Cem Dias

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Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Napoleon's Return from Elba (by Charles de Steuben, Public Domain)
O Regresso de Napoleão a Elba Charles de Steuben (Public Domain)

Os Cem Dias referem-se ao segundo reinado do imperador francês Napoleão I, que regressou inesperadamente do exílio para reclamar o trono francês. Abrangem o regresso triunfante de Napoleão a Paris, a 20 de março de 1815, a sua derrota decisiva na Batalha de Waterloo, a 18 de junho, e a restauração do rei Luís XVIII, a 8 de julho, num período de 110 dias.

Após a derrota inicial na Guerra da Sexta Coligação (1813-1814), Napoleão foi forçado a abdicar do trono imperial e foi exilado na ilha de Elba. Permaneceu lá durante nove meses, mas a agitação política em França e os desacordos entre as grandes potências da Europa levaram-no a tentar reconquistar o seu antigo trono. Desembarcou no sul de França a 1 de março de 1815 e chegou a Paris apenas 20 dias depois, dando início ao seu segundo reinado. Os Aliados declararam-no imediatamente fora-da-lei e comprometeram-se a destroná-lo mais uma vez; Napoleão foi derrotado na Batalha de Waterloo e abdicou pela segunda vez quatro dias depois. Os Bourbons foram restaurados no trono francês e Napoleão foi mais uma vez exilado, desta vez para a ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde viria a falecer seis anos mais tarde. Os Cem Dias marcam, portanto, a fase final das Guerras Napoleónicas (1803-1815).

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A Abdicação

Tendo sido abandonado pela França e pelos seus marechais, Napoleão não teve outra opção senão abdicar.

A 11 de abril de 1814, o imperador francês Napoleão I assinou um ato de abdicação incondicional no palácio de Fontainebleau. Foi um trago amargo de engolir, uma vez que, menos de dois anos antes, ele tinha sido o senhor da Europa continental, governante de um vasto império que se estendia da Península Ibérica à Polónia. No entanto, após o fracasso catastrófico da invasão de Napoleão à Rússia em 1812, os seus inimigos — incluindo a Áustria, a Grã-Bretanha, a Prússia, a Rússia e a Suécia — uniram-se contra ele na Guerra da Sexta Coligação. Depois de infligirem uma derrota esmagadora na Batalha de Leipzig (16-19 de outubro de 1813), os exércitos da Coligação avançaram para França, determinados a destronar o imperador francês. Napoleão mostrou inicialmente resiliência, conquistando uma série de vitórias em solo francês na sua impressionante Campanha dos Seis Dias (10 a 15 de fevereiro de 1814), mas o número esmagador de tropas da Coligação, bem como a atitude apática de uma população francesa cansada da guerra, significavam que a derrota de Napoleão era apenas uma questão de tempo. Paris caiu nas mãos da Coligação a 30 e 31 de março de 1814, tendo sido constituído um governo provisório francês para negociar a paz.

Mesmo assim, Napoleão estava determinado a continuar a lutar e estava convencido de que os seus soldados o seguiriam até ao fim, mas os seus marechais, decididos a impedir uma guerra civil e mais derramamento de sangue, disseram ao seu imperador que o exército não avançaria mais. «O exército obedecer-me-á!», disse Napoleão ao marechal Michel Ney, que se manteve firme, respondendo que «o exército obedecerá aos seus chefes» (Chandler, pág. 1001). Tendo sido abandonado pela França e pelos seus marechais, Napoleão não teve outra opção senão abdicar, o que concordou em fazer a 6 de abril. Alguns dias depois, tentou suicidar-se engolindo uma cápsula de veneno, mas a potência do veneno tinha-se enfraquecido com o tempo e não surtiu efeito. A 11 de abril, Napoleão assinou o Tratado de Fontainebleau, no qual concordou em abdicar do trono francês. Em troca, ser-lhe-ia concedida a soberania sobre a ilha mediterrânica de Elba, ao largo da costa da Itália, bem como uma pensão de 2,5 milhões de francos por ano. Ser-lhe-ia permitido manter o título de «imperador» e poderia manter uma força reduzida de 600 guardas imperiais para defender a ilha contra os piratas berberes do Norte de África.

