Viagens de Paulo e o Comércio no Mediterrâneo

Patrick Scott Smith, M. A.
por , traduzido por Filipa Oliveira
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O comércio no Mediterrâneo cresceu exponencialmente na virada do primeiro milénio. No auge do Império Romano mercadorias de todos os tipos era transportadas em todas as direções. Como um viajante comum, Paulo viajava a bordo das embarcações mercantes e pesquisar a parte marítima das suas viagens no Novo Testamento pode lançar luz sobre os padrões gerais do comércio nas áreas do Mar Mediterrâneo.

Exotic Animal Transportation, Villa del Casale
Transporte de Animais Exóticos, Villa del Casale Unknown Artist (Public Domain)

O Comércio na Virada do Milénio

Com a expansão da República Romana nos últimos séculos do milénio anterior a Cristo, que conquistou as nações costeiras na região circundante do Mediterrâneo — incluindo áreas da Europa, Noroeste da África e Anatólia —, o Mar Mediterrâneo tornou-se o que os romanos chamavam de Mare Nostrum, "nosso mar". Quando Roma finalmente conquistou a Síria, a Fenícia e o Egito, na época de Paulo, o Apóstolo, o controlo romano já era completo. Roma tornou-se o principal mercado para produtos agrícolas, materiais e bens manufaturados, que, como resultado, circulavam principalmente do Leste para o Oeste. À medida que o Império Romano crescia, seguido pela colonização e urbanização das províncias orientais, a metade oriental do império começou a desenvolver um grau de autonomia comercial que criou uma rede interativa de atividades.

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À medida que as províncias romanas orientais começavam a imitar Roma na sua estrutura e gosto, a procura pelos mesmos bens aumentava.

Por volta do ano 200 a.C., as mercadorias do Oriente eram transportadas pela Mesopotâmia até ao Levante e à Anatólia por rotas terrestres da Índia e por rotas marítimas subindo o Golfo Pérsico, de onde eram levadas de camelo até a Selêucia, perto da presente Bagdade (Bagdá). Outra rota na rede comercial oriental da Roma antiga era a de embarcações que navegavam dos portos do noroeste da Índia para Alexandria através do Mar Vermelho. No entanto, no início do período de Augusto, com o controlo eventual de Roma sobre a Arábia e o Mar Vermelho, houve um dramático aumento na movimentação de bens orientais para o oeste em direção a Roma, incluindo sedas, algodões decorados, conchas, carapaça de tartaruga, coral, marfim, nardo, aloe, incenso, mirra, e especiarias como a pimenta, a canela e a cássia.

Para somar ao consumo de Roma, com 300.000 veteranos do exército romano a necessitar de terras, Augusto (reinou 27 a.C. a 14 d.C.) estabeleceu 75 colónias por todo o império. De acordo com Nigel Rodgers, "Todas estas pequenas cidades — geralmente com cerca de 2.000 veteranos, que talvez se tornassem uma cidade de 10-15.000 — ajudaram na urbanização e romanização do império" (pág. 87). Além disso, à medida que as províncias romanas orientais começaram a espelhar a estrutura e o gosto de Roma, aumentou a procura pelos mesmos produtos. Portanto, estes bens começaram a viajar não apenas para o oeste, para Roma, como também fabricados e comercializados em todas as direções. Foi neste ambiente comercial que ocorreram as viagens de Paulo, o Apóstolo.

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Mercadorias Orientais Transportadas para o Oeste em Direção à Anatólia

Dos estimados 16.000 km (10.000 milhas) que Paulo percorreu durante as suas viagens, a parte marítima da sua primeira jornada em “Livro dos Atos dos Apóstolos” 13:1-13 foi efectuada em duas partes: a primeira de Antioquia para o Chipre; e a seguir para Perge, na Anatólia (atual Turquia). Eventualmente, rivalizando com Alexandria, Antioquia beneficiou da sua localização como o local final ocidental da Rota da Seda e da proximidade com a Anatólia, a Grécia e a Itália.

