A esfinge é uma criatura mítica com corpo de leão, geralmente com cabeça humana e, por vezes, com asas. A criatura foi uma invenção egípcia e apresentava uma cabeça masculina — humana ou animal; contudo, na mitologia grega, a criatura tinha a cabeça de uma mulher. A esfinge está também presente na arte e na escultura das civilizações micénica, assíria, persa e fenícia.
As Esfinges Egípcias
As esfinges foram criadas primeiramente pelos egípcios e usavam habitualmente um nemes (toucado) tal como o usado pelos Faraós. Existem exemplos de esfinges com rostos humanos mas rodeados por uma juba de leão, particularmente da Núbia, e no Império Novo a cabeça era por vezes a de um carneiro, representando Amon. A data exata em que a primeira esfinge apareceu não é conhecida e a esfinge mais famosa de todas, a Grande Esfinge de Gizé, não foi datada com precisão; alguns estudiosos datam-na do reinado de Quéops, cerca de 2500 a.C. Existe uma história de que, na Décima Oitava Dinastia, o Faraó Tutmés IV, quando era apenas um príncipe, partiu numa expedição de caça e adormeceu à sombra da Esfinge. Enquanto dormia, sonhou que a Esfinge lhe falava e prometia que ele se tornaria rei se limpasse as areias que se tinham acumulado à volta dos pés da estátua. No reinado de Quéfren, as esfinges tornaram-se mais difundidas e eram geralmente colocadas como guardas no exterior ou ao lado de um templo mortuário, túmulo ou monumento funerário.
As Esfinges Minoicas e Micénicas
As esfinges também estiveram presentes na arte das culturas minoica e micénica desde o início do II milénio a.C. Os exemplos mais antigos foram encontrados em placas de relevo de barro usadas para decorar vasos de cerâmica e em ornamentos de vestuário de ouro batido da Creta minoica. Mais tarde, esfinges tridimensionais foram adicionadas de forma semelhante a vasos de barro, e um fresco sobrevivente de Pilos também retratou a criatura mítica. No século XIII a.C., existem exemplos de cerâmica encontrados em Chipre (mas provavelmente fabricados no continente grego) com esfinges pintadas em silhueta, frequentemente em pares e posicionadas de forma heráldica. As esfinges foram também um tema popular para talhadores de marfim micénicos, geralmente sob a forma de placas e pequenas caixas com tampa.
As Esfinges Assírias e Persas
A esfinge era também representada habitualmente tanto na arte assíria como na persa, geralmente com asas e uma cabeça humana masculina. Grandes esfinges esculpidas sob a forma de touros alados encontravam-se frequentemente em pares no exterior de palácios e serviam de proteção contra forças malignas. Um desses exemplos é a grande esfinge que se encontra atualmente no Museu Britânico, que em tempos esteve à porta do palácio de Assurnasirpal II em Nimrud (cerca de 865 a.C.). A arquitetura persa incorporava frequentemente esfinges em baixo-relevo nas paredes e portões; exemplos de Susa (século VI a.C.) e de Persépolis (século IV a.C.) retratam esfinges com cabeça masculina que usam toucados divinos com cornos.
A Esfinge na Grécia Clássica
Ao contrário da visão egípcia, a esfinge da mitologia grega era uma criatura mais problemática, e o mito mais famoso envolvendo uma esfinge é o do príncipe tebano Édipo: o território de Tebas, na Grécia, era aterrorizado por uma esfinge, e Hesíodo diz-nos na sua Teogonia (tít. original Θεογονία transliterado: Theogonia) que a criatura nasceu da Quimera (um monstro que cuspia fogo com três cabeças e partes do corpo de leão, cabra, serpente e dragão) e era irmã do leão da Nemeia e meia-irmã de Cérbero (o cão de três cabeças que guardava o Hades). A esfinge provocava secas e fome, e apenas deixaria os tebanos em paz se resolvessem o seu enigma. Este consistia em definir a criatura que tem dois, três ou quatro pés e que, embora seja capaz de mudar de forma, se move mais lentamente quanto mais pés utiliza. Qualquer pessoa que se atrevesse a responder ao enigma e falhasse era morta e devorada pela esfinge. Quando a esfinge matou o seu filho Haimon, Kreon, o rei de Tebas, ficou tão desesperado com a situação que ofereceu o seu reino e a sua filha Iokaste a quem conseguisse responder ao enigma. Édipo aceitou o desafio e deu a resposta correta — o homem — e, em frustração e fúria, a esfinge atirou-se da acrópole de Tebas para a morte. As cenas do herói com a criatura mitológica são as representações mais comuns na arte do mito de Édipo e surgiram a partir do século VI a.C. em cerâmica, em pedras preciosas esculpidas e como elemento decorativo em tecidos.
Na cultura grega antiga, as primeiras esfinges a surgir na escultura apareceram a partir do século VII a.C. Eram feitas de barro e estão particularmente associadas a Creta, onde cabeças moldadas de esfinges eram por vezes adicionadas a pithoi (pitos - grandes vasos de armazenamento). A partir do século VI a.C., a esfinge grega passou a surgir na escultura em pedra, por vezes com os quartos traseiros levantados. Estas esculturas eram usadas como ofertas votivas, habitualmente colocadas no topo de colunas jónicas ou dóricas altas e posicionadas em santuários como Delfos e Olímpia. De facto, uma das esfinges mais famosas foi descoberta em Delfos; originalmente assente numa coluna jónica de 10 metros de altura, tinha sido dedicada ao oráculo pelos naxianos por volta de 560 a.C. Em gratidão pela dedicação, os sacerdotes de Apolo deram aos cidadãos de Naxos o privilégio de prioridade (promanteia) ao consultar o oráculo.
As esfinges também apareciam frequentemente no topo de estelas funerárias e eram habitualmente pintadas com cores vivas. Um exemplo sobrevivente da Ática (cerca de 540 a.C.) exibe vestígios de tinta e teria tido originalmente cabelo preto, penas nas asas em verde, azul, preto e vermelho, e escamas no peito em vermelho e azul. Curiosamente, quando usadas em ofertas votivas, a cabeça estava sempre voltada para a frente, enquanto as esfinges em estelas funerárias estavam sempre voltadas de lado. Um terceiro uso da criatura mítica, possivelmente emprestado da Síria ou de Chipre, era como base de suporte decorativa para bacias de água em pedra esculpida (perirrhanteria), que eram utilizadas nos santuários.
Outras representações famosas de esfinges na arte incluem as três que encimavam o capacete com crista da estátua de Atena Partenos, obra de Fídias, que se encontrava no Partenon, e as esfinges que adornavam os pés do trono de Zeus em Olímpia.
