Comércio no Egito Antigo

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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O comércio sempre foi um aspecto vital de qualquer civilização, seja a nível local ou internacional. Por mais bens que se tenha, seja como indivíduo, comunidade ou país, haverá sempre algo que falta e que será necessário adquirir através do comércio com terceiros. O Egito Antigo era um país rico em muitos recursos naturais, mas, ainda assim, não era autossuficiente e, por tal, dependia do comércio para obter os bens necessários e de luxo.

O comércio começou no Período Predinástico do Egito (cerca de 6000 - cerca de 3150 a.C.) e continuou durante o Egito Romano (30 a.C.-646 d.C.). Durante a maior parte de sua história, a economia do Egito antigo funcionava com base no sistema de troca direta, sem dinheiro. Uma economia baseada na troca monetária foi instituída no Egito Antigo em 525 a.C. após a invasão persa; antes disso, o comércio florescia por meio da troca de bens e serviços com base num padrão de valor considerado justo por ambas as partes.

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Ancient Egyptian Weight of One Deben
Peso de um Deb no Egito Antigo Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Os bens e serviços eram avaliados na unidade conhecida como deben. De acordo com o historiador James C. Thompson, o deben "funcionava de maneira muito semelhante ao dólar dos Estados Unidos da América nos dias de hoje, permitindo que os clientes soubessem o preço dos artigos, somente não havia moeda deben " (Economia Egípcia, 1). Um deben era "aproximadamente 90 gramas de cobre; itens muito caros também podiam ser cotados em debens de prata ou ouro, com mudanças proporcionais no valor" (idem). Se um rolo de papiro custasse um deben e um par de sandálias também valesse um deben, o par de sandálias poderia ser trocado de forma justa pelo rolo de papiro. Da mesma forma, se três jarros de cerveja custassem um deben e um dia de trabalho valesse um deben, então seria justo receber três jarros de cerveja pelo trabalho diário.

Do Comércio Local ao Internacional

O comércio começou entre o Alto e o Baixo Egito e entre os diferentes distritos regionais, antes da unificação, por volta de 3150 a.C. Na época da Dinastia I do Egito (cerca de 3150 - cerca de 2890 a.C.), o comércio já estava estabelecido há muito com a Mesopotâmia. Os reis da Dinastia I estabeleceram um governo central forte na capital, Mênfis, e em pouco tempo desenvolveu-se uma burocracia que cuidava dos detalhes da administração do país, incluindo o comércio com as terras vizinhas. Ao longo do último século, uma miríade de académicos estudou, contestou e debateu a influência no desenvolvimento da arte, religião e cultura egípcias por parte da Mesopotâmia, um dos primeiros parceiros comerciais do Egito Antigo. Parece claro, no entanto, que a cultura mesopotâmica anterior — especialmente a suméria — teve um impacto significativo no desenvolvimento da cultura egípcia.

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A arte egípcia primitiva, para citar apenas um exemplo, é prova desta influência. A egiptóloga Margaret Bunson observa que a famosa Paleta de Narmer, da Primeira Dinastia, "com a sua representação de monstros e serpentes de pescoço longo entrelaçadas, tem um estilo distintamente mesopotâmico" (pág. 267). Igualmente, Bunson observa que foram encontrados no Egito cabos das facas e selos cilíndricos da Mesopotâmia, que datam aproximadamente do mesmo período, cujos desenhos foram usados por artesãos egípcios posteriores.

Na época da Dinastia I, já existia comércio internacional com as regiões do Levante, da Líbia e da Núbia. O Egito tinha uma colónia comercial em Canaã, com várias na Síria e ainda mais na Núbia. Os egípcios já construíam barcos de madeira (em vez de papiro), que navegavam regularmente até ao Líbano para buscar cedro. A rota comercial terrestre através do Wadi Hammamat serpenteava ao longo do Nilo até ao Mar Vermelho, com as mercadorias embaladas e amarradas às costas dos burros.

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Um dos centros comerciais mais importantes da Núbia é referido nos textos egípcios como Yam, uma fonte de madeira, marfim e ouro.

