O Shahnameh (título original em persa شاهنامه; O Livro dos Reis, composto entre 977 e 1010) é um épico medieval escrito pelo poeta Abolqasem Ferdowsi (cerca de 940-1020 d.C.) com o objetivo de preservar os mitos, as lendas, a história, a língua e a cultura da antiga Pérsia. É a obra mais extensa da literatura mundial da autoria de um único autor, com 50 000 dísticos rimados, 62 histórias e 990 capítulos.
O livro relata algumas das histórias mais famosas da mitologia, lendas e história persas. Foi originalmente encomendado por Mansur I (reinou 961-976) da dinastia Samanida (819-999), que incentivou o desenvolvimento da literatura persa, e foi iniciado pelo poeta Daqiqi (cerca de 935-977), que faleceu após escrever o início. Foi concluído por Ferdowsi sob a dinastia gaznévida (977-1186), que, embora menos entusiasta, manifestou ainda assim interesse pelo tema.
O trabalho cobre toda a história da antiga Pérsia, desde a criação do mundo até à conquista muçulmana árabe no ano de 651, que derrubou o Império Sassânida (224–651), o último grande império persa da antiguidade. A conquista devastou a antiga cultura persa e ameaçou aniquilá-la por completo sob o Califado Omíada (651–750); no entanto, quando o Califado Abássida (750–1258) depôs os Omíadas, a cultura persa voltou a ser valorizada e o desenvolvimento da literatura e da arte persas foi incentivado.
Ferdowsi aproveitou o interesse pelo passado persa para criar uma obra que honrasse o passado e impedisse que este se perdesse para sempre, como quase aconteceu após a conquista. Embora Ferdowsi se tenha dedicado à obra com o entendimento de que seria bem remunerado quando esta estivesse concluída, é provável que a tivesse escrito por conta própria, sem patrocínio, a fim de criar um panorama vivo da história persa que as pessoas pudessem visitar e apreciar muito depois de ele ter partido.
O poeta deixa clara a sua motivação na própria obra, quando afirma com ousadia ao leitor que viverá para sempre através da sua obra, à qual, nos dias de hoje, é atribuído o mérito de ter preservado a língua, a literatura e a cultura persas, sendo considerada o épico nacional do Irão e constantemente incluída entre as maiores obras da literatura mundial.
A Conquista e o Renascimento
O Império Sassânida, a partir do seu primeiro monarca, Ardashir I (reinou 224-240), empenhou-se na preservação da tradição oral persa, transpondo para a forma escrita as escrituras, os comentários e outras obras. Qualquer literatura que possa ter existido no anterior Império Aqueménida (c. 550-330 a.C.) tinha-se perdido durante a conquista de Alexandre, o Grande, e o Império Parta (247 a.C. - 224 d.C.) tinha desenvolvido uma escrita para preservar as escrituras zoroastrianas que existiam apenas na forma oral. Os sassânidas levaram a iniciativa parte mais longe e criaram a literatura persa escrita.
No ano de 651, o Império Sassânida caiu nas mãos dos árabes muçulmanos, que impuseram a sua religião e cultura aos povos conquistados. Bibliotecas, templos e outros repositórios de livros foram incendiados e a cultura persa foi suprimida. A Dinastia Omíada manteve esta opressão até ser derrubada pelos Abássidas com a ajuda de aliados persas. A Dinastia Abássida reconheceu o valor da cultura persa e incentivou a sua expressão, notadamente sob a Dinastia Samanida, que governava com a autorização dos Abássidas.
