroastriano com base na religião que se desenvolveu na região por volta de 1500-1000 a.C. e nas referências ao deus zoroastriano Ahura Mazda associadas a Ciro. Ahura Mazda já era o deus supremo do antigo panteão iraniano, no entanto, muito antes de o profeta Zoroastro (Zarathustra) ter recebido a sua visão. Quaisquer que fossem as crenças pessoais de Ciro, ele não as impôs a ninguém. Todos no império eram livres para adorar qualquer deus que desejassem, da forma que quisessem.

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Ciro ficou famoso por ter libertado os judeus do chamado Cativeiro da Babilónia (Babilônia) e até ajudou a financiar a reconstrução do seu templo em Jerusalém. A qualquer povo conquistado era permitido permanecer onde sempre tinha vivido, fazendo o que sempre tinha feito, e tudo o que Ciro pedia era que os impostos fossem pagos, que fossem fornecidos homens para os exércitos e que todos tentassem dar-se bem uns com os outros da melhor forma possível.

O seu governo baseava-se no seu poder central supremo, exercido através das satrapias descentralizadas que, tal como no sistema assírio, eram supervisionadas pelos funcionários de Ciro — os olhos e ouvidos do rei. Não há registo de revoltas durante o reinado de Ciro, o Grande, e uma prova do seu sucesso como construtor de impérios e governante é a forma como era tratado pelo povo, que se referia a ele como seu pai.

Após a morte de Ciro em 530 a.C., o filho Cambises II (reinou 530-522 a.C.) expandiu o império até ao Egito e continuou as mesmas políticas. Cambises II é frequentemente retratado como um monarca desequilibrado e ineficiente, mas isto deve-se provavelmente ao facto de ter feito tantos inimigos letrados entre os egípcios e os gregos. Parece, no entanto, ter seguido políticas mais severas do que tanto o seu pai como o seu sucessor, Dário I (o Grande, reinou entre 522 e 486 a.C.). Um exemplo disso é a sua reação ao juiz real Sisamnes ter aceitado um suborno. Segundo Heródoto:

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Cambises cortou-lhe a garganta e esfolou-lhe toda a pele. Mandou fazer tiras com a pele esfolada e amarrou a cadeira em que Sisamnes costumava sentar-se para proferir os seus veredictos com essas tiras. Depois, nomeou o filho de Sisamnes para juiz, em vez do pai que tinha morto e esfolado, e disse-lhe para ter em mente a natureza da cadeira em que se sentaria para proferir os seus veredictos.

(V.25)

Quando Dário, o Grande, chegou ao poder, instituiu um novo paradigma através do seu código legal conhecido como a «Ordem das Boas Regulamentações». Esta obra existe agora apenas em fragmentos e citações de escritores posteriores, mas parece ter-se baseado no anterior Código de Hamurabi (reinou 1792-1750 a.C.). Uma das estipulações de Dário I era que «ninguém, nem mesmo o rei, pode executar alguém que tenha sido acusado de um único crime... mas se, após a devida consideração, ele considerar que os crimes cometidos superam em número e gravidade os serviços prestados, então pode ceder à ira» (Heródoto I.137).

Darius I Inscribed Stone Weight
Peso de Pedra de Dário I com Inscrições Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Quando um juiz real chamado Sandoces foi considerado culpado de aceitar um suborno, Dário I ordenou que fosse crucificado. No entanto, após ponderar a sua própria lei, reconheceu que o bem que Sandoces tinha feito como juiz superava o seu único crime de aceitar o suborno e, por isso, foi perdoado; embora, em vez de regressar ao seu cargo anterior, tenha sido nomeado governador provincial (Heródoto I.194).

Dário I dividiu o império em sete regiões:

  • Região Central: Pérsis
  • Região Ocidental: Média e Elão
  • O Planalto Iraniano: Pártia, Ária, Báctria, Sogdiana, Corásmia e Drangiana
  • As Terras Fronteiriças: Aracósia, Satagídia, Gandara, Sinde e Cítia Oriental
  • As Terras Baixas Ocidentais: Babilónia, Assíria, Arábia e Egito
  • A Região Noroeste: Arménia, Capadócia, Lídia, Citas de Além-Mar, Skudra e Gregos de Chapéu de Sol (Petasos)
  • As Regiões Costeiras do Sul: Líbia, Etiópia, Maca e Cária

Cada uma destas regiões foi então dividida em vinte satrapias. Para garantir que os sátrapas desempenhavam as suas funções com honestidade, Dário I manteve o sistema anterior de Ciro, o Grande, que foi agora aperfeiçoado para as satrapias mais pequenas. Colocou um Secretário Real em cada província, que auxiliaria o sátrapa, mas se reportaria a Dário. Havia também um Tesoureiro Real que supervisionava as despesas do governo, aprovava quaisquer projetos para os quais o sátrapa precisasse de dinheiro e também se reportava a Dário. A dupla responsabilidade de sátrapa e comandante militar permaneceu a mesma, com um Comandante da Guarnição a cargo das forças armadas de uma província, mas sem acesso ao tesouro.

