Império Selêucida

Joshua J. Mark
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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Coin of Alexander Balas (by Wikipedia, Public Domain)
Moeda de Alexandre Balas Wikipedia (Public Domain)

O Império Selêucida (312-63 a.C.) foi a vasta entidade política estabelecida por Seleuco I Nicátor ("Vencedor" ou "Invicto", l. c. 358-281 a.C., r. 305-281 a.C.), um dos generais de Alexandre, o Grande, que reivindicou parte do seu império após a morte de Alexandre, em 323 a.C.

Quando Alexandre morreu, não deixou nenhum sucessor certo para o seu reino, mas, alegadamente, afirmou que este deveria ir para "o mais forte". Isso resultou no conflito entre oa seus principais generais, conhecido como Guerras dos Diádocos ("sucessores"), que dividiria o vasto território de Alexandre entre cinco deles: Cassandro, Ptolomeu I Sóter, Lisímaco, Antígono e Seleuco.

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Dos quatro, Seleuco foi indiscutivelmente o mais bem-sucedido, pois realizou o que Alexandre se propôs a fazer: a criação de um império multinacional que fundisse harmoniosamente as culturas oriental e ocidental.

O Império Selêucida, inicialmente, foi marcado pela tolerância religiosa e cultural, burocracia eficiente, comércio lucrativo e expansão por meio de campanhas militares, criando um reino que se estendia do Mar Mediterrâneo ao Vale do Indo.

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Tal como aconteceu com Roma, no entanto, a vasta extensão do império e o desejo de autonomia de muitas das diferentes regiões acabaram por se tornar demasiado grandes para serem controlados pelo governo central e o Império Selêucida começou a fragmentar-se. A somar aos seus problemas estava a ascensão de Roma como superpotência mediterrânica que não podia tolerar outra e, mais significativamente, a perda da visão original de Seleuco I pelos seus sucessores. O Império Selêucida começou a desmoronar depois de 100 a.C. e foi finalmente derrubado por Roma pelos esforços de seu general Pompeu, o Grande (l. c. 106-48 a.C.) em 63 a.C.

OS PRIMEIROS GOVERNANTES SELEÚCIDAS IMPLEMENTARAM POLÍTICAS PARA INCENTIVAR UM IMPÉRIO HOMOGÊNEO, QUE MISTURAVA VALORES HELENÍSTICOS CULTURAIS COM OS DO ORIENTE PRÓXIMO.

Fundação e Expansão

Alexandre, o Grande (356-323 a.C.) conquistou o Império Persa Aquemênida, em 330 a.C. e, após sua morte, os seus generais ficaram com imenso reino, que abrangia a Grécia, a Mesopotâmia, a Anatólia, o Egito, o Levante e a Ásia Central. Depois de luta pelo poder, eles dividiram-no entre si, com Cassandro tomando a Grécia; Ptolomeu I Sóter o Egito; Lisímaco a Trácia e a Anatólia; Antígono - que controlava a Anatólia - morrendo na Batalha de Ipsus, em 301 a.C.; e Seleuco, tendo reivindicado a Babilônia como sua, tomando a Mesopotâmia e a Ásia Central.

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Alexandre estendeu seu alcance até a Índia, estabelecendo cidades e deixando sátrapas (governadores) para administrar. Em cerca de 305 a.C., o rei Chandragupta Maurya retomou várias dessas regiões e Seleuco lançou a Guerra Selêucida-Mauryan (305-303 a.C.), que resultou no tratado pelo qual Seleuco desistiu das regiões contestadas em troca de acordos comerciais e respeito pelas suas fronteiras.

