Chrétien de Troyes

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Joshua J. Mark
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Perceval Arrives at the Grail Castle (by Michael Hurst, Public Domain)
Perceval Chega ao Castelo do Graal Michael Hurst (Public Domain)

Chrétien de Troyes (cerca de 1130–1190) foi o maior poeta romântico da sua época, sendo considerado hoje em dia o Pai do Romance Arturiano (juntamente com Godofredo de Monmouth) e também o Pai do Romance devido à sua forma narrativa. É muito provável que tenha nascido em Troyes, na região de Champagne, em França, e foi patrocinado por Maria de Champagne (1145–1198), filha de Leonor da Aquitânia (cerca de 1122–1204), muito conhecida por patrocinar as artes e incentivar a poesia do amor cortês.

Chrétien é o autor de cinco romances arturianos:

  • Erec e Enide (tít. original: Erec et Enide)
  • Cligès (tít. original: Cligès)
  • Lancelote, o Cavaleiro da Carreta (tít. original: Lancelot, le Chevalier de la Charrette)
  • Yvain, o Cavaleiro do Leão (tít. original: Yvain, le Chevalier au Lion)
  • Perceval, o Conto do Graal (tít. original: Perceval ou le Conte du Graal)

Foi o primeiro a introduzir alguns dos aspetos mais conhecidos das lendas arturianas, tais como o caso entre Lancelote e Guinevere, a Demanda do Graal e Camelot como o nome da corte de Artur. Com base em pormenores presentes nas introduções de alguns dos seus poemas, também traduziu obras do latim e escreveu outras peças que se encontram atualmente perdidas. Nada se sabe sobre a sua vida para além da sua obra, sendo inclusive desconhecido o seu verdadeiro nome. "Chrétien de Troyes" traduz-se como "um cristão de Troyes", o que poderia referir-se a quase qualquer pessoa dessa cidade.

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A sua carreira literária estendeu-se de cerca de 1159 a 1190, período durante o qual foi bastante prolífico, embora apenas cinco, possivelmente seis, das suas obras tenham chegado aos dias de hoje. Foi contemporâneo dos grandes poetas franceses Marie de France (que escreveu por volta de 1160–1215) e Bernart de Ventadour (século XII), ambos associados a Leonor da Aquitânia. As obras de Chrétien eram leituras populares no seu tempo e continuaram a sê-lo, influenciando o desenvolvimento das lendas arturianas durante os séculos seguintes, até que as histórias de Artur de todas as várias tradições fossem recolhidas, codificadas e padronizadas pelo autor inglês Thomas Malory em 1469.

Os Romances e o Amor Cortês

A Chrétien é igualmente atribuído o desenvolvimento da tradição medieval conhecida como amor cortês, embora a natureza exata do que constituiu o amor cortês continue a ser objeto de debate. Segundo alguns investigadores, tratava-se apenas de uma convenção literária, enquanto outros defendem que era um jogo social das cortes francesas medievais, havendo ainda quem sustente que as obras constituíam alegorias da seita religiosa herética conhecida como os cátaros.

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Independentemente da sua origem, a poesia de amor cortês revelou-se socialmente transformadora, pelo menos para as classes superiores. Ao longo da Idade Média (cerca de 476–1500), as mulheres eram encaradas como cidadãs de segunda classe, frequentemente vistas como pouco mais do que propriedade do senhor do feudo em que viviam, do pai ou do marido. Contudo, durante a Alta Idade Média, cerca de 1000–1300, o estatuto das mulheres melhorou de forma acentuada — pelo menos para aquelas pertencentes à classe média emergente e à aristocracia — e esta mudança parece dever-se, em parte, à influência da poesia de amor cortês.

