Lenda do Graal

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por , traduzido por Filipa Oliveira
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The Grail Miracle (by Jlorenz1, Public Domain)
O Milagre do Graal Jlorenz1 (Public Domain)

A Lenda do Graal (também conhecida como a Demanda do Graal, a Busca do Santo Graal) desenvolveu-se na Europa cerca de 1050–1485. É muito provável que tenha tido origem na Irlanda como folclore, antes de surgir sob forma escrita algures antes de 1056 em The Prophetic Ecstasy of the Phantom (O Extase Profético do Fantasma), um conto irlandês. O conceito foi popularizado pelo poeta francês Chrétien de Troyes (1130–1190) no seu Perceval ou a História do Graal (tít. original: Perceval ou le Conte du Graal; erca de 1190), que deixou inacabado, vindo a ser completado por outros poetas na obra conhecida como as Les Four Continuations de Perceval (Quatro Continuações).

A história de Chrétien apresenta um castelo místico, um graal (nesta altura uma travessa, não um cálice), uma procissão estranha, uma mulher que muda de forma e um herói visitante de quem se espera que faça uma pergunta que quebrará um feitiço mágico; todos estes elementos se encontram no anterior O Êxtase Profético do Fantasma. O graal de Chrétien foi transformado no cálice de Cristo na Última Ceia por Robert de Boron (século XII) na sua obra José de Arimateia (tít. original: Le Roman de l'Estoire dou Graal), e escritores posteriores continuariam esta tradição. A associação do graal ao cálice de Cristo foi estandardizada por Sir Thomas Malory na sua obra A Morte de Artur (tít. original: Le Morte d'Arthur; 1469), sendo esta a forma como é mais conhecido nos dias de hoje.

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A lenda do graal poderá ter-se desenvolvido a partir de rituais xamânicos celtas em que era exigido a um iniciado que passasse por determinados testes para alcançar um estado visionário elevado. A busca pelo graal seria, assim, uma procura pelo sentido da vida, pela natureza do divino, simbolizando o verdadeiro propósito de cada um na existência. A natureza ressoante dos contos da demanda tem inspirado o público ao longo dos séculos, e as Lendas Arturianas continuam tão populares no presente como o foram no passado.

A Origem Primitiva

A estudiosa Jessie L. Weston, na sua obra fundamental From Ritual to Romance (Do Ritual ao Romance), defende que a lenda do graal se desenvolveu a partir de antigos ritos orientais de fertilidade que ligavam a saúde de um monarca à da terra. O monarca mantinha-se saudável, ou curado de qualquer mal que o afligisse, através deste ritual que envolvia pompa e representação de papéis. Este conceito viajou através do comércio até à Europa, onde passou a expressar-se em contos populares que mais tarde evoluiriam para a literatura medieval.

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A busca pelo graal poderá ser uma procura pelo sentido da vida, pela natureza do divino, e simbolizar o verdadeiro propósito de alguém na existência.

O estudioso arturiano R.S. Loomis refere que a primeira versão escrita conhecida de uma "história do graal" é O Êxtase Profético do Fantasma, escrita na Irlanda algures antes de 1056, possivelmente cerca de 1050, embora este conto não mencione explicitamente um graal. Nesta história, o Rei Supremo da Irlanda, Conn, encontra um cavaleiro fantasma que se revela ser o deus da fertilidade Lugh. Lugh convida Conn para jantar no seu palácio e partem juntos, mas quando Conn chega ao palácio, encontra Lugh já lá a aguardar e um grande banquete preparado. Enquanto Conn se senta, são-lhe servidas porções enormes de carne e bebida por uma bela donvella coroada conhecida como a Soberania da Irlanda. Quando ela traz um cálice de ouro com cerveja para o banquete, pergunta a Lugh: "A quem deve ser dado este cálice?", e Lugh responde: "Serve-o a Conn." Enquanto Conn bebe do cálice, Lugh entra em transe e diz os nomes de todos os descendentes reais de Conn. Lugh e o seu palácio desaparecem de seguida, e Conn fica sozinho com o cálice.

