Viagens de Paulo, o Apóstolo

Patrick Scott Smith, M. A.
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations
Versão Áudio Imprimir PDF

As viagens de Paulo, o Apóstolo, conforme o Novo Testamento relatada no ‘Livro de Atos dos Apóstolos’, começaram com a sua experiência de conversão no caminho para Damasco. Depois disso, em vez de tentar impedir o crescente movimento cristão, ajudou a espalhá-lo. As suas quatro viagens por terra e mar, que percorreram grandes distâncias pelo Mediterrâneo e vastas extensões de terra na Ásia e na Europa, totalizaram uma estimativa de mais de 16.000 km (10.000 milhas).

Map of the Journeys of Paul the Apostle, c. 46-63 CE
Viagens de Paulo, o Apóstolo, c. 46-63 d.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A Primeira Viagem Missionária de Paulo

Após a perseguição em Jerusalém, um dos lugares para onde os cristãos fugiram foi para Antioquia, e foi de lá que Paulo começou a primeira viagem missionária. Anexada por Pompeu, o Grande, em 64 a.C. e transformada em capital provincial romana da Síria, com uma população estimada em 250.000, Antioquia era uma das principais cidades do Oriente, junto com Alexandria e Constantinopla. Localizada no extremo nordeste do Mediterrâneo, na Estrada Real Persa, beneficiou da localização como ponto final da Rota da Seda e da sua proximidade com a Grécia, a Anatólia e a Itália. Como A. H. M. Jones et al. mencionam, a riqueza "derivou de ser um centro de administração civil, militar e, mais tarde, eclesiástica de grande parte do Oriente Próximo, mas também da sua posição na estrada comercial da Ásia para o Mediterrâneo" (pág. 103).

Remover publicidades
Publicidade
Como os viajantes comuns andavam à boleia nas embarcações mercantes, a parte marítima das viagens de Paulo foi a bordo de embacações de carga que realizavam transações comerciais.

Além da sua própria produção de vinho e azeite, Antioquia era um centro para a batanagem de tecidos, recebia produtos como a seda da China, o lápis-lazúli do Afeganistão, os corantes do Levante e a seda tecida de Damasco, e de distribuição por toda a área do norte do Mediterrâneo. Localizada no rio Orontes e na beira de uma planície fértil, comunicava comercialmente com o porto de Selêucia 26 km (16 milhas) por rio mais abaixo, no Mediterrâneo. Como os viajantes comuns na antiguidade andavam à boleia nas embarcações mercantes, a parte marítima das viagem de Paulo foi a bordo duma embarcação de carga que realizava transações comerciais, e assim, Paulo embarcou em Selêucia para a província da Ásia, parando na ilha do Chipre.

Chipre, com uma localização proeminente no extremo leste do Mediterrâneo, também era conhecido pela sua produção de vinho e azeite. Um cenário para o comércio teria sido uma combinação de mercadorias orientais carregadas junto com produtos refinados e agrícolas em Antioquia, depois na escala em Chipre para distribuição parcial, os produtos do Chipre teriam sido embarcados para a distribuição final na Ásia.

Remover publicidades
Publicidade

Com o evangelista Barnabé e o sobrinho de Barnabé, João Marcos, Paulo primeiro desembarcou em Salamina, no extremo leste de Chipre, após deixar a cidade portuária de Selêucia e navegou para o oeste em direção à Ásia. Como em muitas das suas paragens subsequentes, Paulo primeiro visitou a sinagoga local, tentando a conversão dos judeus ao cristianismo. De Salamina, indo para o oeste, caminhando quase a extensão do Chipre, Paulo e Barnabé chegaram a Pafos (onde o procônsul Sérgio Paulo se converte) o ponto de partida para a Ásia.

Paul the Apostle's First Missionary Journey (c. 46-48 CE)
Primeira Viagem Missionária do Apóstolo Paulo (c. 46-48 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Dirigindo-se para a Ásia a partir de Chipre, a embarcação de Paulo parou em Perge na Panfília, no sudoeste da Turquia de hoje. De Perge, João Marcos partiu para Jerusalém, enquanto Paulo e Barnabé seguiram para a Ásia. Na sua primeira paragem em Antioquia da Pisídia, na sinagoga, Paulo pregou a história de Israel enquanto entrelaçava a história de João Batista e Jesus de Nazaré, que se dizia ser descendente de David (ou Davi), como o Salvador ressuscitado, filho de Deus. Embora Paulo e Barnabé inicialmente tenham conseguido converter judeus e gentios, uma facção de judeus opositores expulsou-os da cidade.