Map of the Hellenistic Kingdoms after Alexander, c.301 BCE
Mapa dos Reinos Helenísticos após Alexandre, cerca de 301 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Seleuco parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, tomando todas as regiões que podia dos seus antigos camaradas de armas, especialmente Antígono, até a derrota deste último em Ipso, em 301 a.C. (vitória em grande parte resultante do uso de elefantes de guerra que Seleuco havia recebido de Chandragupta por tratado). Por volta de 300 a.C., Seleuco controlava a Mesopotâmia (incluindo a Síria), a Capadócia e a Armênia. Ele fundou uma capital, a cidade de Antioquia, às margens do rio Orontes – que administraria a parte ocidental de seu reino – e a cidade de Selêucia, às margens do rio Tigre, para controlar as regiões orientais. Seleuco governou de Antioquia e fez de seu filho, Antíoco I Sóter (co-governo 291-281 a.C., reinou 281-261 a.C.), co-governante de Selêucia.

Em cerca de 282 a.C., Seleuco recebeu dois convidados da Anatólia – Ptolomeu Cerauno (falecido em 279 a.C.) e sua irmã Lisandra – pedindo sua ajuda. Ambos faziam parte da corte real de Lisímaco e alegaram que ele havia matado injustamente seu próprio filho, Agátocles, sob acusações forjadas de traição e, como colega monarca, Seleuco deveria vingar a morte do príncipe. Embora isso não fosse da conta de Seleuco, os suplicantes eram filhos de Ptolomeu II, filho de seu ex-camarada Ptolomeu I Sóter, que abrigou Seleuco no Egito nos primeiros anos das Guerras de Diadocos; isso deu a Seleuco a desculpa de que precisava para ficar do lado deles, punir Lisímaco e adicionar a Anatólia ao seu império.

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Seleucus I Nicator
Seleuco I Nicátor Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Seleuco marchou sobre a Anatólia, tirando-a de Lisímaco e matando-o. Seleuco era agora o último remanescente dos Diadocos e, depois de consolidar o seu domínio na Anatólia, preparou-se para a invasão da Grécia. Em 281 a.C., quando estava no meio desses preparativos, ele foi assassinado por Ptolomeu Cerauno, que então reivindicou a Anatólia como sua antes de fugir para a Grécia e se proclamar rei da Macedônia. Seu reinado durou pouco, porém, e ele foi morto em batalha em 279 a.C.

Desenvolvimento e Governo

Antíoco I Sóter tornou-se, então, imperador e deu continuidade às políticas de seu pai de encorajar um império homogêneo que mesclasse os valores culturais helenísticos com os do Oriente Próximo. O estudioso Cormac O'Brien descreve a política selêucida:

Governar como gregos num imenso mar de não-gregos teria sido tolo, se não impossível, e assim os selêucidas tornaram-se ambos. Com a sua própria administração formando apenas a mais recente de uma série de camadas étnicas que remontam a séculos, Seleuco e os seus sucessores ficaram felizes em abraçar os cultos, deuses e práticas dos estados veneráveis ​​que vieram antes deles…Esse foi o espírito do Helenismo – a fusão do Ocidente e do Oriente que forjou nova era dinâmica. E o empreendimento selêucida foi a sua manifestação mais clara. (204)

O Império Persa Aquemênida funcionou tão bem por meio de política de governo centralizado com administração descentralizada. O rei (imperador) era o poder supremo, mas se aconselhava com seus conselheiros, que passavam seus decretos aos secretários, que os transmitiam aos governadores regionais (os sátrapas). Cada satrapia era administrada por um governador que só tinha autoridade sobre assuntos burocrático-administrativos, enquanto outro oficial – um general de confiança – supervisionava assuntos militares/policiais. Esta divisão de responsabilidades em cada satrapia reduziu a possibilidade de um governador regional acumular poder suficiente de um exército leal para tentar um golpe de Estado. O governador de uma região carecia de poder militar e o general carecia de fundos para subornar um exército para apoiar a tomada do poder.