Embora muitos destes acordos comerciais tenham sido alcançados por meio de negociações pacíficas, alguns foram estabelecidos por campanhas militares. O terceiro rei da Dinastia I, Djer (cerca de 3050-3000 a.C.), liderou um exército contra a Núbia, o que garantiu valiosos centros comerciais. A Núbia era rica em jazidas de ouro e, na verdade, nome vem da palavra egípcia para ouro, nub. Os reis que se seguiram continuariam a manter uma forte presença egípcia na fronteira para garantir a segurança dos recursos e das rotas comerciais. O último rei da Dinastia II do Egito, Khasekhemwy (cerca de 2890 - cerca de 2670 a.C.), liderou campanhas contra a Núbia para reprimir rebeliões e garantir os centros comerciais, e os seus métodos tornaram-se o padrão para os futuros reis.

Um dos centros comerciais mais importantes da Núbia é referido nos textos egípcios como Yam, durante o Império Antigo (cerca de 2613-2181 a.C.), como uma fonte de madeira, marfim e ouro. Desconhece-se a sua localização exata, contudo acredita-se que tenha sido algures na área de Shendi Reach, no Nilo, no atual Sudão.

Yam continuou a ser um importante centro comercial durante o Império Médio do Egito (2040-1782 a.C.), mas depois desaparece dos registros e é substituído por outro chamado Irem na época do Império Novo (cerca de 1570 - cerca de 1069 a.C.). Durante esta época o comércio prosperou de tal forma que providenciou a riqueza necessária para a construção de monumentos como o Templo de Karnak, os Colossos de Memnon e o templo mortuário de Hatshepsut.

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Hatshepsut organizou a mais conhecida expedição comercial a Punt (atual Somália), que regressou com barcaças carregadas de bens valiosos, incluindo árvores que produziam incenso, contudo o lucro comércial não era novidade; pois já tinha sido este lucro que durante o Império Antigo ajudou a financiar as pirâmides de Gizé e inúmeros outros monumentos. A diferença entre o comércio do Império Antigo e do Império Novo era que o Império Novo estava muito mais interessado em bens de luxo e quanto mais os conheciam mais os desejavam.

Mercadorias Comercializadas

Os tipos de mercadorias comercializadas variavam de região para região. O Egito tinha cereal em abundância e acabaria por ficar conhecido como o "celeiro de Roma" durante o período romano, mas carecia de madeira, metal e outras pedras preciosas necessárias para os amuletos, joias e outros ornamentos. Frequentemente, os reis vizinhos do Egito enviam cartas solicitando o envio de grandes quantidades de ouro, que era extraído por escravos principalmente na Núbia. As viagens à Núbia nem sempre eram fáceis, Yam ficava bem no sul, e uma caravana enfrentava ameaças de bandidos, governantes regionais e do meio ambiente, como enchentes ou tempestades.

Hellenistic Trade Routes, 300 BCE
Rotas Comerciais Helenísticas, 300 a.C. Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA)

As expedições mais bem documentadas a Yam vêm do túmulo de Harkhuf, governador de Elefantina, que fez quatro viagens até Yam durante o reinado de Pepi II (2278-2184 a.C.). Numa das viagens, ele relata que, ao chegar, descobriu que o rei tinha partido para a guerra contra outra região e teve de trazê-lo de volta; ofereceu-lhe muitos presentes luxuosos, a fim de garantir os bens que tinha sido enviado para levar. Na viagem mais famosa de Harkhuf, ele regressa com um anão dançarino, o que deixou o jovem rei tão animado que mandou uma mensagem a Harkhuf dizendo-lhe para manter o anão seguro a qualquer custo e levá-lo logo para o palácio. A carta oficial diz, em parte:

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Venha imediatamente para o norte, para a corte; [...] traga consigo o anão, que trouxe vivo, próspero e saudável da terra dos espíritos, para as danças do deus, para alegrar e regozijar o coração do rei do Alto e Baixo Egito, Neferkare, que vive para sempre. Quando ele descer contigo para o navio, nomeia pessoas excelentes, que ficarão ao lado dele em cada lado do navio; toma cuidado para que não caia à água. Quando dormir à noite, nomeia pessoas excelentes, que dormirão a seu lado na sua tenda, inspecionando-o dez vezes por noite. Minha majestade deseja ver o anão mais do que os presentes do Sinai e de Punt. Se chegares à corte com o anão vivo, próspero e saudável, minha majestade fará por ti uma coisa maior do que aquela que foi feita pelo tesoureiro do deus Burded no tempo de (Djedkare) Isesi, de acordo com o desejo do coração de minha majestade de ver o anão. (Lewis, pág. 36)

