Dez Factos Que Precisa de Saber Sobre os Incas

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por , traduzido por Filipa Oliveira
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A civilização inca (cerca de 1400-1533) está entre as mais importantes da América do Sul em termos de influência cultural e legado. Os incas começaram por ser uma pequena tribo que foi ganhando poder de forma constante, até conquistarem outros povos ao longo de toda a costa, desde a Colômbia até à Argentina. São lembrados pelas suas contribuições para a religião, a arquitetura e pela sua famosa rede de estradas que atravessava a região. Aqui estão dez factos sobre os incas que necessita saber.

Machu Picchu Aerial View
Vista Aérea de Machu Picchu Dan Merino (CC BY)

1. Por que Razão os Incas são Importantes para a História?

Os Incas são importantes da mesma forma que qualquer império ou civilização antiga é importante: porque o passado molda o presente e, por conseguinte, o futuro. Saber como as pessoas viviam no passado pode ajudar as pessoas do presente a viver melhor e a fazer melhores escolhas. No caso dos Incas, o seu império estendia-se ao longo da costa da América do Sul, desde a atual Colômbia, passando pelo Equador, Peru e Argentina, e influenciou a vida das pessoas tanto dentro como fora desse império. Foi o maior império pré-colombiano das Américas, com uma extensão de 770 000 milhas quadradas e uma população estimada entre 6 e 14 milhões de pessoas.

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O conceito inca de unidade familiar continua a ser o modelo na região até aos dias de hoje.

O Império Inca já se encontrava em ruínas devido a rebeliões internas e a doenças (trazidas pelos exploradores europeus) quando sucumbiu aos espanhóis liderados por Francisco Pizarro (cerca de 1471-1541) no século XVI, mas a sua influência continua a fazer-se sentir. O conceito inca de unidade familiar, por exemplo — que inclui tias, tios, primos e primos distantes, tão unidos quanto a família nuclear — continua a ser o modelo na região até hoje, tal como o conceito de que toda a comunidade é a família de cada um e que as pessoas devem tratar os seus vizinhos como tratariam os seus parentes de sangue.

A religião inca influenciou também outras culturas da região, de tal forma que, mesmo nos dias de hoje, os locais de culto cristãos situam-se de acordo com os conceitos incas de «lugares sagrados», como colinas, cumes de montanhas ou perto da água — locais que outrora correspondiam a divindades incas. A «Regra de Ouro» inca de «Não roubar, não mentir, não ser preguiçoso» também continua a ser observada na região. Muito pouco há de novo na condição humana. Sempre fomos o que somos agora. É por isso que é importante saber quem fomos.

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Mapa do Império Inca - Expansão e Estradas
Império Inca - Expansão e Estradas Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

2. O que era a Religião Inca e como Influenciava a Vida Quotidiana das Pessoas?

A religião dos incas era politeísta; acreditava-se que os deuses controlavam o mundo natural e influenciavam significativamente a vida das pessoas. O melhor exemplo disso é o deus Pachacamac, uma divindade criadora que criou os seres humanos e a vegetação, e supervisionava a agricultura e as boas colheitas. Quando Pachacamac estava satisfeito, tudo corria bem; quando estava zangado, podia provocar terramotos. Assim, no caso de Pachacamac — tal como com qualquer outro deus —, era do interesse das pessoas mantê-lo satisfeito por meio de oferendas e sacrifícios, que incluíam sacrifícios humanos (homens, mulheres e crianças). Os deuses dos Incas eram considerados tão reais para eles como qualquer deus de qualquer religião moderna o é para os crentes. Templos e outros edifícios eram erguidos em sua honra e o famoso sistema de estradas incas, que ligava estreitamente as comunidades, foi provavelmente incentivado pela crença religiosa de que, se um sinal fosse dado por um deus num determinado local, a notícia teria de chegar a alguém — um xamã — que pudesse interpretá-lo.

A religião inca encorajava a crença em três reinos:

  • Hanan Pacha — o Mundo Superior (também conhecido como Terra do Sol), lar do deus do sol Inti e da deusa da lua Quilla (também conhecida como Mama Quilla), sua irmã.
  • Kay Pacha – o Mundo do Meio, onde vivem os seres humanos, os animais e a vegetação.
  • Uku Pacha – o Mundo Inferior, supervisionado por Supay, o deus da morte.

Os incas já tinham um conceito de «céu» e «inferno» antes da introdução do cristianismo na região. A regra central da religião inca (correspondente à Regra de Ouro ou aos Dez Mandamentos) era «Ama sua, Ama lulla, Ama chella» (Não roubes, Não mintas, Não sejas preguiçoso). Se alguém vivesse de acordo com esta regra, então, ao morrer, iria para a Terra do Sol, onde fazia sempre calor e era agradável, e os deuses estavam próximos. Se alguém ignorasse esta regra, então, após a morte, iria para o Submundo, onde fazia sempre frio e a alma ficava sozinha na escuridão eterna.