Este é o tipo de conto que Weston discute como tendo surgido a partir de rituais de fertilidade. Os rituais primitivos envolveriam de alguma forma uma figura a representar o rei e outras a simbolizar as forças naturais que apoiavam e encorajavam o reinado do monarca. Conn, na história, representa a monarquia, mas não o conceito de soberania, que é claramente simbolizado pela donzela coroada. Quando a donzela pergunta ao deus da fertilidade a quem deve ser concedida a honra do cálice, ele indica Conn — o rei está a ser honrado pelo mundo natural e a monarquia é servida de livre vontade pela soberania natural, que constitui a aquiescência da terra e do povo a um determinado monarca. Lugh assegura então ao rei uma linhagem longa e ininterrupta de descendentes — de fertilidade contínua — e, com a mensagem entregue, os seres sobrenaturais e o seu palácio desaparecem, deixando Conn com uma recordação potente do encontro.

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O Perceval de Chrétien

Segundo Loomis, este conto irlandês é um precursor do poema de Chrétien de 1190, Perceval ou a História do Graal, que constitui a primeira aparição do Graal pelo nome na literatura mundial. A dada altura neste poema, o cavaleiro Perceval, da corte do Rei Artur, encontra o Rei Pescador (também conhecido como o Rei do Graal), que o convida a jantar no seu castelo. Tal como no conto anterior, o Rei Pescador chega ao castelo antes de Perceval e um grande banquete está posto. Perceval testemunha uma procissão estranha enquanto come: uma lança ensanguentada, um candelabro e um graal são transportados diante dele para uma sala contígua.

Perceval Arrives at the Grail Castle
Perceval Chega ao Castelo do Graal Michael Hurst (Public Domain)

Quando Perceval estava a ser treinado como cavaleiro, o seu instrutor incutiu-lhe a importância de não revelar os seus pensamentos através da contenção da língua e de que um cavaleiro nunca deve ser excessivamente falador; por conseguinte, embora queira perguntar o que significa a procissão, ele permanece em silêncio. Na manhã seguinte, acorda e descobre que o Rei Pescador, os criados e o castelo desapareceram, ficando sozinho para selar o seu cavalo e continuar as suas viagens. Mais tarde, encontra uma mulher a chorar que o repreende por não ter perguntado a quem o graal servia, pois, se o tivesse feito, poderia ter curado o rei e a terra.

O graal na obra de Chrétien é uma travessa, e o estudioso arturiano Norris J. Lacy explica como o público contemporâneo saberia disso:

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A própria palavra não está envolta em mistério. É um dos numerosos reflexos do latim medieval gradale, uma palavra que significava "por grau", "em etapas", aplicada a um prato ou travessa que era levado à mesa em vários estágios ou serviços durante uma refeição.

(pág. 257)

Em Chrétien, Perceval deveria ter perguntado: "O que é o graal? A quem serve?" e, ao fazer estas perguntas, estabelecer-se-ia uma ligação entre o rei ferido e doente, a sua terra estéril e o poder do graal para curar e restaurar. Chrétien morreu antes de conseguir terminar o poema, mas outros poetas levaram a história até ao fim nas Quatro Continuações, com Perceval a redimir-se da sua falha anterior, sucedendo ao Rei Pescador como monarca e governando justamente sobre uma terra fértil e próspera.

Robert de Boron e Wolfram von Eschenbach

As obras de Chrétien eram leituras populares e altamente influentes, mesmo o seu Perceval inacabado, tendo inspirado o poeta Robert de Boron a escrever o seu próprio romance, José de Arimateia, no qual o Graal é transformado de um símbolo pagão de fertilidade e cura no cálice de que Jesus Cristo bebeu na Última Ceia. José de Arimateia é mencionado em todos os quatro evangelhos bíblicos como um discípulo secreto de Jesus Cristo que cedeu a sua própria tumba e dedicou o seu tempo após a crucificação. No folclore medieval, ele viajou para a Britânia após a ressurreição de Cristo transportando o Graal — o cálice de que Cristo bebeu na Última Ceia, e que José usou para recolher o sangue de Cristo quando este se encontrava na cruz —, tendo fundado uma abadia em Glastonbury.