O anão dançarino de Pepi II é apenas um exemplo dos bens de luxo do Império Antigo. Ao contrário do que afirmam alguns estudiosos, o comércio no Egito não progrediu da praticidade para o luxo, mas permaneceu bastante consistente em relação aos bens importados e exportados. A única razão pela qual o Império Novo é sempre destacado pelo luxo é que o Egito estava em contato direto com mais países durante este período do que anteriormente; não é porque o Império Novo de repente se tenha consciencialzado sobre bens de luxo. Não há dúvida, porém, de que o comércio egípcio no Império Novo era mais eficiente e abrangente do que em épocas anteriores e que os bens de luxo se tornaram mais disponíveis e desejáveis. Bunson descreve o comércio egípcio durante este período, escrevendo:

As caravanas atravessavam os oásis do deserto da Líbia e comboios de mulas eram enviados para os domínios do norte do Mediterrâneo. Acredita-se que o Egito realizava comércio nesta época com Chipre, Creta, Cilícia, Jónia (Jônia), as ilhas do Mar Egeu e talvez até mesmo com a Grécia continental. A Síria continuou a ser um destino popular para as frotas comerciais e caravanas, onde os produtos sírios se juntavam aos provenientes das regiões do Golfo Pérsico. Os egípcios recebiam madeira, vinhos, óleos, resinas, prata, cobre e gado em troca de ouro, linho, papiro, artigos de couro e cereais. (pág. 268)

O papiro enviado para Biblos, no Levante, era transformado em papel, e depois usado por toda a Mesopotâmia e regiões vizinhas. A associação de Biblos com a produção de livros, na verdade, fornece a base para a palavra inglesa "Bible" (Bíblia). Como o comércio egípcio no Levante estava tão amplamente estabelecido, os arqueólogos posteriores acreditaram que teria havido várias colónias egípcias por lá, contudo, na verdade, as suas descobertas apenas comprovaram o quão populares eram os produtos egípcios entre as pessoas da região.

Incentivos e Proteção ao Comércio

Pelo menos em teoria, o rei era dono de todas as terras e de tudo o que nelas se produzia, pelo que não havia incentivos patrocinados pelo governo para o comércio no Egito. O rei era ordenado e santificado pelos deuses, os criadores de tudo existente, e servia como mediador entre os deuses e o povo; portanto, era reconhecido como o administrador legítimo da terra. Na realidade, porém, desde o tempo do Império Antigo, os sacerdotes de diferentes cultos — especialmente o Culto de Amon — possuíam grandes extensões de terra isentas de impostos, e como não havia nenhuma lei que proibisse os sacerdotes de comercializar, todos os lucros obtidos revertiam para o templo em vez de para a coroa; conclusão os sacerdotes, muitas vezes, viviam tão confortavelmente quanto a realeza.

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Na maioria das vezes, porém, tudo o que era produzido nas quintas ao longo do Nilo era considerado propriedade do rei e enviado para a capital, contudo uma parte da produção era entregue ao povo nos centros de distribuição e outra parte era usada para o comércio. O egiptólogo Toby Wilkinson escreve:

Os produtos agrícolas obtidos como receita do governo eram tratados de duas maneiras. Uma certa proporção ia diretamente para as oficinas estatais para a fabricação de produtos secundários — por exemplo, sebo e couro de gado; carne de porco; linho; pão, cerveja e cestaria para cereais. Alguns destes produtos de valor agregado eram então comercializados e trocados com lucro, gerando mais receita para o governo; outros eram redistribuídos como pagamento aos funcionários públicos, financiando assim a corte e os seus projetos. A parte restante dos produtos agrícolas (principalmente o cereal) era armazenada em celeiros do governo, provavelmente localizados em importantes centros regionais por todo o Egito. Parte deles era usado em estado bruto para financiar as atividades da corte, mas uma significativa parte era reservada como reserva de emergência, para ser usada em caso ano de má colheita, a fim de prevenir uma fome generalizada. (pág. 46)

O Rei era responsável por cuidar do povo, da terra e de manter o princípio de ma'at (harmonia). Se a terra produzisse abundantemente e houvesse comida suficiente para todos, bem como excedentes, o rei era considerado bem-sucedido; caso contrário, os sacerdotes interviriam para determinar o que teria acontecido de errado e quais as medidas que precisavam ser tomadas para recuperar a boa vontade dos deuses.

