A Sogdiana (ou Sógdia) é uma região na Ásia Central situada entre os imponentes rios Jaxartes, a norte, e Oxo, a sul. Os seus limites orientais e ocidentais são mais difíceis de determinar, especialmente porque o topónimo Sogdiana abrangeu diferentes áreas em diferentes épocas.
Em certos períodos, manteve o Oxo como a sua fronteira sul até às montanhas Pamir; noutros, as montanhas Sogdianas e o início do vale de Fergana setentrional constituíam a linha da frente oriental da região. A oeste, o lago Aydar e a fronteira sudeste do deserto de Kyzyl Kum formavam o limite da Sogdiana. À exceção dos dois grandes rios que delimitam a Sogdiana a norte e a sul, a região é também dividida ao centro pelo "muito reverenciado rio Polytimetos" (Cúrcio VII.10.1-3: Polytimetum vocant incolae), hoje o Zerafshan, e por outros cujos nomes antigos se perderam.
A Sogdiana constituía a fronteira norte do mundo sedentário e, por isso, estava em contacto constante com os nómadas das estepes. A sociedade sogdiana era agrícola, baseada na irrigação de solos de loess muito férteis. A região é conhecida por ter produzido pedras semipreciosas, como o lápis-lazúli e a cornalina ou a granada.
A Sogdiana pré-aqueménida conheceu fases de povoamento urbano antes da chegada dos falantes de línguas iranianas da Idade do Ferro, conhecidos como "sogdianos". A região passou para o controlo aqueménida sob o domínio de Ciro, entre 546 e 539 a.C. (Heródoto I.153, 177), mas, embora provavelmente a tenham controlado inteiramente numa fase inicial, sendo o ponto mais setentrional a cidade conhecida pelos gregos como Kuropolis, parece que, com o passar do tempo, o domínio persa se recentrou a sul, em torno de Maracanda. A área não foi transformada numa satrapia independente, mas era administrada pelo sátrapa da Báctria. Por vezes, devido à sua dependência da Báctria, a Sogdiana era entregue pelos Grandes Reis aos seus filhos que não estavam destinados a ser herdeiros ou a outros familiares. Exemplos disso são Masistes, filho de Dário I (Heródoto IX.113.1-11), possivelmente Histaspes, filho de Xerxes I (Diodoro XI.69.3; Ctésias FGrHist 688F13), e, posteriormente, Bessos, parente de Dário III (Arriano III.21.5).
Este último governante dificultou a subsequente conquista macedónia: após ter morto Dário III, Bessos autoproclamou-se rei e governou a Báctria. Depois de ter fugido para a Sogdiana em 329 a.C., ao saber da invasão de Alexandre às Paropamisadas, foi traído e entregue a Alexandre pelo sogdiano Espitamenes. Mais tarde, Espitamenes esperou que Alexandre passasse pela Sogdiana em direção a Fergana para se rebelar novamente, mas não teve melhor sorte do que Bessos. Ambas as rebeliões foram motivadas pela nobreza bactriana e sogdiana, que estava determinada a manter, a todo o custo, o estatuto sociopolítico privilegiado de que desfrutara sob o regime aqueménida. Estavam bem providos de recursos militares, dinheiro, mão de obra e alianças com os nómadas do norte. Apama, a filha de Espitamenes, casou-se Seleuco na primavera de 324 a.C. Em 293 a.C., Antíoco foi nomeado vice-rei das Satrapias Superiores pelo pai. Liderou uma expedição contra os nómadas do norte por volta dessa data, mas, cerca de 280 a.C., os nómadas fizeram incursões violentas no Império Selêucida, passando pela Sogdiana. Antíoco expulsou-os e depois tentou reforçar a fronteira norte, trazendo, entre outras medidas, uma nova vaga de colonos gregos.
No entanto, o domínio grego na região provavelmente não era forte, concentrando-se apenas nas cidades. A forte ligação entre a Sogdiana e a Báctria emergiu mais uma vez quando os gregos da Báctria se tornaram independentes sob Diodoto. A Sogdiana foi incorporada no Reino Greco-Bactriano até ao final do reinado de Eutidemo, na década de 210 a.C., quando os sogdianos se tornaram independentes mais uma vez. Eucrátides da Báctria conseguiu recuperá-la até à zona em redor de Maracanda na década de 170 a.C., mas pouco depois, primeiro os Sacas e depois os Yuezhi derrubaram o domínio grego. Embora os Yuezhi tenham provavelmente estabelecido a sua corte real no vale do Polytimetos, o centro dos acontecimentos políticos deslocou-se novamente para sul, e a Sogdiana manteve o seu papel de zona de fronteira no Império Kushan (ou Império Cuchana) até à Idade Média.

