Quis

A Primeira Cidade de Destaque Político na História
Nathalie Choubineh
por , traduzido por Filipa Oliveira
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The Ziggurat at Kish (by Osama Shukir Muhammed Amin, Copyright)
O Zigurate em Quis Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Quis (Kish) foi uma das cidades-estado mais importantes e politicamente prestigiadas da antiga Mesopotâmia. De acordo com a Lista de Reis Sumérios, foi a primeira cidade a receber a realeza divina após o Grande Dilúvio, o que sugere que Quis foi um dos primeiros contribuintes conhecidos para o desenvolvimento da autoridade política na história da humanidade. Quis manteve uma posição predominante na região durante quase quatro séculos, antes da ascensão de Sargão de Acádia (o Grande, reinou 2334-2279 a.C.) e da fundação da sua nova capital, Acádia (também conhecida como Agade). No entanto, apesar de ser constantemente confundida com Acádia ou Babilónia nas fontes antigas, Quis continuou a existir como um centro político fundamental e permaneceu habitada durante pelo menos 3000 anos.

Embora a história de Quis possa estar, em grande parte, perdida para nós, os vestígios que restam refletem momentos de viragem dramáticos. Conforme explicado por Norman Yoffee no seu relato sobre a história de Quis:

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Em 2500 a.C., a cidade mesopotâmica de Quis era a maior cidade do mundo. Apenas 500 anos antes, tinha sido uma aldeia modesta (ou, provavelmente, duas aldeias vizinhas). Duzentos anos após o seu apogeu em termos de esplendor, população, dimensão e poder político, Quis tornou-se uma província do Estado de Acádia, cujo primeiro rei, Sargão, outrora servira o rei de Quis.

Sargão construiu a sua capital no local de Acádia, o que serviu para simbolizar a criação de um novo tipo de sistema político na Mesopotâmia, e não apenas a hegemonia de uma das antigas cidades-estado. No entanto, enquanto centro provincial, Quis era famosa por representar o poder e, durante séculos, reis e príncipes mesopotâmicos rivais lutaram para governar Quis.
(pág. 529)

As provas conclusivas de que Quis era uma cidade habitada terminam com a queda do Império Sassânida (224-651 d.C.). Alguns achados dispersos apontam para alguns povoados satélites relacionados que permaneceram ocupados sob o domínio islâmico, mas não para além do século XII. Ao estudar Quis para além da Idade do Ferro, é importante ter em conta que a antiga Quis pode ser confundida com a Ilha de Kish, no Golfo Pérsico, habitada apenas a partir do primeiro milénio a.C.; com a cidade mesopotâmica de Kesh, conhecida sobretudo pelo Hino do Templo de Kesh (composto por volta de 2600 a.C.); ou com a cidade de Kesh na Transoxiana da Antiguidade Tardia (Potts 2023).

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As Origens e Primeiras Dinastias

Quis situava-se na planície aluvial do rio Eufrates, 50 km a sul da atual Bagdade e 12 km a leste da antiga Babilónia. Escavações arqueológicas revelaram que o local pode ter sido habitado desde o período Ubaide (cerca de 6500-4000 a.C.), embora ainda não tenham sido apresentados achados materiais de qualquer época anterior a 3000 a.C. O sinal proto-cuneiforme para a palavra «QUIS» aparece em alguns nomes divinos antigos do terceiro milénio a.C., incluindo Quis.Unu(.Gal), outro nome para Nergal. Representa um auroque, «talvez um símbolo totémico da dinastia governante ou representando um deus, um rei, ou poder e autoridade» (Steinkeller, 2004).

Quis desempenhou um papel significativo na formação inicial da língua, religião e conhecimento sumérios.

No período de Uruque (4000-3100 a.C.), surgiram no local duas aldeias sumérias vizinhas, identificadas pelos estudiosos modernos como Quis Oriental (Tell Ingharra; chamada Hursagkalama ou «a Montanha de Sumer» pelos sumérios) e Quis Ocidental (Tell Uhaymir), a própria Quis. Esta última era um centro comercial para Uruque e acabou por se tornar um centro urbano para as aldeias vizinhas, dando origem a uma das primeiras cidades-estado da Mesopotâmia. Embora ainda sob a influência de Uruque, a cidade desempenhou um papel significativo na formação inicial da língua, da religião e do conhecimento sumérios. A fase final deste período, Uruque III, está associada ao chamado fenómeno de Uruque, graças a avanços significativos na vida urbana sedentária, incluindo inovações na agricultura, na cerâmica, na produção de lã e no transporte com rodas; à expansão do comércio; ao surgimento dos primeiros registos escritos; e ao estabelecimento de instituições administrativas e políticas. A Tabuleta de Quis (cerca de 3500-2900 a.C.), conhecida como a inscrição mais antiga alguma vez encontrada, apresenta algumas das primeiras formas de sinais pictográficos que conduziram ao desenvolvimento da escrita cuneiforme.

