Incidente de Fachoda

Quando a Grã-Bretanha e a França Estiveram à Beira da Guerra em África
Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Jean-Baptiste Marchand at Fashoda (by World Imaging, CC BY-SA)
Jean-Baptiste Marchand em Fachoda World Imaging (CC BY-SA)

O Incidente de Fachoda de 1898 ocorreu no Sudão e desencadeou uma crise diplomática entre os impérios britânico e francês. Uma pequena força francesa reivindicou a autoridade sobre a cidade de Fachoda (a atual Kodok) e sobre o vale do Alto Nilo. Uma força britânica consideravelmente superior, vinda da recente vitória sobre o Estado Madista na Batalha de Omdurman, solicitou a retirada dos franceses, o que acabou por acontecer. Este incidente conturbado na Partilha de África esteve prestes a iniciar uma guerra entre as duas potências coloniais, que se mostravam cada vez mais desconfiadas em relação às intenções uma da outra. O Incidente de Fachoda azedou as relações anglo-francesas, que só seriam restauradas quando ambos os Estados perceberam que a Alemanha Imperial era a verdadeira ameaça, tanto na Europa como no resto do mundo.

O Controlo do Nilo

A Guerra Madista (1881-99) assistiu ao estabelecimento do Estado Madista no Sudão, inicialmente liderado pelo inspirador líder islâmico Muhammad Ahmad (1844-1885), o autoproclamado Mahdi. A Grã-Bretanha, que governava o Egito como um protetorado em tudo menos no nome (não o seria oficialmente até 1912), estava empenhada em controlar também o vizinho Sudão, uma vez que o rio Nilo, vital para o Egito, o atravessa de sul para norte. A ambição era manter a relação entre os dois Estados de quando, num período anterior ao domínio britânico, o Egito fazia parte do decadente Império Otomano e o Sudão era nominalmente governado pelo Egito. O Mahdi tinha outros planos e liderou pessoalmente o cerco bem-sucedido a Cartum, a capital sudanesa, em 1885; uma operação prolongada na qual foi morto o herói nacional britânico, o General Charles Gordon (1833-1885).

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Após a queda de Cartum, a opinião pública britânica instou o governo a obter uma vingança rápida; no entanto, este estava na altura ocupado com outras partes do Império Britânico, nomeadamente o Afeganistão. Consequentemente, os madistas foram deixados em paz durante as décadas de 1880 e 1890. Entretanto, a Grã-Bretanha garantiu as fronteiras do Sudão através de tratados com a Itália, em 1891, e com o Estado Livre do Congo (futuro Congo Belga), em 1894. O Uganda, a sul do Sudão, foi declarado protetorado britânico em 1894. Em 1896, a Itália invadiu a Abissínia (Etiópia) a partir da sua colónia, a Eritreia Italiana. As potências europeias, cercando o Sudão por todos os lados, pareciam estar em competição direta por esta área específica de África. Tinham ocorrido pontos de tensão semelhantes noutras partes do continente, nomeadamente na Nigéria, na África Ocidental, onde a França e a Grã-Bretanha tinham reivindicações concorrentes.

A Grã-Bretanha considerava certamente o Sudão como estando dentro da sua esfera de influência particular. As peças diplomáticas com as outras potências imperiais pareciam estar a encaixar-se gradualmente, mas, a partir de 1896, tornou-se necessária uma ação mais concreta para assegurar definitivamente o Sudão como um protetorado britânico. Um exército numeroso e bem equipado seria enviado do Egito para derrotar os madistas. Este exército anglo-egípcio-sudanês era liderado pelo General Herbert Kitchener (1850-1916), que avançou metodicamente para sul, construindo uma linha ferroviária à medida que progredia.

