Marco Pórcio Catão, mais conhecido como Catão, o Censor ou Catão, o Velho (234–149 a.C.), foi uma figura política influente da República Romana. Tendo servido como questor (quaestor), edil (aedile), pretor (praetor), cônsul (consul) e censor, defendeu as virtudes romanas; detestava a cultura grega; escreveu as primeiras histórias romanas em latim; e foi um orador eloquente. Perto do fim da sua carreira, defendeu a Terceira Guerra Púnica com a sua famosa frase: "Cartago deve ser destruída."
A Juventude e a Família
Catão nasceu em 234 a.C. em Túsculo, contudo passou a maior parte da sua infância na propriedade da família, na região de Sabina. O historiador Plutarco, na sua obra Vidas Paralelas tít. original: Βίοι Παράλληλοι/Bíoi Parállēloi), escreveu que "ele ganhou, na juventude, uma boa compleição física ao trabalhar com as próprias mãos, ao viver temperadamente e ao servir na guerra…" (pág. 379). Desconhece-se quase tudo sobre a sua juventude antes de ingressar no exército.
Por volta de 220 a.C., o patrício Lúcio Valério Flaco viu algo no jovem agricultor e levou-o para Roma, onde iniciaria uma vida na política. Casado duas vezes, Plutarco afirmou que Catão foi tanto um bom marido como um bom pai. Ecoando a atitude da época, Catão acreditava que o melhor era casar com "uma mulher mais nobre do que rica, porque ela seria mais obediente em tudo o que é adequado e correto" (pág. 392). O seu filho mais velho morreu em 152 a.C., enquanto o segundo filho viria a ser o avô do estadista e orador romano Catão, o Jovem (95–46 a.C.) – daí a alcunha de Catão, o Velho, atribuída mais tarde a Catão, o Censor. Tal como o futuro Catão, Catão, o Censor, era considerado um defensor das virtudes romanas; algo que advogou ao longo da sua extensa carreira política e militar.
A Carreira Política
A ascensão de Catão no cursus honorum começou no exército. Em jovem (Plutarco afirma que aos 17 anos), serviu durante a Segunda Guerra Púnica (218–201 a.C.), ganhando distinção na Batalha do Metauro em 207 a.C. Plutarco escreveu que em batalha "ele golpeava com audácia, sem hesitar, mantinha-se firme no seu lugar, fixando um semblante ousado nos seus inimigos…" (pág. 379). Serviu como questor sob o comando do herói da Batalha de Zama (202 a.C.), Cipião Africano, o Velho (236–183 a.C.), em Itália e em África. Foi durante a Segunda Guerra Púnica que se iniciou o desdém de Catão por Cartago. Em 199 a.C. foi edil plebeu; e em 198 a.C. foi destacado como pretor para a Sardenha, onde reprimiu a usura. Tornou-se cônsul com o seu antigo mentor, Lúcio Valério Flaco, em 195 a.C., ano em que se opôs, sem sucesso, à revogação da Lei Ópia (Lex Oppia), que limitava não só a riqueza de uma mulher, mas também a sua ostentação. Reprimiu uma rebelião na Hispânia, expandindo o controlo romano e organizando a exploração das minas de ouro e prata.
No final da sua carreira militar, serviu como tribuno militar (há quem diga legado) na Batalha das Termópilas em 191 a.C. contra Antíoco III (reinou 223–187 a.C.), governante do Império Selêucida. De acordo com Philip Matyszak na sua obra A Grécia Contra Roma: O Conflito que Criou um Império (tít. original: Greece Against Rome), tanto os selêucidas como os romanos estavam bem cientes da derrota de Leónidas e dos 300 espartanos nas Termópilas em 480 a.C. E ambos conheciam igualmente o famoso desfiladeiro. Sabendo disto, Antíoco posicionou uma guarnição etólia para guardar a passagem que permitira ao exército persa de Xerxes I atacar Leónidas pela retaguarda. Os romanos contra-atacaram, enviando uma coluna para atacar a guarnição enquanto outra a contornava. Esta segunda coluna era liderada por Catão, que "passou um mau bocado" e quase se perdeu. Quando os romanos, sob o comando de Marco Glabrião, finalmente atacaram a guarnição, o som da batalha guiou Catão e as suas forças para atacarem a retaguarda selêucida. A batalha terminou com os romanos a registarem uma perda de apenas 200 homens.