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Dário também manteve a prática dos «homens de confiança», que apareciam sem aviso prévio para inspecionar cada província. Estes eram conhecidos como Inspetores Reais, cuja principal responsabilidade era garantir que os funcionários do governo desempenhavam as suas funções com honestidade; mas havia também um comité de homens de confiança que avaliava os impostos na região e registava os cidadãos para garantir que os impostos eram cobrados de forma justa pelo sátrapa e que todos os impostos iam para onde deviam.

Os Governos Selêucida e Partiano

Os sucessores de Dário I continuaram estas políticas, embora nenhum dos monarcas posteriores fosse tão eficaz como ele tinha sido. Quando o Império Aqueménida caiu perante Alexandre, o Grande, em 330 a.C., foi substituído pelo Império Selêucida, fundado por um dos generais de Alexandre, Seleuco I Nicátor (reinou 305-281 a.C.). Seleuco I manteve intacto o modelo de governo aqueménida, mas colocou gregos em posições de poder por todas as províncias. Esta política causou ressentimento e, após a morte de Seleuco I, os seus sucessores tiveram de lidar com inúmeras rebeliões.

Os partos preferiam manter reis vassalos nos seus tronos, a fim de fomentar um sentimento de continuidade nas províncias.

Entre os povos que se rebelaram estavam os partos, em 247 a.C. O seu primeiro rei, Arsaces I da Pártia (reinou 247-217 a.C.), também manteve o modelo aqueménida e estava tão ocupado a estabelecer o seu império às custas dos selêucidas que fez poucas alterações ao mesmo. Os seus sucessores, no entanto, iriam introduzir mudanças significativas. O império foi dividido em Partia Superior (Partia e Arménia) e Partia Inferior (Babilónia, Pérsia, Elimaida).

Estas cinco regiões foram divididas em províncias, mas nem sempre eram administradas por um funcionário partiano. Os partianos preferiam manter reis vassalos nos seus tronos, a fim de incentivar um sentido de continuidade nas províncias e a lealdade do monarca provincial para com o império.

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Esta política nem sempre funcionou tão bem, no entanto, uma vez que os reis vassalos eram propensos a aproveitar-se de qualquer fraqueza percebida do governo central e a promover-se através de alianças com inimigos do Estado — que, no caso da Pártia, era cada vez mais o Império Romano. Não foi Roma que derrubou o Império Parta, contudo, mas sim o rei vassalo Artaxerxes I (reinou 224-240 d.C.), que fundou o Império Sassânida.

O Governo Sassânida

O sistema de governo partiano resultou numa administração muito mais flexível do que o modelo aqueménida. As cinco regiões, por vezes governadas por reis vassalos e por vezes por funcionários escolhidos pela corte, não constituíam uma entidade tão coesa e careciam do mecanismo de segurança que Dário I tinha tornado essencial para a gestão de um império. Depois de Artaxerxes I ter derrubado o último rei partiano, Artabano IV (reinou 213-224), ele embarcou numa série de campanhas militares para reforçar o controlo sobre as terras partianas e centralizar o governo.

Artaxerxes I era um zoroastriano devoto e baseou a sua visão de governo nos Cinco Princípios da religião:

  • O deus supremo é Ahura Mazda
  • Ahura Mazda é todo-bom
  • O seu eterno adversário, Ahriman (também conhecido como Angra Mainyu), é totalmente maligno
  • A bondade manifesta-se através de bons pensamentos, boas palavras e boas ações
  • Cada indivíduo tem livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal

Depois de Ardashir ter unificado o antigo Império Parta sob o seu domínio (e o ter expandido), seguiu o exemplo dos seus antecessores ao adotar o modelo de governo aqueménida, só que agora se esperava que os funcionários do governo honrassem as crenças e práticas zoroastrianas. Isto não quer dizer que o zoroastrismo nunca tenha desempenhado um papel no governo persa antes dos sassânidas. Xerxes I (486-465 a.C.) e outros reis aqueménidas eram zoroastrianos praticantes, mas nunca integraram a fé na sua plataforma política.