Este género da literatura medieval surge aparentemente do nada por volta do final do século XI em Languedoque (sul de França) e foi plenamente desenvolvido durante o século XII. O investigador C. S. Lewis descreve os aspetos mais inovadores do género:

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O sentimento é, naturalmente, o amor, mas um amor de um tipo altamente especializado, cujas características podem ser enumeradas como Humildade, Cortesia, Adultério e a Religião do Amor. O amante é sempre abjeto. A obediência ao mais leve desejo da sua senhora, por mais caprichoso que seja, e a aquiescência silenciosa nas suas repreensões, por mais injustas que pareçam, são as únicas virtudes que ousa reivindicar. É um serviço de amor modelado de perto sobre o serviço que um vassalo feudal deve ao seu senhor. O amante é o "homem" da senhora. Ele dirige-se a ela como midons, que etimologicamente representa não "minha senhora", mas "meu senhor". Toda esta atitude tem sido justamente descrita como "uma feudalização do amor".

(pág. 2)

Até que ponto a poesia de amor cortês primitiva refletia as relações reais da nobreza francesa continua a ser objeto de debate, mas é inegável que a poesia altamente refinada de autores como Chrétien influenciou a forma como as mulheres eram percecionadas no final do século XII e ao longo do século XIII. A única ressalva a fazer é a influência da formidável Leonor da Aquitânia, que estabeleceu um padrão de monarca feminina que seria emulado pela sua filha Maria de Champagne (do seu primeiro casamento com Luís VII de França), bem como pela sua filha Leonor de Inglaterra (1161–1214, do seu casamento com Henrique II de Inglaterra) e pela sua neta Branca de Castela (1188–1252), que influenciaram os seus respetivos tempos e regiões. Deves notar-se, contudo, que a vida e as paixões de Leonor da Aquitânia estão intimamente entrelaçadas com o desenvolvimento da poesia de amor cortês, pelo que ambas podem ser vistas como exercendo exatamente o mesmo tipo de influência precisamente ao mesmo tempo.

Eleanor of Aquitaine
Eleanor da Aquitânia Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

O tipo de poesia descrita acima por Lewis constituiu uma visão completamente nova das mulheres na Idade Média, parecendo inevitável reconhecer a influência da vida de Leonor no desenvolvimento deste género, ainda que este ponto seja continuamente debatido entre os académicos atuais. Tal como a figura da dama na poesia de amor cortês, Leonor recusou ser definida pela sua relação com os homens, assumiu consistentemente o controlo de qualquer situação e, à semelhança de uma das heroínas da poesia de Marie de France, salvou-se a si própria de situações problemáticas muito mais vezes do que aquelas em que foi salva por outrem. Chrétien, escrevendo para a filha de Leonor, apresenta as suas mulheres como personagens fortes que dominam a narrativa. As mulheres de Chrétien orientam a ação numa obra mesmo quando surgem num papel submisso.

Erec e Enide

O primeiro romance de Chrétien é Erec Enide (por volta de 1170), centrado em Erec, um dos cavaleiros de Artur. No início do poema, Erec encontra-se entre aqueles que guardam Guinevere enquanto esta assiste a uma caçada. Um cavaleiro misterioso e um anão passam pelo local e insultam a rainha, que ordena a Erec que os siga e descubra a respetiva identidade.

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Chrétien, escrevendo para a filha de Leonor, apresenta as suas mulheres como personagens fortes que dominam a narrativa.

Erec segue-o até uma cidade amuralhada distante e descobre que ele é conhecido como Yder; ao mesmo tempo, vê a donzela Enide e apaixona-se por ela. Quando ouve dizer que se vai realizar um torneio para ganhar um falcão como prémio para a mulher mais bonita da cidade, Erec inscreve-se, derrota Yder e reclama Enide como sua esposa. Regressam à corte de Artur, onde a beleza e a nobreza de Enide são tão impressionantes — apesar das roupas de fraca qualidade que Erec a fizera vestir — que ela é imediatamente bem-acogida. A própria Guinevere oferece a Enide um dos seus melhores vestidos.

Erec está tão apaixonado pela esposa que acaba por descurar os seus deveres de cavaleiro, e Enide, transtornada por ser a causa desta falha, chora por causa disso. Erec envergonha-se e ordena à esposa e à comitiva que o sigam numa demanda para se redimir. O casal vivencia então uma série de perigos e aventuras em que Erec prova o seu valor. Ele e Enide são coroados monarcas de um reino longínquo e, previsivelmente, vivem felizes para sempre.