O Censor
Catão teve os seus detratores ao longo de toda a sua carreira. Anthony Everitt, na sua obra The Rise of Rome (A Ascensão de Roma), escreveu que uma "nova geração de políticos (novus homo) surgiu após o fim das guerras com Cartago, dos quais o mais capaz, mas também o mais antipático, foi Marco Pórcio Catão" (pág. 296). Adrian Goldsworthy, em Fall of Carthage (A Queda de Cartago), afirmou que estes novos homens "tinham eles próprios tendência a exagerar os obstáculos que tinham superado para engrandecer as suas próprias conquistas" (pág. 41). A impopularidade de Catão tornou-se mais visível quando, em 184 a.C., serviu como censor ao lado de Flaco. O censor era habitualmente um ex-cônsul e podia exercer o cargo até 18 meses. As suas principais funções incluíam a revisão das listas de cidadãos e a avaliação dos seus bens e da sua moralidade. Também supervisionavam a lista do Senado Romano, expulsando qualquer pessoa sob suspeita de comportamento impróprio – um senador foi expulso por abraçar a esposa em público. Para desencorajar o estilo de vida luxuoso, Catão impôs impostos punitivos sobre roupas caras, carruagens, ornamentos femininos e mobiliário.
O Orador e o Defensor das Virtudes Romanas
Segundo Plutarco, Catão possuía solidez e profundidade de caráter. Era admirado por aqueles que o rodeavam porque, enquanto outros romanos sucumbiam a influências externas e a "costumes mistos", Catão resistia. Era considerado alguém "capaz de cultivar os velhos hábitos… ou de se comprazer com roupas modestas e alojamentos simples, ou capaz de focar as suas ambições mais em abdicar dos luxos do que em possuí-los" (pág. 381). Mais conhecido e respeitado pela sua eloquência oratória, dizia-se que era cortês e agradável, mas formidável e avassalador. A sua eloquência perante o Senado valeu-lhe a alcunha de o Demóstenes Romano.
De acordo com Josiah Osgood na sua obra Ódio Incomum: Catão, Cícero e o Fim da República Romana (tít. original: Uncommon Wrath), Catão "defendeu os valores tradicionais romanos do trabalho árduo, da austeridade e da disposição para fazer qualquer sacrifício pelo bem público; e atacou senadores nobres por não estarem à altura desses valores" (pág. 23). Goldsworthy escreveu que, ao longo da sua carreira, "Catão apresentou-se como um defensor da moral e da virtude tradicionais romanas contra a influência corruptora da cultura estrangeira e, especialmente, da grega" (pág. 324).
As Obras
Além do seu papel como político, Catão, o Velho, foi também autor, escrevendo a primeira obra histórica em latim. Os sete livros de Origines (Origens) abordavam Roma no período monárquico, embora evitassem a República primitiva. Em Origines, Catão sustentava que o serviço ao Estado era mais importante do que o indivíduo. Uma segunda obra – a única que sobreviveu intacta – foi Tratado da Agricultura (tít. original De agri cultura). Para Catão, o comércio era mais lucrativo do que a agricultura, mas demasiado arriscado, enquanto a atividade bancária era mais desonrosa. Nela, Catão afirmava que "o cidadão com o seu arado e no campo de batalha com a espada e a lança, representava tudo o que de melhor havia em Roma" (Everitt, pág. 296).
Apesar de falar grego fluentemente, na sua obra Ad filium (título completo: Libri ad Marcum filium; Livros para o seu filho Marco), expressou o seu desprezo por tudo o que era grego, chamando-lhes uma "raça vil e corruptora". Catão atacou a influência corruptora da cultura grega, nomeadamente a literatura e a filosofia grega, no comportamento e na moral tradicionais romanas. Embora admirasse o antigo filósofo grego Sócrates (cerca de 470/469–399 a.c.) por ter vivido uma vida temperada e satisfeita, chamou-lhe um "tagarela terrível".