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Alexandre manteve esta forma de governo e Seleuco a continuou. Mesmo assim, após a sua morte, regiões como a Armênia e a Capadócia viram a oportunidade de romper com o império e revoltaram-se. Ao mesmo tempo, Ptolomeu II, do Egito, reivindicou a Síria e suas ricas rotas comerciais, e declarou guerra a Antíoco I Sóter e, em cerca de 278 a.C., o rei Nicomedes da Bitínia (reinou 278-255 a.C.) convidou os Gálatas da Anatólia para ajudá-lo a expulsar o seu irmão e, depois, eles saquearam cidades e destruíram os campos e colheitas de qualquer um que não pudesse - ou não quisesse - pagar-lhes dinheiro de proteção.

Tetradrachm Coin from Seleucid Syria
Moeda Tetradracma da Síria Selêucida Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Antíoco I Sóter derrotou os Gálatas na chamada Batalha dos Elefantes (cerca de 275 a.C.), na qual liberou seu considerável contingente de elefantes de guerra contra seu inimigo, derrotando-os. Os Gálatas rapidamente buscaram a paz e foram empregados como mercenários contra Ptolomeu II e os estados rebeldes. Antíoco seguiu o exemplo de seu pai ao elevar seu filho, Antíoco II Teos (reinou 261-246 aC), para co-governar enquanto trabalhavam para manter o império unido - e eles tiveram sucesso até perto do final do reinado de Antíoco II Teos.

Ársaces, da tribo Parni da Pártia, se revoltou e se separou do império em 247 a.C., proclamando-se Ársaces I da Pártia (reinou 247-217 a.C.) e estabelecendo o estado central do que mais tarde se tornaria o Império Parta. Em 245 a.C., o governador regional Diodoto da Báctria (falecido em 239 a.C.) separou-se, criando o Reino Greco-Bactriano na fronteira do extremo leste. Os sucessores de Antíoco II Teos, Seleuco II Calínico (reinou 246-225 a.C.) e Seleuco III Cerauno (reinou 225-223 a.C.), nada puderam fazer para trazer os estados separatistas de volta ao seu controle e, ao mesmo tempo, estavam lutando com economia em crise e o poder crescente dos Gálatas - anteriormente um tanto sob controle selêucida - que se estabeleceram na região da Anatólia da Galácia.

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Antíoco III, o Grande

O Império Selêucida vinha lutando desde a morte de Seleuco, mas outra potência estava em rápida ascensão. Enquanto os selêucidas eram mestres na batalha terrestre e no comércio, a cidade norte-africana de Cartago governava os mares tanto comercial quanto militarmente. Em 264 a.C., Cartago entrou em conflito com a pequena cidade-estado de Roma por causa de disputa entre dois reinos na Sicília, nos quais cada um tinha interesses pessoais. Este conflito eclodiu na Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.), que terminou com Roma como a nova superpotência e Cartago, derrotada, forçada a pagar pesada indenização de guerra.

O que quer que tenha acontecido com Roma e Cartago, no entanto, pouco preocupou os governantes selêucidas quando comparado com as suas lutas para manter o império intacto. Mesmo com todas as salvaguardas em vigor contra a revolta e as políticas brandas em relação aos valores culturais e religiosos dos povos, os selêucidas ainda não conseguiam controlar o desejo das pessoas de liberdade para traçar o seu próprio destino.

Seleucid Empire 200 BCE
Império Selêucida em 200 a.C. Thomas Lessman (CC BY-SA)

O declínio dos selêucidas foi interrompido e depois revertido pelo filho de Seleuco II Calínico, Antíoco III (reinou 223-187 a.C., conhecido como O Grande), que liderou pessoalmente suas tropas por todo o império, derrotando estados emergentes e devolvendo-os ao rebanho. Por mais de vinte anos (cerca de 219-199 a.C.), Antíoco III fez campanha do Levante até a Índia, subjugando a Báctria e a Ásia Menor (campanha que incluiu o cerco de Sardes, 215-213 a.C.), fazendo a paz com a Pártia e conquistando, do Egito, a Judéia e a Síria.