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Viracocha
Viracocha André Mellagi (CC BY-NC-SA)

Para além destes dois destinos na vida após a morte, também era possível regressar e ter outra oportunidade de viver a vida da forma correta. Estas eram, muito provavelmente, as almas de pessoas que não eram especialmente boas nem especialmente más — ou seja, a maioria das pessoas. Os incas também praticavam a mumificação e a colocação de objetos funerários junto ao falecido. Os mortos mumificados eram colocados nos seus túmulos sentados na posição vertical, ao contrário de outras culturas, onde eram colocados deitados de barriga para baixo; a razão para isso não é clara, uma vez que os incas não possuíam uma língua escrita.

3. Como era a Vida Quotidiana no Império Inca?

A sociedade baseava-se na unidade familiar e na comunidade que a rodeava (conhecida como ayllu) e sustentava-se na agricultura. Cada ayllu era responsável por uma determinada área de terra que cultivava, e cada ayllu era supervisionado por um grupo de nobres conhecidos como kurakas. O governo inca partia deste nível mais baixo, subindo numa hierarquia de grupos de dez, cada um supervisionando o que se situava abaixo, até ao rei no topo. Os homens eram favorecidos, mas as mulheres eram muito respeitadas e podiam exercer funções como sacerdotisas e ocupar cargos governamentais.

Pensa-se que os incas foram os primeiros na região a cultivar a batata.

As crianças seguiam a posição, o papel ou a profissão dos pais, e esperava-se que a maioria das mulheres seguisse os passos das suas mães ao casar, ter filhos e cuidar da casa, embora algumas fossem também — ou exclusivamente — sacerdotisas, fabricantes de cerveja ou exercessem outras profissões. Quando as mulheres se casavam, passavam a fazer parte da família do marido e trabalhavam nas terras dessa família.

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As mulheres preparavam as refeições, e acredita-se que os incas tenham sido os primeiros na região a cultivar a batata. A refeição da noite, quando a família — e a comunidade em geral — se reunia, era o ritual diário mais importante, durante o qual se agradecia aos deuses e as pessoas socializavam. As atividades recreativas incluíam desporto, canto, contação de histórias e corridas. A vida quotidiana centrava-se basicamente no trabalho durante todo o dia, no descanso à noite e em cerimónias religiosas e festivais.

4. A Comida era Importante para os Incas?

A comida era importante para os incas porque era uma dádiva dos deuses, mas também constituía, em grande medida, o centro das suas vidas. Trabalhavam todos os dias para colher alimentos da terra. Eram maioritariamente vegetarianos — a carne era reservada para festivais e cerimónias religiosas — e cada comunidade precisava de comida suficiente para se alimentar e para fazer trocas com outras. Cultivavam cereais, legumes e frutas, sendo mais conhecidos pela quinoa, pelo milho, pelas malaguetas e pela mandioca. Não existia um mercado central onde se pudesse ir — cada um cultivava a sua própria comida e trocava-a por outros bens, como cobertores ou cestos —, pelo que a comida era, de certa forma, a sua moeda.

Inca Bird-handled Dish
Prato Inca com Pegas em Forma de Ave James Blake Wiener (CC BY-NC-SA)

5. Como é que os Incas Mantinham o seu Império?

A administração do governo inca era altamente eficiente — como teria de ser para controlar uma extensão tão vasta de território e população. O rei elaborava as leis — que eram inspiradas pelos deuses ou por eles ditadas — e estas eram transmitidas aos dez nobres imediatamente abaixo dele na hierarquia, que, por sua vez, as transmitiam aos dez seguintes e assim sucessivamente até ao nível mais baixo da sociedade, através da rede de estradas. A ordem podia, portanto, ser mantida com bastante facilidade, pois qualquer rebelião, invasão ou catástrofe natural podia ser enfrentada rapidamente, uma vez que as estradas funcionavam bem como rede de comunicações. As leis, decretadas na capital, Cuzco, eram transmitidas rapidamente por todo o império através do sistema rodoviário, e a hierarquia de governo — do nível local ao nacional — garantia que essas leis fossem cumpridas.

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6. O que era a Rede Rodoviária Inca?