Ao longo do poema, Enide revela-se uma personagem forte, independente e plenamente desenvolvida. Não é um mero prémio para os cavaleiros num torneio nem uma esposa submissa e recatada para o marido. Mesmo quando lhe é ordenado que permaneça em silêncio durante a viagem, Enide continua a falar e salva repetidamente Erec do perigo.

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Cligès

A segunda obra de Chrétien, Cligès (cerca da década de 1170), dá continuidade a este tema, uma vez que a heroína, Fenice, engendra os meios para se salvar a si própria e ao seu amante. Cligès é uma reelaboração complexa do romance de Tristão e Isolda, no qual um jovem cavaleiro se apaixona pela noiva do seu tio. A primeira parte de Cligès centra-se no pai de Cligès, Alexandre, um jovem príncipe grego que se dirige à corte do Rei Artur na Grã-Bretanha para provar o seu valor e ser ordenado cavaleiro. Estando na corte, conhece a sobrinha de Artur, Soredamors, e apaixona-se, mas é demasiado tímido para lhe falar, encontrando-se Soredamors na mesma situação. Os dois amantes são encorajados a partilhar os seus sentimentos pela Rainha Guinevere, acabam por casar e nasce Cligès.

Tristan & Iseult
Tristão e Isolda Gwenaeth (Public Domain)

Alexandre e a sua família regressam à Grécia, onde o seu irmão, Alis, assumiu o trono. Pouco depois, Alis decide casar-se com a princesa Fenice da Alemanha e, quando esta chega, ela e Cligès apaixonam-se à primeira vista. Cligès não quer trair o seu tio e, por isso, parte, regressando à corte de Artur, onde se torna um dos cavaleiros de Artur e empreende várias aventuras. Quando regressa à Grécia, descobre que os seus sentimentos por Fenice não mudaram, nem os dela por ele.

Fenice não quer ser como Isolda, que "deu o seu coração a um homem, mas o seu corpo a dois", mas não consegue suportar viver sem Cligès. Resolve o problema com uma poção que a faz parecer morta, e Cligès leva-a para uma torre secreta. Os amantes são felizes no seu refúgio até serem descobertos. Cligès recorre a Artur em busca de ajuda para recuperar Fenice, mas Alis morre enquanto ele se encontra na Grã-Bretanha, e a história termina com os amantes reunidos.

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Lancelote, o Cavaleiro da Carreta

O Lancelote de Chrétien (cerca de 1177) é a sua obra mais conhecida e a primeira peça arturiana a introduzir o agora célebre caso de amor entre Lancelote e a esposa de Artur, Guinevere. Chrétien deixou o manuscrito para trabalhar noutra coisa (possivelmente Yvain) e este foi concluído pelo seu clérigo Godefroi de Leigni (século XII), que presumivelmente trabalhava com Chrétien no seu estúdio. A história começa com o rapto de Guinevere pelo malvado senhor Meleagant e com os cavaleiros de Artur enviados em sua perseguição. Entre eles está Lancelote, que ultrapassa todos os outros, mas o seu cavalo acaba por exaurir-se e morre. Lancelote continua a pé até encontrar um anão a conduzir uma carreta, o qual diz saber onde Guinevere foi levada e que ajudará se Lancelote consentir em subir para a carreta. As carretas eram associadas a criminosos e às classes baixas, pelo que Lancelote, o maior dos cavaleiros de Artur, hesita por um momento antes de entrar.

A personalidade de Lancelote é inteiramente uma criação de Chrétien, uma vez que ele não surge em nenhuma narrativa arturiana anterior.

Enquanto o cavaleiro e o anão viajam, Lancelote é ridicularizado e humilhado por andar de carreta, mas acaba por chegar à torre onde Guinevere se encontra prisioneira e resgata-a. No entanto, ela repreende-o pela sua hesitação em relação à carreta; ele colocara a sua própria honra e o julgamento alheio acima da sua devoção por ela. Ao tentar libertá-la, Lancelote é aprisionado por Meleagant, mas acaba por ser solto por uma mulher que ajudara anteriormente. Para reconquistar Guinevere, Lancelote aceita perder contra adversários inferiores num torneio, até que Guinevere lhe ordena que vença. Ele sagra-se campeão do torneio, mata Meleagant e é recompensado com um abraço cortês por parte de Guinevere.