Anexada por Pompeu, o Grande, em 64 a.C. e transformada em capital provincial romana da Síria, Antioquia, por estar localizada no rio Orontes e na beira de uma grande e fértil planície, comunicava comercialmente com o porto de Selêucia 24 km (15 milhas) rio abaixo, no Mediterrâneo. Com uma população estimada em 250.000, Antioquia era uma das principais cidades do Oriente, junto com Alexandria e Constantinopla. Além da cidade produzir em grandes quantidades vinho e azeite e ser um centro para a batanagem de produtos têxteis, provavelmente, atuava, também, como um centro de distribuição da seda da China, lápis-lazúli do Afeganistão, corantes do Levante e seda tecida de Damasco.

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Paul the Apostle's First Missionary Journey (c. 46-48 CE)
Primeira Viagem Missionária do Apóstolo Paulo (c. 46-48 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

O Chipre, por outro lado, com uma localização proeminente no extremo leste do Mediterrâneo, igualmente, era conhecido pela produção de vinho e azeite. Um cenário provável para o comércio seria uma combinação de mercadorias orientais embarcadas junto com os produtos refinados e agrícolas acumulados em Antioquia, com uma escala no Chipre para distribuição parcial, enquanto produtos seriam acrescidos para a distribuição final na Anatólia.

Mercadorias Transportadas para o Leste a Partir da Grécia

Na segunda viagem de Paulo (idem 15-18), depois de viajar por toda a Anatólia e Grécia, parte do porto de Cencréia, em Corinto, na Grécia, para Éfeso e depois navegando para Cesareia Marítima. Uma das maiores cidades da Grécia, Corinto foi um movimentado centro de comércio, com acesso terrestre ao Peloponeso, dominava o comércio no Golfo Sarônico a leste e no Golfo de Corinto a oeste. Através destas águas, com acesso aos mares Adriático e Egeu, Corinto pode ter exportado, em certa medida, os seus próprios produtos de perfumaria e têxteis. Quanto às suas habilidades e exportações do fabrico de bronze:

O bronze de Corinto era altamente valorizado por sua cor, e a indústria metalúrgica de Corinto era altamente respeitada... Ateneu (5.199e) refere-se a duas famosas taças de Corinto com capacidades de mais de 360 litros cada, com figuras sentadas na borda e figuras em relevo em cima e no corpo da taça.

(Mattusch, págs. 433-34)

Plínio, o Velho (23-79 d.C.) afirma que o bronze de Corinto, em relação à sua utilidade, era mais valioso do que a prata e quase tão valioso quanto o ouro, e era "o padrão de valor monetário". Declara ainda que era tão celebrado na antiguidade que havia uma "mania" pela sua posse e relata como Gegania, uma senhora rica, pagou 50.000 sestércios por um candelabro de Corinto (34.1, 3, 6). Embora se "tivesse produzido bronze e a de ferro na área do Fórum em Corinto do século VI a.C. ao século XII d.C.", até agora, foram somente encontradas pequenas quantidades de bronze de Corinto por todo o continente grego e na Macedônia (Mattusch, pág. 434). No entanto, como o bronze pode ser remodelado e reutilizado, o volume das descobertas pode não representar a produção total.

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Paul the Apostle's Second Missionary Journey (c. 49-52 CE)
Segunda Viagem Missionária do Apóstolo Paulo (c. 49-52 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Outros dois produtos de Corinto que provavelmente foram produzidos para exportação mais ampla foram a pedra e as telhas para telhado; tendo sido encontrada uma instalação conhecida como a Fábrica de Telhas não muito longe do centro de Corinto, e o uso significativo da pedra e das telhas de Corinto é evidente na construção dos templos do século IV em Epidauro e Delfos. Além disso, Corinto era famoso pela exportação de cerâmica com uma variedade significativa no Mediterrâneo;

A esmagadora preponderância de vasos de Corinto no Norte da África, na Sicília e na Itália até ao Estreito de Messina demonstra que foi feito um esforço consciente para estabelecer e manter um mercado dos vasos de Corinto nestas áreas.

(Salmon, pág. 140)

Embora em menor volume, a cerâmica de Corinto também foi encontrada em ilhas no Egeu, em sepulturas e no santuário de Hera em Delos; na costa ocidental da Ásia Menor; e no interior, como em Sardes. A cerâmica de Corinto também foi encontrada em colónias gregas no Mar Negro, e em locais não gregos na costa sul da Ásia Menor e no Levante.