Remover publicidades
Publicidade

Em Icónio, com resultados mistos e em tudo similares, ao saberem de uma conspiração para os matar, Paulo seguiu para Listra. Como muitos em Listra eram adoradores de deuses e seus ídolos, Paulo pregou que deveriam deixar de adorar "coisas" para adorar o "Deus vivo" (‘Livro os Atos dos Apóstolos’ 14:15). Quando alguns judeus hostis vieram de Antioquia e os de Icônio, conquistando a multidão, apedrejaram Paulo. Pensando que estava morto, arrastaram-no para os arredores da cidade. Quando alguns irmãos vieram para resgatar o corpo, notavelmente Paulo se recuperou e voltou para a cidade. No dia seguinte, Paulo viajou para leste, para Derbe. Com a missão terminando numa nota mais positiva, pois um grande número se juntou para ouvir a sua mensagem. Decidindo voltar para casa, refazendo os passos por Listra, Icônio e Antioquia, depois de nomear anciãos em cada igreja, os apóstolos seguiram para Perge; a seguir, depois de pregar um pouco, embarcaram para uma curta viagem para o oeste até à cidade portuária de Atália, e de lá navegaram de regresso a Selêucia, e a seguir viajaram pelo Orontes até Antioquia.

A Segunda Viagem Missionária de Paulo

A segunda viagem missionária de Paulo começou com uma rota terrestre. Depois de Paulo e Barnabé voltarem de Jerusalém, onde foi decidido o que era exigido dos gentios convertidos, Barnabé levou João para o Chipre, enquanto Paulo levou Silas para a Ásia. Seguindo para o norte e depois para o oeste através da Síria e Cilícia, fortaleceu as igrejas ao longo do caminho "para permanecerem fiéis à fé" (idem 14:22). Quando visitou Derbe e depois Listra, levou Timóteo, um nativo de Listra, para viajar com eles, talvez, porque a ascendência mista de Timóteo pudesse tornar os evangelistas mais atraentes para os judeus e os gregos.

Em Atenas, alguns estoicos e epicureus vieram debater com Paulo; alguns disseram que era um falador, outros que estava a promover deuses estrangeiros.

Depois de presumivelmente visitar Icônio e Antioquia da Pisídia, Paulo e os seus companheiros viajaram para oeste. Em Trôade, Paulo embarcou com destino a noroeste para desembarcar em Samotrácia. Através de Neápolis, caminhou até à cidade vizinha de Filipos, uma colónia romana na Via Egnatia, uma importante estrada romana que ligava os Dardanelos e o Adriático. Ficando vários dias em Filipos, Paulo fez amizade e ficou com Lídia, uma senhora rica, negociante de pano roxo, cuja família inteira se tornou crente.

Remover publicidades
Publicidade

Passando por Anfípolis e Apolônia, Paulo articulou a fé cristã na sinagoga local em Tessalônica, onde foram conquistados alguns judeus e muitos gregos. Aqueles que se oposeram alegaram que Paulo e Silas estavam semeando a sedição ao desafiar o imperador romano, enquanto defendiam outro rei chamado Jesus Cristo. Consequentemente, um crente chamado Jasão, que hospedou os apóstolos, foi arrastado perante os oficiais da cidade e obrigado a pagar a fiança dos apóstolos. Com aparente perigo para suas vidas, Paulo e os companheiros partiram naquela noite para Bereia. Os apóstolos acharam os bereanos mais receptivos à sua mensagem, mas quando alguns judeus de Tessalônica vieram para se lhes opor, Paulo foi para Atenas, deixando Silas e Timóteo para se reunirem com ele mais tarde.

Paul the Apostle's Second Missionary Journey (c. 49-52 CE)
Segunda Viagem Missionária do Apóstolo Paulo (c. 49-52 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em Atenas, após os habituais esforços iniciais na sinagoga, foi ao mercado para pregar. Alguns estoicos e epicureus vieram debater com ele; alguns disseram que era um falador, outros que estava a promover deuses estrangeiros. Levaram-no para uma reunião no Areópago, onde Paulo propôs que, em vez de venerar objetos feitos à mão, a adoração deveria ser direcionada ao único criador, ubíquo, Deus vivo. Quando expôs a ideia de uma ressurreição, alguns na reunião troçaram. Depois de dias de pregação em Atenas, vendo que fazia poucos progressos, Paulo seguiu para Corinto para pregar lá por um ano e meio. Em Corinto, Paulo fez amizade com Priscila e Áquila, que, com outros judeus, foram expulsos da Itália pelo imperador Cláudio (reinou 41-54 d.C.).