Chrétien menciona Lancelote nas suas obras anteriores, mas não desenvolve a personagem de todo até a esta peça. A personagem é inteiramente uma criação de Chrétien, uma vez que não surge em nenhum conto arturiano anterior. Guinevere já era uma personagem estabelecida na sequência da História dos Reis da Bretanha (tít. original: History of the Kings of Britain, 1136) de Godofredo de Monmouth, mas a sua relação com Lancelote e o seu temperamento surgem pela primeira vez na obra de Chrétien. Lancelote, o Cavaleiro da Carreta é o poema que inspirou inicialmente o termo "amor cortês", cunhado pelo escritor francês Gaston Paris em 1883, que escrevia sobre a obra.

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Yvain, o Cavaleiro do Leão

Em Yvain (cerca de 1180), Chrétien parece inicialmente inverter o tema central da poesia de amor cortês — o cavaleiro que serve abjetamente a sua senhora —, mas acaba por demonstrar que esse é precisamente o tema de toda a obra. Yvain é um jovem cavaleiro da corte de Artur determinado em vingar a honra do seu primo Calogreant, que fora derrotado em combate singular por Esclados, o Cavaleiro da Fonte. Yvain mata Esclados, mas de seguida apaixona-se pela sua mulher, Laudine. Laudine não quer nada com o homem que assassinou o seu marido, mas Yvain conquista a confiança da criada da dama, Lunete, que convence Laudine a casar-se com ele.

O amigo de Yvain, Gawain, acha que ele é demasiado jovem para ficar em casa como homem casado e convence-o a ir viver aventuras com ele. Como acabou de se casar, Laudine opõe-se veementemente, mas Yvain promete-lhe que não se ausentará por muito tempo e ela concorda em dar-lhe um ano para saciar essa vontade. No entanto, uma vez partido, Yvain deixa-se absorver por aventuras com Gawain em terras distantes e esquece-se de Laudine e da sua promessa de se ausentar apenas por um ano. Quando regressa, ela rejeita-o, fazendo-o cair num desespero que o conduz à loucura.

Yvain Rescues the Lion
Yvain Resgata o Leão Dbachmann (Public Domain)

Ele é curado por uma nobre dama e juramenta provar que é digno de Laudine através de desafios ainda maiores do que aqueles que enfrentara com Gawain. Ao partir, encontra um leão encurralado por um dragão; mata o dragão e liberta o leão, que se torna então o seu companheiro constante. O cavaleiro e o leão prosseguem para triunfar sobre múltiplos oponentes e resgatam também Lunete, que tinha sido capturada e condenada à morte. Laudine perdoa Yvain e dá-lhe as boas-vindas de volta à corte, juntamente com o leão.

Yvain baseia-se nos temas de lendas arturianas anteriores, bem como em contos populares (tais como Androcles e o Leão), mas Chrétien apodera-se da história através de uma caracterização e desenvolvimento minuciosos. O herói-cavaleiro que conquista a sua senhora, apenas para se esquecer dela ao "ir divertir-se com os amigos", constituía um motivo totalmente novo na literatura arturiana e uma reviravolta interessante sobre a imagem tradicional do cavaleiro inteiramente devotado à sua senhora — ainda que seja precisamente nisso que Yvain se transforma no final.

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Perceval ou o Conto do Graal

O Perceval de Chrétien (cerca de 1190) ficou inacabado, muito provavelmente devido à morte do autor. O poema é dedicado a Filipe I, Conde da Flandres (reinou 1168–1191), que era então o patrono de Chrétien e viria a falecer em 1191. Quatro poetas desconhecidos continuaram o Perceval nas secções conhecidas como as "Quatro Continuações", que não possuem a mesma qualidade da obra de Chrétien, mas de forma alguma diminuem o brilho da narrativa original. O investigador Norris J. Lacy escreve:

O último romance de Chrétien, embora inacabado, exerceu uma influência tremenda: introduziu o Graal na literatura mundial e fez deste objeto (que era um vaso maravilhoso e sagrado, mas ainda não era, em Chrétien, o cálice da Última Ceia) o foco de uma demanda.

