O Império Inca (por volta dos séculos XIII–XVI) expandiu-se a partir de um pequeno reino montanhoso centrado em Cusco até se tornar o maior império pré-colombiano das Américas. Emergindo sob a liderança de figuras como Manco Cápac e sendo mais tarde consolidado por Pachacuti Inca Yupanqui (reinou cerca de 1438–1471), os incas aliaram a conquista militar a uma diplomacia estratégica, forjando alianças que absorveram diversos povos andinos num sistema imperial unificado. O seu sucesso assentou numa organização administrativa excecional, sustentada pela estrutura do ayllu (comunidade assente em laços de parentesco), pelo uso do quíchua como língua imperial e por uma burocracia centralizada que equilibrava a autonomia local com o controlo estatal.
A expansão sob o comando de Topa Inca Yupanqui (reinou cerca de 1471–1493) e de Huayna Capac (reinou cerca de 1493–1525) alargou o alcance do império desde o atual Equador até ao Chile e à Argentina. A vasta rede de estradas conhecida como Qhapaq Ñan, que se estendia por mais de 40 000 km, ligava as montanhas, a costa e a selva, facilitando a rápida movimentação de tropas, do comércio e da comunicação. Esta infraestrutura, a par do sistema de redistribuição do Estado, garantia a coesão imperial ao longo de um território desafiante. Contudo, a estrutura centralizada do império também o tornou vulnerável: as divisões internas e uma guerra civil dinástica entre Atahualpa e Huáscar enfraqueceram o Estado precisamente no momento em que a expedição espanhola de Francisco Pizarro (1532–1533) chegou, provocando o colapso do império e marcando o fim do domínio imperial andino.