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Enquanto Antíoco III restaurava seu império à sua antiga glória, Roma novamente entrou em guerra com Cartago na Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.). Aníbal Barca (l247-183 a.C.), inimigo jurado de Roma e o maior general de Cartago, quebrou a paz ao marchar sobre Saguntum (atual Sagunto), na Espanha, em 218 a.C., e depois liderou seu exército sobre os Alpes para invadir a Itália. Ele só foi finalmente derrotado pela habilidade do general romano Cipião Africano na Batalha de Zama, em 202 a.C.

Aníbal foi ajudado por Filipe V da Macedônia (reinou 221-179 a.C.) que, em cerca de 205 a.C., aliou-se a Antíoco III para derrotar o Egito. Embora a aliança tenha funcionado bem contra a presença egípcia no Levante e na Judéia, Antíoco III foi dissuadido pelos romanos de invadir o Egito, que era amigo de Roma e sua principal fonte de cereais. Depois que Roma derrotou Cartago, eles puniram Filipe V, acusando-o de ajudar o inimigo e, ainda, de tirania sobre os gregos. Alegando que estavam libertando as cidades-estado gregas, invadiram a Grécia e derrotaram Filipe V na Batalha de Cinoscéfalos (Cynoscephalae), em 197 a.C.

Antíoco III suspeitou que seria o próximo na lista de Roma e decidiu atacar primeiro. Ele foi encorajado nisso por Aníbal que, depois de Zama, chegou à sua corte e se tornou um de seus conselheiros mais importantes até que Roma exigiu sua rendição e ele se matou. Antíoco III, mesmo sem a orientação de Aníbal, acreditava que poderia vencer Roma. Ele cruzou o Helesponto e enfrentou os romanos nas Termópilas, em 191 a.C., e depois em Magnésia, em 190 a.C. Ele foi derrotado em ambos os combates, com pesadas perdas, e voltou para casa sem outra escolha a não ser aceitar quaisquer termos que Roma oferecesse. De acordo com o Tratado de Apameia, de 188 a.C., Antíoco III foi forçado a retirar-se da Anatólia, reduzir seus territórios até a fronteira das Montanhas Taurus (ou Montes Tauro) (perdendo assim todas as regiões ao norte e ao oeste), pagar grande indenização de guerra e concordar em nunca mais fazer guerra na Europa. O tratado também estipulou que os reféns anuais da corte selêucida fossem enviados para Roma, política que influenciaria os monarcas selêucidas posteriores. Antíoco III morreu em campanha no leste pouco depois disso, morto enquanto roubava um templo no Lorestão, em 187 a.C., como parte de seus esforços para arrecadar dinheiro para pagar a indenização.

Antíoco IV Epifânio e os Macabeus

O filho e sucessor de Antíoco III, Seleuco IV Filopator (reinou 187-175 a.C.), continuou os esforços para saldar a dívida de guerra, na medida em que esta se tornou seu foco principal. Ele foi assassinado em 175 a.C. e o governo passou para o outro filho de Antíoco III, Antíoco IV Epifânio (reinou 175-164 a.C.). Antíoco IV foi enviado a Roma como refém após o Tratado de Apameia e conhecia em primeira mão as políticas e práticas romanas.

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Hellenistic Palace Qasr Al-Abd
Palácio Helenístico Qasr Al-Abd Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Ele atacou o Egito, tomando a maior parte do país, em resposta à agressão do Egito na Síria, mas permitiu que o rei Ptolomeu VI permanecesse no poder como seu fantoche. A ordem social foi assim mantida, os cereais continuariam a fluir para Roma sem interrupção e, assim – como Antíoco esperava – os romanos não interferiram. Ptolomeu VI, no entanto, uniu forças com seu irmão, Ptolomeu VII, em um esforço para se livrar do domínio selêucida, o que levou Antíoco IV a retornar para uma segunda campanha.