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Abdication of Napoleon at Fontainebleau, 11 April 1814
Abdicação de Napoleão em Fontainebleau, 11 de abril de 1814 Gaetano Ferri & François Bouchot (Public Domain)

A 20 de abril, Napoleão partiu de Fontainebleau após uma cena dramática em que se despediu da sua fiel Velha Guarda no pátio do palácio. Foi levado para Elba a bordo do navio britânico HMS Undaunted, chegando ao principal porto da ilha, Portoferraio, a 3 de maio. Nesse mesmo dia, o rei Luís XVIII de França, irmão do rei que tinha sido guilhotinado durante a Revolução Francesa, chegou a Paris para reivindicar o seu trono após mais de duas décadas no exílio. Alguns meses mais tarde, as potências vitoriosas da Sexta Coligação convocaram o Congresso de Viena para redefinir o equilíbrio de poder na Europa e redesenhar o mapa de um mundo pós-napoleónico. A todos os observadores da época, a grande epopeia napoleónica parecia ter chegado ao fim; poucos poderiam ter imaginado que ainda faltava um último ato por encenar.

O Exílio em Elba

Napoleão permaneceu confinado em Elba durante nove meses, período em que se manteve ocupado. No dia seguinte ao desembarque, inspecionou as defesas e as minas de ferro de Portoferraio; nos meses seguintes, dedicou a sua energia à construção de um hospital, à plantação de vinhas, à pavimentação de estradas e à construção de pontes. Reorganizou as defesas de Elba, distribuiu dinheiro aos habitantes mais pobres da ilha e construiu uma fonte à beira da estrada de Poggio, que ainda hoje funciona (Roberts, pág. 723). Aos olhos dos seus observadores britânicos, parecia que Napoleão tinha aceitado a sua nova realidade e se contentava com o seu minúsculo novo reino. Na verdade, Napoleão lia avidamente todas as notícias que chegavam do continente, à procura de uma oportunidade para recuperar o trono francês. Por sorte, essa oportunidade iria apresentar-se em breve.

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A decisão de Napoleão de regressar a França foi motivada por dois fatores principais. O primeiro foi a agitação política em França, que surgiu em resposta à Restauração dos Bourbons. O rei Luís XVIII não era, certamente, um tirano; na verdade, tinha promulgado a Carta de 1814, uma constituição liberal que mantinha as mudanças sociais da Revolução Francesa e preservava o Código Napoleónico. No entanto, Luís XVIII era acompanhado por muitos nobres do Antigo Regime que tinham fugido de França durante a Revolução e estavam menos interessados em compromissos. Conhecidos como «ultras» devido ao seu radicalismo, estes nobres procuravam recuperar as suas antigas terras e o seu poder. Antagonizavam tanto os republicanos franceses como os bonapartistas ao organizarem cerimónias em honra daqueles que tinham lutado contra a Revolução. O facto de Luís XVIII ter nomeado muitos «Ultras» para altos cargos levou muitos a temer que os impostos feudais e eclesiásticos fossem em breve reintroduzidos. Além disso, Luís XVIII não ganhou amigos quando substituiu a tricolor francesa pela bandeira branca dos Bourbons, e alienou o exército ao dispensar milhares de soldados e colocar os oficiais em meio-salário. Muitos já olhavam para o regime napoleónico com nostalgia.

Mapa da Europa em 1815 e o Acordo de Viena
Mapa da Europa em 1815 e O Acordo de Viena Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

O segundo fator que influenciou o regresso de Napoleão foi a deterioração das relações entre as grandes potências da Europa. Estas potências tinham-se unido por um desejo comum de derrotar Napoleão; no entanto, agora que tal se tinha concretizado, as antigas rivalidades voltaram a assumir o primeiro plano. No Congresso de Viena, os delegados discutiram acaloradamente sobre o futuro da Polónia e da Alemanha; a Rússia pretendia criar um Estado fantoche polaco, enquanto a Prússia considerava-se com direito a quase todo o território pertencente ao Reino da Saxónia. As tentativas dos delegados austríacos e britânicos para impedir tal situação quase degeneraram numa guerra. Embora se tenham chegado, por fim, a compromissos, as tensões entre as grandes potências ainda não tinham arrefecido completamente.

Estes dois acontecimentos deixaram Napoleão esperançoso. Com a França desiludida com os Bourbons e os aliados em conflito entre si, Napoleão apostou que o seu regresso seria bem-vindo em França e ignorado pelas potências europeias. A 26 de fevereiro de 1815, partiu de Elba a bordo do navio L’Inconstant com o seu estado-maior e cerca de 1 000 soldados, rumo à França. A 1 de março, desembarcaram na costa sul da França, perto de Cannes; assim que começaram a descarregar, foram abordados por uma grande multidão que se maravilhava com a visão do imperador regressado. Como Napoleão recordaria mais tarde nas suas memórias:

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Entre eles estava um presidente da câmara que, ao ver como éramos poucos, me disse: «Estávamos precisamente a começar a ficar tranquilos e felizes; agora vai voltar a agitar-nos a todos» (Roberts, pág. 731).