Depois que Silas e Timóteo chegarem a Corinto, Paulo decidiu trabalhar apenas com os judeus. Embora os esforços tenham sido recebidos com oposição, Crispo, o líder da sinagoga, e toda a sua família, juntamente com muitos outros coríntios, foram convertidos e batizados. No entanto, judeus hostis levaram Paulo perante Gálio, o procônsul da Acaia, alegando que estava a violar as leis. Como as alegações não eram abordadas pela lei romana, Gálio dispensou-os. Levando Priscila e Áquila com ele, embarcaram no porto de Cencréia, em Corinto, provavelmente uma embarcação carregada com bens refinados, e seguiram para Éfeso, onde pregou com uma recepção melhor; os membros da sinagoga pediram-lhe para ficar mais tempo. Prometendo que voltaria se fosse a vontade de Deus, deixou Priscila e Áquila a continuar os ensinamentos. De Éfeso, Paulo embarcou numa longa viagem até ao centro de comércio de Cesareia Marítima. De lá, como era seu costume, primeiro visitou Jerusalém, 103 km (65 milhas) a sudeste, antes de seguir para o norte para Antioquia.

Remover publicidades
Publicidade

A Terceira Viagem Missionária de Paulo

Na terceira viagem, Paulo viajou pela Ásia, encorajando e fortalecendo os discípulos, e passou dois anos evangelizando em Éfeso. Éfeso era o centro de adoração da deusa Ártemis. O grande templo recebia ofertas substanciais, e uma religião concorrente poderia subtrair as ofertas. Além disso, ‘Livro os Atos dos Apóstolos’ 19:23-27 revela que havia uma grande procura pelos santuários de prata de Ártemis - presumivelmente para casas e locais de reunião. Demétrio, um ourives e o principal construtor dos santuários, incitou os seus colegas de trabalho contra Paulo, provavelmente porque a pregação de Paulo contra a adoração de ídolos representava uma ameaça real para os negócios. Além disso, Demétrio também explicou que a honra e o lugar de Ártemis bem como o seu templo estavam ameaçados. Furiosos, começaram a gritar: "Grande é Ártemis dos Efésios!" Circulando pela cidade, a demonstração avolumou-se quando agarraram dois dos companheiros de viagem de Paulo da Macedónia e entraram no Grande Teatro, ainda gritando. Querendo dirigir-se à multidão, Paulo foi contido pelos seus discípulos. Então, quando Alexandre, um líder judeu com prestígio, tentou acalmar a multidão, foi silenciado. Somente quando um escrivão da cidade falou, insinuando punição de Roma por tumultos, a multidão ouviu. No entanto, depois que a multidão se ter dispersado, os discípulos sabiam que a vida de Paulo ainda estava em perigo, pelo que partiu rapidamente para começar as últimas etapas de sua missão final.

Paul the Apostle's Third Missionary Journey (c. 53-57 CE)
Terceira Viagem Missionária do Apóstolo Paulo (c. 53-57 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

De Éfeso, Paulo provavelmente apanhou a rota marítima de Trôade/Filipos, encontrou os irmãos da Macedónia, dirigiu-lhe palavras de encorajamento e depois seguiu para a Acaia. Quando estava prestes a navegar para casa para a Síria por causa de um conspiração contra si, decidiu voltar pela Macedónia. Com sete companheiros de viagem da província da Ásia (oeste da Anatólia), Bereia, Tessalônica, Derbe, incluindo Timóteo de Listra, foram para Trôade para esperar por Paulo e Silas, que os alcançariam após a Festa dos Pães Asmos.

Na sua viagem de regresso pelo alto Egeu, Paulo ficou por sete dias em Trôade. Como ‘Livro de Atos dos Apóstolos’ 20:7-12 relata, na noite anterior à sua partida, os irmãos reuniram-se no andar superior para o ouvir falar. A reunião deve ter sido considerável; muitos queriam vê-lo antes que partisse. Num salão de três andares, Paulo falou mais do que o habitual, até a meia-noite. Sendo a época de navegação do ano, provavelmente era final da primavera ou verão. Por causa do calor com tantos corpos amontoados no andar superior ou dos vapores das lâmpadas, um jovem sentado num parapeito da janela adormeceu. Quando caiu três andares para o que todos pensaram ser sua morte, Paulo pegou-o em seus braços e, para grande conforto dos irmãos, anunciou que estava vivo. Com sua missão final terminando, Paulo conversou com os irmãos até a manhã antes de partir para Jerusalém. De Trôade, decidindo caminhar por terra, Paulo enviou os outros de navio para Assos, onde se reuniriam depois.