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The Kish Tablet
A Tabuleta de Quis José-Manuel Benito (Public Domain)

A evolução dos sistemas económicos, administrativos e políticos contribuiu muito provavelmente para a formação de um novo conceito de realeza que surgiu no período dinástico inicial na Mesopotâmia (cerca de 2900-2350/2334 a.C.). Quis, com a sua extensa área urbana (até 5,5 km² ou 2,1 milhas quadradas), uma população sem precedentes de dezenas de milhares de habitantes, inúmeros edifícios, incluindo «o plano-convexo» (talvez um arsenal com portões fortificados), lojas e oficinas, grandes armazéns, centros comerciais e administrativos, e as muito populares «zigurates gémeas» (talvez dedicadas à deusa Ishtar e ao deus da guerra Zababa), situava-se no coração da região suméria, no sul da Mesopotâmia.

Os achados arqueológicos deste período incluem inscrições, artefactos de bronze, selos reais e vestígios de planeamento urbano. Existem também indícios, datados de cerca de 2900-2800 a.C., de uma grande inundação na região que deve ter sido avassaladora para a população local diretamente afetada. Este acontecimento notável pode ter estado ligado à «Grande Inundação» mencionada na Lista de Reis Suméria, ou ter sido posteriormente incorporado nela, após o que se diz que Quis acolheu a primeira dinastia governante da Mesopotâmia:

Gišur tornou-se rei [de Quis]; reinou durante 1 200 anos. Kullassina-bêl reinou durante 900 anos. Nan-GIŠ-lišma reinou durante 1 200 anos. En-dara-ana reinou durante 420 anos, 3 meses e 3 dias e meio. Babum reinou durante 300 anos. Pu'annum reinou durante 840 anos. Kalibum reinou durante 900 anos. Kalumum reinou durante 840 anos. Zuqaqip reinou durante 900 anos. Atab reinou durante 600 anos. Mašda, filho de Atab, reinou durante 840 anos. Arwi'um, filho de Mašda, reinou durante 720 anos.

A estes primeiros reis, muito provavelmente lendários, seguiu-se Etana, o Rei Pastor, «que ascendeu ao céu e pôs ordem em todos os países». Etana é o primeiro governante de Quis a surgir em fontes posteriores, embora continuasse a ser apresentado como uma figura mítica. Uma história popular sobre ele era O Mito de Etana, preservada em fragmentos da biblioteca de Assurbanípal (século VII a.C.) e em representações em selos cilíndricos do reinado de Sargão de Acádia. O estatuto especial de Etana na Lista de Reis Sumérios, como o governante que impôs uma ordem inclusiva e integradora a «todos os países (conhecidos)», pode sugerir o surgimento, na mentalidade suméria, de uma ideia básica sobre a criação de uma terra ou reino unificado.

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Mapa da Civilização Suméria
Mapa da Civilização Suméria Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A Primeira Dinastia de Quis ganha maior fundamento histórico com Enmebaragesi de Quis (cerca de 2750 a.C.), cujo nome aparece em inscrições da sua época, incluindo fragmentos de cerâmica de Quis. Os escribas sumérios reconheceram-no como o construtor do E-kur, o templo principal de Enlil, na cidade sagrada de Nipur. De acordo com a Lista de Reis sumérios, ele «destruiu as armas de Elão» e, por isso, poderá ter conquistado essa região. De facto, a influência militar e política de Enmebaragesi sobre as principais cidades do sul da Mesopotâmia, como Nipur e Uruque, é atestada pelos achados arqueológicos. Pensa-se que as suas campanhas hegemónicas tenham sido prosseguidas pelo seu sucessor, Agga. No poema sumério Gilgamesh e Agga, do Período Dinástico Primitivo III (cerca de 2600-2350 a.C.), a tentativa de Agga de subjugar Uruque termina com a sua derrota perante Gilgamesh, o quinto governante de Uruque, por volta de 2600 a.C. — um acontecimento que marcou a queda da Primeira Dinastia de Quis.