O Voo da Águia

A partir de Cannes, Napoleão emitiu uma proclamação na qual prometia que «a águia voará de campanário em campanário até chegar às torres de Notre Dame» (Mikaberidze, pág. 604). Isto deu início ao que é popularmente conhecido como a «Fuga da Águia», um dos episódios mais dramáticos da história. A partir de Cannes, Napoleão avançou cautelosamente pela conservadora região da Provença, evitando a cidade de Aix e optando por atravessar os Alpes, viajando principalmente a pé. A 5 de março, começou a percorrer regiões que lhe eram favoráveis, como o Dauphiné, onde foi recebido por multidões exultantes. O percurso seguido por Napoleão é hoje conhecido como a Route Napoléon e tornou-se um destino turístico popular e uma ciclovia.

Napoleon Leaving Elba
Napoleão a Deixar Elba Joseph Beaume (Public Domain)

Perto da cidade de Laffrey, Napoleão deparou-se com o primeiro obstáculo ao encontrar um batalhão da 5.ª Linha, que tinha sido enviado para o prender. Segundo a lenda bonapartista, Napoleão ordenou aos seus granadeiros que baixassem as armas antes de se dirigir aos soldados da 5.ª Linha, cujos mosquetes estavam apontados ao seu peito. «Soldados», exclamou Napoleão, «eu sou o vosso imperador. Não me reconhecem? Se há alguém entre vós que queira matar o seu general, aqui estou eu!» (Idem). Um oficial monárquico deu a ordem para disparar, mas nenhum tiro foi disparado; em vez disso, os soldados avançaram e abraçaram Napoleão com gritos de Vive l’empereur! Quer esta história tenha sido embelezada ou não, é verdade que Napoleão era acompanhado por tropas francesas desertoras onde quer que fosse. A 10 de março, o marechal Ney partiu de Paris com 6 000 homens, prometendo a Luís XVIII que regressaria com Napoleão numa «gaiola de ferro»; menos de uma semana depois, Luís XVIII recebeu a notícia de que Ney se tinha juntado a Napoleão e tinha anunciado publicamente que «a causa dos Bourbons está perdida para sempre!» (ibid).

O avanço de Napoleão foi rápido. A 7 de março, entrou em Grenoble depois de uma multidão de cidadãos fanáticos ter derrubado os portões da cidade e lhe ter oferecido os pedaços. Três dias depois, encontrava-se em Lyon, a redigir decretos imperiais. A 20 de março, entrou finalmente em Paris, onde foi praticamente carregado por multidões em êxtase até ao Palácio das Tulherias; Luís XVIII tinha abandonado a cidade apenas algumas horas antes e fugido para a Bélgica. Em menos de um mês, Napoleão tinha reconquistado o seu império sem disparar um único tiro. Resta-lhe agora apenas mantê-lo.

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A Reforma Constitucional

Poucas horas após o regresso de Napoleão, coube aos seus antigos servos decidir a quem deviam a sua lealdade. Dez dos seus antigos marechais declararam lealdade a Napoleão, embora apenas três — Ney, Jean-de-Dieu Soult e Emmanuel de Grouchy — viessem a comandar tropas durante a campanha de Waterloo. Louis-Nicolas Davout, indiscutivelmente o marechal mais talentoso de Napoleão, foi relegado a um cargo administrativo como ministro da Guerra, uma decisão que muitos futuros simpatizantes bonapartistas lamentaram como um desperdício dos seus talentos. Napoleão contou também com a presença de três dos seus irmãos, José, Lucien e Jérôme, embora o seu irmão Luís e o seu enteado Eugène de Beauharnais se tenham mantido afastados. O seu governo reconstituído não carecia de ministros talentosos e incluía Armand de Caulaincourt como ministro dos Negócios Estrangeiros, Joseph Fouché como ministro da Polícia e Lazare Carnot como ministro do Interior.

Napoleão compreendia que a opinião pública era inconstante; poderia perder o trono com a mesma facilidade com que o tinha reconquistado.