Remover publicidades
Publicidade

Típico da atividade comercial, com muitas paragens para descarregar e carregar mercadorias, a viagem de Paulo de volta para o leste envolveu várias viagens ao longo do caminho. De Assos, navegariam para Mitilene. A viagem de Mitilene para Mileto levou três dias, com duas paragens em Quios e Samos. Chegando em Mileto, um importante porto jônico que servia Éfeso, com uma aparente escala, Paulo teve tempo para que os anciãos de Éfeso o visitassem. A viagem para o porto lício de Patara, um centro comercial para a Anatólia, envolveu duas escalas ao longo do caminho, em Cós e Rodes. Em Patara, Paulo embarcou noutro barco para a rota mais longa e sem paradas para Tiro. Enquanto o ponto habitual de desembarque para Jerusalém era Cesareia, o navio de Paulo parou em Tiro "para descarregar a carga" (idem 21:3). Paulo ficou uma semana com os irmãos em Tiro e depois navegou para Ptolemaida, onde ficou um dia. Em Ptolemaida, Paulo embarcou para Cesareia, a paragem final por via marítima na sua última viagem missionária.

Apesar dos perigos que o aguardavam em Jerusalém e dos avisos dos irmãos em Tiro, Paulo foi fazer o relatório habitual aos anciãos e ao apóstolo Tiago. Depois, participando do templo para um rito de purificação, foi agarrado por alguns judeus da província da Ásia, acusando-o de sedição. Então, quando se seguiu um tumulto em torno do incidente, Paulo foi preso pelo comandante romano e mantido no quartel romano. Querendo ouvir as acusações contra Paulo, o comandante levou-o perante o Sinédrio e dos principais sacerdotes. Enquanto alguns fariseus acreditavam que era inocente, outros planeavam matá-lo. Quando a conspiração foi descoberta, um regimento de infantaria e cavalaria levou Paulo para Antipátride e depois para Cesareia. Em Cesareia, com audiências perante Félix, o governador romano, depois Festo, seu sucessor, Paulo foi acusado pelos sumos sacerdotes como "líder da seita nazarena" de iniciar tumultos e profanar o templo (ibid. 24:5). Foi mantido prisioneiro por Félix por dois anos, sem prova das acusações, quando chegou Festo, pediu que o seu caso fosse julgado em Roma.

Paul the Apostle's Journey to Rome (c. 60-63 CE)
Viagem do Apóstolo Paulo a Roma (c. 60-63 d.C.) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A Última Viagem de Paulo

Tal como as viagens missionárias, a viagem de Paulo para Roma não seria tranquila. Estava-se fim do outono, e o tráfego marítmo estava a ficar lento no Mediterrâneo por causa das tempestades de inverno. No entanto, um proprietário naval, indo além, ordenou que uma embarcação fosse carregada e preparada para navegar. Além da carga, havia prisioneiros e soldados sob o comando de Júlio, um centurião. Um destes prisioneiros era Paulo.

Remover publicidades
Publicidade

Depois de deixar Cesareia para Mira, um centro de armazenamento de cereais, pararam na costa em Sídon (Sidom) para carregar mais mercadorias. Deixando Sídon, navegam para o norte, mas desta vez, ao aproximarem-se do canto nordeste do mar, em vez de virar para o oeste com facilidade, como faria durante os meses mais quentes, a embarcação foi açoitada por fortes ventos de noroeste, exigindo que acosta-se pelo lado do sotavento da ilha do Chipre. Continuando para o oeste, com dificuldade, finalmente chegou a Mira. Encontrando uma embarcação de cereais egípcio com destino à Itália, Júlio transferiu os prisioneiros. Avançando lentamente para o oeste em direção à Europa, enquanto costeava a Ásia, o navio foi atingido por ventos ainda mais fortes. Como o ‘Livro de Atos dos Apóstolos’ 27:7 relata, isto forçou o piloto a virar para o sul para o lado do sotavento de Creta. Aproximando-se da ilha pelo leste, chegaram à baía de Bons Portos. No lado sudeste da ilha, ofereceria cobertura, mas com o Vale de Messara, mais baixo, ao norte da baía, o abrigo dos ventos de noroeste não era grande. Bons Portos não era o lugar ideal para passar o inverno, e a apenas 12 milhas a oeste ficava a baía de Fénix à sombra da cordilheira da Montanha Branca, oferecendo maior proteção contra os ventos.