Ele foi detido por um idoso embaixador de Roma, Caio Popílio Lenas, que, segundo Políbio (29.27), disse-lhe que o Senado Romano queria que ele se retirasse. Lenas recusou-se a cumprimentar Antíoco IV de qualquer forma condizente com um monarca e, em vez disso, desenhou um círculo ao redor dele na terra com uma vara, dizendo-lhe que precisava de uma resposta ao Senado antes que Antíoco IV deixasse o círculo e, se essa resposta não estivesse de acordo com os desejos de Roma, ele seria considerado inimigo de Roma. Antíoco IV sabia o que significaria a guerra com Roma e concordou em retirar-se, deixando o Egito em paz.

Ao mesmo tempo (cerca de 168 a.C.), um conflito latente estava acontecendo na província selêucida da Judéia entre judeus conservadores que procuravam manter sua herança religiosa e cultural e judeus helenizados que haviam adotado maneirismos e costumes selêucidas. Essa tensão finalmente chegou ao auge em disputa sobre a posição do sumo sacerdote do templo em Jerusalém. O sumo sacerdote vinha tradicionalmente da família Oníada e, em cerca de 175 a.C., um de seus membros, Josué, pagou Antíoco IV para promovê-lo ao cargo e depor seu irmão, Onias III, o sacerdote legítimo. Antíoco IV concordou, Josué então helenizou seu nome para Jasão e incentivou os costumes gregos na cidade e ao redor do templo, notadamente construindo um ginásio - onde as pessoas se exercitavam nuas, o que era considerado vergonhoso para os judeus - no recinto sagrado.

Antíoco III deu continuidade ao respeito de Seleuco I pelos costumes religiosos de todo o povo do império, mas Antíoco IV não tinha tal consideração. Quando Jasão enviou um mensageiro, Menelau, a Antíoco IV com quantia em dinheiro, Menelau ofereceu ao rei mais para depor Jasão e escolhê-lo como sumo sacerdote e Antíoco IV concordou com isso facilmente. Menelau assumiu o controle do templo, mas Jasão reuniu grupo armado de apoiadores e atacou. Antíoco IV, que nunca foi conhecido por sua paciência ou consideração, afirmou então que o templo deveria ser dedicado a ele e decretou que os sacrifícios ali feitos seriam em sua homenagem.

Esta ação levou à Revolta dos Macabeus (cerca de 168/167 a cerca de 160 a.C.), liderada por Judas Macabeu, para restaurar o Judaísmo e rededicar o templo, um evento comemorado nos dias atuais pelo festival de Hanukkah (ou Chanucá). Antíoco IV foi incapaz de restaurar a ordem depois de causar o caos, morrendo em 163 a.C. e deixando os problemas da ascensão da Dinastia Asmoneus na Judéia e do império cada vez menor para seus sucessores.

Declínio e Queda

A monarquia selêucida posterior a Antíoco III pareceu esquecer, ou ignorou propositalmente, a visão de Seleuco I, concentrando-se no seu próprio engrandecimento às custas do povo. Entre 163 e 145 a.C. governaram três reis, todos mais preocupados em defender a sua posição do que em governar propriamente dito. Enquanto a monarquia lutava abertamente ou intrigava entre si, a pirataria tornou-se opção viável para muitos que tentavam ganhar a vida na Cilícia, dando origem aos piratas cilícios, coligação de muitas nacionalidades diferentes, que agora atacavam rotineiramente navios e portos em todo o Mediterrâneo.

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POMPEU FEZ DA SÍRIA E DA ANATOLIA PROVÍNCIAS ROMANAS, FINALIZANDO A MONARQUIA SELEÚCIDA QUASE AO MESMO TEMPO QUE DESTRUIU OS PIRATAS CILÍCIoS.