No entanto, Napoleão compreendia que a opinião pública era inconstante, que poderia perder o trono com a mesma facilidade com que o tinha reconquistado. Percebendo que o seu novo governo não poderia existir da mesma forma que antes, apresentou-se como um homem transformado, que já não se preocupava com conquistas nem com um regime autocrático. Para provar isso, convidou Benjamin Constant, seu crítico de longa data, para redigir uma nova constituição, que incluiria um parlamento bicameral que partilharia o poder com o imperador, com base no modelo britânico. Acabou também com a censura e aboliu totalmente o comércio de escravos. Napoleão negou repetidamente que tivesse quaisquer ambições imperiais, prometendo que «doravante, a felicidade e a consolidação do Império Francês serão o objeto dos meus pensamentos» e que «a partir de agora será mais agradável não conhecer outra rivalidade senão a dos benefícios da paz» (Mikaberidze, pág. 605; Roberts, pág. 746).

É claro que muitos se mostraram céticos em relação à suposta reforma de Napoleão; afinal, tratava-se do mesmo homem que outrora tinha afirmado que «um órgão deliberativo é algo temível de se lidar» (Mikaberidze, pág. 606). De facto, Napoleão teve de ser dissuadido pelos seus conselheiros de impedir a eleição de um dos seus opositores para a presidência da nova Câmara dos Representantes, a 3 de junho. Muitos em França continuaram a resistir ao domínio de Napoleão; as personalidades locais da Flandres, do Artois, da Normandia, do Languedoc e da Provença recusaram-se a aderir à causa de Napoleão, enquanto as regiões da Bretanha e da Vendée entraram em revolta armada.

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Entretanto, as potências aliadas não acreditavam que Napoleão tivesse posto de lado as suas ambições imperiais. Na manhã de 7 de março, assim que recebeu a notícia de que Napoleão tinha fugido de Elba, o ministro dos Negócios Estrangeiros austríaco, Klemens von Metternich, informou os monarcas das grandes potências, que ainda se encontravam reunidos em Viena. Em poucas horas, os líderes aliados concordaram em começar a mobilizar as suas forças. A 25 de março, os Aliados puseram oficialmente de lado as suas divergências e formaram a Sétima Coligação, declarando guerra não à França, mas ao próprio Napoleão; os Aliados consideraram Napoleão um fora-da-lei e comprometeram-se a não depor as armas até que ele fosse derrotado de vez.

A Campanha de Waterloo

Os Aliados decidiram ameaçar o noroeste da França invadindo a Bélgica; esta operação seria levada a cabo por um exército prussiano de 120 000 homens liderado pelo marechal de campo Gebhard Leberecht von Blücher e por um exército anglo-aliado de 100 000 soldados liderado por Arthur Wellesley, duque de Wellington. Um exército austríaco de 200 000 homens assumiria simultaneamente posições no Alto Reno, apoiado por 150 000 soldados russos no Médio Reno. Entretanto, Napoleão conseguiu reunir um exército de 250 000 homens até junho. A única nação a aliar-se à França foi Nápoles, cujo rei, Joaquim Murat, via numa aliança com a França a única forma de salvar o seu trono. No entanto, Murat foi derrotado por um exército austríaco na Batalha de Tolentino (2-3 de maio de 1815) e deposto; viria mais tarde a ser executado a 13 de outubro, após tentar instigar uma insurreição napolitana.

A 14 de junho, Napoleão lançou uma ofensiva na Bélgica. O seu Exército do Norte estava dividido em duas alas; a ala esquerda era comandada pelo marechal Ney, a direita era liderada pelo marechal Grouchy e o próprio Napoleão comandava a Guarda Imperial na reserva. A ofensiva de Napoleão apanhou os Aliados de surpresa; a 15 de junho, Wellington encontrava-se em Bruxelas, a assistir ao baile da Duquesa de Richmond. Quando informado do rápido avanço do inimigo, exclamou: «Napoleão enganou-me, por Deus!» (Roberts, pág. 751). De facto, naquele momento, Napoleão avançava em direção ao exército de Blücher em Ligny, na esperança de derrotar cada exército aliado separadamente. A 16 de junho, Napoleão atacou e derrotou Blücher na Batalha de Ligny, infligindo cerca de 17 000 baixas prussianas e sofrendo 11 000. No mesmo dia, Ney enfrentou o exército de Wellington na Batalha de Quatre Bras; embora Ney tenha impedido Wellington de marchar em auxílio de Blücher, não conseguiu derrotar de forma decisiva o exército de Wellington.