O Zoroastrismo moldou o governo Sassânida e tornou-se a religião oficial do Estado, mas tal não significou que pessoas de outras crenças fossem excluídas do serviço público ou perseguidas sob o reinado de Artaxerxes I ou do seu filho e sucessor, Sapor (reinou 240-270). Na verdade, Sapor I acolheu pessoas de todas as fés no império e permitiu que judeus e budistas construíssem templos e que cristãos erguessem igrejas. Sapor I via-se como a personificação do rei guerreiro sagrado, promovendo a verdade do Zoroastrismo contra as forças das trevas e do mal, personificadas pelo Império Romano. Shapur I foi quase universalmente bem-sucedido nos seus confrontos contra Roma, tornando-se um modelo para os seus sucessores.

Coin of Shapur I
Moeda de Sapor I TruthBeethoven (CC BY-SA)

A tolerância religiosa do Império Sassânida manteve-se até ao reinado de Sapor II (309-379), que via o cristianismo como uma fé romana, que procurava subverter a verdade do zoroastrismo. O Avesta (obra sagrada zoroastriana) foi transcrito e os cristãos foram perseguidos em todo o império sob o reinado de Sapor II. A tolerância religiosa continuou a ser estendida a pessoas de outras crenças não associadas a Roma e, por isso, as perseguições de Shapur II são consideradas mais uma política de motivação política do que religiosa.

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As perseguições não se prolongaram para além do seu reinado e o seu sucessor, Ardashir II (reinou 379-383), restabeleceu a política anterior de aceitação de todas as fés. O maior dos reis sassânidas foi Cosroes I (também conhecido como Anushirvan, o Justo, reinou 531-579), que devolveu ao Império Sassânida a visão inicial de Artaxerxes I e Sapor I, mas com maior ênfase na educação e no refinamento cultural.

Conclusão

Os sucessores de Cosroes I mantiveram o modelo de governo, embora, no início do século VII, o império tenha sido periodicamente descentralizado à medida que os nobres se afirmavam em diferentes regiões. O Império Sassânida caiu quando foi conquistado pelos árabes muçulmanos invasores em 651, que também aplicaram os princípios básicos do governo aqueménida aos seus territórios, em que um único governante (um xá) decretava a lei, que era depois implementada pelos sátrapas. Sob o domínio muçulmano, no entanto, os não muçulmanos acabariam por ser obrigados a pagar um imposto para viver entre eles e a política de tolerância religiosa foi abandonada em favor da conversão.

O modelo de governo persa aqueménida tornou-se o padrão de governo na Ásia Central, passando pela Mesopotâmia, desde cerca de 550 a.C. até 651 d.C., permitindo o desenvolvimento de uma das culturas mais ricas do mundo. Como referido, o modelo persa influenciou o do Império Romano, o que viria a impactar ainda mais as culturas posteriores, até ao exemplo atual dos Estados Unidos da América, cujo paradigma governamental se baseia no de Roma.

A única falha grave no modelo era que um governante individual nunca estava totalmente seguro na sua posição, porque se pensava que a realeza era conferida pelos deuses ou por um único deus, Ahura Mazda. Um nobre da corte ou sátrapa que liderasse uma revolta bem-sucedida seria considerado escolhido pelas forças divinas para governar, enquanto o deposto teria simplesmente merecido o seu destino.

Mesmo assim, é claro que vários monarcas em cada um dos diferentes impérios parecem ter sido genuinamente favorecidos pela nobreza e pelo povo comum, principalmente devido a benefícios concedidos, como a redução de impostos. Este mesmo paradigma é observado hoje em dia em todo o mundo em governos cujo povo favorece um líder apenas enquanto isso lhes traz benefícios pessoais. A motivação humana básica não mudou desde tempos imemoriais e tem havido muitas formas diferentes de governo para tentar gerir e canalizá-la de forma positiva. Entre estas está o modelo persa, que serviu bem os impérios antigos durante mais de mil anos e cuja influência continua a fazer-se sentir na era moderna.

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Mark, J. J. (2026, maio 24). Governo da Antiga Pérsia. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18564/governo-da-antiga-persia/

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Mark, Joshua J.. "Governo da Antiga Pérsia." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, maio 24, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18564/governo-da-antiga-persia/.

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Mark, Joshua J.. "Governo da Antiga Pérsia." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 24 mai 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18564/governo-da-antiga-persia/.

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