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Kitchener as Sirdar of the Egyptian Army
Kitchener como Sirdar do Exército Egípcio Robinson, C.N. (Public Domain)

Após Kitchener ter derrotado o exército madista na Batalha de Omdurman, no Sudão, a 2 de setembro de 1898, as suas novas ordens consistiam em avançar pelo Nilo Branco para confrontar uma pequena força francesa liderada pelo Capitão Jean-Baptiste Marchand, que tinha cruzado audaciosamente a fronteira a partir do Congo Francês. Marchand, sob instruções do Ministério das Colónias francês, tinha hasteado a bandeira nacional na pequena cidade de Fachoda, no sul do Sudão. Os franceses detinham quase toda a África Ocidental como a sua esfera de atividade imperialista, e cobiçar esta parte específica de África era considerado algo intolerável para os britânicos.

O GOVERNO FRANCÊS PRETENDIA UNIR A ÁFRICA OCIDENTAL FRANCESA À SOMÁLIA FRANCESA.

A Grã-Bretanha contra a França

A Conferência de Berlim de 1884-85 estabeleceu que as reivindicações europeias sobre novos territórios em África deveriam basear-se em relações de longa data, tais como o comércio ou atividades culturais, como o trabalho missionário. Além disso, "as reivindicações de um governo europeu sobre uma determinada região só seriam reconhecidas se a potência europeia em questão já estivesse efetivamente em controlo dessa região" (Reid, pág. 153). O governo britânico considerava que possuía tal direito sobre o Sudão, ao contrário da França. A França, contudo, não via razão para não tentar algum tipo de presença permanente no sul do Sudão; uma manobra que poderia, um dia, permitir uma ligação terrestre contínua entre a África Ocidental Francesa e a Somália Francesa, na costa oriental. Alguns engenheiros franceses sonhavam inclusivamente com uma linha ferroviária de Dakar a Djibuti. O domínio britânico sobre o Egito e a expulsão da influência francesa da região continuavam a ser factos difíceis de aceitar. A França sempre vira o Egito como o seu "parque de diversões" particular, remontando às desventuras de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Por que razão, então, o Sudão (governado na altura por um rebelde indígena e abandonado pelo governo anglo-egípcio no Cairo) não deveria ser tomado a título de compensação? Talvez, ao assumir o controlo do Sudão, o Egito pudesse regressar novamente à esfera de influência francesa. Tais eram as esperanças dos elementos mais radicais do governo, do ministério dos negócios estrangeiros e do exército francês.

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Os britânicos certamente não queriam isolar a Somália Britânica e a África Oriental Britânica dos seus outros territórios na região, nomeadamente o Sudão. Nem queriam que os franceses começassem a construir barragens no Alto Nilo, o que retiraria das suas mãos o bem-estar do Egito. Os britânicos alimentavam, há muito, as suas próprias ambições de engenharia: a construção de uma linha ferroviária que ligasse o Cairo à Colónia do Cabo britânica, no extremo sul de África. A invasão metódica do Sudão por Kitchener começara a fazer com que o plano britânico de uma ferrovia transafricana parecesse uma possibilidade real. Kitchener chegara ao ponto de garantir que a sua linha ferroviária utilizasse a mesma bitola que a usada na África Austral.

Map of the Scramble for Africa after the Berlin Conference
Mapa da Partilha da África Após a Conferência de Berlim Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Sem dúvida, o governo francês levou a sério o plano ferroviário britânico. O Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Gabriel Hanotaux, já convencido de que a Grã-Bretanha estava por trás de uma sórdida conspiração internacional para remover a França de todos os cantos de África, descreveu o projeto ferroviário como "uma conceção, uma fórmula gigantesca, digna dos compatriotas de Shakespeare" (James, pág. 94). Os ministros franceses, sem qualquer prova, convenceram-se também de que a Grã-Bretanha estava envolvida em todo o tipo de truques e subterfúgios: como o financiamento de forças antigovernamentais em França; o fornecimento de armas a tribos rebeldes em territórios africanos franceses; e até o envio de guerreiros do Reino Zulu para combater as forças francesas junto ao rio Níger. À medida que os preconceitos mútuos se acentuavam, os britânicos descartavam estas alegações como a típica histeria francesa.

Claramente, numa competição imperialista absoluta em que os intervenientes queriam ligar as suas colónias, fosse de este a oeste ou de norte a sul, haveria inevitavelmente um ponto onde as duas linhas se cruzariam. Esse ponto acabou por ser o posto avançado, inteiramente comum, de Fachoda.