Sob o domínio dos samanidas, o desenvolvimento da literatura persa foi incentivado através do mecenato dos monarcas. Poetas da corte, como Rudaki (859 – cerca de 940), eram bem remunerados pelas suas obras. O poeta da corte era conselheiro, amigo, animador e cronista do rei e escrevia tanto o que lhe inspiravam as circunstâncias (como uma elegia ou um poema comemorativo) como o que lhe era especificamente encomendado pelo rei. O interesse pela literatura persa levou Mansur I a encarregar o seu poeta da corte, Daqiqi, de iniciar o Shahnameh, com base numa obra poética anterior conhecida como Khodaynamag ( escrita durante o período sassânida) e numa obra em prosa, (tít. original em persa) شاهنامه ابu منصورى —(transliterado: Shāhnāmah-ye Abū Manṣūrī; O Livro dos Reis de Abu Mansur; encomendada pelo aristocrata Abu Mansur Mohammed, falecido em 987), como fontes para o que se previa que fosse um poema épico. Daqiqi já tinha composto 1 000 versos quando foi assassinado pelo seu escravo e o projeto, naturalmente, foi interrompido.
Ferdowsi e o Shahnameh
Ferdowsi não era um poeta da corte, mas sim amigo do influente Abu Mansur, que pode ter encorajado Mansur I a confiar-lhe a tarefa de concluir a obra de Daqiqi. Mansur I concordou em pagar a Ferdowsi uma moeda de ouro por cada dístico que escrevesse à medida que a obra avançasse, mas Ferdowsi, possivelmente acreditando nessa altura que não demoraria muito tempo, solicitou que fosse pago um montante único quando o poema estivesse concluído. Levaria quase 30 anos a escrever o Shahnameh e, quando este estivesse concluído, Mansur I e os Samanidas já não estariam no poder, tendo Ferdowsi de solicitar o patrocínio do sultão Mahmud de Ghazni (sultanato 999-1030), da Dinastia Gaznévida, para receber pagamento. Os Gaznévidas não tinham o mesmo interesse ou apreciação pela cultura persa que os Samanidas tinham. Ainda assim, Mahmud acedeu ao pedido de Ferdowsi e o poeta continuou o seu trabalho..
Muito pouco se sabe sobre a vida de Ferdowsi, exceto que era muçulmano xiita, membro da classe alta de proprietários de terras (semelhante a um senhor feudal na Europa), era natural da cidade de Tus (Tusi), tinha amigos ricos e influentes, era casado e tinha dois filhos (um filho, que faleceu antes dele, e uma filha), e dedicou a sua vida ao seu trabalho. Quando terminou a obra, solicitou o seu pagamento, mas, segundo o poeta Nezami-ye Aruzi (que escreveu por volta de 1110-1161), o mensageiro encarregado de entregar o dinheiro era um muçulmano sunita que desprezava Ferdowsi por ser xiita. Este trocou as moedas de ouro por moedas de prata e entregou-as a Ferdowsi numa casa de banhos (noutra versão desta história, é o próprio Mahmud quem troca o ouro por prata, pela mesma razão), para grande surpresa e desilusão do poeta.
Ferdowsi ficou tão ofendido que, depois de comprar uma cerveja numa barraca próxima, dividiu as moedas entre o vendedor de cerveja e o responsável pelos banhos e, em seguida, temendo o descontentamento de Mahmud com este ato, fugiu da região. O seu benfeitor, Abu Mansur, já tinha falecido nessa altura, mas, segundo o próprio relato de Ferdowsi, o filho de Abu Mansur, Mansur Tusi, continuou a ajudá-lo financeiramente. Mesmo assim, Ferdowsi queixa-se amargamente de não ter recebido o que lhe fora prometido e de como, embora os seus associados abastados elogiassem o seu talento, nada lhe davam em troca.
Acabou por regressar à sua cidade natal, Tus, e muito provavelmente viveu das rendas das propriedades da sua família, embora isto seja uma conjectura, uma vez que tudo o que se sabe com certeza é que possuía um pomar; não são mencionadas outras terras. Por fim, Mahmud mandou enviar a quantia correta ao poeta, mas, segundo reza a lenda, a caravana que transportava o ouro entrou pelos portões de Tus precisamente quando o cortejo fúnebre de Ferdowsi saía. A filha de Ferdowsi recusou o dinheiro, que foi então destinado à construção de um caravançarai perto da cidade.
