A abertura do Canal do Suez, a 17 de novembro de 1869, marcou uma transformação profunda no comércio marítimo global, ligando o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho através de um canal direto ao nível do mar, atravessando o istmo do Suez. Construído entre 1859 e 1869 sob a liderança de Ferdinand de Lesseps, o projeto encurtou drasticamente as rotas marítimas entre a Europa e a Ásia, ao eliminar a necessidade de navegar em torno do Cabo da Boa Esperança. Construído durante o reinado de Isma'il Pasha (reinou 1863–1879), o canal refletiu tanto as ambições tecnológicas da era industrial como a crescente integração do Egito nos sistemas comerciais e imperiais globais. O traçado também reviveu um conceito estratégico muito mais antigo, fazendo eco de canais anteriores que tinham ligado o Nilo ao Mar Vermelho durante os períodos faraónico, persa e do início do Islão.
O canal tornou-se rapidamente uma das artérias mais importantes do comércio internacional e da comunicação imperial, particularmente para as potências europeias que procuravam um acesso mais rápido ao Oceano Índico e ao Leste Asiático. Embora inicialmente desenvolvido através de uma parceria franco-egípcia, a sua importância estratégica atraiu cada vez mais o envolvimento britânico, especialmente após a Grã-Bretanha ter adquirido as ações egípcias do canal em 1875, sob o governo do Primeiro-Ministro Benjamin Disraeli (em funções em 1868 e 1874–1880), e ter, mais tarde, ocupado o Egito em 1882.