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Battle of Waterloo
Batalha de Waterloo William Sadler (Public Domain)

Ao meio-dia de 17 de junho, Napoleão enviou os 33 000 homens de Grouchy para perseguir os prussianos antes de se juntar a Ney em Quatre Bras. Nessa altura, Wellington já tinha tomado conhecimento da derrota de Blücher em Ligny e recuara para assumir uma posição defensiva na crista de Mont-Saint-Jean, a apenas algumas milhas a sul do seu quartel-general em Waterloo. Napoleão seguiu em perseguição, com as suas tropas a marcharem com dificuldade sob a chuva torrencial. Ignorou os avisos dos seus oficiais para não subestimar Wellington; Napoleão descartou o duque britânico como um «mau general» e os soldados ingleses como «más tropas», brincando que «este assunto não é mais sério do que tomar o pequeno-almoço» (Mikaberidze, pág. 610). Napoleão lançou o seu ataque pouco depois das 11h00 do dia 18 de junho, ordenando uma série de assaltos frontais à linha aliada. Embora as tropas de Wellington tivessem mantido as suas posições, a situação tornara-se perigosa no final da tarde, quando os franceses capturaram La Haye Sainte e quase romperam o centro aliado.

Foi nesse momento que Blücher chegou com 50 000 homens, tendo deixado um corpo de exército para trás para imobilizar Grouchy na Batalha de Wavre. Numa última manobra para recuperar o controlo da batalha, Napoleão lançou a sua Guarda Imperial, enviando-a pela crista contra a linha aliada. Mas nem mesmo a famosa Guarda conseguiu romper a linha de Wellington e, em pouco tempo, o exército francês foi derrotado. Entre 25 000 e 31 000 soldados franceses foram mortos ou feridos, em comparação com cerca de 26 000 baixas aliadas. A derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo selou o destino do Império Francês.

O Exílio em Santa Helena

Napoleão regressou a Paris a 21 de junho e abdicou pela segunda vez no dia seguinte, em favor do seu filho, Napoleão II, de quatro anos. A 25 de junho, Napoleão partiu de Paris e fugiu para Rochefort, onde pretendia procurar passagem para os Estados Unidos. No entanto, quando chegou a Rochefort, descobriu que a cidade estava a ser bloqueada por navios da Marinha Real. A 7 de julho, as forças da Coligação entraram em Paris e Luís XVIII foi restaurado no trono no dia seguinte. O marechal Ney foi detido a 3 de agosto pelo seu papel no regresso de Napoleão e foi executado por um pelotão de fuzilamento em dezembro de 1815.

Louis XVIII of France
Luís XVIII de França François Gérard (Public Domain)

Entretanto, Napoleão rendeu-se ao capitão Frederick Lewis Maitland, do HMS Bellerophon, a 15 de julho de 1815. O seu pedido de asilo em Londres foi recusado; os Aliados decidiram, a 2 de agosto, que Napoleão era um prisioneiro de guerra e deveria ser confinado a um local de onde não pudesse fugir. Para o efeito, foi exilado em Santa Helena, uma ilha isolada no Atlântico Sul, a cerca de 2 500 km (mais de 1 500 milhas) da costa mais próxima. Napoleão passaria o resto da sua vida em Santa Helena, sob vigilância rigorosa dos seus captores britânicos, até à sua morte, a 5 de maio de 1821.

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Perguntas & Respostas

O que foram os Cem Dias nas Guerras Napoleónicas?

Os Cem Dias referem-se ao segundo reinado do imperador francês Napoleão I, que teve início a 20 de março de 1815, quando Napoleão retomou o trono após o seu primeiro exílio na Ilha de Elba, e terminou a 8 de julho de 1815, quando o rei Luís XVIII foi restaurado no trono francês, num total de 110 dias. Este período inclui a famosa Batalha de Waterloo.

O que aconteceu durante os Cem Dias?

Durante os Cem Dias (20 de março a 8 de julho de 1815), Napoleão regressou do seu exílio em Elba e retomou o trono francês. Foi declarado fora-da-lei pelas grandes potências da Europa, que formaram a Sétima Coligação e o derrotaram na Batalha de Waterloo. Napoleão abdicou a 22 de junho e foi exilado para Santa Helena, desta vez de forma definitiva.

Por que razão foi importante o período dos Cem Dias?

O período dos Cem Dias foi importante por ter sido a fase final das Guerras Napoleónicas, consolidando a derrota de Napoleão. Levou também a um acordo de paz mais severo para a França do que aquele que tinha sido inicialmente garantido.

Bibliografia

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Mark, H. W. (2026, agosto 21). Cem Dias. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22275/cem-dias/

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Mark, Harrison W.. "Cem Dias." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 21, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22275/cem-dias/.

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Mark, Harrison W.. "Cem Dias." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 21 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22275/cem-dias/.

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