No entanto, os egípcios não dependiam apenas da proteção sobrenatural para governar o país ou para se envolver no comércio exterior; enviavam guardas armados para proteger as caravanas patrocinadas pelo governo e, durante o Império Novo, havia uma força policial para controlar as passagens da fronteira, cobrar portagens, proteger os cobradores de portagens, vigiar os comerciantes que iam e vinham das cidades e vilarejos; e as escoltas armadas que acompanhavam as caravanas impediam os roubos. Harkhuf relata como, ao regressar de uma das suas viagens a Yam, foi parado por um líder tribal que, a princípio, parecia decidido a ficar com bens, mas, ao ver o tamanho da escolta armada, deu-lhe muitos presentes valiosos, incluindo touros, e guiou-o no seu caminho.

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Silver Ingots from Syria
Lingotes de Prata da Síria Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

O roubo de mercadorias era uma perda grave para o organizador da expedição, o "empresário", por assim dizer, e não para o comerciante que realmente se dedicava ao comércio. Se um comerciante fosse roubado, apelaria às autoridades da região por onde passava para obter justiça, mas nem sempre conseguia o que considerava justo. Um ladrão tinha que ser identificado como cidadão daquela região para que o governante fosse responsabilizado e, mesmo assim, se o ladrão conseguisse fugir, o rei não tinha nenhuma obrigação de indenizar o comerciante.

Este tipo de situação é descrito detalhadamente na obra literária O Relatório de Wenamun (cerca de 1090-1075 a.C.), que relata a história das aventuras de Wenamun ao liderar uma expedição comercial para comprar madeira para o navio de Amon. Wenamun é roubado por um compatriota no porto e, quando relata o roubo ao governante, é informado de que nada pode ser feito porque o ladrão não é um cidadão. O príncipe aconselha Wenamun a ficar alguns dias enquanto procuram o ladrão, mas não pode fazer mais nada.

No caso de Wenamun, ele tira o melhor proveito da situação simplesmente roubando outra pessoa, mas normalmente um comerciante voltaria à agência que patrocinava a expedição e explicaria o que aconteceu. Se a história fosse tida como verdadeira, o comerciante roubado seria considerado inocente; se o relato parecesse falso, seriam apresentadas acusações. De qualquer forma, o indivíduo ou a agência cujos bens estavam envolvidos no comércio sofriam a perda, não a pessoa que os transportava para a transação. É claro que ninguém gostaria de adquirir uma reputação de perder mercadorias e, portanto, para os comerciantes que não eram empregados no comércio patrocinado pelo governo, que incluía um destacamento de soldados, a contratação de guardas armados era outro custo a ser considerado na senda de bens comerciaveis.

Independentemente dos perigos e despesas, porém, nunca houve um mau momento no comércio no Egito, nem mesmo durante os períodos em que não havia um governo central forte. Nos chamados períodos intermediários, os governadores individuais dos distritos desempenhavam o papel de agência governamental e mantinham as relações e rotas necessárias que permitiam o comércio. O Relatório de Wenamun, embora seja ficção, representa de forma realista como funcionavam as parcerias comerciais no mundo antigo.

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Pouco depois da época em que se escreveu o Wenamun, foi fundada a cidade grega de Náucratis no Egito, que se tornou o centro comercial mais importante do país e um dos mais vitais da região do Mediterrâneo até ser ofuscada por Alexandria. A Grécia, o Egito e outras nações comercializavam bens e crenças culturais por meio de cidades como Náucratis e das rotas terrestres e marítimas e, assim, o comércio ampliou e elevou todas as nações participantes de maneiras muito mais significativas do que a simples troca económica.

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2025, novembro 21). Comércio no Egito Antigo. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1079/comercio-no-egito-antigo/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Comércio no Egito Antigo." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, novembro 21, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1079/comercio-no-egito-antigo/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Comércio no Egito Antigo." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 21 nov 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1079/comercio-no-egito-antigo/.

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