A Proeminência Política

No entanto, por volta de 2500 a.C., a proeminência política de Quis estava firmemente estabelecida. O título sumério lugal, que significa «rei», era atribuído a todos os governantes de Quis, enquanto «Rei de Quis» se tornou um título de prestígio almejado por governantes em toda a Suméria. Um destes lugal mais notáveis foi o rei Mesilim de Quis (reinou por volta de 2550 a.C.). Ele poderá ter sido o compilador de uma das mais antigas inscrições históricas encontradas até à data, uma tabueta de pedra proveniente do sítio de Jamdet Nasr (25 km a nordeste de Quis), conhecida como a Tabueta Dinástica de Scheil. Este texto, frequentemente reconhecido como uma variação da Lista de Reis Sumérios, é muito útil porque enumera um grande número de prisioneiros de guerra e cidades conquistadas pelo rei de Quis. Mesilim é também conhecido como pioneiro das negociações diplomáticas, conforme atestado por um registo da sua arbitragem numa disputa de fronteiras entre as duas principais cidades, Lagash e Umma.

A utilização da Lista de Reis Sumérios como fonte histórica é frequentemente controversa, e grande parte das provas textuais relativas à história da Mesopotâmia anterior a Sargão parece ter sido moldada por escribas posteriores que procuravam associar os governantes contemporâneos ao seu prestígio. Estas questões refletem-se na figura de Kug-Bau (também conhecida como Kug-baba ou Kubaba, reinou por volta de 2400 a.C.), uma rara governante na história da antiga Mesopotâmia, dominada pelos homens. Descrita como uma sábia estalajadeira que «consolidou os alicerces de Quis», diz-se que ela garantiu a independência da cidade face a Lagash e Uruque.

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Embora Kug-Bau seja mencionada em alguns outros textos antigos, o reinado implausível de 100 anos que lhe é atribuído, a semelhança do seu nome com o da deusa Kubaba, e a discordância entre as fontes quanto ao facto de ela ter detido ou não um título real levaram os estudiosos a centrarem-se mais no facto de ela ser a mãe de Puzur-Suen (reinou por volta de 2360 a.C.), que poderá ter sido o pai de Ur-Zababa de Quis (reinou por volta de 2340 a.C.). Atribui-se a Ur-Zababa o mérito de ter restaurado a estabilidade política em Quis e no norte da Suméria, ao pôr fim aos conflitos entre as cidades-estado locais. É, no entanto, mais conhecido por ter nomeado o jovem Sargão como seu copeiro, uma função que ajudou a lançar a carreira posterior de Sargão como fundador de um império. O serviço de Sargão ao abrigo do neto de Kug-Bau pode sugerir que recebeu uma formação política significativa no âmbito de uma tradição associada à autoridade administrativa e sabedoria dela.

O Declínio e os Governantes Posteriores

Quando Sargão fundou o Império Acádio por volta de 2334 a.C., Quis tinha sido recentemente atacada por Lugal-Zaggesi de Uruque e Umma, que foi posteriormente derrubado por Sargão. A cidade foi restaurada apenas como uma província, embora continuasse a fazer tentativas ocasionais para recuperar a sua independência. De acordo com o assiriologista Thorkild Jacobsen, uma tabuinha partida encontrada numa casa em Eshnunna (ou Eshnunnak, a atual Tell Asmar, no Iraque) contém um poema que elogia Iphur-Kishi, que se rebelou contra a hegemonia do glorioso neto de Sargão, Naram-Sin de Acádia (reinou por volta de 2254-2218 a.C.).

Por volta de 2100 a.C., no período que antecedeu o chamado renascimento sumério do período de Ur III (cerca de 2112-2004 a.C.), um rei de Ur, muito provavelmente Ur-Nammu (reinou por volta de 2112-2094 a.C.), assumiu o poder sobre Quis e transformou-a num vassalo dos reis de Ur III. Este período é marcado por campanhas expansionistas que reforçaram a autoridade dos governadores militares, os quais passaram a responder apenas perante o ensi, o rei local de cada uma das vinte províncias sob o domínio do rei-deus de Ur. Esta centralização militar e política, no entanto, não se fez à custa do progresso cultural e dos projetos de construção. Muito pelo contrário, as províncias mesopotâmicas recém-organizadas sob o reinado de Shulgi de Ur (reinou por volta de 2094 a cerca de 2046 a.C.) entraram numa das suas épocas mais florescentes e prósperas, com melhorias na concentração e eficiência administrativas, unificação dos sistemas de calendário e de medidas, construção de estradas e edifícios públicos, e um método de formação uniforme para a escrita e a contabilidade.