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Preocupados com a sua rivalidade cada vez mais paranoica, nem o governo britânico nem o francês estavam muito interessados no destino dos africanos que viviam nos Estados que sonhavam controlar. Na verdade, o Sudão tinha muito pouco a oferecer a qualquer potência colonial além de prestígio, mas o prestígio alimenta a vaidade, e foi este vício, tanto na Grã-Bretanha como em França, que sustentou o jogo de charadas diplomáticas encenado nos meses finais de 1898. A França fizera uma abertura tão audaz no Sudão que apenas uma refutação total poderia ser tolerada pelos britânicos. Era agora irrelevante que o sul do Sudão fosse, como descreveu Lord Cromer, Cônsul-Geral britânico no Egito, "...vistas extensões de território inútil que seria difícil e dispendioso administrar adequadamente" (Fage, pág. 151). Como aponta o historiador G. N. Sanderson: "Na grande contenda do Alto Nilo, os motivos económicos foram de importância negligenciável, tanto para a Grã-Bretanha como para a França" (Idem, pág. 153). O Incidente de Fachoda tornara-se um teste para determinar qual o Estado, a Grã-Bretanha ou a França, detinha o poder real e efetivo nesta parte de África. Só poderia haver um método para assegurar o Sudão, o mais seguro no direito internacional: o poderio militar e a ocupação.

Fashoda Fort Ruins, 1898
Ruínas do Forte de Fachoda, 1898 Unknown Photographer (Public Domain)

Um Posto Avançado no Nilo

Longe das salas de conferências da Europa, os homens no terreno em Fachoda tinham decisões mais práticas e imediatas a tomar. Fachoda, situada nas margens do Nilo Branco e a 640 km (400 milhas) de Omdurman, tinha sido outrora um posto avançado egípcio. Ali fora construído um pequeno forte, guarnecido por tropas egípcias com o intuito de suprimir o tráfico de escravos. As quais tinham, entretanto, abandonado Fachoda, que não passava agora de um forte em ruínas rodeado por campos de milho e pântanos. O elemento mais útil no local para qualquer ocupante era um único palmar de tamareiras.

A força francesa hasteou a bandeira tricolor sobre o forte em ruínas de Fachoda.

A 10 de julho de 1898 o Capitão Marchand alcançara Fachoda, com uma força não numerosa, que consistia em apenas onze oficiais franceses e cerca de 150 soldados askari senegaleses. Estes homens tinham realizado uma impressionante travessia de 5.600 km (3.500 milhas) através da África Central, tendo partido do Lago Chade em 1896. Nem tudo fora feito a pé por Marchand, uma vez que utilizara por vezes uma bicicleta com pneus de borracha maciça (este venerável e antigo veículo pode hoje ser visto na Academia Militar de Saint-Cyr, na Bretanha). Ainda mais impressionante foi o desmembramento (literalmente) e a remontagem do navio a vapor Faidherbe (que tinha 24 metros (80 pés) de comprimento), de modo a que as suas peças pudessem ser arrastadas através da divisória de águas entre os rios Congo e Nilo, numa distância de 400 km (250 milhas). Este feito só foi possível graças à utilização de 200 carregadores escravos cedidos por um sultão local. Tribos hostis, hipopótamos, pântanos e mosquitos foram apenas alguns dos desafios enfrentados pelos homens de Marchand para atingirem o seu objetivo. À chegada a Fachoda, brindaram à sua proeza de forma tipicamente gaulesa: com uma taça de champanhe, bem viajada e ligeiramente morna.