Este relato é considerado lendário porque Nezami visitou o túmulo de Ferdowsi e recolheu as informações sobre o poeta mais de 100 anos após a sua morte. Ainda assim, esta versão dos acontecimentos é sugerida pelos próprios comentários de Ferdowsi ao longo do Shahnameh. Ferdowsi não é de forma alguma o narrador distanciado em terceira pessoa da obra, mas insere-se periodicamente para esclarecer a moral de uma história, lamentar o sofrimento ou a morte de uma personagem, oferecer conselhos e, em várias passagens, falar sobre a sua vida e como se sente naquele momento. Nestas passagens pessoais, fica claro que a sua saúde estava a deteriorar-se e que se sentia abandonado e maltratado, mas isso não o desencorajou de forma alguma de concluir a obra.
A Visão Geral da Estrutura e das Influências Religiosas
O Shahnameh, como referido, narra a história do antigo Irão, desde o início do mundo, passando pela queda do Império Sassânida, até à chegada dos árabes muçulmanos. A estudiosa Homa Katouzian comenta a sua estrutura:
O Shahnameh é composto por três ciclos: o Pishdadiyan, o Keyaniyan e o Sassânida. O primeiro, que começa com o alvorecer da humanidade e os Pishdadiyan, é pura mitologia. O ciclo seguinte descreve o reino iraniano dos Keyaniyan, a longa história de uma era heróica em que mito e lenda se combinam para dar origem a um épico antigo. Os dois primeiros ciclos do Shahnameh centram-se na Pérsia oriental, enquanto o terceiro ciclo se centra no sul e no oeste. Mistura história com lenda, ao mesmo tempo que apresenta um relato da história da monarquia sassânida, a última dinastia persa antes da conquista árabe.
(págs. 19-20)
Os Pishdadiyan, os Keyaniyan e os Sassânidas referem-se a casas dinásticas e cada uma delas enquadra a ação das histórias relativas à Era Mítica, à Era Heroica e à Era Histórica, respectivamente. Ferdowsi aborda repetidamente o tema da monarquia, ilustrando os problemas que decorrem do abuso de poder e, inversamente, o bem maior que resulta de agir no interesse dos outros. Do primeiro ao terceiro ciclo, o perigo de se ter uma opinião excessivamente elevada de si próprio e de tratar mal os outros é destacado através de contos sobre monarcas ou nobres orgulhosos e injustos que perdem a graça divina dos deuses (que legitimava o seu governo) devido a atos egoístas que desconsideravam o bem do povo que deveriam servir.
Ferdowsi inicia o poema com uma introdução, louvando a Deus. Embora fosse um muçulmano xiita, não é claro qual o Deus que ele louva aqui — Alá do Islão ou Ahura Mazda da antiga religião persa do zoroastrismo — mas, tendo em conta o seu enfoque ao longo da obra, é muito provável que seja Ahura Mazda. O estudioso Dick Davis comenta:
Embora não haja qualquer dúvida de que Ferdowsi era um muçulmano sincero… ele não faz qualquer tentativa de incluir elementos da cosmologia corânica/muçulmana no seu poema, nem tenta integrar a cronologia persa lendária do material apresentado no início do poema com uma cronologia corânica. Ao contrário de outros escritores que abordaram temas semelhantes e que tentaram entrelaçar as duas cronologias, ele simplesmente ignora por completo a cosmologia e a cronologia islâmicas e coloca os mitos persas da criação no centro das atenções.
(págs. xix-xx)
A obra é também influenciada por um sistema de crenças, frequentemente referido como uma heresia zoroastriana, conhecido como zorvanismo, que foi especialmente popular durante o período sassânida. O zoroastrismo tradicional defendia que existia um Deus supremo — Ahura Mazda — que lutava constantemente contra o seu adversário — Angra Mainyu (também conhecido como Ahriman), um ser criado. Esta crença não oferecia qualquer explicação para a origem do mal, uma vez que todas as coisas — incluindo Ahriman — provinham do todo-bom Ahura Mazda.