Raro para aquela época do ano, chegou uma brisa quente da África. Apanhar a brisa suave do sul para a baía de Fénix era tentador. Paulo opôs-se, mas o capitão e o proprietário convenceram o centurião. Enquanto navegavam para o oeste ao longo da costa cretense, de repente, sem aviso, foram atingidos por fortes ventos e ondas semelhantes a furacões de nordeste. Tentando resistir à tempestade, desfraldaram a vela principal e soltaram a âncora da proa para enfrentar o olho da tempestade. Mas o vento era tão forte e as ondas tão grandes que a corda da âncora apenas acentuava a violência. Assim, vendo que "não podiam enfrentar o vento", levantaram âncora, içaram uma vela de proa e "deixaram-se levar" pela tempestade (idem 27:15). Com medo de que corressem para as areias inextricáveis de Sirtes da África, as soltaram âncoras da popa, para retardar o progresso. Depois de terem reforçaram o casco do navio com cordas no segundo e terceiro dia, jogaram borda fora a carga e o equipamento. Por muitos dias, foram arrastados violentamente. Finalmente, depois de perderem a esperança de vida, na 14.ª noite, os marinheiros suspeitaram que estavam aproximando-se de uma ilha, ao se aproximarem da terra, cortaram as âncoras e seguiram para a costa. De repente, no entanto, com um solavanco, o navio bateu em rochas e começou a partir-se. Júlio ordenou que todos os que pudessem nadar fossem para terra e o resto pegasse pedaços do navio. Salvaram-se todas as 276 almas, e encontravam-se ilha de Malta, que quando terminou o inverno, os habitantes de Malta deram ao contingente de Paulo os suprimentos de que precisavam para zarpar.

Saint Paul Shipwrecked
O Naufrágio de S. Paulo Fr Lawrence Lew, O.P. (CC BY-NC-ND)

Viajando numa embarcação alexandrina que também havia passado o inverno em Malta, o contingente de Paulo navegou primeiro para Siracusa, onde ficaram por três dias, depois navegando e pernoitando em Régio, viajaram mais um dia para chegar à cidade portuária de Puteoli, onde passaram uma semana com os irmãos. Como o porto de Roma (Óstia) ainda não era grande o suficiente para que os navios de cereais de grandes proporções atracassem, Paulo viajou para o norte de Puteoli por terra 240 km (149 mi) na Via Ápia. Depois de uma visita dos irmãos no Fórum de Ápio e nas Três Tavernas, Paulo terminou a última etapa da sua viagem final. Após chegarem a Roma, o Novo Testamento diz que Paulo, embora estivesse em prisão domiciliar, foi capaz de pregar aos judeus (novamente com resultados mistos) e hospedar convidados a quem proclamou a sua mensagem. Finalmente, enquanto alguns sustentam que Paulo foi morto em Roma, alguns escritores da igreja primitiva afirmam que foi libertado e foi para a Espanha. De qualquer forma, é geralmente acordado que Paulo foi logo martirizado pela mensagem que espalhou tão amplamente.

Remover publicidades
Publicidade

Perguntas & Respostas

Quantas viagens fez Paulo na Bíblia?

De acordo com o 'Livro dos Atos dos Apóstolos', o apóstolo Paulo fez quatro viagens por terra e mar pelo Mediterrâneo, Ásia e Europa. Ele viajou cerca de 16.000 km (10.000 milhas).

Quanto tempo duraram as viagens de Paulo?

A primeira viagem missionária de Paulo ocorreu entre 46 e 48 d.C., embarcou na segunda viagem entre 49 e 52 d.C., fez a sua terceira viagem missionária entre 53 e 57 d.C. e, finalmente, viajou para Roma entre 57 e 60 d.C.

Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Patrick Scott Smith, M. A.
Patrick Smith, M.A., apresentou pesquisas para as Escolas Americanas de Pesquisa Oriental e a Academia de Ciências do Missouri. Como redator da Associação para o Estudo Científico da Religião, ele ganhou o Prêmio Frank Forwood de 2015 por Excelência em Pesquisa.

Cite Este Artigo

Estilo APA

A., P. S. S. M. (2025, outubro 26). Viagens de Paulo, o Apóstolo. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2515/viagens-de-paulo-o-apostolo/

Estilo Chicago

A., Patrick Scott Smith, M.. "Viagens de Paulo, o Apóstolo." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 26, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2515/viagens-de-paulo-o-apostolo/.

Estilo MLA

A., Patrick Scott Smith, M.. "Viagens de Paulo, o Apóstolo." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 26 out 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2515/viagens-de-paulo-o-apostolo/.

Remover publicidades