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Marchand não estava apenas a reivindicar a pequena Fachoda para o seu país, mas toda a região do Alto Nilo. Tinha hasteado a bandeira tricolor sobre o forte, embora, de forma ominosa, a corda se tivesse partido à primeira tentativa. Marchand aguardava agora a inevitável reação britânica e, talvez, alguma ajuda vinda de leste. Para além das colunas de Kitchener e Marchand, havia várias outras expedições mais secretas a caminho de Fachoda. Foram planeadas duas expedições francesas a partir da Somália Francesa, através da Etiópia (aliada de França), que se deveriam juntar a Marchand. Estas nunca se concretizaram, pois ambas as expedições se evaporaram durante a marcha, tendo a maioria dos homens morrido de uma doença ou outra. Os britânicos também planearam uma expedição de apoio própria, vinda do Uganda Britânico, a sul. Esta expedição falhou logo no início, quando os soldados ugandeses se amotinaram e, de qualquer modo, atravessar as planícies infestadas de leões do norte do Uganda não teria sido tarefa fácil. Houve ainda a expedição planeada pelo Rei Leopoldo II da Bélgica a partir do Estado Livre do Congo, com a intenção de marcar a sua própria posição no sul do Sudão. Esta também resultou num desastre quando os soldados africanos, já embrenhados na floresta de Ituri, se amotinaram e mataram os oficiais belgas. Parecia que todos queriam uma parte do Sudão mas, no fim, o embate seria entre os únicos dois comandantes a chegar a Fachoda: Marchand e Kitchener.

The British Arrive at Fashoda, 1898
A Chegada dos Britânicos a Fachoda, 1898 Unknown Photographer (Public Domain)

Marchand não permaneceu inteiramente passivo enquanto aguardava desenvolvimentos; ordenou aos seus homens que reparassem, da melhor forma possível, o forte em decadência e que escavassem trincheiras defensivas. Marchand reuniu-se com chefes tribais locais para acordar futuros tratados com a França, negociações agilizadas com ofertas de tecidos, missangas e espingardas obsoletas. Na verdade, foram os sudaneses, e não os britânicos, que reagiram primeiro à presença de Marchand. Dois navios a vapor madistas navegaram até Fachoda para atacar os franceses. Os vapores, capturados ao General Gordon após o cerco de Cartum, rebocavam uma série de barcos a remos superlotados com cerca de 1.500 guerreiros madistas. Os franceses possuíam melhores espingardas e estavam camuflados atrás de bancos de juncos, conseguindo assim repelir as embarcações expostas. O episódio pôs fim a qualquer esperança que Marchand pudesse ter de que os madistas o apoiassem contra os britânicos.

O Encontro entre Kitchener e Marchand

Kitchener partiu de Cartum a 9 de setembro e subiu o Nilo, chegando a Fachoda umas semanas mais tarde. Com ele seguiam dois batalhões de soldados, unidades de artilharia e uma flotilha de cinco canhoneiras. Kitchener dispunha de cerca de 1.500 homens, dez vezes a força sob o comando de Marchand. O general britânico, embora sob ordens para não utilizar a força direta, insistiu que os franceses retirassem a sua bandeira e se retirassem do Sudão. Marchand não se deixou intimidar pela dimensão do exército anglo-egípcio e recusou-se a arriar a bandeira da sua nação ou a abandonar o forte enquanto não recebesse ordens de Paris para o fazer. Seguiu-se um jogo de espera, enquanto os diplomatas na Europa enviavam sucessivas comunicações aos respetivos governos. Entretanto, Kitchener hasteou a bandeira egípcia no topo de uma árvore perto do forte, e tanto ele como Marchand trocaram amavelmente histórias de guerra acompanhadas de uísque e soda. O espírito efusivo dos franceses perante este surpreendente bom senso e convivialidade foi rapidamente abalado quando Kitchener lhes entregou os jornais mais recentes da Europa, todos repletos de notícias perturbadoras sobre o Caso Dreyfus (ver abaixo) e a queda iminente do governo francês.

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Na Europa, as relações anglo-francesas eram bastante mais gélidas. O governo britânico, sublinhando que uma nova administração liderada pelos britânicos estava agora instalada no Sudão, insistiu formalmente que os franceses abandonassem Fachoda ou enfrentariam uma guerra. Em abono da verdade, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico tinha avisado a França, logo em 1895, de que qualquer presença militar francesa nesta área seria considerada "um ato hostil" (James, pág. 96). O governo francês indicou as suas intenções ao mobilizar a sua frota naval em Toulon, na costa mediterrânica. Em resposta, os britânicos reforçaram a sua frota do Mediterrâneo. À medida que os políticos vociferavam e a imprensa se tornava cada vez mais jingoísta, a guerra parecia muito mais provável do que uma solução pacífica para a crise.