Robert de Boron aproveita esta tradição no seu poema, no qual José esconde o Graal na sua casa após a execução de Cristo e é preso pouco depois devido à sua fé cristã. Cristo aparece a José na prisão, entrega-lhe o Graal que tinha estado escondido e ensina-lhe os segredos do seu uso. A magia do Graal impede que José envelheça e mantém-no com uma saúde perfeita até ser libertado da prisão muitos anos mais tarde e zarpar rumo à Britânia.

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No romance de Robert de Boron, o Graal é transformado de um símbolo pagão de fertilidade e cura no cálice de que Jesus Cristo bebeu na Última Ceia.

Robert cristianizou os motivos pagãos anteriores das Lendas Arturianas e introduziu também o famoso símbolo da Espada na Pedra (uma arma diferente da espada de Artur, a Excalibur), que estabelece Artur como o verdadeiro rei da Britânia, embora a apresente como uma espada numa bigorna (que só mais tarde se tornaria numa pedra). Outros dois escritores que trabalhavam por volta da mesma época, Beroul e Tomás da Bretanha, contribuíram ainda mais para o desenvolvimento das lendas — com Tomás a reintroduzir os elementos de amor cortês estabelecidos por Chrétien —, mas a lenda do Graal seria a seguir desenvolvida pelo poeta alemão Wolfram von Eschenbach (cerca de 1170 – cerca de 1220) no seu Parzival.

O Parzival de Wolfram é considerado a maior epopeia alemã da sua era (e mais tarde daria força às obras de Wagner). Inspirado pelo Perceval de Chrétien (embora no seu texto Wolfram não só o negue como troce de Chrétien), o Parzival é um conto de despertar espiritual, um Bildungsroman (uma história que detalha a educação, a jornada para a maturidade e a busca espiritual de uma personagem), em que Parzival viaja de um estado de caos e dúvida sobre si próprio para um estado de autoaceitação, graça e paz.

O Livro V do Parzival faz com que o herói deixe a corte de Artur e chegue ao Castelo do Graal, cujo senhor, Anfortas, sofre de uma ferida que não sara. Parzival não pergunta sobre a ferida nem sobre a estranha procissão que passa diante dele, e pela mesma razão pela qual Perceval permaneceu em silêncio na obra de Chrétien. Na manhã seguinte, acorda e descobre que o castelo e todos os seus habitantes desapareceram, culpando a experiência por espíritos malignos que tentavam confundi-lo. No conto de Wolfram, o Graal não é uma travessa ou um cálice, mas sim uma pedra — uma espécie de joia — que fornece os alimentos mais requintados que se possa desejar em abundância. Sabendo que tal coisa não poderia existir, Parzival descarta todo o episódio. Ao regressar à corte de Artur, a dama Sigune diz-lhe zangada que deveria ter perguntado a Anfortas o significado da procissão e do graal, mas não lhe diz o porquê.

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Parzival
Parzival Felistoria (Public Domain)

O Parzival embarca numa busca para encontrar o graal, é tutelado por um homem santo quanto ao seu significado e valor, e acaba por travar um combate singular com um cavaleiro que, simbolicamente, se revela ser ele próprio. É derrotado por este cavaleiro, que lhe parte a espada, mas que depois faz as pazes com ele e o conduz à compreensão e aceitação de si mesmo. No fim, Parzival torna-se o Rei do Graal, tal como acontece nas Quatro Continuações francesas do poema de Chrétien.