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Map of the Third Dynasty of Ur
Mapa da Terceira Dinástia de Ur Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Por volta de 2000 a.C., a corrupção interna e a crise económica deixaram o império de Ur III vulnerável a repetidas incursões por parte dos grupos então nómadas, incluindo os amorreus. Depois de o último império sumério ter caído nas mãos destes invasores, antigos estados vassalos da Mesopotâmia central e meridional, tais como Sippar, Dilbat e Quis, recuperaram a sua independência. Algumas outras províncias, incluindo Mari, Babilónia, Larsa e Eshnunna, foram conquistadas por governantes amorreus, que adotaram a língua, a cultura e a religião sumério-acádicas. As provas escritas provenientes de Quis relativas a este período incluem listas de governantes que parecem ter disputado o prestigiado título de «Rei de Quis», uma reivindicação que implicava uma autoridade política mais ampla.

Apesar do número extraordinário de documentos escritos provenientes de Quis neste período, muito poucos nos revelam algo sobre a cidade de onde provêm. Sabe-se que Quis, entre cerca de 1897 e cerca de 1847 a.C., foi governada por reis menores da dinastia Manana, no âmbito do domínio global de Isin-Larsa (cerca de 2025 a cerca de 1763 a.C.). Por volta da mesma altura, um dos candidatos amorreus acima referidos ao título de Rei de Quis, Samula'el (reinou 1880-1845 a.C.), que governava a ainda pouco importante cidade da Babilónia, derrotou os reis independentes de Sippar, Dilbat e Quis e fundou o reino preliminar da Babilónia.

De acordo com as inscrições de Quis, Samula'el era o bisavô de Sin-muballit (reinou de cerca de 1813 a cerca de 1792 a.C.), que construiu cidades fortificadas e desempenhou um papel fundamental na queda das dinastias de Isin-Larsa ao derrotar Larsa e conquistar Isin em 1795 a.C. Além disso, desempenhou um papel significativo na formação do Antigo Império da Babilónia (cerca de 1894-1595 a.C.) ao introduzir um sistema estatal de contratação de trabalhadores para projetos de construção pública na Babilónia. A expansão da Babilónia atingiu o seu auge sob o comando do filho e sucessor de Sin-Muballit, Hamurabi (reinou entre 1792 e 1750 a.C.), que conquistou e anexou todas as principais cidades-estado do sul da Mesopotâmia e expandiu o Antigo Império Babilónico até às suas fronteiras definitivas.

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Cylinder Seal from Kish
Selo Cilíndrico de Quis Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Sob o domínio babilónico, Quis viu a sua importância diminuir ainda mais, ofuscada pela Babilónia devido à sua proximidade. Ainda assim, o notável arquivo de inscrições de Quis mostra que a cidade manteve a sua importância cultural e religiosa. Inúmeras listas de dívidas de mulheres da elite de Quis, por exemplo, apontam para o seu patrocínio das cerimónias rituais de Ishtar em Uruque. Depois de Uruque ter sido abandonada no final do período da Antiga Babilónia, o seu templo de Ishtar e o seu pessoal, incluindo músicos do templo e dançarinas, foram transferidos para Quis. Durante este período,Quis pode ter sido uma cidade multicultural, com uma ampla via cerimonial que ligava o palácio ao templo principal de Ishtar, onde se realizavam grandes procissões.

Outras inscrições de Quis sugerem que, por volta do século XVI a.C., muitas cidades do sul da Mesopotâmia tinham sido abandonadas no meio da agitação provocada pelo colapso da Antiga Babilónia, causado por rebeliões dos «habitantes das terras marítimas» dos pântanos do Golfo Pérsico, bem como por invasões estrangeiras, incluindo a dos hititas. A falta de provas escritas entre o século XVI e meados do século XV a.C. levou alguns estudiosos a identificar uma «idade das trevas» nesta fase da história da Mesopotâmia. É certo, no entanto, que, em 1595 a.C., os hititas foram derrotados de forma decisiva pelos cassitas, que passaram então a governar a Babilónia e as suas cidades satélites, incluindo Quis, durante os 400 anos seguintes.