O Império Inca estava interligado por um vasto sistema rodoviário (com 25 000 milhas), que tornava possível a comunicação entre pontos mesmo distantes no espaço de poucos dias. Os mensageiros viviam em pares — e a sua única responsabilidade era estarem prontos para receber uma mensagem e correrem para a entregar —, pelo que um deles dormia enquanto o outro permanecia pronto para desempenhar a tarefa. Graças à rede rodoviária e ao serviço de mensageiros, o rei podia emitir uma ordem para mobilizar um exército para a defesa e os homens das várias comunidades respondiam atempadamente. Ao longo desta via existiam estações, estalagens e depósitos para abastecer as tropas, proporcionar descanso aos viajantes e sustentar aqueles que trabalhavam nos serviços de mensageiros.

Inca Road System
Sistema Inca de Estradas Manco Capac (CC BY-SA)

7. Os Incas tinham um Sistema de Escrita?

Os incas não tinham um sistema de escrita. Tinham um sistema de registo conhecido como quipu, que utilizava cordões com nós para representar uma determinada quantidade de informação. Não se sabe exatamente qual era essa informação, nem o que o quipu significava para o povo.

Quipu
Quipo Claus Ableiter (CC BY-SA)

8. Qual é o Sítio Inca mais Importante?

O sítio inca mais famoso é Machu Picchu, situado na cordilheira dos Andes, acima do Vale do Urubamba. Foi fundado pelo 9.º rei, Pachacuti Inca Yupanqui (reinou 1438-1471), por volta de 1450, e era considerado um local sagrado. Alguns estudiosos contemporâneos afirmam que o sítio já existia antes da ascensão do Império Inca e que foi simplesmente reaproveitado, embora não seja claro qual era exatamente a finalidade do local. O nome significa «colina antiga», e acredita-se que o sítio tenha feito originalmente parte da vasta propriedade de Pachacuti Inca Yupanqui. É possível que o local tenha sido sempre concebido como um local de culto ou, talvez, como uma fortaleza. O complexo era abastecido com água potável por meio de canais de pedra alimentados por nascentes naturais. O local foi abandonado após a queda do Império Inca e foi posteriormente redescoberto pelo explorador Hiram Bingham em 1911. Atualmente, é Património Mundial da UNESCO e foi eleito uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo.

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The Slopes of Machu Picchu
As Encostas de Machu Picchu Richard Twigg (CC BY-NC-SA)

9. Como era o Exército Inca e como Funcionava?

A estrutura do exército inca baseava-se no sistema decimal. Um pelotão de dez homens era comandado por um oficial conhecido como chunka kamayuq; uma tropa de 100 homens era comandada por um pachaka kuraka; um corpo de 1 000 homens estava sob o comando de um waranqa kuraka; um exército de 10 000 homens era liderado pelo hunu kuraka. Toda a força estava oficialmente sob a liderança e autoridade do rei.

As tropas eram compostas por incas e não-incas (pessoas conquistadas pelos incas e recrutadas para o serviço militar quando necessário). Os homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 55 anos, eram convocados para o serviço quando necessário por mensageiros enviados ao longo da rede de estradas e eram obrigados a responder. Podiam levar consigo as suas esposas, bem como filhos jovens ainda abaixo da idade militar, que serviam como carregadores de bagagem e assistentes. Todos os homens incas eram treinados no uso de armas desde tenra idade, e aqueles considerados incas de «sangue puro» podiam servir na unidade de elite da guarda pessoal do rei.

10. Como é que caiu o Império Inca?

O Império Inca caiu perante os conquistadores espanhóis liderados por Francisco Pizarro em 1533, mas já se encontrava em declínio há algum tempo. O Império Inca — tal como o Império Assírio do Próximo Oriente — tinha-se expandido através da conquista e os povos subjugados estavam extremamente insatisfeitos com a situação. Pizarro conseguiu explorar esta dinâmica e virar os povos subjugados contra os incas, que eram vistos como opressores. Já se verificavam rebeliões por todo o império quando Pizarro chegou à região e as doenças (especialmente a varíola) trazidas pelos europeus já tinham dizimado grande parte da população (até 90%). Embora Pizarro seja frequentemente creditado pela queda e destruição do Império Inca, este teria caído por si próprio com o tempo, simplesmente porque já não conseguia manter o tipo de coesão que possuía anteriormente.

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Mark, J. J. (2026, junho 25). Dez Factos Que Precisa de Saber Sobre os Incas. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1506/dez-factos-que-precisa-de-saber-sobre-os-incas/

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Mark, Joshua J.. "Dez Factos Que Precisa de Saber Sobre os Incas." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, junho 25, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1506/dez-factos-que-precisa-de-saber-sobre-os-incas/.

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Mark, Joshua J.. "Dez Factos Que Precisa de Saber Sobre os Incas." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 25 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1506/dez-factos-que-precisa-de-saber-sobre-os-incas/.

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