A Vulgata e a Pós-Vulgata

A lenda do Graal foi ainda mais desenvolvida no País de Gales no O Mabinogion: Contos Celtas Medievais (tít. original: Mabinogion; cerca de 1200, embora as histórias sejam provavelmente mais antigas), que apresenta o graal como um caldeirão que fornece em abundância tudo o que se deseja comer ou beber. O graal volta depois a ser um cálice na obra do monge Layamon (final do século XII/início do século XIII), cujo Brut é a primeira versão da Lenda Arturiana em inglês. O Brut de Layamon é a fonte principal para a primeira versão em prosa da lenda em inglês, o Ciclo da Vulgata (também conhecido como o Ciclo de Lancelote-Graal, 1215–1235). Esta é a primeira vez que as lendas surgem em prosa, o que é significativo porque a prosa era reservada para obras sérias de não-ficção (teologia, história, filosofia), enquanto as obras de imaginação eram sempre redigidas em poesia. O facto de algum copista desconhecido ter despendido o seu tempo a escrever a história em prosa sugere quão a sério o tema era encarado nessa altura.

Um aspeto muito interessante do desenvolvimento da Lenda Arturiana e da Demanda do Graal é o silêncio da Igreja medieval. Não existe qualquer condenação ou crítica aos romances arturianos, apesar de estes desafiarem flagrantemente os ensinamentos da Igreja sobre o casamento, a fidelidade ou o propósito da vida humana entre cerca de 1056 e 1215. Na altura em que o Ciclo da Vulgata foi escrito, as lendas já tinham sido largamente cristianizadas; ainda assim, seria de esperar que a Igreja medieval tivesse emitido alguma declaração a respeito do género do amor cortês e das Lendas Arturianas.

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Pope Innocent III & the Albigensian Crusade
Papa Inocêncio III e a Cruzada Albigense Unknown Artist (Public Domain)

Segundo alguns estudiosos, mais notoriamente Denis de Rougemont, a Igreja agiu de facto sobre esta matéria através da Cruzada Albigense (1209–1229), que esmagou uma seita herética conhecida como os Cátaros. De acordo com esta teoria, os romances de amor cortês eram alegorias religiosas que representavam simbolicamente as crenças cátaras. Os cátaros acreditavam que a Igreja estava corrompida, não representava a verdade divina e que a Bíblia tinha sido maioritariamente escrita por Satanás. Rejeitavam a ressurreição de Jesus Cristo como qualquer espécie de realidade histórica, afirmando que os relatos dos evangelhos eram uma representação simbólica, e acreditavam numa deusa chamada Sofia (sabedoria), a quem a Igreja tinha injustamente raptado aos verdadeiros crentes (sendo cátaros os "Puros", os verdadeiros fiéis).

Segundo esta teoria, a donzela em apuros que tem de ser resgatada pelo cavaleiro é Sofia, o seu raptor é a Igreja, e o cavaleiro é o verdadeiro devoto cátaro. O graal, tal como retratado inicialmente por Chrétien, seria a chave para o conhecimento da verdade do divino; bastava fazer a pergunta sobre a quem o graal servia para se alcançar a iluminação. O fracasso dos vários cavaleiros em fazer esta pergunta devia-se à sua doutrinação nos falsos ensinamentos da Igreja.

A Morte de Artur

Esta tese, tal como a de Jessie L. Weston sobre a origem do romance medieval a partir de rituais pagãos, tem sido repetidamente contestada por estudiosos e está longe de ser universalmente aceites. No final do século XV, as Lendas Arturianas encontravam-se já maioritariamente cristianizadas e, através do Ciclo da Vulgata e da sua versão revista conhecida como Ciclo da Pós-Vulgata, chegaram às mãos de Sir Thomas Malory, um cavaleiro com vasta leitura em romances arturianos, que se encontrava detido como prisioneiro político na prisão de Newgate, em Londres.