Fashoda Incident Cartoon
Caricatura sobre o Incidente de Fachoda J.M. Staniforth (Public Domain)

Crucialmente, a Rússia, aliada da França por tratado, informou o governo francês de que não ofereceria apoio militar caso a França e a Grã-Bretanha entrassem em guerra devido a uma disputa em África (o tratado entre ambas fora concebido para proteção mútua contra a agressão alemã na Europa). Outro fator na mudança de posição da França foi a explosão do Caso Dreyfus. A detenção e condenação do Capitão Alfred Dreyfus por espionagem ocupou todas as manchetes e provocou motins em Paris. Dreyfus fora enviado para a notória prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, mas descobriu-se que fora alvo de uma cilada e que o exército encobrira o verdadeiro espião. O facto de Dreyfus ser judeu resultou em acusações de antissemitismo ao mais alto nível. Temia-se que um golpe de Estado militar pudesse ocorrer a qualquer momento.

A Retirada Francesa

A realidade no Sudão era que Marchand estava totalmente isolado e os britânicos poderiam facilmente utilizar a Royal Navy, ainda, de longe, a maior armada do mundo, para semear o caos nos portos coloniais franceses noutras partes de África, uma campanha à qual a decadente marinha francesa não seria capaz de responder. A opinião pública francesa parecia dividida (50/50) sobre se deveria ficar ou abandonar Fachoda. O governo francês percebeu que a sua posição era insustentável e Marchand recebeu ordens para retirar de Fachoda em novembro. Kitchener, demonstrando um raro sentido de tato, não hasteou a bandeira britânica, mas sim a egípcia sobre a fortaleza de Fachoda. Marchand, certamente dando um "encolher de ombros" tipicamente gaulês, continuou de onde tinha parado e seguiu o seu caminho até à costa oriental de África, completando a sua travessia transcontinental pessoal.

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A Grã-Bretanha e a França chegaram a acordo sobre as fronteiras do sul do Sudão num tratado assinado em março de 1899. Este tratado reconhecia também, mutuamente, a reivindicação da França sobre a África Ocidental e a da Grã-Bretanha sobre a África Oriental e o Alto Nilo. Como referiu o Presidente francês Félix Faure: "Comportámo-nos como loucos em África... levados pelo mau caminho por pessoas irresponsáveis chamadas colonos" (James, pág. 98).

Estabeleceu-se em Cartum um governo administrativo moderno, passando o Sudão a ser governado como um protetorado britânico em tudo menos no nome. As relações anglo-francesas azedaram durante alguns anos devido ao Incidente de Fachoda. A imprensa francesa certamente deleitou-se com as Guerras Anglo-Boeres, com as perdas britânicas a serem magnificadas e as primeiras páginas inundadas de acusações lúridas de atrocidades e de uma generalizada Barbarie Anglaise (barbárie inglesa), nem todas fictícias. Apenas a ameaça mútua de uma Alemanha Imperial cada vez mais agressiva levou a Grã-Bretanha e a França a resolverem as suas diferenças e a assinarem a Entente Cordiale em 1904.

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
O Mark é o Diretor Editorial da WHE e é mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador a tempo inteiro, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem a arte, a arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, abril 25). Incidente de Fachoda: Quando a Grã-Bretanha e a França Estiveram à Beira da Guerra em África. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26179/incidente-de-fachoda/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Incidente de Fachoda: Quando a Grã-Bretanha e a França Estiveram à Beira da Guerra em África." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, abril 25, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26179/incidente-de-fachoda/.

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Cartwright, Mark. "Incidente de Fachoda: Quando a Grã-Bretanha e a França Estiveram à Beira da Guerra em África." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 25 abr 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26179/incidente-de-fachoda/.

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