Os dois principais portos no Istmo de Corinto eram Lequeu e Cencréia: Lequeu era o porto para as mercadorias de Corinto que iam para o oeste, e Cencréia (o porto de onde Paulo partiu) para as que se dirigiam para o leste. No entanto, apesar do seu significativo passado comercial, após as debilitantes guerras de Corinto-Córcira, a Guerra do Peloponeso e as Guerras de Corinto, a cidade foi finalmente destruída pelos romanos em 146 a.C.. Mas, quando Júlio César (100-44 a.C.) a reconstruiu, provavelmente, retomou a produção de alguns dos produtos com os quais estava familiarizada e os exportou para lugares como Éfeso e Cesareia.

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Constante Abastecimento e os Metais da Anatólia

Como parte do seu itinerário marítimo na sua terceira viagem no “Livro dos Atos dos Apóstolos” 18-21, e tal como fez para chegar à Grécia na segunda viagem, Paulo regressa à Anatólia usando a rota de Trôade/Filipos, o que era uma viagem bastante comum. Trôade, uma cidade portuária no lado oriental do Egeu, era conhecida pela sua localização, que ligava a Ásia à Europa. Filipos, no lado oeste do Egeu, era uma colónia romana cuja estação na Via Egnatia, uma importante estrada romana, a ligava ao Dardanelos e ao Adriático. A proximidade um do outro no alto Egeu tornava a atividade marítima entre os dois um desenvolvimento natural.

Depois de Trôade, a parte marítima da sua viagem de regresso a casa começa com uma viagem para o sudeste de Assos para Mitilene, depois para Mileto. Mitilene era a principal cidade portuária da ilha de Lesbos, enquanto Mileto era um importante porto jônico que servia a Éfeso. O comércio entre os dois distritos provavelmente envolvia cargas mais pesadas, pois a viagem de Mitilene a Mileto levava três dias, envolvendo duas escalas. "E, navegando dali, chegamos no dia seguinte em frente a Quios; e no dia seguinte passamos por Samos; e no dia seguinte, chegamos a Mileto." (idem 20:14-15).

Paul the Apostle's Third Missionary Journey (c. 53-57 CE)
Terceira Viagem Missionária do Apóstolo Paulo (c. 53-57 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

De Mileto, navegam para o porto lício de Patara, com paradas em Cós e Rodes, presumivelmente para descarregar ou carregar carga. O fato de a viagem de Mileto a Patara, um centro comercial para a Anatólia, ter sido mais longa com duas paragens, indica a importância de Mileto para o comércio marítimo na região. Em Patara, embarcam noutra embarcação para a rota mais longa e sem paragens para o sul em direção a Tiro, onde descarregou a carga. Embora o destino de Paulo fosse Cesareia, as paragens primeiro em Tiro e depois em Ptolemaida, revelam que o itinerário foi determinado pela programação das embarcações de um porto para o próximo. Sídon (Sidom), Tiro, Ptolemaida e Cesareia eram cidades geograficamente próximas na costa fenícia. Assim, enquanto a viagem de Paulo ao longo da costa da Anatólia reflete um nível surpreendente de atividade regional e inter-regional, as paragens ao longo da costa fenícia revelam um abastecimento sequencial similar.

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A Anatólia era um produtor significativo de cobre e possivelmente estanho, elementos essenciais na produção do bronze.

Finalmente, em relação à carga de Patara, a evidência para a produção tradicional de produtos agrícolas e pecuária na Anatólia remonta aos primeiros séculos do 2.º milénio a.C. durante o período Kārum. O outro recurso principal do planalto da Anatólia eram os metais. Com evidências de produção de metal que remontam aos períodos Neolítico e Calcolítico, "a Anatólia é uma terra abençoada com abundantes recursos naturais, incluindo uma riqueza de depósitos minerais e florestas abundantes, os dois elementos necessários para uma grande indústria metalúrgica" (Muhly, págs. 858-59). Além disso, enquanto a produção de cobre, ouro, prata, ferro e chumbo da Anatólia foi documentada por Plínio e Estrabão (cerca de 63 a.C. a 24 d.C.), as pesquisas modernas confirmam que a Anatólia foi, de 3000 a.C. ao período otomano, um significativo produtor de cobre e possivelmente de estanho, elementos essenciais na produção do bronze.