O zorvanismo resolveu este problema ao tornar Zorvan, a personificação do Tempo Infinito, a divindade suprema que deu origem aos gémeos Ahura Mazda e Ahriman. No entanto, estabelecer o Tempo como o deus supremo encorajou uma abordagem fatalista à vida, pois não era possível apaziguar o Tempo como se poderia fazer com uma divindade. Várias das histórias do Shahnameh refletem esta crença num destino implacável, em que, por mais grandioso e poderoso que seja o herói, não há como escapar ao destino posto em movimento pelo Tempo.
As Histórias Famosas
O poema começa com a criação do mundo, os primeiros seres humanos e o estabelecimento da realeza. O maior destes reis é Jamshid (também referido como Yima noutros textos), que proporciona à humanidade os dons da civilização. Ele é capaz de realizar todos os seus grandes feitos porque possui o farr, a graça divina concedida pelos deuses, que transforma um homem num rei. Com o tempo, porém, começa a ter uma opinião de si mesmo mais elevada do que deveria e manda construir um grande trono para si próprio, o que o eleva acima do mundo. Torna-se «ingrato, orgulhoso, esquecido do nome de Deus», vangloria-se da sua supremacia e, assim, perde a graça divina (Davis, págs. 7-8). A perda do farr e o declínio de Jamshid abrem a oportunidade para Ahriman espalhar o caos e a destruição, o que ele faz na forma do rei usurpador Zahak, a personificação do mal, que assassina o seu pai, derruba Jamshid e estabelece uma tirania de 1 000 anos, que acaba por ser derrubada pelo herói Fereydun.
Existem muitas outras histórias no ciclo da Era Mítica, que Ferdowsi desenvolve na íntegra antes de passar para a Era Heróica. Este ciclo é o mais longo do Shahnameh e apresenta algumas das figuras mais famosas, tais como Rustum (também conhecido como Rostom ou Rustam), o seu filho Sohrab e o bom príncipe Siyavash. O ciclo Keyaniano deve o seu nome ao título de rei ou chefe — key — e o mais famoso destes é Key Kavus, o governante frequentemente injusto do Irão, cuja rivalidade contínua com o reino de Turan marca esta secção. Rustum, filho da princesa Rudaabeh e do herói Zal, surge como o campeão do Irão. É invencível, montando o seu grande garanhão Rakhsh nas batalhas e em várias aventuras.
Numa dessas aventuras, conhece a princesa Tahmineh na terra de Turan e passa a noite com ela. Tem de partir na manhã seguinte, mas dá-lhe a sua braçadeira, dizendo-lhe que, se ela lhe der uma filha, a dará a ela como fita para o cabelo, mas, se for um filho, será para o braço dele. Tahmineh dá à luz o rapaz Sohrab, que, ao atingir a maioridade, exige saber quem é o seu pai. Tahmineh diz-lhe que manteve o nome do pai em segredo porque, se o rei de Turan, Afrasiyab, descobrisse, poderia matar Sohrab; revela então o nome de Rustum.
Sohrab jura pôr fim à guerra entre o Irão e Turan e, ao mesmo tempo, encontrar o seu pai. Parte com um exército para matar Key Kavus e, depois, planeia regressar para derrubar Afrasiyab e restaurar a paz. Afrasiyab, no entanto, sabe que Sohrab é filho de Rustum e assegura-se de que, sempre que se encontrarem, não se reconheçam um ao outro. Sohrab tornou-se um guerreiro tão grande quanto o seu pai e derrota habilmente as tropas de Kavus até que, finalmente, enfrenta o campeão do Irão num combate singular, sem saber que se trata de Rustum. Rustum não faz ideia de que tem um filho e ataca o campeão de Turan. Sohrab luta bem, mas acaba por ser derrubado e derrotado. Enquanto morre, Sohrab descobre que foi morto pelo grande Rustum e diz-lhe que é seu filho, mas que ele não deve lamentar-se, pois o destino decretou tudo o que aconteceu.