(Lindahl et al., pág. 77)

Perceval é criado nos bosques pela mãe, sem qualquer contacto com o mundo exterior, até que um dia vê alguns cavaleiros passar a cavalo. Sabe instantaneamente que tem de se tornar um deles e dirige-se à corte de Artur para aprender como o ser. Mal chega, é insultado por Sir Kay e jura vingança. Todas as suas aventuras subsequentes têm como objetivo provar que é superior a Kay.

Ele treina sob a tutela do cavaleiro Gornemant, que o instrui não só nas artes das armas, mas também no código cavalheiresco, incluindo a importância de não revelar os seus pensamentos falando demais. Numa das suas aventuras, conhece o Rei Pescador (também conhecido como o Rei do Graal), que o convida para o seu castelo. Enquanto lá está, Perceval testemunha uma procissão estranha na qual certos objetos (uma lança sangrenta, um candelabro, um graal) são transportados, mas, lembrando-se dos ensinamentos de Gornemant, não pergunta o que tudo aquilo significa. Quando acorda na manhã seguinte, todas as pessoas no castelo desapareceram e ele fica sozinho para selar o cavalo e prosseguir viagem. Tempos depois, encontra uma mulher a chorar que o repreende por não ter perguntado o significado da procissão, pois, se o tivesse feito, teria podido curar o Rei Pescador e restaurar a terra.

Knights of the Round Table
Cavaleiros da Távola Redonda Evrard d'Espinques (Public Domain)

O seu fracasso em fazer a pergunta continua a assombrá-lo nas aventuras seguintes, quando uma "dama hedionda" o condena pela sua falha. Ela desvia a sua atenção dele para o resto dos Cavaleiros da Távola Redonda, profetizando grandes aventuras que os aguardam, enquanto Perceval abandona silenciosamente a corte para iniciar a sua demanda pelo graal e, neste ponto, a obra de Chrétien termina. As Quatro Continuações tentam todas completar a história e resolver quaisquer pontas soltas, concluindo-se finalmente com Perceval a suceder ao Rei Pescador, a reinar com justiça e a retirar-se para viver em solidão nos bosques como ermita.

Conclusão

Chrétien escreveu também uma versão de Tristão e Isolda, atualmente perdida, que ele próprio afirma ter sido mal recebida, mas as suas obras sobreviventes foram obras muito conceituadas no seu tempo. O investigador Norris J. Lacy escreve:

Tão bem-sucedido foi que um bom número de escritores da geração seguinte parece ter evitado deliberadamente os temas arturianos, compreendendo sem dúvida que não conseguiriam competir favoravelmente com o mestre no seu próprio terreno literário.

(Lindahl et al., pág. 77)

A poesia de Chrétien não fez senão crescer em popularidade após a sua morte, influenciando as obras de posteriores escritores arturianos. O poeta alemão Wolfram von Eschenbach (cerca de 1170 – cerca de 1220) inspirou-se no Perceval de Chrétien para escrever a sua obra-prima arturiana Parzival, e o impressionante Mabinogion galês (cerca de 1200) ostenta também vestígios da inspiração de Chrétien. Os contos arturianos de Chrétien foram posteriormente desenvolvidos no Ciclo da Vulgata (1215–1235), que constituiu a principal fonte para A Morte de Artur (tít. originial: Le Morte d'Arthur) de Thomas Malory (cerca de 1469), a obra coroada da literatura arturiana, considerada o primeiro romance do mundo ocidental. Contudo, o que seria dessa obra sem Lancelote, Guinevere e o Graal?

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Mark, J. J. (2026, agosto 15). Chrétien de Troyes. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18096/chretien-de-troyes/

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Mark, Joshua J.. "Chrétien de Troyes." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 15, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18096/chretien-de-troyes/.

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Mark, Joshua J.. "Chrétien de Troyes." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 15 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18096/chretien-de-troyes/.

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