Consequentemente, como a Anatólia era auto-suficiente em termos agrícolas e recebia bens de luxo de Antioquia, e como o apetite agrário do sudeste do Mediterrâneo era satisfeito graças a Alexandria, as mercadorias carregadas em Patara para Tiro e Cesareia eram provavelmente lingotes de metal. No que diz respeito a Tiro, além da produção do seu famoso tecido tingido de púrpura, de acordo com o relato bíblico em 1 Reis 7:13-45, em meados de 900 a.C., Tiro forneceu produtos em bronze, como pilares, capitéis, figuras, pás, bases, e taças para o templo de Salomão. Além disso, como Tiro era conhecido por outros escritores antigos pelos produtos de metal acabados, e "Cesareia tinha uma licença de Roma para cunhar moedas de bronze que eram usadas como meio de troca na economia em rápido desenvolvimento da área", a procura por material para este tipo de produção sugere, novamente, uma carga de metal da Anatólia (Bull, pág. 27).

Cesareia, Sídon e Cereais para Roma

Enquanto que a parte marítima da segunda e terceira viagens de Paulo terminou em Cesareia e a última iniciou-se lá — dos centros comerciais e portos mencionados nas viagens de Paulo, talvez o mais significativo para Roma fosse o de Cesareia. O fato de Flávio Josefo (36-100) a ter chamado de "uma cidade muito grande na Judeia" e o imperador romano Vespasiano (reinou 69-79) e seu filho Tito (reinou 79-81) terem estacionado as suas tropas em Cesareia durante a Grande Revolta Judaica de 66 d.C. também reflete o estatuto da cidade (A Guerra dos Judeus, 3.9.1). Da mesma forma, pesquisar e detalhar a última viagem de Paulo como prisioneiro de Roma no “Livro de Atos dos Apóstolos 27-28” pode esclarecer ainda mais o papel de Cesareia Marítima no comércio do Mediterrâneo.

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Após sua prisão em Jerusalém e encarceramento em Cesareia, Paulo embarcou num navio de Adramítio, na costa noroeste da Anatólia, e seguiu para Mira, na costa sul da Anatólia. Depois de deixar Cesareia, o navio de Adramítio parou em Sídon, uma curta viagem para o norte. Sídon, que antes fornecia embarcações e mercadorias para a Pérsia, também era um importante fabricante de bens de luxo como vidro, corantes e vestimentas bordadas. Além disso, como Cesareia foi construída sobre as ruínas da Torre de Estratão, que foi nomeada em homenagem ao Rei Estratão I (reinou 365-352 a.C.) de Sídon, Estrabão relata que tinha o seu próprio "porto para embarcações" (16.2.27). Localizada no meio das rotas de navegação e do comércio, ao norte de Alexandria e a 120 km entre Gaza e Sídon, a Torre de Estratão reflete a escala da influência comercial de Sídon. Depois de deixar Cesareia, o navio parou em Sídon numa curta viagem para o norte a caminho de Mira, um centro de armazenamento de cereais. Isto indica que provavelmente adicionou os produtos acabados de Sídon à mercadoria que já transportava, possivelmente marfim ou carapaça de tartaruga de África, papiro do Egito, ou especiarias e incenso do Oriente.

Paul the Apostle's Journey to Rome (c. 60-63 CE)
Viagem do Apóstolo Paulo a Roma (c. 60-63 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em Mira, Paulo e os seus companheiros prisioneiros seriam transferidos para uma embarcação alexandrina, carregada de cereais, com destino a Roma. Como Mira compartilhava a mesma costa egeia ao sul das grandes cidades de Éfeso e Esmirna, é natural que estas cidades tenham compartilhado os produtos de Cesareia e Sídon. O fato de Paulo ter desembarcado desta embarcação em Mira para embarcar na embarcação alexandrina indica que a embarcação de Adramítio não carregava cereais para Roma, já que era para lá que Paulo ía e teria permanecido a bordo. Uma vez que Cesareia já estava adequadamente abastecida de cereais, também não necessitava de os carregar na viagem de regresso a Cesareia, contudo, pode ter, com um porão vazio, regressado para reiniciar o mesmo circuito ou outro semelhante.