Um dos principais alvos políticos de Catão foi o comandante e herói romano Públio Cornélio Cipião Africano, o Velho, sob o comando de quem Catão servira como questor. Durante o seu tempo como questor, Catão acusou Cipião de indulgências pessoais e de pagar em demasia às suas tropas, dinheiro que Catão afirmava ser gasto por eles em luxos. O apreço de Cipião pela cultura e pela língua gregas fez com que, segundo Everitt, Catão dedicasse grande parte do seu tempo a tentar desacreditá-lo. Após regressarem da sua bem-sucedida batalha contra Antíoco III, Cipião e o seu irmão Lúcio foram acusados de fraude. Recusando-se a enfrentar as alegações, Cipião retirou-se de Roma e recolheu-se na sua villa.
Apesar do seu desprezo pelos gregos, Catão continuava a reconhecer a ligação romana a Eneias e à Guerra de Troia. Everitt escreveu que, para Catão, "havia algo de imperdoavelmente grego na sofisticação e na indulgência pessoal da vida na cidade" (pág. 296). Mas Mary Beard, na sua obra SPQR - Uma História da Roma Antiga (tít. original: SPQR), escreveu que a ideia de Catão sobre "os valores tradicionais e pragmáticos de Roma era tanto uma invenção da sua própria época como uma defesa de uma tradição romana de longa data" (pág. 268). O sentido de austeridade romano foi o produto de um choque cultural num período de expansão.
Cartago Deve Ser Destruída
Após a Segunda Guerra Púnica e a derrota e exílio de Aníbal (247–183 a.C.), Cartago começou a recuperar a sua força económica, ao mesmo tempo que se mantinha em conformidade com o tratado de paz assinado com Roma. Por volta de 153 a.C., Catão, já na casa dos oitenta anos, serviu como um dos representantes destacados para arbitrar uma disputa entre Cartago e o rei numida Masinissa (reinou 202–148 a.C.). Catão ficou cautelosamente impressionado com a crescente riqueza da cidade e com o seu incremento económico. Ao regressar a Roma, Catão deixou um aviso: "Carthago delenda est" ("Cartago deve ser destruída"). Plutarco escreveu que Catão encontrou Cartago "bem provida de homens, cheia de riquezas e de toda a espécie de armas e munições" (pág. 396). Ele acreditava que Roma devia vigiar atentamente Cartago ou, caso contrário, cairia ela própria em perigo.
Os numidas, sob o comando do seu envelhecido rei, continuaram a invadir o território cartaginês – supostamente para reclamar terras anteriormente apreendidas. Os apelos a Roma ficaram sem resolução. Finalmente, Cartago levantou-se e enviou forças contra Masinissa, apenas para ir ao encontro do desastre. Este ataque constituiu uma violação das ordens romanas de que a cidade não se envolvesse em nenhuma ação militar. Reagindo ao aviso de Catão, em 149 a.C., foi enviado um exército romano para Cartago. A cidade submeteu-se, entregando 300 reféns e armas, mas quando Roma exigiu que reconstruíssem a sua cidade mais para o interior, a 16 km (10 milhas) de distância do mar – algo que destruiria a sua capacidade de comerciar –, a cidade resistiu.
Para pôr fim à Terceira Guerra Púnica, Roma enviou forças sob o comando do cônsul e comandante Públio Cornélio Cipião (neto adotivo de Cipião Africano) e, em 146 a.C., Cartago rendeu-se; a cidade foi arrasada e o Norte de África tornou-se uma província de Roma. Para muitos, Roma não tinha qualquer justificação para a guerra ou para a aniquilação da cidade. Plutarco escreveu que "Catão, dizem, instigou a terceira e última guerra contra os cartagineses, mas mal a referida guerra começou, ele morreu" (pág. 397).