Os piratas cilícios foram encorajados e protegidos por Diódoto Trifão (reinou 140-138 a.C.), que tomou o poder de Antíoco VI Dionísio (145-140 a.C.), que fez o mesmo, uma vez que os piratas traficavam no comércio de escravos e os selêucidas precisavam de escravos tanto quanto qualquer outro poder da época. O caos da monarquia nesta época é exemplificado na figura de Cleópatra Teia (cerca de 164-121 a.C.), que foi parte peão e parte participante na intriga judicial de cinco governantes distintos. Cleópatra foi primeiramente esposa de Alexandre Balas (reinou 150-145 a.C.) antes de seu pai, Ptolomeu VI, invadir a Síria, matar Alexandre e depois casá-la com Demétrio II Nicator (reinou 145-138, 129-126 a.C.), que foi capturado e mantido pelos partos até 129 a.C.

Enquanto estava no cativeiro, seu irmão, Antíoco VII Sidetes (reinou 138-129 a.C.), casou-se com Cleópatra para ganhar o trono. Os partos libertaram Demétrio para encorajar a disputa dinástica, mas Antíoco VII Sidetes foi morto por eles em batalha ao mesmo tempo. Demétrio recuperou o poder por três anos antes de fracassar em campanha contra o Egito e ser traído por Cleópatra Teia e assassinado. Quando seu filho, Seleuco V Filométor (reinou 126-125 a.C.) chegou ao poder, ela o matou e instalou seu filho Antíoco VIII Gripo (reinou 125-96 a.C.) como rei. Ela tentou matá-lo quando ele não cedeu à sua vontade, mas ele a forçou a beber o copo de veneno que ela ofereceu.

Por esta altura, já não existia qualquer Império Selêucida remotamente parecido com a visão de Seleuco I, apenas um pequeno reino na Síria, que continuou a usar esse título. Roma tornou-se mais envolvida na região circundante durante as Guerras Mitridáticas (89-63 a.C.) contra o rei Mitrídates VI, do Ponto (reinou 120-63 a.C.), e o genro de Mitrídates VI, Tigranes, o Grande, da Armênia (reinou. 95-56 a.C.), percebendo que nenhum dos lados parecia se importar com o que aconteceu com o reino sírio, invadiu e adicionou-o ao seu. Seu controle durou pouco, entretanto, e assim que o general Pompeu derrotou Mitrídates ele voltou sua atenção para a Síria e a Anatólia, tornando ambas províncias romanas e encerrando a monarquia selêucida quase ao mesmo tempo em que destruiu os piratas cilícios.

O último rei dos selêucidas foi Filipe II Filoromaeus (reinou 65-63 a.C.), sobre quem pouco se sabe fora de tentativa desesperada de manter sua posição, o que exemplifica a monarquia selêucida como um todo após Antíoco III. Uma vez perdida a grande visão de Seleuco I de um vasto império multicultural vivendo em paz – começando com o reinado de Antíoco IV Epifânio – o resto da história real do império foi marcada pela arrogância, negligência do povo e pequenas tomadas de poder que finalmente os deixaram sem nada.

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Perguntas & Respostas

O que foi o Império Selêucida?

O Império Selêucida foi uma entidade política multinacional fundada por Seleuco I Nicátor, um dos generais de Alexandre, o Grande, após a morte de Alexandre.

Quais são as datas do Império Selêucida?

As datas do Império Selêucida são 312-63 a.C.

Quais foram alguns dos maiores reis do Império Selêucida?

Dois dos maiores reis do Império Selêucida foram Seleuco I Nicátor (reinou 305-281 a.C.), seu fundador, e Antíoco III (o Grande, reinou 223-187 a.C.).

O que causou a queda do Império Selêucida?

O Império Selêucida caiu por vários motivos: havia crescido demais para governar com eficácia; as regiões começaram a afirmar a sua autonomia; os reis selêucidas tornaram-se mais interessados em seu próprio conforto do que em um governo eficaz; Roma cresceu como superpotência. O Império Selêucida finalmente caiu nas mãos de Pompeu, o Grande, de Roma, em 63 a.C.

Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2026, janeiro 25). Império Selêucida. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-246/imperio-seleucida/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Império Selêucida." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, janeiro 25, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-246/imperio-seleucida/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Império Selêucida." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 25 jan 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-246/imperio-seleucida/.

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