Os Períodos Finais

O nosso conhecimento sobre Quis em qualquer momento após o período da Antiga Babilónia é muito escasso. Tiglate-Pileser III (reinou 744-727 a.C.) inclui Quis na lista das cidades que conquistou. Mais tarde, Quis desempenhou um papel notável no conflito entre Senaqueribe (reinou 704-681 a.C.) e Marduk-apla-iddina II (reinou 721-710 e 703 a.C.), o rei caldeu da Babilónia. Mais notáveis, porém, são dois cilindros de argila encontrados pela população local no sítio de Tell Uhaymir, em 2013, que contêm provas escritas sobre um extenso projeto de restauração do grande zigurate da cidade, sob o reinado do rei neobabilónico Nabucodonosor II (reinou 604-562 a.C.). Como explica Dario Radley:

Ambos os cilindros, feitos de barro cozido e com a forma de pequenos barris, são quase idênticos no que diz respeito ao texto. As suas inscrições descrevem a restauração do zigurate de Quis, uma torre monumental em degraus dedicada ao deus da guerra Zababa e à deusa Ishtar. Os textos seguem uma estrutura convencional, começando pelos títulos do rei e pela sua apresentação como um governante nomeado pelos deuses Marduk e Nabu para cuidar dos espaços sagrados. Passam depois a abordar o estado do próprio zigurate, explicando que este tinha sido construído por um rei anterior e reparado por outro, mas que voltara a ficar em grave estado de degradação à medida que o tempo e as intempéries enfraqueciam as suas paredes. As inscrições afirmam que Nabucodonosor respondeu a este declínio reforçando a estrutura, reconstruindo as partes danificadas e melhorando o seu exterior, para que pudesse voltar a ser uma morada digna para as suas divindades. Uma oração no final pede aos deuses que concedam ao rei uma vida longa, a vitória sobre os inimigos e o favor divino contínuo.

(Radley, pág. 2026)

Tais tesouros arqueológicos revelam que, embora quase não seja mencionada nas fontes escritas a partir do período aqueménida (cerca de 550-330 a.C.), Quis continuou a ser uma cidade relativamente próspera, pelo menos até ao período sassânida, quando o local propriamente dito de Quis, em Tell Uhaymir, foi definitivamente abandonado.

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Dog-Shaped Gold Amulet From Kish
Amuletos de Ouro em Forma de Cão de Quis British Museum (CC BY-NC-SA)

Conclusão

As escavações arqueológicas em Tell Uhaymir tiveram início em 1911-12 e foram retomadas entre 1923 e 1933, altura em que o Field Museum of Natural History e a Universidade de Oxford investigaram muitos dos 40 montículos do sítio. O seu trabalho revelou provas importantes da urbanização muito precoce de Quis e do seu estatuto como importante entidade política regional. Embora as escavações em Tell Uhaymir tenham sido interrompidas durante décadas devido a agitação social e atividade militar, uma grande quantidade de artefactos valiosos que registam e recontam a espetacular história de Quis está em exposição no Field Museum, em Chicago, no Louvre e no Ashmolean Museum, em Oxford, entre outros.

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Perguntas & Respostas

O que é o Quis?

Quis é uma das cidades mais importantes da antiga Mesopotâmia, não devendo ser confundida com a Ilha de Kish, no Golfo Pérsico, nem com a cidade mesopotâmica de Kesh.

O que há de significativo em Quis?

Atribui-se a Quis a criação da primeira estrutura política da história, no final do IV milénio a.C. A cidade manteve a sua proeminência política durante quatro séculos, e o título de «Rei de Quis» era almejado por muitos governantes mesopotâmicos como sinal de grande poder e autoridade.

Quando é que a cidade de Quis entrou em declínio?

A cidade de Quis entrou em declínio e passou a ser um estado provincial quando Sargão, o Grande — que tinha sido copeiro do rei de Quis — fundou o Império Acádio.

Como é que a história de Quis chegou ao fim?

A cidade de Quis foi abandonada no final da era sassânida, no século VII. No entanto, existem indícios de alguns povoados relacionados que poderão ter permanecido habitados até ao século XII.

Bibliografia

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Choubineh, N. (2026, setembro 03). Quis: A Primeira Cidade de Destaque Político na História. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-266/quis/

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Choubineh, Nathalie. "Quis: A Primeira Cidade de Destaque Político na História." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 03, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-266/quis/.

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Choubineh, Nathalie. "Quis: A Primeira Cidade de Destaque Político na História." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 03 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-266/quis/.

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