Malory reuniu as várias versões da Lenda Arturiana, trabalhando sobretudo a partir do Ciclo da Pós-Vulgata, para criar a sua obra-prima A Morte de Artur (tít. original: Le Morte d'Arthur), que narra a história da ascensão e queda do Rei Artur, dos seus nobres cavaleiros e da sua corte de Camelot. Malory relata o nascimento de Artur, a sua tutelagem pelo feiticeiro Merlin e a sua subida ao poder ao retirar a espada da pedra. Artur recebe depois a sua espada Excalibur da Dama do Lago, casa-se com a rainha Guinevere (que lhe traz a Távola Redonda) e embarca num reinado de reforma e justiça em que os seus cavaleiros ajudam os pobres e oprimidos em vez de os explorar e castigar. As iniciativas de Artur transformam o seu reino e as regiões envolventes para melhor, até que o caso amoroso entre o seu melhor e mais grandioso cavaleiro, Sir Lancelot, e Guinevere é descoberto, fazendo com que toda a corte desabe em ruínas.

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Antes disto, porém, no Sexto Conto da obra de Malory, o Santo Graal surge na corte de Artur e uma voz ordena aos cavaleiros que o encontrem. Lancelot é a melhor aposta para trazer o Graal de volta à corte, mas isto apenas porque ninguém sabe ainda do seu caso com Guinevere. O pecado secreto de Lancelot impede-o de concluir a Demanda do Graal, que é finalmente terminada pelo seu filho ilegítimo com a dama Elaine de Corbenic, Sir Galahad, o puro de coração.

Conclusão

A obra de Malory, publicada em 1485 d.C. por William Caxton, foi um êxito de vendas, mas caiu em desuso durante o Renascimento, altura em que o público leitor se mostrava mais interessado na literatura clássica. Foi reavivada pelo poeta britânico Alfred, Lord Tennyson, em 1859, através de Idylls of the King (Idílios do Rei) e, desde então, a Lenda Arturiana tem continuado a exercer uma influência considerável na literatura, na arte e na cultura.

No século XX, serviu de base para o poema altamente influente A Terra Devastada (tít. original: The Wasteland), de T. S. Eliot (1922), que por sua vez moldou a literatura dos escritores da chamada Geração Perdida, destacando-se Fiesta (tít. original: The Sun Also Rises, 1926) de Ernest Hemingway, no qual o protagonista, Jake Barnes, assume simultaneamente o papel de Rei Pescador e do cavaleiro que deve trazer a cura para a terra devastada da cultura ocidental na sequência da Primeira Guerra Mundial. James Joyce, Ezra Pound, William Faulkner e muitos outros autores notáveis beberam da lenda do Graal nas suas obras, e os estudiosos dos dias de hoje continuam a explorar estas histórias em busca de significado existencial e espiritual.

A tese de Weston de que os romances arturianos tiveram origem em rituais pagãos de fertilidade tem sido contestada, conforme referido, mas a sua premissa continua a exercer uma influência considerável. O estudioso Dan Merkur, na sua obra de 1999. O Mistério do Maná (tít. original: The Mystery of Manna), aponta as semelhanças de experiência entre o cavaleiro-peregrino na Demanda do Graal e as vivências xamânicas, estabelecendo um paralelismo estreito com as teorias de Weston. Tal como no relato mais antigo d'O Êxtase Profético do Fantasma, passando pela obra de Chrétien, pela de Wolfram e pelas restantes, na experiência xamânica o iniciado chega a um lugar desconhecido onde existe o potencial para a transformação, mas esse iniciado deve saber o que perguntar e o que receber com humildade de modo a alcançar um conhecimento superior de si próprio e do mundo. A lenda do Graal continua a ressoar junto do público moderno porque ilustra a motivação subjacente da condição humana: a busca para encontrar o sentido e o propósito últimos da vida.

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Bibliografia

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Mark, J. J. (2026, agosto 26). Lenda do Graal. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18115/lenda-do-graal/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Lenda do Graal." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 26, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18115/lenda-do-graal/.

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Mark, Joshua J.. "Lenda do Graal." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 26 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18115/lenda-do-graal/.

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