A história de Rustum e Sohrab está entre as mais conhecidas do Shahnameh, mas outra, igualmente popular, é a história do bom príncipe Siyavash, filho de Key Kavus. A mulher de Kavus, a rainha Sudabeh, é a madrasta de Siyavash e apaixona-se por ele. Ela faz-lhe uma proposta, dizendo que mandará assassinar Kavus e que ela e Siyavash governarão juntos. Ele rejeita-a e Sudabeh teme que ele a denuncie a Kavus; por isso, dirige-se ao marido, depois de rasgar as roupas e manchar-se de sangue, e acusa Siyavash de a ter violado. Siyavash mantém a sua inocência e, por isso, Kavus decreta um julgamento pelo fogo. Siyavash recebe a ordem de cavalgar através de uma enorme conflagração que o destruirá se for culpado, mas o deixará ileso se for inocente. Siyavash cavalga para dentro das chamas e emerge do outro lado ileso. Kavus ordena então a execução de Sudabeh, mas Siyavash intercede e ela é poupada. Mais tarde, Siyavash parte para Turan, onde se casa com uma princesa que dará à luz o seu filho, Key Kosrow, e é posteriormente executado injustamente por Afrasiab.
Conclusão
Esta secção encerra-se com uma grande batalha na qual Rustum é morto, mas prevê, antes de morrer, uma era melhor que se avizinha e esperança para o futuro. O terceiro ciclo começa com uma breve menção aos Arsácidas (Império Parta) antes de narrar a história dos Sassânidas e da sua luta contra as forças invasoras dos árabes muçulmanos.
A cronologia dos acontecimentos e a história do império apresentadas por Ferdowsi são precisas, embora os estudiosos tenham observado que a representação dos sassânidas e dos árabes muçulmanos é romantizada, retratando uns à semelhança do Irão e os outros como o Turan da Era Heróica. Os sassânidas acabam por ser derrotados, e Ferdowsi encerra o relato com o verso: «Depois disto, surgiu a era de Omar, e quando ele trouxe a nova fé, o púlpito substituiu o trono» (Davis, pág. 961), em referência ao califa Omar e à chegada do Islão à Pérsia.
Ferdowsi conclui o seu poema com alguns versos sobre a sua fama duradoura enquanto criador: «Cheguei ao fim desta grande história/E toda a terra se encherá de conversas sobre mim… E homens de bom senso e sabedoria proclamarão,/Quando eu partir, os meus louvores e a minha fama» (Davis, pág. 962). Esta profecia concretizou-se, uma vez que a sua obra foi acolhida desde cedo pelo povo do Irão (já no século XIII d.C., tinha sido copiada e imagens do poema adornavam várias estruturas), acabando por se tornar o épico nacional do país.
O poeta alemão Goethe (1749-1832) e o poeta inglês Edward Fitzgerald (1809-1883), através das suas respetivas obras O Divã Ocidento-Oriental (tít. original: West-östlicher Divan uma coleção de poemas inspirados no mestre poeta persa Hafiz Shiraz) e Robaiyat — Quadras de Omar Khayyam: Poeta persa do século XI (1.ª trad. em português: 1927; tít. original: The Rubaiyat of Omar Khayyam), despertaram o interesse ocidental pela literatura persa, e as traduções da obra de Ferdowsi levaram a história a um público ainda mais vasto. Mais de mil anos após a sua conclusão, o Shahnameh continua a ser admirado e o nome de Ferdowsi, tal como ele previu, está ao nível de qualquer um dos grandes escritores da literatura mundial.