O embarque de Paulo em Mira numa embacação alexandrina carregada de cereais e prisioneiros com destino à Itália pode indicar que Mira fazia parte do seu itinerário. Ou seja, primeiro descarregavam parte da carga em Mira para abrir espaço para os prisioneiros que transportaria para Roma. As embarcações alexandrinas eram conhecidas como os cargueiros gigantes da época. Um deles, o Ísis, conforme descrito por Luciano, tinha um comprimento de 55 metros (180 pés), 14 metros (45 pés) de largura; com uma profundidade do porão de carga de 13,5 metros (44 pés), podendo transportar 1200 toneladas de produtos. Deste modo, refletindo o amplo uso do porto, após o naufrágio da embarcação alexandrina de Mira na ilha de Malta, a companhia de Paulo embarcaria noutra embarcação alexandrina que tinha estado ancorrada em Malta, a qual, com o advento da primavera, seguiria para Roma.

Conclusão

À medida que Paulo viajava a bordo de embarcações de carga que realizavam transações comerciais por todo o Mediterrâneo, as suas jornadas fornecem um vislumbre de uma robusta rede interativa de atividade comercial. Desde a sua primeira viagem marítima de Antioquia, vemos a possibilidade de um apetite crescente por bens do Extremo Oriente, juntamente com produtos agrícolas e refinados regionais dirigindo-se para o oeste em direção à Anatólia. Em seguida, vemos produtos refinados irem do leste de Corinto para Éfeso depois de atravessar a rota marítima de Trôade/Filipos, que ligava a Ásia à Europa na sua segunda viagem. Então, ao regressar de novo da Grécia, no seu itinerário seguinte, enquanto navega para o leste ao longo da costa sudoeste da Anatólia, a viagem é tipicamente pontuada por várias paragens comerciais antes de chegar a Patara. Em Patara, Paulo embarca numa embarcação provavelmente carregada de metais indo para o sul, para Tiro e Cesareia; o fato de ter havido descarrega de carga na costa fenícia para distribuição no leste do Mediterrâneo mostra que o fluxo comercial não se limitava a bens orientais, africanos e egípcios movendo-se para o norte e oeste.

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Finalmente, enquanto os navios alexandrinos carregados de cereais para Roma refletem o consumo e a atração contínua de mercadorias por Roma, a última viagem de Paulo revela várias coisas sobre Cesareia e o comércio no mundo romano. O fato de Cesareia, servindo um duplo papel como posto militar e centro comercial, ter sido o lugar onde Paulo foi mantido prisioneiro e de onde ele partiria para Roma, em si, revela que o porto era um importante meio para o transporte marítimo. Além disso, o fato de ter embarcado numa embarcação mercante planeando uma escala em Sídon para adicionar bens de luxo para a Anatólia revela a diversidade dos serviços de Cesareia e a cooperação comercial com os interesses vizinhos. Consequentemente, enquanto Cesareia estava ativamente enviando e recebendo mercadorias da Anatólia e participava de uma ampla rede de comércio que beneficiava Roma, as viagens de Paulo confirmam uma crescente procura inter-regional e exportação de produtos que se moviam cada vez mais em todas as direções pelo Mediterrâneo.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Patrick Scott Smith, M. A.
Patrick Smith, M.A., apresentou pesquisas para as Escolas Americanas de Pesquisa Oriental e a Academia de Ciências do Missouri. Como redator da Associação para o Estudo Científico da Religião, ele ganhou o Prêmio Frank Forwood de 2015 por Excelência em Pesquisa.

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A., P. S. S. M. (2025, outubro 29). Viagens de Paulo e o Comércio no Mediterrâneo. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2588/viagens-de-paulo-e-o-comercio-no-mediterraneo/

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A., Patrick Scott Smith, M.. "Viagens de Paulo e o Comércio no Mediterrâneo." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 29, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2588/viagens-de-paulo-e-o-comercio-no-mediterraneo/.

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A., Patrick Scott Smith, M.. "Viagens de Paulo e o Comércio no Mediterrâneo." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 29 out 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2588/viagens-de-paulo-e-o-comercio-no-mediterraneo/.

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